Volume I

Capítulo XI: O Preço da Nobreza | Parte II

O corpo dele enrijeceu. O treinamento falou mais alto que o protocolo. Os olhos percorreram o salão até uma das grandes janelas laterais.

Lá fora, sombras moveram-se rápido demais.

Guardas corriam pelo pátio. Alguns tomavam posições defensivas. Outros cercavam a residência imperial, armas em punho.

Darvor aproximou-se da janela, o coração acelerado.

— Não… — murmurou.

No instante seguinte, virou-se bruscamente e avançou pelo salão.

— Darvor? — chamou Sienna, confusa.

Ele não respondeu.

As pessoas estranharam a movimentação apressada. Murmúrios começaram a surgir. Darvor finalmente gritou, rompendo o ar como uma lâmina:

— É UM ATAQUE!

Antes que a palavra ecoasse por completo, as vidraças explodiram.

Blocos irregulares de terarth foram arremessados para dentro do salão com força brutal.

Um deles atingiu um nobre em cheio, e o impacto esmagou sua cabeça instantaneamente. Outro atravessou uma mesa, lançando estilhaços e corpos ao chão.

Gritos tomaram o ambiente.

Em seguida, uma onda colossal de vater rompeu pelas aberturas e avançou como uma muralha líquida.

Pessoas foram arremessadas contra colunas; outras foram arrastadas pelo chão polido. Taças, móveis e corpos chocaram-se em um caos ensurdecedor.

O salão luxuoso transformou-se em um campo de pânico, vater e sangue.

Dóryon sentiu o impacto jogá-lo contra o chão. Yoonji gritou seu nome. Lioren tentou se levantar, mas a força da correnteza o derrubou de imediato.

O caos espalhou-se rapidamente. Darvor, com postura de comandante, ergueu Dóryon nos braços e olhou rapidamente para Sienna.

— Sigam pelo corredor da esquerda! — ordenou com firmeza. — O ataque se concentrará no salão e nos aposentos reais. Não há tempo a perder.

Dóryon e Sienna seguiram sem hesitar. Correram pela mansão e pisaram em vater, sangue e entranhas espalhadas pelo chão.

O som dos passos apressados ecoou nas paredes da grande casa, enquanto o horror tomava forma nos corredores.

A sensação de morte e destruição tornara-se palpável no ar, e o chão parecia tremer sob o peso do inimigo.

Darvor, por sua vez, reuniu os soldados que ainda se mantinham de pé, aqueles poucos que resistiram ao ataque inicial, mas as perdas eram imensas.

O salão real estava em ruínas, e os guardas imperiais tentavam se reagrupar com dificuldade.

Ele aproximou-se de um dos soldados ainda com vida, um homem de respiração ofegante e rosto coberto de suor e sujeira.

— Onde está o comandante das tropas noturnas? — perguntou Darvor, com a voz baixa e ameaçadora.

O soldado olhou para o chão, sem resposta imediata, até que finalmente balbuciou:

— Eu... Eu não o vi a noite toda, senhor. Temia o pior. Talvez já tenha caído.

Darvor o encarou com frieza. O olhar era cortante, implacável. Não havia tempo para lamentos.

— Encontre-o. Traga-o aqui. Se ele ainda estiver vivo, que lute pela coroa. E se estiver morto, que eu saiba, e que o traga de volta para que eu o faça lutar!

Com um aceno severo, Darvor empunhou a espada e afastou-se do grupo, tomando a frente. Os soldados estavam dispersos e tentavam conter a invasão, mas a situação fugia do controle.

Darvor respirou fundo, sentindo o peso da pressão e o calor do caos ao redor. Afastou-se do salão e seguiu em direção ao corredor de onde viriam os maiores focos de resistência.

O som de lâminas e o estalar de ossos ecoava enquanto os inimigos se aproximavam. O ar tornou-se denso com o odor de sangue e morte.

Ele sentiu o poder pulsar no corpo. A dobra de Venwin estava pronta para ser usada. O ar ao redor parecia se condensar. Os sentidos se aguçaram, e cada movimento inimigo tornou-se claro.

Darvor avançou para um dos corredores laterais que desembocavam novamente no salão principal.

O som de passos apressados, respirações descompassadas e o eco metálico de armas denunciou a aproximação.

Ele parou.

Inspirou profundamente pelo nariz.

O Venwin respondeu de imediato.

O ar ao redor de Darvor tornou-se denso, comprimido, como se o próprio ambiente fosse puxado para dentro de seus pulmões.

Ao expirar lentamente pela boca, moldou o fluxo invisível em uma lâmina alongada, fina e extremamente afiada, invisível aos olhos comuns, mas perceptível pela pressão cortante que distorcia o espaço à frente.

O primeiro inimigo surgiu correndo, um homem envolto em uma aura instável de fimber. Chamas irregulares serpenteavam pelos braços, aquecendo o ar ao redor. Ele avançou com um grito e tentou lançar uma rajada incandescente.

Darvor moveu-se antes.

Um único sopro.

A lâmina de venwin atravessou o espaço entre eles e cortou o fimber ainda em formação.

O calor dissipou-se no mesmo instante em que o pescoço do inimigo se abriu de lado a lado. O corpo caiu antes mesmo de compreender que a dobra falhara.

O segundo soldado surgiu logo atrás e pisou com força no chão.

O terarth respondeu de maneira bruta e desajeitada, erguendo fragmentos irregulares do piso ao redor das pernas dele.

Ele tentou endurecer a superfície sob os pés, criando uma defesa improvisada.

Darvor avançou sem desacelerar.

Inspirou novamente, desta vez de forma curta e profunda, e soltou o ar em um corte horizontal.

O venwin penetrou as defesas de terarth como se fossem argila mal moldada.

A pressão partiu as placas sob o inimigo, rasgou a armadura e o lançou contra a parede, onde ele caiu inerte, o peito esmagado pela própria tentativa de resistência.

O terceiro e o quarto inimigos vieram juntos.

Um deles manipulava vater, formando lâminas líquidas ao redor dos braços, enquanto o outro criava rajadas instáveis de venwin, tentando imitar uma técnica que claramente não dominava.

O corredor encheu-se de umidade e correntes desordenadas de ar.

Darvor fechou os olhos por um instante.

Sentiu o fluxo.

Sentiu o erro.

Ele girou o corpo, desviou da primeira lâmina de vater e, no mesmo movimento, puxou violentamente o ar ao redor do inimigo que tentava usar venwin. O fluxo do adversário desfez-se, sugado para a respiração de Darvor.

Ao expirar, devolveu o venwin condensado em forma de duas lâminas cruzadas.

A primeira atravessou o tórax do dobrador de vater, dispersando o líquido em uma chuva avermelhada.

A segunda atingiu o outro inimigo em cheio, cortou-lhe as pernas na altura dos joelhos antes de terminar o trajeto no abdômen.

Ambos caíram quase ao mesmo tempo, e o som dos corpos misturou-se ao eco do corredor.

O quinto inimigo surgiu com cautela.

Era mais experiente.

O terarth dele era mais estável e formava uma camada rígida sobre a pele, como uma armadura irregular.

Ele avançou com uma espada curta, tentando encurtar a distância, onde acreditava que a dobra de venwin seria menos eficaz.

Erro fatal.

Darvor não recuou.

Inspirou profundamente, mais do que antes, e manteve o ar preso por um breve segundo. O venwin ao redor deles vibrou, comprimido ao extremo.

Quando finalmente exalou, a lâmina invisível não apenas cortou: ela rasgou.

A armadura de terarth partiu-se em múltiplos fragmentos. A espada do inimigo quebrou-se no meio do golpe.

O corpo abriu-se do ombro ao quadril e foi lançado contra o chão com violência suficiente para silenciar qualquer tentativa de grito.

O corredor voltou ao silêncio.

Darvor permaneceu imóvel por um momento, o peito subia e descia de forma controlada. O venwin dissipou-se lentamente, obediente, como uma fera bem treinada que retornava ao repouso.

Cinco inimigos.

Cinco dobras.

Todas insuficientes.

Ele limpou o sangue do rosto com o dorso da mão e voltou-se para o salão em ruínas.

O ataque estava longe de acabar.

Mas, enquanto ele respirasse, a coroa ainda teria quem a defendesse.

Após correr como uma fera, Darvor rompeu o último arco do corredor e entrou novamente no salão principal.

Ele já não via um salão, mas um campo de guerra.

Os soldados imperiais lutavam em formação irregular contra os infiltrados, e o chão ficara coberto por estilhaços de terarth, poças de vater misturadas a sangue e corpos caídos entre mesas destruídas e colunas rachadas.

O ar vibrava com impactos, gritos e o choque constante entre aço e dobra.

 

No centro do salão, Altheryon permanecia de pé.

Não protegido; imponente.

A dobra de fimber ao redor dele não se comportava como chamas comuns. Era viva. Espessa.

Pulsava como um organismo próprio, subia pelos braços, contornava a silhueta do imperador e se expandia em ondas incandescentes sempre que ele avançava um passo.

Onde o fimber tocava, inimigos recuavam em pânico ou eram consumidos antes mesmo de completar um ataque.

Roselyne estava próxima, protegida por dois soldados, o rosto firme apesar do caos.

E atrás de Altheryon… Tobias.

Darvor percebeu imediatamente.

A postura tensa.

A mão firme demais no punho da espada.

O olhar carregado de intenção.

Tobias observava as costas do imperador com uma expressão predatória, como se calculasse o instante exato para cravar a lâmina entre as placas da armadura cerimonial.

Um único golpe. Um fim silencioso para a coroa.

Então os olhos dele cruzaram com os de Darvor.

O efeito foi imediato.

Darvor estava coberto de sangue que não era dele.

O uniforme imperial estava rasgado em alguns pontos, e o olhar era selvagem, dilatado, sem qualquer resquício de hesitação. Não havia honra ali.

Não havia protocolo. Apenas a promessa explícita de morte.

Tobias empalideceu.

Deu um passo atrás e posicionou-se de costas para Altheryon, como se apenas o protegesse. Mas a tensão nos ombros denunciou a frustração, a oportunidade perdida.

Darvor não lhe deu mais atenção.

Ele avançou pelo salão e, ao ver um dos soldados ser pressionado por um invasor que manipulava vater de forma grosseira, não hesitou.

Inspirou curto e liberou venwin em um corte descendente. O inimigo caiu sem som, e o ataque morreu no meio do gesto.

— Relatório. — exigiu Darvor, sem olhar para o corpo.

O soldado respirava com dificuldade, mas respondeu:

— O salão está quase sob controle, senhor. O perímetro externo foi cercado… mas — ele engoliu em seco — houve grande movimentação nos aposentos dos servos. Muitos inimigos seguiram para lá.

As palavras atingiram Darvor como um golpe físico.

Os aposentos dos servos.

Onde ele mandara Sienna.

Onde ele mandara Dóryon.

O erro revelou-se com crueldade absoluta.

O instinto dele gritou para correr. Para abandonar tudo e atravessar os corredores até encontrá-los. Para protegê-los como sempre fizera, mesmo quando isso custava a própria posição.

Mas então ele viu Ícaruz.

O príncipe herdeiro estava afastado do núcleo da defesa, cercado por escombros e com a atenção dividida.

Dois inimigos avançavam pela frente, manipulando terarth de forma agressiva, enquanto outros dois surgiam por trás, reunindo fimber instável entre as mãos.

Desprotegido.

Sozinho.

Darvor sentiu o dilema rasgar-lhe o peito.

Família… ou coroa.

O filho que confiara na força dele.

Ou o herdeiro que sustentava todo o reino.

Por um breve segundo, o mundo pareceu desacelerar.

O som da batalha tornou-se distante. Ele pensou em Dóryon, no olhar contido, na tentativa silenciosa de ser forte.

Pensou em Sienna, na manhã elegante que terminara em terror.

E então pensou no que aconteceria se Ícaruz caísse.

Arkien ruiria.

Darvor cerrou os dentes.

A escolha fez-se no silêncio e na dor.

Ele avançou.

O venwin respondeu ao chamado com violência contida, comprimindo-se ao redor do corpo dele enquanto atravessava o salão em corrida plena.

Um dos inimigos ergueu o terarth, mas Darvor saltou, girou no ar e liberou a lâmina invisível em arco descendente.

O terarth partiu-se.

 

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