Volume 2 – Arco 1: União
Capítulo 1.2: Desejo de viver
Chie acelera os passos, movendo-se rapidamente até o garoto com uma intenção clara de agressão, lançando um chute feroz. Rie observa, estática, completamente perplexa diante da cena. No entanto, o único resultado é Chie com a perna erguida, quase desequilibrada, enquanto Jun segue adiante como se nada tivesse acontecido.
Ele usou sua habilidade de aceleração num instante, esquivou-se pela lateral e continuou caminhando. Chie ficou chutando o ar. Rie se pergunta, indignada, o que ele fez para provocar tamanha reação. O que Jun teria dito? Ah, mas isso não vai ficar assim, ela terá uma conversa séria com ele.
Ou será que Chie disse algo absurdo? Essa garota, às vezes, não tem noção do perigo e solta barbaridades como se fossem a coisa mais normal do mundo. Louca, uma lunática compulsiva! Ainda assim, amável… bem, não tão pura assim, mas o suficiente para fazer alguém gostar dela.
— Minha nossa… De todas as entradas secretas possíveis, tinha que ser um bueiro?! Pensei que estavam me mandando para uma poça de estrume! — reclama Jun com uma teatralidade debochada.
— A entrada principal tem um portão mágico com feitiço ilusório e um alerta para intrusos — responde Chie, ajeitando a saia para cobrir os shorts por baixo.
Ela estava sempre preparada, até mesmo com o uniforme escolar. Rie reflete sobre sua própria escolha de usar shorts com o uniforme pelo mesmo motivo, mas admite que é hipócrita ao criticar Chie enquanto prioriza estar impecável, mesmo para uma luta.
— E por que não fomos por esse portão? Queria muito ver isso, deve ser incrível! — comenta Jun, descontraído, com uma atitude quase infantil.
— Era mais rápido assim. Além disso, tanto entusiasmo para um portão que esconde a aparência? Cresce, garoto.
O tom debochado de Chie provoca outra onda de questionamentos em Rie. Por que essa implicância dela com Jun? Se ela estiver tentando algo, Rie pensa, vai dar um jeito. Afinal, ele já pertence a ela.
Jun continua, com um sorriso brincalhão: — Ah, me deixa sonhar. Diferente de você, só conheço feitiços básicos de conjuração.
— Não entendo por que vocês, concentradores, complicam tudo. É tão simples! — responde Chie, com aparente desdém.
— Talvez porque nem todos sejam gênios como você. A maioria de nós prefere se especializar para alcançar níveis extremos, ao invés de tentar dominar tudo de uma vez.
Rie intervém, cruzando os braços: — Fique sabendo que a maioria não é superdotada como você, Chie.
— É mesmo? — provoca Chie, com um sorriso. — Eu consigo ensinar o mais idiota dos concentradores a soltar bolas de fogo em um dia.
— Tá, claro… Como vai fazer isso se só sabe xingar? As pessoas sairiam chorando de uma aula sua!
Chie aproxima-se de Rie, inclinando-se com uma expressão maliciosa.
— Ei, Rie, por que está tão agressiva comigo? Se acha que quero roubar seu namorado, relaxe. Tenho bom gosto.
A declaração faz Rie gelar. Um arrepio percorre seu corpo enquanto tenta esconder a vergonha. Mas Chie percebe, e seu rosto exibe o mais puro sadismo.
Como alguém tão fofa pode ser tão cruel? Era quase um talento infernal. E o pior de tudo: ela sabia exatamente como atingir Rie, que tenta não demonstrar fraqueza. Mas, no fundo, queria apenas se esconder.
Nesse momento, Jun aproxima-se das duas, sem o cachecol vermelho ou o blazer. Ele parece ter se ajeitado em poucos minutos, mais uma prova de sua habilidade. Então, lança uma pergunta, chamando a atenção delas.
— Por quanto tempo vão continuar brigando aí? — Jun interrompe, cruzando os braços com uma expressão que mistura tédio e curiosidade.
— Brigando? Como assim?! — Chie exclama, fingindo indignação enquanto pula na direção de Rie. — Eu jamais brigaria com minha maninha, né?
Chie a abraça com força e começa a fazer cócegas, balançando de um lado para o outro. Rie se contorce de riso, desesperada.
— Ei! Para! Para! Por favor, para! — implora entre gargalhadas involuntárias.
— Ahh, o que foi? Não está se divertindo? — Chie provoca, com um sorriso malicioso.
— Sua sádica!
— Hehe.
O tormento cessa de repente quando Chie ouve um riso escapar de Jun, que observava a cena. Surpresa, ela o encara por um momento. Aproveitando a distração, Rie escapa de suas mãos e corre para abraçar Jun, apertando-se contra ele como se fosse sua única salvação.
— Oh, Jun! Por favor, me salve dessa louca! — diz, esfregando a cabeça contra o peito dele em busca de consolo.
— Ei! Ei! Calma aí! — Jun responde, visivelmente desconcertado.
Rie percebe o quanto aquilo é embaraçoso, especialmente com Chie por perto. Virando-se lentamente, vê a expressão de puro deleite sádico em sua amiga, como quem acabou de presenciar algo extraordinário.
Ah, ela vai me zoar pelo resto da vida por causa disso… Estou tão ferrada.
— De todo modo, vou deixar os pombinhos em paz. Segurar vela não é para mim, falou, galera. — Chie lança um olhar lateral para Rie antes de sair, abaixando a mão num gesto triunfante.
— É, isso mesmo! Vai embora! Xô, xô! — Rie retruca, tentando salvar alguma dignidade.
Ficam estáticos por alguns segundos, ainda abraçados, até que ela se dá conta do quanto aquilo é estranho. Soltando-o de um pulo, tenta se recompor, mas o rubor em seu rosto denuncia sua inquietação.
Olha para Jun novamente e sente o coração disparar. Pela primeira vez, vê seu cabelo solto, e ele parece mais bonito do que nunca. A camisa justa deixa à mostra o contorno de seu corpo.
Meu Deus, como ele está lindo! Não consigo tirar os olhos dele! Está muito gostoso assim. Ah, garota, você precisa se controlar. Foco! Controle-se ou vai acabar molhadinha! Ahhhh!
— Rie? Tá tudo bem com você? — Jun pergunta, preocupado.
— Sim! — responde em um grito, tentando soar convincente. — Sim, sim, eu estou bem… — Mas sua voz se enfraquece enquanto a vergonha cresce.
Olha só o homem que você está namorando, menina! Devia estar orgulhosa. Conseguiu algo que todas desejariam, e agora ele é só seu. Sim! Você não tem motivo para vergonha! Precisa se orgulhar disso!
— É sério, tá tudo bem? — insiste Jun, pousando a mão no ombro dela.
— Simmmm… — murmura, mas logo respira fundo e tenta se recompor. — Estou só com fome. Já está na hora do almoço, né?
— É mesmo, já vai ser meio-dia. Será que tem algo para comer aqui? Como não podemos sair ou pedir comida, seria bom.
Rie sorri sem graça, torcendo para que a conversa finalmente siga em outra direção. Nesse meio tempo, sua cabeça vai parar em outro lugar.
Permanecer dormindo em suas casas não era mais algo seguro. Logo no primeiro dia, Rie escutou de Jun que tentaram o pegar durante a manhã no seu apartamento. À primeira vista, chega até ser fofo que tenham esperado ele dormir para depois dar o bote, contudo, ela imaginava que só não aconteceu durante a noite por motivos de período de trabalho. Ainda era uma desculpa forçada, porém, a coisa mais aceitável que conseguiu pensar.
De todo o modo, logo no primeiro dia de namoro dos dois, eles já começaram a suas vidas de casados! Ou, pelo menos, algo bastante próximo disso…
Estava ciente que já existia uma pressão social para ficarem juntos dessa forma, logo nessa idade. Como Zeros possuem uma chance extrema de morrerem muitos jovens em batalhas, criou-se essa tradição de formar famílias logo que chegasse na idade mínima considerada — dezoito anos, que era a que Rie tinha no momento, — independente de não ser mais tão necessário quanto antes.
Só não esperava que no caso dela fosse ocorrer tão rapidamente. Entretanto, sua situação deveria ser uma exceção à regra, pois, com os dois sendo perseguidos a todo instante, isso acabou apressando algumas etapas. Ainda assim, gostaria de ter tido um tempo a mais para respirar, antes de fazer qualquer coisa. Até invejava os Ones, por não terem esse tipo de responsabilidade empurrada para eles tão cedo.
De todo o modo, próximo à borda, também conhecido como o final da cidade, alguns abrigos subterrâneos foram construídos. Como essas regiões ficavam próximas ao exterior, esses lugares acabam se tornando os primeiros a serem atacados pelas bestas. Portanto, as pessoas nas quais não tinham como lutar, são mandadas para esses refúgios, pois assim podem ficar seguras. E dentre um desses diversos, era onde os dois estavam vivendo nesse meio tempo.
Entretanto, o esconderijo dos dois foi modificado para ficar o mais escondido e de difícil localização possível, — o capitão, de alguma forma, conseguiu fazer isso para eles a tempo. Rie e Jun ficavam em quartos separados, o que era visto como algo bom, embora dentro dela existisse o desejo de passar a noite junto dele, porém, esse se tratava de um caso que não tinha coragem de admitir. Fora isso, também tinha um cômodo que era uma sala de estar com uma cozinha, não muito grande, mas o suficiente para duas pessoas, mais um sofá e outras coisas que pudessem ser necessárias para passar o tempo.
E no momento, Rie estava mais do que desesperada.
Ohhh… Meu Deus?! O que foi que eu fiz?! Onde eu tava com a cabeça naquela hora…? Ahhhh! Por quê?! Por quê?! Por que eu fui dar um beijo nele naquela situação? Meu senhor… eu não posso ser tão estranha assim… E agora? O que ele vai pensar de mim? Minha relação está acabada…
Ter o beijado enquanto, ao redor deles, existiam diversas pessoas nocauteadas, e, de certa forma, em poses nada agradáveis, logo após terem uma breve discussão, não foi nada romântico. Qual foi a razão dela ter tomado essa atitude naquele instante? Rie se perguntava em looping, no entanto, já possuía a resposta dessa questão…
Ela queria tomar mais atitudes. Sabe, como foi Jun que se confessou e, até mesmo, lhe deu o primeiro beijo! Possuía muito o desejo de agir mais em relação a ele. Se dependesse dela desde o começo, estaria na atualidade apenas esperando o momento de seu fim chegar, em silêncio. A insegurança anterior, estava a fazendo ficar parada e não conseguindo agir por mais que quisesse.
Mas o que eu posso fazer? Eu realmente não me aguentei naquele instante! Simplesmente, fiquei tão contente quando ele disse que confiava em mim daquela forma que quis pular em cima dele na hora… Eu tenho que me controlar…
Obviamente, como qualquer garota de dezoito anos, em que estava tendo seu primeiro relacionamento, ela possuía muitas inseguranças e dúvidas. Não sabia em qual momento poderia beijar seu namorado, ou não — se teria que pedir, ou apenas poderia agir como bem desejar. Entretanto, imaginava que momentos de êxtase, como aquele de antes, poderiam ser normais, não? Talvez estivesse neurótica demais… No entanto, já não era a primeira vez que esses exatos tipos de pensamentos passavam pela sua cabeça.
— Ei, Jun? Tem algo que você pretende fazer para o almoço? — perguntou, numa forma de tentar deixar toda aquela inquietação para atrás.
— Não. Na verdade, não… — Ele coloca a mão no queixo e direciona um olhar malicioso para ela — Mas, sinta-se à vontade de dizer suas segundas intenções, hein?
— Ahh, seu chato! Vê se me erra!
Jun solta um breve riso, quanto Rie franziu os olhos e encolheu os ombros enquanto fazia beiço.
— Mas, de todo o modo, eu queria pedir que fizesse aquele curry de antes…
Uma vez ela provou esse prato feito por ele e o gosto nunca mais saiu da sua cabeça. Até hoje sonha com essa refeição.
— Pelo visto, você realmente ama isso e muito.
— Minha comida favorita, né? Seu bobo — Ela coloca as duas mãos no lado do rosto e apoia a cabeça — E também, como posso dizer? Desde que provei aquele que você fez na última vez, até agora, sonho todos os dias com o incrível sabor daquilo!
— Sua debochada…
— Bem, mas eu não tô mentindo. É uma delícia, viu?
O garoto suspirou e então virou o rosto para o lado. Parecia que estava tentando esconder a sua expressão, portanto, era o momento perfeito para Rie o atacá-lo de vez:
— Ohh, olha só, ele ficou todo envergonhadinho, ui, ui…
Em reação, Jun demonstrou ter ficado emburrado, e Rie apenas deixou risos sapecas escaparem. Ela adorava o provocar e ver suas caras que na maioria das vezes eram simplesmente impecáveis, ou fofas! Mas, de todo modo, ela iria ajudá-lo na cozinha. Podia ser um desastre quanto a sua culinária, porém, ao menos conseguia cortar algumas coisas.
Aí estava um ponto que incomodava. Queria poder fazer coisas desse tipo, para apoiá-lo, ou até mesmo o agradar. Não gostava da ideia de seu namorado fazer suas refeições todos os dias, também queria fazer o mesmo, porém, como havia mencionado antes, era uma tragédia. Desejava aprender a cozinhar para poder retribuir por tudo isso no futuro.
Na maioria das tarefas domésticas, Jun era mais competente do que ela. É claro, em certas coisas ele poderia usar aquela habilidade roubada para agilizar tudo, entretanto, relevando esse detalhe, no que ela se destacava além dele? Cantar? Em sua esgrima, técnicas de lutas e controle de aura? Bem, de fato, essas eram coisas que ela conseguia se sobressair, mesmo que algumas delas, ele, em pouco tempo, poderia passa-la. Ainda assim, não eram habilidades que poderiam ter qualquer utilidade nessa apressada vida de “casados”, embora ainda não fosse uma legítima, mas isso também conta para o futuro!
É claro, se algum futuro realmente for possível de existir…
Quanto tempo ainda resta? Um mês? Talvez um pouco menos… Eu definitivamente não queria me lembrar disso… Se continuar assim, eu vou enlouquecer.
O seu maior desejo no momento era conseguir viver esse último mês ao máximo. Ter certeza de que cada um desses segundos não tenham sido em vão. Ainda era muito incerto qual seria seu destino quando esse tempo passasse, mas apenas sabia que cairia num sono sem fim. Quando chegasse perto do limite, isso poderia acontecer a qualquer instante e, só de imaginar, era sufocante.
Recentemente, começou a ter dores em seu peito. Esse era um sinal que seu fim estava se aproximando de verdade. Seus anseios iriam ocorrer, de uma forma ou de outra, e isso a deixava com medo. Muito medo.
Ela se sentia sufocada no interior, com uma forte vontade de vomitar. Era como se fosse retalhada por inúmeras lâminas de dentro para fora, a remoendo sem parar. Uma sensação torturante, agoniante e desesperadora. A vontade era gritar, se contorcer e pedir socorro em misericórdia. Queria ser abraçada. Ouvir de alguém que estava tudo bem e ser salva. Entretanto, no fim apenas seria coberta por esse destino até ser esmagada, sentir cada parte de seu corpo ser espremido pela dor, estalarem e se contraírem pingando uma gota por vez até que nada de sua existência reste. Apenas uma memória de uma lembrança, na qual será rapidamente esquecida, para todo o sempre.
— Ei, Rie? Ei? Tá tudo bem com você? Você tá com uma expressão estranha…
— Ah, sim! Tá tudo bem, sim! Eu apenas acabei dormindo acordada, só isso… É sério!
— Ok, se você diz… — Jun olhou para ela com dúvida, porém, logo mudou de feição — De todo o modo, a comida está pronta.
— Ebá! — Ela falou batendo as palmas.
— E também, acabou sua cota de curry dessa semana.
— Ei! Isso não se faz! Como você é cruel! Seu insensível… acho que vou chorar…
— Que garota dramática…
Os dois se sentam sobre a mesa, e Rie serviu sua comida ansiosamente. Na primeira oportunidade, como se não fosse aguentar um mísero milésimo a mais, levou a primeira colherada à boca. O sabor daquilo estava deslumbrante, ao ponto dela dar um grande sorriso e encolher os ombros pelo êxtase de sensações.
Ahhhh… Como eu sou uma garota de sorte! Jun, eu te amo!
Foi quando ela percebeu o garoto de cabelos vermelhos com os braços apoiados na mesa e o queixo sobre as duas mãos. Ele tinha a cara de quem estava analisando algo.
— Ei? Qual é a sua?
— O que foi? Não posso admirar o lindo rosto da minha namorada, enquanto sorri em meio aos devaneios de seu paladar? — dizia Jun de forma convencida.
Ela limpa sua boca com um lenço e então fala:
— Primeiramente, muito obrigada pelo elogio. E, em segundo lugar, que coisa esquisita! Isso é constrangedor!
— Bem, essa era a intenção.
Rie levanta da cadeira, inclina seu corpo para frente e dá um peteleco com a ponta do dedo, usando toda a força na testa de Jun. Ele solta um gemido estranho de dor e é arremessado para trás, quase desequilibrando a cadeira. E assim, ela voltou a se sentar e a comer sua deliciosa refeição. A garota se arrependeu instantaneamente de ter feito isso, pois havia acabado de fazer as unhas.
Essa sensação de estar almoçando junto de alguém de extrema importância para si era nova, mas estava amando de uma forma incrível. Seria isso algo que uma família faria? Mesmo que nesse lugar só tivesse duas pessoas, ela imaginou isso. É claro, ela já fez sua refeição junto de Chie e o senhor Nobu, porém, foram poucas vezes, na maior parte do tempo comia fora de casa ou na escola. Rie sabia que eles a acolheram na sua casa e a trataram como se tivesse nascido e pertencido lá, desde o início. Mesmo assim, ainda não conseguia.
Havia coisas em seu passado que a impediam de conseguir isso. Entretanto, com Jun era como se estivesse construindo algo, pela primeira vez, com escolhas e decisões vindas totalmente dela. E, de todo o modo, ainda não se sentia bem com isso. Aqueles que a adotaram, era de fato sua família, porém, por que algo a fazia negar isso? Rie, realmente, não consegui entender…
Foi quanto um agudo barulho de sino lhe tirou dessas enxurradas de pensamentos negativos. Pelo que parece, Jun havia recebido uma mensagem.
— Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou preocupada.
— O meu pai… O capitão quer se encontrar com a gente.
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