Shelter Blue Brasileira

Autor(a): rren


Volume 2 – Arco 1: União

Capítulo 4.5: Os laços que nos unem

No dia seguinte, depois de tanta agitação, o tal grupo conhecido como elite, feito para supervisionar os estudantes, enfim, pararam um momento para discutir a respeito da situação atual. No entanto, até então, não parecia que ninguém iria chegar a um acordo.

— É o seguinte, vou revisar o assunto mais uma vez. Nos últimos dias tem circulado uma droga entre os alunos, capaz de potencializar o poder deles, porém os deixando cada vez mais alterados conforme o uso. Contudo, recentemente, descobrimos que o uso excessivo disso acaba afetando diretamente o núcleo de aura do usuário, o corrompendo e assim fazendo com que se torne uma besta.

Segundo a história que Jun aprendeu quando criança, no passado, quando houve algum tipo de fenômeno que fez as pessoas adquirem esse poder, a corrupção em monstros era algo comum. Entretanto, como no presente não existem mais ninguém que já não tenha nascido com a capacidade de geral tal energia, na teoria, era para ser impossível que os corpos deles rejeitaram isso e acabaria ocorrendo o terrível fenômeno anterior. 

E agora, por pura ganância, desenvolveram algo que a princípio era facilitar a vida, mas que acabou trazendo um mal que devia estar extinto novamente. É claro, desconsiderando o fato que, inicialmente, a intenção disso que veio a se tornar uma droga agora foi a de criar armas humanas, mas poderosas que os One e totalmente submissa. Seja lá quem esteja por trás disso, não seria muito difícil imaginar que poderia estar usando as pessoas dessa academia como cobaias.

— Acho que o melhor a se fazer no momento é intervir qualquer tipo de estudante que esteja agindo de forma mais agressiva e puni-los imediatamente. Já temos quem visar, pois quase todos são Ones. — Kaori Ono, a irmã do antigo amigo que Jun não foi capaz de salvar, soltava esses comentários de forma convencida.

O visual dela, com cabelos loiros e uma mecha amarrada ao lado por uma fita preta, sempre a dava um ar de metida. Na realidade, ela só era um pouco impaciente demais, segundo o que Jun se recordava. Contudo, no momento, ele não podia afirmar qualquer coisa a respeito da garota, pois ela claramente deveria ter mudado nesse meio tempo de um pouco mais de um ano que ficaram sem se verem.

— Eu não vou negar que há algum embasamento nesse seu ponto. Porém, acredito que seja melhor apenas ficar de olho por enquanto, ao invés de intervimos diretamente. Precisamos descobrir quais são os padrões para saber lidar da forma mais segura com os possíveis usuários de drogas e, também, saber como antecipar para poder intervir antes que o pior aconteça — discursava Mikio, fazendo Jun ficar instantaneamente entediado só de presenciar aquilo.

Pelo lado bom, o tal do seu irmão até que servia para liderar alguma coisa. Algo devia ser ótimo, pois de todo o modo ele se tornaria o próximo governante no futuro, na teoria, uma vez que isso é de se duvidar, uma vez que por ser filho de Zeros isso deve contar contra. Mas se fosse levar em conta a lógica desse povo propriamente, ao ter vencido de Mikio naquela luta de apresentação, ele se provou mais forte e portanto, aquele digno de assumir ao trono, caso seu irmão não consiga o derrotar de volta. Só que devido o caso de que Jun é, essa questão sequer deve valer.

De qualquer forma, perante o longo silencio da sua namorada, Jun fez um comentário em preocupação:

— Está tudo bem com você? Anda muito quieta.

— Tudo ótimo. Eu só não sei o que fazer nesse tipo de situação. Eles parecem tão mais dedicados que até fiquei sem palavras…

— Eu, no caso, já acho isso um saco. Sou do time que apenas quer sair metendo a porrada em todo mundo.

— Minha nossa, você tá falando sério?

— É brincadeira. Calma.

Jun, tinham a completa ciência do quão sério era a situação, pois tanto ele quanto Rie enfrentavam diretamente um aluno que perdeu sua vida ao virar um monstro por causa disso. Ainda assim, depende do quão trágico possa ser qualquer coisa, o mínimo que gostaria de fazer é criar alguns momentos divertidos dentro disso, mesmo que poucos.

Contudo, por hora, teria que deixar essa intenção de tornar o ambiente mais divertido e focar. Aliás, aquela figura que acabara de adentrar pela porta, fez com que todos ficassem em completo silêncio no instante:

— Com licença…

Se tratava daquela mulher, conhecida como uma das vice comandantes do reino dos Ones, porém, desta vez não usava sua armadura. Pelo que parecia, era somente o uniforme que deveria ficar normalmente embaixo da proteção, na cor preta com os contornos em dourado.

— Sinto muito vir fazer isso a essa hora, já que vocês parecem ocupados. Mas, de todo o modo, só estou passando aqui para me apresentar. Me chamo Noriko Seki, sou uma cavaleira do reino no cargo de vice comandante, enviada diretamente pela rainha para ajudá-los na tarefa de supervisionar os estudantes nessa mistura de tipos — Ela fazia uma reverência para todos, na qual lhe passava uma postura de nobre.

Perante a falta de reação da maioria presente daquela sala com paredes de vidro, uma única pessoa se levantou e foi até a Noriko. Uma garota que deu passos apressados, para dar um pulinho e abraçar aquela mulher.

— Nossa, eu tô tão feliz que seja você que tenha vindo pra cá, maninha! — Saya exclamou, fazendo que todo mundo, exceto as duas, tomasse um susto de surpresa.

Parando para observar, pelo que Jun prestou atenção, a cavaleira realmente se apresentou com o mesmo sobrenome que a Saya. Fazer a analogia de que elas eram parentes seria algo totalmente viável, porém recebeu a resposta antes mesmo de sequer se questionar.

— Também estou contente que esteja aqui. — Após insistir um pouco a cavaleira faz, o que parecia ser sua irmã mais nova, a soltar.

E para o seu completo desânimo, aquela figura andou diretamente até Jun. Em reação, a única coisa que ele conseguiu fazer foi franzir os seus olhos.

— Tem algo que eu queria perguntar para você, garoto. Por acaso, você seria um concentrador do elemento elétrico?

— Isso mesmo.

— Então como foi que você se moveu tão rápido daquela vez, sem que deixasse um pingo de energia, semelhante a raios, sequer vazar?

— Eu controlo minha aura a esse ponto. Sou muito bom nisso.

— Entendo… Mesmo assim, é estranho. Pois como também sou uma concentradora desse tipo, nunca vi algo assim… Até parece que está usando algo a parte…

— Deve ser só impressão.

Entretando é quanto Kaori entra na conversa:

— Ele pode usar uma habilidade chamada de aceleração. É uma magia de ampliação que intensifica qualquer fator relacionada a agilidade e pode usar isso para impulsionar os outros.

Em reação, Jun desvire um olhar feroz em direção a garota de cabelos loiros. Por mais que aparente estar calmo, essa sua postura a fez estremecer e se encolher, afastando-se um pouco. É claro que ela reagiria assim, pois apesar do ruivo não mexer um único musculo de sua face, suas ires ficaram completamente imbuídas por sua aura prateada.

Ela já entregou informações a respeito dele para o inimigo outra vez em que acarretaram consequenciais graves. Kaori foi o gatilho inicial que acarretou o destino que Aimi sofreu. Jun não toleraria mais nada desse tipo a respeito dela, mesmo sendo a irmã casula de uns de seus amigos mais queridos, mas que infelizmente faleceu.

— Você estava omitindo essa informação de mim? — diz a cavaleira.

— Como você não perguntou e apenas pareceu estar divagando, não senti a necessidade de dizer…

Após o último comentário de Jun, a mulher apenas deu de ombros e então decidiu ir embora. Enquanto isso, no interior do garoto, tudo se encontrava no mais completo caos. Ele estava tão inquieto ao ponto de explodir, pois esses breves questionamentos que recebeu, só podia significar uma coisa: aquela pessoa estava duvidando dele. Essa sua farsa, que mal começou, já podia estar prestes a acabar.

 

* * *

 

Quanto ele finalmente teve a oportunidade, pediu para conversar com Mikio a sós. Obviamente estava preocupado quanto a Rie, pois como já possuía alguém questionando-o, trava-se de somente uma questão de ligar os pontos e ir até ela também. Aliás, os dois eram procurados em conjunto.

— Não sei se você percebeu, mas aquela cavaleira parece que está duvidando de mim. Bem, desde o começo, eu já imaginei que seria muito difícil que isso desse certo de verdade.

— Ainda assim, eu acredito que, pelo menos por enquanto, você não precisa se desesperar. É só tomar mais cuidado, se houver uma próxima vez eu garanto que vai ficar tudo bem. — Mikio tenta o tranquilizar.

— Não é nesse sentido que eu falo. No começo, eu realmente queria que eu e ela pudéssemos voltar para cá e viver livremente, mas na realidade, dessa forma só estamos procrastinando algo que deveríamos resolver.

Jun e Rie estão se permitindo participar de uma mentira, apenas para ter algo que já devia ser deles por direito. E dessa forma, eles nunca iriam conseguir viver como eles mesmos. Estavam se apoiando numa farsa que só se tornava cada vez mais pesada, até chegar ao ponto que exploda e tudo desande. Se quisessem ser livres de verdade, precisavam enfrentar aquilo que os prendia diretamente. Sem falar que…

— Foi legal essa atuação na primeira vez, mas se continuar desse modo, apenas fingindo que está tudo bem, o tempo que nos resta vai acabar… — Jun fala com uma certa angústia.

— Do que você está falando? — A expressão de Mikio foi a de uma preocupação genuína para a surpresa do ruivo.

E talvez, devido ao ter presenciado essa feição, ele sentiu-se confortável de dizer:

— Conforme o tempo passa, eventualmente a Rie vai morrer…

Perante o que acabara de falar, Jun viu seu irmão com uma face surpresa. Na verdade, aquele parecia mais estar em conflito interno, tentando processar o que acabara de escutar.

 — O núcleo de aura dela possui um tipo de ferimento que se estende com o tempo até que se feche completamente; algo que deve acontecer em breve… Por isso, eu tenho que resolver logo essa situação. Não posso mais continuar enrolando com uma farsa dessas…

A princípio, ele imaginava que Mikio iria pouco se importar ao saber disso, contudo, na realidade ele parecia estar preocupado de verdade. Talvez, a culpa fosse dele até então, que relutou para dar uma segunda chance ao seu irmão de sangue. Desde o primeiro momento, por mais que não tenha sido completamente amigável todas as vezes, essa pessoa nunca o tentou fazer mal, apesar de serem um Zero e um One.

— Então quer dizer que você não pode mais ficar enrolando e precisa agir logo? Eu não entendo… Por que não pode fazer isso e continuar fazendo parte da elite? Eu fiz isso para que vocês conseguissem ficar seguros e não precisassem terminar com o mesmo destino que nossa mãe teve… Mesmo assim, parece que ela vai só mais uma…

— É por causa disso que eu preciso acabar com essa caça às bruxas de uma vez, para que ela aceite a solução que vou propor… E também, você está enganado quanto a esse último detalhe.

— Como assim?

— A nossa mãe não morreu.

— O quê?! Se você está querendo tirar uma com a minha cara, já vou dizer que isso não foi nada legal!

Desta vez Jun estava decidido, iria dar uma segunda chance para esse seu irmão. Claramente, ainda possuía seus receios, no entanto, como tem observado até agora, ele não parecia ter qualquer segunda intenção, ou ideias maldosas em relação a ele. E também, caso tente fazer qualquer coisa, por mais que não aparente, Jun sabia que era forte o bastante para derrotá-lo sem problemas alguns — o treinamento que teve não foi em vão.

— Vem comigo, eu vou te levar até ela. Mas tem que prometer que não vai contar isso para ninguém!

— Tudo bem, eu prometo.

— Ótimo. Caso contrário, eu acabo com a sua raça, então.

E assim, o garoto de cabelos vermelhos guiou o de cabelos prateados pela cidade, após ver uma careta esquisita na face dele. Quanto a isso ser um problema, no sentido de chamar atenção por ser um One na região onde os Zeros vivem, os olhos dourados podiam ser facilmente confundidos com amarelos, no entanto ainda alertou Mikio para tentar não deixar tão evidente, como também pediu para que deixasse o blazer no qual remetia que era um One guardado num armário. Continuava incerto quanto a essa escolha, mas não iria voltar atrás. Algo lhe dizia que agora podia ser capaz de confiar.

Então, no momento que ficaram de frente a porta da sala do hospital, Jun respirou fundo. Estava com a mão trêmula, porém, mesmo assim puxou a maçaneta para ficar diante daquela mulher.

Coberta por um lençol branco, deitada numa cama, com o soro ao braço por um fio, lá estava ela com um vaso de flores recém-trocadas ao lado. Possuía cabelos de um prata que permanecia extremamente reluzente até então. Sua pele era quase pálida e se encontrava com aqueles longos cílios fechados por um longo tempo.

— Eu não acredito… — Mikio sussurrou com os olhos trêmulos.

Aquele garoto, sem pensar duas vezes, andou até o lado dela, se agachou e pegou na sua mão. Na face dele estava presente uma mistura de angústia e felicidade, em meio a lágrimas que começavam a se formar. No fundo, em partes, Jun também se sentia assim, pois era incapaz de chorar. A ver ela, diferente do outro, pelo menos agora, o que possuí era somente uma paz e conforto interior.

— Não sei o que aconteceu naquele dia a seis anos atrás. No entanto, durante aquele evento que ocorreu, o núcleo de aura dela acabou sendo danificado a fazendo cair nesse coma.

— Mesmo assim, é melhor do que ela está morta. Ainda existe uma esperança de poder salvá-la. É só uma questão de tempo para que consigamos descobrir como curar esse tipo de estado. — E Mikio se levanta para observá-la ao longe.

— Assim espero…

Desta vez, foi Jun que andou até o lado da cama e parou. Lentamente, moveu sua mão que tremia até ela. Da última vez não foi capaz de tocá-la, mas agora seria diferente. Ele agarrou a palma dela e a observou com um olhar calmo.

E foi quando algo aconteceu. Era como se pudesse sentir as pulsações do coração dela. Como se conseguisse enxergar uma luz muito fraca, no qual tentava lutar para brilhar com toda sua força. Ela chamava por ele. Pedia por ajuda. Suplicava que emprestasse seu poder para acordar, nem que fosse somente um pouco. Jun queria alcançá-la e assim fez, até que aquele quase apagado interior pudesse se acender. Desse modo, pode ver sua mãe abrindo os olhos para ele.

Entretanto, quando a largou, notou que tudo aquilo não havia passado de uma grande ilusão, sentindo-se submerso num ambiente gelado e cansado. Aquela bela mulher de cabelos prateados ainda estava submersa num sono sem fim.

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