Ascensão Estelar Brasileira

Autor(a): Lótus


Volume 1

Capitulo 17: Não se segure!

Ainda pensando sobre o sonho que teve, Seth se levantou e foi se arrumar.
O corpo se movia no automático: banho, roupas limpas, o cabelo ainda levemente úmido quando saiu do quarto. Mas a mente estava longe dali.

“Aquele cara… é real demais pra ser só medo.”

A imagem de Sothre insistia em voltar. O sorriso. Os olhos vazios. A forma como falava, como se soubesse exatamente o que Seth pensava.

Então ao se arrumar, saiu de seu quarto. No corredor parou em frente a um pequeno espelho, seu reflexo parecia normal. Cansado, mas normal. Ainda assim, algo o incomodava profundamente.

Ele seguiu para a cozinha, onde o cheiro de café já tomava o ambiente. Laly estava sentada à mesa, mexendo distraidamente em uma caneca, enquanto Green encostava na bancada, de braços cruzados, aparentemente atento a algo no celular.

— Bom dia Seth — disse Green.

— Bom dia, a moça ainda não acordou? — perguntou Seth.

— Não, mas acho que daqui a pouco vai, então deixei um pequeno selo segurando ela.

— Nossa, você tá com uma cara péssima — comentou Laly, olhando para ele.

— Eu só dormi mal. E bom dia pra você também.

— Mas por que já tá arrumado essa hora?

— Mirror, chamou pra treinar, não quero me atrasar, então já vou indo.

Seth se aproximou da fruteira na cozinha, pegando uma maçã, e indo até a saída da casa.

— Bom treino — disse Green.

— Valeu!

Do lado de fora, o ar da manhã estava fresco. Seth respirou fundo enquanto caminhava em direção à floresta, o local onde eles sempre treinavam.

Cada passo parecia afastá-lo um pouco do peso do sonho, mas, no fundo, ele sabia que aquilo não tinha ficado pra trás.

A floresta estava silenciosa demais quando Seth chegou.

O sol ainda atravessava as copas das árvores em feixes finos, e o chão úmido abafava seus passos. Mirror já estava ali, parada no centro da clareira, os braços cruzados, observando o ambiente como se estivesse esperando por ele havia um tempo.

— Demorou — disse ela, sem virar o rosto.

— Você falou “agora”,não “corre”.

Mirror virou-se lentamente, analisando-o dos pés à cabeça.

— Dormiu mal é?

— Tá tão óbvio assim?

— Pra mim, sim.

— E pra Laly também.

Seth assentiu e respirou fundo. Sentiu o Kor reagir de imediato, aquela presença familiar se espalhando pelo corpo. O ar ao redor dele ficou levemente mais frio, as folhas no chão tremulavam.

Ele ergueu a mão e moldou uma esfera com diversos elementos, tentando mantê-los estáveis.

— É, até que você melhorou bastante — disse Mirror, analisando cada detalhe que conseguia.

— Mas e agora? — perguntou Seth, desfazendo a esfera.

— Se realmente quiser me ajudar, talvez vamos precisar enfrentar meu pai, então vamos treinar seu combate, mas não aqui, afinal vamos ter que ir com tudo.

— Mas então onde?

— Existe uma raça bem longe desse sistema solar, o nome deles atualmente é Cyber-Atlas, eles têm uma tecnologia recente chamada Crono-Nexo, ele cria meio que um universo de bolso que podemos ficar por 10 minutos, acho que é o suficiente.

— Espera? você disse UNIVERSO DE BOLSO?

— Sim?

— Poderes e aliens até vai, mas uma raça sozinha consegue criar um mini universo?

— Bom, é o que eu to falando, não é?

Mirror foi até sua mochila que estava encostada em uma árvore próxima, dentro dela tirando um cubo cinza com detalhes em roxo.

— Bom, basicamente é isso aqui. Ele absorve a energia ao redor por um tempo e cria um pequeno universo que se mantém estável por cerca de dez minutos.

— Isso é… assustador. E como você tem isso?

— Um velho conhecido. Ca-Mus. Consegui com desconto.

— Claro que conseguiu…

— Pode me tirar outra dúvida que agora que parei pra pensar?

— Fala.

— Como você conseguiu receber ou pegar isso e quando?

— Bom, eu só converti minha energia em oxigênio pra me manter no espaço e voei até lá.

— E você fala isso como se fosse algo normal?

— Tendo uma boa ligação com seu Kor e sabendo usar o Etheryn, tudo é possível.

— Mas…

— Mas nada, vamo logo, coloca a mão nele.

Seth respirou fundo e tocou o objeto ao mesmo tempo que ela.

O brilho roxo explodiu ao redor dos dois, o ar pareceu se dobrar, e o mundo foi puxado para dentro do cubo.

A visão de Seth se apagou.

Por alguns segundos, não havia nada. Nenhum som. Nenhuma sensação.

Até que o mundo voltou.

Ele se encontrava em um vasto território montanhoso, com picos irregulares se erguendo em todas as direções, ao longe, ele conseguia observar uma área plana, O ar parecia mais denso, pesado, como se o próprio espaço tivesse peso.

Ao erguer os olhos, reconheceu o céu azul, amplo, quase idêntico ao de fora. Quase. O sol brilhava de forma estranhamente intensa, ligeiramente maior do que o normal. E acima dele, duas luas observavam em silêncio, confirmando que aquele lugar não seguia as mesmas regras.

— Seth! — gritou Mirror, sua voz ecoando à distância.

Ele se virou a tempo de vê-la saltar do topo de um morro próximo. O corpo dela cortou o ar com facilidade, aterrissando à sua frente sem esforço algum.

— Ah… oi — disse Seth, olhando ao redor. — Esse lugar é bem bonito, né?

— É — respondeu Mirror, sem tirar os olhos dele. — Mas enfim, só pra te explicar: os dez minutos lá fora equivalem a uma hora aqui dentro.

— Certo… — Seth engoliu em seco. — Mas como vai funcionar esse treino?

Mirror inclinou levemente a cabeça.

— Como aqui não precisamos nos preocupar em destruir nada… vamos lutar de verdade. Com tudo.

O coração de Seth acelerou.

— Me ataque pra matar — continuou ela, a voz firme. — E tente sobreviver. Porque eu não vou me conter.

— Espera… o quê?!

Ele não teve tempo de ouvir a resposta.

Mirror saltou para longe em um único movimento fluido, indo quase até o topo do morro que ela havia pulado. O elástico que prendia seu cabelo simplesmente se desfez, e os fios se soltaram no ar como se reagissem à energia dela.

Em sua mão, o sangue começou a se mover sozinho de um corte que ela fez, se moldando até tomar a forma de um arco vivo, pulsante. A flecha surgiu logo em seguida, já encaixada, sua ponta brilhando com uma luz intensa e ameaçadora.

Então, em um único segundo, ela disparou.

A flecha cortou o ar com um som agudo.

Por puro instinto, Seth reagiu. Faíscas escaparam de seus olhos, enquanto raios percorriam seu corpo, fazendo o Kor responder antes mesmo que ele pensasse.

Num impulso, ele correu até a ponta da montanha e saltou.

Um estrondo ensurdecedor explodiu atrás dele. Rochas se despedaçaram, passando a poucos metros de seu corpo enquanto ele caía.

—  Ela não tava brincando… Se aquilo tivesse me acertado, eu teria morrido.

— Pelo menos eu te avisei antes — disse Mirror.

A voz surgiu à sua frente.

Ela estava no ar, de cabeça para baixo, asas de sangue abertas atrás de si, encarando-o com um sorriso perigoso.

— Quando você…? — Seth começou, surpreso.

Mas, não conseguiu terminar sua frase.

O arco de sangue se desfez em movimento, alongando-se até assumir a forma de uma lança afiada. Mirror girou o corpo no ar, já preparando o ataque.

Seth percebeu no último instante.

Usou o controle do vento para impulsionar o próprio corpo para cima e para o lado, desviando por pouco de um corte diagonal que rasgou o ar onde ele estava um segundo antes.

— Tudo bem, já que é assim, eu vou realmente ir com tudo, Mirror.

— Tava demorando, Seth. Não se segure!

Enquanto caía, Seth puxou a terra da montanha atrás de si.

As rochas se retorceram e se ergueram em enormes espinhos, disparando na direção de Mirror, que estava um pouco abaixo dele. Ao mesmo tempo, ele usou aqueles mesmos espinhos como apoio, impulsionando-se no ar.

Assim que os espinhos alcançaram Mirror, ela os interceptou com um único golpe.

A lâmina de sangue atravessou a formação, despedaçando-os por completo. Fragmentos de rocha se espalharam pelo ar, girando descontrolados.

Seth reagiu no mesmo instante.

Saltou de pedaço em pedaço, usando os fragmentos como plataformas improvisadas, aumentando sua velocidade a cada impulso, deixando um rastro de raios por onde passou. O vento respondia aos seus comandos, reposicionando as rochas no ar.

Em poucos segundos, os pedaços se alinharam, formando um círculo ao redor de Mirror.

— Não sei se isso vai dar certo, mas se der… Não! Tem que dar! — sussurrou ele.

Por um instante, Seth expulsou todo o resto da mente e se agarrou a um único pensamento. Transformar aqueles pedaços de pedra em metal.

O Kor respondeu com violência, liberando seu Etheryn. Os fragmentos de rocha ao redor de Mirror vibraram, rangendo, a textura se desfazendo como se o próprio mundo estivesse sendo reescrito. A superfície áspera se tornou lisa, fria, pesada, ferro nascendo onde antes havia pedra.

Ao mesmo tempo, umidade condensou-se no ar, cobrindo o metal recém-criado com uma camada espessa de água, que escorria e pingava como chuva artificial.

Então, no mesmo instante, antes mesmo que Mirror compreendesse o que ele estava fazendo, Seth disparou o raio contra o fragmento metálico em que se apoiava.

A eletricidade se espalhou de forma violenta, saltando de pedaço em pedaço, correndo pelo metal encharcado como veias de luz viva. Em poucos segundos, o círculo se fechou.

Mirror ficou no centro de um anel instável de ferro e eletricidade, o ar vibrando, carregado demais para permitir qualquer aproximação sem risco.

— Isso é realmente impressionante… — disse Mirror, analisando o círculo. — Mas não é o suficiente pra impedir meus movimentos. Então, se era isso que você esperava, não vai rolar.

— Eu sei, Mirror. — Seth respondeu, com a respiração pesada. — Qualquer coisa assim seria inútil. Por isso eu pensei em outra coisa.

— Hm…?

Mirror franziu o cenho, analisando o ambiente mais uma vez. Então percebeu. Os fragmentos metálicos não estavam apenas conectados entre si, estavam preparados.

— Tsk! — ela estalou a língua. — Até parece que vou deixar você fazer isso, gênio desgraçado.

Mas, no instante em que terminou a frase, algo estava errado.

Seth não estava mais à sua frente.

"Mas eu não demorei nem um segundo… onde ele foi?"

— Bem aqui, Mirror! — a voz de Seth soou atrás dela.

— Quando…

Ela não teve tempo de terminar.

Num movimento brusco, Seth a agarrou por trás, usando toda a força que conseguia reunir, travando seus braços e limitando suas asas de sangue.

— Como você tá conseguindo fazer tudo isso, Seth?! — ela rosnou, lutando para se soltar.

— Sei lá… — ele respondeu, ofegante. — Só tô obedecendo meus instintos. Ah… e outra coisa.

— O quê?! — Mirror forçou o corpo, tentando escapar.

— Isso vai doer muito. Foi mal.

No mesmo instante, a umidade ao redor reagiu. O corpo de Mirror e suas roupas ficaram completamente encharcados, assim como o de Seth.

Então, em menos de um segundo, ele puxou toda a eletricidade disponível para si. Tanto dos raios já carregados, mais uma quantidade enorme de seu Etheryn.

No instante em que Seth puxou toda a eletricidade para si, o ar ao redor estalou.

Mirror sentiu antes mesmo de ver.

O sangue que ainda se movia ao redor do corpo dela reagiu, vibrando de forma irregular.. As asas começaram a se desfazer, tentando se recompor em escudos de sangue endurecidos.

— …Tsk.

Foi tudo o que ela conseguiu dizer e fazer, então Seth liberou toda a descarga de uma vez.

O raio explodiu direto entre os dois, sem apoio no chão, rasgando o ar enquanto caíam. A eletricidade se espalhou pelas partículas de umidade suspensas, saltando de gota em gota, transformando o espaço entre eles em um campo instável de luz branca.

O corpo de Mirror travou. O sangue que ela controlava se tornou um condutor perfeito.

Por uma fração de segundo, seu próprio poder se voltou contra ela.

— GH—!

O choque percorreu cada veia, cada fio de sangue fora do corpo, amplificando o impacto. As asas se desfizeram completamente, se espalhando como chuva vermelha.

Então quando os dois estavam quase atingindo o chão, o Kor de Mirror reagiu, então seu Etheryn explodiu em uma onda de pressão absurda, que distorceu todo ar ao redor e lançou Seth para longe.

Ele girou no ar, o controle sobre seu poder falhando por um segundo crítico.

Mirror caiu primeiro, seu corpo despencou alguns metros, até que o sangue se recompusesse sob seus pés, formando uma plataforma instável no ar que desacelerou sua queda com violência.

Ela pousou em um joelho, a respiração pesada. Por um único segundo, então se levantou.

Seth caiu um pouco à sua frente, com dificuldade para se manter no ar.

— Usar eletricidade… comigo, somado com todo aquele plano? Isso foi realmente surpreendente.

Então Seth finalmente se estabilizou no ar, em frente a ela.

O sorriso surgiu por um instante no rosto dela, porém, morreu logo em seguida.
— Mas não tenta isso de novo.

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