A Voz das Estrelas Brasileira

Autor(a): Altair Vesta


Volume 2 – Parte 2

Capítulo 48: O Pecado de Proteger

A garota observava pela fresta da porta, onde a escuridão do cômodo era invadida por uma ínfima camada de luz incandescente.

Como se estivesse escondida das pessoas na sala de estar bagunçada e suja, mantinha o pequeno corpo detrás da estrutura de madeira, as mãos estremecidas sobre a lateral da abertura.

Gritos inundavam a casa inteira.

A voz imponente do homem bêbado sempre se sobressaía quanto às lamúrias despejadas pela mulher que, no fim de tudo, acabava sofrendo nas mãos deles com socos no rosto e pontapés no abdômen ao cair no tapete molhado de bebida alcoólica.

Daquela posição, a criança não movia um músculo.

Queria protegê-la, mas tinha medo de sofrer o mesmo que ela.

O mundo cruel, enxergado pelas vistas arregaladas de íris castanho-escuro, a trazia pesadelos dia e noite.

No fim, quando não aguentava mais observar o espancamento, fechava a porta para abafar os ruídos assustadores.

Encostava as costas na porta, as deixava cair até sentar-se no chão e levava as mãos sobre a cabeça, a face afundada nos joelhos flexionados.

O pranto caía com gotas constantes sobre o solo.

Mesmo se protegendo no quarto estreito, era questão de tempo até chegar sua vez.

Beatrice Grace, acompanhada de Judith, esperava ansiosa no banco do corredor próximo a uma sala de operações hospitalar.

De mãos dadas, ambas apresentavam a feição cabisbaixa na direção do piso branco.

Cobertas do pescoço às pernas a fim de cobrirem os hematomas, não trocavam uma palavra entre si.

O silêncio absoluto durou até o instante que a luz avermelhada no topo das portas se apagou.

Diante da apreensão acumulada na expressão trêmula da mulher, as estruturas da entrada foram abertas por um médico.

Ele andou a passos curtos até a dupla e, ao delegar todas as informações necessárias, deixou-as entrar no leito.

— Ela está muito fraca. Não irá aguentar... Sinto muito.

Guiada pelas palavras soturnas do homem, mãe e filha ultrapassaram a passagem e foram recebidas pelo forte ruído de choro.

Vinha do recém-nascido nos braços de uma obstetra, recebendo todos os cuidados necessários após o fim do parto.

Na cama, pálida como a neve, estava a paciente que acabara de dar à luz.

Por meio da respiração lente e ofegante, ela transpirava por todo o rosto, as vistas fechadas pareciam frágeis.

Logo se abriram, assim como um tênue sorriso, no momento que encontrou a presença das duas ali.

— Louise...

Beatrice murmurou, as sobrancelhas contraídas em pesar.

— Oi, irmã... — Louise devolveu, a voz tão fraca que quase não podia ser escutada graças ao choro do bebê. — Por favor... chegue mais perto...

Como se utilizasse todas as forças restantes, moveu os dedos da repousada mão direita a fim de chamar a ruiva.

Sem perceber, ela largou a criança que conduzia e andou solitária até ficar ao lado da debilitada.

Segurou o braço deitado dela com cuidado, o suficiente para transmiti-la uma onda de calor por todo o corpo dolorido.

— Ela é linda, não acha? O que acha... de o nome dela ser... Karen...?

— Eu acho ótimo. — Apertou ainda mais a mão dela, segurando para não despejar lágrimas acumuladas no canto dos olhos. — É um nome lindo.

O sorriso da acamada se alargou um pouco, em completa felicidade, mesmo no estado que se encontrava.

— Me desculpa, irmã... Eu não poderei ficar... — Dessa vez, o pranto começou a cair pelo rosto da própria. — Pode me fazer... um último favor?...

De pouco em pouco, a tremulação da face passou a se alastrar pelo restante do corpo, alcançando a sorridente mulher.

— Diga...

A voz de Beatrice soou embargada, o máximo possível a fim de segurar o choro.

— Karen... e Sarah... Por favor... cuide delas por... mim...

Após escutar o pedido, foi incapaz de reter as lágrimas. Antes que pudesse responder, os olhos de Louise voltaram a se fechar.

Desta vez, para sempre...

Enquanto o choro da visitante cresceu, a ponto de rivalizar com o da recém-nascida Karen, Judith observava o cenário sem expressar qualquer reação aparente.

Apesar de reconhecer as ocorrências ao alcance dos olhos, o costume em ver sua mãe chorar daquela maneira não lhe despertou nada além de traumas arrepiantes.

Os pequenos punhos cerraram, como se buscassem esmagar as emoções dolorosas que a preenchiam por inteiro.

Através dos globos oculares escuros, remetia às cenas do mundo ao qual se encontrava habituada.

Deveria ajudá-la, a salvar daquele mártir eterno.

Ainda não era capaz de mover um músculo.

Nem com a chegada de Sarah e Karen a sucessão de discussões e brigas cessou.

Ainda escondida atrás da porta, Judith escutava a tudo sem conseguir deixar o quarto onde suas duas primas dormiam.

Por serem muito novas, elas não pareciam compreender, então somente choravam nas vezes em que as desavenças tomavam proporções maiores.

No dia seguinte, tudo parecia estar normalizado, mais uma vez.

A garota deixava o cômodo, passava pela sala de estar pequena onde o homem adormecia no sofá e se dirigia ao grande templo que fazia conexão com a pequena casa.

Toda manhã, sem falta, encontrava sua mãe ajoelhada perante o altar, as mãos entrelaçadas e as vistas fechadas.

Ao escutar o rangido da porta de madeira, ela voltava a abri-las.

Fitava sua filha de sangue paralisada numa expressão de preocupação, constatada pelas sobrancelhas contraídas e a boca levemente aberta.

Mesmo ciente de toda a dificuldade na qual ela passava pelas constantes noites de desordem, Beatrice não deixava de sorrir em sua direção.

— Acordou cedo de novo, minha filha. — A mulher se levantou do solo, onde residia de joelhos, e caminhou até sentar-se num dos assentos iniciais. — Sarah e Karen estão dormindo?

A menina somente acenou com a cabeça, uma vez para baixo.

Sua mãe assentiu de volta e, na sequência, moveu os dedos da mão direita a chamando para se juntar a ela.

Sem ter muito o que fazer, Judith fechou a porta e caminhou a passos curtos até o longo banco que ficava à esquerda da passagem central, coberta por um tapete vermelho.

Repousou ao lado da mulher e, após alguns segundos em silêncio, encontrou coragem para fazer as palavras passarem pela garganta entalada:

— Mamãe... Por que não vamos embora?... — À indagação dela, a freira não esboçou qualquer reação. — O papai só tem piorado desde que Sarah e Karen chegaram... Ele tem me machucado mais... e você também... De noite, às vezes, ele entra no nosso quarto e...

Sem conseguir ir adiante com as lamentações, a menina apertou os dedos contra o assento de madeira e deixou todo o corpo estremecer.  

Beatrice parecia não reagir, mas suas sobrancelhas também tremiam bastante.

Numa forma de controlar a gama de emoções que lhe arrepiava da cabeça aos pés, a mulher exalou um fraco suspiro, controlando a respiração que ameaçava perder o equilíbrio.

— Não posso sustentar nós quatro sozinha. — A resposta veio seca, como se um balde de água fria fosse lançado na cabeça da criança. — Infelizmente ainda dependemos dele. Não temos para onde ir. E jamais poderia abandonar este lugar...

— Por que não!? — Ela se levantou, tentando impor sua fúria ao ficar frente a frente com a mulher. — Podemos achar outro lugar sim! Eu posso te ajudar, mamãe! Por isso, por favor...! Eu não aguento mais...

A freira ficou calada perante a repentina mudança de tom da filha, sempre variando entre o enraivecido e o entristecido.

Dessa vez, o clima melancólico sobrepôs qualquer outro, corroborado pela voz embargada dela que continuou de maneira assustadora:

— Eu tenho medo... que ele faça com Sarah e Karen... o que ele faz comigo... — Ela deixou as lágrimas caírem dos olhos arregalados. — Eu não quero que elas cresçam... desse jeito...!!

De repente, Beatrice levou ambas as mãos até as da filha, as segurando com força o suficiente para lhe causar uma agonia estridente.

Em seguida, as juntou como sempre fazia na hora de orar em frente àquele altar.

— O Senhor está sempre olhando por nós, minha filha — murmurou com o sorriso forçado. — É nesses momentos de dificuldades... que precisamos orar. Tenho certeza que, se orarmos, tudo irá melhorar!

Judith não conseguia compreender a lógica de sua mãe, mas não tinha palavras para ir contra aquela crença.

Afinal, ao ver o pranto dela tão intenso quanto o seu, encontrou-se inapta a não acreditar.

— Por isso, não deixe de orar esta noite, minha filha! E nas próximas... e sempre!

— Mamãe...?

Sentindo o temor vindo daquelas palavras, além do corpo trêmulo à sua frente, a menina foi tomada por uma onda de calor indescritível.

Beatrice largou suas mãos, cruzadas do jeito que deveriam estar.

Após isso, levou as palmas até as bochechas da menina, utilizando os polegares a fim de secar suas lágrimas abaixo dos olhos.

Nenhuma palavra a mais foi proferida.

E sequer seria necessário.

O silêncio absoluto da manhã, em frente àquele altar, prosseguiu com mãe e filha decididas em suas respectivas filosofias.

Quando a noite chegou, Judith esperou o quanto pôde pela chegada dos ruídos incômodos de costume.

Estava demorando mais do que o habitual, portanto as duas mais novas puderam adormecer sem muitos problemas.

Sem conseguir assimilar o breve — e raro — momento de paz, a menina se lembrou das palavras de sua mãe naquela manhã.

Ajoelhou-se e apoiou os braços sobre o colchão da cama pequena, paralela à janela coberta pelas cortinas escuras.

As mãos se entrelaçaram da forma que lhe foi ensinada e, ao fechar os olhos, executou a primeira prece de sua vida.

Do lado de fora, na entrada da igreja, a freira encontrava-se inerte conforme encarava o céu parcialmente nublado.

Fracos brilhos azulados tomavam conta do espaço superior de forma esporádica, o prenúncio de uma possível tempestade a caminho.

Ela não aguentava mais esperar, mas logo o momento esperado a alcançou.

Levantando o olhar cabisbaixo, encontrou os passos cambaleantes do homem que fedia a álcool a metros de distância dali.

Através do cenho franzido, não permitiu que o indivíduo em questão executasse qualquer ato.

Puxou um punhal escondido nas costas, desceu os degraus e disparou na direção dele.

Ao empurrá-lo de forma repentina, tampou sua boca úmida de cerveja e desferiu o golpe fatal.

Enquanto ele se debatia de dor, as vistas esbugalhadas e os braços estremecidos, a mulher fez força o suficiente para jogá-lo contra o solo gramado.

Naquele instante, a vontade de xingá-lo de todos os nomes possíveis subiu a garganta.

Poderia despejar todas as lamúrias pelos anos de sofrimento acumulados que proporcionou não só a si, mas às suas filhas.

Contudo o coração preferiu seguir um outro caminho.

Ó, Tu, que és Criador do universo... escuta nosso clamor e tem piedade de nós. — Ao passo que entoava a prece, era afligida por leves socos no rosto. Não perdia a superioridade. — Que todos os nossos atos sejam para glorificar Teu santo nome. Pai, conceda a cura aos enfermos, a coragem a quem tem medo, a vida eterna aos que morreram... e o consolo aos que perderam.

Lágrimas efusivas caíam de seus olhos até o rosto contorcido do homem, aos poucos perdendo as forças para estapear a mulher em busca da salvação.

Sem deixá-lo gritar com a outra mão, retirou a lâmina do peito dele e desferiu a segunda apunhalada, na altura do tórax.

Ó, Deus todo-poderoso, a Ti suplicamos o controle do mal que assombra nosso povo e devasta o mundo! — Diante do sofrimento alheio, prestes a ser encerrado, remetia momentos distantes. Uma época onde era feliz e jamais poderia regressar. — Por favor... livrai-nos de todo o mal. Amém...

Com o avanço dos segundos, que mais pareciam horas de eternidade, as funções vitais do homem começaram a falhar.

O sangue tomava conta do relvado.

Nenhuma última palavra por parte dele foi permitida por Beatrice, que se levantou aos poucos e...

“O que... eu fiz?...”, caiu em si.

Os olhos estreitos não demonstravam qualquer compaixão, apesar do pranto que dali escorria.

Sabia que não tinha mais como voltar atrás, portanto a dor maior ainda estava por vir.

Após algum tempo de remorso, ela entrou no templo e, sem pressa, chegou à frente do quarto onde as meninas descansavam.

Sem limpar o sangue acumulado nas mãos, as cerrou a fim de contrariar o nervosismo e empurrou a entrada com cuidado.

Judith estava deitada em sua cama, mas ainda não dormia. Ao constatar a entrada de luz no cômodo escuro, virou o torso na direção de sua mãe, inerte na passagem da sala.

— Mamãe?...

Ao notar as mãos avermelhadas dela, a garota se levantou.

— Traga Karen contigo.

As poucas palavras da freira acompanharam seu ato de pegar Sarah, já adormecida, no colo.

Amedrontada pela linha de ação de Beatrice, a menina decidiu seguir seu pedido e, também, pegou Karen.

Devidamente preparada, acompanhou os passos da mulher até sair do templo.

Incapaz de perguntá-la sobre suas pretensões, caminhou por um bom tempo junto dela sob a noite sem estrelas.

Quando a criança tomou coragem para questioná-la, enxergou duas pessoas trajadas no mesmo hábito religioso utilizado por sua mãe.

Ao se aproximarem daquelas que eram duas mulheres, uma ao lado da outra, as gotas de chuva começaram a cair do céu.

A dupla em questão abriu os guarda-chuvas já preparados para uma ocasião como aquela.

Sem pestanejarem, receberam de bom grado a garotinha adormecida nos braços de Beatrice.

Na sequência, ela pegou Karen dos braços de Judith e a ofereceu da mesma forma.

— Conto com vocês... — sussurrou e recebeu um aceno positivo delas. — Então...

Quando se preparou para dar meia-volta...

— Espera!! O que ‘tá fazendo!?

Sabendo que seria impossível ir embora dando as costas sem nenhuma explicação, Beatrice segurou as emoções ao morder o lábio inferior.

— Não se preocupe. As irmãs Lídia e Simone são muito boas e cuidam de outras crianças, assim como vocês. — Virou as costas para a filha que, ao tentar alcançá-la, foi abraçada por uma das irmãs. — Não iremos mais nos ver. Me esqueça.

— Ei, o que é isso!? — Judith tentou se livrar, mas... — Eu não quero isso! Eu nunca disse que queria uma nova vida, mamãe! Eu só quero estar com vo...!!!

— Não importa!! — Beatrice gritou, a assustando e acordando as duas meninas. A chuva aumentou, tomando conta de todo o local. — Esse foi meu grande pecado, Judith. E você não vai mudar isso.

Sem palavras perante o esbravejo da mãe, que escondia suas lágrimas em meio às gotas pesadas, a menina perdeu todo o ímpeto.

Enfim notou a vermelhidão nas mãos dela desmanchando: sangue fresco.

Esse era o preço a ser pago pela liberdade delas.

Não podia falar que tinha assassinado seu pai, nem deveria.

Pelo bem da vida daquelas três, que poderiam recomeçar e crescerem num ambiente confortável... ela abdicou da própria.

Cerrou os punhos forçadamente, no intuito de segurar as emoções que transbordavam o peito.

Então, em um último movimento, virou o rosto no intuito de lançar um olhar à menina.

Um olhar seco e desalmado, que a fez baquear na hora.

— Adeus...

Sem oferecer novas explicações, Beatrice Grace simplesmente deixou as três à deriva da solidão com as outras freiras desconhecidas, chamadas de Lídia e Simone.

“Me perdoe, filha...”, levantou o rosto recheado de água da chuva e um pranto doloroso que lhe contorcia a face.

Por meio de passos curtos, porém pesados, a mulher caminhou e caminhou até desaparecer para nunca mais ser vista.

Judith não conseguia se mover, mas acolhida pelo abraço de uma das grandes freiras, acabou sendo conduzida pelo caminho contrário sem sequer perceber.

— Venham conosco. Devemos evitar essa chuva para não pegarmos um resfriado — Lídia murmurou, com sua voz aprazível.

“Por que...?”, a menina contorceu os lábios e, tal como a mãe, não aguentou a queda das lágrimas. “Por que as coisas terminaram assim?”

Totalmente estremecida, diferente de Karen e Sarah que sequer tinham idade para entender a sequência de acontecimentos, deixou as emoções dolorosas tomarem conta.

E, por alguma razão, não se sentiu agradecida. Muito pelo contrário...

Pelo lado de Beatrice, ao retornar à igreja sob a forte chuva, não aguentou o peso intenso derrubado sobre o corpo e levou os joelhos ao solo.

Deixando o choro exalar com ímpeto, batalhando contra o ruído da chuva que dominava o campo aberto, martirizou a si mesma sem que qualquer um pudesse a consolar.

— Aquele dia... — Ainda de joelhos diante da entrada destruída, Beatrice murmurava sem tirar os olhos do piso. — O que eu poderia ter mudado? Não queria que elas carregassem o mesmo pecado que eu. Por isso as ofereci aos cuidados de Lídia e Simone, duas das pessoas que eu mais confiava.

Helen e Bianca seguiam de olho na grande freira, agora com os sentimentos efusivos mais equilibrados.

— Foi isso que escolhi... Eu só queria que elas ficassem bem. Mas, agora que Karen e Sarah foram mortas, eu realmente não sei... — Levou as mãos até o rosto, os dedos a tocarem a testa. — Recentemente, eu ganhei essa marca... esse poder. A Assolação... O dom de tirar para proteger.

— Mesmo assim... — sussurrou Bianca —, isso tudo é tão triste... Aquela menina deve ter sofrido muito quando foi separada de você.

— Eu fiz isso para que ela me odiasse. Pois, assim, seria mais fácil para ela de me esquecer... — Beatrice se esforçou para ficar de pé novamente. — Mas agora que ela voltou, também com esses poderes, eu estou preparada para carregar as consequências.

— Talvez... — Helen proferiu, a voz trêmula chamou a atenção das duas adiante. — Ainda não seja tarde demais...

Como se falasse por experiência própria, a garota deixou a feição amedrontada de lado.

Ela também carregava lembranças ruins e arrependimentos, por isso foi capaz de expressar sua opinião, baseada na vivência mais recente com seu amigo.

O mesmo podia ser dito pela Marcada de Deneb.

Não só por tudo que passou com a falecida mãe e o Marcado de Regulus, mas pela confiança depositada no seu protetor.

“Por favor... maninho”, uniu as mãos, como se executasse uma prece em prol do Marcado de Altair, na busca pela pequena freira desolada.

O garoto ainda não estava perdido, apesar da queda intensiva da neve, possível presságio a favor de mais uma nevasca.

Dito isso, deveria encontrar a Marcada de Acrux o quanto antes, porém o cenário do desaparecimento de Layla há alguns dias parecia se repetir.

“Pra onde ‘cê foi?”, já chegava ao ponto de precisar ter o braço rente ao rosto, no intuito de enxergar o caminho adiante.

Passados alguns minutos, as condições climáticas piorando, encontrou uma formação rochosa jamais vista pelos arredores daquela área.

Sem pestanejar, avançou a passos fundos pelo solo nevado, até constatar ser a entrada de uma gruta.

Sentiu certo alívio ao recuperar o contato com o piso compacto. No entanto, aquilo não foi nada em comparação à consolação que o preencheu ao fitar a menina que procurava.

— Aqui ‘tá você...

A frase, acompanhada de um fraco suspiro, trouxe os olhos entrefechados de Judith em sua direção.

Opa, tudo bem? Muito obrigado por dar uma chance À Voz das Estrelas, espero que curta a leitura e a história!

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