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Capítulo 5: "Uma Garota Astuta"
No dia seguinte.
"Professor."
O horário do almoço havia começado e, enquanto eu voltava para a sala dos professores após o término das aulas, Kamijou-san me chamou no corredor.
Jamais imaginei que ela falaria comigo por iniciativa própria... Afinal, durante a orientação inicial na sala, ela estava virando o rosto para o lado oposto só para não olhar para mim.
"Aconteceu alguma coisa?"
"Aqui nós vamos chamar muita atenção, venha por aqui."
Ela me fez um gesto com a mão, indicando para segui-la, e eu a acompanhei obedientemente. Quando dei por mim, tinha sido levado para os fundos do prédio da escola.
Uh... eu não vou ser extorquido, vou...?
Embora achasse que não, essa garota parecia estar em uma posição que equivalia à liderança da sala, então a possibilidade não podia ser totalmente descartada.
"Vejamos... você tem algo que queira conversar sem que os outros ouçam?"
"O senhor sabe muito bem, não sabe?"
Quando perguntei, ela semicerrou os olhos e me devolveu a pergunta com um olhar desconfiado, um legítimo olhar de desdém.
Bom, eu sabia o que ela queria conversar... Com toda certeza, era para me silenciar sobre o ocorrido de ontem.
Ela deve ter calculado que me chamar perto da sala dela chamaria muita atenção, por isso esperou o momento exato em que não houvesse ninguém por perto.
"Não precisa se preocupar, eu não vou sair espalhando por aí. Eu não ganharia nada fazendo isso e, para começo de conversa, na minha posição de professor, seria inaceitável ficar espalhando boatos sobre os alunos."
"É verdade?"
"Claro que sim."
Assenti com um sorriso. Kamijou-san continuou me encarando de forma compenetrada, como se ainda suspeitasse de mim, mas acabou balançando a cabeça de leve, aparentemente convencida.
"Se quebrar a promessa, eu vou dedurar o senhor para aquela pessoa."
"Ahaha... isso seria, bem... assustador."
"Aquela pessoa" referia-se, sem sombra de dúvidas, a Misuzu-chan. O fato de ela usar uma forma tão impessoal para se referir à mãe me intrigava; será que o relacionamento delas não era muito bom? A Misuzu-chan do passado era extremamente dócil e sabia lidar muito bem com crianças pequenas, então criar um filho não deveria ser um problema para ela...
Mas a Misuzu-chan que encontrei ontem estava assustadora por algum motivo, de fato...
"Na realidade, ela não é o tipo de pessoa que exala uma aura sombria daquele jeito. Hoje eu também queria perguntar sobre isso. Afinal, o que foi que o senhor fez para ela?"
Parecendo que a conversa ainda não havia terminado, Kamijou-san voltou a encarar o meu rosto de forma investigativa. Bem, se a sua própria mãe e o seu professor de sala se conhecem, e ainda por cima demonstram um clima cheio de fardos do passado, é natural que ela ficasse curiosa.
"Eu já te disse ontem, mas realmente não me vem nada à mente..."
"Ela não é o tipo de pessoa que fica brava sem motivo. Para falar a verdade, ela é alguém que não se irrita por qualquer coisinha."
Sim, tem toda razão. Eu também penso assim. Mas é exatamente por isso que eu não consigo entender. Eu realmente não tenho nenhuma lembrança de tê-la irritado...
"Então, qual era a relação entre o senhor e ela?"
Enquanto eu permanecia em silêncio, pensativo, Kamijou-san avançou ainda mais no assunto. Assim como aconteceu quando estava com a irmã mais nova, talvez ela não fosse uma garota tão fria e distante quanto a expressão e a postura que demonstrava na sala de aula faziam parecer.
"Éramos apenas colegas de classe. Nos tempos de colégio."
Pensei que jamais deveria dizer à filha da minha ex-namorada que nós tínhamos um relacionamento, então decidi disfarçar.
No entanto—
"Entendi. Então o senhor realmente era o ex-namorado dela."
Por algum motivo, ela acabou descobrindo.
"O quê?! N-Não, de jeito nenhum! Eu acabei de dizer que éramos apenas colegas de classe, não disse?!"
Descobrirem que eu sou o ex-namorado é extremamente problemático. Além do mais, eu não queria de forma alguma que Misuzu-chan me direcionasse uma expressão como a de ontem novamente, por isso me apressei em negar. Contudo, Kamijou-san exibiu um sorriso ladino e maldoso.
"O que eu queria saber era em qual época o senhor e ela estiveram juntos. Foi ótimo saber que foi nos tempos de colégio. Afinal, eu já sabia que ela tinha um namorado quando estava no colégio."
Pelo visto, eu tinha caído em uma armadilha. Ela fingiu não saber de nada apenas para vir até mim e confirmar as suas suspeitas.
Essa garota tem um visual que faz parecer que ela é muito inteligente nos estudos e, para início de conversa, sendo filha de Misuzu-chan, seria estranho se ela não fosse esperta. Eu deveria ter sido muito mais cauteloso.
"Espere um pouco! Nos tempos de colégio havia uma quantidade enorme de garotos na mesma sala, sabia?! E ainda por cima, a sua mãe era extremamente popular, então não acha que é um salto muito grande deduzir que eu sou o ex-namorado?!"
No momento em que eu disse "a sua mãe", o olhar de Kamijou-san tornou-se afiado. Mas como eu precisava negar aquilo adequadamente, continuei proferindo as palavras sem me importar com o olhar dela...
"Eu não sou filha daquela pessoa."
A minha negação foi completamente ignorada, e ela afirmou com todas as letras que não era filha de Misuzu-chan.
[Jeff: Oi?? como é a história? Isso aqui tá melhor que novela da globo | Pipoc4h: A menina é igual à mãe mas não é filha? Pode fazer o teste de DNA lá no ratinho. ]
"Ué, mas... ela é a sua responsável legal, não é...?"
Quando eu disse isso, Kamijou-san levou a mão à testa, como se estivesse com dor de cabeça. Em seguida, começou a bater o pé de leve, demonstrando irritação.
"Olhe aqui, por favor, pense na idade. Se eu fosse filha dela, com quantos anos ela teria me dado à luz?"
"Ah..."
Sim, é exatamente isso. Só percebi quando ela me apontou o fato, mas a idade de Misuzu-chan é a mesma que a minha, vinte e sete anos. Seria biologicamente impossível para ela ter uma filha de dezesseis anos.
Ontem eu fui tão subjugado pela expressão de raiva dela e pelo choque de descobrir que ela estava casada que não consegui pensar a esse ponto.
O que significava que Kamijou-san era filha do marido de Misuzu-chan, fruto de um relacionamento anterior...! Seria por isso que ela usava uma forma tão impessoal para se referir a ela, por não conseguir aceitar a nova mãe?
Não, isso também seria impossível.
Afinal, exceto pelo formato dos olhos, Kamijou-san era idêntica à Misuzu-chan dos tempos de colégio.
Isso significa que, na verdade...
"Se o senhor já entendeu que ela não é a minha mãe, isso basta. Além do mais, sobre 'o professor não ser o ex-namorado dela?' Não, isso seria impossível."
Ignorando o fato de eu estar imerso em meus pensamentos, Kamijou-san trouxe a conversa de volta ao ponto principal. Para ela, aquele talvez fosse um assunto sobre o qual não queria se estender muito.
"Por que seria impossível...?"
"Yuto-kun, esse é o primeiro nome do professor, não é?"
"............"
Entendi, então foi por isso... Essa garota realmente não deixou escapar nada...
"Vai ficar em silêncio? Bem, tudo bem. Eu conheço ela há muito tempo, mas quase não havia homens que a chamassem pelo primeiro nome. Para falar a verdade, na minha memória só existia uma única pessoa, e o nome dessa pessoa era o Yuto-kun."
Eu e Kamijou-san não tínhamos nos conhecido no passado. Provavelmente, Misuzu-chan falava de mim para Kamijou-san na época em que namorávamos.
Ah, as coisas acabaram tomando um rumo problemático demais...
"O nome Yuto não é exatamente raro, então pode ser apenas um engano com outra pessoa..."
"O senhor não sabe a hora de desistir. A partir do momento em que você era chamado pelo primeiro nome, seria impossível ser qualquer outra coisa senão uma relação de extrema intimidade. Logo em seguida, ela fez questão de corrigir a forma de falar e te chamar de Shirasaki-san."
Essa garota realmente tem uma memória incrível, ou melhor, prestou muita atenção em tudo... Foi por isso que ela deduziu que eu era o ex-namorado de Misuzu-chan. Na verdade, dá para dizer que ela já veio falar comigo tendo total certeza disso.
[Jeff: Fria e calculista]
Estou em apuros... se isso continuar, a Misuzu-chan não vai ficar brava comigo...?
"Se eu negar, você vai acreditar em mim?"
"Impossível. Aliás, se for o caso, que tal fazermos a mesma pergunta para ela?"
"...Desculpe, por favor, só não faça isso..."
Eu não sabia qual seria a reação de Misuzu-chan, mas com certeza ela pensaria que fui eu quem contou. Se isso acontecesse, sinto que ela me faria passar por um verdadeiro inferno, então eu queria que ela evitasse isso a todo custo.
"Então, a solução é simples. Que tal fingirmos que ambos estamos em um acordo de silêncio mútuo?"
Juntando as duas mãos, Kamijou-san exibiu um sorriso fofo e adorável. Pelo visto, como uma promessa verbal não seria o suficiente para ela confiar em mim, ela veio para conseguir uma vantagem sobre a minha fraqueza.
Essa garota é consideravelmente astuta...
Apesar de pensar assim, eu obviamente aceitei o acordo ali mesmo.
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