Volume 1 – Arco 1

Capitulo 19: Sem Vestígios

E após o desastre da enfermaria e o fechamento do internato, o Briaaron havia passado a primeira semana inteira invadindo a escola como um fantasma invisível, deslizando pelos corredores escuros, revirando salas, dormitórios e armários sem deixar rastro algum. Ele sentia o peso da frustração crescendo no peito a cada canto vazio que encontrava, porque absolutamente nada explicava o buraco absurdo que algo havia aberto em sete andares inteiros de concreto, argamassa e aço. O impacto tinha sido devastador, e de repente tudo sumiu. Minutos depois, o castelo estava inteiro de novo, como se o tempo tivesse sido rebobinado com perfeição cirúrgica. Ele parava no saguão reconstruído, olhando para cima, tentando entender como uma força capaz de atravessar o campo de proteção pôde sobreviver a uma queda colossal e depois consertar tudo. O ar carregava um cheiro de giz velho e suor adolescente, mas nenhuma digital, nenhum vestígio de sangue, nenhum cheiro doce de magia, só o silêncio zombeteiro do lugar que escondia segredos maiores que ele.

E foi quando Hanvasa surgiu do nada, seu corpo reaparecendo no ar, a invisibilidade se desfazendo de propósito. Ela o tinha seguido, copiado o poder dele, e agora estava ali. Confrontou ele e confirmou o que ele já suspeitava: o campo de proteção era uma piada, só ilusão externa, qualquer coisa podia atravessar. E não tinha sido um "objeto" que caiu — foi alguém. Alguém que não só reconstruiu a destruição do internato, mas literalmente rebobinou o tempo no local, apagando qualquer prova do caos como se nunca tivesse existido. Briaaron sentiu o estômago revirar com a ideia, porque Eldaly tinha massacrado todos na nave naquela madrugada sangrenta. Ele ainda via os corpos retorcidos, ouvia os gritos, sentia o cheiro de carne queimada grudado na memória. Sobreviventes? Impossível. Mas Hanvasa insistiu, e aos poucos as peças começaram a se encaixar na cabeça dele. Se um deles pulou da nave, caiu ali dentro e sumiu, então nem todos morreram.

O medo dela explodiu quando pensou na possibilidade mais sombria: possessão. Um ser desses podia ter entrado em um dos adolescentes, tomado o controle de dentro pra fora, transformando o garoto em uma casca perfeita pra se esconder. Bulmer veio à mente dela como o candidato mais óbvio – o garoto que quase morreu e estranhamente se regenerou em minutos, que de repente se tornou o centro de todo o caos que rolou naquela enfermaria. E Briaaron não tinha certeza, mas admitiu que era possível. Se o alienígena não foi encontrado, se ele se fundiu com um hospedeiro humano, então estava usando pele, ossos e mente de um moleque pra se mover livremente. Eles sentiram o peso daquilo como um soco no estômago: um invasor cósmico solto entre adolescentes inocentes, capaz de reescrever a realidade, possuir corpos e causar destruição. 

Os dois se olharam por um longo momento, os olhos carregados de medo e determinação. Sem precisar falar muito, eles selaram o pacto ali mesmo: iriam caçar juntos. Descobrir se o alienígena realmente sobreviveu, se está dentro do Bulmer, e se era ele causando as merdas estranhas que vinham rolando no internato. A aliança nasceu crua, com Briaaron sentindo o peso da dúvida e Hanvasa lutando pra não deixar o pânico tomar conta do controle que ela sempre teve sobre tudo. O internato, antes só um castelo chato cheio de adolescentes hormonais, agora pulsava como um ninho vivo de horrores cósmicos. Eles se separaram devagar, voltando pras sombras, mas o laço invisível já os prendia. A caçada tinha começado, e o preço do erro podia ser o sangue de todos ali dentro.

E foi quando Hanvasa surgiu do nada, seu corpo reaparecendo no ar, a invisibilidade se desfazendo de propósito. Ela o tinha seguido, copiado o poder dele, e agora estava ali. Então confrontou ele e confirmou o que ele já suspeitava: o campo de proteção era uma piada, só ilusão externa, qualquer coisa podia atravessar. E não tinha sido um "objeto" que caiu — foi alguém. Alguém que não só reconstruiu a destruição do internato, mas literalmente rebobinou o tempo no local, apagando qualquer prova do caos como se nunca tivesse existido. Briaaron sentiu o estômago revirar com a ideia, porque Eldaly tinha massacrado todos na nave naquela madrugada sangrenta. Ele ainda via os corpos retorcidos, ouvia os gritos, sentia o cheiro de carne queimada grudado na memória. Sobreviventes? Impossível. Mas Hanvasa insistiu, e aos poucos as peças começaram a se encaixar na cabeça dele. Se um deles pulou da nave, caiu ali dentro e sumiu, então nem todos morreram.

O medo dela explodiu quando pensou na possibilidade mais sombria: possessão. Um ser desses podia ter entrado em um dos adolescentes, tomado o controle de dentro pra fora, transformando o garoto em uma casca perfeita pra se esconder. Bulmer veio à mente dela como o candidato mais óbvio – o garoto que quase morreu e estranhamente se regenerou em minutos, que de repente se tornou o centro de todo o caos que rolou naquela enfermaria. E Briaaron não tinha certeza, mas admitiu que era possível. Se o alienígena não foi encontrado, se ele se fundiu com um hospedeiro humano, então estava usando pele, ossos e mente de um moleque pra se mover livremente. Eles sentiram o peso daquilo como um soco no estômago: um invasor cósmico solto entre adolescentes inocentes, capaz de reescrever a realidade, possuir corpos e causar destruição. 

Os dois se olharam por um longo momento, os olhos carregados de medo e determinação. Sem precisar falar muito, eles selaram o pacto ali mesmo: iriam caçar juntos. Descobrir se o alienígena realmente sobreviveu, se está dentro do Bulmer, e se era ele causando as merdas estranhas que vinham rolando no internato. A aliança nasceu crua, com Briaaron sentindo o peso da dúvida e Hanvasa lutando pra não deixar o pânico tomar conta do controle que ela sempre teve sobre tudo. O internato, antes só um castelo chato cheio de adolescentes hormonais, agora pulsava como um ninho vivo de horrores cósmicos. Eles se separaram devagar, voltando pras sombras, mas o laço invisível já os prendia. A caçada tinha começado, e o preço do erro podia ser o sangue de todos ali dentro.


A segunda semana sem aulas no internato havia começado como um pesadelo lento, e Hanvasa sentia isso na pele. Depois de selar uma aliança com Marla e Briaaron, ela decidiu ir direto na fonte. Bulmer. Na clínica psiquiátrica vê-lo. Mas o garoto estava um caos: andava de um lado pro outro feito bicho enjaulado, olhos saltando, murmurando sobre sonhos sangrentos e vozes rastejando no crânio como vermes gelados. Quando ela tentou falar, ele só gritou um som gutural que fez o vidro tremer e caiu de joelhos babando. Ela saiu de lá sem nenhuma informação, mas isso só confirmou o pior na cabeça dela: algo alienígena tinha entrado ali, devorando o moleque de dentro pra fora. Ela decidiu na hora que precisava falar com Ártemis, a única garota que viu a possessão acontecer. Hanvasa estava destemida a descobrir sobre que tipo de merda cósmica possui pessoas e ainda rebobina o tempo.

E os dias seguintes só pioraram. Na quarta-feira os militares da União Maga invadiram o internato sem aviso, um esquadrão inteiro. Conversaram com Aelzy e Hanvasa, depois com todos os professores, um a um, e ainda trouxeram dois telepatas pra dentro da jogada. Os leitores de mente eram frios, quase robóticos, sentados em silêncio enquanto sondavam as cabeças alheias, os olhos brilhando com um leve tom violeta enquanto puxavam memórias. E diferente dos alunos, nenhum professor tinha visto com os próprios olhos a reconstrução acontecendo na semana passada, nem os buracos se fechando, nem a magia vermelha piscando nos sete andares. Hanvasa sentiu um alívio atravessado pela raiva — porque os adultos simplesmente não tinham visto nada. Todos fora do alcance visual daquele poder cósmico. Ela queria entender oque o Khelos quer com os alunos. Apenas jovens com mentes maleáveis, carregadas de hormônios, desejo reprimido, emoções cruas e poderes ainda instáveis. Hanvasa acreditava que descobriria o objetivo real e quem o extraterrestre era, e quando isso acontecesse, arrancaria o intruso do hospedeiro com as próprias mãos, custasse o que custasse. 

Mas não parou aí. Os militares fizeram uma varredura completa, como predadores farejando sangue. Salas de aula reviradas, escritórios abertos à força, banheiros inspecionados até o ralo, dormitórios com camas viradas do avesso, vestiários cheirando a mofo e suor adolescente vasculhados até o último armário, impregnados de mofo e suor adolescente. E não encontraram nada. Nenhum artefato, nenhum resíduo mágico consistente, nenhum objeto fora do lugar que explicasse o que tinha acontecido. Nada nos quartos. Nada escondido. Nenhuma resposta fácil. Foi ali que entenderam que não adiantava procurar coisas — teriam que procurar pessoas.

Então o esquadrão militar interrogou quase todos os alunos em minutos e analisaram tudo em menos de duas horas: teletransportaram detectores de mentira direto pras casas, ligaram pra todo mundo ao mesmo tempo, perguntando cada detalhe da reconstrução cósmica da semana passada — a magia vermelha, os destroços se montando sozinhos, tudo. Os tablets piscavam verde o tempo inteiro, nenhuma mentira detectada. As respostas eram sempre iguais: uns viram, outros não, nada diferente. E os alunos que não atenderam seriam interrogados pessoalmente depois, prometiam eles, com vozes que não deixavam margem pra negociação. Mas que no fundo, já sabiam que isso daria em nada.

Por fim, chamaram os examinadores. Um time inteiro de especialistas em análise mágica invadiu o campus em portais mágicos, mandando os professores pra fora enquanto montavam equipamentos pesados: detectores de fluxo arcano, visões em raio-X etéreo que atravessavam paredes como se fossem papel e sensores que captavam resquícios de energia arcana. Eles passaram horas no campo de batalha atrás da escola, aquele terreno enorme de Aetherium Mutabile e marcas antigas de duelos, e Hanvasa até pediu pra que checassem o campo de proteção. Os caras assentiram, mas no fundo dos olhos tinha um desprezo sutil, como se soubessem que ela era só a vice tentando se segurar no cargo. Eles varreram tudo: os andares principais, os anexos, o saguão reconstruído, até o subsolo onde guardavam equipamentos velhos. Detectores apitando, visões X mostrando estruturas intactas e análises de partículas mágicas voltando limpas. 

Enquanto os examinadores varriam o campus com seus brinquedos caros, os professores aguardavam reunidos perto do limite do campo de proteção, na borda do internato, onde o terreno começava a se dissolver em árvores e declives irregulares. O clima era de contenção forçada. Ninguém falava alto, ninguém se movia demais. Todos esperavam o resultado da análise como quem aguarda um diagnóstico que pode mudar tudo. Hanvasa estava ali no meio deles, imóvel por fora, alerta por dentro. Como usuária de mimetismo, ela não apenas copiava poderes — ela os sentia. Magia ativa perto dela se manifestava como pressão, como dor, como um incômodo impossível de ignorar. E desde que haviam parado ali, não havia uso algum. Ou só estava fraco demais para ela sentir. Até que veio um choque súbito: um latejar seco na têmpora, profundo, pontual, como uma agulha gelada cravada atrás do olho esquerdo. Alguém estava usando poder. Agora.

Hanvasa piscou com força e virou o rosto na direção dos professores espalhados ao redor. Seus olhos encontraram Marla, sentada, parada, mexendo no celular a alguns metros adiante, postura correta, expressão neutra demais, olhando para tela como se nada estivesse acontecendo. No mesmo instante, o estômago de Hanvasa se revirou. O pulso de poder vinha dali. Meio fraco, mas não residual — ativo. A magia não estava nela. Estava saindo dela. Aquilo não era a Marla. Era uma ilusão perfeita dela. E isso não fazia sentido. Os poderes conhecidos de Marla não tinham nada a ver com aquilo. Ela criava passagens, rasgos, buracos na matéria. Não ilusões. Nunca ilusões. Havia um fluxo invisível contínuo, puxado para longe, atravessando o ar em direção direta ao internato. E um corpo real não funcionava assim. Poder não vazava daquele jeito, não se estendia como um fio preso a outro lugar. Se Marla estivesse ali de verdade, o centro da energia estaria ali. Mas não estava. A fonte estava na escola. O suor escorreu frio pela nuca de Hanvasa quando ela virou devagar o olhar para a fortaleza do internato à frente. E a pergunta que se impôs foi imediata e suja: se Marla podia criar uma ilusão de si mesma ali fora, então o que ela estava fazendo lá dentro, fingindo estar dos dois lados ao mesmo tempo? Os poderes conhecidos dela não explicavam aquilo. Criar passagens não exigia duplicação, nem sustentação à distância. Ou os poderes dela não eram apenas o que diziam. Ou ela sempre esteve escondendo muito mais. Hanvasa sentiu a dor pulsar de novo, mais forte, vindo da escola. Aquilo não era erro. Era direção. E ela ia descobrir o que Marla realmente era capaz de fazer — custasse o que custasse.

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