Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 3 - Volume 3

Capítulo 5: Aliança

NO EVENTO das uma da tarde, as zonas restritas não se expandiram — apenas surgiram novos lançamentos de suprimentos espalhados pelo mapa.

Após sofrermos uma derrota direta contra a Classe B, começamos imediatamente a nos mover para o leste. Nosso objetivo era entrar em contato com a Classe D, que havia se concentrado em torno de M10. Enquanto isso, a turma de Ryuen confirmou nossa retirada e voltou a se dividir em três grupos, dispersando-se para o sul a fim de recolher a grande quantidade de suprimentos espalhados por aquela região.

A incógnita continuava sendo Koenji. Depois de lançar seu ataque inesperado mais cedo, ele passou as horas em torno do meio-dia vagando sozinho pelas proximidades de B8 e B9. Para todos os efeitos, era até possível que estivesse aproveitando um mergulho tranquilo no mar.

Um desenvolvimento favorável para nós, da Classe C, foi o surgimento de caixas de munição em K12 e L13. Mesmo em plena retirada, tínhamos suprimentos que podíamos assegurar com relativa segurança, o que nos permitiu recuperá-los sem riscos desnecessários.

Então, às três da tarde, o terceiro evento do dia foi anunciado. No tablet da analista, um novo anel inteiro de quadrados externos foi sombreado de cinza.

Como a maioria já previa, a área utilizável estava encolhendo em círculos concêntricos.

Em resposta a isso, uma hora depois, a Classe A fez seu movimento. Após vasculhar os territórios do norte, começaram a convergir para o centro, entre os setores F e G, posicionando-se para entrar na zona segura antes da restrição das cinco horas e das seguintes.

Já a Classe D, igualmente cautelosa com o avanço do perímetro, pareceu julgar a rota norte arriscada demais. Assim, começaram a se deslocar apressadamente de volta ao centro pelas áreas N13 e N14.

Nesse ritmo, era apenas uma questão de tempo até que o caminho deles cruzasse com o nosso. Paramos como grupo, aproveitando um último momento para confirmar nossas posições.

Percebendo a inquietação ainda estampada em alguns rostos, Hashimoto deu um passo à frente para se dirigir à turma.

— Ainda bem que o Ayanokoji levantou a questão da aliança mais cedo — disse ele. — Se a ideia de uma aliança não já estivesse em pauta, não haveria chance alguma de isso se concretizar a essa altura do exame.

Se fosse a Ichinose, talvez ela tivesse considerado seriamente uma aliança mesmo numa situação desesperadora. Hashimoto, porém, não demonstrou sequer essa linha de pensamento. Em vez disso, elogiou minha proposta como uma oportunidade única na vida. Ainda assim, muitos ali não haviam comprado totalmente a ideia.

— Mas isso vai funcionar mesmo? — perguntou um aluno, dando voz ao medo coletivo. — E se eles simplesmente nos derem o golpe final enquanto estamos feridos?

— Relaxa — respondeu Hashimoto com facilidade. — O Ayanokoji vai cuidar das negociações. Dito isso, é óbvio que somos o lado mais fraco. Se a Classe D fizer exigências, provavelmente vamos ter que engolir a maioria delas.

Como éramos nós que estávamos pedindo ajuda, a maioria da turma não teve escolha senão engolir suas reservas e aceitar a situação.

— Sendo bem sincero, eu ainda não estou totalmente convencido — admitiu outro colega. — Mas, pensando friamente, a Classe C nunca foi muito boa nesse tipo de exame. Enfrentando gente como o Ryuen ou o Sudou, eu sempre tive a sensação de que acabaríamos sendo superados. Se no fim vamos ficar em terceiro ou quarto de qualquer jeito, então formar uma aliança — custe o que custar — para garantir o segundo lugar não me parece totalmente errado… mas…

Ele deixou a frase morrer no ar. Claro, isso não mudava o fato de que estaríamos, na prática, abrindo mão de disputar o primeiro lugar. Não era algo que desse para celebrar sem ressalvas.

Ainda assim, sair com o segundo lugar a partir dessa posição seria um compromisso mais do que aceitável.

— Mas se formos nós a ceder a vitória — acrescentou outra pessoa —, dá mesmo para confiar que a Ichinose vai cumprir a parte dela no próximo exame especial?

Esse parecia um ponto mais apropriado para eu responder do que o Hashimoto, então intervenho.

— Se vocês observaram a Ichinose nem que seja um pouco, devem saber que ela é alguém confiável — disse. — E, mais importante, não há benefício real para a Classe D em nos trair só porque ganharam este exame. Ficar em primeiro uma vez não os eleva automaticamente à Classe A. Por outro lado, romper uma aliança de forma tão leviana traria consequências muito maiores do que eles poderiam arcar. Uma turma construída sobre confiança ruiria por dentro.

Foi exatamente por isso, expliquei, que eles jamais romperiam a aliança de forma unilateral.

— Entendi — murmurou ele.

Ao reduzir a recompensa imediata, estávamos, na verdade, diminuindo o risco de cair para as posições inferiores. E, se o objetivo era empurrar as atuais Classes A e B para baixo, então não era uma estratégia ruim. Mesmo que o rótulo de "Classe D" grudasse temporariamente em nós, o mais importante era diminuir a distância até o topo.

— Então, a Classe D e a Classe C formam uma aliança e ficam em primeiro e segundo lugares — resumiu um aluno. — Se esse resultado for garantido, estamos de acordo com a aliança. Pode ser assim?

— Sim, isso já basta.

Resultados acima de aparências. Com ou sem o nome de "aliança", o objetivo mais importante era garantir que não perdêssemos. E, naquele breve intervalo de tempo, meus colegas refletiram e optaram por aceitar. A palidez que tomara conta dos rostos de todos após o confronto com a Classe B começou, pouco a pouco, a se dissipar.

Ainda assim, as pessoas eram criaturas imprevisíveis. O próprio Hashimoto, que se voluntariara para convencer os outros sobre a aliança, não havia eliminado completamente suas dúvidas. Assim que os olhares ao redor se desviaram, ele se aproximou de mim e baixou a voz.

— Isso vai dar certo mesmo, né?

— O quê, ainda está inseguro quanto à aliança? — perguntei, lançando-lhe um olhar de soslaio.

Ele fez uma careta, claramente desconfortável, e desviou o olhar.

— Não. Esquece o que eu disse. Foi você quem falou que aceitaria ser expulso se perdêssemos. Se eu não confiar no que você está fazendo depois disso, qual seria o sentido?

Considerando sua natureza desconfiada, a reação de Hashimoto era compreensível.

— Está tudo bem — respondi. — Na verdade, você se posicionar de forma tão ativa é um ponto positivo para mim, não negativo. Se tiver preocupações, pode expressá-las à vontade. E sempre pode vir falar comigo.

— Acha mesmo? Bem… ouvir isso me ajuda.

Depois disso, continuamos caminhando, fazendo pausas pelo caminho, por mais trinta minutos. Quando nos aproximamos da divisa entre L13 e M13, chegou a informação do comandante: a Classe C e a Classe D já estavam praticamente à vista uma da outra.

— Vamos parar por aqui — disse. — Eu vou sozinho à frente para resolver as coisas.

Entreguei minha arma ao Matoba. Hashimoto fez o mesmo, como se estivesse se preparando mentalmente, e também passou a dele. Então passos apressados se aproximaram, e ele se colocou ao meu lado.

— Eu vou com você, e não tente me impedir — disse, com a voz firme. — Se eles abrirem fogo sem aviso, talvez eu consiga ao menos servir de escudo. Se você — o líder — sobreviver, ainda teremos chance de vencer.

— Agradeço a intenção.

Se a Ichinose pretendesse me trair, ela esperaria até atrair toda a Classe C sob o pretexto de uma aliança. A chance de eles abrirem fogo agora era praticamente nula. Ainda assim, não havia motivo para descartar a coragem e a determinação de Hashimoto, então permiti que ele me acompanhasse.

— Então estamos completamente indefesos agora — observou Hashimoto. — Se atirarem, acabou pra nós.

— Não seria diferente mesmo se estivéssemos armados — respondi. — Tentar resistir contra números esmagadores só levaria ao mesmo fim.

— Verdade.

Sob os olhares ansiosos dos colegas que ficaram para trás, começamos a avançar em direção à posição da Classe D.

*

 

Após atravessarmos a floresta por mais cinco minutos, finalmente chegamos ao destino.

— Parem.

Uma muralha de figuras emergiu entre as árvores. Eles certamente estavam acompanhando os dois pontos no GPS que se aproximavam lentamente de sua posição.

Liderados por Kanzaki, dez rapazes da Classe D estavam lado a lado, formando um escudo humano para os colegas escondidos atrás deles. Dez armas estavam apontadas para nós, os canos firmes, sem vacilar.

— Ora, ora, que recepção calorosa — comentou Hashimoto, soltando uma risada seca. Não havia como se esconder dali, muito menos escapar.

— Não temos intenção de atacar — disse calmamente, erguendo ambas as mãos. Hashimoto imitou o gesto, mostrando que estávamos desarmados.

— Difícil dizer — respondeu Kanzaki, da linha de frente. — Vocês ainda podem ter aliados escondidos por perto.

— Sem chance — rebateu Hashimoto de imediato. — Vocês estão de olho no GPS o tempo todo, não estão?

— Isso só vale se o comandante de vocês não estiver usando uma tática — veio a resposta imediata. — Você sabe tão bem quanto nós.

— Nah, ou se falsifica o GPS inteiro ou o GPS de um indivíduo — retrucou Hashimoto. — Uma coisa ou outra. Não tem como congelar o sinal de todo mundo e deixar só alguns se moverem livremente.

— Mas até três indivíduos podem ser tratados separadamente.

Ele tinha razão. Não dava para negar a possibilidade de termos usado a tática de Interferência Individual de GPS em três aliados ocultos, posicionando-os em emboscada em algum ponto atrás de nós.

O verdadeiro temor da Classe D não éramos nós dois, mas sim três inimigos armados e invisíveis. Talvez isso não fosse suficiente para virar o jogo do exame inteiro, mas era a única chance real de causar danos sérios.

— E o que três pessoas fariam contra esse número todo de vocês? — pressionou Hashimoto.

— Se vocês desativassem o GPS global neste exato momento, esse número não se limitaria a três. Ou estou errado?

— Toque certeiro.

A resposta afiada de Kanzaki deixou claro que ele havia considerado inúmeras formas pelas quais poderíamos estar enganando-os.

— Mas, na realidade — continuou Hashimoto —, não temos nenhuma intenção de entrar em conflito com a Classe D. Só estamos pedindo uma chance de conversar.

— Não há necessidade disso. — Kanzaki deu um passo à frente, a arma ainda erguida. — O Ryuen pegou vocês desprevenidos, e vocês perderam de novo na luta desta manhã, não foi?

— Então vocês nos viram no nosso pior momento, é isso? — suspirou Hashimoto.

— Se eliminássemos vocês dois aqui e agora, as chances de ficarmos em último lugar cairiam bastante. É uma oportunidade perfeita.

— Talvez, se você estiver olhando apenas para este exame — respondi. — Mas nos derrotar não garante que vocês consigam vencer a Classe A e a Classe B. O objetivo deveria ser uma colocação alta, não apenas evitar o último lugar. Você entende isso sem que a Ichinose precise explicar, não entende?

Mesmo com o golpe que o Koenji havia desferido, a Classe B já havia acumulado uma valiosa experiência de combate. Era duvidoso que a Classe D conseguisse pressioná-los apenas com números.

— Vamos trabalhar juntos — disse. — Se fizermos isso, a Classe C e a Classe D podem formar um grupo de quase cinquenta pessoas.

— Uma aliança, hein?

A expressão de Kanzaki se fechou.

— E se confiarmos em vocês, só para sermos traídos depois? Isso colocaria toda a nossa turma em risco.

Apesar das palavras duras, não senti uma hostilidade inflexível nele.

— É por isso que eu deveria recusar — continuou. — Pelo menos, uma parte de mim quer dizer isso e mandar vocês embora. Mas… posso confiar em você, certo?

A atmosfera mudou. Ficou claro — ele já entendia exatamente por que estávamos ali. Ichinose, como comandante, certamente havia avisado com antecedência.

— Precisamos da ajuda da Classe D agora — disse sem rodeios. — E acreditamos que também podemos nos tornar uma força de que a Classe D precisa.

No instante em que terminei de falar, Kanzaki baixou a arma. Como se aquilo fosse o sinal, os outros rapazes atrás dele fizeram o mesmo, abaixando os canos em uníssono.

— Traga o resto dos seus colegas — disse Kanzaki. — Vamos conversar. Como vocês pediram.

— Bom, ainda bem que não levamos um tiro — murmurou Hashimoto. — Mas, mesmo assim… vocês estão sendo cooperativos demais. Até demais.

Sem conseguir imaginar a conversa que já devia ter ocorrido entre Ichinose e a Classe D, Hashimoto não conseguiu afastar a suspeita de que aquilo tudo pudesse ser uma armadilha elaborada.

— A Ichinose nos avisou que a Classe C poderia se aproximar mais cedo ou mais tarde — explicou Kanzaki. — E nos advertiu para não atacar em hipótese alguma — não importa o quê — a menos que vocês atirassem primeiro.

— Sério? Ela realmente previu isso? — Os olhos de Hashimoto se arregalaram.

— Ela também mencionou a possibilidade de uma aliança. Com isso em mente, um pedido de cooperação não era exatamente improvável.

Quando o olhar de Hashimoto alternou entre Kanzaki e mim, respondi com um leve aceno de cabeça.

*

 

Várias horas antes de a Classe C e a Classe D entrarem em contato e tentarem formar uma aliança.

A Classe B e a Classe C estavam presas em uma disputa por suprimentos na área G11.

Ichinose observava o confronto em silêncio pelo tablet.

Desde o impasse tenso a curta distância até o início do tiroteio, o confronto em si durou apenas um breve intervalo. Ainda assim, foi decisivo o suficiente para produzir um vencedor claro — e um perdedor igualmente claro. Após confirmar a retirada desordenada da Classe C para sudeste no mapa de GPS, Ichinose pegou o tablet e se levantou da cadeira de acampamento ao lado de sua barraca.

Era agora o segundo dia do exame. Ela conferia o GPS a cada atualização de cinco minutos, acompanhando os movimentos da Classe C com quase a mesma obsessão com que monitorava os da própria turma. Com isso, a imagem mental que tinha do líder deles, Ayanokoji, tornava-se mais nítida a cada hora. Depois do ataque surpresa da Classe B no primeiro dia, que os havia deixado seriamente enfraquecidos, a Classe C fora forçada a recuar, ficando presa na região sul, próxima à sua base.

E esse último ataque — uma tentativa desesperada de garantir ao menos um lançamento de suprimentos — também terminara em fracasso. Visto de fora, parecia que haviam cometido dois grandes erros em sequência.

Observando tudo isso, o que Ichinose pensava?

O que mais permanecia em sua mente era a falha incomum de cautela de Ayanokoji — e a forma desajeitada com que a batalha havia sido conduzida.

— Do nosso ponto de vista, é até conveniente que eles estejam se chocando entre si — comentou uma voz pelo rádio. — Mas é bem duro para a Classe C, não é?

A VIP designada, Kobashi, continuou:

— O melhor é manter distância por enquanto, certo? Seguir o plano?

Era a abordagem mais segura. Cada classe mantendo seu espaço, focando apenas na coleta de suprimentos. Combate apenas quando fosse absolutamente inevitável.

Era a opção mais correta — a estratégia ortodoxa.

— Se isso continuar assim… a Classe C pode perder — murmurou Kobashi.

— Não é verdade — respondeu Ichinose, em tom suave.

— Hã? Como assim, não é verdade? O que você quer dizer—

Ichinose sorriu levemente, e sua voz soou calma pelo rádio.

— O Ayanokoji-kun não vai perder. Não… eu não vou deixar que ele perca.

Com isso, ela começou a explicar novamente, em detalhes cuidadosos, a conversa que já tivera com Ayanokoji sobre uma aliança.

— Quer dizer que vamos ajudar a Classe C? — perguntou Kobashi, surpresa evidente na voz.

Sem negar a pergunta, Ichinose continuou no mesmo tom tranquilo.

— Se absorvermos a Classe C, nos tornamos a maior força da ilha. Nem mesmo alguém tão agressivo quanto o Ryuen-kun atacaria imprudentemente um grupo com mais de cinquenta pessoas. O mesmo vale para a Classe A.

Se isso acontecesse, as Classes A e B seriam forçadas a se enfrentar. Se o primeiro lugar estivesse fora de alcance, mudariam o foco para garantir o segundo — arrastando a outra para o terceiro.

— Preciso que você passe isso para todo mundo na turma, e que eles entendam — instruiu Ichinose. — Diga a eles que o Ayanokoji-kun fará contato com a Classe D em breve. E quando isso acontecer, não devemos, sob nenhuma circunstância, atacar primeiro.

Mesmo através do chiado do rádio, ela conseguia imaginar Kobashi correndo para encontrar Kanzaki, transmitindo a mensagem com gestos apressados. Ele poderia até querer se opor, mas Ichinose sabia que não o faria.

Confiando que sua turma estava preparada para receber os visitantes, ela se levantou da cadeira e fitou o ícone que representava a localização atual da Classe C.

— Sim.

Ichinose apertou o tablet contra o peito, seus pensamentos fluindo naturalmente em direção a Ayanokoji.

— Entendo, Ayanokoji-kun. Sei exatamente no que você está pensando.

Mais do que qualquer outra pessoa, ela sempre tentava sincronizar seus pensamentos com os dele.

— Ichinose-san? — a voz de Kobashi voltou pelo rádio. — O Kanzaki-kun pediu para eu perguntar… só para termos certeza: isso é realmente para o bem da nossa classe? Ele está preocupado, vendo o quão mal a Classe C tem se saído…

— Essa é uma preocupação desnecessária — respondeu Ichinose sem hesitar. — Porque o Ayanokoji-kun é—

Sua voz baixou um pouco enquanto falava ao rádio, compartilhando com calma a conclusão a que já havia chegado.

*

 

Com hesitação — e uma cautela que beirava a desconfiança aberta —, os alunos da Classe C se integraram ao acampamento da Classe D. Eu imaginava que seria difícil para os dois grupos se entrosarem rapidamente; no pior dos cenários, previa que essa trégua desconfiada se estenderia até o fim do exame. No entanto, minhas expectativas foram rapidamente — e agradavelmente — desmentidas.

Essa era a força singular da Classe D — a cultura de confiança que Ichinose havia cultivado com tanto cuidado.

Diante dos membros cautelosos da Classe C, relutantes em baixar a guarda, os estudantes da Classe D puxaram conversa, tratando-os com uma familiaridade descontraída, como se estivessem de volta ao campus. Eles procuravam ativamente diminuir a distância entre colegas que raramente interagiam.

Em uma situação em que sua superioridade numérica lhes dava todo o direito de assumir o controle, eles nos trataram como iguais absolutos. Esse simples gesto começou a destrancar os corações que a Classe C mantivera firmemente fechados, e a vigilância deles se dissolveu com uma rapidez surpreendente.

É claro que a confiança completa não se constrói em um instante. Ainda assim, eles transmitiam uma sinceridade tão genuína que era difícil não pensar que, se fosse essa a classe que acabaria por te trair, talvez fosse uma perda aceitável.

— O charme da Classe D… é realmente algo diferente, não é? — comentou Shiraishi, com uma admiração contida, ao observar nossos colegas começarem a se misturar.

— Eu também estou surpreso — respondi com sinceridade. — É um tipo de força que você nunca perceberia apenas olhando para rankings ou resultados de provas.

— Para uma aliança funcionar — continuou Shiraishi, em tom calmo —, a relação precisa ser de igualdade. Se quem detém o poder tenta oprimir os outros de cima, ou se um lado se torna excessivamente submisso, ou se a desconfiança se espalha sem controle, tudo desmorona na hora. Contra a Classe A ou a Classe B, isso teria sido impossível.

— A notícia de que as Classes C e D se uniram provavelmente já foi repassada pelos comandantes aos VIPs — acrescentei. — A esta altura, enfrentar a aliança C–D, agora a maior força da ilha, não será nada fácil.

Mesmo assim, não era hora de relaxar. Se algo, a situação exigia ainda mais cautela.

— Como você acha que as duas classes do topo vão avaliar essa situação? — perguntou Shiraishi.

— Se estivermos falando apenas de desejo — respondi —, eu gostaria que elas entrassem em conflito longe de nós, enquanto permanecemos intocados. Mesmo com vantagem numérica, se a Classe A ou a Classe B nos enfrentar diretamente, perderíamos mais da metade do nosso pessoal. Então, a classe restante chegaria e levaria a vitória.

Mas essa lógica valia para todos. Do ponto de vista de qualquer classe, ser a primeira a atacar era uma aposta perigosa. Naturalmente, nenhuma delas teria facilidade em dar o primeiro passo.

*

 

Segundo dia, 18h.

Ao longo do caminho, garantimos blocos nutritivos, dois quilos de arroz branco, enlatados e um conjunto de cinco novas tigelas e copos de plástico — cuidadosamente embalados com cinco pares de hashis descartáveis.

Quem ficaria com o arroz branco foi decidido em um justo jogo de pedra-papel-tesoura, com uma única condição: quem ganhasse precisava aceitar o prêmio. Eu fui um dos vencedores e aceitei, com gratidão, minha porção da refeição quente.

O céu do entardecer tingia-se de laranja atrás de mim enquanto um fio de vapor branco subia da tampa da marmita apoiada na fogueira. O suor se acumulava na minha mão enquanto eu avaliava o calor, esperando. Logo, o leve estalo do arroz tostando ecoou pela floresta silenciosa, até desaparecer.

Levantei a tampa, e uma nuvem perfumada de vapor se espalhou. Sob o sol que se punha, o arroz recém-cozido parecia brilhar.

Quando eu já estendia a mão para pegar os hashis, Shibata — que observava à distância havia algum tempo — apertou os lábios e finalmente se aproximou.

— E–Ei, Ayanokoji. Desculpa incomodar antes do jantar, mas… tem um minutinho?

— Tudo bem — respondi. — O que foi?

— A–Ah… bem, já que agora somos aliados e tal… eu só queria… sabe, dar um oi direito, eu acho… — gaguejou, desviando o olhar enquanto coçava a cabeça com força. — Olha, eu sei que isso é meio fora de hora, mas… hum…

— Pode falar — disse. — Não precisa se segurar.

Ao ouvir isso, os olhos esquivos dele finalmente encontraram os meus.

— O que eu queria perguntar é—!

No exato momento em que ele parecia criar coragem e abrir bem a boca, passos se aproximaram por trás.

— Desculpa, Shibata. Você pode nos dar um momento? — A voz era calma, mas firme. — Preciso falar com o Ayanokoji.

Kanzaki surgiu ao nosso lado, segurando uma marmita vazia. Ele havia liderado a distribuição de comida mais cedo.

— A–Ah! S–Sim, claro, sem problema nenhum! — disse Shibata às pressas. — Até depois, Ayanokoji…!

Como se estivesse fugindo, Shibata saiu correndo do local.

— Precisa de alguma coisa? — perguntei.

— Esqueci de mencionar algo importante. Sobre a cadeia de comando daqui para frente — Ichinose nos instruiu a deixar todas as decisões inteiramente nas suas mãos.

— Entendo. Agradeço… mas você, pessoalmente, está de acordo com isso?

— Se eu concordo ou não é irrelevante. Ichinose é a nossa líder. Não há mais ninguém nesta classe que questione as ordens dela.

— É uma lealdade impressionante — comentei. Ou talvez suas presas já tivessem sido arrancadas, e eles simplesmente não se importassem mais com esse tipo de coisa. De qualquer forma, desde que tudo corresse bem, eu não tinha motivos para reclamar.

Mesmo depois de transmitir a mensagem, Kanzaki não fez menção de se afastar do meu lado.

— Ainda tem mais alguma coisa? — perguntei.

— Tem — respondeu Kanzaki após uma breve pausa. Seu olhar se tornou firme, como se finalmente tivesse decidido dizer algo que vinha guardando. — Há uma coisa que eu não consigo entender.

Ele respirou fundo e falou com cuidado.

— Por que você propôs uma aliança com a Classe D — um acordo que oferece tão pouco para você? Não entendo por que se daria ao trabalho de estender a mão para nós, dando-nos a chance de ascender.

— Não há nenhum motivo grandioso — respondi. — Fomos atingidos por um ataque surpresa da classe do Ryuen e perdemos quase metade dos nossos membros em um instante. Sem essa aliança, terminar em último neste exame especial teria sido inevitável. Sendo assim, a aliança claramente tinha sentido.

— Isso é olhar em retrospecto — rebateu Kanzaki de imediato. — Você já vinha planejando isso com a Ichinose muito antes do exame da ilha desabitada — não, antes mesmo de entrarmos no terceiro ano. Naquele momento, não vejo por que a Classe C precisaria de uma aliança. Alguém como você deveria ser capaz de se reerguer sozinho e disputar com as Classes A e B.

Kanzaki conhecia meu pai, Atsuomi Ayanokoji. Assim como o próprio pai dele, Kanzaki também o reverenciava. Inevitavelmente, essa admiração se estendia a mim — o filho que carregava o mesmo nome. Suas expectativas, portanto, eram elevadas.

— Você está me superestimando — disse de forma leve.

— Eu não sou idiota — respondeu Kanzaki. — Não apenas por causa de quem é seu pai, mas porque eu o observei por mais de dois anos. Gostando ou não, é óbvio. Você tem a capacidade de virar o jogo sozinho.

— Isso é estranho de ouvir. Fui emboscado pelo Ryuen e perdi metade dos meus colegas. E hoje de manhã, fiz uma aposta de tudo ou nada e, além de perder mais seis pessoas, não consegui garantir nenhum suprimento. Se isso não é superestimação, então não sei o que é.

— Claro que as pessoas não são perfeitas — disse Kanzaki. — Qualquer um pode julgar mal uma situação. Mais importante ainda, a Classe C simplesmente não foi feita para combates diretos.

— E é exatamente por isso que uma aliança pode ser vista como um seguro — respondi. — Mesmo que a Classe D cresça um pouco, isso não prejudica tanto a Classe C. Além disso, há outros benefícios. Se a Classe D não mostrar sinais de crescimento ao longo do ano, Horikita e Ryuen voltarão a concentrar a atenção em nós. Do nosso ponto de vista, é mais fácil quando essa atenção está dividida. Não estamos ajudando vocês de graça.

Embora a Classe C estivesse um passo à frente em capacidade geral, a realidade era que nós é que precisávamos de ajuda agora — e a Classe D foi quem a ofereceu.

— A Classe D ainda está em desenvolvimento — continuei. — Você deveria confiar no potencial dela.

— Em desenvolvimento? — repetiu Kanzaki. — Quando está uma volta inteira atrás?

— Temos tempo — respondi. — Se conseguirmos garantir o primeiro e o segundo lugar neste exame especial, a diferença acima de nós se torna quase insignificante. Isso é verdade, não é?

— Ainda parece algo fora de alcance… E, ainda assim, a Ichinose acredita claramente nisso. Ela acha que, com você, podemos realmente mirar nesse nível. Apesar das falhas repetidas, a confiança dela em você não vacilou.

Provavelmente foi essa confiança que a levou a entregar todo o comando. Terminei o último bocado de arroz e coloquei a tampa da marmita de volta em silêncio. Ao me levantar, fiquei ao lado de Kanzaki.

— Não basta apenas a Ichinose mirar a Classe A — disse. — Você precisa estar olhando na mesma direção que ela. Acima de tudo, precisa de confiança — e determinação.

— Confiança… e determinação… — murmurou Kanzaki.

— Se ainda não entende — continuei —, então precisa olhar com atenção para a paisagem daqui. Você pode até tentar negar, mas a força única que só esta Classe D possui está totalmente à mostra.

À nossa frente, alunos da Classe C e da Classe D conversavam livremente. A cautela inicial já havia desaparecido, e risadas e diálogos descontraídos ecoavam pelo acampamento.

— Você deveria tentar compreender o quão incrível é ser digno de confiança.

A Classe D detinha a vantagem numérica. Se quisessem, poderiam ter eliminado a Classe C com uma única emboscada bem executada. Se fosse a Classe A? Ou a Classe B? Não haveria espaço para alívio. Todos dormiriam com um olho aberto, sem saber quando seriam apunhalados pelas costas.

— Que tal aparecer na academia algum dia? — sugeri de repente.

— Isso surgiu do nada — respondeu Kanzaki, franzindo a testa. — Como chegamos nisso?

— É o que se chamaria de uma distância que é curta — e, ao mesmo tempo, distante — respondi. — Você deveria começar conhecendo melhor que tipo de pessoa a Ichinose realmente é. Não de longe, mas de perto.

Talvez eu não obtivesse uma resposta positiva de imediato, mas apenas plantar essa ideia em sua mente já era suficiente por enquanto.


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