Volume 1 – Arco 7

Capítulo 52: Talvez Ele Conseguisse

Orlando Rosa

Vindo de uma das maiores famílias da Europa, os Rosa, Orlando conquistou seu espaço no Craveiro ainda muito novo ganhando o prêmio de Personalidade Marcante por sua inteligência e sagacidade ao resolver o caso do desaparecimento de recursos em Siesa. Conhecido por ter uma personalidade forte, afinal é um quente, e de suas trapaças para poder conquistar seus objetivos. Na realidade, Orlando Rosa ganhou o apelido de Mercenário ao longo de sua trajetória como Assistente Social devido à maneira como resolve agir, sempre na surdina e com métodos considerados por muitos anti-éticos, como espionagem. É certo afirmar que Orlando Rosa contribuiu bastante com sua riqueza e sucesso em missões, e mais certo ainda dizer que é, e continuará sendo, um grande interesseiro.

“Se você não me dar, então não me peça.” — Rosa, Orlando. 1995

Diego ficou parado por um tempo lendo cada palavra. Estava na cara que se arrependia de não ter lido antes. 

A maneira como o descreveram naquela placa não era nada surreal. Geralmente, os frios são quem escrevem os livros, sendo assim, eles não perdem tempo quando o assunto é deteriorar a imagem dos quentes. Diego sabia que não importava quão bom um quente fosse, os frios sempre os maldiriam.

Entretanto, aquilo era bem diferente, pois não era apenas um ódio gratuito, mas sim a mais pura verdade. O rapaz acabou de experimentar todo o nível de arrogância daquele homem.

Ele olhou para seu amigo ao lado e observou que o rapaz estava pensativo, do jeito estranho que sempre ficava quando estava montando um plano mirabolante.

— É isso — disse ele, chegando a uma conclusão.

— Isso o que? — perguntou o rapaz.

— O senhor Rosa é um mercenário! — O loiro se virou para o amigo. — E isso quer dizer que ele precisa de um pagamento, lembra? Lembra do que o professor Nemo disse? Pessoas pragmáticas só conversam com pessoas pragmáticas.

Diego fez uma cara feia. Não se lembrava daquilo. Se lembrava de uma conversa como: Algumas pessoas são interesseiras e só vão fazer algo se você der algo em troca. Parando melhor para pensar, aquilo se encaixava perfeitamente no perfil de Rosa.

— Tá, mas e aí? — perguntou ele. — O que a gente pode dar para ele que é tão importante?

— Informação, claro! Se a gente der para ele alguma informação, então… Ele pode ajudar a gente! 

Então o rapaz voltou a murchar. Provavelmente se lembrando que não tinha nenhuma informação relevante para dar ao homem. Ou que o fato de Rosa não querer ajudar sua filha por vontade própria, pois isso supostamente já deveria ser motivo suficiente, lhe deixou desanimado.

Mas Diego subitamente teve um lampejo e se lembrou de uma conversa que ouviu do Sr. Rosa com os diretores. Ele estava procurando algum tipo de recurso, pois não parava de importunar os diretores com relação a isso, acusando Elizel de estar sabotando eles. Que informação ele estava procurando?

Se lembrou da sala dos arquivos. Lá deveria ter algo que poderia usar. Lá tinha… o arquivo que tinha as informações de seus pais. Não demorou muito para o rapaz ficar animado com a ideia de invadir aquela sala.

E com isso ele contou a Tiago a sua ideia. O loiro não ficou muito feliz, a princípio, porém logo concordou, já que não via mais nenhuma outra forma de resolver a situação. A única maneira de se livrarem da Prof. Ramirez era usando Rosa.

Porém esse se passou a ser um motivo secundário para Diego. Agora ele queria ir para aquela sala de modo a saciar sua curiosidade com relação ao dia em que seus pais morreram.

E se passaram alguns dias desde que Tiago havia concordado em ajudar no seu novo plano. Fora isso, Lauro e Dani estavam planejando algo muito grandiosa. Falaram que iam receber os Executivos muito bem e estavam planejando uma festinha surpresa no refeitório.

Diego não via futuro para aquilo, já que não participaria. No dia em que os Executivos chegassem, ele estaria em outro lugar. O loiro não parava de lhe questionar sobre como iriam para o quinto andar, qual seria a melhor estratégia e por menores que o rapaz não se importava tanto.

Ele já sabia o dia, só faltava o resto, que para Diego não era muito importante, mas para Tiago era tudo.

— Nós temos que ir assim que a aula acabar — disse ele baixinho, olhando desconfiado de um lado a outro. — Quando todo mundo estiver aqui no refeitório. A gente vai ter três horas para ir e voltar sem ser vistos…

— Subir não demora dois minutos! — resmungou de boca cheia, hoje estavam servindo pizza. 

— Subir não é o problema! — Ele revirou os olhos. — O problema é conseguir o resto do tempo.

— Para de se preocupar com o tempo. Subir não vai demorar nem dois minutos!

— É! Mas e a parte em que conseguimos a chave da sala do professor? E quanto ao tempo que vamos gastar procurando a sala nos dutos? Porque até onde sei, você só foi parar naquela sala dos arquivos por acaso.

Diego murmurou algumas ofensas baixinhas e depois se calou, deixando o amigo continuar seus devaneios em relação aos planos, que eram muitos. Continuava sonhando com aquele arquivo dos seus pais, em que colocaria as mãos e certamente algumas peças começariam a se encaixar depois daquilo.

Era um pouco frustrante pensar que Orlando era uma pessoa tão cruel ao ponto de não se importar com a própria filha, e que talvez só fosse ajudar ela caso recebesse algo em troca. Mas era como Tiago havia dito, pessoas que só pensam em si mesmas não vão agir pensando nos outros; e eles tirariam proveito disso.

E até o dia do plano, os dois não trocaram uma única palavra com Margô, pois ela sempre se distanciava deles, de cara fechada. Ao menos ela não comparecia mais às aulas de Rúnica. E se ela continuasse bem, Diego não se importaria de que ela o continuasse a ignora-los.

No dia em que iriam colocar o plano em prática, Tiago chegou no rapaz com diversos apetrechos esquisitos em sua mochila, enquanto estavam no dormitório antes das aulas.

— Para que tudo isso?

— Corda para a gente descer com segurança até a sala, capacete com lanterna para enxergar nos dutos escuros, joelheira e cotoveleira, luvas, óculos de proteção e…

Diego pegou algo que estava na mochila.

— Um pano de cama?

— Ei, não amassa. — Ele pegou o pano, embrulhou cuidadosamente e colocou de volta em sua mochila. — É. Vai que a gente precisa.

Diego riu, mas não contestou, embora ficasse imaginando para que iria precisar daquilo.

— Enfim, eu também estava pensando em outra coisa — continuou o loiro. — Como vamos abrir a porta do professor Riddley se ela vai estar trancada? 

Os professores também iriam participar da reunião dos Executivos, então era claro que não deixariam suas portas destrancadas.

— Não me liguei nisso… 

— Eu sei — afirmou Tiago. — Por isso que eu planejei outra coisa: Vamos pegar a chave de outro professor.

— Quê? Quem? E por que outro?

Eles precisavam da chave especificamente do professor Riddley, pois foi na sala dele que achou o duto que dava caminho para os arquivos, e também aquela criatura estranha.

— Todas as salas dos professores tem dutos, Murdock — continuou Tiago. — Só que uns são mais escondidos que os outros. E nós vamos pegar a do professor Nemo, porque ele é atrapalhado, então se ele perder a chave, ninguém vai desconfiar. Mas imagina só se o Riddley perder a chave dele? Ele iria fazer o maior escândalo.

— Você vai roubar a chave do professor Riddley? 

— Bom… Não eu, você. — Tiago continuou ao notar o rosto surpreso do amigo: — Se lembra daquela história que você me contou? Que você roubou a chaves do escritório do seu tio só para pegar os isqueiros dele e com isso trocar por ingressos?

Falando daquela maneira parecia bobo.

 

 

Eles já estavam se preparando para o que seguiria. Tiago iria distrair Nemo enquanto Diego pegaria a chave de sua bolsa.

Quando a campainha bateu e todos saíram da sala, Diego os acompanhou só até a porta, onde ficou do lado da porta esperando algum sinal do amigo, que ficaria sozinho na sala com o professor para lhe fazer algumas perguntas. 

E de fato o loiro começou a perguntar coisas para Nemo, de modo que começou a respondê-las com entusiasmos. Foi aí que o rapaz voltou a entrar na sala, cautelosamente. O professor estava de costas para ele, explicando no quadro negro todas as respostas para as dúvidas de Tiago. 

Suas chaves estavam em sua bolsa, em cima da mesa. O professor teria de dar alguns passos para frente afim do rapaz poder furta-las.

Talvez Diego conseguisse, talvez fosse um fracasso, mas a verdade era que Margô chegou e chamou o rapaz, despertando a atenção do professor.

— Di, posso falar com você?



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