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Capítulo 29: "O Perfil que se Desenha"
"Ou seja... a Murakumo-san está lidando com alguém por quem sente algum tipo de dívida ou culpa... E, quem sabe, quando ela não aguentou mais a situação, ela pode ter..."
"Contado para a antiga conselheira? É uma possibilidade altamente provável. Na verdade, se ela estava encurralada a ponto de romper o silêncio e pedir ajuda, ela devia desejar uma solução do fundo do coração. Seria pouco natural se ela omitisse o nome do culpado. E quanto ao fato de aquela 'professora gentil que tinha a total confiança dos alunos' ter virado as costas para o caso... talvez..."
"Para aquela professora, a Murakumo-san parecia estar mais errada na história do que a pessoa que praticava o bullying...?"
Enquanto trocávamos essas palavras para alinhar as nossas conclusões, Misuzu-chan assentiu com um leve e firme aceno de cabeça.
Fazia sentido... “A vítima também tem sua parcela de culpa” era um jargão que professores sem comprometimento costumavam usar para se esquivar de problemas. Por isso, presumi de imediato que a antiga conselheira era apenas mais uma negligente. No entanto, e se aquela frase não tivesse sido dita por desinteresse, mas justamente por ela ter investigado a fundo e interpretado a situação ao pé da letra...?
Além disso, se o mentor da agressão fosse aquela pessoa... seria perfeitamente possível conduzir o bullying de forma tão meticulosa que mais ninguém ao redor percebesse...
Tudo o que antes parecia um mistério nebuloso, agora, como se tivéssemos encontrado a última peça do quebra-cabeça, começou a se conectar perfeitamente, apontando para uma única resposta. Claro que isso ainda era uma teoria. Mas a coerência era inegável.
Graças àquela conversa com a Misuzu-chan, o perfil do provável autor principal do bullying estava finalmente se desenhando com clareza na minha mente.
Ao notar a minha reação, Misuzu-chan ergueu o olhar para mim com uma expressão de evidente satisfação.
"Eu não conheço os alunos envolvidos. Tudo o que estou dizendo são apenas suposições baseadas no cenário que o senhor me apresentou. Portanto, a decisão do que fazer a partir de agora cabe inteiramente ao senhor... Mas, se encontrar alguma dificuldade no caminho, por favor, peça ajuda à Marin. Aquela menina costuma ser muito incompreendida pelos outros, mas ela tem um coração de ouro e é extremamente observadora."
Misuzu-chan depositava uma confiança genuína na Kamijou-san. Dava para notar pelo fato de ela insistir expressamente para que eu recorresse a ela.
Diante daquela recomendação, eu — "Ah, na verdade, eu já estou contando com o apoio dela... Quer dizer, ela já me ajudou bastante. Para ser bem sincero, eu só descobri a existência desse problema de bullying porque a Kamijou-san — ou melhor, a Marin-san — me alertou sobre isso." — Respondi com um sorriso, de forma quase reflexiva.
Eu estava crente de que a Misuzu-chan ficaria radiante ao saber disso... porém...
"............"
Por alguma razão, fui atingido por um olhar intensamente semicerrado e gélido.
"Er... O que foi...?"
Sem ter a menor ideia do que fiz para merecer aquele par de olhos frios fixados em mim, acabei dando um passo para trás por puro instinto. No entanto, Misuzu-chan não me deu espaço e avançou imediatamente a mesma distância, encurtando o espaço entre nós.
"P-Pois não...?"
Pressionado por aquela aura intimidadora e silenciosa, acabei recorrendo ao tom formal sem perceber.
Foi então que —.
"O senhor não vai tentar nada com a minha filha, vai? Se encostar um dedo nela, não importa o motivo, eu jamais vou te perdoar, entendeu?"
[Pipoc4h: Ela também não se ajuda, esse autor é bom em fazer as heroínas com imaginação fértil kkkk]
Com uma pressão psicológica que não aceitava réplicas, ela deu mais um passo à frente, encurralando-me. Aquele rosto lindo e de traços finos aproximou-se tanto que eu conseguia sentir o calor de sua respiração contra a minha. Engoli em seco no mesmo instante. Contudo, Misuzu-chan parecia nem notar ou simplesmente não se importar com a proximidade absurda; ela apenas mantinha os olhos fixos nos meus, esperando pelo meu aceno de confirmação.
E claro, a uma distância milimétrica.
"É-É claro que eu não faria nada...! Se um professor se envolve com uma aluna, é demissão por justa causa na certa..."
Bem, esse argumento também deveria servir para os responsáveis dos alunos. Estar ali com ela em um parque de diversões já era um risco enorme caso alguém nos flagrasse, mas eu não tive escolha porque não podia deixar a Sana-chan chorar...
"Está prometido, então?"
"S-Sim..."
Apesar de eu já ter negado veementemente, ela fez questão de exercer aquela pressão mais uma vez, arrancando de mim um aceno de cabeça puramente involuntário.
Depois disso, dando-se por satisfeita com o juramento, Misuzu-chan finalmente desviou o rosto e voltou a contemplar os fogos. No entanto, é desnecessário dizer que o clima ficou incrivelmente desconfortável, não apenas durante o restante do show, mas também por todo o trajeto de carro no caminho de volta para casa. Minha mente estava tão inquieta que cheguei ao ponto de torcer secretamente: “Será que a Sana-chan não podia acordar agora e quebrar essa tensão toda...?”.
[Jeff: Eh… do nada, não entendi pq ela achou que ele faria algo com a Marin.]
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