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Capítulo 28: "Uma Possibilidade"

"Bem, é verdade..."

Sentindo o peso do constrangimento, não consegui fazer nada além de concordar usando as mesmas palavras de antes. O fato de não termos cumprido aquela promessa foi reflexo direto da minha própria fraqueza e incompetência.

Se eu estivesse à altura dela — se eu fosse alguém realmente digno de estar ao lado da Misuzu-chan —, talvez eu pudesse ter continuado dividindo o mesmo espaço com ela desde dez anos atrás até os dias de hoje.

...Olhando para trás, a culpa foi inteiramente minha por tentar parecer maior e mais maduro do que realmente era na época do ensino médio.

[Pipoc4h:Hmm… quando o cara mete uma dessas nesse tipo de obra,  geralmente ele terminou com ela por bobagem e ela ficou full pistola com ele quando percebeu isso.]

"E então, o que exatamente está tirando o seu sono?"

Enquanto eu me afundava em lembranças daquela minha versão lamentável do passado, Misuzu-chan, que até então parecia concentrada nos fogos de artifício, virou o rosto na minha direção.

Será que ela percebeu...? — foi o meu primeiro pensamento, mas...

"Há algo te incomodando, não é? Hoje, e também da outra vez em que nos vimos na praça, o seu rosto entregava que você estava perdido em dilemas profundos. Considere isso como um agradecimento por ter paciência com os caprichos da minha filha. Vá em frente, pode falar."

Misuzu-chan exibiu um sorriso caloroso e transbordando gentileza, uma expressão que me transportou diretamente de volta aos anos de colégio. Ela já havia tentado puxar assunto sobre isso quando estava sob o efeito do álcool, mas ver que, mesmo sendo o homem que se distanciou dela, ela ainda se preocupava comigo de tal forma... Usar a Sana-chan como justificativa era, com certeza, apenas um pretexto para me deixar mais à vontade.

Para ser franco, eu sabia que não era correto discutir assuntos relacionados aos meus alunos de forma tão leviana, mas, até o momento, não havia o menor sinal de melhora no caso. Sabendo que a Misuzu-chan era extremamente inteligente e perspicaz, pensei que ela poderia vislumbrar uma saída — então, decidi expor a situação, omitindo completamente nomes e detalhes que pudessem identificar os envolvidos.

Abafados pelas explosões massivas dos fogos de artifício, meus dilemas estavam protegidos de qualquer ouvido curioso ao redor.

"Entendo... Então o senhor acabou de assumir o cargo em uma nova escola e já se deparou com um problema dessa magnitude..."

Misuzu-chan levou a mão aos lábios com um semblante pensativo, mas sua reação não demonstrava o choque que suas palavras sugeriam. Ela parecia já ter antecipado a maior parte do cenário.

"O ideal seria ouvir o lado da própria aluna, mas ela se recusa interminavelmente a dirigir a palavra a mim. Sei que não me resta outra opção a não ser insistir até que ela se sinta segura para abrir o coração, mas..."

Minha leitura honesta era de que seria um teste implacável de paciência. Se eu desistisse pelo simples fato de ela me ignorar, aquele problema jamais seria solucionado. Eu estava convicto de que o único caminho era continuar batendo à porta até que Murakumo-san decidisse falar.

No entanto — "Será que é realmente esse o caso...?" — Diante da minha conclusão, Misuzu-chan expressou uma clara linha de ceticismo.

"Hã?"

Fui pego tão de surpresa pela contestação que acabei olhando para o rosto dela duas vezes para ter certeza de que tinha ouvido direito.

Encarando a minha confusão, ela continuou pausadamente: "Existe a chance de que... a questão não seja que ela não consegue falar, mas sim que ela optou por não falar..." — Ela lançou uma perspectiva ainda mais desconcertante.

"Bom, de fato... Como ela está rejeitando o contato comigo por escolha própria, dizer que ela optou por não falar talvez seja um termo mais preciso do que dizer que ela não consegue, mas..."

Na conjuntura atual, Murakumo-san estava deliberadamente repelindo qualquer aproximação da escola. Mesmo que o gatilho para isso fosse o trauma psicológico de ter sido negligenciada pela antiga conselheira, a barreira do silêncio ainda era sustentada por uma decisão dela.

Contudo — Misuzu-chan balançou a cabeça negativamente.

"Não estou me referindo a isso. Pense bem: mesmo considerando que ela buscou ajuda uma vez e foi desamparada, agora você é o novo tutor e está demonstrando um compromisso real em resolver o bullying. Embora ainda não exista um vínculo de confiança entre vocês, se o desejo dela fosse puramente cessar as agressões, ela não teria motivos para esconder o nome dos culpados, teria? Afinal, ela já está isolada em casa; revelar a identidade dos agressores agora não traria nenhum prejuízo maior ao cenário dela."

De fato, analisando sob a ótica da Misuzu-chan, o cenário de Murakumo-san dificilmente poderia piorar. Se ela continuasse sem frequentar as aulas, o desfecho inevitável seria a reprovação por faltas ou a evasão escolar. Mesmo que eu cometesse algum erro estratégico na condução do caso, estando trancada dentro de sua própria residência, seria virtualmente impossível que os autores do bullying a alcançassem para infligir mais danos físicos ou verbais. A menos que os agressores decidissem invadir a casa dela, o que seria absurdo; pessoas que agem de forma tão velada dificilmente se exporiam dessa maneira.

O ponto que causava estranheza em Misuzu-chan fazia total sentido quando colocado em perspectiva.

"Se ela escolheu o silêncio mesmo diante dessa situação... significa que, por vontade própria, ela está protegendo quem praticou o bullying...? Mas... se fosse esse o caso, por que ela teria tentado desabafar com a antiga professora antes...?"

[Jeff: Não confio naquela melhor amiga dela… | Pipoc4h: Pois é… A melhor amiga, popular, e não conhece ninguém que sabe de nada que aconteceu? Conta outra.]

"Como o senhor visitou a casa dela apenas duas vezes, não posso afirmar nada com precisão absoluta... Se tivesse sido apenas um encontro, daria para atribuir o silêncio à falta de coragem ou ao nervosismo. Porém, se o senhor continuar indo e ela persistir em não dizer nada — talvez seja prudente considerar a linha de que ela os está encobrindo. Quanto ao fato de ela ter procurado a professora anterior, eu também não tenho uma resposta exata. Mas... e se ela acreditava que guardava alguma parcela de culpa em si mesma, e por isso aceitou a agressão no início? Contudo, à medida que a situação se repetiu e o fardo se tornou insuportável, ela atingiu o limite e buscou amparo na professora. Se, naquele momento crucial... a mão que ela estendeu foi rejeitada, gerando um desespero profundo... eu consigo compreender o processo de fugir da hostilidade, isolar-se em casa e passar a remoer apenas os próprios erros presumidos... Embora não seja um caso de bullying, eu... já passei por uma experiência muito similar. Tentei me forçar a aceitar que a culpa era minha e desisti de lutar, mas, mesmo depois de tanto tempo, a falta de uma resolução real continua pesando no meu peito até hoje."

[Jeff: Top 10 indiretas!]

Misuzu-chan ofereceu aquela possibilidade traçando um paralelo com suas próprias vivências. O que ela compartilhava comigo era apenas uma conjectura elaborada a partir dos dados superficiais que eu havia fornecido.

Ainda assim, era uma teoria sólida o suficiente para que eu não pudesse simplesmente descartá-la como um "exagero". O fato de ela me lançar um olhar ligeiramente recriminador me incomodou um pouco; talvez ela estivesse pensando que eu já deveria ter alcançado aquela conclusão por conta própria.

De qualquer forma, aquilo abria uma perspectiva totalmente nova…

 

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