Volume 2 – Parte 2
Capítulo 40: Órfãos do Destino
Sem muitas opções, vistas as condições climáticas desfavoráveis e a possível proximidade com um novo marcado, Norman e Bianca aceitaram o convite da freira e entraram na igreja.
Era, como parecia de fora, um lugar bem espaçoso. Era, ao menos, por boa parte do grande salão principal.
Depois de se livrarem do frio extremo do exterior, ambos se impressionaram diante da arquitetura interior.
Havia diversas pinturas antigas na extensão do teto, as luzes vinham de velas acesas em candelabros no centro e nas laterais superiores.
Tudo terminava na grande cruz que ficava ao centro do altar mais à frente, envolto por diversas outras obras de arte antigas, iluminadas pelas chamas amarelas.
Os segundos que perderam boquiabertos diante de detalhes tão intensos foram os mesmos que usaram para voltarem a se aquecer.
Não só isso, como o fez remeter meses atrás, durante o primeiro grande confronto entre os marcados da Seleção Estelar.
Tal rememoração o fez olhar de volta à grande freira.
Já tinha fechado as grandes portas e, no momento, direcionava os olhos âmbares à dupla, com o mesmo sorriso de quando os convidou para dentro.
“Ela não deve ser...”, Norman determinou, mas, mesmo assim, pretendia ficar em alerta.
Todo cuidado era pouco.
Dito isso, agachou-se para ajudar Bianca, que ainda sofria com o perrengue enfrentado há pouco.
Tirou a mochila das costas dela, aliviando o peso que carregava. Depois, tirou o capuz do casaco grosso que a cobria na cabeça.
Por fim, passou a tirar os acúmulos de neve das roupas dela.
— Vocês não são daqui, certo? — A mulher dirigiu-se a eles, receptiva. — Por acaso estão viajando?
— É... Algo assim.
Tentou disfarçar o nervosismo, sem olhar para a anfitriã, usando a desculpa de que estava cuidando da menina.
Como se não percebesse de propósito, a freira exalou um leve suspiro.
— Tirem as roupas molhadas. — Ela caminhou na passagem central entre os bancos largos. — Vou dar a vocês toalhas para se secarem. Talvez eu consiga encontrar roupas...
— Não... — Dessa vez foi impossível de esconder. Sem jeito, Norman tirou sua touca. — Não precisa disso tudo...
E a mulher apenas sustentou o sorriso.
— Vou preparar algo quentinho para tomarem.
Sem dizer mais nada, ela continuou no caminho que tinha indicado com as palavras.
Desprovido de escolha melhor, Norman também arfou com a boca fechada e empurrou de leve as costas de Bianca, a conduzindo consigo no encalço da freira.
— ‘Cê ‘tá bem? — murmurou a ela.
— Sim — respondeu timidamente, assentindo com sua cabeça.
Sabia que ela não estava tão bem assim, mas sim se fazendo de forte. De todo modo, aceitou a resposta de momento.
Com o tempo, os três chegaram a uma pequena porta ao lado do altar iluminado.
A igreja se provou cada vez maior por dentro ao revelar a eles um outro cômodo espaçoso, esse com quatro grandes cubículos.
A nevasca deveria ter ofuscado bastante do real tamanho daquele lugar, pensou o garoto.
Era como se fosse uma pequena casa, com uma sala-quarto, cozinha e banheiro, tudo muito próximos.
— Por favor, fiquem à vontade. Não irei demorar.
A mulher tirou o véu da cabeça, revelando o cabelo que era, de fato, ruivo. De tons levemente alaranjados.
Era impossível para Norman não sentir um déjà-vu um tanto quanto nostálgico. Mas ele estava mais preocupado com a Marcada de Deneb no momento.
A mulher soltou os fios cacheados, deixando-os caírem sobre os ombros, então pegou as toalhas e deu a eles.
Num gesto silencioso de agradecimento, o garoto apanhou-as. Já na salinha, deixaram as mochilas no chão e colocaram os agasalhos em uma mesinha separada.
Naquele cômodo tinha uma estante com livros, a mesinha, um sofá e outra poltrona. Também havia uma lareira na parede da frente.
Era aconchegante.
Embora precisasse ser cuidadoso, não conseguia deixar de se sentir relaxado.
Assim, ele começou a secar o cabelo de Bianca.
“Ela mora sozinha aqui?”, deu um foco maior nas lombadas dos livros, dispostas a quem entrasse.
— Caso deseje ler algo, não se acanhe. — A voz da anfitriã o chamou de volta para a passagem entre cozinha e sala.
Norman quase se assustou ao ouvi-la sendo tão enfática e, acima de tudo, uma bela observadora.
— Não... ‘Tá tudo bem. — Ele recusou de maneira cordial.
A mulher deixou mais duas toalhas dobradas sobre a mesa e foi para a área da cozinha, onde colocou água em uma chaleira sobre o fogão.
Enquanto isso, o Marcado de Altair, sempre de olho na respectiva, terminou de secar Bianca.
Agora, tanto ela quanto ele só usavam uma roupa com mangas longas e as calças.
No fim, ele pegou outra toalha seca e a cobriu, como se fosse um casaco sobre suas costas.
— Como ‘tá agora? — Sorriu para ela.
E a garotinha sorriu de volta, ainda que um pouco estremecida.
— ‘Brigada, maninho.
Agarrada às bordas da toalha com as mãos, ela se sentou no grande sofá. Quando Norman tirou os calçados dela, ela encolheu as pernas e ficou o mais perto que podia da lareira.
— Quentinho... — sibilou quase que de forma involuntária ao receber o calor de volta.
Contente com o bem-estar dela, Norman enfim ofereceu atenção a si mesmo.
Se secou bem rapidamente, da cabeça aos pés — tirou as botas só para secar os pés e as colocou de volta.
— Desculpem-me pela demora. — A freira voltou. Em suas mãos, dois pires com xícaras de porcelana. — Eu esqueci de perguntar, mas, creio que gostem de chocolate quente?
O garoto pensou em responder, mas viu um brilho repentino nascer na íris esmeraldina da garotinha.
Dito isso, só falou:
— Sim, gostamos.
A anfitriã gesticulou seu sorriso com contento, então entregou os recipientes de onde um vapor adocicado subia.
Bianca paquerou o achocolatado quase salivando, mas virou o rosto a seu protetor antes de qualquer coisa.
Vendo que ela buscava aprovação, Norman fez que sim com a cabeça.
O delírio silencioso foi correspondido e a pequena tomou a primeira golada, sentindo o ardor dominar seus lábios e sua língua.
A sensação calorosa e o gosto delicioso a fez soltar um fraco gemido de satisfação.
O garoto resolveu acompanhá-la, começando a beber o seu. Era realmente bom, ponderou ao alçar de leve as sobrancelhas.
Era uma fonte de renovação de energia. Impossível de fugir do anseio por mais.
Quando percebeu, engoliu tudo em questão de segundos. Todos os dois.
Vendo o deleite de ambos, a freira prendeu um riso e estendeu a mão.
— Tem mais, se quiserem.
E, por óbvio, nenhum deles foi capaz de recusar.
— Eu quero! — Bianca externou isso com uma radiância inédita naquela época do ano.
— Eu aceito — disse Norman, mais contido.
A cacheada pegou as xícaras e voltou à cozinha em prol de reabastecê-las com achocolatado.
Ao retornar com mais bebida para eles, sentou-se na poltrona que ficava à frente do sofá, onde a mesinha pequena os separava no centro.
Depois de se contentar com aquela nova onda de vigor, Norman tranquilizou as linhas rígidas de tensão da face.
— Obrigado. Se não fosse por você, a gente teria morrido lá fora com certeza. — Norman descansou o pires com a xícara sobre as coxas.
— Não precisam agradecer. Era o mínimo que eu podia fazer. — Ela também puxou uma xícara para si. — Meu nome é Beatrice. Beatrice Grace. Como já notaram, eu moro nessa igreja isolada do mapa. Podem ficar o quanto quiserem até a nevasca passar.
— Prazer, tia!! Meu nome é Bianca!! — Uma nova pessoa depois do chocolate quente, a menina ergueu o braço.
Norman a observou de canto, surpreso, para depois dizer com certo cansaço na voz:
— Norman...
— O prazer é todo meu, Bianca e Norman. — Deu uma golada no líquido morno. — Então, me digam. Por que escolheram passear por esse lugar a essa época do ano? As temporadas de nevasca por aqui são bem intensas, como puderam perceber.
— Ah... É que a gente só ‘tava de passagem. — O garoto abaixou a cabeça, as vistas semicerradas. — Na verdade, queríamos encontrar uma pessoa.
— Oh. Ela se perdeu de vocês?
— É um pouco complicado de explicar... — Desviou seu rosto ao abrir um sorriso desconcertado. Logo em seguida, levantou-o para fitar a mulher. — Era uma garota com cabelos brancos. ‘Cê não viu ela passar por aqui mais cedo?
Beatrice levantou os olhos, pensativa.
— Hm... Acho que não posso ajudar com isso, pois não saí da igreja até vocês chegarem. Porém... — Fez uma repentina pausa, forçando um sorriso para desconversar: — Não é nada. Devo fazer o almoço depois de terminar de limpar o salão sagrado. Podem comer comigo, se quiserem. Sintam-se em casa!
Se levantou da poltrona, pegou as xícaras deles e voltou à cozinha para as lavar.
Depois disso, foi até a porta, pegou o véu que cobria o bonito cabelo e, sem olhar para trás, deixou os dois solitários naquele cômodo silencioso.
Apesar de afagado pela hospitalidade, Norman, que liberava um lamento de alívio, encostou no respaldo do sofá ao pensar no paradeiro de Layla.
Se ficasse muito tempo ali, sentia que as chances de lhe encontrar diminuíam. Mas não podiam sair naquela nevasca.
Restava ainda a preocupação com o brilho do alerta de mais cedo, ainda sem resposta...
— Maninho... — Bianca puxou a manga da camisa dele. — Eu quero contar uma coisa...
— Que foi? — Fitou-a, curioso.
— É sobre... aquele dia no shopping. — Ela tentou encontras as palavras certas para prosseguir. — Quando a maninha e eu encontramos aquela pessoa... eles pareciam se conhecer.
Norman reagiria surpresa se já não tivesse percebido. E não se tratava apenas daquele Edward, pensou logo na aparição de Stella, que lhe plantou a semente da dubiedade.
Fez carinho na cabeça da garotinha e depois respondeu:
— Entendi...
Bianca nem teve espaço para dizer algo do tom daquelas palavras, pois começou a perder sua súbita batalha contra o sono.
O Marcado de Altair aproveitou para abraçá-la, a trazendo perto de seu peito. Então, a menina adormeceu na velocidade do pensamento.
Do outro lado, a freira apoiada com as costas na porta seguiu em frente até o altar iluminado.
Memórias dolorosas preencheram a escuridão.
— Aguenta firme! — gritos fracos ecoavam enquanto, aos poucos, ganhavam força. — A irmãzona vai te ajudar!! Vai ficar tudo bem!!
Enquanto corria, desesperada, pelas ruas desertas sob a noite cheia de estrelas, a jovem freira se escondeu num dos parques que havia ali perto.
Sarah parou junto com ela, os olhos já cheios de lágrimas. E Karen, em seus braços, já estava extremamente pálida e sem forças.
Mantinha as vistas de cores diferentes abertas com dificuldades. Suas olheiras já se mostravam tão roxas quanto os lábios sorridentes.
— ‘Tá... frio... — Seu murmúrio por pouco não foi escutado. Levantou a mão estremecida, cuja palma tateou o rosto sujo da freira com fraqueza. — Irmã... Judith. Pode... cantar... pra mim?...
Perante o pedido da garotinha, a mais velha procurou engolir o choro em prol de respondê-la positivamente.
Um aceno de cabeça foi suficiente, visto o turbilhão de emoções que a dominava naquele momento.
Mesmo assim, depositou esforço para controlar a voz estremecida, segurar as mãos frias da criança e entoar...
— Brilha, brilha, estrelinha... eu queria... ser você...
Fechou os olhos com força, não podia mais sentir a caçula responder.
Então, enfim perdeu para a potência da dor que subiu o rosto todo e se manifestou em seus olhos entrefechados.
O pranto verteu em profusão, pingando de maneira incessante sobre o corpo adormecido da menina.
Aquela tinha sido sua última canção de ninar. Agora, a noviça que carregava a marca de Gacrux iria dormir para sempre com as estrelas...
Então, o espaço se tornou branco, longe da neve ou de qualquer outra matéria.
A garota encontrou diversas cruzes fincadas no que deveria ser o solo.
Não havia céu ou paredes. Mas, além do vazio, encontrou um pedestal onde descansava um enorme livro.
Sem ter muito para onde ir, ela se aproximou do púlpito e se deparou com a capa dura preta.
Como se fosse atraída pelo exemplar sem qualquer título ou ilustração, ela levou os dedos da mão na borda e virou as primeiras páginas.
A culpa é sua.
De repente, chamas escarlates tomaram conta de todo o livro nas mãos dela, a obrigando a largá-lo até desaparecer antes de tocar o solo.
Cambaleou para trás amedrontada, sentia o suor aglomerar por toda a face.
Tropeçou no nada e caiu, percebendo que as estruturas no formato de cruz também eram dominadas pelo fogo cerúleo.
Atônita ao extremo, procurou uma saída daquele lugar, mas encontrou apenas uma figura de joelhos à sua frente.
Tomada pela escuridão, levou as mãos frias ao rosto da menina sem permitir-lhe qualquer movimento defensivo.
Paralisada pelo congelamento que arrepiava sua espinha, teve vontade de chorar de repente.
— Cante pra mim... irmã... — A voz adulterada fez seus ouvidos estremecerem. — Não consigo... dormir...
Quando a face da silhueta se ergueu, apenas ossos envoltos de trevas existiam...
— Nãããããããããão!!!!!!
Com um grito poderoso, Judith acordou do pesadelo ao levantar o torso de forma abrupta.
Ao seu lado, Sarah acabou sendo acordada no susto em virtude da manifestação gutural.
Conforme tentava abrir os olhos pesados, encontrou a posição sentada da outra irmã, que ofegava com sua boca escancarada.
— Irmã Judith?... — Também se sentou no chão, a voz afônica. — Teve um pesadelo de novo?...
Judith precisou de segundos duradouros até retomar o fôlego perdido, para desacelerar as batidas dolorosas do coração.
Levou uma das mãos a apertar o tecido do hábito religioso que cobria seu peito, sentindo a pressão das pulsações.
A outra mão, em seguida, cobriu parte do rosto suado.
— Desculpa, Sarah... Te acordei de novo...
— Não pede desculpas. — A mais nova se aproximou ao arrastar o corpo na direção dela. Rapidamente começou a fazer carinho em sua nuca, entre os cachos ruivos. — Tenta se acalmar. Quer que eu busque água?
A mais velha balançou a cabeça em negativa.
“Três meses...”, ponderou, ainda remoendo pelo que tinha acabado de fazer.
Era esse o tempo que havia se passado desde a batalha entre marcados. Desde quando as duas perderam Karen para sempre...
Desde então, Judith acumulou profundas olheiras sob os olhos. Estava esgotadíssima e já não sabia mais como poderia lidar com aquela dor.
— Daqui a pouco esse lugar vai abrir... — Jogou o lençol para o lado, levantando-se no espaço rodeado por carteiras escolares afastadas. — Acho melhor a gente sair logo. Vou aproveitar... pra pegar mais comida.
Quando abriu a palma canhota, o brilho da marca levemente azulada em seu pescoço se manifestou. Então, dinheiro em nota foi criado, caindo até ficar no domínio da menina.
Sarah, que também não voltaria a dormir direito após o susto, apenas assentiu com a cabeça e a acompanhou.
— Ah, eu também tive uma ideia. — Judith forçou um sorriso contorcido ao virar o rosto desgastado à mais nova. — O que acha de mudarmos essas roupas?
A garota de cabelo castanho-escuro, a cair até metade das costas, não era muito a favor de uma mudança tão drástica.
Mas diante do estado emocional destroçado da freira...
— Pode ser... uma boa ideia...
Aceitou seu pedido de bom grado.
Quando o amanhecer chegou, deixando o céu nublado ligeiramente mais claro, as duas já tinham deixado a escola onde se abrigavam sem que ninguém soubessem.
Andaram por diversas regiões da pequena cidade, então chegaram ao que parecia ser o centro, onde havia diversos estabelecimentos que já abriam as portas.
Priorizaram a compra das roupas.
Como ainda estava bem cedo, não passaram por olhares de estranhos graças aos hábitos religiosos, portanto aproveitaram o quanto podiam.
Desacostumadas a usarem qualquer outra vestimenta diferente do básico da igreja, demoraram algum tempo até decidirem quais peças levariam consigo.
Judith pagou com o dinheiro criado sem nenhum problema, então a dupla deixou a loja com duas sacolas em cada braço.
Sarah ainda tentava se habituar à calça jeans que ia aos tornozelos, assim como as botas cheias de detalhes dourados.
“Talvez fosse melhor continuar sendo uma estranha...”, pensou de maneira irônica, porém logo abandonou tal afirmativa quando encarou o leve sorriso no rosto da mais velha.
Depois de passar por tanto sofrimento, parecia estar minimamente se divertindo.
Ela precisava de momentos dessa natureza, a favor do livramento sobre o fardo que carregava desde a tragédia no orfanato.
— Então é assim que as outras pessoas se vestem... — mussitou para si mesma, embora a companheira pudesse escutar. — Não é tão ruim, de verdade.
— Confesso que tem uma sensação de...
— Liberdade! — Judith interrompeu o comentário com certo ânimo. — Ah, quer dizer... Temos mais liberdade pra nos mexermos, né!?
Apesar do sorriso forçado, a garota conseguiu convencer Sarah de que o assunto pendia àquele caminho.
Sobre liberdade de movimentação.
— Agora podemos comer em algum lugar melhor sem chamar muita atenção, não acha!? — Ergueu o indicador ao proferir a ideia.
— Sim... — A morena assentiu e, na sequência, retirou um objeto da bolsa. — Ao menos vou carregar isso.
O cordão com a cruz, característico das freiras sobreviventes, foi recolocado no pescoço por ela.
— Verdade...
Judith concordou em manter pelo menos aquele símbolo destacado consigo.
Ao repousá-lo sobre o peito, exalou um profundo suspiro em detrimento das lembranças que não deixavam de preencher sua mente.
As duas seguiram passeando por um bom tempo, onde tiveram a oportunidade de almoçar num restaurante apropriado.
Nada ofereceria problema desde que a protetora pudesse criar dinheiro com seu Áster.
— E sua marca, irmã Judith? — Sarah perguntou após saírem do restaurante.
— Não deve chamar atenção com essa... qual é o nome mesmo? — Tocou na gargantilha de tecido preto que cobria o símbolo de sua constelação. — Enfim, não deve chamar atenção. Você também ‘tá bem com isso?
— É, só acho meio apertada...
A menina encarou a coxa destra coberta pela calça, a região do corpo onde seu símbolo residia.
— Pelo menos devemos ficar seguras assim...
Como se fosse uma peça pregada pelo destino, a sensação arrepiante de quando o alerta era irradiado pelas marcas das estrelas estremeceu as irmãs por dentro.
Antes que pudessem reagir, todas as pessoas presentes na pequena cidade desapareceram num piscar.
A neve permaneceu no cenário, dessa vez em uma velocidade tão lenta que pareciam estar paralisadas.
Se levantaram do banco sobre a calçada e procuraram pelas presenças que ali se encontravam há menos de dez segundos.
— É verdade! A melhor opção, talvez primordial, é esconder a prova de que é um marcado, não é!? — A voz feminina, esbanjando euforia, chamou a atenção da dupla.
Quando viraram o rosto, acharam a responsável por proferir tais palavras.
Com as mãos atrás das costas, deixava o liso cabelo loiro dançar, conforme tocava as pontas dos pés descalços no solo gramado.
Inaptas a se mover, as marcadas foram atraídas pelo ar frio que irradiava da desconhecida, capaz de superar o clima natural provocado pelo inverno.
— Olá, irmãs da Cruz!! Como estão!!?
Abriu os olhos azul-escuros ao se dirigir às escolhidas do Cruzeiro do Sul.
Opa, tudo bem? Muito obrigado por dar uma chance À Voz das Estrelas, espero que curta a leitura e a história!
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