Ano 3 - Volume 3
Capítulo 2: Ataque Surpresa
POR MAIS QUE minhas habilidades começassem a ser reconhecidas, a névoa persistente da desconfiança nunca se dissipou por completo. Se meus colegas nutrissem a menor dúvida em relação a alguma política, eram rápidos em levantar a voz em objeção.
No entanto, minha disposição de ir além do mero título de "líder" — de carregar a determinação de arriscar a própria expulsão — teve um impacto muito maior neles do que eu esperava.
E assim, a primeira estratégia que compartilhei com os colegas que haviam confiado a mim a condução desta batalha foi a seguinte: no momento em que o exame começar, seguiremos para o norte e cruzaremos o G8 antes de qualquer outra pessoa.
Designada ao ponto inicial E12, a Classe C seguiu minha liderança e começou a avançar em direção à nossa primeira área-alvo, espalhando-se apenas o suficiente para não oferecer um alvo fácil.
Movíamo-nos com cautela; posicionados entre o grupo de Ryuen a oeste e o de Horikita a leste, escapar desse cerco em pinça o mais rápido possível era crucial.
Avançar até F13, perto da sede, também era uma opção, mas, se as Classes A e B percebessem e nos perseguissem, correríamos o risco de ficar encurralados em D14, D15, E14 ou E15, sem espaço para manobrar.
Ainda assim, fugir não era uma opção.
Mesmo que a trilha na floresta tivesse sido parcialmente mantida, atravessar terreno desconhecido em disparada apenas consumiria stamina e aumentaria o risco de ferimentos. Um ritmo controlado era a única decisão sensata.
Menos de um minuto após o início do exame especial, recebemos nosso primeiro relatório por meio da VIP Nishikawa.
— Mensagem do Shimazaki-kun. Ele descobriu quem são os outros Comandantes.
Só podíamos ouvir Shimazaki pelo fone de ouvido unilateral conectado a cada transceptor. Sua voz não alcançava ninguém ao redor e, além da comunicação através dos três VIPs, ninguém mais tinha permissão para falar com ele. Cada transceptor operava de forma independente, o que tornava impossível a comunicação simultânea. Em qualquer momento, uma única pessoa precisava servir como elo exclusivo.
— Conte-nos — disse Hashimoto, aproximando-se de Nishikawa sem hesitar.
Nossa capacidade de identificar os papéis e as identidades de indivíduos fora da nossa própria classe era severamente limitada.
No entanto, os comandantes — todos os quatro — estavam centralizados na sede, tornando sua descoberta eventual inevitável. Esse relatório inicial era uma peça vital de inteligência sobre nossos adversários ainda invisíveis.
— A comandante da Classe A é a Matsushita-san, o da Classe B é o Kaneda-kun, e o da Classe D é… a Ichinose-san — retransmitiu Nishikawa.
Entre os líderes de classe, Ichinose era a única que aparentemente havia escolhido assumir pessoalmente o papel de comandante. Isso podia ter sido uma decisão estratégica ou talvez um processo de eliminação, considerando sua falta de destaque atlético e a aparente escassez de indivíduos capazes de desempenhar o papel de comandante de forma eficaz.
Quanto à Matsushita, sua nomeação foi ao mesmo tempo surpreendente e, em retrospecto, bastante apropriada.
A Classe A tinha vários alunos inteligentes, mas tendiam a ser estudantes exemplares convencionais, muito semelhantes a muitos da Classe C. Não eram particularmente habilidosos em explorar brechas estratégicas ou perceber anomalias sutis. Dentro desse grupo limitado, escolher Matsushita foi uma decisão acertada; ela parecia uma candidata adequada.
A escolha de Kaneda, por outro lado, podia ser descrita de maneira simples como segura e confiável. Era improvável que demonstrasse algum talento extraordinário, mas igualmente improvável que cometesse erros graves.
Pouco depois, a monotonia silenciosa de nossa marcha foi interrompida por uma leve vibração em nossos pulsos. O relógio tremeu apenas uma vez, antes de exibir a nova área: E11.
Um gesto pequeno, mas um lembrete claro de que havíamos cruzado para outra zona.
— Então é assim que você sabe quando mudou de área, é? Bem conveniente… embora depender só disso para viajar longas distâncias pareça um incômodo.
Saber sua localização e orientação pode levar você longe, mas manter um trajeto perfeitamente reto na prática é difícil, e desvios muitas vezes são inevitáveis. Viajar grandes distâncias sem apoio de comando é algo que deve ser evitado.
Enquanto continuávamos avançando, cinco minutos se passaram, trazendo a primeira atualização do GPS — um ponto importante, pois revelava como cada classe havia se reposicionado desde o início.
Desta vez, o relatório veio por meio de Takemoto.
Provavelmente haviam trocado de Nishikawa para ele apenas para confirmar que a comunicação via rádio estava funcionando sem problemas.
Depois de cerca de trinta segundos de vai-e-vem pelo rádio, Takemoto finalmente soltou um suspiro de alívio.
— Enfim, ele disse que podemos relaxar por enquanto. Todos os sinais de GPS da Classe B seguiram direto para o norte, até C11. E, ao que parece, a Classe A também avançou para o norte, entrando em G11.
— É bom não sermos jogados numa briga logo de cara — disse Hashimoto —, mas isso não significa que escapamos desse cerco em pinça.
Ele estava certo. Se as três classes simplesmente avançaram para o norte a partir de seus pontos iniciais, a situação tática mal havia melhorado.
— Mas pelo menos confirmamos que nem a Classe A nem a Classe B pretendem lutar desde o começo. Só isso já não é ruim — disse Takemoto, acrescentando que, se quisessem o caminho mais curto para o combate, já teriam começado a se aproximar da nossa posição.
— E a Classe D?
Ainda não havia nenhum relatório sobre o grupo de Ichinose — o que estava mais distante. Takemoto repetiu a pergunta pelo rádio e, pouco depois, uma resposta chegou. Ele se virou para nós enquanto a retransmitia.
— A Classe D está em J12 — então estão indo para o leste. Parece que a intenção deles é manter uma boa distância.
A posição inicial favorável provavelmente teve influência, mas essa também era uma escolha característica da classe da Ichinose.
Apenas com esse primeiro relatório, já ficava claro que a postura da Classe D era evitar confrontos desnecessários.
— Então não vamos aumentar o ritmo? — perguntou Hashimoto em voz baixa, caminhando logo atrás de mim. — Se a Classe A estiver indo para G8, eles podem chegar antes da gente.
— Mesmo que fizéssemos isso, eles perceberiam em cinco minutos — respondi. — Se notarem que aceleramos, a Classe A reagirá da mesma forma. Tudo o que isso faria seria aumentar o risco.
Além disso, neste estágio inicial, não estávamos nem perto o suficiente para ultrapassá-los dentro de um único ciclo de atualização. Provocá-los a uma corrida só elevaria a tensão e tornaria um confronto mais provável.
— E se uma luta começar na hora errada — murmurou Hashimoto —, a Classe B também pode acabar entrando…
— Exatamente — eu disse. — Não vamos dar às outras classes a chance de se aproveitar da situação.
Continuamos avançando para o norte, permanecendo na mesma zona.
Mais cinco minutos se passaram — totalizando dez minutos desde o início do exame.
— Ah… sim. Pode relatar — disse Nishikawa de repente, reagindo a uma voz que surgira no rádio.
Eu havia presumido que o próximo relatório iria para Shiraishi, mas não parecia ser o caso.
— E quanto aos movimentos das outras classes? Nada mudou? — perguntou Hashimoto por cima do ombro dela.
— Ah, desculpa, só um instante — respondeu Nishikawa pelo microfone e, em seguida, virou-se para Hashimoto. — Estou verificando agora.
A voz de Shimazaki entrou em seu ouvido direito, enquanto a de Hashimoto entrou pelo esquerdo. Sendo falada quase ao mesmo tempo, Nishikawa exibiu uma breve expressão de irritação, antes de voltar totalmente sua atenção para o rádio.
Hashimoto, gesticulando um pedido de desculpas — "foi mal, foi mal" —, foi imediatamente alvo de zombaria de Morishita, que apontou o dedo para ele com ar de deboche.
Apesar de este ser um grande exame especial, ainda não havíamos entrado numa situação em que o perigo imediato nos pressionasse. Por isso, esse tipo de clima era natural.
— Se a Classe A continuar apenas seguindo para o norte, a rota deles é previsível o bastante, mas a Classe B é a complicada. Eles realmente vão cortar pela encosta entre C7 e D6? É uma inclinação bem suave, claro, mas ainda assim… Ou será que vão parar em algum ponto no meio do caminho…?
Hashimoto murmurava enquanto analisava o mapa, traçando possíveis rotas com o dedo.
— Mas, no fim das contas, tudo depende de onde os eventos vão surgir, não é? Se estiverem concentrados ao sul, eles vão voltar. Se aparecerem a distâncias iguais de nós dois… e aí? — continuou, avaliando as variáveis que conseguia enxergar.
— Claro, isso depende do número de eventos e dos suprimentos que realmente conseguirmos obter — respondi. — Mas, com a comida de hoje já em falta, ignorar um evento com muita facilidade pode nos levar a uma situação da qual não conseguiremos nos recuperar.
Aguentar a fome por uma noite era possível, mas, no segundo dia, uma queda significativa de stamina inevitavelmente afetaria a movimentação, o combate e a saúde.
— Então, em outras palavras, Ayanokoji, se for necessário, você está preparado para lutar desde o início, certo?
— Sim. Se eu julgar que os suprimentos são necessários, iremos atrás deles sem hesitação.
Até então, eu havia sido vago quanto à nossa postura em relação a confrontos antecipados.
Ali, por meio de Hashimoto, deixei a política da classe explícita.
— Certo, obrigada. Vou avisar a eles — disse Nishikawa, ao terminar sua troca com Shimazaki, erguendo o olhar com um pequeno sorriso.
— Ele disse que a Classe A está avançando para o norte no mesmo ritmo. E os sinais de GPS da Classe B se afastaram um pouco de nós, indo para o noroeste. Perto de B10.
Com o mapa em mãos, Hashimoto imediatamente traçou a área correspondente e confirmou os detalhes. A comunicação com o Comandante era algo que não podíamos nos dar ao luxo de negligenciar. Com as classes se movendo em relativa proximidade, os dados de GPS — atualizados apenas a cada cinco minutos — eram indispensáveis.
— Se o grupo do Ryuen estiver indo em direção a B10, isso os coloca perto da costa. Não sei se continuarão para o norte, mas essa distância horizontal se abrindo é útil. Isso significa que a Classe A é a que precisamos observar por enquanto.
Nesse ritmo, a Classe A chegaria ao G8 por volta do momento em que nós entraríamos em F9.
Estaríamos concedendo a eles uma vantagem completa.
— Se eles estiverem à espreita, talvez não consigamos passar. Então, o que fazemos, Ayanokoji? — perguntou Hashimoto em voz baixa.
Havia várias opções. Poderíamos aumentar a velocidade e deixar que Matsushita percebesse a mudança na próxima atualização do GPS, fazendo com que a Classe A recuasse para evitar um choque direto.
Ou a Classe A poderia acelerar também, determinada a chegar primeiro — o que era o resultado mais provável. Nesse caso, deixar o grupo da Horikita assumir a dianteira ao reduzirmos o ritmo seria uma escolha viável.
Como alternativa, poderíamos recuar até o ponto inicial ou simplesmente parar e manter nossa posição atual.
— Se continuarmos indo direto para G8 sem pensar duas vezes, não estaremos apenas caminhando para uma luta em desvantagem?
— Sobre isso—
Justo quando eu estava prestes a explicar o plano, Yoshida se aproximou.
— Acho que entrar numa luta agora seria imprudente — afirmou. — Deveríamos parar um pouco e deixar a Classe A passar na frente. Não é como se perdêssemos algo ao deixá-los assumir a liderança, certo?
— Sim. Tudo depende de onde os eventos vão surgir — respondi. — Não há vantagem nem desvantagem neste estágio.
— Olha, eu vou seguir sua liderança se você decidir que vamos lutar — continuou Yoshida. — Mas não temos coisas mais urgentes para fazer antes disso? A maioria de nós mal sabe usar essas armas.
Ele não estava errado — esse era um problema compartilhado por toda a classe.
Era exatamente por isso que estávamos observando tão de perto a classe da Horikita, com quem nossos caminhos provavelmente se cruzariam… mas eles não eram os únicos que precisávamos vigiar.
— É por isso que deveríamos começar agora as lições de manuseio de armas — disse Yoshida. — Antes de qualquer outra coisa.
— Eu penso da mesma forma — acrescentou Morishita, puxando levemente a manga da minha roupa. Seus ombros subiam e desciam em respirações curtas e irregulares.
— Já está sem fôlego, Morishita? Você parece bem cansada.
— Não é isso! Eu só… talvez tenha exagerado um pouco esta manhã. Corri em velocidade máxima ao redor do navio por quase uma hora inteira. Acho que um pouco de fadiga acabou se acumulando.
Para alguém que se autodenomina a "Amazonas da Floresta Densa", ela certamente parece estar impondo um peso excessivo sobre os próprios ombros.
— Certo — eu disse. — Vamos deixar a Classe A seguir em frente. Por enquanto, vamos esperar aqui.
Hashimoto foi quem mais se surpreendeu com a decisão.
— Você está mesmo bem com isso? Concordou rápido demais.
Do ponto de vista dele, desde que evitássemos uma luta, não importava se entraríamos na área norte primeiro ou por último.
Mas o fato de eu ter aceitado tão prontamente a sugestão de um colega de classe parecia incomodá-lo. Ele temia que eu ainda não tivesse uma estratégia sólida em mente.
— Eu não decidi porque o Yoshida disse isso. Eu já achava que deveríamos parar e observar a situação.
— Ah. Então essa é a sua decisão…
Hashimoto murmurou as palavras para si mesmo, como se estivesse confirmando algo internamente. Aquilo pareceu tranquilizá-lo — ele não levantou mais objeções.
Virei-me para encarar os colegas que vinham logo atrás de nós.
— Dez minutos se passaram, e já começamos a ter uma noção das intenções de cada classe. Nosso objetivo inicial era ser os primeiros a cruzar o G8, mas vamos alterar esse plano. Primeiro, ficaremos aqui e aprenderemos a manusear corretamente nossas armas. Quando estivermos realmente preparados para lutar, verificaremos o GPS novamente e traçaremos uma nova rota a partir daí.
— Por mim, tudo certo. Duvido que alguém vá reclamar — disse Hashimoto.
Mudar o foco — de avançar para se preparar para o combate — pareceu aliviar a tensão do grupo. Yoshida em especial, mas também muitos outros, mostraram-se aliviados.
Eles começaram imediatamente a checar suas armas de paintball, ajudando uns aos outros a entender o funcionamento dos mecanismos.
Ainda assim, por mais simulações que se façam na cabeça, há lições que só podem ser aprendidas em combate real.
Até o momento em que você realmente puxa o gatilho, o abismo entre teoria e prática permanece — e o verdadeiro peso da situação continua fora do alcance.
Cinco minutos se passaram rapidamente enquanto nos concentrávamos no treinamento, e mais uma atualização do GPS chegou — desta vez relatada por Shiraishi.
A classe do Ryuen havia se deslocado um pouco mais para o noroeste, mas o movimento foi mínimo. O ritmo deles havia diminuído. A classe da Horikita, por outro lado, manteve a velocidade e já havia passado por G10, aproximando-se de G8 de forma constante, pelo trajeto esperado.
Apenas a classe da Ichinose havia se comprometido totalmente com o caminho a leste.
— Nova atualização do Shimazaki-kun — anunciou Shiraishi. — Um sinal de GPS da Classe A se separou dos outros. Está se movendo em direção a H9. Sabe o que isso significa?
— H9? Sozinho? — Hashimoto franziu a testa. — Isso só pode ser o Koenji, né?
H9 era uma região montanhosa. Mesmo que ele tivesse se afastado sozinho apenas para apreciar a paisagem, não seria nada surpreendente.
— Se ele não estiver levando o exame a sério, ótimo para nós… mas e se ele estiver realmente motivado desta vez? Como no exame da ilha do ano passado? O que fazemos com isso?
Hashimoto olhou para mim em busca de uma resposta — esperando que o ex-colega de classe esclarecesse o comportamento do Koenji. O exame da ilha desabitada envolvendo todas as séries, realizado no ano anterior. Koenji ter ficado em primeiro lugar completamente sozinho foi um choque que nenhum aluno do segundo ou do terceiro ano havia esquecido.
— Não posso afirmar com certeza — comecei —, mas, se falarmos do comportamento habitual dele, Koenji não tem motivação alguma. No ano retrasado, no primeiro exame da ilha desabitada, ele simplesmente aproveitou a ilha por um tempo e depois se retirou por conta própria, sem oferecer à classe a mínima cooperação. Era típico — em praticamente todos os exames, ele agia como bem entendia.
— O ano passado foi a única exceção — continuei. — O próprio Koenji propôs à Horikita uma condição de "liberdade total até a formatura". Se ele ficasse em primeiro lugar, ela reconheceria isso. Em contrapartida, ela também o fez prometer que, se ficasse em segundo ou abaixo, cooperaria no próximo exame.
Hashimoto soltou uma risada curta.
— Então, basicamente, a Horikita fez ele contribuir com a classe… e perdeu a aposta. Nem em sonho ela imaginaria que ele ficaria em primeiro lugar sozinho. Isso significa que agora ele está livre — completamente. Sinceramente, isso é um grande alívio para nós.
— É verdade — concordei. — Se o Koenji realmente participasse, as coisas não correriam bem.
Ainda assim, não havia provas de que o sinal isolado de GPS pertencesse de fato ao Koenji. Ele não era do tipo que cooperava voluntariamente, mas pontos privados poderiam mudar seu comportamento. Se alguém oferecesse uma recompensa pessoal além dos incentivos do exame, ele poderia decidir ajudar.
Até eu ver a classe da Horikita com meus próprios olhos, qualquer conclusão seria precipitada.
— Não seria melhor o comandante usar uma tática? — sugeriu Sanada, referindo-se à habilidade de identificação concedida aos comandantes.
Hashimoto balançou a cabeça.
— Não. Melhor guardar isso. Pode ser uma estratégia para nos fazer desperdiçar nossas Táticas. Além disso, se ele só estiver brincando, seria um desperdício usar isso nele.
Uma unidade isolada agindo de forma independente — havia 90% de chance de ser o Koenji.
Rastreá-lo no tablet não seria difícil, a menos que ele se reunisse novamente com a Classe A. Mas, quando chegasse às seis da tarde, o GPS não seria atualizado novamente até às nove da manhã seguinte.
— Faça o comandante identificar o GPS do aluno que começou a agir sozinho — eu disse.
— Tem certeza? É quase certo que seja o Koenji, sabia?
— Não tem problema. Encare isso como um teste.
Shiraishi assentiu e deu instruções a Shimazaki para ativar a tática no aluno que havia se separado da Classe A. Em breve saberíamos o resultado.
Antes que esse resultado retornasse, pedi a Nishikawa que transmitisse outra mensagem.
— Nishikawa. Entre em contato com o Shimazaki para mim.
— Hã? Agora? Enquanto ele está no meio de uma conversa com a Asuka?
— Não importa. Tente contatá-lo.
— Mm, tá bom.
Nishikawa operou o rádio — apenas para retirar o fone de ouvido instantes depois, balançando a cabeça em negativa.
— Não consigo contato — murmurou, com uma expressão confusa.
— Entendo. Quando o comandante está falando com um dos VIPs, o sistema considera a linha ocupada, então ninguém mais consegue se conectar.
— Ah, então é isso… Você queria testar isso.
Em outras palavras, a conexão era basicamente individual. Como os VIPs estavam em locais diferentes, não podiam conversar ao mesmo tempo, o que os obrigava a desligar e reconectar a cada comunicação.
Ou seja, a rede de comunicação era estritamente um-para-um. Se os VIPs estivessem em posições diferentes, conversas simultâneas eram impossíveis, forçando-os a encerrar e restabelecer a conexão todas as vezes. Um sistema bastante primitivo.
— Então, depois que ele terminar de falar com a Shiraishi, quero que você transmita uma mensagem.
— Então você realmente tem algo para dizer a ele. Certo, o que devo falar?
— Até que um evento comece, quero atualizações a cada cinco minutos sobre os movimentos das três classes. A partir disso, dependendo do conteúdo do evento, se a situação se estabilizar, faremos uma breve pausa para descanso.
O GPS era atualizado a cada cinco minutos, mas contatar o Comandante em todas as ocasiões só criaria desgaste desnecessário. Sem um fim à vista, tanto o Comandante quanto os VIPs se esgotariam rápido demais.
— Entendido. Vou avisar.
Nishikawa colocou o fone de ouvido de volta na orelha direita, reformulou minha mensagem com suas próprias palavras e a transmitiu com clareza para Shimazaki.
Pouco depois, Shiraishi — que acabara de encerrar sua ligação — se aproximou de nós.
— O sinal de GPS em H9 foi confirmado. Era mesmo o Koenji-kun — relatou. — O papel designado a ele é "Guarda".
— Então era ele mesmo. Só nos resta torcer para que ele brinque um pouco e depois desista — murmurou Hashimoto.
— Entendido. Vamos seguir em frente — respondi, mudando o foco. Incluindo o manuseio das armas, havia uma questão que eu precisava resolver primeiro.
— Vamos definir nossa formação quando a classe se mover em conjunto. Dependendo da largura do caminho, duas a quatro pessoas poderão andar lado a lado. Quanto à posição dos VIPs: Shiraishi na fileira da frente, Takemoto no meio e Nishikawa na retaguarda. Um em cada fileira, para distribuir o risco.
Dividi toda a classe em três grupos, espelhando a separação dos VIPs.
Hashimoto ficou como o principal guarda na frente, Kitou protegendo a retaguarda. A fileira do meio foi composta principalmente por aqueles com menor mobilidade ou capacidade de combate.
— Ei, a Nishikawa não ficaria melhor na frente? Ela se move até que bem — sugeriu Hashimoto.
— Eu considerei isso, mas também é importante colocar alguém que possa reagir instantaneamente na retaguarda. Além disso, a Shiraishi não é boa em levantar a voz, e ela não alcança muito longe. Já a Nishikawa consegue.
Se precisarmos nos comunicar à distância, mensagens inaudíveis se tornam um risco.
— Entendi. Então as vantagens superam em muito as desvantagens.
— Nossa prioridade é evitar que a classe seja eliminada de uma só vez. Mesmo que nos separemos para um evento ou nos dispersemos sem querer, centralizar os movimentos em torno de cada VIP tornará o reagrupamento mais fácil.
Nesse momento, Morishita se aproximou com uma arma na mão.
— Não aprecio ser colocada na fileira do meio, Ayanokoji Kiyotaka. Eu sou uma das principais forças desta classe.
— Não acredito que você veio até aqui só para reclamar, Morishita… O meio combina com você — disse Hashimoto, exasperado, afastando-a com um leve gesto da mão.
— Rebaixar-me e colocar um traidor na linha de frente… Parece que fomos presenteados com um líder incompetente. Vamos, Yamamura Miki.
— E-Eu estou… na fileira da frente… — murmurou Yamamura timidamente.
— Oh? Nomear não apenas um traidor, mas também um papel fino como linha de frente. Isto é desesperador.
Estou levando uma bela bronca só por decidir a formação. Resmungando, ela voltou para a fileira do meio e então olhou para trás, balançando a cabeça de forma teatral.
Ignorei.
Por meio da Shiraishi, enviamos a Shimazaki todos os detalhes da formação — incluindo as posições dos VIPs. Isso o ajudaria a decidir quem contatar conforme a situação evoluísse.
*
Vários minutos se passaram.
Os guardas se agruparam entre si, com vozes se sobrepondo em uma incerteza deliberada, retomando o mesmo assunto repetidas vezes — ora ajustavam a postura, ora mudavam a empunhadura, examinando cada ângulo em busca da melhor forma de segurar e mirar suas armas.
Enquanto isso, voltei minha atenção para o livro de regras, passando os olhos pela seção que descrevia as penalidades graves.
Penalidades Graves
(Para cada infração descoberta, a classe perderá 100 Pontos de Classe e, em casos severos, o aluno será expulso.)
Atos de violência, imobilização ou destruição/roubo da arma de outro aluno.
Atacar intencionalmente após ter sido declarado OUT.
Roubar ou tomar itens de outra classe.
Fornecer informações falsas em resposta a questionamentos da escola.
Qualquer comportamento que comprometa os fundamentos do exame especial.
Mashima-sensei já havia mencionado verbalmente que atacar após ser declarado OUT — ou atacar fora do horário permitido — só seria punido se fosse feito de forma deliberada.
Mas, mesmo que alguém fingisse que não foi intencional, o ataque não eliminaria o alvo; o sistema simplesmente o invalidaria. Tentar abusar de brechas era inútil. Se alguém realmente quisesse encontrar um caso limite, até poderia conseguir — mas o risco superava em muito qualquer benefício.
A escola deixara sua posição clara: as regras seriam aplicadas sem concessões. Justamente porque o exame da ilha desabitada continha áreas "cinzentas" inerentes, onde a fiscalização era difícil, aquela cláusula final — comportamento que comprometa os fundamentos do exame — existia para reprimir qualquer ambiguidade.
Nessas condições, até mesmo Ryuen evitaria ações que flertassem com o limite.
— Ayanokoji! Atualização do Shimazaki! A Classe A está prestes a entrar no G8!
— Entendido, então essa é a situação da classe da Horikita. E o resto? — Hashimoto foi o primeiro a reagir ao novo relatório do comandante.
— Espere… antes disso. O sinal de GPS do Koenji já chegou ao I9.
— I9? Ele é rápido pra caramba.
Só o Koenji conseguiria atravessar trilhas montanhosas como se fossem terreno plano.
— E a classe do Ryuen?
— Um segundo. Shimazaki, qual é a situação da Classe B?
Hashimoto buscava uma resposta do comandante com impaciência, mas, como sempre era necessário passar por um VIP como intermediário, a eficiência de tempo era baixa.
— Não poder falar diretamente com o comandante é mais incômodo do que eu imaginava.
Frustrado com a espera inevitável, Hashimoto soltou um suspiro.
— O exame mal começou. Ainda não é hora de entrar em pânico — murmurou Morishita, sentada no chão e completamente em descanso, sem sequer olhar para Hashimoto.
— Este exame especial é numa ilha desabitada, então as recompensas são enormes. Além disso, se formos atingidos pela penalidade de eliminação, alguém será expulso. É difícil não ficar tenso, sabe?
— O Ayanokoji Kiyotaka disse isso, mas, no fim das contas, a única opção é o Hashimoto Masayoshi — acrescentou Morishita.
— Pare de decidir isso sozinha. Alguém cala essa garota — Ayanokoji, diga alguma coisa pra ela — reclamou Hashimoto.
…………
— E-Ei, Ayanokoji? Não me diga que… se perdermos, você está mesmo planejando me usar como sacrifício—?
— Relaxa. Não vou fazer isso.
— É bom não estar mentindo. O que foi essa pausa agora? Pra que foi essa pausa?
— Eu só entrei na brincadeira.
— Você está falando a verdade, né……..?
— Parece que alguém ficou mais assustado do que esperava.
Hashimoto esboçou um sorriso torto, lançando um olhar irritado para Morishita, que continuava se intrometendo.
— A Classe B parece ter parado também — informou Takemoto, e Hashimoto assentiu uma vez.
— Faz sentido. Eles provavelmente ficaram aliviados em ganhar distância do Ayanokoji. Assim como nós, devem estar usando esse tempo para traçar estratégias. E ensinar ou não técnicas de uso das armas vai fazer uma diferença enorme depois. Aposto que ficaram apavorados achando que avançaríamos para o oeste em direção a eles.
A classe da Ichinose também parecia ter parado, talvez para discutir os próximos passos. Pedi a Takemoto que avisasse o comandante de que não precisávamos de relatórios sobre a Classe D por enquanto, a menos que houvesse movimentos significativos.
Pouco depois, uma transmissão do comandante chegou até Shiraishi.
— Ele disse que vai relatar algo que descobriu a partir do pedido do Ayanokoji-kun — transmitiu Shiraishi, antes de voltar a ouvir a voz que vinha pelo rádio.
— Ao que parece, os comandantes estão proibidos de se contatar durante o exame. Nada de conversas pessoais, nada de mensagens codificadas. Além disso, a função de captura de tela do tablet não funciona — qualquer tentativa salva uma imagem completamente preta.
— Então, quando você falou com o Shimazaki antes de sairmos, era isso que estava perguntando — disse Hashimoto.
— Eu queria saber se os comandantes tinham alguma liberdade fora da autoridade que lhes foi atribuída — expliquei. — Pelo visto, eles estão sendo monitorados de forma muito mais rígida do que imaginávamos.
— Provavelmente porque, apesar de compartilharem a mesma sede física, o sistema trata cada comandante como se estivesse isolado — acrescentei.
Camadas e mais camadas de restrições.
— Além disso — continuou Shiraishi —, parece que cada marcador de GPS no mapa do tablet pode ser rotulado individualmente. Até mesmo os marcadores de outras classes podem receber anotações. Então ele marcou o sinal isolado em I9 com o nome do Koenji-kun.
— Entendido. Agradeça ao Shimazaki por mim e diga a ele que nos contate a qualquer momento se notar algo — respondi.
Após confirmar, Shiraishi deu um passo para trás. Retirei meus óculos de proteção e avancei com o fuzil de assalto em mãos, posicionando-me onde todos pudessem me ver claramente.

— Quando o evento começar, estaremos em movimento constante. E dependendo da qualidade dos suprimentos, a probabilidade de combate aumentará gradualmente. Então, agora, antes que isso aconteça, vamos aproveitar o tempo para revisar o manuseio correto das armas.
Os rostos ficaram tensos de atenção enquanto continuei.
— Após a aula, quero que um guarda — alguém que não tenha confiança para lutar — entregue temporariamente sua arma para cada VIP, um por vez. Depois, a cada algumas horas, faremos uma rotação. Sempre mantenham uma arma com um VIP.
Toba franziu a testa.
— O quê? VIPs não podem usar armas… espera. Esse é o ponto, não é?
Ele entendeu rapidamente.
— Exatamente. Uma das formas mais fáceis de identificar um VIP é ver quem não pode usar uma arma. Em um combate repentino, o inimigo vai mirar primeiro no estudante desarmado.
Um murmúrio percorreu a formação. Um VIP sem uma arma era um ponto fraco óbvio. Ao rotacionar os rifles entre eles, desfocamos essa distinção.
Claro, isso significa que um guarda a menos estará funcional durante um combate, mas quero incorporar isso como uma forma de seguro, incluindo o elemento de distração.
— Então, dessa forma, o inimigo não vai conseguir descobrir facilmente quem são os VIPs — disse Hashimoto.
— Isso mesmo. Mas, ao entregar uma arma para um VIP, retire o carregador e verifique a câmara a cada vez. Quero que a chance de eles dispararem reflexivamente durante uma emboscada seja zero.
— Hm, o que é isso? A câmara? — perguntou Toba.
— A câmara da bala. Mesmo que você retire o carregador, pode sobrar um cartucho. Vamos inspecionar a estrutura interna da arma de tinta mais tarde, mas estabelecer essa rotina agora vai evitar erros.
Usando o fuzil de assalto em minha mão, demonstrei: retirei o carregador, verifiquei a câmara, garantindo que estava vazia. Depois, entreguei o fuzil para Toba e guiei suas mãos, certificando-me de que ele praticasse até o movimento se tornar natural.
— Você sabe surpreendentemente bem sobre isso — murmurou ele, depois de praticar algumas vezes. — Até parece natural segurando a arma.
— O Ijuin, da classe da Horikita, me ensinou muito sobre essas armas no passado — expliquei. — Eu não imaginava que isso seria útil, mas parece que esse conhecimento está pagando agora.
— É mesmo... Então eles provavelmente adotarão uma estratégia parecida também — disse Toba, com um tom sombrio.
Ijuin realmente sabia muito sobre armas, mas eu nunca aprendi nada com ele. Fora o rifle de brinquedo no festival cultural, nunca havia segurado uma arma como aquela antes.
A única razão pela qual eu entendia a mecânica era porque a Sala Branca havia me ensinado isso. Toba não tinha como confirmar nada disso, claro — o que me favorecia perfeitamente.
— Entendi o que você quer dizer — disse ele. — Vou praticar sempre que tivermos um tempo livre, certo?
Toba era atlético — bom em basquete, bom em educação física. Ele tinha as características de um ativo de linha de frente. Talvez por isso ele estivesse sempre dando um passo à frente, agindo como se precisasse carregar o time.
A partir daí, me acomodei e conduzi uma lição completa sobre armas: como segurar o fuzil, como mirar, como estabilizar o cano, como é o recuo.
Disparei vários tiros contra uma árvore próxima, demonstrando a velocidade do projétil e o impacto.
Idealmente, eu faria todos tentarem sozinhos — mas desperdiçar munição nesse estágio não era uma opção.
Relatórios de rádio chegaram em intervalos. Dez minutos se passaram: a classe da Horikita continuou sua marcha direta para o norte sem desvio, enquanto as outras duas classes pareciam ter parado completamente — provavelmente discutindo estratégias e se organizando internamente.
Assim que a maioria da classe entendeu o básico sobre o manuseio do rifle, Kitou se aproximou de mim, com o rifle em mãos.
— Deixa eu confirmar uma coisa — disse ele. — Você está mirando no primeiro lugar neste exame, certo?
Eu pisquei.
— Isso é inesperado, Kitou. Não achei que você fosse perguntar algo assim.
— Um jogo de sobrevivência como esse — parece uma extensão de brincadeira de criança. Mas, se você for com a intenção de ganhar, então vou levar isso a sério.
— O Ayanokoji está apostando a expulsão dele nisso — cortou Hashimoto rapidamente, tentando reduzir a tensão. — Obviamente, ele está indo com tudo.
— Não há cenário em que escolhemos perder — acrescentei.
Kitou não ficou satisfeito com isso. Ele queria uma declaração clara — talvez porque não conseguisse perceber nenhum espírito de luta em mim. Ou talvez fosse simplesmente uma intuição dele.
— Mas você tocou em um bom ponto — disse eu, em voz baixa.
Eu precisaria ajustar minha avaliação sobre ele, mesmo que apenas um pouco.
— Infelizmente — continuei —, mesmo que você espere que eu mire no primeiro lugar, duvido que consiga cumprir isso.
Os olhos de Kitou se estreitaram rapidamente.
— Então você está dizendo que não tem confiança.
O olhar dele, já penetrante, se endureceu ainda mais.
— Não acho que será fácil ganhar — respondi. — Mas essa não é a razão.
Fiz uma pausa no meio da frase, deixando as palavras desaparecerem. Desviei o olhar de Kitou e passei os olhos pelos alunos reunidos à minha frente.
Quase todos estavam presentes, sem razão para evitar essa conversa.
— Essa é uma boa oportunidade — disse eu. — Pode parecer um pouco fora de contexto, mas preciso que todos escutem.
Dezenas de olhos se fixaram em mim. Eles estavam esperando pela minha resposta.
— Nosso objetivo final como classe — a posição que devemos almejar — é o segundo lugar.
A reação foi imediata. O silêncio caiu instantaneamente.
— Segundo lugar? Quer dizer, não é um objetivo ruim, mas começar já pensando nisso… sério? — disparou Shimizu, com a confusão estampada no rosto.
Ninguém mira o segundo lugar.
Querer o primeiro é o estado padrão da mente humana. Algo que todos carregam instintivamente. Por isso Shimizu parecia tão genuinamente surpresa, inclinando a cabeça sem fazer esforço algum para esconder sua insatisfação.
Mas eu continuei com calma.
— O motivo é simples: eu pretendo ceder o primeiro lugar para a classe da Ichinose.
— Hã? O quê? Isso não faz o menor sentido.
A maioria parecia desnorteada — compreensivelmente. Apenas alguns — Hashimoto, Morishita — sabiam o suficiente para manter a boca fechada.
A aliança entre a Classe C e a Classe D. O acordo entre Ichinose e eu. Se algum dia eu fosse revelar isso, este exame especial era o momento ideal. E anunciá-lo agora era quase obrigatório.
— Elevar esta classe — que caiu para a Classe C — de volta à Classe A em apenas um ano não será fácil. Muitos de vocês praticamente desistiram em algum momento. Vocês sabem o quão íngreme é essa escalada.
Por mais inaceitável que a ideia de ceder o primeiro lugar soasse, ninguém entrou em pânico. Estavam confusos, chocados — mas ninguém explodiu. Preferiram ouvir antes de contestar.
— Eu me transferi para cá com o objetivo de levar esta classe até a Classe A. Mas, considerando a dificuldade, precisamos de uma estratégia que não desperdice nada. Uma parte crucial dessa estratégia é a classe da Ichinose—
— N-Não. Espera, calma aí.
Hashimoto avançou de repente, se colocando entre nós e interrompendo minhas palavras com urgência desesperada. Ele se inclinou e sussurrou de forma ríspida:
— Agora não é hora de falar disso. Você sabe muito bem que este é o pior momento possível…
Estávamos a instantes de nos mobilizar como uma força unida — e eu havia escolhido justamente agora para mencionar o tópico mais delicado de todos: a aliança.
— Que estratégia? — alguém exigiu saber.
— Ah— bom… é que… — Hashimoto gaguejou, completamente perdido. Nem mesmo ele conseguia inventar uma mentira convincente sob aquela pressão. Sua agitação era visível. Ignorei o aviso de Hashimoto e continuei.
— Essa estratégia consiste em formar uma aliança com a classe da Ichinose.
As palavras caíram como pedras em água parada. O choque se espalhou instantaneamente pelo grupo. Hashimoto congelou ao meu lado, com uma expressão quase dolorida. Mas, comparado ao restante da classe… a reação dele foi contida.
— E-Espera… o quê? Aliança? Por quê? — a confusão explodiu entre os alunos.
Diante dos estudantes atônitos, comecei a explicar por que tal parceria era necessária.
Uma aliança com a Classe A ou a Classe B era impossível. Com elas, a competição era inevitável. Mas com outra classe de classificação inferior — especialmente uma tão confiável quanto a da Ichinose — existia uma base real para cooperação. Era isso que tornava a ideia viável.
Em seguida, expliquei os termos específicos do acordo. Em qualquer exame envolvendo as quatro classes, cederíamos a vitória à classe que tivesse menos Pontos de Classe — mesmo que fosse por apenas um ponto. Não de graça, mas como parte de um acordo recíproco.
Ao conceder a vitória agora, esta classe — que em breve ocuparia a posição da Classe D — garantiria a cooperação total da classe da Ichinose no futuro.
— Neste exame de sobrevivência — eu disse —, normalmente enfrentaríamos três classes inimigas. Quase cento e vinte oponentes. Mas com uma aliança, essa premissa muda. A eficácia de uma aliança assim dispensa maiores explicações.
— Então, se a Classe D estiver do nosso lado — murmurou alguém —, só precisamos nos concentrar nas Classes A e B…
— Não apenas isso — acrescentei —, menos inimigos também significa mais aliados. O caminho até a vitória fica significativamente mais curto.
A ideia os atingiu em cheio. O cerne era utilizar a aliança ao máximo. Hashimoto entrou na conversa, reforçando a lógica:
— Se dermos tudo de nós só para acabar em último — ou, no máximo, em terceiro — isso é patético. Mas se conseguirmos garantir um segundo lugar limpo, não é nada mau. Ganhamos pontos estáveis, diminuímos a diferença para A e B e, quando vierem os exames acadêmicos, avançamos ainda mais.
Com isso, aceleraríamos ainda mais o progresso e, então, as quatro classes estariam em pé de igualdade. As palavras de Hashimoto desenhavam um cenário nada irrealista, mas muitos alunos ainda tinham partes que não conseguiam digerir completamente.
Só pelo olhar de Morishita, dava para perceber que ela dizia a ele: Você realmente não deveria se meter nisso.
Ela e Hashimoto sabiam da aliança. E entendiam por que era arriscado revelá-la agora — justamente antes de um exame em que a unidade era crucial.
— Então, se estamos ouvindo falar dessa aliança agora — disse um garoto com cautela —, isso significa que as coisas já estão acontecendo nos bastidores?
Uma pergunta crucial. A forma como eu respondesse seria extremamente importante. Dizer que a aliança era fixa e imutável seria fácil — mas não o ideal.
— Pode-se dizer que há um acordo provisório em vigor — respondi. — Eles estão dispostos a cooperar.
— Bem, claro que estariam — alguém zombou em voz baixa. — Eles não têm para onde subir, só para cima.
A insatisfação que crescia na classe não vinha apenas de arrogância em relação à Classe D. A reação deles era moldada por tudo o que havia acontecido até ali. Não era só Matoba — a maioria da classe compartilhava o mesmo sentimento.
— O cancelamento — ou melhor, a recusa — é possível — disse com firmeza —, mas não é algo que possamos ligar e desligar à vontade. Se rejeitarmos agora, nunca mais uniremos forças com a Classe D. E, dependendo das circunstâncias, existe uma pequena chance de a Classe D se aliar à Classe A ou à Classe B. Esse é um risco que precisamos aceitar.
Matoba estalou a língua.
— Isso me soa bem egoísta.
Uma reação normal. Para a maioria deles, a ideia de formar uma aliança agora — especialmente nesses termos — não era nada menos que irritante. Matoba parecia completamente exasperado.
Antes que a tensão estourasse, Motodoi levantou levemente a mão, rompendo o silêncio.
— Deixe-me falar também. Precisamos decidir essa coisa de aliança agora? Seja como for, este não é o momento. É verdade que este exame especial não é favorável para nós. Mas sacrificar o primeiro lugar só para tornar as coisas mais convenientes depois… eu não aceito isso. Não é questão de querer impedir a Classe D de vencer. Eu só não quero que a gente abra mão da nossa chance de ganhar.
— Exato. Estamos basicamente rastejando até eles com um presente. "Vamos te dar o primeiro lugar, então vamos nos unir." Como isso é certo? Não deveríamos estar acima deles? — Matoba acrescentou, apoiando a posição de Motodoi.
Ele não disse isso explicitamente, mas o sentido era claro: se alguém deveria fazer concessões, esse alguém deveria ser a Classe D. Esse sentimento se espalhou pelo grupo como um pulso sutil e unificado.
— E ainda soltar uma bomba dessas agora, com o exame já em andamento? — Matoba continuou. — Momento perfeito para jogar uma granada. E o Hashimoto todo animado com isso só faz cheirar ainda pior.
Os olhos de Morishita brilharam com um ar presunçoso, como se dissesse: Viu? Eu avisei.
Eles não estavam errados em desconfiar de Hashimoto. O fato de ele, normalmente o mais cético ali, ter apoiado a ideia desde o início deixava claro que já sabia de tudo antes. O descontentamento era inevitável. Percebendo isso, Hashimoto olhou para cima, como se lamentasse ter se envolvido com tanta veemência desta vez.
— Quer que eu o puna por você? — disse Morishita.
— Não será necessário.
Eu não tinha a menor intenção de repreender Hashimoto. Pelo contrário, a presença dele — o atrito que ele criava — era um elemento necessário para fazer a conversa avançar.
— De qualquer forma — retomei, dirigindo-me novamente a eles —, uma aliança não será selada em uma conversa rápida aqui. E nem deveria ser. Mas isso também não significa que devemos descartá-la de imediato. Se quisermos avaliar se ela é realmente necessária, então vamos retomar esse assunto depois deste exame especial.
A ausência de novas objeções me disse tudo. Insistir agora não levaria a lugar algum.
Opiniões e resistências mudam facilmente quando os resultados falam por si. Aquilo que antes parecia desnecessário muitas vezes se torna indispensável quando as pessoas sentem seu valor. O que eu havia feito ali — esse atrito desconfortável — era o primeiro passo para essa mudança.
— Desculpem por trazer isso tão de repente — eu disse. — Como o Matoba sugeriu, vamos deixar a discussão da aliança para depois do exame. Por enquanto… esqueçam que isso aconteceu.
Com essa concessão, a tensão que Matoba sustentava finalmente se dissipou; ele assentiu com firmeza.
Foi então que aconteceu.
Uma brisa leve percorreu as árvores.
O farfalhar das folhas. E, por baixo disso — outra coisa. Múltiplas fontes, distantes, mas distintas, alcançando meus ouvidos das profundezas da floresta.
Ninguém mais percebeu.
Claro que não perceberam. Até instantes atrás, Shimazaki vinha nos fornecendo atualizações a cada cinco minutos sobre as posições das outras classes. Todos haviam relaxado, embalados por uma falsa sensação de segurança.
Ninguém realmente esperava combate tão cedo no jogo. E essa expectativa gerou uma negligência perigosa.
— Hashimoto — chamei em voz baixa.
— Hm?
Percebendo uma mudança sutil no meu tom, ele inclinou a cabeça. Mas meu olhar já havia passado por Hashimoto, pela retaguarda, e se aprofundado nas sombras densas e emaranhadas da floresta — em direção a algo que os outros ainda não tinham visto.
E então eu falei.
— Todos. Corram. Agora.
Hashimoto piscou.
— Hã? O que você—
Mas o momento foi interrompido quando a área explodiu de uma vez. Era como se alguém tivesse pegado uma sala silenciosa e girado o volume ao máximo. Vozes irromperam como vidro se estilhaçando.
— Ali estão eles! Fogo, fogo, fogo!!!
— É a Classe C! Peguem eles!
— Vai, vai, vai, vai, VAI!
Dezenas de gargantas berravam de dentro da floresta. Eu não conseguia distinguir nenhuma voz individual, mas sabia de uma coisa — não eram nossas.
Silhuetas saltaram das sombras entre as árvores. Mas, antes mesmo que as formas se definissem por completo, uma tempestade violenta caiu sobre nós. Uma tempestade de tinta. Não tiros isolados — um dilúvio, uma torrente horizontal de cores cortando o ar com a força de um tufão.
A precisão não importava. Aquilo era puro volume, uma saraivada feita para esmagar pela quantidade.
Mais da metade dos projéteis se chocou inutilmente contra os troncos grossos das árvores que serviam de cobertura natural, mas o restante encontrou seus alvos. Uma bala de paintball atingiu o ombro de Morishige e explodiu numa mancha de cor. Ele ficou paralisado na retaguarda da nossa formação, o cérebro ainda tentando processar o que havia acabado de acontecer.
Em seguida, outro disparo acertou Motodoi em cheio no quadril. Ela gritou com o impacto. E, com isso, o fio fino que sustentava a compostura do grupo se rompeu.
Alguns estudantes, percebendo de repente que aquilo era um ataque, tentaram erguer suas armas — apenas para serem encharcados de tinta antes mesmo de alinhar os canos. Outros entraram em pânico, largando seus equipamentos na pressa de fugir. Alguns se lembraram tarde demais de que suas mochilas estavam aos seus pés, voltando apenas para serem atingidos no exato instante em que hesitaram.
Segundos. Foi tudo o que bastou para a formação da retaguarda ruir em caos. Manchas de tinta explodiam nos uniformes como flores grotescas.
Os atacantes finalmente ficaram visíveis com clareza, confirmando qual classe havia nos emboscado — mas não havia tempo para pensar nisso.
— As mochilas! Não larguem as mochilas — só corram! — a voz de Hashimoto falhou enquanto ele gritava, acenando com os dois braços para atrair as pessoas em sua direção.
— A gente nem sabe quantos estão lá fora — corram! Apenas corram!
Mas quase todas as suas palavras se perderam sob a maré crescente do pânico: gritos, confusão, o impacto pesado das bolas de tinta atingindo o chão e a casca das árvores.
— Kitou—
Comecei a dar uma ordem ao responsável pela retaguarda, mas as palavras morreram na minha garganta. Eu não precisava explicar. No instante em que nossos olhares se cruzaram — ou talvez até antes disso — sua mente ou seu corpo já haviam compreendido a crise e entrado em ação.
Se toda a Classe C simplesmente fugisse de costas, o número de baixas só aumentaria. A única opção viável era que alguns ficassem para trás e atrasassem o inimigo.
Kitou correu para trás de um tronco grosso e abriu fogo. Seus movimentos não tinham nada da hesitação esperada de alguém que nunca havia disparado em combate real. Um alarme distante de relógio de pulso soou em algum ponto da floresta — sinal claro de que ele havia eliminado ao menos um atacante.
Essa única fagulha de resistência quebrou o ímpeto do inimigo. Os emboscadores, que haviam avançado apenas com força bruta e surpresa, bateram na primeira parede e se espalharam em busca de cobertura.
Impulsionados por Kitou, Machida e vários outros rapazes se jogaram atrás de árvores e rochas próximas, revidando com disparos apressados e desordenados. Não havia tempo para mirar — apenas o instinto cru de atirar antes de ser atingido.
— Deixem a retaguarda com o Kitou e os outros! — gritei. — Todo o resto, recuar!
Sinalizei para a linha da frente — os que ainda não tinham sido alcançados pela saraivada — e avancei. Shiraishi e Hashimoto correram logo atrás de mim.
Gritos, berros e o estalo seco das armas de paintball ecoavam às nossas costas. Conduzi o grupo adiante, seguindo pela trilha estreita.
Só correndo por ela percebi de verdade as condições da ilha.
A floresta era em grande parte selvagem, mas aqui e ali havia trilhas tênues — abertas apenas o suficiente para a passagem de uma pessoa — cortando a vegetação. Artificiais, porém mínimas. Alguém as havia feito de propósito. Talvez esta ilha estivesse destinada a um desenvolvimento maior no futuro.
Ainda assim, baixar a guarda seria fatal. Um único passo fora da trilha significava mergulhar na mata fechada. Sem aceitar a inevitabilidade de arranhões e cortes, a fuga só se tornaria mais perigosa.
*
Enquanto fugíamos para sudeste, nossos relógios de pulso atualizaram para F12. A distância entre nós e o grupo da retaguarda começou a aumentar, permitindo que eu diminuísse o ritmo.
— Só pode ser brincadeira… o exame mal começou, quantas pessoas foram eliminadas agora?! — Hashimoto rosnou, depois virou o pescoço de lado. — Shira— não, Takemoto, anda e manda o Shimazaki relatar a situação! Por que ele deixou a Classe B chegar tão perto?!
Shiraishi, uma das VIPs, mal conseguia se manter de pé. Não havia a menor chance de ela conseguir lidar com uma chamada pelo rádio. Hashimoto percebeu isso na hora e gritou a ordem novamente para Takemoto.
Takemoto, igualmente sem fôlego, continuou caminhando enquanto tentava falar no transmissor.
— Hã? Não, o quê… que diabos é isso, hah… E-Eu vou avisar!
Uma resposta veio da central; Takemoto murmurou algo quase para si mesmo enquanto olhava para Hashimoto.
— O tablet não mostra nenhum sinal de outras classes se aproximando da nossa área — ele informou. — E a posição da Classe B não mudou.
As palavras pairaram entre as árvores como um eco gelado.
— Que porra é essa?! — Yoshida explodiu, deixando escapar a frustração em um único suspiro áspero.
Qualquer um conseguiria entender o motivo se se acalmasse um pouco. Mas, naquele momento, todos ainda estavam tomados pelo pânico, sem espaço para pensar com clareza.
Considerando o desgaste da classe, reduzi o ritmo de corrida para uma caminhada rápida.
— A resposta é simples — eu disse, mantendo a voz firme. — A classe do Ryuen fingiu recuar para evitar conflito. As três primeiras atualizações de GPS confirmaram essa distância — eles fizeram parecer real.
Galhos se quebravam sob nossos pés enquanto atravessávamos uma área onde a vegetação começava a rarear.
— Mas aquilo era só fachada. Um preparo para o ataque. Tudo o que precisavam era que o comandante ativasse o Bloqueio Total de GPS antes da próxima atualização.
Takemoto tropeçou ao ouvir isso; não deu para saber se foi de cansaço ou choque. A partir do momento em que ativaram a tática, os dados de GPS deles ficaram congelados por trinta minutos. Os relógios dos batedores também se tornaram inúteis. Enquanto isso, o grupo do Ryuen recebia atualizações constantes de Kaneda e avançava diretamente em nossa direção.
Uma vantagem perfeita e calculada. Tempo suficiente para se aproximar, cercar e atacar com força esmagadora.
— Eles gastaram o trunfo de uma vez por partida logo no começo… — murmurou Yoshida, a voz tremendo de raiva e arrependimento.
Vários outros cerraram os punhos. Não era algo simples. Sem dúvida, foi uma aposta.
Mesmo que não tivéssemos percebido o ataque, se tivéssemos encerrado a discussão e retomado a movimentação imediatamente, não teria sido uma emboscada tão fácil.
— Se for pensar bem — acrescentei —, a rapidez da decisão deles mostra que provavelmente pretendiam usar essa tática assim que entendessem as regras.
A maioria das classes hesitaria no início — planejando, aprendendo a usar as armas. Ryuen levou tudo isso em conta. Foi uma estratégia cheia de ousadia e decisão — muito característica de Ryuen.
Claro, havia outros fatores por trás do sucesso da emboscada — mas não era hora de discuti-los.
— Uma emboscada, hein… Ele podia simplesmente ter esperado e deixado os outros se destruírem. Hah… Esse desgraçado do Ryuen assumiu um risco enorme.
Exasperação, pânico, raiva — e uma admiração relutante. Os sentimentos sinceros de Hashimoto escaparam, audíveis para todos. Quando olhei para trás, para os estudantes que nos seguiam, percebi que um deles havia começado a ficar muito para trás.
Como líder do grupo, reduzi o ritmo de forma brusca e, em três segundos, fiz todos pararem completamente.
— Ei, Ayanokoji — chamou Hashimoto. — Por que estamos parando? Não deveríamos aumentar a distância deles?
— Não — respondi. — Este é o nosso limite. Se forçarmos mais, as pessoas vão começar a ficar para trás.
Como se fosse uma deixa perfeita, a última retardatária — Morishita — finalmente nos alcançou e se jogou no chão.
— Huff… huff… como eu suspeitava, é porque ontem corri uma maratona inteira no pátio da escola… huff — disse ela, inventando uma desculpa totalmente desnecessária. Fiquei me perguntando se ela era do tipo que não consegue ficar satisfeita sem contar uma mentira inútil toda vez.
— Sério, Morishita — resmungou Hashimoto. — Você se ofereceu pra isso e ainda age assim?
— Não pega tão pesado com ela. Além da Morishita, as meninas, principalmente, já estão perto do limite físico.
— S-Sim… acho que faz sentido.
Esperar que garotas sem preparo atlético acompanhassem o ritmo dos rapazes mais esportistas teria sido irrealista.
— Se estamos sofrendo desse jeito — eu disse —, o inimigo também não deve conseguir nos perseguir com força total. E o fato de eles não terem aparecido confirma isso.
A floresta atrás de nós havia mergulhado num silêncio que fazia a algazarra anterior parecer irreal. Pedi que todos tomassem ao menos um gole de água; precisávamos economizar o máximo possível. Com a hidratação mínima feita e a respiração mais controlada, Yoshida se apoiou numa árvore e murmurou:
— Sinceramente, aquela emboscada era impossível de defender… uma falha nas regras.
A frustração dele era compreensível, embora não totalmente correta. Não era algo impossível de detectar. Quem precisa perceber esse tipo de coisa o mais rápido possível é o comandante, que consegue ver tudo de uma vez.
Quando o "Bloqueio Total de GPS" é ativado, as atualizações de posição a cada cinco minutos simplesmente param de mudar. Um comandante atento poderia ter notado que todos os marcadores de GPS congelaram ao mesmo tempo. Mesmo que as pessoas parem, cinco ou dez minutos sem qualquer movimento é algo antinatural.
Se não houvesse movimento, era necessário reportar justamente isso: que não havia movimento. Mas Shimazaki deixou passar. A competência de um comandante se torna a competência da classe. E essa fraqueza havia se revelado dolorosamente cedo no exame.
Claro, não posso culpá-lo. É fácil imaginar que ele ficou encarando o tablet sem baixar a guarda, já que o exame mal havia começado. Mas acompanhar perfeitamente mais de cem marcadores de GPS está além da capacidade normal.
Enquanto a confusão persistia, Takemoto entrou em contato com Shimazaki para começar a organizar quem estava seguro e quem havia sido eliminado. Deixei essa comunicação por conta dele e me afastei um pouco para conferir nossos suprimentos.
— Ei — Hashimoto, que estava perto de Takemoto, se aproximou. A expressão dele estava sombria. — Más notícias. O Kitou foi eliminado. Quer dizer… eu não achava que ele sairia ileso, mas mesmo assim.
— Não tinha como evitar — respondi. — Os oponentes dele provavelmente eram todos da Classe B. Ele nos comprou mais tempo do que poderíamos esperar.
Se o papel dele de atrasar o inimigo não tivesse funcionado, o dano teria sido muito maior.
— Aparentemente, os três que escaparam por último foram Yano, Sawada e Tsukasaki. Mas eles não sabem nossa posição nem a do inimigo, então vão vagar sozinhos por um tempo. Seria ótimo se conseguissem chegar a um ponto onde possamos nos juntar…
Quanto a isso, não podemos ir buscá-los agora. Só nos resta esperar.
— E… mais uma notícia ruim — continuou Hashimoto, a contragosto. — O Rokkaku largou a arma durante a fuga. A gente reporta à escola como perdida? Ou tenta recuperar depois?
Com ar arrependido, Rokkaku baixou a cabeça a uma certa distância.
— Marque como perdida — eu disse. — Avise o comandante e peça para a escola recolhê-la. Quanto ao Rokkaku, se for preciso, vamos designá-lo para uma função vaga.
Quando confirmei diretamente com o Rokkaku se estava tudo bem, recebi uma resposta firme junto de mais um pedido de desculpas. O vento soprou suavemente entre as árvores. Por um breve instante, a floresta ficou em silêncio. Hashimoto, que observava a cena, olhou para mim com certa curiosidade.
— A única coisa boa nessa situação toda ferrada é que você continua calmo.
Ainda não havia passado nem uma hora desde o início do exame especial. Num exame especial de vários dias, mesmo que este momento fosse uma crise, um líder que se desespera e corre de um lado para o outro não conseguiria abrir caminho adiante.
— Sendo bem prático… ainda dá pra administrar? — perguntou Hashimoto.
— Eu estaria mentindo se dissesse que não fomos afetados — respondi. — Em menos de uma hora desde o começo, nossa posição como Classe C se deteriorou bastante.
— É…. — murmurou ele.
— Mas isso não significa que nossa chance de vitória acabou. Se um dos nossos VIPs for eliminado, nós derrubamos dois dos deles. Se outro cair depois, derrubamos três. É simples assim.
— Entendi. Nesse caso, esta é a última vez que vou mostrar fraqueza. Vou agir acreditando que, se seguir suas instruções, vamos encontrar uma saída. Então… qual é o plano agora?
— Existem várias opções — respondi —, mas acima de tudo precisamos manter distância da classe do Ryuen.
— Então eles podem nos deixar relaxar e atacar de novo — disse ele.
— Acho que eles interromperam a perseguição considerando a possibilidade de armarmos uma emboscada e contra-atacarmos — respondi —, mas ainda podem vir atrás de nós se enxergarem uma abertura. Só por precaução.
Mesmo com a distância que havíamos criado, ainda era algo que podia ser vencido com uma corrida curta; de forma alguma era uma zona segura.
— Só para garantir, você pode ir conferir de novo se alguém está com dificuldades neste momento? — pedi. — Diga para falarem sobre qualquer coisa que não entendam ou que esteja deixando-os ansiosos.
Hashimoto aceitou sem fazer cara feia e saiu imediatamente em direção aos colegas. Como se trocassem de lugar, Shiraishi — que estava ouvindo por perto — aproximou-se de mim.
— Ouvi parte da sua conversa com o Hashimoto — disse ela. — Mesmo numa situação dessas, Ayanokoji-kun, você não fica ansioso com a possibilidade de ser o primeiro a enfrentar a penalidade de aniquilação?
— Não fico ansioso — respondi. — Se esse fosse o resultado de darmos o nosso melhor, eu aceitaria.
— Mas não seria apenas uma derrota — ela retrucou. — No pior cenário, você seria expulso, e a Classe C ficaria impedida de chegar à Classe A.
— Se não queremos esse futuro, então precisamos vencer — respondi.
Não era que ela duvidasse da nossa vitória; o tom dela sugeria o contrário.
— Então vamos conquistar essa vitória juntos — disse ela. Encontrei seu olhar, e ela continuou me encarando com uma expressão suave. Não havia traço algum de ansiedade em sua atitude ou em seus gestos. Na verdade, ela até parecia estar, de certa forma, apreciando a crise atual.
Por quê? Qual era a força motriz que a fazia se sentir assim?
Uma leve sensação de desconforto surgiu em mim, mas a deixei de lado. Por ora, a realidade exigia ser encarada de frente. Os fatos eram simples e brutais: quinze membros da nossa classe haviam sido eliminados, incluindo um VIP.
Reorganizei mentalmente a situação ali mesmo, colocando em ordem cada informação. Três alunos — Yano, Sawada e Tsukasaki — não estavam marcados como OUT, mas estavam separados do grupo principal.
Shimazaki era o único que conhecia a localização atual deles; ainda assim, até que a tática de "Bloqueio Total de GPS" da Classe B expirasse, não poderíamos lançar um resgate por conta própria.
Em contrapartida, o lado do Ryuen já sabia onde os três estavam, então era altamente provável que dividissem equipes e enviassem pessoas atrás deles.
— Se ao menos o Shimazaki tivesse percebido algo… — murmurou Hashimoto, quase deixando escapar o arrependimento em voz alta.
— Isso está errado, Hashimoto Masayoshi. O culpado aqui é o Ayanokoji Kiyotaka — disse Morishita, apontando deliberadamente o dedo indicador para mim, a ponta chegando a poucos centímetros do meu olho.
— Um verdadeiro líder teria avisado o comandante—
Enquanto ela dizia isso, levantei imediatamente meu rifle de assalto.
— O que você pensa que está—
Morishita congelou. Por um instante, ela realmente acreditou que seu sarcasmo tinha lhe rendido um tiro no peito; a leve dilatação de suas pupilas deixava isso claro. Antes que pudesse concluir a frase, agarrei seu ombro com o braço esquerdo, puxei-a para junto de mim e apertei o gatilho uma única vez.
O timing coincidiu quase perfeitamente com a aparição silenciosa de Kondou saindo das sombras, a arma dele já começando a se erguer em minha direção. Um único disparo certeiro no peito o paralisou, sua expressão se transformando num olhar vazio e atônito.
Antes que alguém entendesse o que estava acontecendo, um alarme soou no relógio de Kondou. Mesmo frustrado por ter apontado a arma para mim, ele tirou o dedo do gatilho.
— Droga, você realmente percebeu!?
Pela respiração irregular, dava para perceber que ele rondava a área havia um bom tempo.
— Você me acertou com um tiro… não, como você sequer percebeu?
Ele perguntou com o pouco fôlego que lhe restava.
— Você devia estar bem cansado. Não conseguiu silenciar completamente seus sons. Além disso, foi sorte minha que seu alvo principal fosse eu, e não qualquer outro. Perder tempo tentando alinhar um tiro perfeito foi a sua ruína.
Apesar de não ter conseguido me derrubar, a expressão parcialmente satisfeita de Kondou era impressionante.
— Pois é… derrubar o líder teria sido enorme. Eu devia ter atirado sem pensar.
Enquanto eu ainda observava o entorno, Hashimoto se aproximou de Kondou, que estava sentado descansando.
— Aquela emboscada de vocês foi coisa de outro nível. Pegaram a gente direitinho.
Mesmo depois de ser considerado OUT, ainda era possível conversar, então Hashimoto elogiou a Classe B sem cerimônia.
— O Ryuen-san é incrível, não é? Bem, o jogo começou. A culpa foi de vocês por baixarem a guarda.
— Pode haver outros alunos além do Kondou nos procurando. Vamos nos mover logo.
— Nesse caso, não deveríamos pedir para o Shimazaki checar a posição da Classe B no GPS? — Yoshida sugeriu apressado.
Não respondi. Apenas me virei e comecei a andar, e Shiraishi explicou por mim.
— O Kondou-kun conseguiu se aproximar porque a tática deles apagou o GPS de toda a classe. Como ainda não se passaram trinta minutos, mesmo que contatemos o comandante agora, não obteremos informações detalhadas.
— Ah… certo. É verdade. Foi mal.
— Bem, então façam o possível para fugir enquanto ainda podem—
Deixando para trás o Kondou, que lançou uma provocação animada, seguimos para o sul, como se estivéssemos retornando ao ponto inicial.
*
Voltemos o relógio — aproximadamente trinta minutos antes.
No exato momento em que Kaneda ativou sua tática, congelando as posições de GPS de todos os alunos da Classe B, Ichinose havia acabado de concluir sua inspeção completa do tablet do comandante.
O mapa da ilha deserta brilhava suavemente à sua frente, pontilhado por quatro cores — uma para cada classe — cada luz pulsando em ritmo com o número de estudantes ainda em jogo.
Para a Classe D, a sua própria, cada ícone verde podia ser tocado para revelar uma etiqueta, permitindo confirmar a identidade de cada membro num relance. As outras três cores, porém — os pontos vermelhos, azuis e amarelos que representavam as classes rivais — não exibiam nada além de etiquetas em branco ao serem tocadas.
Ainda assim, essas etiquetas vazias podiam ser editadas. Elas permitiam a inserção manual de texto — ou seja, se ela conseguisse identificar o dono de um determinado sinal de GPS, poderia registrar o nome. Caso o papel daquele aluno na classe viesse à tona, isso também poderia ser anotado. Ela podia até usá-las para marcar estudantes cujos movimentos parecessem suspeitos.
Ichinose finalmente desviou o olhar do tablet e o colocou sobre a pequena mesa dobrável do lado de fora de sua barraca. Com o transceptor em uma das mãos, começou a caminhar lentamente ao redor da área do quartel-general.
Isso porque ela precisava ver com os próprios olhos quem eram os comandantes das outras classes e em que condições se encontravam.
Durante este exame, os comandantes estavam sujeitos a restrições surpreendentemente incômodas. Em outras palavras, eram proibidos de falar ou se comunicar de qualquer forma com outros comandantes.
Mesmo que quisesse contatar Ayanokoji, ela não poderia simplesmente pedir a Shimazaki que transmitisse uma mensagem. Esse tipo de contato era completamente proibido.
A distância entre as barracas tornava tudo ainda pior. A conversa comum dos comandantes das outras classes mal chegava até ali, e se aproximar demais poderia parecer o início de uma tentativa de diálogo — um risco que ela não podia correr.
E essa restrição não se limitava apenas às interações entre comandantes.
— No fim das contas, é realmente impossível.
Os comandantes estavam confinados a uma zona rigidamente definida ao redor do quartel-general, e o layout garantia que, mesmo dentro desses limites, jamais entrariam em contato com os alunos que estavam no campo.
Mesmo que um aluno caminhasse até o quartel-general, uma conversa direta com o comandante ainda estaria fora de questão.
Em outras palavras, a única forma de fazer a voz deles chegar aos VIPs da própria classe era por meio do transceptor.
Esse único canal era a única forma de intervenção permitida aos comandantes. Foi por isso que, no início do exame, ela transmitia as informações do tablet a cada cinco minutos.
Alguma classe estava se movendo em direção a eles?
Havia a possibilidade de um confronto precoce?
Ela relatava tudo isso, porque confirmar esses riscos era simplesmente parte do trabalho — um dever óbvio e necessário para alguém em sua posição.
— Mas…
Observando de longe as interações entre os três comandantes, Ichinose percebeu algo que se destacava.
Kaneda, o comandante da Classe B, era o único que nunca parava de falar ao transceptor. Mais do que isso, ele continuava operando o tablet sem tirar um único momento de descanso, como se estivesse pressionado por algum tipo de urgência.
Se fosse só isso, talvez ela não tivesse questionado. Porém, apesar de operar sob tamanha tensão, Kaneda de repente ergueu a cabeça e percebeu que ela o observava. Sua expressão era calma — comum — quase como se perguntasse em silêncio: Há algum problema?
Ichinose lhe ofereceu um sorriso gentil e um leve aceno, enquanto Kaneda, após um breve assentir de cabeça, voltou imediatamente ao tablet, retomando a conversa com seu VIP.
Uma reação perfeitamente natural. Tão natural que, para Ichinose, soava artificial. Ela retornou lentamente à sua barraca. Assim que saiu do campo de visão de Kaneda, pegou o tablet sobre a mesa.
— A posição do grupo do Ryuen-kun é exatamente a mesma de cinco minutos atrás. Não… não mudou absolutamente nada. O GPS sempre carregava algum grau de erro. Mesmo um grupo completamente parado costumava exibir pelo menos um ícone tremendo levemente no mapa.
Mas as coordenadas que ela lembrava coincidiam com as atuais até o menor pixel. Nenhum ponto havia se movido.
— Será que o Kaneda-kun já bloqueou o GPS deles? Se for isso… por quê?
Não havia necessidade de especular. O motivo era óbvio. Eles devem ter julgado que usar seu trunfo — o Bloqueio Total de GPS — logo no início lhes daria uma vantagem significativa.
Um plano para atacar a Classe C, que estava mais próxima e, muito provavelmente, parada naquele momento.
É claro que essa possibilidade não era absoluta, mas era melhor alertá-los sobre o perigo. Com esse pensamento, Ichinose se deslocou rapidamente até um ponto onde Shimazaki pudesse vê-la.
Ela não podia falar. Não podia gesticular. Não podia sequer mover os lábios. Qualquer uma dessas ações seria uma violação grave das regras, algo que Ichinose não queria — e não podia — arriscar.
Ainda assim, ela julgou que o simples ato de continuar encarando Shimazaki não se enquadraria como comunicação. Se fosse advertida, ela recuaria. Mas, se os olhares se encontrassem, talvez ele percebesse sua urgência. No entanto, a atenção de Shimazaki permaneceu fixa no tablet. Ele não ergueu a cabeça.
Um minuto se passou. Depois dois. Ela aguardou em silêncio por qualquer fração de contato visual. Quase cinco minutos depois, ele finalmente levantou a cabeça para aliviar a rigidez do pescoço. Seus olhares se cruzaram por apenas um instante.
E então ele voltou a olhar para baixo, alheio ao que ela tentava transmitir. Para ele, Ichinose era uma inimiga. E a proibição de comunicação entre comandantes era uma regra que ele claramente pretendia cumprir à risca.
— Não adianta… é isso.
Não havia mais nenhuma forma de Ichinose alertar a Classe C.
Qualquer tentativa adicional poderia resultar em uma penalidade para a Classe D, e permanecer ali por muito tempo ainda traria o risco extra de chamar a atenção de Kaneda. Forçada a ceder, Ichinose recuou e voltou discretamente para sua barraca.
Em seguida, entrou em contato com Kobashi pelo rádio, enfatizando com calma que a situação estava estável. Para o primeiro dia, instruiu que evitassem qualquer confronto e se concentrassem apenas nos acontecimentos. Também delineou algumas rotas alternativas, caso outra classe tentasse persegui-los.
Mais cinco minutos se passaram, e o GPS foi atualizado.
A Classe C de Ayanokoji apresentava pequenos sinais de atividade, mas sua posição não havia mudado — eles estavam fazendo uma pausa ou discutindo estratégia. De qualquer forma, não estavam se movendo.
Enquanto isso, a Classe de Ryuen permanecia rigidamente congelada no GPS. Nenhuma variação sequer.
— Como eu imaginava… pelo timing, o grupo do Ryuen-kun deve estar se aproximando do Ayanokoji-kun neste exato momento…
Uma anomalia que, se o comandante fosse Ayanokoji, certamente teria sido notada. Perceber algo e não conseguir transmitir — essa impotência permaneceu apertando o peito dela. Ichinose desejou silenciosamente a segurança da Classe C. A Classe B estava mirando diretamente no ponto fraco da Classe C. Com o cérebro e o corpo funcionando separadamente neste exame especial, explorar essa lacuna se tornava ainda mais eficaz.
Reconhecer que o comando de Shimazaki deixaria uma abertura — e então capitalizar sobre isso — era um nível de percepção que Ichinose achava genuinamente impressionante. Talvez fosse inevitável que a Classe C fosse pega de surpresa, mas, ainda assim, ela acreditava que, com Ayanokoji ali, eles não seriam completamente aniquilados.
Então, Ichinose começou a pensar no que viria a seguir. Se a Classe C sofresse um golpe devastador, seria forçada a entrar em uma luta árdua. E, naquela situação, o que Ayanokoji faria?
A resposta guiou sua decisão.
Ichinose julgou instantaneamente que aquele era o momento perfeito para trazer à tona a aliança e agarrou o transceptor.
— Quero que vocês escutem com atenção.
Para que a Classe D pudesse avançar a qualquer momento — para ajudar a Classe C. Não… mais precisamente, para ajudar Ayanokoji.
*
Chegamos aos arredores do quartel-general — área F13.
Após a longa retirada pela floresta, a clareira parecia quase irreal em sua quietude. A copa das árvores se tornava mais rarefeita acima de nós, permitindo que feixes mornos do sol do fim da manhã caíssem sobre a grama pisoteada.
Mantendo a vigilância, a prioridade era clara: contatar o comandante e confirmar a situação.
— Obrigada. Vou repassar isso ao Ayanokoji-kun e aos outros imediatamente.
Encerrando a conversa com Shimazaki, Shiraishi abaixou o transceptor e ergueu o olhar em silêncio.
— O GPS de todos da Classe B acabou de ser atualizado de forma significativa. Parece que muitos deles agora estão concentrados em F10, tendo se deslocado da área C11, onde estavam originalmente.
Isso nos disse que o efeito da tática havia expirado — e, com ele, a venda invisível que nos cobria os olhos.
Também significava que o risco de uma emboscada invisível em nossas proximidades havia diminuído drasticamente.
— E… os três que estavam separados — Yano, Sawada e Tsukasaki — todos foram confirmados como eliminados. Ao que parece, vagaram perto demais de F10 e acabaram abatidos.
Hashimoto murmurou um xingamento entre os dentes.
— Não tinha como… sem um VIP para guiá-los. Mas espera aí — o que exatamente significa dizer que "muitos" deles estão em F10? Você está dizendo que não são todos? Seja específica.
Apesar da insistência, Shiraishi manteve a calma.
— Como mencionei antes — respondeu, deslizando calmamente a ponta pálida e fina do dedo pelo mapa aberto —, o corpo principal da Classe B — o que parece ser o grupo principal deles — está concentrado nesta área de F10. No entanto, aqui — um quadrante ao sudeste — outro aglomerado de sinais azuis se moveu. Dez, no total.
— Dez? — Hashimoto se inclinou para frente, os olhos se estreitando. — Você está dizendo que eles separaram um segundo grupo para nos perseguir?
— Não necessariamente — respondi. — Se formos pelo raciocínio normal, pode ser que um ou dois alunos tenham nos seguido por impulso, como o Kondou fez. O VIP e seus guardas podem ter ido resgatá-los. O tamanho do grupo sugere que eles quiseram evitar revelar quem é o VIP. Mandar apenas uma ou duas pessoas tornaria isso óbvio.
— Concordo com a dedução do Ayanokoji Kiyotaka — Morishita entrou na conversa. — Se eles saíssem desfilando por aí como idiotas, com só um ou dois tentando buscar o perdido, seria praticamente anunciar que um deles é o VIP.
— Então esse é o cenário mais provável. Mas ainda assim não podemos baixar a guarda, certo? — Hashimoto disse, mantendo a cautela. — Eles só podem usar o "Bloqueio Total de GPS" uma vez, mas ainda podem usar o "Bloqueio Individual de GPS" três vezes. Ainda existe a possibilidade de estarem nos perseguindo por perto—
— Isso é improvável — respondi. — Foi um plano que funcionou graças a dois elementos: o ataque surpresa e a ofensiva em larga escala — estratégia e poder de fogo trabalhando juntos. Agora, mesmo que queimem todos os "Bloqueios Individuais" para mascarar a posição de três pessoas, o efeito não duraria. A menos que se movam com o VIP, é difícil determinar nossa posição exata.
— Entendi. Então podemos finalmente relaxar um pouco.
Hashimoto, que vinha gritando rouco enquanto fugíamos sob a tempestade de tinta, parecia completamente esgotado.
Ele se deixou cair na grama com um baque cansado, e o resto do grupo fez o mesmo, afundando no chão como se as pernas simplesmente tivessem desistido. A fadiga coletiva era palpável. Dezoito de nós. Era tudo o que restava.
"Meio arruinados" era a expressão perfeita. Dois VIPs, um Analista e quinze Guardas.
Com Nakajima fora, teríamos de empurrar Rokkaku para o papel de analista, reduzindo nossos guardas para quatorze. A posição de Batedor também estava vaga, mas, por ora, manter o número de guardas o mais alto possível era prioridade. Nesse estado, não havia como bancar um confronto direto com qualquer outra classe.
A culpa recaía inteiramente sobre mim — ao acreditar que a distância, por si só, impediria o inimigo de atacar, permiti que o grupo permanecesse parado por tempo demais.
Um desastre nascido do descuido e da arrogância de ninguém menos que o líder da Classe C. Era assim que todos veriam essa batalha — tanto os que estavam na classe quanto os que observavam de fora.
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