Volume 2 – Parte 2
Capítulo 47: Dilemas
Com o cenário completamente caótico estabelecido à frente dos olhos, Norman buscou agir conforme mandava o manual.
Virou metade do corpo que abraçava Helen, a fim de proteger tanto ela quanto Bianca, e moveu a mão livre para utilizar sua Telecinesia.
Gabriel reagiu ao criar um casulo de luz protetora em volta de si própria, enquanto Lucas se reergueu do chão e fez os dois braços se tornarem lâminas metálicas.
Cadeiras laterais foram lançadas contra a dupla em questão de segundos, porém não chegaram perto de apresentar alguma dificuldade a eles.
O usuário metálico revestiu-se do rosto à cintura com a camada fosca, adquirindo uma resistência surreal capaz de fazer as estruturas de madeira serem destroçadas após tocá-lo.
Por outro lado, o escolhido luminoso apenas observou os largos assentos serem purificados ao simples toque na superfície de luz branca.
Embora diante da facilidade exercida pelos dois inimigos, Norman não perdeu o controle das emoções e agiu rápido.
Ao assentir com a cabeça de canto para Bianca, deixou Helen junto dela no intuito de disparar à frente das pequenas marcadas caídas no chão de madeira.
Os olhos congelados de Judith, incrédula à medida que abraçava a irmã mais nova, toda ensanguentada e à beira da morte, contemplaram o choque absoluto entre os três combatentes.
O Marcado de Altair puxou um pedaço pontiagudo de madeira e lançou no flanco de Gabriel, que se defendeu com um escudo de luz.
Enquanto isso, atacou com a katana o Marcado de Rigil Kentaurus, protegido pelo braço metálico.
Esse que, por meio do outro antebraço afiado como uma lâmina, golpeou o primeiro rapaz, resguardado por outra peça de mobília característica.
— Nos encontramos de novo... — O rapaz de olhos ametistas resmungou contra o da Telecinesia. —Dessa vez vamos resolver nossas pendências.
— Ninguém liga pra pendências! Como pode falar isso depois de ferir aquela menina!? — esbravejou de volta, as sobrancelhas franzidas denotavam o predominante sentimento de raiva.
— Ei, ei! Não esqueçam de mim, caras!
Perante o guincho de Lucas, os dois conhecidos reagiram a suas maneiras a fim de se livrarem da encruzilhada.
Enquanto o conflito maior ganhava tons catastróficos, Beatrice procurou se levantar.
A algazarra ao alcance da visão não era suficiente para redirecionar o foco da vez: as garotas caídas logo na entrada, ofuscadas pelos três rapazes.
Ela desejava correr até ambas e prestar os socorros devidos, mas uma força invisível parecia impedi-la de executar tal ação.
Era como se o coração ordenasse que avançasse o mais rápido possível, mas o cérebro já possuísse plena consciência sobre a fatalidade determinada.
O que mais poderia fazer?
Nem mesmo orar para sua entidade superior, a quem devotava toda a sua fé, evitaria o trágico desfecho.
Entretanto, quando a situação parecia ir de mal a pior...
— As coisas estão bem animadas por aqui, sim!?
A conhecida voz feminina se alastrou pelo recinto, tão veloz quanto a alteração de cenário que interrompeu o embate.
O templo interior repentinamente se tornou uma área aberta, onde a neve continuava a cair do céu. E a parte mais assustadora se encontrava no próprio espaço inalcançável.
Não existia nuvens carregadas, naturais responsáveis pelas condições climáticas características do inverno.
Ao passo que os flocos brancos caíam, luminosos pontos pulsantes tomavam conta da abóbada obscura.
— O que foi? Parece que nunca viram um céu na vida, hein!?
A dona daquela “realidade” puxou a atenção geral até seus olhos, semelhantes ao céu noturno.
— Você...? — Norman foi o primeiro a se pronunciar.
Gabriel manteve o silêncio, apesar da leve surpresa em vê-la ali. Já Lucas arregalou as vistas, como se incrédulo por sua aparição.
Bianca e Helen encararam-na, conflituosas de definir o grau de preocupação que precisavam ter, enquanto a grande freira buscava compreender todo o contexto.
Judith, ainda imóvel por ter o corpo frio de Sarah nos braços, encontrava-se inapta a expressar qualquer reação.
Mais uma vez estava de frente com a responsável por trazê-las àquele lugar...
E ela sequer aparentava conhecê-las, visto que sua concentração era voltada aos garotos no centro do ambiente.
— Cacete... Que que ‘cê veio fazer aqui!? Esse não foi o combinado!
Lucas vociferou contra ela, assustando a maioria dos presentes pela repentina alteração emocional.
— Em nenhuma instância eu combinei que iria ou não aparecer, Lucas Smith! — Stella entortou as sobrancelhas ao abrir um sorriso provocativo. — Apesar de observadora nata, aprecio circunstâncias que induzem o meu envolvimento com vocês, escolhidos das estrelas. Afinal... vocês estão fazendo tudo errado, não acham?
À indagação da loira, nenhum presente encontrou palavras para rebater.
Foi então que ela prosseguiu, ergueu o indicador destro até apontar um rapaz em específico.
— Todos, exceto você, Pastor!
O indicado foi Norman.
Ninguém ali, inclusive o próprio, entendia a razão daquele apelido estranho, mas a curiosidade quanto às determinações implícitas por parte dela ganhavam mais destaque.
Conforme ela tomava o foco da situação cada vez mais para si, o Marcado de Rigil Kentaurus parecia ser acometido por um crescente desconforto.
Todo o revestimento metálico presente nos braços e no peito foi retraído, os punhos livres cerraram com força.
— Então foi tudo pra chegar até esse moleque!? — vociferou. — Você disse que eu podia matar eles de uma vez, não foi!?
— Eu disse? Hm, será que eu disse mesmo!? Eu não me lembro de nada disso, hihi!! — Ela levantou a mão em sinal de desculpas, de uma maneira irônica.
Aquele gesto tirou ainda mais a paciência do jovem de topete, que sentiu as veias saltarem na altura da têmpora e no dorso das mãos.
Sem pestanejar, recriou a forma de lâminas de aço nos dois braços e disparou contra a menina, no intuito de golpeá-la.
Desprovida de muitos problemas, ela realizou um salto veloz por cima do rapaz que desferiu os cortes contra o vento.
Num movimento de mortal bem definido, aproveitou o impulso para chutá-lo as costas, o derrubando no solo nevado com ímpeto.
Todos ficaram perplexos perante a força sobrenatural da garota, inclusive Bianca e Gabriel, dois dos que já haviam presenciado tamanha disparidade.
— Ai, ai, realmente não aprendem, não é!? — Ela virou a atenção por cima do ombro, fitando o Marcado de Rigil Kentaurus ajoelhado e imóvel. — Ainda ficam tentando matar uns aos outros igual um bando de ignorantes. Me surpreende que, até essa altura, sequer compreenderam a real proposta desta seleção, estou certa?
O tom soturno na voz dela, modificado num rápido piscar, trouxe calafrios às espinhas da maioria em sua volta.
Era como se tivesse apanhado o momento de puro caos e o revirado por completo.
Não permitiu quaisquer retrucas dos marcados reunidos.
“Real proposta... da seleção!?”, o Marcado de Altair estreitou as sobrancelhas, inapto a conceber alguma explicação lógica para aquilo sem que a própria emissora fizesse.
Como se soubesse o questionamento que passava pela cabeça dos demais, ela projetou um sorriso mais leve.
— Embora isso eu não possa responder... vocês devem se esforçar um pouco mais para entenderem por si próprios. Senão... — Ela virou o rosto para a pequena freira e a noviça à beira da morte. — Nada irá mudar, certo?
Não só seu olhar, como sua voz transmitiu um tom extremamente soturno, até com notas de pesar embutidas.
Aquilo foi percebido por Norman, que engoliu em seco após sentir um tremor leve acometer seus ombros tensos.
— Então, ‘tá dizendo que não precisamos matar uns aos outros para alcançarmos o nosso objetivo?
Quem questionou foi Gabriel.
— Hm! Então parece que alguém começou a entender um pouco... — Voltou ao timbre corriqueiro, sorrindo de leve para o garoto.
— Besteira. Não tem outra forma de fazer isso, e não é como se eu me importasse. — Ele mostrou-se irredutível em sua linha de visão, apontando a lâmina de luz contra a loira. — Não vou parar agora.
— Sei que você possui todo um trauma envolvido com a sua busca, mas é sério que pensar assim resolverá as coisas?
— Já disse que nada mais importa...
O murmúrio dele, em resposta à clara provocação da misteriosa, soou tão frio quanto o clima local.
No entanto quando planejou usufruir do próprio Áster, tudo desapareceu.
A katana luminosa foi desfeita na mesma medida que o cenário retornou ao templo da igreja, criando um choque de realidade nas garotas afastadas.
— Oh... — Stella sentiu-se felicitada ao redirecionar os olhos escuros à grande freira. — Instigante, eu diria.
Beatrice estava de pé; a franja do cabelo ruivo cacheado parecia levitar, mostrando o brilho dourado pálido no centro da testa.
Gabriel estalou a língua, a encarando com o canto dos olhos afiados.
No cenário atual, seria insuficiente atacar apenas a Marcada de Capella, responsável por desabilitar a utilização das habilidades místicas dos adversários.
Embora sagaz o bastante para enfrentá-la naturalmente, passar pelos outros não seria tão simples.
Demonstrando irritação por meio do semblante contorcido como raramente fazia, precisou aceitar a nova necessidade de adiar os planos.
A exemplo dos confrontos anteriores, no shopping e na floresta, deveria se retirar sem conseguir derrotar os inimigos em comum.
Encarou o único resultado favorável, a Marcada de Mimosa prestes a falecer por ter o peito empalado.
Ainda era muito pouco a favor do que almejava, então não conseguia lidar muito bem com a nova onda de frustração.
Mas seria melhor isso do que se arriscar à toa e pôr tudo a perder.
Aproveitou o baque quase geral para correr na direção da saída. Norman se assustou com a repentina ação do rapaz, portanto foi derrubado com uma rasteira sem nem perceber.
Em seguida, o marcado luminoso prosseguiu até passar por Bianca e Helen, desaparecendo pelo cenário nevado segundos depois.
“Merda...”, o cacheado se levantou do piso de madeira com a mão na nuca, sentindo a dor de ter sido derrubado sem sequer ter a capacidade de se defender.
— Droga! Droga! Droga! ‘Cê realmente me enganou! — Lucas voltou a reclamar com veemência. — Sua bruxa maldita! Por acaso gosta de ferir os sentimentos dos outros assim!?
— A pegadinha está aí. Cai quem quer, hihi!
Ao tomar a resposta sarcástica da loira mais uma vez, o Marcado de Rigil Kentaurus rangeu os dentes.
Ninguém ali conseguia compreender as verdadeiras intenções da garota, o que a levava a sempre tomar tais caminhos imprevisíveis...
Chegava a lembrar uma pessoa, com toda a razão, pensava Norman.
Essa sensação só era alimentada pelo fato de Stella sempre o mirar com aqueles olhos escuros.
Mesmo sendo somente o segundo encontro entre ambos, já conseguia identificar o interesse especial que ela carregava para consigo.
Conforme as desavenças entre os presentes prosseguia, Beatrice começava a entrar em fase de desgaste acentuado.
Mantinha-se firme na utilização do Áster da Assolação, mas logo aquele efeito a faria sucumbir no próprio limite.
Ao menos conseguiu expulsar o marcado luminoso — não obstante com um grande auxílio da repentina aparição da garota misteriosa.
De qualquer maneira, tudo parecia perdido.
— Isso foi sacanagem, cacete...
Lucas cerrou os punhos com força e, sem melhores opções naquele lugar, aproveitou a queda do Marcado de Altair para prosseguir pela mesma rota de fuga.
Enquanto passava pela entrada, trocou olhares com a amedrontada garota que usou para alcançar o rapaz derrubado.
E pensar que ele é quem foi usado pela marcada radiante primeiro... carregar tamanho desgosto o fez arrepiar da cabeça aos pés, estalando a língua em irritação no processo.
Quando a situação caótica foi encerrada, Norman foi incapaz de não arregalar as sobrancelhas.
Não havia qualquer sentimento, além da extrema confusão, a dominar seu peito.
Era assustador pensar em como a aparição de Stella serviu para afastar dois inimigos poderosos daquela maneira.
E foi no momento que o marcado metálico desapareceu que Beatrice enfim deixou o poder dourado esvanecer.
Junto ao fim do brilho na testa, cambaleou em frente ao altar destruído, prestes a desmontar no solo.
Contudo com muita força de vontade, manteve o equilíbrio em prol de caminhar até as duas meninas a poucos metros.
Ninguém ali teve a coragem de proferir uma palavra.
Somente prestaram-se a observar a aproximação da grande freira às irmãs derramadas sobre o piso de madeira.
Assim como o sangue de Sarah, já morta nos braços de Judith.
Tal imagem trazia memórias nada agradáveis a Helen, o suficiente para fazê-la regurgitar conteúdo estomacal na neve.
Bianca, que estava junto dela, tinha as mãos defronte a boca aberta sem nem perceber as lágrimas acumuladas no canto dos olhos; também remetia a lembranças infelizes.
O Marcado de Altair observava a tudo inapto a demonstrar qualquer reação.
Mais uma vez, uma vida era perdida por conta daquele evento surreal...
— Eu realmente não queria que isso acontecesse, sabia? — Stella voltou a falar diretamente com ele, que virou o rosto em sua direção, ainda sentado. — Nada disso deveria estar acontecendo...
De todas as perguntas que o rapaz desejava fazer, naquele momento, só conseguiu soltar uma em específico:
— O que você tanto quer comigo?
Surpresa por ele ter sido tão direto, a menina levantou um pouco das sobrancelhas e logo o respondeu:
— Sei que não é o melhor momento para isso, mas queria te fazer uma proposta interessante, Pastor. — Ela estendeu uma das mãos, aberta na direção dele. — Por acaso, não deseja se unir a mim?
— E por que eu faria isso?
— Poxa, tão insensível. Você é ótimo em rejeitar mulher, né? — Apesar da brincadeira sorridente dela, a seriedade voltou a tomar conta quando não constatou uma reação na face do jovem. — No entanto se continuar dessa maneira, o final não será tão agradável.
— Dessa maneira? — Norman franziu o cenho.
— Eu já te disse: sua companheira, Pastor. Se continuarem assim, como decidirão o dilema no final? Vocês não são escolhidos da mesma constelação, entende?...
Perante as vistas semicerradas da jovem, um baque estranho, porém compreensível, atingiu o marcado.
Ele abaixou a cabeça, como se quem não estivesse surpreso pela pauta levantada.
Afinal, desde quando foi puxado para tal evento por aquela garota, já tinha em sua mente o evento final. No fim de tudo, eles precisariam decidir...
— Mas aquela idiota não deve ter tanta facilidade em decidir isso — continuou a loira. — Afinal, ela parece ter encontrado algum sentimento a mais em ti, Pastor. E ele se chama... amor.
Guiado pelo indicador erguido da garota, ele apenas exalou um profundo suspiro.
Desviou o olhar desacreditado, a atenção direcionada ao drama das pequenas freiras inertes logo adiante.
Muitos pensamentos passaram por sua cabeça no momento, mas nenhum deles parecia conceber a possibilidade de Layla nutrir algum sentimento amoroso por ele.
Sequer fazia sentido, ao menos pensava dessa forma.
— De qualquer maneira... nossos destinos voltarão a se cruzar em breve, para encontrarmos um final definitivo.
As palavras de Stella foram acompanhadas de uma forte brisa que invadiu o templo destruído.
Quando o Marcado de Altair voltou a olhar na direção de onde ela estava, não encontrou nada além de flocos de neve reunidos pelo vazio.
— Até lá, tudo será decidido, Pastor. Até lá...
O tom de voz soturno ecoou pelo espaço, como se saísse de sua própria mente.
Com o novo desaparecimento repentino da menina, Norman varreu as divagações de lado a fim de prestar o foco devido ao que ocorria no alcance das mãos.
Helen já tinha as emoções controladas e, logo após limpar a boca com resquícios do vômito inesperado, caminhou até adentrar o recinto.
No instante que o companheiro se levantou do chão, ela direcionou os braços a envolverem o pescoço dele, o abraçando sem dizer uma palavra.
Somente ao se aproximar do ouvido dele que proferiu, num sussurro embargado:
— Me desculpe... — repetiu diversas vezes conforme afundava o rosto úmido no ombro dele.
— Não se preocupa. Fico feliz que esteja bem, Helen...
Ao devolver o abraço ao envolvê-la pelas cinturas, por algum motivo uma gama de memórias borradas o afligiu.
Arregalou as vistas em resposta a sucessão de pinturas escurecidas que, por algum motivo, lhe despertaram um sentimento de vínculo poderoso.
Percebendo a expressão inerte do protetor, a Marcada de Deneb caminhou até ele com o máximo de cautela, até tocar em uma de suas mãos.
O contato acalentador da menina pareceu trazê-lo de volta à realidade, o fazendo retomar o controle repentinamente perdido da respiração.
Ao notar a alteração emocional do amigo, a universitária também o encarou com preocupação.
No entanto antes que qualquer um pudesse se pronunciar acerca do reencontro, um choro profuso tomou conta de todo o lugar.
— SARAAAAAH!!!!
Judith pareceu enfim ter reconhecido o que carregava nos braços.
Sem parar de gritar pelo nome da mais nova, já sem luz na íris avelã, a Marcada de Acrux afundou a face recheada pelo pranto em seu peito ensanguentado.
Incrédula da mesma forma, cheia de dor por todas as partes do corpo, Beatrice observou a cena sem conseguir conter a queda de lágrimas sobre as sardas morenas.
Diante do sofrimento efusivo da menina, que agora havia perdido mais uma irmã, deixou enfim os joelhos irem de encontro ao solo.
— Judith...
— É TUDO CULPA DE VOCÊS!!! É TUDO SUA CULPA!!! — A menina apertou o abraço na irmã falecida, afastando o corpo do toque da mulher. — EU NÃO VOU PERDOAR!!! SEUS DEMÔNIOS DESGRAÇADOS!!!
Diante da ferocidade jamais vista na garotinha, todos os presentes sentiram-se acuados por uma influência invisível.
Com a mão deitada sobre o ferimento fatal de Sarah, deixava a marca no pescoço soltar o brilho do Áster da Criação, como se desesperadamente buscasse por uma maneira de salvá-la.
Era impossível.
Constatada a incapacidade de concluir o ato de desalento, levantou-se com o corpo da menina nos braços e correu para fora da igreja, na mesma direção onde os dois marcados anteriores fugiram.
A Marcada de Capella esticou o braço ferido, queria gritar pelo nome da menina, mas a voz ficou entalada na garganta.
Lhe restou abaixar o membro desacreditada, enquanto retraía as próprias lamúrias para dentro de si.
Não demorou muito até a pequena desaparecer pela neve, que começava a cair com maior intensidade sobre o campo aberto.
— Maninho...!
Já ciente do perigo que a menina poderia correr naquele local, Bianca apertou a mão do rapaz ao seu lado.
— Fique aqui com a Helen, ‘tá?...
Em resposta, ele acariciou a cabeça da Marcada de Deneb e, em seguida, assentiu na direção da amiga de classe.
Sem dizer uma palavra à freira ajoelhada e inerte, o garoto saltou os degraus destruídos da entrada e começou a correr na direção de onde a Marcada de Acrux havia desaparecido.
— Ela está certa... — Beatrice mussitou, incapaz de erguer a expressão melancólica que fitava a madeira no chão. — É tudo minha culpa... tudo minha culpa...
Por ter chegado atrasada na situação, além da confusão natural por tantas informações adquiridas em sequência, Helen não se sentia apta a comentar algo com a freira desconsolada.
Diferente dela, Bianca encontrou coragem para se aproximar da mulher por meio de passos curtos. Ao se posicionar à frente dela, conseguiu puxar sua atenção.
Como se estivesse nas rédeas da situação local, assim como seu protetor tinha requisitado, a criança indagou:
— Você e aquela menina... aconteceu algo entre vocês? — Suas palavras trouxeram uma ânsia intensa à mulher, que não soube responder num primeiro instante. — Por que ela sempre ‘tá pensando em você com ódio?
Aquilo foi o suficiente para despertar memórias desagradáveis à freira.
Ao controlar um pouco do pranto, fechou as vistas por alguns segundos.
— Então... você consegue ler pensamentos, não é? — Antes de responder, ela decifrou a habilidade da marcada.
— Desculpa... — Bianca levou a mão até a altura do braço direito, coberto pelo casaco, e o apertou.
A Marcada de Capella balançou a cabeça em negação, a fim de não destilar uma culpa desnecessária na criança encabulada.
— Aquela menina, a Judith... ela é minha filha. — A revelação trouxe uma reação de surpresa às duas garotas. — O ódio que ela tem de mim... vem do dia em que ganhei essa marca. O dia que nossa vida infernal terminou... o dia em que eu a abandonei.
Ao tocar o símbolo no centro da testa, escondido pela franja cacheada do cabelo ruivo-alaranjado, ela encarou o céu nublado no lado de fora, como se retornasse ao passado que jamais desejava recordar...
Opa, tudo bem? Muito obrigado por dar uma chance À Voz das Estrelas, espero que curta a leitura e a história!
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