Volume 1

Capítulo 13: Se Eu Fosse Forte o Bastante…

— Mana? — a voz de dele veio baixa, arranhada, quase irreconhecível. — Eu não quero essa merda… eu não preciso disso.

Glenn tentou puxar o ar, mas ele vinha em pedaços — áspero, cortante, como se o soco ainda estivesse cravado no estômago. As pernas vacilaram. Os dedos tremiam no cabo da espada.

“…ele tá certo.”

Admitir aquilo queimava mais do que o golpe.

A mana sempre esteve ali. No vento, na terra, na água. No calor invisível que fazia o ar vibrar. Ninguém criava mana. Só aprendia a puxar um pouco dela.

Era pra isso que serviam as raízes.

Ele apertou a espada com força.

Raízes de mana cresciam dentro do corpo espiritual de cada pessoa desde o nascimento. Invisíveis, profundas, fincadas na alma. Eram elas que ligavam alguém ao mundo — que transformavam vontade em feitiço, sentimento em magia.

Sem raízes, não havia canal.

Não havia resposta.

Um músculo do olho tremeu. O silêncio ao redor parecia mais denso.

“Todo mundo tem.”

A garganta se fechou.

“Todo mundo… menos eu.”

O peito apertou por dentro, como se algo tentasse sair — ou tentasse entrar, e não conseguisse.

“É como se a mana… simplesmente não me quisesse.”

“Como se olhasse pra mim… e virasse o rosto.”

Reynolds não desviou o olhar nem por um segundo.

— Fácil falar — murmurou.

O ar mudou naquele instante.

Não foi um vento… foi uma deformação. Como se o próprio espaço tivesse puxado um suspiro profundo na direção dele. As folhas no chão tremularam e, em seguida, rasgaram o silêncio numa corrida curta até seus pés. A poeira subiu, girou — atraída por algo que Glenn não via, mas sentia na pele.

A temperatura acompanhou. Primeiro quente. Depois, quente demais.

A camisa de Reynolds estufou, como se algo a empurrasse de dentro para fora… e então as bordas se desfizeram em brasa. Não queimaram — se abriram, como pétalas frágeis diante de um calor que não deveria existir tão perto.

Fagulhas cruzaram o tronco dele, pequenas luzes presas à pele, como se insistissem em nascer ali.

Glenn engoliu em seco. 

Reynolds não parecia irritado. Estava firme. Perigoso na medida exata.

— Uma pessoa com domínio básico das raízes reveste o corpo com mana — disse Reynolds, enquanto o ar ondulava ao redor. — Aumenta a força. A velocidade. A resistência.

As chamas que escorriam pelos braços dele pulsaram a cada sílaba.

— Mas… — disse, com calma — …quem viveu tempo suficiente aprende a revestir o corpo com aquilo que domina. Com o elemento com que tem mais afinidade.

O fogo subiu, envolvendo metade do braço como uma armadura viva.

Vivian deu um passo à frente, a voz trêmula:

— Reynolds… por favor. O Glenn já entendeu…

Glenn apertou o maxilar. A postura mudou — não por coragem, mas porque não havia outra saída. A espada subiu, leve demais nas mãos trêmulas.

Reynolds ergueu apenas uma das mãos.

Um ponto de luz nasceu ali. Denso. Minúsculo. Um fogo comprimido a um tamanho que parecia impossível.

Glenn só teve tempo de arregalar os olhos.

A esfera veio como um soco quente no ar.

Ele saltou para o lado — o calor roçou seu rosto num choque seco — e caiu no chão, rolando. A espada escapou por um instante. Ele a agarrou num movimento curto, quase instintivo, e correu.

Mas Reynolds já havia sumido de sua vista.

O peso surgiu um instante depois — acima.

Um golpe vertical com a espada, seco, vindo do alto. Um ataque simples… e devastador.

Glenn ergueu a espada quase sem pensar.

O impacto subiu pelo braço inteiro, estalando ossos e nervos. A madeira rangeu. Cedeu. Abriu-se numa rachadura profunda que correu de cima a baixo.

Reynolds interrompeu o golpe com a precisão de quem treinou a vida toda… e girou o corpo.

O chute veio logo depois.

O mundo virou.

Glenn acertou a árvore com força suficiente para expulsar o ar do peito. O suor se misturou ao gosto metálico que subiu à boca.

Vivian levou a mão aos lábios — não como alguém surpreso, mas como quem entendeu tarde demais o que estava acontecendo.

Glenn se inclinou para a frente e cuspiu sangue na terra. As respirações pesadas tentavam reorganizar o corpo. O chão girava devagar.

Mas os olhos dele… ainda encaravam Reynolds.

E Reynolds?

Estava ali — silencioso, firme, envolto por chamas que tremeluziam, como se respirassem com ele.

Imponente. E, pela primeira vez… verdadeiramente inatingível.

Reynolds respirou fundo, o olhar descendo para a espada rachada na mão de Glenn.

— Sua arma já tá se partindo ao meio… — disse num tom quase neutro. — Você mal consegue ficar de pé. Tremendo. Sem mana. Sem técnica. — Inclinou a cabeça. — E aí? O que faz agora? Como alguém assim… sobrevive?

Glenn apoiou a mão no chão. A terra estava fria. Úmida. Apertou os dedos ali — forte demais — e não sabia se era pra se levantar… ou pra não desabar de vez.

A dor no abdômen subia como uma onda quente, latejante, cada respiração empurrando a ferida como se uma faca estivesse cravada ali dentro.

Ele se levantou.  

Cambaleante.  

Mas de pé.

Vivian deu um passo à frente, assustada.

— Glenn… por favor…

Ele ergueu o rosto, ainda arqueado de dor, mas com um sorriso torto.

— Se eu fosse desistir só porque parece impossível… já teria parado lá atrás, não é?

Reynolds piscou devagar.  

Um micro-sorriso. Nada gentil.

— Você sempre fala mais do que devia.

Glenn girou a espada na mão, mesmo com os dedos trêmulos.

— Então para de me subestimar… e me faz calar a boca.

Foi aí que Reynolds avançou.

Sem aviso.  

Sem postura.  

Sem hesitação.

Só apareceu ali — um borrão — como se tivesse cortado a distância ao meio.

E Glenn reagiu. O braço subiu numa fração de segundo, e um estalo seco soou quando algo atingiu o rosto de Reynolds.

Terra.

Terra direto nos olhos.

Vivian soltou um grito abafado, levando a mão à boca.

Reynolds deu meio passo para trás. Não muito — mas o suficiente. A surpresa estampada no rosto. Como se dissesse: “ele realmente fez isso?”

Mesmo com os olhos se fechando por reflexo, Reynolds girou o corpo num golpe cego. A madeira cortou o ar com tanta força que fez o vento estalar.

Glenn se abaixou por pouco — sentiu a pressão do ataque roçar seus cabelos.

E correu.

Reynolds ainda limpava a visão, mas já se virava, instintivo, guiado pelo som dos passos.

O corpo de Glenn ainda vibrava com o impacto. O mundo girava ao redor.

Então ele viu.

A guarda de Reynolds cedeu — por um instante, do lado direito.

E, com isso, o quarto voltou.

Luz fraca de lamparina. O cheiro persistente de óleo velho. Louis, sentado no chão, desmontava o cabo da espada de treino.

— Glenn… sabe por que o velho largou a vida de aventureiro?

Glenn estava deitado, braços cruzados atrás da cabeça.

— Porque você nasceu. — murmurou. — E eu fui adotado.

Louis riu, mas o riso morreu rápido.

— Também. Mas tem mais.

O polegar batia no cabo de madeira. Toc. Toc.

— Na última dungeon, ele levou um golpe na lateral. Foi arremessado. O ombro direito nunca mais voltou pro lugar.

Louis ergueu a mão direita, simulando a guarda.

— Nenhuma poção resolveu. Nem magia. Travou de vez.

Um silêncio breve.

— A mamãe diz que é como se o corpo guardasse um medo que ele não quer admitir.

Ele tocou a própria clavícula.

— A guarda sempre abre desse lado. Mesmo quando ele tenta esconder.

O cheiro de fumaça trouxe Glenn de volta ao quintal.

Reynolds avançava.

O ombro direito estava lá.

Aberto. Exposto.

A voz de Louis ecoou, serena demais:

— Se um dia precisar acertar ele… mira aqui.

Glenn firmou os pés.

E atacou.

A espada de madeira cortou o ar num arco seco — direto no ombro.

Por um instante, pareceu que ia acertar.

Reynolds virou o rosto, os olhos ainda semicerrados da terra… e sorriu. Um sorriso curto, irritante, como quem já sabia o que viria.

Elevou o antebraço e bloqueou o golpe com facilidade.

O impacto subiu pela mão de Glenn, queimou o braço até o cotovelo. A espada foi arremessada para cima junto com ele.

Reynolds já girava o tronco.

O soco veio baixo e rápido. Glenn se jogou para o lado no último segundo. O punho passou a centímetros, rasgando o ar com um estalo seco.

Mas Reynolds não parou.

Girou o corpo no mesmo movimento e desferiu um chute giratório, mirando as costelas.

Glenn tentou recuar, mas o pé o acertou em cheio.  

O mundo girou.  

O ar sumiu.

Ele caiu de lado, rolando pela terra, até bater contra uma raiz exposta. A dor explodiu no flanco. A visão piscou, tremendo.

Mesmo assim, ele se arrastou de joelhos, tateando o chão até encontrar a espada caída.

Reynolds já vinha de novo.

Glenn ergueu a arma com as duas mãos, trêmulo, mas firme. Sangue escorria do canto da boca, pingando no chão. O olhar, no entanto, não vacilava.

A espada era tudo que ele tinha entre si e a força bruta de Reynolds. O braço tremia. Cada músculo gritava de dor. Ainda assim, ele manteve a base.

Reynolds avançou.

O ataque veio tão rápido que Glenn mal conseguiu perceber o movimento — só sentiu o impacto. As lâminas colidiram com um estrondo seco. A vibração subiu pelo braço, queimando cada músculo, cada nervo. Ele derrapou um passo para trás, os pés cavando a terra.

Ainda assim, resistiu.

“Se eu atacar primeiro, ele prevê. Se eu defender… talvez sobreviva.”

O segundo golpe veio, horizontal, rente às costelas. Glenn levantou a espada no reflexo. Bloqueou. A dor explodiu nos dedos, quase arrancando a arma de suas mãos.

A rachadura na madeira se abriu mais um centímetro — um aviso silencioso.

Reynolds empurrou a lâmina com brutalidade. Glenn cambaleou. A guarda afundava, frágil, vacilante. Era como tentar segurar um tronco em queda com um galho fino.

Ele respirava com dificuldade. Cada puxada de ar era um corte novo. E Reynolds não mostrava sinais de cansaço.

Mesmo assim… ele tentou.

Quando Reynolds recuou meio passo, medindo o próximo ataque, Glenn avançou. Um corte rápido, direto no ombro direito.

O movimento foi certeiro. Preciso. Mas Reynolds bloqueou com facilidade, como se enxergasse o futuro.

— Esse truque… — disse, com desdém. — Achou mesmo que ninguém nunca tentou?

Glenn não respondeu. Não tinha fôlego. Apenas reajustou as pernas, firmou as mãos na espada… e atacou de novo.

Reynolds golpeou — Glenn bloqueou.

Reynolds chutou — Glenn tropeçou, mas se manteve de pé.

Reynolds girou — Glenn ergueu a lâmina a tempo. A madeira gemeu, prestes a partir.

Cada impacto deixava seu braço mais dormente. Cada defesa fazia a visão piscar, como se o mundo apagasse por um segundo.

Mas ele insistia no flanco direito. Sempre ali. Sempre naquela brecha.

Reynolds percebeu.

— Já disse… — desviou outro golpe que visava o ombro. — Acha que eu teria sobrevivido tanto tempo com o lado fraco exposto?

Moveu o ombro. Glenn viu o músculo reagir. Firme. Como se a lesão nunca tivesse existido.

Mesmo assim… Glenn não parou.

Avançou com tudo. Jogou o peso do corpo.

Corte diagonal. Rápido. Decidido.

A lâmina desceu —

E então vieram as chamas.

As faíscas que dançavam no corpo de Reynolds explodiram em um clarão.

Um rugido abafado rasgou o ar.

A onda de calor veio primeiro, queimando a pele. Depois, veio a força. Brutal. Como uma muralha colidindo com o peito.

Glenn foi lançado para trás. Sem chance de reagir.

O corpo girou no ar. A espada escapou dos dedos. Ele caiu metros adiante, rolando pela terra até bater de bruços.

O ar desapareceu.

Voltou em soluços curtos.

O mundo girava.

Reynolds ainda estava ali.

Imóvel.

Exatamente onde sempre estivera.

Brasas flutuavam ao seu redor, lentas, silenciosas — pareciam fragmentos de sol suspensos no ar. Nenhuma delas o tocava. Nenhuma parecia exigir esforço. Ele não demonstrava cansaço. Nem um traço.

Glenn tossiu com força. O som saiu áspero, como se algo estivesse errado por dentro. O corpo inteiro reclamou no mesmo instante — o peito queimava, o estômago se retorcia, a costela pulsava em dor. As mãos afundaram na terra enquanto ele tentava se erguer.

Uma vez.

Outra.

Falhou.

Os dentes rangeram. O mundo girou por um segundo longo demais.

Com um gemido sufocado, conseguiu apenas ficar de joelhos.

Cada respiração parecia raspar por dentro.

Os olhos de Glenn caíram para o chão, correndo desesperados entre poeira, pedras e marcas de queimadura.

— A espada…

A voz saiu baixa. Fraca.

— Onde… onde está a espada?

— Acabou, Glenn. — disse Reynolds.

Não havia desprezo ali. Nem raiva. Apenas uma certeza fria, incontestável.

Glenn apertou os olhos. Algo subiu pela garganta — urgência, medo, uma teimosia quase infantil se agarrando aos restos da vontade.

— N–ão… — a palavra mal se sustentou. Ele puxou o ar com força. — Eu ainda posso lutar!

Os dedos arranharam a terra, como se pudessem arrancar dela a força que o corpo já não obedecia. Como se bastasse tocar no chão certo para continuar.

— Eu só… eu só preciso da minha…!

— …espada? — completou Reynolds, num tom calmo demais. Quase cansado.

Ele inclinou levemente o queixo.

Glenn seguiu o gesto.

A espada estava ali.

Ou o que restava dela.

A madeira partida em pedaços negros, carbonizados. Fragmentos espalhados pelo chão, ainda fumegantes… como ossos queimados depois de um incêndio. 

O mundo ficou quieto.

Glenn não se mexeu.

Não piscou.

Apenas respirou — curto, irregular.

O peso daquilo caiu devagar demais.

As mãos se fecharam na terra solta, os punhos tremendo.

Vivian deu um passo à frente, hesitante, como se pisasse em algo frágil demais. A voz saiu quebrada:

— Glenn… Reynolds… por favor… va–vamos parar com i—

Algo se partiu.

Não houve grito de imediato. O corpo de Glenn começou a tremer, um calor subindo pelo peito, apertando a garganta, incendiando os pulmões. O rosto ficou vermelho num instante. A respiração saiu pesada, irregular, como se não coubesse mais dentro dele.

Então ele queimou.

— DE QUE ADIANTA TODA ESSA FORÇA…?! — a voz explodiu, rasgada, irreconhecível. — SE VOCÊ NEM CONSEGUIU PROTEGER O SEU PRÓPRIO FILHO?!

Vivian levou a mão à boca.

Reynolds não reagiu.

Nenhum passo.

Nenhuma mudança no olhar.

Nada.

Glenn sentiu o impacto… e a ausência dele.

Mesmo assim, continuou. As palavras saíam rápido demais, atropeladas, não para convencer — só para ferir.

— VOCÊ… VOCÊ NUNCA…! SE FOSSE… SE VOCÊ FOSSE TÃO FORTE ASSIM… SE TUDO ISSO ADIANTASSE… — ele puxou o ar à força — ENTÃO… ENTÃO POR QUE—?!

A voz morreu no meio da frase.

Não por escolha.

Mas porque não havia mais nada para lançar.

O silêncio caiu pesado.

Glenn esperou.

Um reflexo.

Um aperto no maxilar.

Qualquer coisa.

Reynolds permaneceu exatamente o mesmo.

— Terminou? — perguntou, baixo demais para ser provocação.

A pergunta doeu mais do que qualquer resposta.

— Aproveite isso para aprender a controlar suas emoções. — continuou, sem elevar o tom. — Palavras ditas assim não carregam peso algum. E não me atingem.

Glenn sentiu o peito apertar.

Ele queria odiar aquela calma. Queria quebrá-la. Mas tudo o que encontrou foi a própria respiração fora de controle.

Reynolds deu um passo à frente.

A sombra dele cobriu Glenn por completo.

— Espero que essa derrota tenha servido de lição. — disse, olhando-o de cima, como quem encerra um julgamento. — Você não tem permissão para ir.

Uma breve pausa.

— Estamos entendidos?

O maxilar de Glenn se fechou com força. O músculo tremeu.

Ele queria dizer alguma coisa.

Qualquer coisa.

Mas não disse nada.

Reynolds caminhou devagar até parar a poucos passos dele.  

Jogou a espada de madeira para o lado — ela girou no ar e caiu com um estalo seco na terra.

— Você ainda não entendeu, não é, Glenn? — A voz saiu baixa, mas dura. — Como você disse… se nem eu consegui fazer alguma diferença naquele dia… me diga. — Inclinou a cabeça. — Como você conseguiria fazer alguma coisa?

Glenn não respondeu.

O silêncio caiu. Pesado. Como um segundo golpe.

Reynolds soltou um suspiro curto. Quase decepcionado.

— Então talvez eu só precise quebrar alguns ossos pra você entender.

O punho se fechou.

Outro passo.

As botas esmagaram a terra. O som pareceu perto demais.

Glenn tentou se levantar.

Nada.

As pernas falharam, tremendo sob o próprio peso. O corpo não obedecia — não por medo, mas porque já não tinha mais nada para dar.

Reynolds continuou avançando.

Um passo.

Outro.

Cada um mais próximo. Cada um mais definitivo.

Glenn fechou os olhos. Forçou o ar para dentro dos pulmões. Não havia saída. Não havia força. Não havia tempo.

Por um instante, tudo escureceu.

E então—

Calor.

Repentino.

Forte.

Apertado demais.

Algo o puxou para frente.

Glenn abriu os olhos num sobressalto.

Vivian estava ali.

Ajoelhada à frente dele. Os braços ao redor do seu corpo, firmes demais para alguém tão frágil. Tremiam — mas não recuaram. Não soltaram.

Ela o envolvia como se pudesse escondê-lo do mundo inteiro.

Como se, por um segundo a mais, isso fosse o suficiente.

— CHEGA! — a voz de Vivian saiu rasgada, alta demais para alguém que tremia. — Eu não vou deixar você encostar um dedo nele, Reynolds! Nem mais um!

Glenn agarrou a roupa dela.

Não percebeu quando fez isso.

Os dedos se fecharam com força, buscando algo sólido. O peito contraiu de repente, como se tivesse esquecido de respirar. O ar voltou em um soluço curto.

As lágrimas vieram sem aviso.

Vivian o puxou para perto. O abraço não foi suave. Foi firme. 

Glenn tentou se soltar.

Não conseguiu.

E, pela primeira vez desde que caíra no chão, não tentou de novo.

A respiração foi desacelerando, irregular, pesada. O corpo ainda doía — mas já não parecia prestes a se partir.

Reynolds permaneceu parado.

O tempo se esticou. Nenhum som além da respiração de Glenn, agora mais baixa.

Então Reynolds virou o rosto.

Quando se afastou, Glenn viu — rápido demais para ter certeza — o canto de um sorriso.

Tranquilo.

Satisfeito.

Como se aquela reação… fosse suficiente.

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