Ascensão Estelar Brasileira

Autor(a): Lótus


Volume 1

Capitulo 16: Pouco Tempo

Após Mirror dizer que precisava conversar, eles seguiram até o quarto de Seth. Ela entrou primeiro e se sentou na beira da cama. Seth veio logo atrás, fechando a porta com cuidado antes de se sentar ao lado dela.

Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.

— O que você queria falar comigo? — perguntou Seth, quebrando o silêncio.

Mirror desviou o olhar, fixando-o em algum ponto indefinido do chão.

— Sobre hoje… pouco antes do Green sair pra resolver seja lá o que estava acontecendo lá fora.

— Ah… Certo.

Ela respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem.

— Meu pai… — começou, a voz mais baixa. — Ele me achou.

Seth franziu a testa.

— Mas… isso não seria algo bom?

Mirror virou o rosto para ele no mesmo instante.

— Não.

O tom seco fez Seth se endireitar na cama.

— Você lembra quando eu te falei que estava sendo caçada?

— Lembro… — respondeu ele devagar. Então seus olhos se arregalaram. — Espera… é ele?

Mirror assentiu em silêncio.

— Sim.

O peso da resposta caiu entre os dois.

— Mas… ele é seu pai — disse Seth, confuso. — Por que ele iria atrás de você desse jeito?

Mirror apertou os dedos contra o colchão.

— Porque eu não concordo com o jeito que os draconianos vivem. Meu pai é um dos líderes de um grande grupo da raça… e, naturalmente, eu seria a sucessora dele.

Ela soltou uma risada curta, sem humor.

— Mas eu nunca quis isso.

Seth permaneceu em silêncio, atento.

— Eu não queria liderar uma raça baseada em dominação, sangue e hierarquia forçada. Então eu fugi. — Ela respirou fundo outra vez. — Só que… como você deve ter percebido, ele não aceitou muito bem.

— Então… — Seth hesitou. — Ele quer te trazer de volta?

Mirror finalmente encarou os olhos dele.

— Não, ele quer me eliminar. Pra ele, uma sucessora que abandona o trono é uma ameaça.

Seth sentiu um aperto no peito.

Mirror abaixou a cabeça.

— Enquanto eu existir, eu provo que o modo dele não é absoluto.

Seth fechou a mão em punho sem perceber.

— Então o que você vai fazer? — perguntou.

— Não sei… — ela murmurou. — Acho que vou fugir de novo. Pra outro lugar. Bem longe desse planeta.

— Nem pensar!

Mirror levantou o rosto, irritada.

— O quê?! Seu idiota, você quer colocar esse mundo inteiro em risco?! É isso que vai acontecer se eu ficar aqui!

— A gente vai dar um jeito — respondeu Seth, sem hesitar. — Você não vai lidar com isso sozinha. Eu, você, a Laly e o Green… a gente vai resolver.

— Não! — a voz dela falhou por um segundo. — Eu não posso arriscar eles. Eu não posso arriscar você.

Seth virou o corpo de frente pra ela.

— Não foi pra te ajudar que você se juntou a nós? Então deixa a gente fazer o que te ofereceu.

Mirror desviou o olhar outra vez.

— Você não vai desistir disso, né…?

— Nem um pouco.

Ela soltou um suspiro longo.

— Idiota…

Seth sorriu de leve.

— Quanto tempo a gente tem até ele chegar?

Mirror pensou por alguns segundos.

— Menos de um mês.

O sorriso de Seth desapareceu, substituído por determinação.

— Então a gente vai se preparar.

Mirror ergueu uma sobrancelha.

— Você fala isso como se fosse simples.

— Não é — respondeu ele. — Mas é melhor do que correr de novo.

Ela ficou em silêncio, observando o rosto dele.

— Você não tem ideia do que tá comprando briga, Seth…

— Talvez não — admitiu. — Mas eu sei quem ta do meu lado.

Mirror sentiu algo apertar no peito. Não medo. Algo diferente.

— Se ele vier… — ela disse, baixinho — ele não vai pegar leve.

— Então eu também não vou.

Ela riu, dessa vez de verdade, ainda que fraca.

— Você ainda é fraco — provocou.

— Por enquanto — respondeu ele. — Mas isso dá pra mudar.

Mirror se levantou da cama.

— Então começa amanhã — disse ela. — Treino de verdade. Sem moleza.

Seth arregalou os olhos.

— Amanhã?!

— Aproveita enquanto pode dormir — respondeu ela, abrindo a porta. — Porque depois disso, eu vou te quebrar várias vezes.

Antes de sair, ela parou e olhou por cima do ombro.

— E Seth… obrigado por não desistir de mim.

A porta se fechou e Seth ficou sentado na cama, em silêncio.

— Então é melhor eu ficar forte rápido…

Então ele deitou na cama, suspirou e fechou os olhos.

— Mas ficar forte com esse poder… Significa que eu posso machucá-los sem querer, não?

Logo após dizer aquilo, Seth sentiu uma brisa tocar seu rosto.

Franziu a testa.

Aquilo não fazia sentido. A janela do quarto estava fechada, e o ar ali dentro estava completamente parado. Ainda assim, a sensação persistiu, fria e leve, como um aviso.

Quando percebeu, seus olhos já estavam abertos — mas o quarto havia sumido.

O chão sob seus pés era coberto por pétalas secas. À sua frente, se estendia o campo infinito de crisântemos.

Seth suspirou, reconhecendo o lugar instantaneamente.

— Sério isso? Erina, tá ai??

O céu estava cinza, imóvel, pesado demais.

Nenhuma resposta veio.

Então, atrás dele:

— Ela não vai vir, Seth!

A voz era distorcida, múltipla, ecoando como se atravessasse várias camadas do ar ao mesmo tempo.

O corpo de Seth ficou rígido, ele se virou devagar, a alguns metros de distância, entre as flores pálidas, estava alguém idêntico a ele.

Os olhos eram escuros como um vazio profundo, com uma pupila fina, de tom ciano, brilhando de forma antinatural. O cabelo, antes misturado em tons familiares, agora era completamente ciano.

O coração de Seth disparou.

— Sothre…

O sorriso da réplica se abriu ainda mais.

— Que bom ver que você não esqueceu de mim. — disse ele, inclinando levemente a cabeça. — Achei que ia continuar fingindo que eu não existo.

O vento passou pelo campo, e onde Sothre pisava, os crisântemos se desfaziam em pó.

Seth cerrou os punhos.

— O que você quer? — perguntou, tentando manter a voz firme.

Sothre deu um passo à frente, o sorriso nunca vacilando.

— Conversar. — respondeu, com falsa leveza. — Afinal… somos a mesma coisa, não somos?

O campo pareceu escurecer um pouco mais.

— Não somos! Você é só meu medo e eu não preciso de você. — rebateu Seth.

Sothre soltou uma risada baixa, distorcida, que ecoou pelo vazio.

— Você realmente acreditou naquela fala dela… Mas tem certeza que não precisa? — repetiu. — Engraçado… porque toda vez que você hesita, toda vez que sente medo, toda vez que pensa em perder alguém…

Ele parou a poucos passos de distância.

— Sou eu quem tá lá, preparado pra agir.

Seth sentiu um peso estranho no peito, como se aquelas palavras tocassem algo que ele não queria encarar.

— Você mente. — disse.

— Não. — respondeu Sothre, inclinando o rosto, os olhos brilhando. — Eu só digo o que você tenta esconder.

Por um instante, o silêncio foi absoluto.

Então o ar ao redor de Seth vibrou.

Uma força invisível puxou sua consciência para trás, como se algo estivesse impedindo aquela aproximação.

Sothre estalou a língua, claramente irritado.

— Hm… — murmurou. — Ainda te mantendo longe de mim… que previsível.

O campo começou a se desfazer, as flores se quebrando em fragmentos de luz.

— Aproveita enquanto pode, Seth. — a voz ecoou enquanto o mundo se partia. — Uma hora você vai precisar de mim.

A última coisa que Seth viu foi o sorriso torto de Sothre, se desfazendo junto com o campo de crisântemos.

O campo de crisântemos desapareceu como se nunca tivesse existido, dissolvendo-se em luz e silêncio. O peso no ar sumiu de repente, e o cheiro de flores secas foi substituído pelo ar abafado do quarto.

Ele estava de volta à sua cama.

O coração ainda batia rápido demais, e por alguns segundos ele apenas ficou ali, encarando o teto, tentando entender se aquilo tinha sido um sonho… ou algo mais.

Então o celular vibrou ao seu lado.

Seth virou o rosto devagar e estendeu a mão, sentindo os dedos ainda levemente trêmulos. A tela acesa mostrava o nome que ele já esperava ver.

Mirror chamando.

Ele suspirou fundo antes de atender.

— Você tá acordado? — a voz dela soou firme, sem sinal de sono.

Seth olhou em volta. A luz do sol entrava pela janela, tingindo o quarto com um tom alaranjado suave. O relógio marcava cedo demais.

— Agora tô — respondeu. — Já é de manhã?

— Já. — Houve uma breve pausa do outro lado da linha. — E não me diga que você ia dormir mais.

Seth deixou escapar um meio sorriso cansado.

— Acho que isso não tava nos meus planos.

— Ótimo — disse ela. — Porque o treino começa agora.

Ele se sentou na cama, passando a mão pelo rosto.

— Você não tava brincando ontem, né?

— Nem um pouco. — A resposta veio imediata. — Se meu pai realmente vier… você precisa estar pronto. E rápido.

Seth fechou os olhos por um instante.

A imagem de Sothre, do sorriso torto e dos olhos vazios, ainda estava viva demais em sua mente.

Seth respirou fundo.

— Certo — disse, finalmente. — Onde você quer que eu vá?

— Na floresta.

— Já chego ai.

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