Volume 2 – Arco 1: União
Capítulo 5.1: De mãos dadas para o futuro
Suas memórias ainda continuavam completamente confusas em relação àquele dia em meio a um emaranhado de fragmentos. Enquanto, por um instante, se recordava de estar junto de sua família, na sala de estar fazendo birra com o seu irmão, por outro lado, estava o seu pai tentando o resgatar de pessoas que o levavam à força. E quando se deu por conta, já estava indo com aquele trem-bala, ao mesmo tempo que o homem tentava mandar os caras maus para longe.
A espada de Isamu estava banhada e fazia os indivíduos esguichar sangue. Na hora, Jun sequer compreendeu do que se tratava o que viu. Contudo, agora entendia que pessoas precisavam ser mortas para que chegasse na cidade onde estava sua avó.
E quanto a Mikio, só sabia que ele foi tomado antes que conseguissem o colocar junto de Jun no transporte. A partir daí, só sabia que o futuro capitão foi até a divisão dos Ones para tentar trazê-lo de volta, mas de lá só conseguiu varrer o terreno dos repentinos monstros que o abordaram e resgatar uma garotinha traumatizada.
Em paralelo a tudo isso, sua mãe estava travando uma batalha por sua vida em que, ao precisar usar uma arma defeituosa com um poder além das demais, acabou caindo em um sono que persiste até então. E quando as partes que não sabia, nesse instante, Mikio contava para Jun enquanto caminhavam em retorno a escola, sobre o que teve que passar após ser pego:
— Na hora, eu jurava que iria ser assassinado, porém quando reagi para me libertar daquelas pessoas, elas mudaram de postura ao ver minha aura dourada. E assim, fui levado até a rainha para que ela dissesse o que fazer comigo, aliás, mesmo sendo o descendente de uma filha deserdada, também era o neto dele e, ainda assim, um One.
Jun já ouviu falar muito dessa mulher até então, no entanto, sequer tinha ideia de como ela realmente deveria ser. Talvez alguém que fosse o cúmulo do egocentrismo, aliás, se tratava da governante absoluta da tal raça superior.
— Para minha surpresa, naquele momento, ela me recebeu de bom agrado e falou que estava muito contente por poder me conhecer. Obviamente, havia uma certa amargura no fundo das palavras delas, nas quais ainda continuam até hoje, mas com menos clareza.
— Imaginei que ela iria te desprezar instantaneamente por ser filho de uma Zero.
— Eu imagino que isso tenha sido revelado por eu ser do mesmo tipo que ela. Desse modo o sangue real poderia continuar com um poder dourado e puro, seja lá onde esteja a pureza. E, de todo o modo, a partir daí ela deixou que os funcionários tomassem conta de mim e me treinasse para que fosse capaz de manter a grandiosidade de tal ranking real que recebi.
No caso da Rie, pelo que escutou dela, era obrigada a se tornar uma guerreira para que conseguisse subir nesse tipo de posição. Não sabia se Mikio que estava no topo disse, era verdade e, portanto, precisaria proteger seu posto, ou se competia em uma classificação exclusiva. De todo o modo, Jun estava pouco se importando com isso. Por hora, gostaria de saber a respeito de algo que nunca ouviu comentar sobre, sendo assim, fez a pergunta:
— E quanto ao rei? Por que ninguém fala dele?
— Porque ele morreu no dia em que a nossa mãe escapou de lá, ao ajudá-la nessa tentativa, na qual acabou se sacrificando para que conseguisse. Após isso, esse acontecimento ficou sendo visto como uma das maiores vergonhas da história, e a rainha se recusou a arranjar um novo pretendente. Aliás, nosso avô foi um cavaleiro que subiu no ranking ao ponto de conseguir a mão dela, ou em outras palavras, algo que ela não aceitou a se submeter novamente, pois essa é a tradição de sucessão ao trono.
— Então o comandante do exército poderia subir ainda mais para chegar nessa posição?
— Depende. Alguém que chega nessa posição, normalmente só consegue permitir que seus herdeiros possam ter o direito de competir em tal patamar. Também vai contar o gênero e a idade da pessoa por tipo de vaga disponível. É algo complexo que nem mesmo eu entendo.
Definitivamente, Jun achava um saco qualquer coisa que envolvia a sociedade dos Ones. Além deles terem um sistema de hierarquia estupido, também vivem afundados num ego idiota por causa disso. Eles eram obrigados a seguir uma estrutura pré-determinada, apenas para passar essa impressão de igualdade absoluta em que qualquer um poderia se tornar o maior entre todos. Um povo no qual acreditava que status era o mesmo que estar em harmonia.
— De todo o modo, tem algo que preciso te dizer… — Mikio falava cabisbaixo — Desde que a gente se reencontrou, sei que muitas coisas que fiz podem ter parecido escrotas e desnecessárias da minha parte, mas juro que essa não foi minha intenção. Só estava tentando fazer o que tinha ao meu alcance para tentar melhorar as coisas e, como fomos colocados em situações diferentes desde então, claramente, isso acabava conflitando com você… Mesmo assim, me desculpa por ter sido um estúpido.
— Tudo bem. Eu já entendi que você acabou se tornando um recluso do mundo nesses últimos anos.
Olhando de relance, Jun observou Mikio ficando sem jeito em relação às suas últimas falas. Ele deu um breve sorriso de canto de boca, porém parou por aí; ainda se sentia um pouco desconfortável quanto ao seu irmão mais velho. Embora a diferença de idade dos dois era mínima, aliás eram gêmeos, ainda tinha aquele antigo pensamento de que ele era o mais responsável, algo que na atualidade, tanto faz.
No seu interior queria deixar aquelas memórias intocáveis, por mais que no presente sabia que aqueles dias jamais voltariam. Enquanto ele era considerado uma aberração a ser extinta, para o outro foi imposto possibilidades grandes demais contra a sua vontade. Até mesmo o pai deles que, mesmo que agora esteja tentando se redimir aos poucos, tem tido extrema dificuldade para conseguir, pois de todo o modo, os erros cometidos anteriormente foram muito drásticos.
E no caso da mãe? Se encontrava num estado catatônico sem previsão de quando iria recuperar sua consciência. Sua família voltar a ser como antes, realmente, parecia ser algo quase impossível. Era triste, mas estava na hora seguir em frente com o que restou e possuía no alcance de suas mãos no momento. Contudo, antes de qualquer coisa, precisava comentar algo a respeito daquela mulher adormecida:
— Por um momento, quando assegurei a mão da nossa mãe, senti como se ela estivesse me chamando e isso me deixou exausto quanto a soltei.
— Não deve ser estranho sentir esse tipo de coisa quando se deixa levar pelas emoções, ainda mais naquele tipo de situação. — Mikio soltava esses comentários com um rosto emotivo, aparentemente, recapitulando os acontecimentos do seu reencontro minutos atrás.
— É, realmente deve ter sido algo assim…
Nesse instante, uma repentina sombra cobriu os dois. Jun, então olhou para alto e se deparou com um borrão escuro naquele céu constituído de linhas poligonais. Após alguns segundos, pequenos feixes de luz atingiram os dois.
Se fosse levar em consideração o nome da cidade, eles estavam vivendo num grande abrigo azul feito de fragmentos coloridos nos quais deixavam esse brilho exterior passar. Esses pequenos pedaços de algo extremamente vivos, vindos de uma imensidão que só podiam imaginar, mas que no fundo, ao menos gostariam que pudessem chegar até aquela figura de cabelos prateados que descansava sem parar.
* * *
Quando seus olhos cruzaram de relance pelo relógio digital na parede de um dos corredores da escola, observou os números mudarem no exato instante. Faltava menos de uma semana até que chegue o tão ansiado momento em que a essência dessa garota, conhecida como Rie Koike, deixe de existir. E Jun só se tornava cada vez mais ansioso, no entanto, estava prestes a dar um fim definitivo nesse destino.
Entretanto, apesar da tensão e do desespero causado pelo tão próximo fim inevitável, ela permanecia sorrindo. Rie agia como se nada de terrível estivesse prestes a acontecer e continuava a soltar suas inúmeras piadas e provocações para Jun. Contudo, já estava evidente um certo peso em suas palavras:
— É bom que tudo tenha ocorrido pacificamente ao revelar para Mikio o estado da mãe de vocês. Eu posso não saber direito que tipo de relação vocês tiveram, mas desejo que tudo continue melhorando, desse modo. — E a garota falava sorridente.
— Eu também prefiro que tudo seja assim, mesmo que de certo modo, ainda não consigo deixar de estranhar isso. Essa é uma possibilidade que jamais cogitaria a alguns meses atrás.
— Se puder ajudar meu namorado com suas decisões para que fique mais contente com sua vida, eu então irei, pois é o que me faz ficar também. E só isso que preciso.
Em reação, Jun apenas deixa escapar um breve riso e diz:
— Mas, olha só a garota. — Ele a olha diretamente nos olhos. — Se for assim, então eu digo o mesmo, só que dez vezes multiplicado.
— Ahhh, que lindo. Porém, nem tente competir comigo, pois você jamais irá me superar quanto a isso.
Rie cutucava ele com o dedinho em provocação. Ela dá um grande sorriso e então, pelo que parece, se prepara para refutá-lo drasticamente em qualquer tipo de fala a respeito do assunto antes que esteja por vir, no entanto, essa postura agressiva desaparece em instantes. Durante o caminho, o casal acabou se deparando com duas figuras conhecidas:
— Ei, vocês dois! Tá na hora dos pombinhos pararem com os flertes. O nosso grupo está cheio de trabalho e precisamos de vocês! — Exalando um certo ânimo, a garota de cabelos laranja e rabo de cavalo acenava para eles.
Tratava-se de Saya, demonstrando sua incomum simpatia perante a eles, pois essa se tratava de um comportamento no qual não se esperaria vir de uma One, como ela. Contudo, relevando esse último detalhe, havia uma adição a mais junto dela. A tal cavaleira que causou desconforto instantâneo em Jun só de avistá-la, aliás, dentre todos, essa era a única pessoa que parecia duvidar da atual identidade que utilizava nessa academia.
— Aconteceu alguma coisa? — Jun perguntou preocupado. A presença daquela mulher não lhe indicava um bom sinal, de todo o modo.
— Não é nada, eu apenas vim dar um oi para minha irmãzinha. — E ela respondeu, enquanto dava tapinhas na cabeça da outra, a fazendo ficar envergonhada no processo.
Após isso, a tal da cavaleira trocou um olhar esquisito com Jun. Nesses poucos segundos, ele imediatamente ficou em alerta, mas logo pode se acalmar. Logo na sequência, a mulher deu um adeus para a irmã mais nova e se foi. Ainda assim, um mau pressentimento continuou no garoto.
Esse é o meu último dia nisso, definitivamente. Quando chegar em casa vou começar a planejar para pôr em prática tudo o que eu pretendo. Darei um fim nessa caça às bruxas e assim farei que a Rie fique viva. Nem que eu tenha que enfrentar o mundo inteiro para isso.
— Você, realmente, parece ter muito orgulho da sua… — Despretensiosamente, Rie soltou esse comentário, mas que fez os olhos da outra garota brilharem na hora.
— Sim! Ela é o maior motivo de inspiração para mim! Desde que ela conseguiu se tornar uma cavaleira, nossa família que estava no ranking mais baixo conseguiu subir. E agora, não precisamos mais se preocupar tanto com contas e, até mesmo, tem dado para gastar o dinheiro com todo o tipo de guloseimas… Eu, um dia, quero chegar tão longe quanto ela para conseguir fazer o mesmo.
— Bem, agora você faz parte da elite… acho que isso é bom.
— É ótimo!
Ué? Eu pensei que na tal raça dourada, todos estivessem em perfeitas condições, aliás, não era pra eles serem iguais? Que esquisito…
E assim, com esse questionamento na cabeça, Jun e Rie foram na companhia de Saya — que cortou o clima deles —, em direção à sala do grupo com nome questionável no qual participavam. Na sua mente ainda existiam questionamentos do porquê isso não se chamar de “conselho estudantil disciplinar”, ou uma abreviação, mas quem era ele para questionar a lógica dos Ones que tomaram essa decisão.
De qualquer forma, não era como se tivesse tempo para ficar se questionando a respeito desse tipo de coisa no momento. Aliás, na hora que adentrou na sala da equipe, foi abordado por alguém que desejava evitar encarar:
— Tem um certo questionamento que eu preciso fazer pra você…
Essa garota loira com uma mecha amarrada ao lado por uma fita preta, conhecida como Kaori Ono, no segundo que o avistou, lançou aquelas palavras. Só por se tratar dela, Jun já não esperava que algo bom pudesse vir.
— Eu tenho uma certa dúvida ao seu respeito. — A forma com ela fala passa uma certa audácia. — Desde quando você consegue usar aquela magia de elemento elétrico? Quantas mais habilidades você pode estar escondendo?
É clara que ela teria esse tipo de questionamento a respeito de mim, aliás, o garoto que estava junto de seu irmão não costumava a fazer nada mais além de se mover rapidamente… Ela quer ter certeza de quem eu era capaz de ter salvado Hiro, mas não quis fazer, mesmo assim… o que até não pode não estar totalmente errado…
E em meio a enxurrada pensamentos que se desencadearam pela palavras delas, Jun acelerou. Realizou isso para que conseguisse ter a ideia de algo para respondê-la de modo que eliminasse mais suspeitas a respeito de si. Portanto, que não use a aura para reforçar o seu corpo, os olhos não iriam brilhar e entregar o uso disso — também, não precisava se proteger no momento contra possíveis impactos em alta velocidade. E era aí que estava uma boa desculpa para a situação.
— Isso foi algo que apreendi recentemente, pois conjurando minha aura ficaria mais fácil e seguro de aperfeiçoar minhas habilidades. Como fiquei vários anos evitando de usar totalmente meu poder, nunca soube como usá-lo direito e precisei disso para não continuar tão atrasado.
— Hm… Tomou vergonha na cara e finalmente percebeu que se forçar a ser um incompetente possa ter consequências, então.
O motivo de eu não querer ter exposto isso anteriormente, foi para que aquilo que ela fez quando me entregou não acontecesse… Aquilo que fez com que Aimi precisasse morrer…
— De qualquer forma, eu não vou perdoar você… — fala Kaori em um suspiro se retirando logo na sequência.
— E eu também não vou te perdoar pelo que fez.
Continuar nessa farsa de elite para ficar seguro não vai adiantar de nada, tenho que dar um fim a isso de uma vez. Não posso ficar parado, pois se há algo que queria fazer, então farei! Provarei para todos de que sou capaz, apesar do que digam e assim viverei minha vida ao máximo ao lado que todos que eu amo… não importa qual seja o preço, tenho certeza que nada será em vão… Eu vou mudar esse mundo!
* * *
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