Volume 2 – Arco 1: União
Capítulo 5.2: De mãos dadas para o futuro
No jardim da escola, após o término das aulas, em uma região pouco frequentada, Jun e Rie pararam para terem um momentos a sós. O garoto queria se verificar o máximo possível de que não houvesse ninguém próximo a eles. Iria tratar de um assunto que poderia ser algo fatal, caso qualquer um além de sua namorada escutasse:
— Eu combinei de me encontrar com o Mikio, naquele lugar que a gente aprendeu a usar magia elemental. Vou tratar com ele a respeito dessa nossa situação…
— É por causa de toda a hostilidade e dúvida que os outros tem demonstrado quanto a nós? Mesmo assim, não é como se nós estivéssemos em qualquer cenário favorável para fazer algo, qualquer coisa pode ocasionar em um conflito ainda maior que aquele envolvendo o exército que tivemos.
— Ainda assim, não muda o fato de que esmos presos diante de uma bomba prestes a estourar.
Rie parecia nervosa e ansiosa, quando as próximas palavras em que Jun estava prestes a falar. Era como se ela já soubesse o que iria sair da boca dele e não quisesse ter que encarar.
— Não podemos mais continuar procrastinando fingindo termos uma vida que não é a nossa de verdade, precisamos resolver o real problema, antes que não reste mais tempo… O seu tempo. É sobre isso que quero tratar com Mikio. Continuar vivendo dessa forma não é diferente dos Ones que se prendem numa ilusão de segurança enquanto outros morrem sem se importarem…
Rie apoias suas mão sobre o peito e então abaixa sua cabeça. No fundo ele sabe que sua namorada também tem a noção de que está se submetendo a uma realidade que não deseja, apenas para garantir que aqueles nos quais ama deixem de serem ameaçados por sua causa.
— Também, deve haver algo forma de acabar com essa perseguição de modo pacífico… Do que adianta estar num mundo onde ninguém queira escutar suas canções, não é mesmo?
E em reação ao que acabara de ouvir, a garota dá um pequeno sorriso e então soltando um suspiro de alívio diz:
— Tudo bem… — Ela assegura o rosto dele pelas bochechas com ambas as mãos e o encara diretamente nos olhos. — Eu vou ficar esperando em casa… Só trata de voltar seguro para lá e vivo, principalmente, tá?
Jun então assentiu com a cabeça e deixou Rie para ir realizar o que pretendia. Tinha muitos medos e inseguranças, quanto a abandoná-la, porém, sabia que ela era extremamente capaz de se cuidar muito bem sozinha. E também, a hora dela ir embora, ainda não era agora. Ele também não iria deixar que isso acontecesse, de todo o modo.
Quando saiu pelos portões do campus levou um longo tempo até que conseguisse chegar no pequeno ginásio com uma arena e arquibancadas ao redor, porém poderia relaxar durante um tempo em paz. Ainda deveria demorar para que Mikio também estivesse ali, pois se tratava de uma figura que se destaca mais do que Jun, uma vez que possuí o título de príncipe que dificulta uma fuga furtiva. Não foi tão fácil para que conseguissem ir ver sua mãe no outro dia junto.
Entretanto, por hora, parecia que sequer teria um segundo para abaixar sua guarda. Repentinamente, uma descarga de energia envolveu o local. E assim o som de passos vindo em sua direção junto de do bater de metais, pode ser escutado cada vez mais alto, aos poucos.
A chance de que seu irmão biológico tenha o traído e arma algo contra ele estava longe de seu uma possibilidade, portanto isso clemente veio de outro indivíduo. Muito provavelmente de alguém que percebeu ele vindo para esse local e decidiu usar como uma oportunidade para colocar suas intenções em prática, mas quem:
— Eu imaginava que você viria até o seu esconderijo… Mas, de todo o modo, isso já está bom. Você se meteu justamente num lugar com poucas brechas para fugir.
— Bem que você podia ter agido de uma forma menos óbvia. Desse jeito, eu estaria surpreso agora.
E então aquela mulher, conhecida como uma das vice comandantes do exército do One, chamada de Noriko Seki, deu suas caras. Ao menos, ela enfim se revelou perante a Jun, pois estava com o corpo coberto com a armadura dos pés à cabeça.
— Quantos mais estão atrás de mim, agora?
— Isso foi uma suspeita unicamente minha, então me certifiquei de confirmar isso sem que um rebuliço pudesse acontecer, pois quero evitar que futuramente uma escola inteira seja invadida devido a presença de dois jovens. Sei que não é idiota e sabe que só a presença de vocês dois lá vai acarretar em um conflito, uma hora ou outra.
Ela andou lendo minha mente antes de vir até aqui? Independente do for, não posso ficar com a guarda baixa uma vez que sua intensão é hostil…
Jun respirou fundo e então levou sua mão até o cabo da adaga na bainha. Ele dá um passo para frente e saca a sua arma como espada enquanto sua íris é gradualmente tomada por um brilho prateado.
— Se for esse caso, então as nossas intenções não são diferentes. Não quero lutar, mas se sua postura continuar dessa fora farei isso sem hesitar.
— Desista de inventar desculpas para tentar fugir. Eu fiz uma barreira ao redor que vai impedir qualquer tentativa de sair daqui, sem falar que sua mobilidade estará prejudicada num espaço pequeno como esse, ainda mais contra outra usuária do elemento elétrico. Eu vou dar um fim nessa ameaça antes que ocorra o pior.
— Valeu pela explicação, agora sei que só preciso te nocautear e assim dar um fim a essa confusão de uma vez.
— Pensei que você iria querer me matar… Interessante.
De um instante para o outro, Jun então se deslocou até a frente da cavaleira, num estrondo. Ele tenta golpear a barriga dela com a sua espada, na qual traçava um rastro contínuo luminoso pelo ar, mas que permaneceu a se mover, sem que colidisse com o que esperava. No seu campo de visão, as únicas coisas que restaram foram pequenos raios dourados.
No reflexo, ele se vira para a direção oposta, assim se deparando novamente com o oponente. Sem pensar duas vezes, ele parte em ataque novamente. Sua lâmina colide com a lança da vice comandante. Jun gira seu corpo para sair do alcance daquilo para atacá-la diretamente.
A vantagem dela era o seu longo alcance, portanto, se conseguisse diminuir isso, sua vitória era garantida. Tinha certeza de que era capaz de derrotar um adversário como ela, contudo, não queria feri-la, ou até mesmo, matá-la. Apenas criar uma oportunidade para escapar. No entanto, essa não parecia ser a intenção da mulher, na qual sacou uma pistola e apontou na direção dele.
— Esse tipo de coisa não funciona mais contra mim! — Exclamou Jun, combinando sua aura elétrica com a aceleração e conseguindo a velocidade necessária para cortar aquilo.
Entretanto, ao partir aquele simples objeto, ele tentou recuar. Foi em um reflexo de instante que Jun usou a habilidade de arrancar para se lançar no sentido contrário. Graças a isso, durante poucos segundos ele desacelerou para conseguir escapar daquilo que o cercava, porém, o tempo necessário para ser apanhado. Uma rede de captura havia se formado ao destruir aquilo.
Parte do seu corpo foi coberto por aquele entrelaçado de metal o fazendo perder o equilíbrio e cair. Jun, imediatamente tentou cortar usando sua aura, mas sua energia foi absorvida pelo material. Ele, então, no desespero tentou remover aquilo com suas próprias mãos, contudo, agora era tarde demais.
A cavaleira lançou uma onda de choque paralisante nele que, obviamente, não fazia efeito em si, ainda assim, o deixava lento. Ela segurou seu rosto com uma mão e, com a outra, injetou algo com uma seringa nele.
— Não se preocupe. Isso apenas fará você dormir…
A visão do garoto começou a se tornar turva, e suas pupilas pesadas. Por mais que quisesse reagir, já não havia mais como. Em poucos segundos, Jun perdeu completamente a consciência.
* * *
Quando Jun despertou, ele tossiu com muita força. Foi graças a um cheiro horroroso que entrou em suas narinas e o fez sentir uma ardência por dentro. Isso durou por poucos segundos, ainda assim, pareceu ser um tipo de tortura interminável.
— Me desculpa por te acordar desse jeito. Eu vou precisar de você acordado a partir de agora — Noriko que se encontrava sem o capacete no momento, falava com o garoto, num tom estranhamente gentil para alguém que acabou de capturar um tipo de aberração.
— As balas virarem uma rede de captura é algo novo…
— Isso é um tipo de munição já usada há algum tempo contra bestas, porém, imaginei que seria útil contra um moleque que consegue cortar projéteis. Você não devia subestimar o intelecto de uma vice comandante do exército.
Ah, tá… me conta outra… Mesmo assim, admito que foi algo inteligente. Eu nunca iria imaginar que existiria algo assim, sequer ouvi qualquer comentário sobre algo do tipo.
— De qualquer forma, me siga. Está na hora de se apresentar perante alguém que irá decidir seu destino.
A mulher então puxou uma corrente, desse modo, fazendo Jun perceber que se encontrava de mãos algemadas. Ele tentou forcejar e concentrar a aura, furtivamente, enquanto era levado por ela para algum lugar, no entanto, tratava-se do mesmo material que absorvia a energia de antes. Apenas lhe restava aguardar pelo pior.
Embora o lugar ao redor não o deixasse nem um pouco amedrontado. Para falar a verdade, o deixava com mais nojo do que outra coisa. Percorria um corredor com tapete vermelho, com paredes e pilastras de mármores decorados com ouro. Não parecia que estava indo para uma sala de julgamento.
Durante o trajeto, não teve como ele deixar de reparar na sua adaga presa na cintura da mulher. Se ele, de alguma forma, conseguisse pegar aquilo de volta, talvez conseguisse se soltar. Contudo, antes que pudesse dar início em algum plano, foi cortado por uma fala:
— Fique de joelhos.
— O quê?
— Apenas me obedeça se quiser continuar vivo.
E assim, com muito desgosto, Jun obedece o que foi ordenado para si. Onde estava não parecia ser um bom local, pois se tratava de um grande salão, ainda no padrão de decoração anterior. Ele apenas não conseguia ver o que havia na sua frente, uma vez que a cavaleira cobria sua visão.
— Como foi pedido, eu trouxe o garoto até você, vossa alteza — disse Noriko, ao se agachar em referência, assim, permitindo que Jun visse a figura adiante.
Os seus olhos se arregalaram no momento. Um forte arrepio percorreu por todo o seu corpo e um instinto de sobrevivência despertou de forma intensa. A mulher sentada no trono na sua frente, apenas podia ser descrita como soberana. Na verdade, ela até parecia como uma divindade ou algum tipo de entidade superior.
Seus cabelos eram longos e prateados com a nuca pintada de dourado, com olhos da mesma cor e uma pele clara quase transparente. Usava um vestido comprido branco que mostrava muito o corpo, com luvas que cobriam quase o braço todo, em um todo decorado com diversas partes metálicas de ouro. E no topo da cabeça, obviamente, uma coroa.
Ela se parecia com a mãe de Jun, mas ao mesmo tempo era totalmente diferente. Na teoria era para ter por volta de cinquenta anos, porém ele sequer conseguia deduzir a idade dela por causa da aparência. Parecia ser uma mulher jovem.
— Ótimo. Agora, solte essa corrente e deixe-me ver o meu neto.
E a cavaleira obedece às ordens sem contestar. Entretanto, foi quando os olhos de Jun e da rainha One, na qual sabia que se chamava de “Yuriko Hirose”, se cruzaram. O seu medo anterior desapareceu por completo e foi tomado pelo ódio.
De todo o modo, ele estava pouco se importando com quem era essa pessoa. Agora que não havia ninguém mais o assegurando, poderia tentar fugir, mesmo que ainda algemado. Foi o que ele fez.
Entretanto, no instante em que tentou usar a habilidade de dash, se viu completamente imóvel. Uma grande onda de pressão o mantém estático naquele lugar, sem conseguir sequer mover um músculo.
Não é possível… Isso aqui é uma magia gravitacional, mas ela ao menos se mexeu naquela cadeira para conjurar algo desse tipo!
— O que é isso? Não precisa ser tímido. Deixa a vovó conhecer você — Ela falava em um tom estranhamente carinhoso.
E então, a majestade se levanta do trono e começa a andar em sua direção lentamente. Enquanto ela vai se aproximando, Jun apenas escuta o som do salto alto batendo nos degraus.
— Sei que você deve estar louco para voltar para sua parceira, pois essa é uma das principais características da sua espécie, caso contrário, não se chamariam de Duo.
Do que ela está falando? Será que ela sabe o que a Rie e eu somos? A filha dela foi isso, então é possível…
— Ainda assim é uma pena que ela não esteja aqui, pois faz muitos anos que não vejo alguém do seu tipo chegar perto de despertar se unindo…
Como quem não tinha pressa, a mulher continuou a caminhar lentamente. No entanto, repentinamente, ela foi obrigada a parar. A cavaleira se meteu na frente e a contestou falando:
— Vossa alteza, não acha que é um tanto demais se dedicar tanto para capturar um garoto? Ele é só um jovem.
— Eu quero ver o meu neto. Sai da minha frente.
— Mas disso mesmo que eu estou me referindo. Ele é parte da sua família, certo? Então, por que toda essa caçada?
— Eu mandei sair da minha frente, pois quero ver o meu neto.
Então, de um segundo para o outro, como apenas um balançar de mãos, a vice comandante foi jogada para longe, explodindo e deixando um rastro de sangue no chão. Em meio aos pedaços de armadura que ricocheteiam na superfície, uma poça de sangue escorria daquele corpo que foi comprimido até estourar.
Jun olhou para aquilo pasmo, com os olhos trêmulos. O que acabara de presenciar foi um uso além da sua compreensão de uma magia gravitacional. Estava operando a uma entidade que poderia erradicá-lo com um simples piscar de olhos. Contudo, por hora não tinha tempo para absorver as informações, pois acabara de receber um forte abraço:
— Ahh, como eu queria poder ter conhecido você antes. Me sinto muito desolada de não ter tido a possibilidade de acompanhar o crescimento de um garoto tão lindo como esse! Você é a cara do seu avô! — O tom de como ela falava era um completamente amoroso e animado, como se realmente fosse uma avó contente de rever seu neto depois de tanto tempo, mas esse não era o caso.
Jun estava apavorado. Não sabia se encarava a mulher que o envolvia com seus braços, ou se prestava atenção na outra que acabara de ser estraçalhada.
— Mal consigo imaginar todos os momentos preciosos que poderia ter tido ao lado dos meus netinhos. Ver vocês se tornarem esses homens juntos teria sido tudo de mais valioso para mim. Ainda assim, por mais triste que seja, diferente do seu irmão… você é apenas um filho falho daquela bruxa.
Ao escutar aquela última fala, Jun imediatamente acelerou. Fez uma aceleração dupla, na qual utilizou para dar um dash e escapar dos braços dela. No entanto, numa questão de segundos foi rapidamente arremessado contra o chão.
— Onde você pensa que vai? Sequer deu tempo pra gente se conhecer direito — Ela ainda falava de forma carinhosa.
— Eu não preciso disso… — Jun dizia enquanto tenta se levantar forcejando contra a pressão — Sei muito bem quem você é, Yuriko Hirose.
— Então você já sabe meu nome? Que orgulho! Por favor, me diga o seu também, meu querido — Os olhos dela brilhavam de alegria.
E depois de muito lutar, enfim, ele consegue se apoiar com os dois pés no chão. O garoto de cabelos vermelhos, então encara a mulher e fala:
— Me chamo Jun Asano. É um grande prazer, finalmente, poder te conhecer vovó.
— Que nome bonito! Mesmo assim, algo triste… É realmente uma total pena que um netinho desses, para começo de conversa, sequer devia ter existido.
Na face dela, uma genuína expressão de tristeza se formou. Contudo, ele não se deixaria levar por isso. As íris de Jun, tomadas por uma luz prateada, apenas foram de encontro com as da rainha que eram preenchidas gradualmente por um brilho dourado.
* * *
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