A Voz das Estrelas Brasileira

Autor(a): Altair Vesta


Volume 3 – Parte 3

Capítulo 87: Ruptura

Cercados pelos degenerados, o grupo uniu forças para combatê-los, com o objetivo de acessarem o local destinado.

Como de praxe, Lúcifer liderou as ofensivas, auxiliado por Sothis, a dupla mais eficiente contra aqueles monstros.

Judith se concentrou em defender aqueles que não podiam lutar, como Pálida — ainda se recuperando de seu ferimento —, Beatrice e Bianca.

Usufruía de seu Áster da Criação para tentar ajudar os companheiros de momento. Já as recuadas, permaneceram na espera de alguma brecha para que pudessem auxiliá-los.

Era agonizante somente ter a capacidade de acompanhar a sequência dos conflitos, incapazes de realizarem investidas diretas sem colocar a integridade da união em risco.

Os seres tomados pelas trevas surgiam de todas as vertentes possíveis, mas a maioria acabava por cair na queda gravitacional de uma sorridente Alice.

Buscava não desgastar a energia além da conta, pois a ameaça do retorno daquele adversário ainda seguia em suas anotações mentais.

Uma simples força decrescente provava-se o bastante a favor da derrocada daqueles monstros que, na sequência, tinham suas vidas encerradas pelos disparos e cortes luminosos das estrelas em ação.

Norman usava a Telecinesia com o máximo de cautela possível, no intuito de não devastar as lápides que ali residiam.

Também não desejava se desfazer das árvores e construções antigas, sobreviventes do tempo.

Por isso, mirava em pequenas pedras dispostas nas imediações da falésia, ou até no trajeto adjacente à vila.

A eficácia não era grandes coisas, mas era o suficiente para neutralizar a maioria dos ataques daqueles seres dominados por insanidade.

Ao seu lado, Gabriel tirou proveito da habilidade mais poderosa entre os marcados remanescentes, a fim de construir brechas para que os acuados pudessem avançar.

Pouco a pouco, os nove adeptos começaram a deixar o cemitério, em direção ao grande templo localizado após as casas antigas.

Segundo a dupla compartilhadora do Cão Maior, era lá que o grande objetivo — a porta de entrada para a Singularidade — situava-se.  

Em suma, todos aguardavam a aparição do verdadeiro obstáculo. E ele não demorou a chegar.

Num poderoso disparo de energia negra, proveniente da grande colina que dava acesso ao local remoto, o solo foi atingido e causou uma explosão responsável por separar a maioria dos combatentes.

Muitos degenerados foram destruídos na hora, como se simples folhas dos arvoredos nas cercanias fossem queimadas.

Lúcifer foi um dos poucos a aguentar o impacto e sustentar o avanço, sem desvios forçados. Daquela forma, contudo, o propósito não seria alcançado.

O único que podia acessar a Singularidade era o Marcado de Altair, que acabou afastado junto com Bianca e Judith.

Cercado por outros degenerados, precisaria defender as garotas e procurar, ao mesmo tempo, alguma saída em prol de continuar adiante.

Alice se afastou alguns metros após a detonação que criou rachaduras profundas no solo. Só não ficou solitária graças a ação defensiva responsável por salvar a vida de Beatrice, derrubada logo ao lado.

— Obrigada... — Entre tosses roucas, a Marcada de Capella tentou se recompor do baque inesperado.

— Não há de quê — respondeu a cerúlea, ao estalar os dedos e usar o Áster da Gravidade sobre outros degenerados.

Sua atenção, entretanto, fixou-se na vertente do disparo anterior. Enfim havia chegado a hora do tudo ou nada.

O crepúsculo se aproximava na abóbada, as estrelas pulsavam mais do que nunca no domínio de toda a extensão azul-escura.

Sob os pontos cintilantes, o ser de trevas surgiu acima de todos os escolhidos para interromperem a marcha da entropia.

Ele pouco se importava; somente tinha olhos a favor dos respectivos desejos, a poucos passos de serem alcançados após uma eternidade.

Com asas negras originadas na altura das escápulas, sobrevoou a área atingida pelo raio de matéria escura e contemplou os resultados do ataque surpresa.

Ainda sobravam alguns monstros de insanidade, o bastante para atrapalhar a luta deles pelo prosseguimento.

Como expectado, o esguio que se assemelhava ao próprio céu noturno seguiu na linha de frente e abriu as passagens possíveis.

Em sua mentalidade, considerava-o como o pior obstáculo em sua empreitada.

Deveria usufruir daquela comoção e se livrar dele logo, portanto, criou outra espada enegrecida empunhada na mão canhota.

Imaginou dois casos específicos, no objetivo de considerar a melhor opção a ser seguida; primeiramente, matar os mais fracos, ou então, matar o líder que lhe trazia arrepios.

Antes que pudesse decidir, foi pego de surpresa por uma espécie de laser luminoso atirado em sua direção.

Foi obrigado a bater os apêndices de energia sórdida, a fim de se desvencilhar do contra-ataque que rasgou o espaço.

Podia ter defletido com sua habilidade, porém foi tão rápido que preferiu não arriscar; somente seguiu os instintos de momento.

Isso o levou a encarar um ponto recuado na linha posicional de Lúcifer, o alvo primordial daquela caçada.

A cortina de fumaça foi dissipada assim que a grandiosa lâmina de luz regressou ao responsável por originá-la.

Gabriel Russell direcionou os olhos ametistas ao anjo negro, obstinado em interrompê-lo daquela vez.

— Você nunca desiste, não é mesmo? — resmungou o voador, as vistas semicerradas em puro descontentamento.

Ao redor do Marcado de Sirius, talvez sua maior pedra no sapato desde o primeiro encontro no vilarejo nevado, estavam as duas entidades cósmicas que também eram grandes ameaças.

Talvez Pálida não tanto, em virtude do ferimento ainda incômodo; Sothis devia ser vigiada nas minúcias.

E, assim, o plano de ação ganhou um impasse.

De certo, deixar Lúcifer para o segundo abate causaria dificuldades, em vista da proficiência irritante do Marcado de Sirius e suas companheiras estelares.

Em contrapartida, focar nos marcados e nas crianças lhe afastaria do problema principal.

“Desgraçados...”, rangeu os dentes enraivecido, incapaz de definir a melhor escolha em prol do avanço.

— Vou segurar ele... — Gabriel mussitou, a faceta contorcida em convicção. — Sigam em frente até o cristal naquele templo. É bom que sejam rápidos.

— Mano Sirius... — A anã branca, inquieta, teve vontade de segurar sua mão, mas recuou antes de sequer executar o movimento.

— Guie todos. — Encarou-a por cima do ombro, na iminência de um raro sorriso. — Vou logo depois.

Ao experimentar a coragem nas palavras definitivas do companheiro, Sothis cerrou os punhos e assentiu com a cabeça, determinada a conduzir todos ao cristal no grande santuário.

Quando começou a correr com Pálida, foi rodeada por uma calorosa onda de luz, que lhe chamou a atenção numa olhadela derradeira.

“Obrigado pela ideia...”, preservou o agradecimento à própria mente, depositando todas as fichas naquela reação.

Os olhos azul-ciano de ambas as crianças cósmicas cintilaram, arrepiadas da cabeça aos pés à proporção que asas de luz nasciam nas costas do marcado.

Toda a energia se espalhou pela região, trazendo uma sensação de calidez aos jovens que batalhavam pela sobrevivência.

— Que lindo... — cochichou Pálida, carregada por uma emocionada anã branca.

Talvez jamais tivessem visto algo tão deslumbrante em toda a vida. Tratava-se de um nível inalcançável pelos demais, igualmente assombrados com a forma angelical adotada pelo jovem pecador.

Nesse ínterim, Norman ganhou proximidade a ele.

Acompanhado por Bianca e Judith, encarou os filetes de fótons encarregados de constituírem os pares sobressalentes em seu dorso.

Pareciam plumas, como as de qualquer outro animal voador. Brilhavam tão intensas quanto os pontos remanescentes no topo celestial.

— Sei que jamais vou poder ser perdoado. Nem serei capaz de expiar meus pecados — murmurou ao vento, inapto a encarar o trio na retaguarda. — Por isso vou deixar minha alma falar mais alto nesse momento. Não espero que tenham pena de mim e nem devem fazer isso, mas... se puderem escutar um último pedido meu, cheio de puro egoísmo, eu agradeceria.

O Marcado de Altair acenou positivamente.

— O que seria?

Um instante de silêncio dominou a área mais uma vez, ao que as vistas marejadas do garoto fitaram as costas da garotinha responsável por puxá-lo de volta àquele cenário.

Apertou o medalhão que continha a foto de sua falecida irmãzinha, sustentado pelo colar prateado no pescoço.

— Protejam este universo. Custe o que custar. — Bateu as asas luminosas, enfim alçando voo na direção da estrela renegada.

Todos observaram a ascensão daquele que sempre carregou o epiteto de marcado mais forte, a caminho da redenção interior.

Ninguém conseguiu ir contra seu desejo explicitado pelos dizeres finais, onde depositara toda a esperança que pôde resgatar naqueles que, um dia, foram seus inimigos.

Ainda levou alguns segundos para se habituar aos mecanismos do adejo, mas pôde assimilar sem tantas dificuldades, graças a experiências anteriores — em princípio, os saltos descomunais concebidos pela anã branca.

Irritadiço, o herdeiro sombrio observou a chegada do adversário, mas não pensou em perder tempo contra ele.

Enquanto ainda estabilizava seu voo, disparou numa batida impetuosa das asas negras contra o espaço, pronto para retaliá-lo através de um único golpe.

O impacto chamou o foco de todos abaixo, amedrontados com a possibilidade de a batalha acabar antes mesmo de ser iniciada.

— Quem você pensa que sou?

O murmúrio do rapaz mal pôde ser escutado pelo enegrecido, que desferiu o golpe incisivo com sua lâmina.

No entanto, Gabriel bateu os apêndices eletromagnéticos, executando a esquiva preciosa no tempo exato ao subir alguns metros no ar.

Aquilo não só espantou os em terra, como trouxe um arrepio colossal à espinha do enegrecido.

Sabia que não era uma experiência inédita, entretanto, servia como um alerta excruciante a lhe percorrer o corpo inteiro.

No mesmo instante, o jovem de Sirius corrupiou-se celeremente, a ponto de pegar a retaguarda exposta do adversário de domínio.

Sem pudor, desferiu o golpe letal contra suas costas, empalando-a no centro, entre as asas negras.

O releixo lhe rasgou o interior, até atravessar a saída na altura do peito, à mostra para todos que desejassem contemplar.

Tampouco Lúcifer pôde sustentar o semblante, na iminência de levantar as sobrancelhas o mínimo possível.

A grande maioria respondeu incrédula, boquiabertos frente a imagem jamais visualizada, ainda que nas melhores concepções.

A capacidade de adaptação daquele garoto tornava-se cada vez mais assustadora. Antes mal podia responder às investidas singulares do homem.

Nem um dia havia se passado desde o segundo encontro, onde já tinha demonstrado certa proficiência em neutralizá-lo, e a solução apresentada chocou a todos.

Em proveito ao inimaginável, o grupo seguiu a toda velocidade no caminho terrestre, ainda recheado de degenerados.

Os primeiros raios alaranjados surgiram no horizonte da falésia, indicando a proximidade da última alvorada.

— Não brinquem comigo — grunhiu o herdeiro. Soou próximo a um urro afônico. — Eu sou o primeiro... não vou deixar que me interrompam!!

Num ataque de nervos à flor da pele, voltou a sacudir as asas, dessa vez contra o Marcado de Sirius.

Tamanha pressão retumbou sobre o corpo dele, que experimentou uma dor singela, mas o suficiente para fazê-lo perder o controle da energia luminosa.

Foi a deixa para que o enraivecido se livrasse da perfuração no centro do torso. Dali saiu bastante líquido escuro, todavia ele pouco se importou.

Somente girou em velocidade gritante, delegando foco absoluto no anjo de luz. O impasse de minutos atrás fora definido: o mataria primeiro e, depois, tornaria a carnificina real através dos outros desesperados.

A aura congelante proliferou-se em volta de si, deliberada por todos os lados posteriormente.

Em questão de segundos, boa parte da região foi dominada pela influência catatônica.

“Quem diabos é esse cara, afinal!?”, o Marcado de Altair tremeu os lábios ao sentir-se abraçado pela energia invisível.

No controle de sua energia calorosa, Gabriel confrontou a impetuosidade sem temor. Restituiu a camada de fótons de sua katana e aprontou-se para o recomeço do embate.

Tão rápido quanto na investida anterior, o anjo negro desapareceu da linha de visão dele e surgiu em suas costas, pronto a fim de desferir outro ataque.

O garoto foi obrigado a girar na velocidade do pensamento. Posicionou a arma à frente do tronco, inapto a enxergar o movimento executado pelo oponente.

Só sofreu o impacto da colisão entre os equipamentos místicos, lançado metros abaixo pelo poder repelente da matéria escura.

Girou diversas vezes até retomar o controle corporal, mediante o bater consecutivo dos apêndices alabastrinos. Ao levantar a postura no ar, ergueu o rosto e, mais uma vez, não encontrou o enegrecido.

Ele surgiu por baixo, com uma investida vertical ascendente, que só não atingiu a face do marcado pois suas asas realizaram uma batida instintiva para frente.

Levou o torso a alguns centímetros recuado, o bastante para deixar que a lâmina negra rasgasse somente o espaço, deliberando uma onda de choque intensa por toda a região.

Quem você pensa que sou? Eu vou te dizer o que penso... —retrucou sem pudor no tom de voz, os olhos esgazeados contra a postura acuada do inimigo. — É só mais um ser fraco que morrerá pelas minhas mãos!

Acossado pelo sombrio, o Marcado de Sirius voltou a encarar a formação de um beco sem saída.

Jamais poderia imaginar que o ataque surpreendente de momentos atrás traria retrucas tão impiedosas por parte daquele indivíduo.

Passou a se questionar sobre seu limite... se é que tivesse algum.

A batalha no céu continuou e, nesse ínterim, o grupo terrestre construiu o melhor prosseguimento contra os degenerados remanescentes.

O azul-escuro do topo inalcançável começava a clarear, à medida que o fulgor dos pontos pulsantes passou a desaparecer.

Todos estavam preocupados com a situação do jovem que ficou para trás, mas era crucial que mantivessem o foco.

— Droga! Eu queria ficar para lutar também — reclamou Alice, sempre soberana contra as criaturas nas cercanias.

— Ele não ia te deixar lutar! — Sothis replicou, quase prensando os dentes brancos. — Ele é muito orgulhoso! Não deixaria ninguém se intrometer...

A ondulada queria rebater, mas ao ver os olhos marejados da anã branca acabou por desistir.

Sem conseguir controlar uma súbita torrente de emoções que lhe dominou o peito, aumentou a produção da energia gravitacional, a ponto de esmagar os degenerados e afundar os pontos do solo por onde caíam.

Lúcifer foi o primeiro a acessar a trilha definitiva na vertente do santuário, seguido por Norman e Bianca.

Na retaguarda, Judith tentava proteger Pálida e Beatrice, portanto procedia na correria com menor intensidade.

Sothis, durante essa mistura de ação e lamúrias pessoais, auxiliava a Marcada de Acrux e purificava os inimigos bloqueados graças a ela.

— Estamos quase chegando! — gritou na orientação do trio mais avançado. — O cristal está na última sala central! Não tem erro!!

O Marcado de Altair estalou a língua, começando a ser dominado por uma ansiedade incomum. Era como se voltasse a ser um novato sem rumo naquele mar de eventualidades irreais.

Agora deveria estender sua mão até ela. Precisava alcançar o propósito de três anos em total inércia.

Não venha...

A voz invadiu seus pensamentos, lhe despertando uma insólita dor na altura de onde residia a marca da Constelação da Águia.

Aquilo poderia fazê-lo tropeçar nas próprias pernas, mas empenhou-se para continuar erguido. Não suportaria ser derrubado àquela altura da situação.

“Eu vou...!”, ponderou com convicção, como se respondesse o pedido melancólico.

Lúcifer se livrou dos últimos amaldiçoados no itinerário das casas antigas. A passagem derradeira para o templo, pela primeira vez desde sua chegada, encontrava-se livre.

Encarou por cima do ombro e constatou o compasso acelerado da dupla adjacente.

Mal podia esperar pelo que viria na exata sequência...

Algo caiu do céu e colidiu com a pequena escadaria, causando uma explosão que levantou bastante terra e fragmentos de madeira pelo espaço.

O trio viu-se forçado a findar a maratona, perplexos perante a cortina acinzentada que se originou após a colisão.

Conforme a camada esvanecia em virtude da brisa fria, o ser enegrecido desceu lentamente, até aterrissar no ponto específico da tal queda.

Um dos pés pisou no Marcado de Sirius, afundado na pequena cratera criada sobre o plano horizontal.

O resto do grupo alcançou a zona dominada pela presença do renegado, que sorria de orelha a orelha, ao contrário da anã branca, boquiaberta perante o estado de seu aliado.

Demorou um pouco, entretanto, assim que a poeira abaixou, foi capaz de constatar a pior imagem.

Em síncope na terra, Gabriel Russell não tinha mais o braço canhoto, lacerado na altura do bíceps. Bastante sangue escorria pela extensão terrosa.

O choque retumbou acerca da grande maioria...

— Mano Sirius!!!

Mas foi o grito solitário de Sothis que ecoou por todo o vazio.

Opa, tudo bem? Muito obrigado por ler mais um capítulo de A Voz das Estrelas, espero que ainda esteja curtindo a leitura e a história! 

★ Antes de mais nada, considere favoritar a novel, pois isso ajuda imensamente a angariar mais leitores a ela. Também entre no grupo do whatsapp para estar sempre por dentro das novidades.
★ Caso queira ajudar essa história a crescer ainda mais, considere também apoiar o autor pelo link ou pela chave PIX: a916a50e-e171-4112-96a6-c627703cb045

CatarseInstagramTwitterGrupo

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora