Volume 1
Capítulo 1: Três Infâncias
— Meu pai me contou que você o ajudou nesses meses — disse Ellie, voltando o rosto para Glenn. — Que foi caçar com ele na mata.
Glenn deu um leve aceno de cabeça, mas Louis não perdeu a chance:
— Se tropeçar para fora dos arbustos berrando por causa de lobos é considerado ajuda... então sim, ele salvou o dia.
Glenn deu um soco leve no ombro do primo.
— Pelo menos eu fui, seu covarde.
— "Covarde" é elogio — Ellie interveio, rindo. — O Louis não aguenta encarar um inseto.
— Ei, aquilo era uma vespa! — protestou ele, agitando as mãos como se o bicho ainda estivesse ali. — Do tamanho de uma maçã!
A gargalhada dela preencheu o ar. Glenn a observou por um instante: o reflexo dourado do sol se perdia nos fios de cabelo e os olhos dela se semicerravam com o riso. Ele desviou o olhar para o céu. O azul forte já cedia lugar ao primeiro brilho da lua, que surgia branca e firme, alta demais para o horário. O vento mudou, trazendo o cheiro do riacho.
— Glenn.
A voz dela soou suave, quase um sussurro. Ele virou o rosto depressa.
— Você mal tocou na comida — disse Ellie, inclinando-se um pouco. — E está calado demais hoje.
Glenn deu de ombros, focando em um ponto qualquer da toalha de piquenique.
— Só ouvindo vocês.
Louis, ainda mastigando, não resistiu:
— Ou está sentindo que está ficando para trás?
Glenn ergueu os olhos devagar.
— Afinal — continuou Louis, gesticulando com teatralidade —, eu estou evoluindo com a espada, a Ellie já conjura sem gaguejar... alguém aqui precisa correr atrás, né?
— Louis — Ellie o cortou. Não gritou, mas a firmeza na voz foi o suficiente para fazê-lo parar.
Glenn voltou a olhar para o horizonte. A voz saiu baixa, quase fundida ao som das folhas:
— Nunca me vi com uma espada na mão. Nem murmurando para a mana me obedecer.
Louis riu, sem notar o peso daquelas palavras.
— Você fala isso porque nunca tentou de verdade. Você nem sente a mana ambiente, cara. Como pode saber?
O silêncio caiu como uma cortina sobre os três. Glenn manteve a expressão tranquila, embora o peito apertasse.
— Talvez — respondeu ele, com um fio de voz. — Mas não dá para sentir falta do que nunca foi meu. Acho que estou bem assim.
Louis abriu a boca para retrucar, mas Ellie o calou com um olhar severo.
— Não ter despertado ainda não quer dizer nada, Glenn — disse ela, convicta. — O Louis também se atrasou. Cada um tem seu tempo. Nunca ouvi falar de alguém que simplesmente não conseguisse. Sua hora vai chegar.
A luz da tarde riscava o rosto de Ellie em traços de ouro e sombra.
— Não ter despertado não muda quem você é — completou ela.
E então, ela pousou a mão sobre a dele.
O toque era leve e quente. Um calor estático, que parecia respirar contra a pele de Glenn. Ele não disse nada. Os dedos dela permaneceram ali por um segundo que se estendeu além do casual. Ele não soube se deveria afastar a mão ou segurá-la.
Ellie soltou a mão dele devagar, um rubor discreto subindo às bochechas, como o reflexo do entardecer. Louis observou a cena em silêncio. Ele pareceu querer dizer algo, mas o olhar vacilou e a piada não veio. Ficou pensativo por um momento, até que seus olhos brilharam com uma nova ideia.
— Ah, quase esqueci! — disse ele, enfiando a mão no bolso.
Ellie o olhou, curiosa. Louis retirou um pequeno objeto, fechado na palma.
— Queria te dar isso.
Ele abriu a mão, revelando uma pulseira simples de ferro escurecido. No centro, havia uma pedra esverdeada, quase transparente sob a luz restante do dia.
— O vendedor disse que é um amuleto de proteção — explicou Louis, com um sorriso sem jeito. — Dizem que quem carrega uma dessas nunca está sozinho.
Ellie ficou em silêncio por um momento, os olhos refletindo o brilho da pedra.
— Louis... é linda — sussurrou ela.
Ele segurou o pulso dela com cuidado e prendeu o fecho. Ellie ergueu o braço, observando o metal contra a pele clara, e depois o abraçou com força. Glenn desviou o olhar. As nuvens se acumulavam em tons de violeta e cobre, e as sombras das montanhas começavam a esticar-se sobre a grama.
Ele inspirou devagar. Não sabia que o primo tinha comprado um presente.
— Droga, quase esqueci! — Louis deu uma palmada na própria testa.
— O quê? — perguntou Ellie.
— Minha mãe disse que hoje é meu dia de ir à missa. Se eu chegar depois do sino, ela me transforma em oferenda.
Ellie riu.
— Vai logo, está tudo bem. Eu e o Glenn cuidamos das coisas por aqui.
— Tem certeza? — ele perguntou, já se levantando.
— Tenho. Obrigada por ter vindo, Louis.
Louis pegou um último pedaço de pão e começou a descer a trilha.
— Foi bom ver a gente junto de novo — gritou ele, acenando enquanto sua figura sumia entre as árvores.
…
O silêncio que ficou não era pesado; era parte da paisagem, preenchido apenas pelo farfalhar da figueira e o murmúrio do riacho. Ellie brincava com um fio solto da toalha, enrolando-o no dedo e soltando logo em seguida. Glenn a observava, hipnotizado pelo ritmo distraído do gesto.
— Senti falta disso — disse ela, quase num sussurro.
— Do quê?
— De... nada importante — respondeu, dando de ombros e voltando o olhar para o chão.
Glenn sorriu de canto.
— Devíamos fazer isso mais vezes.
— Sim... — a palavra flutuou entre eles, tímida.
Eles se levantaram e começaram a recolher o lanche. Glenn pegou a cesta enquanto Ellie dobrava o pano com movimentos lentos.
— Então... — murmurou ele.
— Então — ela repetiu no mesmo instante.
Os dois riram baixo, um riso cúmplice que quebrou a formalidade do momento.
— Parece que nos acostumamos a falar juntos — comentou Glenn.
— Ou você anda lendo meus pensamentos.
— Não ousaria. Devem ser perigosos.
— Talvez sejam — ela retrucou, erguendo o olhar para ele. — Mas você é corajoso, não é? Ouvi dizer que seu único medo real são os lobos.
— Sou corajoso o bastante para segurar o outro lado dessa toalha — disse ele, prendendo a ponta que o vento insistia em levar.
…
Eles desceram a colina em silêncio. O sol se desfazia entre os galhos, e o ar trazia o cheiro da terra aquecida pelo dia, misturado ao pão das casas vizinhas. Ao longe, o som de carroças e o canto dos pássaros indicavam o fim da jornada.
A vila surgiu aos poucos. Bandeiras coloridas dançavam ao vento e luzes mágicas já brilhavam nas janelas para o festival. Ellie parou por um instante, o rosto iluminado pelas lanternas suspensas.
— Já reparou como a vila muda nessa época? — disse ela, com um sorriso suave. — Parece que até o ar fica mais leve quando os ritos de Aldebaran se aproximam.
Glenn seguiu o olhar dela até as decorações que flutuavam sobre as ruas.
— O Festival da Luz — murmurou ele. — Sempre achei curioso como as pessoas acendem velas para agradecer por coisas que ainda nem aconteceram.
Ellie riu baixo.
— É fé, Glenn. Acreditar antes de ver. Meu pai diz que Aldebaran só guia quem tem coragem de caminhar no escuro.
— Ou talvez seja só uma desculpa para comer pão doce até passar mal.
— Você é impossível — ela se divertiu, dando um empurrão leve no ombro dele. — Mas admito que gosto das fitas. E do pão. Especialmente do pão.
— Então é isso? Açúcar e tecido colorido?
— Não. Mas gosto da ideia de que alguém, lá em cima, ainda se importa conosco.
Eles observaram as primeiras lanternas subindo devagar. O vilarejo parecia respirar esperança, um sentimento que Glenn via nas pessoas, mas não conseguia encontrar em si mesmo.
— Você vai? — perguntou de repente.
Ellie virou o rosto, surpresa.
— Pra festa de amanhã? — esperou um segundo, depois sorriu. — Claro que vou. O Louis vai participar do duelo de abertura, lembra? Ele treinou tanto para isso…
Glenn assentiu, o tom ficando seco.
— É verdade. O momento do "garoto prodígio".
O sorriso de Ellie vacilou. Ela percebeu a rigidez na voz dele.
— E você, Glenn?
— Eu? — Ele chutou uma pedra, observando-a desaparecer na sombra da trilha. — Não. Festas cheias não são para mim. Não gosto de multidões, nem dessa bajulação a deuses que provavelmente nem sabem que Eloria existe.
Ellie parou de caminhar. O vento batia o vestido leve contra suas pernas.
— Achei que viria — disse ela, a voz subitamente mais baixa. — Só para ver.
Glenn parou alguns passos à frente e se virou.
— Ver o quê?
O silêncio se esticou entre os dois, até que ela respondeu quase num sussurro:
— Talvez... eu.
Glenn levantou o olhar. Os olhos verdes dela o encontraram com uma calma que o desarmava. Por um instante, o barulho da feira distante desapareceu. Ele lembrou do abraço de Louis nela horas antes, da facilidade com que o primo se encaixava no mundo dela. O peito de Glenn apertou.
— O Louis vai estar lá — ele disse, forçando uma neutralidade que não sentia. — Ele merece toda a sua atenção amanhã.
Ellie bufou e cruzou os braços.
— Você sempre faz isso.
— O quê?
— Se afasta — respondeu ela, firme. — Você se fecha. Age como se não fizesse parte deste lugar, como se estivesse apenas de passagem por Eloria.
Glenn sustentou o olhar dela por alguns segundos.
— Talvez eu não faça parte.
Ellie deu um passo à frente, encurtando a distância.
— Você cresceu aqui. Meu pai e seu tio te acolheram como um filho. Louis te chama de irmão. E eu...
Ela hesitou. O ar pareceu esquentar e um rubor subiu pelas bochechas dela. Ellie respirou fundo antes de continuar:
— Eu gosto de ter você por perto, Glenn. Mesmo quando você parece estar planejando sua fuga deste mundo.
Um sorriso surgiu nos lábios dela, leve e sincero. Glenn sentiu a guarda baixar. Ele retribuiu o sorriso — um gesto contido.
— Eu não fujo — disse Glenn, mantendo o passo. — Só caminho em uma velocidade diferente.
Ellie fez um beicinho e cruzou os braços outra vez.
— É, e nessa sua "velocidade", o mundo dá duas voltas enquanto você decide qual pé colocar na frente.
Glenn riu, balançando a cabeça.
— Eu sou tão ruim assim?
— Sim, você é — ela retrucou, o tom oscilando entre o riso e uma mágoa antiga. — Sempre foi. Você me ignorava o tempo todo quando éramos crianças. Lembra? Todos chamavam você para brincar, mas você preferia ficar em algum canto, sozinho.
— Sozinho, não. Eu estava estudando.
— Estudando o quê? Como parecer entediado?
Eles riram juntos, e o som leve ecoou entre as casas de pedra já iluminadas.
— É fácil para você falar — continuou Glenn, o olhar perdido na estrada. — Você sempre foi a alma da vila. A mais sociável.
— E você, o mais reservado.
O som dos passos se misturava ao das cigarras. Ellie o observava com uma curiosidade que ia além da superfície.
— Às vezes eu me perguntava por que você me evitava — disse ela, a voz ficando quieta. — Por que nunca deixava ninguém se aproximar de verdade.
Glenn virou o rosto pra ela, intrigado, o meio-sorriso surgia.
— E você chegou a alguma conclusão, grande sábia?
— Cheguei — respondeu ela — Achei que você me odiava.
Glenn parou de andar, pego de surpresa.
— Odiar você? — Ele balançou a cabeça com um sorriso descrente. — Não, Ellie… nunca foi isso. Nunca.
Ellie parou à frente dele. O vento soprou, erguendo uma mecha loira de seu cabelo que caiu suavemente sobre o ombro.
— Mas você começou a se aproximar — disse ela, baixando os olhos para o chão — quando minha mãe…
A voz dela sumiu, engolida pelo burburinho distante da vila. Glenn assentiu devagar.
— Eu lembro. Você estava triste. Achei que talvez precisasse de alguém que entendesse como é quando nada parece fazer sentido.
Ela o olhou, e o reflexo das lanternas flutuantes brilhou nos olhos verdes dela como fragmentos de vidro.
— Alguém como você — completou ela.
Glenn respirou fundo. Havia palavras presas em sua garganta que ele não sabia como organizar.
— Eu não sabia o que fazer, Ellie. Só senti que precisava ficar por perto.
— E ficou — respondeu ela, com uma gratidão que encheu o ar
Eles se olharam por um longo tempo. Ellie deixou o olhar percorrer cada traço do rosto dele, como se estivesse redescobrindo o amigo de infância.
— Seus olhos… — sussurrou ela. — Eles sempre foram azuis assim? Tão claros? Como se guardassem um pedaço do céu antes do sol nascer.

Glenn desviou o olhar, sentindo o calor subir pelo pescoço.
— Deve ser o reflexo das lanternas.
— Não é — respondeu ela, aproximando-se um passo. — É você, Glenn.
A noite pesava, mas o calor vinha de dentro. Glenn sentia o peito arder a cada batida errada do coração. O ritmo da respiração de Ellie, curto e quente, batia direto na pele do pescoço dele, desarmando qualquer defesa.
Não havia mais espaço para pensar. Só existia o cheiro dela e aquela distância mínima que parecia queimar.
Ellie fixou os olhos na boca dele, um convite que não precisava de palavras. Glenn sentiu o corpo tencionar, o sangue correndo rápido demais. Ela se inclinou, invadindo o ar dele.
Glenn quebrou o último palmo de distância com um passo agressivo. Sua mão envolveu a cintura de Ellie, os dedos largos apertando o tecido do vestido com uma possessividade que a fez estremecer. Não foi um toque, foi um choque que subiu pela espinha dela, colando seus corpos e reduzindo qualquer pensamento à cinzas. O cheiro dela estava em toda parte, e o calor dele a incendiava.
— ELLIE!
A voz surgiu de repente — e os dois se afastaram em um sobressalto. Glenn tropeçou para trás, e Ellie arregalou os olhos, o rosto tingido por um rubor tão vivo que competia com as luzes da vila.
— P-pai?! — ela gaguejou, as mãos agitadas no ar. — Eu… eu estava só… mostrando o caminho!
No topo da escadaria de pedra estava Edran Borgia. O pai de Ellie era um homem de ombros largos e cabelos escuros, com aquele tipo de sorriso perigoso de quem não precisa de explicações para saber exatamente o que estava acontecendo.
— Mostrando o caminho, é? — Edran cruzou os braços, com um divertimento perigoso no olhar. — O Glenn conhece esta vila como a palma da mão, Ellie. E, honestamente, de onde eu estava, isso parecia menos um tour e mais um encontro diplomático de narizes.
— N-não era... — Ellie tentou formular uma frase, mas as palavras saíram em um amontoado confuso. Ela gesticulava freneticamente, vermelha até a ponta das orelhas. — A gente só estava conversando, pai!
Glenn tentou manter a postura, mas a voz falhou miseravelmente na primeira tentativa.
— B-boa noite, senhor Edran.
Edran ergueu uma sobrancelha, fingindo uma gravidade que não sentia.
— Boa noite, Glenn — respondeu, com um tom calmo demais. — Espero que essa "conversa" tenha sido... produtiva.
Ellie escondeu o rosto nas mãos, murmurando algo ininteligível entre os dedos. Glenn, sem saber para onde olhar, apenas coçou a nuca com um riso nervoso que entregava tudo. Edran suspirou e tocou o ombro da filha.
— Anda, mocinha. Já está tarde. — Ele se voltou para Glenn e pegou a cesta de suas mãos. — E você... tenta não se perder com a minha filha da próxima vez, está bem?
Ellie empurrou o pai com o ombro e bufou, o rosto ainda em chamas. Edran riu, claramente satisfeito, e seguiu rua abaixo. Ellie permaneceu um segundo a mais, o olhar perdido entre as pedras do chão e os próprios dedos.
— Me desculpa — sussurrou ela, com a voz ainda trêmula. — Por isso.
Glenn sorriu de canto, sentindo a tensão diminuir.
— Está tudo bem. Acho que nos despedimos aqui.
Ela assentiu e deu um passo para trás. Por um instante, pareceu que o silêncio venceria, mas então ela se inclinou rapidamente. O toque foi leve como um sopro: um beijo na bochecha.
— Boa noite, Glenn — disse ela, quase sumindo na escuridão.
O tempo parou. O calor do beijo ficou marcado na pele dele e se espalhou pelo peito. Glenn ficou imóvel, observando Ellie correr para alcançar o pai, com a toalha balançando nos braços.
— Boa noite, Ellie... — murmurou ele, quando ela já estava longe demais para ouvir.
O vento passou, mais frio. O coração de Glenn batia em um ritmo que ele não conseguia controlar. O que eu estou fazendo?, a pergunta pesou em sua mente. Ele pensou em Louis, no sorriso do primo, no duelo de amanhã. O peito apertou com uma sensação agridoce — algo entre a lealdade e o desejo.
…
A casa estava mergulhada em um breu total quando Glenn empurrou a porta. O rangido da madeira ecoou pelos cômodos vazios, acompanhado apenas pelo cheiro de lenha queimada.
— Devem estar na missa ainda... — murmurou para si mesmo.
Ele pegou uma maçã da mesa e passou a mão pelos cabelos, exausto.
— Acho que eu devia tomar um banho e—
— Estavam até agora lá fora?
A voz surgiu da escuridão e Glenn quase saltou do próprio corpo.
— POR ALDEBARAN, LOUIS! — exclamou, com o coração na boca. — Quer me matar de susto? Você não deveria estar na missa?
Louis estava encostado na parede, metade do corpo devorada pela sombra. Ele mastigava um pedaço de pão com uma expressão apática, os olhos parecendo mais fundos do que o normal.
— Ainda não estou morto — respondeu ele, a voz arrastada. — Só não estava me sentindo bem. Saí da missa mais cedo.
Glenn levou a mão ao peito, tentando recuperar o fôlego. O tom do primo era estranho, desprovido da animação de poucas horas atrás.
Louis mastigou o pão, os olhos fixos em Glenn, caçando qualquer sinal de hesitação.
— E você não respondeu minha pergunta — insistiu. — Tava até agora com a Ellie?
O cérebro de Glenn travou. A imagem do rosto dela a centímetros do seu ainda queimava.
— Eu… é… sim — disparou Glenn, rápido demais. — Nós estávamos… alimentando… patos.
Louis parou de mastigar por um segundo. Piscou.
— Patos?
— É. Patos mágicos — Glenn sustentou a mentira com uma seriedade absurda. — Precisavam de… companhia noturna. Sabe como eles são exigentes em Eloria.
Louis o encarou, franziu o cenho e soltou um suspiro de quem já desistiu de entender o primo.
— Às vezes eu acho que você apanha quando dorme, Glenn. Seu cérebro funciona de um jeito muito estranho.
— Pois é — Glenn coçou a nuca, o riso nervoso quase escapando. — A vida é dura para nós, filósofos de patos.
Ele se virou para subir o primeiro degrau, querendo apenas que aquele dia acabasse. Queria a escuridão do quarto para parar de sentir o calor do beijo dela na bochecha. Mas a voz de Louis o pregou no lugar.
— Glenn.
O tom era outro. Solene. Pesado. Glenn se virou devagar. Louis estava parado no centro da sala, o pão esquecido na mão, o olhar perdido em algum lugar além das paredes da casa.
— Sabe… amanhã, no festival… eu vou me declarar pra Ellie.
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