A Voz das Estrelas Brasileira

Autor(a): Altair Vesta


Volume 2 – Parte 2

Capítulo 59: Aquele Dia

Vagando pela cidade silenciosa, a jovem alva contrastava com a vivacidade propagada pelas diferenciadas fontes de iluminação, que vinham de prédios e carros.

Ela não se importava em estar destacada.

O único foco eram os pontos pulsantes no céu, de coloração tão escura quanto seus olhos melancólicos.

Ela se considerava como um deles.

Tão próximos à vista, mas tão distantes do alcance.

Esferas solitárias, espalhadas por um mar de escuridão infinito, até o limite de suas vidas finitas.

Suas essências eram iguais.

Nada na história mudaria aquele fato.

Enquanto não encontrasse sua liberdade, continuaria a perambular por onde fosse.

Sem rumo aparente, passava por tantos lugares que era capaz de decorar a natureza de cada um na palma da mão.

Dia e noite, fazia sol, chuva ou neve... ela não parava de caminhar.

Durante uma dessas incontáveis jornadas, chegou ao ponto de virada que jamais pensou encontrar em toda a vida.

Conforme avançava pelas calçadas de um pacífico quarteirão, experimentou um repentino choque lhe tomar o peito.

Cessou as passadas no mesmo instante, a atenção atraída por uma conexão invisível, capaz de puxá-la até a direção de uma das residências no outro lado da rua.  

Uma dor estranha lhe acometeu o peito.

O símbolo da constelação da Lira, ali estampado num leve tom de anil contornado em branco, espalhou a eletrização de quem ameaçava cintilar.

Se fosse o brilho natural do alerta ela entenderia.

O que mais a intrigava era o fato de conhecer a sensação peculiar...

Enquanto pensava no incômodo despertado por esse aperto familiar, martelou na cabeça até decidir se ia embora dali o mais rápido possível ou ficava a fim de verificar as circunstâncias.

Levou as mãos à cabeça, o turbilhão de emoções a deturpava num nível agonizante.

No fim das contas, escolheu permanecer.

Escondida atrás da árvore mais próxima, bem na linha de visão frontal para a casa em questão, observou os movimentos nos andares superior e inferior.

Passados alguns minutos onde nada de mais acontecia, embora o desconforto continuasse, viu a porta da frente ser aberta.

Uma mulher saiu, acompanhada de uma criança que não desgrudava os olhos do videogame portátil em mãos.

Não era nenhum deles, pensou.

A entrada da garagem subiu, de onde um carro preto saiu no controle de um homem.

Também não era ele.

Por último, veio o rapaz de cabelo cacheado e de semblante desinteressado.

Ao simples contato visual com ele, seu coração quase saltou pela boca.

Por um instante, a atração corporal sobrepôs a emocional.

Balançou a cabeça para os lados em prol de se livrar daquelas divagações fúteis.

Quando se deu conta, o carro já havia partido dali.

Aguardou mais algum tempo até se certificar de que nenhum deles voltaria.

Caminhou a passos curtos até a residência, a sensação lancinante já tinha perdido força com o afastamento do responsável por ativá-la.

Foi até a porta no intuito de verificar um detalhe que, por acaso, notou quando os viu sair.

Cuidadosamente levou a mão até a maçaneta. Um movimento simples lhe entregou a resposta que desejava.

Eles esqueceram de trancar a entrada.

A cerimônia para a qual a família se dirigiu já estava em sua reta final quando a garota os alcançou, a pé.

De longe podia observar a troca de alianças entre os noivos, prontos para selarem o acordo matrimonial a céu aberto.

Por algum motivo, aquela cena lhe trazia tanta inquietação quanto o abalo misterioso.

Ainda assim, permaneceu de espectadora até que o beijo entre marido e mulher foi selado.

Mais um gatilho doloroso que a fez levar uma das mãos sobre o peito.

O coração batia forte, o bastante para deixá-la enrubescida.

Desejava se livrar daquilo o quanto antes, porém precisava manter-se firme no intuito de encontrar o que procurava.

Passado o fim da cerimônia, a festa teve seu início. Não demorou muito até o rapaz cacheado surgir isolado da aglomeração.

Entre o impasse persistente na cabeça, fechou os punhos até tomar sua decisão.

Sem que deixasse a qualquer um perceber, se aproximou da região vazia, onde somente o garoto se postava de pé, observando o céu estrelado.

Ao chegar no solo gramado, fitou as costas inertes dele, cada vez mais perto.

A estranha atração quase a fez esticar o braço no objetivo de tocá-lo, não fosse a aparição da mulher que tinha visto mais cedo.

Os dois pareciam conversar sobre algo, embora não pudesse escutar por conta da música alta logo atrás.

Precisou avançar alguns passos além da conta, em prol de captar suas vozes em meio ao barulho. Cogitou estarem discutindo.

Ao menos, era o que aparentava. No fim das contas, somente pôde escutar o ultimato agressivo do rapaz:

— Eu ‘tô bem, mãe. Só me deixa em paz um pouco, ‘tá bom?

A baqueada mulher resumiu-se a assentir e, após responder de maneira positiva, virou-se até deixar o jovem solitário.

Ela passou ao lado da garota, sem sequer trocar olhares.

Ele não virou em qualquer momento para impedi-la de prosseguir e pedir desculpas.

Aquilo permitiu à jovem nívea prosseguir novos passos, cada vez mais induzida pelas emoções as quais não conseguia lidar de modo eficiente.

Estendeu o braço até as costas dele, encontrava-se prestes a tocá-lo. Enfim poderia confirmar a razão daquele desassossego.

Descobriria a resposta para o acentuado dilema que chacoalhava seu interior.

Contudo antes de concluir sua ação, a agonia no peito cresceu num nível estridente.

Ao mesmo tempo, o rapaz inclinou o torso por conta de uma pontada ardente na cabeça, levando sua mão até a área específica da testa conforme grunhia.

Aquilo a fez recuar o membro, levemente boquiaberta sem nem perceber.

Foi a confirmação que tanto buscava.

Quando o garoto enfim virou o rosto, recuperando-se da repentina dose de aflição, encontrou o vazio...

Nas profundezas da madrugada, a festa terminou e todos começaram a se despedir.

Distante daquele lugar, sem expectativas sobre como deveria prosseguir sua longa jornada, a alva observava o céu recheado de pontos luminosos no intuito de acalmar os nervos.

“O que eu faço?”, ponderou entre a quietude. “Sem dúvida alguma, é ele... só ele pode me despertar essa dor.

Trouxe a palma fria até a marca da Lira no peito, os batimentos cardíacos controlados naquele instante.

“Por quê...? Isso de novo... Eu não... aguento mais.”

Acompanhando o rosto que afundou nos joelhos flexionados sobre o relvado, tudo escureceu.

Tragada pelas trevas do próprio âmago, despertou a ínfima luz cerúlea que a trouxe fragmentos de memórias.

Foi dessa maneira que escolheu seu destino.

“Eu vou deixá-lo em paz...”

Numa das curvas da estrada pouco iluminada, atravessou o centro da faixa parcialmente apagada por uma soma de fatores.

Em adoção à taciturnidade, cerrou as vistas pesadas, já aceitando o futuro.

Porém, diferente do que imaginava, o som de um motor alheio aos fachos de luz que se cresciam à medida que ganharam proximidade.

Ela não percebeu num primeiro momento...

— Por isso eu falei... pra você não beber... querido... — A mulher no banco carona falava com um leve tom de embriaguez. — Ah, mas aquele buffet com champagne estava tão bom...

— Não se preocupe — ele respondeu, um tanto sorridente. —É só a gente ir devagarinho...

“Não tá nada devagar...”, no banco de trás, o filho mais velho tentava ignorar a conversa entre os dois embebedados, ainda que em um teor diminuto.

Caso permanecessem naquele ritmo moderado, deveriam chegar em casa sem muita demora.

Ele ansiava por sua cama, deveria se livrar daquela dor de cabeça constante quando voltasse a dormir em paz.

O sono já batia à porta da mente cansada no carro, mas mantinha-se despertado de alguma forma.

O irmão mais novo ao lado dormia como um bebê, encostado com a cabeça no vidro da janela.

Sua atenção voltou a se desprender quando a dor na cabeça retornou, dessa vez tão intensa em comparação àquela que o afligiu durante a festa.

O gemido elevado puxou a atenção de sua mãe, preocupada ao vê-lo contorcido no banco.

Quando voltou a levantar o rosto, as vistas se arregalaram...

— Oh, velho! Olha aí!

Ele tentou se posicionar entre os bancos frontais para alertar o pai, mas diferente dele, utilizava o cinto de segurança e ficou preso no assento.

Assim que o motorista sonolento encontrou a figura iluminada pelos faróis no centro da estada, tentou virar o volante a fim de não a atropelar.

O movimento aturdido fez o carro perder o controle e bater contra a proteção metálica na lateral da estrada, indo com tudo na direção da ribanceira.

A garota levou um susto ao virar o rosto, apenas sendo capaz de ver o veículo fazer a curva brusca até arrancar a proteção metálica na beirada da estrada.

Ao cair na ribanceira, capotou violentamente até entrar em colisão contra uma das árvores da pequena floresta abaixo.

Num efeito quase que instantâneo, as chamas surgiram até tomarem toda a estrutura.

Diante de um ocorrido fora de seus planos, a garota levantou as sobrancelhas em espanto e foi dominada pela ansiedade.

Deslizou pela vertente gramada até chegar no automóvel tomado por fogo.

Verificou o vidro frontal quebrado, por onde o pai sem cinto voou com o impacto.

No banco traseiro, estavam os irmãos desmaiados e feridos.

O calor a fazia transpirar bastante, mas seria bem rápido tirá-lo daquele mar alaranjado que ameaçava causar uma explosão a qualquer instante.

— Por... favor... — O murmúrio rouco da mulher interrompeu as ações da menina, que a fitou atordoada. — Norman... Samuel... Tire-os... daqui...

Um nó pareceu apertar na garganta da alva, que se viu incapaz de responder. Segurou os punhos suportando as mágoas por ter causado tamanha tragédia.

Ver as lágrimas em formação nas vistas enfraquecidas da adulta quase a fez rasgar os lábios com os dentes.

O destino insistiu em aproximá-los daquela maneira. E por isso, não viu outro caminho a ser seguido, mesmo que forçadamente.

De cabeça baixa, a ponto de cobrir os olhos escurecidos atrás da franja, ela soltou um sussurro definitivo:

— Me perdoe...

Deixou de lado a mãe, a fim de alcançar o cinto preso do rapaz ensanguentado.

O braço direito adentrou os destroços aquecidos e sofreu o preço.

Sem se importar com a ardência causada pelas queimações, conseguiu retirá-lo do banco traseiro, o puxando para fora até cair sobre o gramado no processo.

Conferiu a situação dele e a do estremecido membro queimado.

Arquejando de forma intensa, sabia que tinha pouco tempo para perder próximo do veículo.

Com a mão canhota, livre das lesões teciduais mais graves, o puxou pelo solo até abrir distância da cena do acidente.

Segundos depois a explosão ocorreu, o bastante para tomar diversas árvores nas proximidades com as chamas alaranjadas.

Aliviada por ter tido sucesso em salvá-lo, exalou um forte suspiro ao relaxar todo o corpo.

Tornou a encará-lo, desacordado.

A dor no peito superava a das queimaduras. Agora estava tão próxima dele que era capaz de sentir sua respiração desequilibrada.

Sucumbiu de joelhos a deixar os fios brancos caírem em torno do rosto contorcido dele. Os globos oculares fixados em sua face não conseguiam piscar.

Sensações calorosas subiram sua face, a ponto de trazê-la uma súbita vontade de chorar.

O sofrimento pessoal desejava escapar de qualquer maneira, mas ela segurava o quanto podia.

Deveria prosseguir com o escolhido.

Só assim poderia conquistar seu maior desejo, com o mínimo de arrependimentos possíveis...

Com os dedos frígidos, levantou as pontas inferiores do cabelo sujo de sangue e tocou sua ferida aberta na lateral esquerda da testa.

Fechou as vistas com serenidade. Uma influência luminosa dominou o rosto do rapaz, à medida que a marca da Lira reluzia num azul puro.

Seguiu naquela posição durante alguns segundos, até que enxergou o símbolo conhecida surgir acima da sobrancelha do rapaz.

Tal constatação serviu unicamente para acrescentar a perturbação silenciosa da menina, empenhada em segurar o pranto copioso que transbordava os olhos.

Finalizou o processo misterioso sofrendo de tremulações por todos os membros.

A agonia do braço queimado tornou-se eminente, a fazendo ranger os dentes de maneira a suportá-la.

Antes de se levantar, passou a palma ilesa sobre a bochecha do jovem.

— Me perdoe... Me perdoe... — Engoliu a vontade de chorar em seco, administrando um semblante frígido como a neve. — Hora de se libertar... para então... eu ser livre.

O acaricio em seu rosto pareceu fazê-lo recobrar parte da consciência, num chiado que arrepiou a espinha da garota.

Diante dessa resposta, ela se levantou e pegou o telefone celular no bolso dele.

Acessou a chamada de emergência e contatou uma ambulância, oferecendo com precisão o local do acidente.

Depois de devolver o aparelho à calça encardida do acidentado, caminhou na direção dos arvoredos mais adjacentes, escondendo-se no objetivo de observar seu despertar.

A sequência de cenas ficaria eternamente gravada em suas memórias.

Deturpado pelas lesões e a dor na cabeça, o garoto encarou o automóvel com mãe e irmão caçula em chamas.

Foi nesse instante que um galho pesado caiu em sua direção, prestes a torná-lo mais uma das vítimas...

Liberte-se...

O fraco murmúrio da menina pareceu ressoar pelo espaço, o induzindo a erguer o braço destro na direção da madeira queimada.

Tomada por uma energia calorosa, essa flutuou à medida que o fulgor alvo despertou da área lacerada na cabeça.

Sem compreender a reação irreal, ele voltou a desmaiar.

Conforme o som das sirenes se aproximava, a jovem avançou em sua direção a passos curtos.

A rápida chegada da viatura pôde livrá-lo do perigo iminente, apesar da impossibilidade de salvar as outras três vítimas.

Depois de chamarem os bombeiros no intuito de apaziguarem as chamas, a situação foi controlada.

Dentro da ambulância, assim como o rapaz era atendido na maca, a menina também recebeu os cuidados dos socorristas por conta das queimaduras no braço.

— Você ‘tava no carro? — O homem que enfaixava seu membro perguntou. A resposta dela foi taciturna, resumida a um balançar negativo da cabeça. — É melhor fazer uns exames no hospital, pode deixar sequelas... Aliás, qual seu nome, querida?

— Nome?...

A jovem levantou o olhar e, de quebra, remeteu à uma voz masculina, quase inaudível...

É ótimo... por causa de seus olhos.

Trazendo um aperto no peito, a fez levar a mão boa sobre as faixas médicas responsáveis por cobrir seus ferimentos.

Por meio das sobrancelhas contraídas num semblante melancólico, ela forçou um tênue sorriso ao profissional e respondeu:

— É... Layla...

Puxada pela inconsciência no momento que sua graciosa voz soou pelo recinto, descansou a palma enfaixada sobre o punho imóvel daquele que salvou.

Depois de prosseguir com as recomendações do enfermeiro, a jovem nívea realizou os exames que constataram uma surreal cicatrização da região afetada pelas chamas.

Dessa maneira, ela poderia ter alta no mesmo dia para realizar cuidados pessoais sem quaisquer intervenções hospitalares.

No entanto escolheu permanecer no estabelecimento, à espera do futuro escolhido. A estadia durou alguns dias até que, enfim, ela recebeu o tão aguardado encontro.

Sentada sobre um banco de madeira alabastrino, observava a abóbada celeste cheia de estrelas, ao que o rapaz em recuperação apareceu na saída do prédio principal.

De costas para ele, forçou os lábios a fim de se livrar de toda a apreensão que a acometia.

Sem mais sentir dor no braço, escondeu a própria verdade em prol de seguir avançando, em busca do maior desejo.

Ele estava ali. Quem sempre procurou enfim tinha chegado.

— Esta é uma bela noite...

Ao entoar em voz alta, o prendeu em definitivo em sua vida. Tinha início, naquele lugar, a história contada até então.

Entre os escolhidos da Águia e da Lira...

Boquiaberto perante a companheira repousada no trono celestial, Norman não sabia o que dizer sobre toda a revelação recebida há pouco.

Os punhos desejavam se fechar, contudo somente tremulavam.

Uma gota de suor escorria do rosto machucado, podia sentir as palpitações cardíacos machucarem o peito.

E logo à frente, no topo do Cosmos, a alva seguia irredutível com relação à face soturna.

Aquilo por si só já seria pretexto para o marcado sentir medo, mas todas as palavras proferidas por ela o despertavam calafrios indescritíveis pela espinha.

— Então, foi você... — murmurou num tom de voz atordoado. — Você é quem causou o acidente... me salvou das chamas... e me tornou um Marcado. É isso mesmo...?

— Exato.

À retruca fria dela, o rapaz rangeu os dentes, todavia rapidamente recobrou o controle dos sentimentos efusivos.

O autocontrole demonstrado por ele despertou interesse nela que, ao inclinar a cabeça à esquerda, prosseguiu:

— Não sente raiva de mim?

Depois de segundos quieto, ele replicou:

— Eu... — Levantou o rosto, as sobrancelhas franzidas. Lágrimas vertiam dos olhos que tentavam ser firmes. — Nem sei o que pensar.

Depois de um breve momento de silêncio...

— Me perdoe por mentir para você... Por te colocar nisso tudo. Essa é uma história que começou há muito, muito tempo... E que agora terminará por minhas mãos. — Encarou as próprias mãos, os olhos semicerrados. — Não precisa ficar preocupado. Você, Bianca, e os outros... todos poderão viver a vida normalmente, por bastante tempo. Até que tudo acabe...

— Layla... — Ele rangeu os dentes e cerrou os punhos. — Você sofreu bastante, não foi?

A nova Rainha esgazeou as vistas sem algum controle.

Foi tão repentino que ela nem mesmo conseguiu impedir que os lábios se afastassem por alguns centímetros.

— Eu sei que o que aconteceu não foi culpa sua. Mesmo que tenha contado desse jeito, como se quisesse se fazer de culpada pra que eu te odeie, eu sei que não é verdade.

— Como...?

— Como? Porque... você só sabe omitir. — Ele abriu um sorriso leve. — Mas é péssima em mentir.

De novo, o coração da garota bateu mais rápido.

De uma forma que fez o sangue subir ao seu rosto, lhe deixando corada como jamais gostava.

— É por isso que eu quero que me conte. O que de verdade ‘tá te levando a fazer isso. — Ameaçou dar um passo adiante, na direção dela. — Eu quero te ajudar!

Layla desejou estalar a língua em protesto à insistência do Marcado de Altair, porém o ímpeto no corpo foi maior, capaz de fazê-la levantar do trono.

Em questão de segundos, a aura congelante ao seu redor se espalhou por toda a região cósmica, paralisando qualquer reação do acompanhante.

— Como eu imaginava... não conseguirei finalizar isso da forma mais simples. — O murmúrio foi para si mesma, porém ele conseguiu escutar. — Norman. Eu agradeço, do fundo de minha alma, por ter me ajudado a chegar até aqui. Jamais esquecerei tudo que fez por mim...

“O quê...?”, ainda incrédulo, Norman sentiu um arrepio diferente dessa vez.

Como se fosse acometido por um intenso déjà vu.

— Em toda minha vida, com certeza...

“Você foi quem eu mais amei...”, completou apenas em sua mente, remetendo à imagem que jamais poderia se livrar.

A imagem daquela outra pessoa.

Rodeada pelas enormes esferas de plasma que traziam calor ao universo, Layla desceu as escadarias espectrais a passos curtos.

Sem sequer se preocupar em erguer a barra do vestido quase transparente, sem deixar de exalar sua influência poderosa...

Não o permitiu executar qualquer movimento até que ficassem frente a frente.

“E por te amar tanto...”

A leve diferença de altura entre ambos se mostrou evidente. Essa a obrigava a erguer um pouco do queixo, a fim de encará-lo nos olhos.

— Não quero que carregue esse sofrimento.

— Layla...

O cortou ao beijá-lo.

Durou um tempo até que toda a aflição de Norman fosse substituída pelo prazer do momento, levando suas mãos até a cintura dela.

A sensação de reincidência seguia a queimá-lo por dentro, mas se encontrava completamente dominado pela aura excitante da garota.

Quando o instante de delírio terminou, notou lágrimas escorrerem das vistas trêmulas sobre o rosto pálido.

Apto a entoar somente balbucios incompreensíveis, o rapaz sentiu o gelo do toque na testa, ocasionado pelos dedos indicador e médio da Rainha.

— Por isso... — Aquilo o fez despertar inéditas memórias, mas era tarde demais para dizer algo. — Jamais se lembre de mim...

“Espera... não faz isso!!...”, tentou falar, mas as palavras se retraíram às paredes de sua mente.

Adeus...

Diante da última palavra declamada por Layla, a escuridão preencheu seu campo de visão.

Somente o vazio restou.

Opa, tudo bem? Muito obrigado por dar uma chance À Voz das Estrelas, espero que curta a leitura e a história!

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