Shelter Blue Brasileira

Autor(a): rren


Volume 2 – Arco 1: União

Capítulo 5.3: De mãos dadas para o futuro

Ele desviou o foco para os seus pulsos. São presos por algemas finas de metal, porém, mesmo que use a aura para reforçar seu corpo, não seria o bastante para rompê-las na força bruta. E mesmo que direcione a energia para o material, aquilo iria observá-la. Jun precisava se soltar rápido.

Adiante, no corpo destroçado da cavaleira, ele conseguia visualizar sua adaga caída próxima a um poça de sangue que aos poucos começava a alcançá-la. Contudo, ir até lá não era uma opção válida no momento. A mulher de longos cabelos prateados e olhos dourados reluzentes caminhava em sua direção.

Uma onda de pressão o jogou contra o chão. Mesmo utilizando uma aceleração dupla de forma controlada, não era o bastante para resistir a magia gravitacional dela. Ainda assim, Jun conseguia voltar a ficar novamente de pé, por mais que precise de muita força.

Tem que haver uma forma de conseguir romper isso…

A rainha continuava a tentar esmagá-lo com seu poder, mas o garoto de cabelos escarlates resiste por pouco. Ele não iria parar. Não iria desistir. Jamais deixaria ser derrotado por essa mulher. Jun não aceitava.

Eu preciso ser forte! Mais do que nunca! Pra isso tenho que ir rápido! Mais rápido do que qualquer um! Nem uma barreira ou pressão é capaz de me impedir! Agora e nunca mais!!

O material do seu novo uniforme, que ganhou ao entrar para elite, conseguia concentrar a aura. Portanto, ao reforçar seu corpo, não só sua pele, como sua roupa também se tornaram uma armadura invisível indestrutível. E foi o que ele fez. Isso seria necessário para que conseguisse vibrar seus punhos sem que se destruísse.

A onda continuou a tentar o amassar, e o garoto acelerou. Entre as vibrações que gerava, uma onda de fumaça começava a se formar. O ambiente se tornava cada vez mais quente ao seu redor. E então, com aquele metal incandescido, Jun explodiu aquilo em pedaços líquidos ferventes.

— Quanto mais olho para você, só consigo ficar mais triste. É uma pena que um potencial desses tenha sido desperdiçado por ser de um tipo tão ruim e egoísta… Meu sonho era poder ter estado ao lado de minha família para ver isso crescer… Mesmo assim, meu mundo foi destruído por causa daquela bruxa! — Yuriko fecha o punho e faz com que Jun caia de cara contra aquele tapete vermelho, outra vez — Por causa daquele erro, eu perdi a pessoa mais importante da minha vida! E você… por que tinha que ser tão parecido com ele?! É a prova viva do único e maior deslize que cometi…

— Você está errada!

Jun se apoiava com o abraço para se reerguer. Ele acelerava, de novo e de novo. Múltiplas vezes por cima de um mesmo fluxo que só se intensificava. Agora possuía o total controle sobre seu poder. Não estava se matando para proteger quem amava, nesse instante, somente se encontrava num crescimento constante.

Seu pé outra vez, se apoia sobre a superfície, e ele se empurra com o braço. A energia começa a vazar de seu corpo como uma fumaça suavemente, na qual refletia o mundo ao redor como um cristal, brilhando de forma reluzente. E pequenas partículas prateadas vão subindo de baixo para cima e sumindo como estrelas cadentes.

— Você tinha me chamado de tipo egoísta? Seria por causa de usuários como eu serem chamados de Duo? E por causa disso parecemos que estamos acima do Ones?

Com as mãos soltando o solo, o garoto novamente recupera seu equilíbrio. Ainda se mantém cabisbaixo, com o cabelo tapando os olhos fechados e forçantes. Enquanto isso, vermelho e prata se tornavam cada vez mais intensos e potentes.

— Isso significa o mesmo que dueto, ou seja, algo que atua em harmonia e conjunto… O poder que tenho é algo que não pode ser obtido sozinho e que deve ser compartilhado com os outros para que juntos nos tornemos mais fortes! É diferente dos Ones que acreditam serem melhores, só por ter algo único!

Jun se ergue por completo novamente e inclina sua cabeça para trás. A sua aura jorra numa rajada de um brilho violento. O garoto consegue dar o primeiro passo em direção a sua avó. E assim abre seus olhos preenchidos por um prateado de luz pura, rodeado por uma energia tão pujante que deixava um rastro com um reflexo prismático se um espectro infinito de cores concentrado em seu interior.

— O poder de um Duo é o unir as pessoas! A única egoísta aqui é você que usa algo fútil para determinar uma falsa superioridade aos outros!

As íris douradas, que até então apenas demonstravam um ar superioridade, mudaram para uma feição de espanto. A mulher rapidamente se moveu com uma arrancada gravitacional para longe do garoto.

— Sai de perto de mim! Você não passa de uma aberração como a sua mãe!

Ela pega uma espada, escorada ao lado do trono e aponta para o garoto. A aura de ouro é envolvida naquela lâmina e, a partir disso, diversas réplicas de energia são formadas e lançadas contra ele.

Contudo, Jun apenas continua caminhando em meio aquela chuva de espadas, desviando de uma por uma, como se fossem nada. Ele para na frente de sua adaga e a coleta, olhando para o que restara do corpo da cavaleira. Cerra o punho no cabo ensanguentado e pede desculpas mentalmente para ela.

Se a minha avó faz algo desse tipo, então eu também posso… Farei jus ao nome dessa espada, com aquela nova técnica que criei por causa da Rie. Criarei uma chuva de centenas de lampejos estelares!

Jun apontou sua espada para rainha, sem se importar com os impactos que recebia do ataque dela. Ele se curava mais rápido do que ela conseguia ferir. Sua lâmina absorve toda a sua luz e brilha de forma incandescente. E assim moveu seu punho repetidas vezes para frente.

Centenas de linhas, como estrelas cadentes voavam na direção dela, movendo-se três vezes mais rápido que o próprio som. Elas criavam rasgos na realidade fazendo-a tremer com cada impacto que causava na barreira invisível que a soberana criou. Ainda assim, estavam prestes a perfurá-la como um emaranhado de agulhas.

Essa era uma força que Jun não havia adquirido sozinho. Foi por causa do desejo e apoio que todos à sua volta de querer vivem juntos que conseguiu. Principalmente por causa daquela luz que o fez acordar, em que jamais deixaria se apagar.

Ele então gritou com todas as suas forças. Gritava, pois precisava ir além, muito mais do que já foi para acabar com isso de uma vez por todas.

E assim, as estrelas passaram a se mover devagar. O mundo ao redor desacelerou. Somente o garoto avançou com tudo, rasgando o infinito como um feixe. Assim, atravessando o peito daquela figura que atuava com uma deusa com sua espada.

— Diferente de você, eu serei aquele que irá unir as pessoas! Não me importa de qual tipo sejam, apenas vou destruir esse falso céu para que todos possam desfrutar um mundo sem limites juntos!

A realidade, então volta ao normal e Jun puxa de volta sua espada, a balançando para expelir o sangue. Já estava na hora da antiga geração passar a tocha para a nova. Ele pegaria o trono que lhe é direito para si e mudaria essa realidade em que vive. Confiava em sua capacidade para atingir esse fim.

Entretanto, esse não parecia ser um plano válido…

Repentinamente, o peito ferido de Yuriko Hirose, regenerou-se como se aquele ataque que sofrera não fosse nada.

— Que garoto mal-educado… Vê se isso é modos de tratar a sua avó!

Levantando a palma da mão, a mulher arremessou o garoto para longe. Foi com uma pressão maior do que antes, mas que Jun conseguia resistir e ainda parar com a habilidade de arrancada. Jun estava pasmo.

Uma magia capaz de fazer um dano voltar a um estado anterior… Então ela é capaz de realizar esse tipo de magia e, ainda, nela mesma!

— Quem você pensa que eu sou, moleque?!

— Apenas alguém que perdeu a razão por causa de um ego sem mérito.

A rainha range os dentes e então tenta esmagar Jun de uma vez por todas. Entretanto, isso não era possível. A cada segundo ele estava se superando mais e mais, porém, mesmo assim, ainda não era o suficiente…

— De todo o modo, foi um prazer, enfim, te conhecer vovó. Espero que da próxima vez possamos ter um caloroso jantar em família! — Jun dá sorriso e acena para Yuriko que parece se frustrar cada vez por não conseguir afetá-lo, mesmo com o chão começando a quebrar.

Usando de um dash, Jun cruzou por todo o castelo rasgando o que tinha à frente, até se deparar em meio ao céu de uma cidade dourada. Pelo menos agora, era incapaz de derrotá-la por causa daquele poder de regressar. Por hora, apenas precisava se certificar que Rie estava bem. O bem-estar dela era tudo que importava pra ele no momento.

 

* * *

 

A mente dele se encontrava numa confusão completa. Em pouco tempo, foram tantas coisas que aconteceram que mal pode processar. Até mesmo chegou a um estado do seu poder que não sabia que era capaz. Pelo menos, por enquanto não parecia que estava sofrendo qualquer dano ao utilizar a aceleração daquela forma. No máximo ficaria esgotado muito rápido pelo excesso de energia que gastava, mas ainda dava para aguentar.

Seu objetivo principal era ir até um lugar onde tivesse alguém conhecido, pois graças a confusão anterior acabou ficando sem celular. Portanto, foi direto para a base das forças de ataque. Ao se sentir mais segundo foi diminuindo aos poucos a velocidade supersônica em que se movia, assim conseguindo frear de forma suave.

Ele estava com sorte, pois encontrou um rosto conhecido sem precisar se esforçar. No mesmo instante chamou pelo nome do garoto de óculos e cabelos azuis:

— Seiji, que bom que eu te encontrei…

— Meu deus, o que aconteceu, Jun? Onde você estava? Todos estavam preocupados com você.

— Acabei tendo um encontro de família desagradável, se assim posso dizer. Mas deixa pra eu explicar isso depois… Eu preciso que você me empreste seu celular.

— Ah, tudo bem…

E assim, Seiji lhe emprestou o que pediu, mesmo que ainda um pouco confuso. De todo o modo, Jun precisava ligar pra Rie imediatamente. Tinha que descobrir se nada ocorreu com ela…

— Está tudo bem com você, Rie?! — Foi a primeira coisa que ele disse para ela, ao atender o celular.

— É eu que devia perguntar isso! Onde você estava durante todo esse tempo?!

— Os Ones conseguiram me reptar, mas eu escapei sem problemas. Não aconteceu nada de mais comigo.

— Nada demais?! Isso é algo muito grande!

Ele se sentia mal por ver ela falando da forma irritada que estava, por causa da preocupação. Contudo, agora tinha outras prioridades a mais.

— Eu estou no prédio das forças de ataque e vou voltar pra casa em breve pra te encontrar. Ainda bem que não foram até você…

— Você não precisa ir pra lá, eu estou aqui também…

— Por quê?

Por alguns instantes a garota demonstrou parecer incerta quanto a algo. Jun estava começando a ficar preocupado com ela.

— Bem, eu não sei como te falar sobre isso, pois é complicado… Aconteceu uma coisa que você precisa ver por si mesmo. Eu fui chamada até aqui por causa disso, já que queriam saber onde você estava.

— Onde eu posso te encontrar?

— No jardim de flores.

O garoto de cabelos escarlates, então devolveu o celular para o seu amigo e assim se despediu. Pensamentos em sua mente não paravam de serem martelados. Estava muito confuso com tudo e, principalmente, completamente em alerta. Depois de terem descoberto a sua identidade, agora ele esperava por qualquer coisa.

Caminhou apressadamente pelos corredores do prédio, para que conseguisse ir de encontro a sua namorada. Apenas queria ter a certeza de que tudo estava bem. Entretanto, ao chegar lá se deparou com uma figura que lhe deixou apavorado.

Se deparou com uma mulher de longos cabelos prateados que se virou em instantes ao perceber sua presença. E Jun, imediatamente sacou sua espada e acelerou múltiplas vezes, sem pensar.

Como foi que a rainha conseguiu vir até aqui? Até onde vão os poderes daquela mulher para conseguir se mover tão rapidamente de um lugar para o outro.

Uma fumaça luminosa da cor do sangue começou a jorrar de seu corpo e se tornar cada vez mais intensa. Gradualmente um brilho prateado preencheu a outra cor e reluziu como uma luz poderosa. Concentrou a energia na sua lâmina e então investiu em direção a ela. No entanto, foi obrigado a frear…

— Jun! Por favor, para! O que você está fazendo?!

Rie apareceu na frente dele, bloqueando a passagem dele. Ela parecia estar assustada, porém não com o que ele esperava, mas por causa dele.

— Como assim? Você não percebeu a rainha?!

— Se acalma, por favor…

A garota andou até ele e colocou as duas mãos no seu rosto. Rie o encarava com os olhos fixados nos dele. Jun ainda se sentia muito confuso, contudo, por um segundo conseguiu relaxar. Quando ela o soltou, demonstrando um sorriso contente e aliviado, ele, enfim, por observar a figura que de imediato o assuntou com calma.

Tratava-se de uma mulher, usando um vestido branco com cabelos longos, no entanto, completamente prateados. A expressão na qual ela olha para ele era uma que não conseguia compreender. No instante em que seus olhos se encontraram com as íris vermelhas dela, se arregalaram de uma vez só.

A mão de Jun se tornou trêmula e assim, deixou sua espada cair. Em meio ao som do metal debatendo na superfície, todo seu interior entrou num conflito maior ainda.

Não pode ser… eu devo estar enlouquecendo… As memórias devem estar me confundindo… Essa pessoa… Ela… Ela se parece muito com a minha mãe…

 

* * *

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