Ascensão Estelar Brasileira

Autor(a): Lótus


Volume 1

Capitulo 15: Acordo

O tempo pareceu parar naquele instante.

Os golpes de ambos cortaram o ar, avançando um contra o outro. Naquele momento, os dois sabiam: a colisão não reduziria apenas aquela montanha a nada, ela apagaria toda a região, ou até muito mais do mapa.

Então, em uma fração de segundo, com os ataques prestes a colidir, Luke foi arremessado contra o chão.

Uma força esmagadora o prensou contra a rocha, desfazendo sua habilidade no mesmo instante. O impacto abriu crateras no solo e levantou uma nuvem densa de poeira, engolindo tudo ao redor.

Ao mesmo tempo, o braço de Aella foi interrompido no ar, seu golpe parou com uma mão o segurava com firmeza.

Os olhos de Aella se arregalaram, tentando entender o que havia acontecido.
"Quando? Eu não vi ele chegar… Quem é esse?"

A poeira começou a se dissipar, entre os destroços, ela viu olhos verdes, semicerrados, tranquilos demais para alguém que acabara de impedir um desastre daquela magnitude.

Então, um vento violento varreu a poeira no topo da montanha de uma vez, revelando Green.

— Quem é você, como ousa me atrapalhar assim? — gritou Luke, sendo pressionado contra o chão.

— Outro Aeternis…? — murmurou Aella.

— Vocês por acaso estão tentando sumir com essa região? Deu pra sentir isso até do outro lado do planeta.

Luke e Aella ficaram perplexos, ambos com os olhos arregalados, em choque por não terem notado Green se aproximando.

Ela foi a primeira a reagir, forçando seu braço com tudo para se soltar, recuando instintivamente vários passos para trás.
"Esse cara não é normal… O que é isso que eu tô sentindo…?"

Aella olhou para sua mão que segurava a katana, suas mãos estavam trêmulas, então voltou seu olhar a ele, analisando rapidamente a nova ameaça.

Luke ainda pressionado contra o solo, usou uma parte de Etheryn que lhe restava, criando lanças de gelo no ar, às fazendo ir na direção de Green.

Então ele saltou para longe antes que as lanças o acertassem, permitindo que Luke se levantasse. Ele se afastou, formando um triângulo entre eles, cada um posicionado a uma distância segura dos outros.

Aella foi a primeira a organizar seus pensamentos, sua mente trabalhando rapidamente apesar da exaustão:

”Outro Aeternis… Mas aquela velocidade… Eu nem consegui vê-lo se aproximar. Ele não parece aliado do garoto arrogante, mas, se for, não consigo lutar contra os dois… Só me resta tentar sobreviver.”

Ela entrou em sua postura defensiva, preparando-se para qualquer movimento súbito.

Luke analisava Green:

”Um Aeternis… Ele é forte, e a descrição até que bate com um dos fugitivos. Será que então eu finalmente os encontrei?”

Luke foi o primeiro a quebrar o silêncio, sua voz carregada de curiosidade e uma ponta de diversão:

— Ei, você do cabelo verde! Por acaso seu nome seria Green?

Green o encarou fixamente, seus olhos se estreitando. Instantaneamente, um pensamento cruzou sua mente:

Eu vou ser obrigado a matá-lo…

Ele permaneceu em silêncio, não oferecendo resposta alguma.

Luke continuou, aparentemente não intimidado pela falta de resposta:

— Você já deve saber por que estou aqui. Mas você é realmente forte, então tenho uma proposta pra você.

— E qual seria? — perguntou Green.

— Daqui a três dias, me enfrente. Os outros Aeternis têm se mostrado um verdadeiro fracasso. Então, se conseguir me derrotar, eu não vou entregá-los para a nossa raça.

— E como eu posso confiar em você?

— Simples. Um trato entre nossos Kor’s. Só não vale me pegar desprevenido  como enquanto eu fazia uma limpeza de lixo. — disse Luke, olhando para Aella.

Aella sentiu o sangue ferver em suas veias. Ela deu um passo à frente.

— Quem você está chamando de lixo, verme?! — gritou, sua voz ecoando pela montanha devastada.

Luke apenas riu.

Green observou a troca com interesse e, em seguida, voltou sua atenção para Luke.

— Você é bem arrogante, não é? Mas tudo bem, eu aceito. Porém, se eu ganhar, você terá que fazer o que eu mandar. Além disso, não poderá falar para a nossa raça sobre mim e meus irmãos.

— E se eu ganhar, eu irei entregá-los ou matá-los, e você não poderá fazer nada.

— Certo. Então vamos logo com isso.

Duas correntes de Etheryn saíram do peito dos dois, encontrando-se e se entrelaçando no ar. Elas brilharam intensamente por um momento antes de se dividirem.

O Etheryn de Luke fluiu até Green, deixando uma marca brilhante em sua mão direita, enquanto o Ego de Green fez o mesmo com Luke, marcando sua mão esquerda. O contrato estava selado.

— Onde iremos lutar? — perguntou Green.

— Em uma montanha qualquer. O que acha?

— Tudo bem.

Luke não disse mais nada. Seu corpo começou a se desfazer em raios de energia, claramente afetado pela batalha anterior.

Ao notar que Luke estava indo embora, Aella gritou:

— Ei! Onde pensa que vai depois de destruir a minha casa?!

Ela avançou em sua direção, a katana erguida para um último ataque desesperado. Mas, no momento em que a lâmina deveria encontrar seu alvo, Luke desapareceu completamente, deixando apenas faíscas de eletricidade no ar.

Green voltou sua atenção para Aella, que havia parado abruptamente após o ataque, frustrada.

— E você, garota? — perguntou Green, com a voz mais suave agora.

Aella se preparou para lutar, posicionando a katana à sua frente. Porém, os efeitos da batalha anterior e do gasto excessivo de Etheryn começaram a se manifestar visivelmente. Suas pernas tremiam levemente, e sua respiração estava irregular.

Mesmo assim, ignorando completamente sua condição atual, ela avançou na direção de Green.

— Eu não pretendo morrer — declarou Aella, com a voz rouca.

— Mas quem disse que eu vou te matar?

Aella o ignorou completamente, focada apenas em sua determinação de lutar.

Em poucos segundos, ela alcançou Green, tentando perfurar seu coração. No entanto, ele desviou com apenas um pequeno impulso para o lado, e Aella passou direto por ele.

— Você tá cansada. É melhor não continuar.

— Não é como se você fosse me deixar ir embora. Afinal, você já deve saber o que eu sou!

Ela parou bruscamente e se virou, agora mirando na garganta de Green. Tentou atingir seu pescoço, mas novamente foi ineficaz, com um simples passo para trás, ele desviou.

— Tem razão. Não posso simplesmente deixar você ir — disse Green, calmo. — Mas isso não significa que eu não possa te ajudar de outra forma… uma que não envolva matar humanos.

Aella tentou atacá-lo outra vez, formando um arco amplo com a espada. Contudo, Green percebeu que ela realmente não pretendia escutá-lo. No meio do movimento, sem que ela notasse, ele já estava atrás dela.

Então aplicou um golpe leve e preciso na nuca, fazendo-a perder a consciência.

Green a segurou antes que seu corpo caísse contra o chão rochoso.

— Eu não vou te matar. Fazer isso com alguém no seu estado seria covardia… — murmurou. — Mas me pergunto o que uma Nulificadora faz no plano físico, na Terra. Além disso… você parece humana.

Ele segurou Aella com cuidado nos braços, decidido a levá-la consigo. Em seguida, envolveu ambos com seu Etheryn, preparando-se para retornar para casa.

[Na casa dos irmãos - Brasil]

Mirror, na tentativa de amenizar o efeito da enorme quantidade de Etheryn que afetava Seth e Laly, os afastou do sofá e os levou para a cozinha, uma área mais aberta. Em seguida, liberou suas asas de sangue, envolvendo-os junto com ela.

Aquilo funcionou. Seth e Laly começaram a se recuperar pouco a pouco. Laly olhou ao redor, entendendo o que Mirror estava fazendo.

— Isso é meio bizarro… mas valeu — disse ela, ainda se recuperando.

Seth se recompôs logo em seguida. Ao notar as asas, mesmo naquela situação, deixou escapar uma leve risada.

— Tá rindo do quê, idiota? — perguntou Mirror.

— Essas asas não me trazem boas memórias.

— Vai se ferrar!

Alguns segundos depois, o tremor cessou. Mirror sentiu que a energia havia parado de ser liberada.

— Parou — disse ela, recolhendo as asas.

— Mas que merda foi essa? — murmurou Laly, ainda com uma das mãos na cabeça.

— Não faço a menor ideia. O Green saiu pra ver o que era… e logo depois isso parou.

— Será que ele tá bem?

— Certeza que sim, Laly. Nosso irmão mandou a gente confiar nele.

— É… tem razão.

Alguns instantes se passaram até que ouviram a voz de Green do outro lado da porta da casa:

— Eu voltei! Abram rápido!

Seth correu até a porta e a abriu, vendo Green carregar uma mulher desacordada nos braços.

— Quem é ela?

— Longa história. Só me ajudem a cuidar dela.

Seth e Laly não perderam tempo.

— Leva ela pro sofá — disse Seth, indo até a sala tirando as coisas que ocupavam espaço no sofá.

Laly puxou as almofadas, organizando o espaço enquanto Seth ajudava Green a deitar a mulher com cuidado. O corpo dela estava quente, a respiração pesada, mas irregular, como alguém que havia ido muito além do próprio limite.

— Ela não tá tão machucada… — comentou Laly, observando melhor. — Parece mais… exausta.

— Etheryn demais em pouco tempo — respondeu Green. — Ela devia tá há muito tempo sem fazer isso, além de ser contra um oponente forte.

Mirror se aproximou lentamente, cruzando os braços por um instante antes de suspirar. Ela se ajoelhou ao lado do sofá, colocando sua mão sobre o peito de Aella, sentindo o fluxo instável de energia que seu Kor liberava.

Seth ficou ao lado, atento, enquanto Laly puxava uma manta e cobria Aella até os ombros.

— Dá pra ajudar? — perguntou Seth.

Mirror assentiu.

Ela fechou os olhos, respirou fundo e deixou sua própria energia fluir. Não houve explosão nem brilho intenso, apenas um calor suave que se espalhou pelo ambiente. Um traço quase invisível de energia escura saiu de seu peito e se misturou ao Etheryn instável de Aella, diminuindo um pouco a instablidade.

A respiração dela começou a se regular aos poucos.

Mirror manteve a mão ali por alguns segundos a mais, até sentir que o fluxo havia se estabilizado.

— Pronto… — disse, se levantando devagar. — Agora é só descanso. Ela vai dormir por bastante tempo.

Seth observou o rosto tranquilo da mulher adormecida. Mesmo inconsciente, havia algo nela que passava uma sensação estranha… perigosa, mas ao mesmo tempo distante.

— Então… — murmurou ele — ela não vai acordar tão cedo, né?

— Não — respondeu Mirror. — E é melhor assim.

O silêncio tomou a sala.

Mirror se aproximou de Seth, e sussurrou para ele:
— Seth… a gente pode ir lá fora ou pro seu quarto? Preciso conversar com você…

Seth ficou genuinamente surpreso, foi a primeira vez que Mirror falou que precisava conversar tão abertamente, então sem pensar muito ele apenas respondeu:
— Claro! Vamo pro quarto.

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