Ano 3 - Volume 4
Capítulo 5: Os Candidatos
QUASE DUAS HORAS extenuantes, alternando entre desafios acadêmicos e esforço físico, finalmente chegaram ao fim. O supervisor anunciou um intervalo de trinta minutos, interrompendo temporariamente as provas das quatro equipes do Grupo 3.
Alguns estudantes desabaram onde estavam, enquanto outros correram direto para suas mochilas, procurando desesperadamente por garrafas de água mineral. Era perfeitamente compreensível; a experiência havia sido como fazer uma prova final completa enquanto assavam sob um sol escaldante.
— Isso acabou comigo... Acho que não vou conseguir dar nem mais um passo por um bom tempo.
Sentado no chão, Sanada tirou os óculos e soltou um longo suspiro, dando voz ao seu esgotamento. Sua camisa, manchada de terra, era uma prova evidente do quanto havia se esforçado; qualquer um podia ver que ele tinha dado tudo de si.
Normalmente, ele era do tipo que mantinha a compostura em qualquer situação. Seu jeito frio raramente vacilava, e ele dificilmente deixava o cansaço ou as emoções transparecerem no rosto. Mas, sob aquelas condições, nem ele conseguiu esconder o desgaste.
— Você é completamente maluco, sabia? Venceu absolutamente todas as disputas individuais, tanto nas tarefas acadêmicas quanto nas físicas...
Yoshida se aproximou enquanto falava, com uma expressão dividida entre incredulidade exasperada e admiração genuína. Embora seu tom fosse casual, havia um brilho evidente de choque em seus olhos. Sanada, enquanto desenroscava a tampa de sua garrafa plástica, também assentiu várias vezes em concordância.
Uma única vitória poderia ser descartada como sorte ou como resultado de um confronto favorável. Mas esmagar consistentemente uma variedade tão grande de desafios era algo completamente diferente. Mesmo para colegas que não me conheciam há muito tempo, era impossível negar que aquilo era fruto de habilidade genuína.
Enxugando o suor da testa, Sanada olhou para mim com uma expressão de aceitação tranquila.
— Para ser sincero, eu sabia que você era capaz até certo ponto, mas... isso superou muito as minhas expectativas.
Ele tomou um gole lento de água antes de voltar a encontrar meu olhar. Diferentemente de Yoshida, suas palavras não continham qualquer exagero.
— Não, sério — acrescentou Yoshida. — Enquanto nós estávamos lutando desesperadamente só para sobreviver às tarefas, esse cara passou o tempo todo completamente impassível. Sinceramente, fico feliz que ele não tenha levado a sério quando ainda estava na turma da Horikita.
Quando as pessoas reconhecem sinceramente alguém que produz resultados e, ao mesmo tempo, sentem que pertencem ao mesmo grupo, tendem a ser muito mais honestas do que se imagina. A atmosfera tensa suavizou-se um pouco e, durante aquele breve intervalo, os contornos da Classe C tornavam-se cada vez mais sólidos, retomando sua forma gradualmente.
— Ainda assim — disse Sanada após um momento, olhando ao redor —, eu estava achando estranho como está tudo tão silencioso por aqui. Pelo visto, a Morishita-san não está com a gente.
Ao avistar Morishita encostada em um tronco de árvore distante, Yoshida complementou a observação de Sanada.
— Bem, ela é péssima em qualquer coisa que envolva esforço físico. Provavelmente nem tem energia sobrando para abrir aquela boca barulhenta dela.
Depois que os dois se recuperaram um pouco, comecei a distribuir os tokens. A cada transferência, um sinal eletrônico soava em meu smartwatch e ecoava nos relógios de Yoshida e Sanada quando eles os recebiam.
Eu me dirigi até Morishita para entregar os dela também, mas mal havia começado a caminhar quando ouvi passos apressados vindo em minha direção.
— A-Ayanokoji-kun…
A voz veio de perto, suave o bastante para quase ser engolida pelo barulho do intervalo.
— Você tem um minuto?
Mii-chan estava visivelmente inquieta. Seus olhos não permaneciam parados por muito tempo e, mesmo antes de dizer qualquer outra coisa, já era evidente que ela não tinha vindo conversar casualmente.
— Hum... por aqui.
Ela fez um gesto para que eu a seguisse, afastando-se dos olhares curiosos dos outros estudantes e caminhando até um local isolado, onde nossas vozes não seriam ouvidas.
— Tem uma coisa sobre a qual eu queria pedir sua opinião — começou ela, abaixando ainda mais a voz. — Eu sei que talvez não seja da minha conta, já que não estamos mais na mesma turma, mas sinto que só consigo falar disso com você, Ayanokoji-kun...
Seu olhar inquieto percorria os arredores e era óbvio quem ela estava procurando: seus próprios colegas da Classe A. Considerando que Ike e os outros não estavam em lugar nenhum naquele momento, ela claramente havia esperado pela oportunidade perfeita para agir. Permaneci em silêncio, incentivando-a a continuar.
— É... sobre a Kushida-san. Desde o começo das tarefas de hoje até agora, durante este intervalo... a Shinohara-san não entregou nem um único token para ela. E então...
— Entendo por que você quis manter isso em segredo, mas essa é uma informação interna extremamente delicada — interrompi. — Tem certeza de que quer me contar isso?
— Mesmo que nossas turmas estejam competindo entre si, Ayanokoji-kun — respondeu ela, escolhendo cada palavra com cuidado —, ainda somos aliados dentro do mesmo grupo neste momento. Além disso, parece que você realmente valoriza as habilidades da Kushida-san, então...
Normalmente, informações sobre quem entregou quantos tokens e para quem jamais deveriam ser reveladas levianamente. Mas o fato de ela estar me contando aquilo significava que tudo finalmente havia começado.
— Supondo que o que você está dizendo seja verdade, você e o Ike continuam recebendo suas partes normalmente, certo?
Ela respondeu com dois pequenos acenos.
— Sim... nós dois recebemos tudo normalmente.
— Se a Shinohara estiver retendo todos os tokens da Kushida e se recusando a entregar apenas a parte dela, então isso realmente é um problema.
Mesmo sem presenciar a situação pessoalmente, era fácil imaginar o clima sufocante que aquilo devia estar criando.
— A Shinohara-san estava reclamando ontem à noite — continuou Mii-chan. — Ela disse que o Ike-kun ficava olhando para a Kushida-san o tempo todo. Até mesmo naquela prova de equilíbrio em uma perna só, hoje de manhã, eles terem sido colocados juntos foi pura coincidência, mas desde então ela está de péssimo humor.
— Conhecendo o Ike, ele sempre teve uma queda por garotas bonitas. Coloque a Kushida na equação e a situação só piora.
— M-Mas a Shinohara-san é a namorada dele... — A voz de Mii-chan tremeu de desconforto sincero. — Honestamente, acho que a culpa é toda do Ike-kun...
Ela não estava errada. Na prática, porém, ninguém consegue passar a vida inteira olhando apenas para a própria namorada. Costuma-se dizer que, conforme um relacionamento avança, a intimidade aumenta enquanto o brilho inicial inevitavelmente diminui. Considerando que Ike já tinha sentimentos por Kushida desde o início, era até certo ponto inevitável que seus olhos acabassem vagando.
— Achei que, depois de conhecer melhor a verdadeira personalidade da Kushida, ele se afastaria dela — comentei. — Mas pelo visto isso não aconteceu.
— Pelo visto, não. Ultimamente, a Kushida-san tem ficado bastante isolada na sala de aula, e o Ike-kun tem feito questão de conversar com ela. Isso provavelmente já vinha incomodando a Shinohara-san há algum tempo.
— Mas, mesmo levando tudo isso em consideração, a origem de tudo remonta ao Exame Especial de Unanimidade... não é?
Mii-chan fechou os olhos com força e então assentiu profundamente.
— A verdade é que as palavras que a Kushida disse para a Shinohara naquela época foram tão cruéis que era impossível esquecê-las.
Eu me lembrava perfeitamente.
Durante o Exame Especial de Unanimidade, Kushida zombou de Shinohara diante de toda a turma, declarando casualmente que ela era "do tipo feia". Se o namorado de Shinohara passasse a agir de forma amigável e atenciosa justamente com a pessoa que a havia humilhado, era fácil imaginar o ressentimento fervendo dentro dela.
Mesmo assim, reter os tokens de Kushida por pura malícia era um segredo que ela não conseguiria esconder para sempre.
Até agora, Shinohara provavelmente vinha se contendo pelo bem da turma. Havia mantido a natureza tóxica de Kushida sob controle, recuando para evitar conflitos públicos. Mas agora que recebeu o poder de representante, parecia que suas amarras finalmente começavam a se romper.
— Ainda assim, isso me surpreende — observei. — Achei que você também tivesse passado a odiar a Kushida, Mii-chan.
Embora não tivesse sido tão cruel quanto os insultos direcionados à aparência de Shinohara, Mii-chan também havia sido uma vítima. Sua paixão inocente por Hirata fora exposta sem piedade durante o Exame Especial de Unanimidade.
Deixando de lado o fato de que a maioria dos colegas já havia percebido seus sentimentos muito antes da revelação, a humilhação foi tão grande que ela chegou a parar de frequentar a escola temporariamente.
— É verdade que a Kushida-san... me machucou muito — admitiu ela baixinho. — Mas, ainda assim, sinto que seria errado me transformar em uma pessoa cheia de ódio como ela.
Ela estava trazendo esse assunto delicado justamente para mim, alguém que, na prática, havia traído sua turma ao se transferir, apesar de conhecer perfeitamente as circunstâncias complicadas envolvidas. Era seguro concluir que suas palavras vinham de uma convicção moral genuína, e não de mera cordialidade superficial.
— Pelo que você me contou, não há dúvida de que ela está abusando da posição de representante para perseguir a Kushida — disse eu. — Mas sua maior preocupação é o pior cenário possível: que a Kushida acabe ficando em último lugar. Acertei?
— Sim... — respondeu ela.
Se Shinohara monopolizasse todos os tokens e se recusasse a entregar sequer um para Kushida, ela estaria travando uma batalha extremamente desfavorável, independentemente da quantidade de tokens que conseguisse conquistar por conta própria.
Este Exame Especial era dividido em três categorias — individual, equipe e grupo —, mas ter toda a turma unida representava uma vantagem esmagadora.
Se uma classe tratasse a recompensa insignificante de Pontos Privados como algo secundário e simplesmente distribuísse os tokens de forma igualitária, essa coesão por si só serviria como uma poderosa proteção contra o risco de terminar em último lugar. Para combater uma estratégia dessas, as outras turmas seriam obrigadas a fazer o mesmo, transformando o exame em uma simples disputa de números, na qual a expulsão acabaria recaindo sobre a classe com o menor total geral.
No entanto, os obstáculos logísticos para executar uma estratégia desse tipo de forma consistente eram enormes. Era necessário confiar em colegas que nem sequer estavam à vista, coordenar encontros na floresta, transferir tokens e ajustar os totais com extrema precisão. Todo o plano dependia da frágil premissa de que ninguém trairia o grupo.
— Não há dúvida de que as frustrações acumuladas da Shinohara estão se manifestando em suas ações — continuei. — Mas é muito improvável que ela retenha os tokens da Kushida até o fim. Se isso chegar aos ouvidos da Horikita, a própria posição da Shinohara dentro da turma ficará seriamente ameaçada.
— Então... eu não preciso me preocupar?
— Por enquanto, deve ficar tudo bem. Você realmente acha que ela chegaria ao ponto de provocar a expulsão da Kushida por causa de um rancor pessoal? É mais seguro assumir que isso não passa de uma forma mesquinha de se vingar.
Levar um colega de classe à expulsão apenas por antipatia pessoal não era um limite tão simples de ultrapassar.
Quando acrescentei isso, Mii-chan pareceu relaxar um pouco. Um pequeno suspiro escapou de seus lábios, como se finalmente pudesse se livrar de parte do peso que carregava.
— Mas, se ainda estiver preocupada, continue observando a situação por mim — acrescentei. — Se, até o fim do terceiro dia, ou já entrando no último dia, a Kushida ainda não tiver recebido nenhum token, eu mesmo entrarei em contato com a Horikita. Afinal, se a Shinohara descobrir que foi você quem a denunciou, pode acabar guardando ressentimento contra você também.
— Você realmente está disposto a ajudar?
— Se quisermos que o Grupo 3 fique em primeiro lugar, precisaremos da cooperação de todas as turmas — respondi. — A ordem em que cruzarmos a linha de chegada no último dia terá um impacto enorme no multiplicador da pontuação. Ainda não conheço as regras exatas, mas não há garantia de vitória se estivermos carregando uma bomba-relógio como essa.
Ao ouvir isso, Mii-chan curvou profundamente a cabeça.
— Muito obrigada...!
— Mais importante, você provavelmente deveria voltar agora — adverti. — Vai ser problemático se a Shinohara e os outros nos virem juntos.
Assentindo com sinceridade, Mii-chan saiu correndo às pressas. Quase tropeçou nos próprios pés de tanta pressa, mas conseguiu se afastar e colocar distância suficiente entre nós antes que o grupo de Shinohara percebesse sua ausência.
— Diga-me, Ayanokoji Kiyotaka, sobre que assuntos misteriosos vocês estavam cochichando agora há pouco?
Morishita surgiu ao meu lado praticamente do nada e fez a pergunta sem qualquer aviso.
— Pelo visto você já recuperou suas energias.
— Perdão? O que exatamente quer dizer com isso? Minha energia inesgotável simplesmente transborda como uma fonte eterna de vitalidade, sabia?
Talvez o fato de ela estar ofegando pesadamente apenas alguns minutos antes tivesse sido uma mera ilusão de ótica.
Decidi não insistir no assunto.
E assim, a silenciosa dissonância que crescia dentro da Classe A começava gradualmente a criar raízes.
*
Depois de completar mais algumas tarefas das categorias Individual e Equipe, intercaladas por um almoço e um intervalo mais longo, seguimos as instruções do supervisor e nos dirigimos para o ponto B7.
À medida que avançávamos mais profundamente pela floresta, a densa copa das árvores engolia a luz do sol, mergulhando a região em uma penumbra esverdeada. Sem a ajuda da brisa, a umidade grudada em nossos corpos parecia ainda mais sufocante.
O solo sob nossos pés era macio, misturado a trechos de lama profunda, criando a constante e desagradável sensação de que estávamos afundando na terra. Exaustos pela sequência incessante de desafios, todos os estudantes caminhavam com passos pesados e lentos.
Inconscientemente, cada um encurtava as passadas, tentando preservar o pouco de energia que ainda restava. Isso era especialmente evidente em Morishita. Seus ombros estavam caídos enquanto tentava manter um ritmo constante, mas sua respiração já começava a falhar ligeiramente.
— O que diabos está acontecendo...? Ainda não chegamos?
— Eles são literalmente demônios! — resmungou Ike, incapaz de esconder o cansaço na voz. — Será que eles têm alguma noção de quanto estamos andando nesses últimos dias?!
Shinohara lançou um olhar de lado para ele, disse algumas palavras de incentivo e reduziu o próprio ritmo para acompanhá-lo. Não falou muito, mas o cansaço também era claramente visível em seu rosto. Ainda assim, ela não parou de caminhar. Provavelmente estava consciente da importância de não ficar para trás.
Em contraste absoluto, Katsuragi permanecia completamente impassível.
Ele caminhava em ritmo constante, com a postura perfeitamente ereta. Não era como se estivesse livre da fadiga, mas não deixava nada transparecer. Mantinha os olhos fixos à frente enquanto continuava avançando. Seus movimentos eficientes e sem desperdício provavelmente ajudavam a conservar energia.
Ibuki caminhava um pouco atrás dele, com uma expressão de puro tédio. Seu olhar não estava voltado para os pés nem para o caminho adiante; parecia apenas encarar o vazio. De vez em quando, chutava uma pedra solta, usando aquele pequeno gesto para distrair-se da irritação que fervilhava dentro dela.
Um número considerável de tarefas havia sido realizado ao longo do dia, mas, para ser franco, os resultados de Ibuki tinham sido extremamente ruins. No início, a quantidade de tokens que ela possuía provavelmente era quase a mesma que a minha. Agora, porém, não havia necessidade nem de verificar os números exatos. Dentro do Grupo 3 como um todo, ela disputava com Kushida a última colocação.
Até aquele momento, Katsuragi não havia demonstrado qualquer sinal de complacência.
Provavelmente havia um motivo deliberado para isso. Ao ser rígido com Ibuki, talvez estivesse tentando forçá-la a produzir resultados. Mas essa era apenas uma parte da questão. A realidade mais imediata era que ele simplesmente não havia conseguido acumular tokens excedentes suficientes para ajudá-la.
Quando se tratava de disputas acadêmicas, a vantagem inevitavelmente pertencia às outras turmas. Não importava quantas tarefas completássemos; quanto mais avançávamos, mais a diferença entre nós e elas aumentava gradualmente. E mesmo nas competições físicas, a área em que Ibuki deveria ter mais chances de se destacar, a sorte não esteve ao seu lado. Houve ocasiões em que companheiros de equipe a prejudicaram e outras em que ela teve o azar de me enfrentar repetidamente. Não havia como ela achar aquela situação divertida.
Finos feixes de luz atravessavam as frestas entre as árvores, iluminando fracamente o caminho à frente. Nosso destino continuava invisível. As conversas diminuíram até restar apenas o som dos passos, repetindo-se em um ritmo constante, quase mecânico, sobre o chão úmido da floresta.
Cada um de nós seguia em silêncio, enfrentando o próprio cansaço à sua maneira.
O que exatamente nos aguardava além daquela floresta?
Ninguém tinha disposição para pensar nisso, muito menos para confirmar. Simplesmente continuávamos andando, um passo após o outro, como se nossos corpos tivessem sido reduzidos àquela única ação repetitiva.
De repente, o supervisor que liderava o grupo reduziu o ritmo. Ele não chegou a parar completamente, mas olhou por cima do ombro, percorrendo toda a formação com os olhos.
Após mais alguns passos, chamou em voz firme:
— Kushida-san, há uma ligação para você pelo rádio. Pode atender?
Kushida se sobressaltou levemente no instante em que ouviu seu nome.
— Eu?
A inclinação discreta de sua cabeça era natural, mas havia um claro traço de cautela em sua voz. Era o primeiro contato externo que recebíamos desde o início do exame, então sua desconfiança era perfeitamente compreensível.
O supervisor não ofereceu nenhuma explicação adicional. Apenas fez um gesto na direção do aparelho que segurava. Kushida olhou rapidamente ao redor e então obedeceu sem interromper a caminhada. Estendeu a mão, recebeu o rádio do supervisor e colocou o pequeno fone no ouvido.
Shinohara e os demais a observavam atentamente, tentando entender o que estava acontecendo. Depois de alguns instantes assentindo para o que era dito do outro lado da linha, Kushida soltou um leve suspiro e falou:
— Parece ser a Horikita-san.
Com aquela única frase, o clima ao nosso redor mudou. Ela havia falado em voz baixa, mas alto o bastante para ser ouvida facilmente por qualquer pessoa próxima.
Um contato vindo de fora do grupo — e justamente de Horikita — dificilmente seria algo trivial.
De onde estávamos, não fazia sentido tentar escutar a conversa pelo rádio. Tudo o que fosse transmitido pelo receptor chegaria apenas aos ouvidos de Kushida. A voz dela, porém, era outra história. Quem quisesse prestar atenção provavelmente conseguiria ouvir pelo menos parte do que ela dissesse.
Por isso, os olhares ao redor naturalmente convergiram para ela. Os primeiros a reagir foram os três estudantes da Classe A. Assim que Kushida se afastou do supervisor, eles ajustaram suas posições e começaram a caminhar ao seu redor, formando uma espécie de barreira discreta. Ao mesmo tempo, mantinham vigilância para garantir que ninguém se aproximasse demais.
Não havia nenhuma regra explícita proibindo aproximações, mas existia um entendimento tácito. Respeitar a privacidade dela agora tornaria mais fácil exigir o mesmo tratamento quando chegasse a nossa vez.
Katsuragi e eu demos instruções discretas quase ao mesmo tempo e seguimos para a dianteira do grupo. Pouco depois, os alunos da Classe D também começaram a se afastar do grupo de Kushida.
Enquanto caminhava, lancei um rápido olhar por cima do ombro. Shinohara caminhava ao lado de Kushida, e a expressão em seu rosto tinha uma tonalidade diferente da de antes.
A mais leve sugestão de irritação. O fato de Horikita ter ligado para Kushida, e não para ela. Durante o Exame Especial de Unanimidade, Kushida revelou sua verdadeira natureza e colocou a turma em perigo. Sua credibilidade sofreu um golpe visível, assim como sua posição dentro da hierarquia interna da classe.
E, ainda assim, apesar de tudo isso, Horikita havia escolhido entrar em contato com Kushida primeiro. Para Shinohara, esses dois fatos estavam se transformando em uma fonte invisível de estresse, corroendo-a silenciosamente por dentro.
Além disso, havia um leve traço de ansiedade. Se Kushida relatasse a Horikita os pequenos abusos que Shinohara vinha cometendo como representante, uma repreensão certamente viria em seguida. Eu não podia ter certeza absoluta, mas, com Shinohara praticamente ao lado dela o tempo todo, era improvável que Kushida fizesse isso.
Afinal, aos olhos dos outros, Kushida não era o tipo de garota que sairia por aí fazendo reclamações.
Ainda assim, uma espécie diferente de silêncio — distinta daquela que carregávamos anteriormente — havia se instalado sobre o grupo.
*
Já havíamos entrado na Área C9 e nosso destino finalmente estava próximo quando o supervisor parou e se virou para nós.
— Se continuarmos neste ritmo, devemos chegar à Área B7 em cerca de quinze a vinte minutos — anunciou. — Estamos quase lá, então aguentem só mais um pouco.
Ao ouvirem aquelas palavras de incentivo, alguns estudantes responderam com murmúrios cansados antes de retomarmos nossa marcha exaustiva. Pouco tempo depois, um conjunto de sons chegou até nós vindo de algum lugar próximo: vozes, passos, a leve desordem de outro grupo em movimento.
Um instante depois, a primeira figura a surgir foi outro supervisor, encharcado de suor, caminhando à frente de uma formação. Atrás dele vinha o Grupo 6. O supervisor responsável pelo Grupo 6 aproximou-se imediatamente de Urushihara, e os dois trocaram algumas palavras rápidas.
Na tarde do segundo dia do exame, aquele era nosso primeiro encontro genuíno com outro grupo.
Entre os alunos da Classe C designados ao Grupo 6 estavam Kitou, Yamamura, Satonaka e Machida. Pela aparência deles, também haviam percorrido uma distância considerável. O cansaço era visível em muitos rostos, pesando sobre seus ombros e tornando seus passos mais lentos.
Embora muitos estudantes provavelmente sentissem um certo alívio ao ver rostos familiares, uma semente de desconfiança certamente brotou junto desse sentimento.
— Fiquem tranquilos, pessoal — anunciou Urushihara. — Apenas cruzamos nossos caminhos por acaso. Não há nenhuma tarefa entre grupos programada para hoje.
Com aquela única declaração, a tensão no ar desapareceu. As suspeitas que pairavam entre os alunos haviam se mostrado infundadas. Reassegurados de que aquilo não passava de um encontro casual, eles baixaram a guarda, e sorrisos tímidos começaram a surgir.
— Pelo visto, o Grupo 6 está indo para a Área B8, então vocês podem seguir juntos por enquanto — continuou ele. — Não há problema em conversar ou trocar tokens, se necessário. Sintam-se livres para agir como preferirem.
Essa permissão foi tudo o que precisaram. Os alunos das diferentes turmas começaram a se aproximar rapidamente. Perguntas surgiram quase de imediato.
Como estava o desempenho do grupo?
Estavam conseguindo reunir tokens?
Pouco depois, os alunos da Classe C — Satonaka, Machida e Yamamura — também se aproximaram de nós.
— Vocês estão conseguindo lidar bem com as tarefas? — perguntou Yoshida, iniciando casualmente uma conversa.
Machida respondeu com um aceno indiferente.
— Estamos sobrevivendo por pouco. É difícil saber exatamente quanto os outros estão acumulando. Não seria mais rápido simplesmente mostrarmos nossos tokens para vocês?
Seu olhar se voltou para mim em busca de aprovação, mas descartei a ideia imediatamente.
— Não, não será necessário. Neste momento, em vez de se preocupar com nossa posição relativa, é melhor focar completamente em reunir o maior número possível de tokens, nem que seja apenas mais um.
— Talvez você tenha razão... — admitiu Machida. — Mas, sinceramente, estaria mentindo se dissesse que não estou preocupado.
— Pode ficar tranquilo — garanti. — Já decidi uma estratégia para garantir nossa sobrevivência neste Exame Especial. Por enquanto, estamos apenas esperando o momento certo para colocá-la em prática. Não tenho nenhuma intenção de deixar alguém da Classe C ser expulso. Quando chegar a hora das instruções detalhadas, entrarei em contato pelo rádio.
Deixando o restante das conversas internas da turma para Yoshida e Sanada, voltei minha atenção para além da Classe C.
Minha principal preocupação naquele momento eram os movimentos da Classe B. Katsuragi já estava no centro de uma discussão na qual, sem dúvida, os acontecimentos e desenvolvimentos do Grupo 3 ao longo do último dia seriam compartilhados em detalhes minuciosos.
Ele transmitiria qualquer informação possível sem recorrer ao rádio, incluindo exatamente quantos tokens visíveis eu possuía naquele momento.
Eu sabia que não demoraria para que essas informações chegassem aos ouvidos de Ryuen, levando-o a formular contramedidas. Não havia necessidade de pressa. Eu simplesmente seguiria a estratégia conforme planejado—
— Ei, Ayanokoji-kun...
A voz veio hesitante ao meu lado.
— Você tem um minuto?
Era Hasebe, da Classe A. Quando olhei além dela, vi os outros alunos da Classe A reunidos a uma curta distância, sorrindo e conversando, com Kushida no centro do grupo. O afastamento de Hasebe não parecia ter chamado a atenção de ninguém. Pelo menos por enquanto, ninguém parecia estar nos observando de perto.
— Vamos caminhar um pouco mais devagar — sugeri.
— Sim, obrigada.
Reduzimos o ritmo e deixamos os outros estudantes seguirem à frente. Em seguida, saímos ligeiramente da trilha principal em direção à praia próxima, mantendo-nos próximos o suficiente para não perder o caminho de vista.
O som dos passos e das conversas foi ficando distante, substituído pelo sopro seco do vento e pela brisa constante vinda do mar. Ao avistar uma grande rocha nas proximidades, pedi que Hasebe se sentasse para evitar que desperdiçasse ainda mais energia.
— Como estão suas pernas? — perguntei. — Você também deve estar gastando muita energia com toda essa caminhada e essas tarefas intermináveis.
— Estou conseguindo me virar — respondeu ela. — E você, Ayanokoji-kun? Está... na verdade, deixa pra lá. Acho que não preciso me preocupar com você.

— Estou me virando bem à minha maneira — respondi. — E como estão as coisas do seu lado?
— Não tenho muita certeza. É difícil dizer sem saber como os outros grupos estão se saindo, mas acho que estamos nos mantendo bem.
Pelo visto, pelo menos por enquanto, nem Hasebe nem os demais alunos da Classe A estavam excessivamente preocupados. Uma rajada mais forte da brisa marítima atravessou a praia.
Hasebe estreitou os olhos contra o vento e voltou o olhar para o mar, onde a luz do sol se espalhava pela superfície em incontáveis fragmentos brilhantes.
— Você se sente culpada? — perguntei.
Ao ouvir minha pergunta, ela voltou o rosto para mim e permaneceu alguns instantes em silêncio, refletindo.
— Se eu dissesse que não sinto culpa nenhuma... estaria mentindo.
Depois dessa introdução, ela continuou:
— Mas ainda é melhor do que ver você ser expulso, Ayanokoji-kun. Foi isso que eu disse a mim mesma... então posso afirmar honestamente que não me arrependo. Meu conselho foi útil?
— Sim, bastante. Graças a você, consegui evitar ser sacrificado e expulso.
— Entendo. Fico feliz.
Não era um sorriso forçado; era uma expressão genuína, vinda do fundo do coração de Hasebe.
— Posso... sabe... voltar a te chamar de Kiyopon...?
— Você realmente se apega às coisas mais estranhas — observei. — Não me importo, se é isso que você prefere.
— Que bom. Para mim, usar esse apelido é meio que um indicador, eu acho. Faz eu me sentir de um certo jeito... provavelmente. Ah, sei lá. Que tipo de coisa eu estou falando?
Ela soltou uma risada constrangida, plenamente consciente de que suas palavras haviam se transformado em um emaranhado sem sentido.
— Quando este exame da ilha acabar e voltarmos para a escola, deveríamos sair juntos durante as férias de verão.
— Duvido muito que Miyake ou Yukimura aprovem essa ideia.
— Ah, é verdade. Acho que sim. Então pode ser só nós dois... ah, quero dizer, pelo menos para começar, sabe?
— Tudo bem. É só me avisar quando quiser.
Ao perceber que eu não havia recusado, mas concordado sem a menor hesitação, Hasebe abriu um sorriso verdadeiramente feliz.
*
Eram seis e meia da tarde. O acampamento do segundo dia havia sido estabelecido na Área B7 e, assim que a decisão foi tomada, os estudantes começaram a se movimentar com eficiência já bem treinada. Mochilas foram deixadas no chão, ferramentas foram retiradas, e o ritmo silencioso dos preparativos espalhou-se pelo local.
Quando éramos alunos do primeiro ano, montar uma base era uma tarefa extremamente difícil. Agora, independentemente de serem meninos ou meninas, todos haviam se acostumado muito bem com aquilo.
— Finalmente os movimentos deles estão começando a parecer apropriados, não acha? — comentou Morishita, cruzando os braços com um ar de autoridade. — Na minha opinião, ainda têm um longo caminho pela frente, mas suponho que devo elogiá-los por terem chegado tão longe sendo apenas estudantes do ensino médio.
Uma postura bastante ousada para alguém que não havia feito absolutamente nada além de observar desde o primeiro dia.
— Ayanokoji-kun, você recebeu uma chamada pelo rádio. É da Nishikawa-san, da sua turma. Pode atender?
O supervisor se aproximou transmitindo o recado enquanto estendia um rádio comunicador em minha direção. Aceitei imediatamente e coloquei o fone no ouvido.
— Será que aconteceu algum problema? — especulou Morishita em voz alta. — Que inconveniente.
— Desculpe, mas pode acender a fogueira no meu lugar? — pedi.
— Eeeek.
Ativei a trava de segurança do isqueiro utilitário e o entreguei a Morishita, que havia feito uma pequena piada — eu acho — mantendo sua habitual expressão inexpressiva.
— Bem, deixe isso comigo — declarou Morishita solenemente. — Vou garantir que a cama de Ayanokoji Kiyotaka seja reduzida a cinzas.
— Isso quase certamente resultaria em expulsão, então, por favor, leve isso a sério.
Fiquei um pouco preocupado, mas não podia deixar Nishikawa esperando. Decidindo confiar nela, deixei o isqueiro em suas mãos.
"Desculpe pela demora."
No instante em que respondi, Nishikawa foi direto ao assunto, com o tom carregado de sua energia habitual.
"Oi, Ayanokoji-kun! Você tem um minuto? Tem uma coisa sobre a qual eu queria pedir sua opinião."
Pedir minha opinião? Será que havia acontecido alguma coisa?
"O que foi?"
"Eu estava começando a ficar um pouco preocupada com a quantidade de tokens dos outros grupos. Você não está preocupado também, Ayanokoji-kun?"
"Claro que isso está na minha mente. Estou especialmente preocupado com Shiraishi e os outros que acabaram no grupo do Ryuen. Em circunstâncias normais, não acho que eles cometeriam um erro capaz de zerar seus tokens, mas, neste caso, nem isso é garantia."
A possibilidade de eles caírem em alguma armadilha e chegarem a zero, mesmo que apenas por um instante, não podia ser completamente descartada.
"Mesmo que ninguém tenha chegado a zero, alguém pode estar em uma situação perigosa por estar muito próximo disso."
"Tem algum estudante específico com quem você está preocupada?"
O tom dela praticamente entregava a resposta, mas fingi não perceber.
"Quero saber como a Asuka está."
Talvez percebendo que eu já havia enxergado através dela, Nishikawa abandonou qualquer tentativa de disfarce e foi direto ao ponto. Pelo visto, ela carregava a mesma preocupação que eu desde o início. Para descobrir a quantidade exata de tokens de uma pessoa específica, só existiam dois métodos totalmente confiáveis: encontrá-la pessoalmente ou entrar em contato pelo rádio.
O primeiro dependia muito da sorte. O segundo consumia tokens preciosos. Nenhuma das duas opções era simples.
"Ligar diretamente para a Shiraishi não resolveria o problema?"
"Ela é uma garota muito gentil. Mesmo que estivesse em apuros, sinto que esconderia a verdade de mim. Mas você é o líder da turma, Ayanokoji-kun. Acho que ela responderia honestamente para você."
"Entendo. É verdade que a única forma de confirmar a quantidade exata de tokens dela sem encontrá-la pessoalmente é pelo rádio. Infelizmente, não tenho intenção de desperdiçar um token apenas para isso. Também não aprovo a maneira como você está usando o rádio agora."
"...Mas e se ela realmente estiver em apuros?" insistiu Nishikawa.
Eu havia carregado minhas palavras com um leve tom de repreensão, mas a voz de Nishikawa permaneceu completamente inabalável.
"Ela pode estar desesperadamente esperando por ajuda" acrescentou.
"Você realmente não quer ver a Shiraishi ser expulsa, não é?"
"Claro que não. Ela é uma amiga muito querida."
"Talvez seja verdade. Mas muitos outros alunos compartilham exatamente os mesmos sentimentos e laços. "Não quero que ele seja expulso" ou "Quero protegê-la"... você não é a única que pensa assim, Nishikawa."
"Foi justamente por isso que vim pedir seu conselho", respondeu ela. "Sinceramente, estou perfeitamente disposta a usar meus próprios tokens para entrar em contato com ela. Mas isso pode acabar sendo um desperdício e, mais importante, eu não quero prejudicar a harmonia da turma. É por isso que estou perguntando."
"Então, se eu disser "não" agora, você vai obedientemente se conter?"
"Não sei..."
Talvez Nishikawa também já soubesse qual seria minha resposta, pois murmurou aquilo de forma evasiva, mas com um toque de irritação.
"A forma como você usa seus tokens pessoais depende de você. Se realmente precisa saber como a Shiraishi está, não tenho o direito de impedi-la. No entanto, confirmar a quantidade de tokens dela agora só lhe dará uma breve sensação de alívio. Na verdade, se descobrir que ela realmente está em dificuldades, sua ansiedade apenas aumentará."
Se isso acontecesse, ela inevitavelmente voltaria a usar o rádio algumas horas depois para contatar Shiraishi novamente, desperdiçando ainda mais tokens. Sua concentração no exame seria fragmentada, reduzindo sua eficiência. Levando isso em consideração, mesmo que Shiraishi quisesse tranquilizá-la, certamente não diminuiria o número de tokens que possuía ao informar sua situação.
"Shiraishi é extremamente capaz. Você não acha que as chances de ela terminar em último lugar são bem baixas neste momento?"
"Não vou negar isso. Mas não existem garantias absolutas, certo?"
"Suponho que dependa de contra quem ela esteja competindo."
"Se ela estiver com poucos tokens restantes, preciso fazer alguma coisa."
"Está preparada para protegê-la mesmo que isso signifique se sacrificar?"
"Nem pensar. Isso é impossível. Não faria sentido a Asuka continuar nesta escola se eu fosse expulsa", respondeu Nishikawa sem a menor hesitação. "Mas, se for para proteger a Asuka, não me importo que outra pessoa seja sacrificada."
"Está dizendo que, num pior cenário possível, eu deveria sacrificar alguém que não fosse você nem a Shiraishi?"
"Exatamente. Foi precisamente por isso que fizemos de você o líder, Ayanokoji-kun. Porque acredito que você seja capaz de tomar decisões impiedosas por nós."
Ao que tudo indicava, a pequena "consulta" de Nishikawa carregava muito mais peso do que eu havia imaginado inicialmente.
"Desculpe, mas eu tenho minha própria forma de fazer as coisas."
"Está dizendo que... não vai ajudá-la?"
"Meu papel não é decidir se devo ou não salvar a Shiraishi. Meu papel é garantir que nunca cheguemos a uma situação em que sejamos obrigados a fazer esse tipo de escolha binária."
"Isso é reconfortante", disse Nishikawa. "Mas isso também significa que, se chegarmos ao limite, não fazemos ideia de qual decisão você realmente tomará."
"Se não consegue confiar em mim, então terá de resolver isso por conta própria. Se conseguir acumular mais tokens do que qualquer outra pessoa, existe a possibilidade de salvar a Shiraishi sozinha."
"Ei, Ayanokoji-kun. Você não acha que nossa turma não importa, acha? Porque, se você for secretamente um espião da Classe A, isso realmente não teria graça."
Com um tom frio e acusatório, ela lançou aquelas palavras contra mim sem qualquer piedade.
"Não vou dizer que seja tarde demais para levantar essa questão agora", respondi. "Sei que levará tempo para conquistar a confiança de todos."
"Acho que sim. Ainda não consigo confiar completamente em você. Então, se quer que eu chegue a esse ponto, coopere comigo. Entre em contato com a Asuka."
"Não pretendo repetir o que já disse."
"Certo... Que pena, mas parece que nosso tempo acabou. Vou me conter hoje, mas não prometo nada sobre amanhã."
Dizendo isso, Nishikawa encerrou a chamada.
— Obrigado.
Devolvi o rádio ao supervisor. Em seguida, voltei imediatamente minha atenção para Morishita, que supostamente deveria estar ocupada acendendo a fogueira.
— O que exatamente você está fazendo?
— Eeeek.
— Não, esqueça isso.
Em vez de estar segurando o isqueiro que eu havia acabado de lhe entregar, Morishita estava agachada no chão, desenhando algo na terra.
— Achei que deveria deixar uma mensagem de despedida — explicou. — É um retrato do culpado.
— Não faço ideia de quem deveria ser essa pessoa, mas, mais importante, tenho quase certeza de que pedi para você acender a fogueira.
— Ah, detalhes como esse não têm importância alguma — respondeu Morishita. — Vai dar no mesmo se Ayanokoji Kiyotaka fizer isso agora. Sinta-se à vontade para queimar tudo o que desejar.
Dizendo isso, levantou o pé, pegou o isqueiro sobre o qual estava apoiada e o estendeu para mim. O bico estava apontado diretamente para o meu rosto. Assim como uma tesoura, o bom senso ditava que ferramentas desse tipo fossem entregues de maneira que não oferecessem perigo ao destinatário. Mas, claramente, ela não se importava. Para piorar, seu dedo repousava diretamente sobre a alavanca de ignição.
No momento em que estendi a mão, relutante, para pegá-lo, ela apertou o gatilho de repente, tentando acender o isqueiro bem diante do meu rosto. No entanto, nada aconteceu.
— Uma falha de ignição?! — exclamou ela.
Naturalmente, o isqueiro não acendeu. Eu havia ativado a trava de segurança antes de entregá-lo.
— Você é uma pessoa perigosa, sabia?
— Foi uma brincadeira, é claro — respondeu ela. — Eu sabia que a trava estava ativada. Só queria assustá-lo.
— Saber que a trava está ligada não justifica tentar acender um isqueiro apontado para alguém.
— Mais importante — disse Morishita, ignorando completamente o assunto sem demonstrar qualquer reflexão —, o que você estava discutindo com Ryoko Nishikawa?
— Ela disse que estava preocupada com a Shiraishi e queria que eu verificasse como ela estava. Quando me recusei, me acusou de ser um espião da Classe A.
— Oh-ho. Uma observação bastante perspicaz da parte dela. Admito que eu mesma estava começando a alimentar essa mesma suspeita novamente. A teoria de que "Ayanokoji Kiyotaka é um espião da Classe A".
— É mesmo?
— Observando você de perto nesses últimos dois dias, não consigo deixar de sentir que tem demonstrado uma preocupação especial com Kushida Kikyo. Parece ir muito além da simples preocupação com uma ex-colega de classe.
— Entendo. Então é assim que parece para alguém de fora?
— Sem dúvida. Aliás, esse "até para alguém de fora" é praticamente uma confissão! Você acabou de dizer "até para alguém de fora". Eu ouvi isso!
Ela exibiu um sorriso presunçoso, parecendo exatamente uma detetive que acabara de encurralar um criminoso.
— É verdade que Kushida Kikyo parece ser bastante capaz por mérito próprio — continuou Morishita. — Mas, ainda assim, vocês dois têm estado próximos demais. A ponto de eu começar a pensar seriamente: "Cê tá apaixonado por ela ou alguma coisa assim, mano?"
Por que ela mudou repentinamente para um jeito tão informal de falar? Melhor dizendo, por que agora ela parece uma delinquente?
— Deixe-me perguntar uma coisa. Mesmo que esse fosse o caso, isso causaria algum problema? — perguntei.
— E eu lhe devolvo a pergunta: você realmente acha que não causaria?
— Qualquer um pode ver que Kushida é uma estudante excepcional — respondi. — Nem você pode negar isso. Portanto, não há dúvida de que ela é a pessoa mais adequada para manter este grupo funcionando sem problemas. A existência ou não de sentimentos românticos é completamente irrelevante.
— Se o que você deseja é um estudante excepcional, então por que não aquele tal de Sanada, ou aquele tal de Katsuragi? Não existe necessidade de limitar isso exclusivamente à Kushida Kikyo, existe?
— Passei dois anos na mesma turma que ela. Tenho uma compreensão muito mais clara das capacidades de Kushida.
— Porque ela é uma ex-colega de classe, você diz? Ora, ora, que suspeito. A trama está ficando cada vez mais interessante. Quase parece que você correria para protegê-la de uma tal Shinohara e seus amigos se a situação apertasse. Vou deixar uma coisa bem clara: não darei nem um único dos meus tokens para você, seu ladrão.
Eu já havia resolvido adequadamente a questão dos tokens daquele dia, mas parecia provável que ela continuasse me pressionando sobre isso a partir de amanhã.
— Interprete da forma que quiser.
— Bem, fique tranquilo. Não vou ficar brava porque você olha para Kushida Kikyo através de lentes cor-de-rosa e a favorece descaradamente. Desde que minha segurança esteja garantida, estou perfeitamente disposta a fingir que não vejo nada. Portanto, certifique-se de me priorizar acima daquele tal Sanada e daquele tal Yoshida.
No fim das contas, tudo o que importava para Morishita era garantir a própria segurança.
— Ainda assim, você realmente usa muito esse negócio de "tal pessoa". Estou pensando nisso há algum tempo, mas, se você não sabe os nomes próprios deles, não há necessidade de forçar o uso do nome completo, não acha?
— Então permita-me lhe fazer uma pergunta — respondeu Morishita. — O que você faria se houvesse trinta pessoas na turma com o sobrenome Yamada? Se você gritasse: "Ei, você aí, Yamada!", trinta garotos e garotas se virariam ao mesmo tempo. Seria um caos absoluto! Não seria muito mais conveniente saber se você quis dizer Yamada Jirou ou Yamada Hanako?
Embora Yamada fosse realmente um sobrenome comum, não era exatamente o mais frequente do país. Um cenário em que trinta pessoas da mesma turma compartilhassem o mesmo sobrenome era praticamente impensável.
Já fazia bastante tempo desde que conheci Morishita, mas eu ainda não conseguia entendê-la.
— Ayanokoji, vem aqui um instante.
Yoshida ergueu a voz e fez um gesto para que eu me aproximasse. Uma sombra pairava sobre sua expressão, levando-me a suspeitar que, logo após minha conversa com Nishikawa, outro problema havia surgido.
— Vamos, Morishita.
— Não, obrigada — respondeu ela imediatamente. — Pode ser algum assunto problemático, e eu prefiro evitar esse tipo de coisa. Permanecerei aqui acendendo a fogueira. Por favor, me empreste isso.
Dizendo isso, arrancou o isqueiro da minha mão. Deixá-la responsável pela fogueira parecia extremamente arriscado, mas decidi confiar nela só desta vez. Em seguida, fui rapidamente até Yoshida para descobrir o que estava acontecendo.
— Não gosto de me meter nos problemas dos outros, mas a Shinohara está passando dos limites — murmurou ele, apontando discretamente com o queixo para os membros da Classe A, reunidos em um grupo fechado. — Parece que ela distribuiu tokens para Wang e Ike, mas não deu um único para a Kushida.
— A Kushida não recebeu nenhum? Por quê? — perguntei.
Ao que tudo indicava, o drama interno da Classe A, que deveria permanecer em segredo, já havia vazado. Se foi a própria Shinohara quem deixou escapar, se Kushida manipulou a situação habilmente para espalhar a informação, ou se tudo veio de outra fonte, eu não podia dizer. De qualquer forma, não havia sentido em tentar descobrir o responsável naquele momento.
A certa distância, Katsuragi e vários alunos da Classe D que aparentemente haviam ouvido os rumores já estavam se aproximando da Classe A. Uma discussão parecia estar começando, e eu já podia ver a raiva estampada no rosto de Shinohara.
— Acho melhor irmos até lá — disse Yoshida.
Ele começou a correr, e Sanada e eu o seguimos imediatamente.
— Vocês também estão aqui? Que diabos está acontecendo? — Shinohara direcionou imediatamente sua irritação para Yoshida antes de lançar um olhar afiado em minha direção.
— Ouvi dizer que você não está dando tokens para a Kushida — disse Yoshida. — Só porque é a representante não significa que pode fazer o que quiser.
— Isso não tem nada a ver com você, Yoshida-kun — rebateu Shinohara. — Nós, da Classe A, temos nossas próprias estratégias e estamos fazendo de tudo para descobrir a melhor forma de vencer. Não sei se vocês estavam espionando ou o quê, mas cuidem da própria vida. Não se metam em assuntos de outra turma.
Seu contra-argumento era perfeitamente válido. Em circunstâncias normais, Yoshida e os outros realmente não tinham o direito de interferir.
— Mas estamos no mesmo grupo — insistiu Yoshida. — Pare de prejudicar a harmonia.
— E quem exatamente está prejudicando as coisas aqui? — retrucou Shinohara. — Se mudarmos nossa estratégia por causa de vocês e acabarmos perdendo, vocês vão assumir a responsabilidade?
— Isso...
Diante daquela resposta contundente, Yoshida vacilou e deu um passo para trás. Eu, por outro lado, dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós.
— O quê? — disse ela, encarando-me com um olhar duro e inabalável. — Você também tem alguma reclamação, Ayanokoji-kun?
Seus olhos demonstravam uma cautela ainda maior em relação a mim do que haviam demonstrado em relação a Yoshida.
— Se Horikita descobrisse isso — falei —, sua posição não ficaria um pouco ameaçada?
— Hã? Isso é uma ameaça? — zombou ela. — Isso não tem nada a ver com você, Ayanokoji-kun.
— Se isso fosse uma estratégia legítima para garantir a vitória, eu poderia entender. Mas o que você está fazendo é colocar sua autopreservação e seus ressentimentos pessoais acima de tudo.
— A Satsuki não é esse tipo de pessoa! Vocês simplesmente não entendem ela!
Intervindo para proteger a namorada, Ike se colocou bem diante de mim. Ele praticamente fervia de raiva, irradiando uma intensidade que fazia parecer que poderia me agarrar pela gola a qualquer momento.
Sonoda e Morofuji, que observavam de mais longe, também pareciam ter percebido a escalada da tensão. Atraídos pela confusão, começaram a se aproximar.
— Talvez você realmente esteja executando isso como uma estratégia legítima — continuei. — Mas, para quem está observando de fora, não parece nada disso. Parece que você está abusando da autoridade de representante para reprimir e controlar alguém mais competente do que você. Parece que, no pior cenário possível, está disposta a salvar a própria pele mesmo que isso signifique empurrar Kushida para o abismo.
— Está brincando comigo? Que acusações absurdas são essas?! — disparou Shinohara. — Eu me tornei representante pelo bem da Classe A e estou administrando tudo para que possamos vencer. Pare de inventar histórias baseadas nas suas próprias especulações distorcidas!
Desde que este grupo havia sido formado, um ressentimento latente persistia entre nós. Naturalmente, confrontá-la com uma rejeição tão direta de seus métodos só poderia provocar hostilidade.
Nesse momento, voltei meu olhar para Katsuragi, que observava a situação de lado, e para os dois alunos da Classe B que haviam se aproximado às pressas.
— Já que estamos falando disso — continuei —, também tenho algumas dúvidas sobre a política da Classe B. Não estou dizendo que um sistema de recompensas baseado no desempenho seja inerentemente ruim. Mas, quando ele é aplicado de forma tão explícita e ostensiva, confesso que não me causa uma impressão particularmente positiva.
Sonoda, claramente sem esperar ser envolvido na discussão, franziu a testa irritado.
— E o que diabos isso quer dizer? — retrucou. — Alguém de outra turma não tem o direito de criticar nossa política. E, para ser sincero, especialmente você.
Um traidor de classe. Era óbvio que eles não tinham a menor intenção de aceitar conselhos vindos de alguém que já havia rompido com a Classe A.
— Isso mesmo! Isso não é assunto para um estranho se meter, Ayanokoji! — aproveitou Ike, rapidamente se alinhando ao lado de Sonoda e tentando arrastar o representante deles para a discussão. — Não é, Katsuragi?
— É verdade que isso não é da conta dele. Mas o mesmo vale para você e para a Classe A, Ike — respondeu Katsuragi em tom pesado.
Incapaz de aceitar ser colocado no mesmo grupo que Shinohara, ele deixou sua insatisfação evidente.
— Estou fazendo minhas avaliações da forma mais justa possível e distribuindo os tokens entre os três membros do meu grupo de acordo com isso. Mas, como Ayanokoji apontou, Shinohara está controlando completamente os tokens da Classe A de acordo com seus caprichos. Isso não é justo.
— Não, não, é completamente diferente! A Satsuki está administrando as coisas do nosso lado para que a gente não perca. A estratégia é redistribuir tudo corretamente no momento certo. Você ao menos prestou atenção na explicação? — reclamou Ike, como se dissesse: e eu ainda me dei ao trabalho de virar seu aliado.
— Se esse é realmente o caso, então vocês deveriam agir de uma forma que de fato convença a Kushida disso.
Diante das palavras de Katsuragi, Shinohara soltou uma risada debochada.
— Isso não vale exatamente para você também, Katsuragi-kun? Você pode dizer com confiança que a Ibuki-san está totalmente convencida pelos seus métodos?
Como Ibuki não estava em lugar algum, era seguro presumir que ela estava extremamente insatisfeita com as políticas de Katsuragi.
— Talvez você tenha razão….
Recebendo o contra-ataque inesperado de Shinohara, Katsuragi desviou o olhar, deu um tapinha no ombro de Sonoda e recuou.
— Viram só? — disse Ike, elevando a voz. — O resto de vocês, caiam fora! Não atrapalhem a gente!
Após suas palavras, os alunos da Classe D começaram a se afastar. A Classe C logo fez o mesmo.
Dentro do Grupo 3, desalinhamentos irreversíveis nas engrenagens já começavam a se formar gradualmente devido ao choque entre as políticas dos representantes. De um lado estava Kushida, que vinha tendo um desempenho satisfatório, mas não havia recebido sequer um token por causa da administração de Shinohara. Do outro estava Ibuki, incapaz de agir como desejava e, por isso, recebendo apenas uma quantidade miserável de tokens aos poucos.
É claro que Kushida simplesmente ainda não havia recebido sua distribuição, então sua situação não era completamente idêntica à de Ibuki. No entanto, como suas chances de receber a parte que lhe cabia dependiam inteiramente das mãos de Shinohara, as duas garotas ocupavam posições surpreendentemente parecidas quando se tratava da ansiedade que sentiam.
Sem dúvida, dentro do Grupo 3, aquelas duas eram as principais candidatas a terminar em último lugar.
— Que grupo maravilhosamente harmonioso nós somos.
Ao procurar a origem do comentário, vi Morishita observando a situação de longe.
A fogueira ainda não havia sido acesa.
*
Depois de um intervalo marcado pela inquietação e, mais tarde, de um jantar transcorrido sob a mesma atmosfera tensa, mais duas tarefas foram anunciadas, assim como havia acontecido no dia anterior.
A categoria era Equipe.
Nessas tarefas, a Classe A conseguiu um resultado respeitável ao ficar em segundo lugar nas duas ocasiões, mas, naturalmente, Shinohara não deu qualquer sinal de entregar tokens para Kushida.
Embora uma leve expressão de ansiedade surgisse ocasionalmente em seu rosto, Kushida mantinha externamente a postura de alguém que confiava plenamente em Shinohara.
A estudante conhecida como Kushida Kikyo era o tipo de pessoa gentil com todos, sempre alegre e profundamente confiante nos outros. Do ponto de vista dos alunos das demais classes, a impressão que ela transmitia não era tão diferente da de Ichinose. Por causa dessa imagem cuidadosamente construída, ela não podia simplesmente expor suas reclamações em público e exigir: "Não posso confiar em você, Shinohara. Então me entregue meus tokens"
Esse era exatamente o objetivo de Shinohara, e parecia que Kushida estava sendo explorada com sucesso.
Caminhei até onde a Classe A estava reunida e a chamei.
— Preciso falar com você por um instante.
— Que diabos você quer, Ayanokōji? O que está tramando?
Ike imediatamente se levantou e se colocou no meu caminho, como se estivesse protegendo Kushida.
Mais precisamente, imaginei que estivesse fazendo aquilo para impedir que alguém interferisse nas políticas de Shinohara como representante. No entanto, longe de agradar sua namorada, sua postura agressiva parecia estar produzindo exatamente o efeito oposto, já que Shinohara parecia bastante descontente com ele.
— Só vim conversar com ela como um colega do Grupo 3 — respondi.
— Você acha que essa desculpa vai colar? — retrucou Ike. — Desculpa, mas a gente não confia em você.
— Eu não estava falando com você, Ike.
Passei por ele antes de continuar:
— Kushida, há distrações demais aqui. Que tal irmos conversar em outro lugar?
Ao meu convite, Kushida levantou-se lentamente.
— Você não pode ir — advertiu Shinohara. — Sabe que isso vai parecer um ato de traição, não sabe?
— Está tudo bem, Satsuki. Eu não vou deixar ela ir — disse Ike antes de se voltar para Kushida, suavizando imediatamente o tom de voz. — Kikyo-chan, a gente definitivamente não vai te tratar mal nem nada do tipo, então não deveria se envolver com o Ayanokoji. Não fazemos ideia do que ele está planejando.
— Está tudo bem, Ike-kun.
Kushida desviou o olhar de mim e lhe ofereceu um sorriso gentil.
— As pessoas têm falado todo tipo de coisa, mas eu acredito em todos da Classe A. Eu acredito em você, Ike-kun.
Ao dizer isso, ela passou o olhar de Ike para Shinohara, depois para Mii-chan, antes de voltar a encarar Ike.
— Especialmente você tem cuidado de mim esse tempo todo. Sou realmente muito grata por isso.
— S-Sério? — A expressão de Ike relaxou. — Bem, quer dizer, isso é natural, já que somos aliados.
Ele soltou uma risadinha e esfregou um dedo sob o nariz de forma constrangida. Porém, ao notar Shinohara lançando um olhar mortal em sua direção, recuperou imediatamente a expressão séria.
— Então, sinto muito, Ayanokoji-kun, mas não posso ir com você — disse Kushida.
Movendo os lábios para formar um silencioso "bem-feito", em um ângulo que Shinohara não podia ver, Ike me enxotou.
— Parece que você levou um fora daqueles — provocou Yoshida, que havia assistido à cena perto das barracas.
— É natural que a Classe A tenha cautela com você, Ayanokoji-kun — acrescentou Sanada. — Se eu estivesse na posição deles, imagino que teria agido de forma parecida. Embora, é claro, eu não tivesse sido tão hostil.
— Mas por que você está tão preocupado com a Kushida? — perguntou Yoshida. — Quero dizer, eu até sinto pena dela, mas, como eles disseram, isso não é exatamente um assunto no qual outra classe deveria meter o nariz.
— Eu simplesmente não consigo deixá-la sozinha.
— Espera... — Os olhos de Yoshida se estreitaram levemente. — Não me diga que...
— Então você finalmente percebeu? — comentou Morishita. — Parece que nosso querido Ayanokoji Kiyotaka nutre sentimentos simplesmente extraordinários por ela.
— Ah, cara... — disse Yoshida, levando uma mão à testa.
Sem responder aos dois enquanto eles se exaltavam com suas próprias suposições, afastei-me e segui para minha barraca antes deles.
Agora, não apenas Shinohara e Ike, mas também Yoshida e os demais haviam percebido completamente meu comportamento incomum.
Isso era um grande ganho para mim. Ibuki e Kushida. As candidatas que eu pretendia expulsar desta escola. Até depois de amanhã, seus destinos estariam selados.
📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag
💬 Quer acompanhar os próximos lançamentos, dar sugestões e trocar ideia com a gente?
Entre no nosso servidor do Discord e faça parte da comunidade! 🚀
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios