VOLUME 2

Capítulo 55: Senso indescritível de segurança

Xu Yi, que estava dirigindo, ao ver a cena acontecendo no banco de trás, teve que resistir à vontade de fechar os olhos. Desviando o olhar do retrovisor, ele, rapidamente, fechou a janela que separava os dois lados, com o rosto queimando em vermelho.

"Porra! Ver o mestre beijando a Ye Wanwan vestida como estudante... parece que ele tá cometendo um crime..."

***

Primeiro, a jovem arrastou Si Yehan para a loja Wan Chun Tang, e, depois, eles foram para um shopping luxuoso da região. Era fácil escolher ervas e suprimentos. Foi só deixar o gerente pegar algumas de boa qualidade, e então, fazer com que o demônio as checasse para ter certeza que não havia nada de errado.

Na verdade, o que estava sendo comprado não importava muito, afinal, não faltava nada à Velha Madame. Aquele era mais um gesto simbólico por etiqueta.

Depois de prepararem os presentes, o carro fez seu caminho até a casa ancestral da família Si. Em mais ou menos uma hora de viagem, Ye Wanwan, finalmente, pode ver o Jardim Bie que se lembrava das suas memórias.

O casarão tinha a arquitetura de uma mansão chinesa, carregando uma atmosfera simples e antiga. O veículo ultrapassou os portões decorados com figuras esculpidas. Levou ainda mais dez minutos até alcançarem a residência principal.

Na entrada, um velho mordomo vestindo um terno bem passado e usando óculos de hastes douradas estava os esperando. Ao vê-los chegar, o empregado deu um passo à frente para saudar o jovem mestre, cheio de respeito.

Abaixou os olhos para o asfalto e disse: — Nono mestre!

Hm. — Si Yehan grunhiu, com a sua usual expressão de indiferença.

O rosto do mordomo permaneceu calmo mesmo depois de capturar a figura da garota parada ao lado do sujeito. "O jovem mestre sempre foi frio, antissocial, temperamental, além de odiar ficar perto de mulheres. A madame tentou todos os métodos, mas nunca conseguiu fazê-lo se aproximar de outras garotas como uma pessoa normal."

"Agora, ele mesmo conseguiu uma namorada, e ainda trouxe ela para conhecer a família! A velha madame ficou muito chocada, e até os serventes mal conseguiam acreditar nessa notícia."

Notando que a menina estava usando um uniforme, o empregado teve que se esforçar ainda mais para esconder a surpresa. 

"O jovem mestre gosta das novinhas?" Ele tinha pensado que a mulher capaz de fazer aquele homem sério se apaixonar devia ser alguém tão nobre e digno quanto a senhorita Ruoxi. "Embora essa garota não pareça muito velha, os seus olhos são claros e o seu temperamento modesto. Ela é atraente mesmo sem maquiagem."

Se o servo tivesse que fazer o julgamento apenas baseado no físico, ele diria que os dois até que faziam uma boa dupla, mas ainda tinha que julgar a personalidade da tal pretendente. Afinal, havia sido o seu jovem mestre quem trouxe aquela mulher. Aquela era uma questão de extrema importância.

— Essa deve ser a Senhorita Ye? Bem-vinda, eu sou o velho mordomo da mansão principal, Zhong Li. — disse de forma respeitosa. 

— Olá, mordomo Zhong. — Ye Wanwan educadamente o cumprimentou, mas não disse mais nada.

"Ser reservada na primeira visita é a melhor escolha."

Ao ver o velho, o seu coração começou a suspirar de tristeza. Quando se encontraram neste momento na sua vida passada, tinha sido tudo menos educada. 

Naquela época, ao vê-la usando aquela peruca verde berrante e as roupas pesadas, a face de Zhong Li ficou ainda mais azeda do que o cabelo. Ele quase caiu morto, com a mão no peito e apavorado. Em comparação, a matriarca Si foi gentil, e conversou normalmente com ela, independente do que via. Isso mostrava o tipo de pessoa que aquela senhora era!

Entretanto, a atitude atual que a mulher demonstrava, agindo de forma bem comportada, modesta e meio tímida, fez o velho se sentir um pouco mais favorável quanto a ela.

— Nono jovem mestre, senhorita Ye, podem entrar. A velha madame esteve esperando o dia todo!

O pensamento de pisar dentro daquela casa causou as pupilas de Ye Wanwan a se contrair. Sem notar, ela estava fechando os punhos com força. Inúmeras memórias ruins caíram como uma torrente, sufocando a sua mente...

"Posso mesmo mudar o meu destino nessa vida?"

Si Yehan foi na frente, mas assim que estava para ultrapassar o batente da porta, os seus passos pararam e as suas costas ficaram rígidas.

Os seus olhos profundos e insondáveis desceram, cada vez mais baixo, até alcançarem a sua mão esquerda. Ali, ele viu a pequena mão da garota segurando gentilmente a sua palma. Ele não tinha certeza de quando isso tinha acontecido.

Com a parada abrupta, Ye Wanwan descobriu que, subconscientemente, porque estava muito nervosa, tinha segurado na coisa mais próxima do seu corpo, nada menos do que a mão do demônio. 

Sentindo-se um pouco envergonhada, quis tentar puxar o braço de volta, mas antes que pudesse agir, o homem já tinha firmado o seu aperto e continuado a caminhada.

Ele era, sem dúvidas, a pessoa que a jovem mais temia, mas o calor dos dedos dele enrolados em torno dos seus, sem querer, lhe dava um senso indescritível de segurança.



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