Volume 1
Capítulo 11: Silêncio de Casa
POV GLENN
Glenn chegou em casa depois de deixar Ellie na porta. A caminhada de volta fora tranquila — talvez tranquila até demais. O som dos próprios passos ecoava mais do que o normal, misturado ao vento que soprava pelas ruas vazias.
Ao entrar, o ar da casa o envolveu com aquele cheiro conhecido de madeira velha e ervas secas. Fechou a porta devagar e se recostou nela por um instante. Por algum motivo, o silêncio já não parecia tão pesado quanto antes.
“Ela continua igual…”
Pensou, com um meio sorriso cansado.
“Mesmo depois de tudo, ainda tenta ver o lado bom das coisas.”
“Fazia tempo que eu não a ouvia rir daquele jeito.”
A lembrança veio fácil — o jeito desajeitado com que ela lhe agradeceu, o riso nervoso, o brilho nos olhos.
“Eu senti falta disso. Dela.”
Suspirou e riu baixinho da própria confissão.
Foi então que notou algo sobre a mesa: um pano cobrindo um prato e um bilhete pequeno.
Aproximou-se, curioso.
O bilhete dizia:
“Coma antes que desmaie.”
Glenn balançou a cabeça e sorriu.
— Tia Vivian… algumas coisas nunca mudam.
“Queria conseguir voltar a conversar com ela… como antes.”
Sentou-se e levantou o pano. Um ensopado de legumes com pão torrado o esperava — simples, mas com um cheiro delicioso.
Deu a primeira colherada, e o sabor trouxe uma paz estranha. Cenoura, batata, alho… um toque de ervas. Vivian realmente sabia fazer milagre com o pouco que tinham.
Enquanto comia, o olhar se perdeu no teto. As vozes do dia ainda ecoavam na cabeça, misturadas com lembranças antigas.
“O ataque não levou só casas… levou gente demais.”
A colher parou por um momento.
“Mas, pelo menos, os impostos não aumentaram. O tio Reynolds deu um jeito nisso.”
Deu um leve sorriso.
“Sem um chefe na vila, não há ninguém para organizar nada. Ninguém quer um fardo desses… e eu entendo.”
Terminou o prato devagar. O vapor ainda subia e se desfazia no ar frio da casa.
“Mas alguém precisa fazer alguma coisa.”
“Eu… preciso fazer alguma coisa.”
Deitou o talher e respirou fundo.
“Preciso achar um trabalho, ajudar aqui… talvez até ficar mais forte.”
Fechou os olhos por um instante.
“Louis faria isso. Ele não esperaria ninguém.”
Abriu os olhos e, sem perceber, sorria.
— Você sempre foi melhor em se meter em confusão, primo… — murmurou.
Glenn terminou de lavar a louça, secou as mãos no pano gasto ao lado da pia e ficou ali por um instante, ouvindo o som distante do vento que passava pelas frestas da janela.
A casa estava quieta demais.
Caminhou pelos corredores, o chão de madeira rangia sob os passos lentos.
“Estranho… o tio Reynolds ainda não voltou?”
Olhou para o relógio na parede. Passava um pouco das nove horas.
“Tia Vivian também não está no quarto… deviam estar na estalagem ainda.”
Suspirou e ajeitou a gola da camisa.
Mas então… algo o fez parar.
Um frio percorreu a espinha, sutil, quase imperceptível no início. Um brilho fraco vinha do fim do corredor — perto do quarto de Louis.
O corpo reagiu antes da razão.
Glenn arregalou os olhos.
Ali, parada diante da porta entreaberta, estava ela.
A garota de cabelos brancos.
A mesma que ele vira naquela noite maldita.
A que emergiu das chamas e dos gritos, rasgando o ar — e obliterando o cavaleiro negro diante dos seus olhos.
Por um instante, o som retornou.
O estalo do aço se partindo.
O sangue quente salpicando seu rosto.
O coração disparando.
O medo e o espanto se fundindo num só.
“Não pode ser…”
— Como… — a voz de Glenn saiu rouca. — Como você entrou aqui?
A garota não respondeu de imediato. Permaneceu de costas, os cabelos caíam até a cintura, refletindo a luz pálida da lua que atravessava a janela.
Ele deu um passo à frente.
— O que você tá fazendo aqui? Onde estão meus tios?
Então ela se virou.
Devagar.
O olhar dela o encontrou, e o ar pareceu mudar de peso.
A voz que veio era calma — mas havia algo nela, algo estranho, quase etéreo.
— Eles parecem bem… — disse, num tom leve, distante. — Como espelhos que não mostram rachaduras… só reflexos treinados.
Glenn ficou imóvel.
— O que…?
— E você? — perguntou ela, inclinando a cabeça de leve. — Está bem, Glenn?
Os olhos dela pareciam atravessá-lo.
— Parece… cheio de dúvidas. E perguntas.
Glenn estreitou o olhar. A respiração ficou lenta, contida.
Por um instante, não respondeu.
O silêncio entre eles se estendeu, denso.
Ele baixou os olhos, como se buscasse algo dentro de si.
Quando voltou a encará-la, havia algo diferente em seu olhar — menos rigidez, mais verdade.
— Eu tenho, sim. Muitas. Mas… antes disso… — respirou fundo, a voz mais baixa. — Eu queria te agradecer.
A garota piscou, surpresa, como se não esperasse ouvir aquilo.
— Agradecer?
Glenn assentiu, firme.
— Você me salvou. Se não fosse por você… eu teria morrido. A Ellie também. E o sacrifício do Louis… teria sido em vão.
Baixou um pouco a cabeça.
— Então… obrigado. De verdade.
A garota o observou, quieta — e então, um pequeno sorriso surgiu.
— Você não precisa me agradecer, Glenn.
A voz dela era doce, mas havia algo… indescritível por trás. Algo que fazia o coração dele apertar.
Ela deu um passo à frente, e os olhos dela brilharam sob a luz da lua.
— Eu fiz isso porque… eu te amo.
As palavras bateram nele como um trovão silencioso. Glenn piscou, confuso, o rosto corou antes que conseguisse disfarçar.
— Hã… o quê? — coçou a cabeça. — Certo… é, eu… não esperava por essa.
Soltou um riso leve, nervoso.
— A gente nunca se viu antes daquilo tudo… então, como é que alguém me ama assim, do nada?
Ela inclinou a cabeça, divertida.
— Uma dama precisa guardar um ou dois segredos… — respondeu, com um sorriso que brilhava junto com a luz. — É o que a mantém misteriosa, não acha?
— Hah… — Glenn riu de canto. — Acho que sim.
Por um momento, o clima ficou estranho — calmo demais, como se até o ar observasse.
A garota desviou o olhar para a porta atrás dela.
— Olhe debaixo do colchão — disse suavemente. — Vi algo brilhar ali.
Glenn franziu o cenho.
— Brilhar?
Ela assentiu e deu um passo para o lado.
Glenn hesitou, mas entrou no quarto.
Passou por ela — e o coração acelerou, sem que soubesse por quê.
A lamparina acesa lançava reflexos trêmulos nas paredes, e um feixe de luz piscava sob a cama.
Antes de se abaixar, ele falou:
— É mesmo… eu nem perguntei. Qual é o seu nome?
Silêncio.
Glenn se virou.
O corredor estava vazio.
Piscou, olhou em volta. Nada. A garota havia sumido como se nunca tivesse estado ali.
Soltou o ar e passou a mão pelo rosto.
— Que merda tá acontecendo… acho que tô maluco — murmurou, sem humor.
Virou-se para o colchão e o empurrou com cuidado. Algo reluzia ali embaixo.
Um caderno. Simples, com a capa escura e um canto de metal gasto.
Glenn o pegou e limpou a poeira com o polegar. O nome na contracapa o fez parar por um instante.
— Um diário… do Louis?
Folheou devagar, sentindo o peso das páginas.
— Pelo visto, ele escreveu por um bom tempo… — murmurou, para si mesmo.
Ficou com o caderno nas mãos por alguns segundos, sem abrir.
A garganta apertou.
E então, baixinho, quase num sussurro:
— Eu sinto tanta falta de você, primo…
Glenn se acomodou na beira da cama. A lamparina no canto tremia, como se o quarto respirasse junto com ele.
Abriu o caderno com cuidado. O cheiro de papel antigo e poeira o fez fechar os olhos por um instante.
As primeiras páginas estavam rasgadas — limpas, quase como se alguém tivesse planejado o esquecimento.
Passou o dedo pelas marcas.
“Por quê, Louis?”
Virou mais algumas folhas, e então… a caligrafia apareceu.
O traço firme, um pouco torto nas curvas. Tão familiar que doeu.
“Glenn e eu combinamos de visitar Ilvanor um dia — o reino dos elfos. Dizem que, lá no norte, as árvores tocam o céu, maiores que qualquer torre humana. E há bestas de mana únicas: cervos que brilham no escuro, corujas do tamanho de casas. Ouvi falar da princesa elfa também — uma beleza descomunal, dizem.
Mas, sinceramente?
A Ellie tem algo que nenhuma lenda conseguiria descrever. Ela é… diferente. Única.”
Glenn sorriu sem querer. Um riso pequeno, cansado, escapou no meio do silêncio.
— Ainda puxando o saco da Ellie até aqui, hein? — murmurou.
O som da própria voz soou estranho, frágil demais dentro do quarto vazio.
Virou a página.
“Treinei com espadas hoje. Meu dedo tá inchado.”
“Glenn assistiu à luta com meu pai e disse que minha defesa foi “criativa”. Acho que é o jeito educado de dizer “horrível”.”
“Mas tô melhorando. Um dia ainda vou vencer meu pai. Nem que seja num jogo de cartas.”
Glenn riu de novo, mas dessa vez o riso veio preso na garganta.
“Você realmente acreditava nisso, né?”
Encostou o diário contra o peito e respirou fundo.
Por um instante, o tempo parou. O ranger suave da casa, o som distante do vento, o calor leve da lamparina — tudo se dissolveu.
Ali, só existiam ele e aquelas palavras.
O primo ainda falava com ele.
Ainda zombava. Ainda sonhava.
Glenn passou o polegar sobre as letras, devagar, como se quisesse sentir o toque do primo ali.
“Eu deixei você sozinho para salvar a Ellie.”
“E essas páginas… são tudo o que sobrou.”
Glenn virou mais algumas páginas.
As letras estavam um pouco tortas, umas menores que outras — o estilo descuidado de quem escrevia entre um pensamento e outro.
E, mesmo assim, cada linha parecia pulsar.
“(Outro dia)
Ouvi que os anões vivem dentro de uma montanha em Karak-Dûm. Tipo… dentro mesmo. Como é que eles constroem cidades ali? Nada que uma boa e bela magia de pedra não resolva. Queria ver isso com meus próprios olhos. Talvez um dia.”
Glenn riu baixo e balançou a cabeça.
— Dentro da montanha… claro que você ia querer ver isso, Louis. — murmurou, ainda sorrindo.
Virou a página com cuidado.
“(Outro dia)
O nosso reino se chama Valeris. E a capital também se chama Valeris. Criatividade não é o forte do Rei Hadrian, aparentemente. Mas ouvi que lá tem uma biblioteca com livros do tamanho da minha cabeça.
Se eu for mesmo viajar, esse vai ser meu primeiro destino.”
Glenn deixou escapar um pequeno riso pelo nariz.
Virou outra página. A caligrafia estava mais apertada, os traços irregulares — e o tom, diferente. O Louis que escrevia ali não era o mesmo que sonhava com reinos e montanhas.
“(Outro dia)
Ellie voltou hoje. Ela está mais linda do que nunca. Cresceu em tudo… mas agora à noite, eu a vi com o Glenn. Sozinhos.”
Glenn parou. O sorriso se desfez, e o ar pareceu pesar. Respirou fundo e seguiu.
“Eles riam, bem próximos. E, pra piorar, teve um momento em que achei que iam se beijar. Não, definitivamente iam, se o tio Edran não tivesse aparecido.
Eu não entendo isso. Glenn sempre ignorou Ellie quando éramos crianças. Por que agora… ele resolveria…?”
Glenn passou a mão pelos cabelos e riu de nervoso.
— Eu nem sabia o que fazia metade do tempo… — murmurou.
Mas as próximas linhas vieram mais calmas. Mais sinceras.
“Glenn também gosta dela, né? E a Ellie…? Amanhã vou me declarar. Tudo ou nada. Se der errado… quero viajar. Vou pedir ao meu pai pra me deixar partir.”
O coração de Glenn apertou.
Conseguia quase ver o primo escrevendo aquilo, sentado no quarto, mordendo o lábio e batendo o pé no chão.
Coragem e medo misturados na mesma frase.
“Valeris, Ilvanor, Karak-Dûm… o mundo é grande. E talvez seja hora de descobrir quem eu sou fora daqui.”
A luz da lamparina piscou.
Glenn virou a página devagar, e o Louis de sempre voltou — debochado, brincalhão, com aquele humor que zombava da própria dor.
“Mas, sendo sincero, se eu não for o escolhido, vou ficar bem. Quero encarar isso de queixo erguido. Glenn é a melhor pessoa pra ela — claro, depois de mim.”
Um sorriso suave atravessou o rosto de Glenn.
Mas o sorriso vacilou quando chegou à última linha.
“Se você ler isso, Glenn… saiba que isso seria considerado um crime. Mas eu te amo, então darei cinco segundos pra largar esse diário agora.”
O riso escapou sem força.
Depois, o silêncio veio — profundo, pesado.
O peito doía, mas o calor daquela voz nas páginas o fazia sentir-se menos só.
— Cinco segundos… — murmurou, com um sorriso cansado. — Desculpa, Louis. Eu perdi a conta faz tempo.
Glenn virou a última página do diário com cuidado, como se o papel pudesse se desmanchar com qualquer movimento brusco.
Havia algo diferente ali.
A letra parecia mais hesitante, mais carregada — como se Louis soubesse que aquela seria sua última anotação.
“É estranho pensar nisso agora… mas o Glenn sempre gostou dela. Sempre deu pra ver. Ele só era tímido demais. Fechado demais. E a Ellie… bom, ela sempre chamou atenção sem querer. Sempre foi uma luz. Talvez isso tenha deixado ele ainda mais inseguro para chegar perto. Mas ela… ela sempre olhou pra ele de um jeito diferente. Acho que eu nunca percebi isso. Ou… talvez eu não quisesse perceber.”
O nome da Ellie ali, entre as palavras do Louis, parecia mais pesado que todas as páginas juntas.
A garganta apertou. Ele deixou o diário cair suavemente sobre as coxas e apoiou as mãos nos joelhos.
“Eu deveria falar com a Ellie? Sobre nós…”
“Depois de tudo que aconteceu?”
“Não... não seria justo. Nem comigo. Nem com ela. Louis morreu… e ela se culpa.”
O pensamento vinha quieto, sem força — um eco que ele tentava evitar desde o ataque.
“Não é o momento. Não poderia ser.”
Glenn respirou fundo e fechou o diário, colocando-o ao lado, sobre a cama de Louis.
Ficou ali por um tempo, olhando o vazio.
Pensando em tudo o que ficou por dizer.
Talvez fosse mais fácil pensar em outra coisa.
Ou em alguém que também carregava silêncios.
— Então você queria viajar, Louis… — murmurou, forçando um sorriso curto. — Ir pra longe e ver o mundo, como sempre dizia.
Ele riu fraco.
— Sempre foi o mais corajoso de nós.
— Era mesmo.
A voz veio suave, mas firme o suficiente pra fazer Glenn se sobressaltar.
Ele virou rápido.
Tia Vivian estava parada na porta.
Pálida, cansada… mas com aquele olhar acolhedor que enxergava mais do que qualquer pessoa deveria ser capaz.
— Tia Vivian… — Glenn se levantou meio atrapalhado. — Eu… me desculpa. Eu não queria mexer nas coisas dele.
Ela apenas sorriu e balançou a cabeça devagar.
— Glenn, querido… está tudo bem. — respondeu, entrando com calma, como se o quarto ainda fosse sagrado. — Você acha mesmo que eu nunca mexi nesse caderno?
Ela levantou uma sobrancelha.
— Eu lia quase todo dia. Escondida, claro. Ou pelo menos achando que estava escondida.
Glenn não conteve um riso, mesmo com o peito apertado.
— Eu… não sabia nem que ele escrevia.
Vivian sentou ao lado dele na cama, o colchão afundando suavemente.
Passou a ponta dos dedos sobre a capa do diário, com um carinho que fazia o coração doer.
— A ideia foi minha. — disse, a voz baixa. — O Louis estava… num daqueles momentos difíceis. — Ela suspirou, um sorriso triste escapando. — Achei que escrever ajudaria a organizar a cabeça dele.
Glenn hesitou um instante antes de perguntar:
— Foi por isso… que ele arrancou o começo?
Vivian assentiu. Não rápido — mas devagar, como quem confirma algo que dói dizer.
— Foi. — murmurou. — Ele não gostava de lembrar do que tinha escrito no início. Por isso fez o que sempre fazia quando queria recomeçar… — Ela tocou a borda rasgada das páginas. — Arrancou e começou de novo.
Glenn olhou para o diário, depois para as mãos, e finalmente para ela.
O silêncio se instalou entre os dois.
Nada se movia no quarto além da luz fraca da lamparina.
Glenn sentia o peso das palavras não ditas crescer no peito, como se o diário fechado ao lado ainda gritasse por dentro.
Ele tentou afastar o pensamento.
Mas não conseguiu.
E então, sem perceber, sem planejar, as palavras escaparam da própria boca — baixas, tensas, quase um sussurro:
— Você me culpa pela morte do Louis?
Ele mesmo se surpreendeu.
A respiração prendeu no peito por um segundo, como se tivesse cometido um erro.
Tia Vivian levantou o rosto devagar. O olhar vacilou por um instante, como se não tivesse entendido a pergunta de imediato, mas depois ficou sério.
“Por que eu perguntei isso…?”
Glenn manteve os olhos nela. As mãos apertavam a barra da roupa, como se segurassem algo prestes a escapar. Nos olhos havia um brilho úmido que ela tentava esconder. Mas não respondeu. Nenhuma palavra. Apenas aquele olhar que pesava mais do que o silêncio ao redor.
“Por que ela não diz nada?”
O peito apertou. Glenn lembrou da Ellie fazendo a mesma pergunta para ele no telhado, a voz dela tremendo, cheia de medo. Agora entendia o que ela devia ter sentido. A incerteza. A sensação de que qualquer resposta — até mesmo o silêncio — podia destruir alguma coisa.
Tentou encontrar alguma explicação lógica. Talvez fosse o choque. Talvez fosse dor. Talvez ela mesma não soubesse o que sentia. Mas, no fundo, havia algo no silêncio de Vivian que doía mais do que ele queria admitir. Algo que parecia… uma sombra. Pequena, escondida, mas presente.
Respirou fundo e se levantou.
— Eu imaginei que era esse o caso.
Não disse com raiva. Apenas cansado.
Deu alguns passos até a porta. Não houve resposta atrás dele. Nenhuma palavra. Nenhum movimento.
Vivian permaneceu sentada na beira da cama, olhando para o chão, ainda em silêncio. Parecia pensar em algo que não tinha coragem de dizer, ou talvez apenas lutasse para não desmoronar.
Glenn saiu do quarto sem olhar para trás.
E o silêncio ficou ali, pesado demais para os dois.
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