Ano 3 - Volume 3
Capítulo 1: A Cortina se Abre: Exame Especial do Jogo de Sobrevivência
ERA CEDO PELA manhã, no final de junho.
O enorme navio de passageiros, carregado com estudantes de todas as séries, cortava o mar aberto em direção a uma pequena ilha desabitada.
Os calouros mal conseguiam conter o espanto diante da escala da operação, enquanto os alunos do segundo ano, embora um pouco tensos, mantinham uma postura tranquila e confiante. Para nós, do terceiro ano, aquele era um marco estranho — nosso terceiro ano consecutivo enfrentando um exame em uma ilha desabitada. Não havia dúvida de que a batalha que nos esperava estava se aproximando rapidamente.
O palco dessa batalha, no entanto, era a mesma ilha que havíamos visitado no ano passado. Isso era inesperado — embora, refletindo bem, talvez totalmente lógico.
O Japão pode se orgulhar de ter mais de dez mil ilhas desabitadas, grandes e pequenas, mas apenas uma fração é adequada para desembarque — e ainda menos têm terreno apropriado para um exame e proprietários dispostos a permitir acesso. Considerando todas essas restrições, a lista de candidatos provavelmente se reduz a um punhado.
Embora o sol brilhasse com intensidade ofuscante, o ar não estava opressivamente quente. Se alguma coisa, a brisa do mar que nos tocava parecia quase fria. Realizar o exame um mês mais cedo do que nos anos anteriores parecia ter um efeito maior do que o esperado.
Cortando ondas suaves, o enorme navio desacelerava gradualmente à medida que a costa da ilha surgia à vista, preparando-se para se aproximar da praia. O relógio marcava pouco mais de oito horas da manhã.
— Parece que finalmente chegamos — resmungou Hashimoto.
Tínhamos tempo livre até o momento da chegada, por isso ele e eu estávamos sentados juntos no café do navio.
— Cara, estou cansado — disse Hashimoto, esticando os braços e bocejando profundamente. — Eu realmente devia ter ido dormir mais cedo ontem à noite...
Pelos movimentos lentos, ficava claro que ele não tinha dormido o suficiente.
— Bem... me pergunto que tipo de exame problemático — na verdade, mais como… que tipo de exame malvado eles prepararam para nós este ano — acrescentou, quase reclamando.
Enquanto falava, Hashimoto segurou a gola da sua nova camiseta de manga curta por baixo do uniforme e levantou-a levemente.
— Tem que haver um motivo para nos entregarem novos uniformes de ginástica, afinal.
Quando embarcamos no navio na escola, todos nós, do terceiro ano, recebemos uniformes de ginástica novos — camiseta, calça e uma camiseta de baixo — juntamente com a instrução obrigatória de vestir o uniforme antes de desembarcar. À primeira vista, pareciam quase idênticos aos nossos uniformes habituais, mas o tecido era visivelmente mais grosso. Qualquer que fosse o motivo, estava claro que não eram os mesmos de sempre.
— Cara, isso deve ser difícil para quem está realmente estudando para vestibular, não? — Hashimoto, que não tinha nenhuma intenção de prestar qualquer exame, deixou escapar o pensamento preguiçosamente. — Ser arrancado da mesa de estudo nessa época. Você acha que os terceiros anos antes de nós alguma vez reclamaram?
— Quem sabe. Embora eu tenha visto Shimazaki trazer um conjunto completo de materiais de estudo para o navio.
— Estudando até aqui, hein.
Eu também o tinha visto ser tomado por forte enjoo e desistir no meio do caminho.
— De qualquer forma, provavelmente vão compensar depois com aulas extras.
— Que não atrapalhem nossas preciosas férias de verão para fazer isso. Se esse for o plano, estou fora.
Que tipo de medidas eles estavam planejando, se é que estavam pensando em alguma? Como terceiro ano, era algo que eu estava curioso, mas, como se estivesse respondendo às reclamações de Hashimoto, um anúncio pelo sistema de som do navio ecoou.
— Chegaremos em breve à ilha desabitada. Conforme instruído anteriormente, os estudantes do terceiro ano devem deixar todos os pertences pessoais, incluindo celulares, em suas cabines. Certifiquem-se de estar usando o uniforme de ginástica designado e de não levar nada ao se prepararem para desembarcar.
Era apenas uma repetição das instruções que já havíamos recebido. Como Hashimoto e eu já estávamos uniformizados e sem nada nas mãos, tudo o que precisávamos fazer era esperar o navio parar, sem precisar nos deslocar.
— Eles ainda não chamaram os calouros nem os do segundo ano — observou Hashimoto, que assumia que seria um exame na ilha com todas as séries juntas desde o início, olhando ao redor com curiosidade. — Isso significa que eles não vão desembarcar imediatamente?
— Talvez. Mas não adianta especular agora.
— Verdade...
Logo, o navio se aproximou do pier.
Após outro anúncio confirmando a parada total, Hashimoto e eu nos levantamos e nos dirigimos ao convés.
*
Embora eu não conseguisse perceber isso de dentro do navio, ao pisar na ilha, a mudança era óbvia: o lugar havia sido significativamente desenvolvido em comparação ao ano passado. Até algo como estimar o tempo necessário para se locomover, baseado no exame anterior, talvez não fosse mais confiável.
— Seus professores de turma estão ali — disse uma pessoa próxima, aparentemente um funcionário da escola, apontando para a costa. — Dirijam-se imediatamente até lá e formem fila por classe.
À medida que mais colegas do terceiro ano se juntavam atrás de nós, aceleramos o passo.
Ao nos aproximarmos da praia, pilhas enormes de caixas de papelão surgiram à vista.
— Lembro disso muito bem… Cara, que nostalgia.
Durante o último exame de sobrevivência na ilha desabitada, que envolvia todos os anos escolares, todos nós éramos forçados a colocar a mente em alta rotação, estudando mapas e percorrendo a ilha constantemente, independentemente dos pontos cardeais.
Provavelmente por isso aquela paisagem específica, apesar do tempo breve que passamos ali, ficou tão gravada na minha memória.
Reunimo-nos em torno do Mashima-sensei, nosso professor da turma C, e aguardamos os demais alunos do terceiro ano.
Ainda não havia sinal dos calouros ou dos do segundo ano descendo do navio. Estaríamos começando primeiro? Ou as outras séries não participariam? Isso ainda não estava claro, mas a explicação em breve deveria revelar o quadro completo.
Levou alguns minutos para todos os terceiros anos se reunirem. Antes da explicação oficial do exame, porém, Mashima-sensei se dirigiu ao centro da praia e anunciou que Nakanishi, da 3ª série, turma D, estaria ausente do exame especial devido a febre.
— É lamentável que tenhamos um aluno ausente — afirmou Mashima-sensei —, mas problemas de saúde são inevitáveis. Nesta situação, a classe em questão começará com um membro a menos. Agora, antes de iniciarmos o Exame Especial do Jogo de Sobrevivência na Ilha Desabitada, permitam-me explicar suas regras.
Ele não se demorou na ausência de Nakanishi. Parecia que não havia penalidades severas— claro, perder um colega nunca é ideal, mas como a turma de Ichinose já mantinha quarenta alunos e o estudante em questão não era dos melhores, o impacto seria mínimo.
Livretos detalhando o exame foram distribuídos, e um deles acabou em minhas mãos. Parecia que deveríamos acompanhar a explicação enquanto ouvíamos.
A capa trazia uma fotografia da ilha desabitada com uma grade precisa sobreposta. Naturalmente, a ilha era idêntica à do ano anterior, mas notei imediatamente uma diferença crítica na estrutura do mapa. Na última vez, as coordenadas iam de A a J horizontalmente e de 1 a 10 verticalmente. Desta vez, no entanto, toda a área parecia muito mais subdividida, com o eixo horizontal agora indo de A a O e o vertical de 1 a 15.
Decidi que examinaria o mapa mais detalhadamente depois. Por enquanto, abri o livreto para conferir a visão geral das regras.
Duração:
Máximo: 3 noites e 4 dias.
O exame será concluído imediatamente assim que for totalmente resolvido.
Horário diário do exame: das 9h00 às 18h00 (no último dia, termina às 16h00).
Visão Geral:
O objetivo é competir usando armas de paintball para derrotar os VIPs e Guardas das outras classes.
Preparação Pré‑Exame:
Antes do início do exame principal, cada classe deve designar todos os estudantes para um dos cinco papéis. A maioria dos papéis tem limites de participantes e concede diferentes permissões.
1. Comandante (1 por classe, obrigatório)
Pode rastrear a localização de todos os estudantes usando um tablet dedicado.
Exibição no GPS: Classe A em Vermelho, B em Azul, C em Amarelo, D em Verde.
Localização atualizada a cada cinco minutos, apenas durante o horário do exame (9h–18h).
Pode utilizar Táticas (descritas depois).
Pode se comunicar diretamente com os VIPs via rádio.
Pode visualizar os detalhes (nome, papel) de estudantes eliminados.
O Comandante não pode ser eliminado e não possui meios de ataque.
Não pode deixar a Área da Sede (F14).
Substituição: em caso de doença ou lesão que impossibilite continuidade, um substituto pode ser designado somente com aprovação da escola.
2. VIPs (3 por classe, obrigatórios)
Podem se comunicar diretamente com o Comandante via rádio.
Não possuem meios de ataque.
Pontuação: a classe recebe 100 pontos para cada VIP sobrevivente ao final.
A classe é considerada Eliminada se seus 3 VIPs forem derrotados; sua classificação é definida imediatamente.
3. Guardas (sem limite)
São os únicos com meios de ataque, usando armas de paintball para eliminar adversários.
Regra de Eliminação: Guardas eliminados são desclassificados, retirados da ilha e permanecem no navio até o fim do exame.
Recuperação de Armas: Quando um Guarda é eliminado, ele deve levar pelo menos uma arma principal de volta à Sede.
Observação: Qualquer arma perdida deve ser imediatamente reportada à escola.
Pontuação: a classe recebe 1 ponto por cada Guarda sobrevivente.
4. Analistas (até 2 por classe)
Usam um tablet capaz de identificar localização de eventos, nomes de suprimentos e recuperar senhas.
Nomeação: caso haja vaga, um Guarda pode ser promovido a Analista, mas não poderá voltar a ser Guarda.
A nomeação requer o VIP contatar o Comandante e só é válida com aprovação.
Não possuem meios de ataque.
5. Batedores (até 1 por classe)
Podem detectar a presença de estudantes de outras classes no quadrante atual e nos 8 quadrantes adjacentes (total: 9).
Se alguém entrar no mesmo quadrante, o Batedor detecta também a direção.
Observação: caso o GPS esteja desativado por uma Tática, o Batedor não consegue detectar nenhum quadrante.
Nomeação: caso haja vaga, um Guarda pode ser promovido a Batedor, mas não poderá voltar ao papel anterior.
A nomeação requer o VIP contatar o Comandante e só é válida com aprovação.
Não possui meios de ataque.
Pontuação Final:
(VIPs sobreviventes × 100 pontos) + (Guardas sobreviventes × 1 ponto)
Desempate: em caso de empate, um estudante aleatório de cada classe empatada será selecionado para um duelo rápido de morte súbita.
Recompensas:
1º lugar: +150 Pontos de Classe
2º lugar: +100 Pontos de Classe
3º lugar: –100 Pontos de Classe
4º lugar: –150 Pontos de Classe
A primeira classe a ser totalmente eliminada (todos os 3 VIPs derrotados) deve escolher um estudante para expulsão.
Ao virarmos as páginas do manual, Mashima‑sensei começou a explicar os detalhes do exame especial.
Quando reduzido à sua essência, o conceito era simples: um jogo de sobrevivência em larga escala, cobrindo toda a vasta ilha desabitada, onde os estudantes tentariam eliminar uns aos outros usando armas de paintball.
Minha primeira impressão foi que tudo parecia surpreendentemente brando. Embora a expulsão estivesse em jogo, ela afetaria apenas uma única classe perdedora — e, mesmo assim, apenas um estudante seria expulso. Isso, naturalmente, era uma boa notícia para a maioria dos alunos.
O exame em si não era tão complicado quanto a longa explicação do manual fazia parecer. O verdadeiro desafio estava em outro ponto: a maioria dos estudantes nunca havia sequer tocado em armas de brinquedo, como airsoft elétricas ou a gás — quanto mais em armas de paintball.
Uma onda visível de confusão se espalhava por todos os alunos do terceiro ano.
— Alguém aqui já jogou airsoft antes? Ou ao menos sabe como funciona? — perguntou Hashimoto em voz baixa aos garotos próximos.
Nenhum deles fez que sim.
Era decepcionante, mas parecia que poucos da nossa Classe C estavam animados com o exame especial.
Em contraste total, a Classe A quase vibrava de entusiasmo. Onizuka, Ijuin e alguns outros conversavam com visível empolgação, como se jogos de sobrevivência fossem algo familiar para eles. Pelo brilho em seus olhos, ficava claro que tinham experiência ou, no mínimo, conheciam bem as mecânicas.
— Além dos elementos básicos de sobrevivência, a administração correta desses papéis será crucial — continuou Mashima‑sensei. — As "Táticas" do Comandante têm usos limitados, mas podem virar completamente o jogo. Além disso, os "Eventos" periódicos também influenciarão bastante a situação. Espero que todos leiam o manual e entendam esses detalhes por conta própria.
Seguindo suas instruções, virei a página para encontrar as especificações do papel de Comandante.
Táticas do Comandante
(Podem ser usadas a qualquer momento)
Bloqueio Total de GPS
Desativar o GPS de todos os estudantes da classe escolhida por 30 minutos. (Limite: 1 uso)
Bloqueio Individual de GPS
Desativar o GPS de um estudante específico por 30 minutos. (Limite: 3 usos)
Análise de GPS
Revela o nome e papel do estudante selecionado. (Limite: 5 usos)
Observação: mesmo durante o Bloqueio Total ou Individual, o Comandante da classe que usou a Tática ainda pode ver as localizações corretas a cada 5 minutos.
As Táticas, como Mashima‑sensei havia explicado, tinham poder suficiente para mudar totalmente o rumo da batalha — se usadas corretamente. Mas, se usadas no momento errado, poderiam se tornar completamente inúteis. No fim, exigiam julgamento preciso.
O Bloqueio Total de GPS, em particular, parecia destinado a ser uma carta na manga extremamente poderosa. Tanto para montar emboscadas quanto para permitir uma fuga limpa, suas possibilidades eram muitas.
Enquanto eu refletia sobre essas estratégias, funcionários da escola apareceram de repente carregando caixas e começaram a distribuir relógios idênticos aos que usamos no ano passado. Colocamos os dispositivos no pulso e passamos pelo processo inicial de configuração.
— Estes relógios não devem ser removidos — advertiu Mashima‑sensei. — Durante o exame especial, é obrigatório usá‑los vinte e quatro horas por dia. Se removê‑lo mesmo uma única vez, você corre o risco de desclassificação imediata. Caso ocorra qualquer mau funcionamento ou erro, reporte ao seu Comandante imediatamente, ou dirija‑se diretamente à sede.
Ele continuou:
— Assim como no ano passado, o relógio pode exibir sua pressão arterial, frequência cardíaca e também sua área atual e direção. Além disso, se um disparo de tinta atingir sua roupa, o sensor interno será ativado, o relógio detectará o impacto e um veredicto de OUT será emitido automaticamente. Em outras palavras, no momento em que o relógio exibir OUT, você estará desclassificado. Os estudantes designados como Batedores também terão acesso a um recurso especial de detecção por GPS que rastreia outras classes. O relógio possui ainda outras funções menores, portanto, consultem o manual de regras para mais detalhes.
Ainda havia várias páginas restantes no manual — a maioria dedicada às funções do relógio de pulso, instruções de uso e uma lista de regras adicionais. Eu poderia analisá-las mais tarde. Por ora, já tinha entendido o esboço geral do exame.
— Então, a classe cujos três VIPs forem eliminados primeiro vai ter que sacrificar um aluno para expulsão, é isso? É… imaginei que fariam algo assim — murmurou Hashimoto, girando o pulso para examinar o relógio preso ao braço.
— Exatamente como você previu, não é? — acrescentou.
— Mais ou menos.
Pelo modo como esses papéis estavam estruturados, os alunos que se deslocariam pela ilha não teriam meios de identificar sua localização precisa — nem por dispositivos, nem por qualquer tipo de mapa ou tela visual.
O mesmo valia para identificar as outras classes.
A única forma de obter essa informação era receber instruções do Comandante, na Sede, através do rádio — com o VIP designado atuando como intermediário.
Na prática, isso tornava o sistema muito mais difícil do que parecia no papel. Um único relatório perdido ou uma transmissão atrasada poderia causar um mal‑entendido fatal. Até mesmo um pequeno deslize na comunicação poderia resultar em perigo no campo.
E, se um aluno se separasse de seu VIP, ficaria obrigado a procurar seus companheiros usando apenas o sinal do relógio — ficando vulnerável a emboscadas a qualquer momento.
— Imagino que todos já tenham lido o manual de regras — disse Mashima‑sensei, sua voz cortando o burburinho. — Este exame terá duração máxima de quatro dias e três noites. Vocês usarão seu suprimento inicial de munição de tinta, além do que obtiverem nas caixas de suprimentos dos eventos, para competir e determinar o resultado final.
Enquanto ele falava, revisei a seção final: os detalhes dos eventos.
Os eventos ativariam automaticamente às 11h (10h no Dia 1), e depois às 13h, 15h e 17h.
1. Quedas de Suprimentos:
Uma caixa aparece em uma área específica durante uma hora, e seu conteúdo pode ser coletado.
Os itens se dividem em três tipos: comida, itens de uso diário e munição de tinta.
Os detalhes e quantidades são desconhecidos até a coleta.
A abertura usa uma senha compartilhada que muda a cada hora. (É proibido carregar a caixa.)
2. Áreas Restritas:
A partir do Dia 2, quadrantes do mapa começarão a se tornar inutilizáveis.
Uma hora após o anúncio, a área se torna oficialmente proibida.
Permanecer nela por mais de cinco minutos resulta em desclassificação.
Isso resumia bem as regras essenciais que precisaríamos ter em mente.
Um elemento particularmente importante era o encolhimento progressivo do campo de batalha. A partir do segundo dia, quatro vezes ao dia, novas áreas seriam declaradas proibidas. Depois do anúncio, haveria apenas um período de graça de uma hora antes da proibição. Dependendo de quais locais fossem bloqueados, evitar encontros poderia se tornar impossível — e, no pior caso, você poderia caminhar direto para uma emboscada.
Outra regra notável era o período de "horário ocioso", das 18h às 9h. As atualizações do GPS eram interrompidas nesse intervalo, embora ainda fôssemos autorizados a nos mover. Entretanto, ao amanhecer, éramos obrigados a retomar o exame exatamente da posição ocupada às 18h do dia anterior. Isso eliminava completamente a possibilidade de manobras noturnas de longo alcance destinadas a surpreender o inimigo ao amanhecer.
Considerando o tamanho da ilha, comecei a imaginar vários cenários hipotéticos de fim de jogo.
Desta vez, a escola havia deixado as apostas perfeitamente claras. Uma expulsão aguardava a primeira classe a ser completamente eliminada. O aluno expulso seria escolhido entre os próprios membros da classe.
À primeira vista, as regras exigiam um sacrifício inevitável.
Mas, na prática, a maioria das classes já tinha métodos simples de minimizar os danos.
Quando o risco de expulsão foi anunciado, o que todos provavelmente imaginaram foi o sacrifício imediato de "o aluno que tem Pontos de Proteção", ou talvez um líder autoritário forçando alguém a se oferecer.
De fato, a única margem de salvação estava na palavra "seleção" — significando que o julgamento final caberia à própria classe. Escolher alguém com um Ponto de Proteção anularia a penalidade. No entanto, se essa pessoa entregaria voluntariamente seu ponto, era outra história.
Assim, a penalidade por terminar em último e a consequência de ser completamente eliminado eram, essencialmente, a mesma — dois caminhos diferentes levando ao mesmo destino desagradável. Naturalmente, todas as classes queriam evitar esse resultado.
Ainda assim, se todas ficassem excessivamente cautelosas por medo da expulsão, surgiria inevitavelmente o perigo de um empate. E, como a decisão em caso de empate dependeria puramente da sorte, nenhuma classe podia se dar ao luxo de evitar conflito para sempre.
Mais cedo ou mais tarde, querendo ou não, o confronto seria inevitável. Mesmo assim, Mashima‑sensei e os outros instrutores não demonstravam tensão alguma, nem qualquer sinal de peso no olhar. Era muito mais brando do que eu esperava — quase como se um caminho de fuga estivesse deixado à vista. Nesse sentido, estava claro que a escola ainda estava se contendo.
— Agora, explicarei as armas que os guardas têm permissão para usar — disse Mashima‑sensei.
Ele retirou um fuzil de assalto de uma caixa de papelão — uma réplica quase idêntica de uma M16 — e depois ergueu também uma espingarda. Ao lado dele, Sakagami‑sensei apresentou mais dois modelos: uma arma de paintball no estilo submetralhadora e uma do tipo pistola.
— O que é isso? — Uma voz surpresa veio da direção da Classe A. — Nunca vi uma arma de paintball assim.
— São protótipos, ainda não disponíveis comercialmente — explicou Mashima‑sensei. — Quanto aos detalhes… vou deixar para Kishinami‑san.
Mashima‑sensei olhou para o lado, e um adulto que eu nunca vira antes — que aguardava ali próximo — fez uma reverência educada.
— É um prazer conhecê‑los. Meu nome é Kishinami, e sou um representante de vendas da Kanto Shooter Co., Ltd., uma empresa especializada na fabricação de armas de brinquedo — incluindo airsoft e armas de modelo. Hoje, em cooperação com a equipe e os alunos da Advanced Nurturing High School, estamos conduzindo um teste de campo de nossos novos modelos competitivos de armas de tinta, atualmente em desenvolvimento para uso em um futuro próximo. Esses modelos mantêm a ergonomia e a manipulação de armas reais, mas disparam tinta com segurança. Além disso, os uniformes esportivos que vocês estão vestindo contêm nossas mais recentes tecnologias proprietárias — sensores térmicos, tecidos reativos à cor e módulos de detecção de impacto. Quando um disparo de tinta atinge o abdômen ou as costas com força suficiente e estoura, o sistema se conecta ao relógio de pulso para registrar um OUT. Em alguns casos, um acerto pode não levar à desclassificação imediata, mas, para o tórax e as costas, considerem que um único acerto resultará em OUT. Se respingos leves e superficiais atingirem a borda do uniforme, o sensor pode não ativar. Nesses casos, o impacto será considerado SAFE. Contudo, como estes ainda são protótipos, é possível — embora raro — que um acerto limpo não seja registrado.
— E, nesse caso — advertiu ele com suavidade, — não assumam que estão seguros. Parem imediatamente e se reportem.
Ele falava com a cadência tranquila de um vendedor experiente. Mashima‑sensei assentiu, acrescentando sua própria explicação:
— Se um mau funcionamento declarar incorretamente um SAFE como OUT, trataremos como um caso de resgate. Se um OUT for julgado como SAFE, não haverá penalidade, desde que você reporte imediatamente. Mas continuar lutando depois de saber que foi atingido será tratado como uma violação grave — que pode resultar na derrota total da sua classe, então cuidado. Se você acreditar que ocorreu um mau funcionamento, basta usar a função de comunicação do seu relógio para relatar aposentadoria ou problema de saúde, fornecendo os detalhes necessários.
A escola verificaria cada caso pessoalmente e, se um acerto fosse considerado SAFE, o estudante poderia retornar ao campo.
Além disso, ficou claro que roubar, adulterar ou usar a arma de outra classe de qualquer forma era estritamente proibido. O mesmo valia para agredir ou imobilizar um adversário — seja socando, chutando ou de qualquer forma impedindo-o de disparar. Qualquer estudante flagrado seria desclassificado imediatamente, e a classe perderia 100 Pontos de Classe na hora.
— Se o comportamento for suficientemente malicioso, o estudante ainda poderá ser submetido a uma revisão de expulsão — acrescentou Mashima‑sensei.
— Este é um ponto importante, então continuarei a explicação, embora algumas partes possam se repetir — disse Mashima‑sensei. — Quando uma bola de tinta acertar, o relógio vinculado emitirá um OUT e tocará um bip de dois segundos. Se o estudante OUT for um Guarda, deve cessar imediatamente o ataque antes que o som termine. Continuar atacando depois de um OUT resultará em penalidade. E não confunda esses dois segundos com margem de manobra. Se você continuar atacando, resistindo ou interferindo sabendo que está OUT, será considerado intencional e receberá penalidade. O mesmo vale para ataques fora do horário do exame. Além disso, todos devem ter consciência de que qualquer ato que abale a base das regras do exame especial não será tolerado de forma alguma.
Pelo que foi explicado até então, qualquer respingo de tinta que não acionasse o sensor não contaria como OUT, Ainda assim, em situações duvidosas, a opção mais segura era se reportar à administração.
Kishinami, o representante da empresa, adiantou-se e retomou a explicação com precisão:
— As armas que vocês recebem no início não apenas têm aparências diferentes, mas também especificações de desempenho distintas. Este fuzil de assalto estilo M16 tem o maior alcance e capacidade de 50 disparos. A espingarda tem cerca de metade do alcance e capacidade menor de 30 disparos, mas dispara 5 tiros de uma vez. A submetralhadora tem o mesmo alcance do fuzil de assalto, mas capacidade de 30 disparos; em compensação, é leve e fácil de manusear com uma mão. Usar duas dessas armas principais ao mesmo tempo é proibido. Quanto às pistolas, cada classe receberá apenas duas, mas elas são as únicas que podem ser empunhadas duplamente. O usuário deve, no entanto, usar um coldre visível na perna. Todas as armas possuem bateria interna com duração estimada de 1000 disparos. Se a bateria acabar, só poderá ser recarregada com munição das caixas de suprimentos dos eventos. Embora tenham algum grau de resistência à água, cuidado: exposição prolongada à chuva forte ou submersão em água do mar ou rio pode causar falha.
O vendedor fez uma breve pausa, expirando suavemente. Então, como se tivesse acabado de se lembrar, acrescentou:
— Todos os projéteis de tinta são totalmente biodegradáveis. Não importa quanto vocês atirem, não haverá dano ambiental. Portanto, aproveitem ao máximo.
Se a tinta causasse dano ambiental, isso seria um problema. Mas, como não havia efeitos negativos nesse sentido, não havia motivo para hesitar ao disparar.
— O número de armas inicialmente dado a cada classe será igual ao número de Guardas, mas cada tipo de arma tem limite. Não é possível que todos escolham fuzis de assalto ou submetralhadoras.
Ficou claro que a empresa parceira queria diversidade de armas no campo.
— E a munição é limitada. Sua arma principal começa totalmente carregada, e cada um recebe apenas um carregador completo adicional. Use os disparos descuidadamente, e eles acabarão antes que percebam. Nesse caso, vocês terão que obter mais projéteis nas caixas de suprimentos durante os eventos.
Ou seja, o exame era projetado para forçar competição por recursos.
— O horário do primeiro dia deste exame especial será das 9h às 18h — declarou Mashima‑sensei, sua voz clara sobre as ondas. — O sinal de abertura e fechamento da janela de combate será dado pelo toque das buzinas do navio. O início oficial é às 9h, e observem: o primeiro Evento começa às 10h, não às 11h. Depois disso, os eventos ocorrerão conforme o cronograma do manual. Além disso, combate fora do horário oficial do exame é estritamente proibido.
Ele fez uma pausa, permitindo que a advertência fosse assimilada, antes de acrescentar:
— Se houver combate fora do horário do exame e outro estudante for marcado como OUT, o aluno que violou a regra será declarado OUT em seu lugar. Além disso, caso atos fraudulentos para encobrir essas violações sejam descobertos, uma quantidade significativa de Pontos de Classe será deduzida da classe do infrator. Se o ato for considerado malicioso, a expulsão imediata também poderá ser aplicada.
O manual em minhas mãos continha muito mais do que o cronograma de eventos. Entre o texto denso, estavam centenas de regras, regulamentos e medidas de contingência.
Um acerto fora do horário do exame não contaria.
Um disparo falho poderia ser reportado; a equipe verificaria e até forneceria uniforme substituto.
Um mau funcionamento que registrasse um OUT indevido poderia ser contestado — mas apenas se o estudante provasse que não havia sido atingido.
Naturalmente, esses casos de revisão exigiam prova absoluta de que o estudante não foi atingido. Portanto, era mais seguro presumir que não haveria anulação se, por exemplo, o aluno fosse atingido por tinta após uma falha do dispositivo.
Na ilha, adoecer significava desqualificação imediata. Quebrar intencionalmente o relógio acarretava a mesma penalidade.
Crucialmente, qualquer anomalia detectada preservaria os registros de áudio antes e depois do incidente — deixando pouca margem para desculpas.
Diante de tantas situações inesperadas, era mais seguro revisar o manual minuciosamente.
Uma coisa ficou clara: embora a escola pudesse ignorar pequenos problemas operacionais, qualquer ato fraudulento que ameaçasse a integridade do exame — remover o uniforme sensorizado para evitar acerto ou continuar disparando após o sistema registrar impacto — nunca seria tolerado. A consequência seria uma expulsão combinada com perda massiva de Pontos de Classe.
Nem mesmo Ryuen poderia quebrar essas regras.
E eu também não.
O risco superava qualquer benefício possível.
A única vulnerabilidade que poderia tentar um Comandante a arriscar seria a saúde rapidamente decrescente do VIP, mas as regras declaravam severamente penalidade de 200 pontos — o dobro da perda padrão — se tal continuação forçada fosse descoberta. Claramente, no pior cenário, a ação mais segura era simplesmente declarar aposentadoria imediata.
E havia o relógio de pulso, distribuído a cada estudante assim como no ano passado. O uso obrigatório, vinte e quatro horas por dia, era inegociável, atuando como monitor constante de frequência cardíaca e pressão arterial. Caso houvesse mau funcionamento ou remoção não autorizada, o sistema enviaria alerta imediato à Sede.
A novidade deste ano era que o relógio agora incluía função de bússola e um botão de Retirada, permitindo que o estudante declarasse voluntariamente sua incapacidade de continuar devido a lesão grave ou problema de saúde sério.
Forçar a continuação enquanto se encontra em um estado que requer atenção médica seria realmente um ato de cem malefícios para nenhum benefício.
— Agora — disse Mashima-sensei, a voz ecoando entre os estudantes, — um representante de cada classe — qualquer um serve — deverá se apresentar para sortear. Isso decidirá a localização inicial de vocês para o início às 9h. As coordenadas disponíveis são C12, E12, G12 e I12. Vocês começarão a aproximadamente quinze minutos de caminhada uns dos outros.
Quinze minutos. Uma estimativa bastante otimista. Mesmo considerando a área de exame reduzida, eu me perguntei se essa curta distância era mais uma consequência do desenvolvimento que tínhamos notado. Embora os pontos de partida fossem tecnicamente separados, na prática estavam praticamente à distância de um passo. Dependendo das posições designadas, uma equipe poderia, correndo em sprint completo pela praia arenosa — mesmo com terreno irregular — alcançar contato em menos de cinco minutos.
Claro, esse tipo de corrida imprudente não era realista. Se saíssemos disparando para a praia, desesperados para iniciar o combate, as outras classes nos veriam imediatamente e nos bombardeariam com tinta. Era uma estratégia de alto risco e baixo retorno.
Logicamente, as melhores coordenadas seriam C12 na extremidade oeste, para evitar ser encurralado, ou I12, que oferecia uma rota de fuga fácil para o leste.
Ainda assim, o sorteio que decidia um ponto inicial tão importante não mudava dependendo de quem o tirasse. Então me virei para Sanada, que estava por perto, e pedi que ele sorteasse por nós. Ele concordou com um simples aceno e avançou sem hesitar.
Enquanto Mashima-sensei e a equipe concluíam seu discurso final, cada classe foi instruída a se separar e formar um círculo compacto ao redor de seu respectivo professor titular. Nesse momento, Hashimoto se aproximou de mim e falou:
— Cara, eles falaram um monte, mas a essência é só vencer um jogo de sobrevivência classe contra classe, né?
— É mais ou menos isso — respondi.
— Por enquanto, deveríamos nos manter de lado, nos distanciar dos outros e observar, né? Deixar que se matem entre eles.
Seria ideal, certamente — mas duvidava que as coisas se encaixassem tão convenientemente. Toda a estrutura — regras, recursos limitados, terreno — foi projetada para levar os estudantes à mesma tática: aproveitar um "lucro oportuno" no momento certo.
*
O sorteio foi rápido, decidindo que nossa classe começaria na área E12. C12 ficou com a Classe B de Ryuen, G12 com a Classe A de Horikita, e I12 com a Classe D de Ichinose.
Sanada, retornando do sorteio, pediu desculpas por não ter conseguido uma das posições estrategicamente superiores nas extremidades, mas rapidamente descartei sua preocupação — era um resultado fora do controle de qualquer um.
Logo em seguida, fomos conduzidos a uma fileira de caixas de papelão, onde começou o briefing sobre os suprimentos iniciais preparados para cada classe.
— O que vocês veem diante de vocês são os suprimentos iniciais fornecidos a cada classe, e o conteúdo é idêntico para todas as quatro classes — anunciou o instrutor. — Vocês podem levar tudo daqui ou, se julgarem algo desnecessário, podem deixar qualquer quantidade para trás. No entanto, fiquem avisados: assim que o exame começar, os suprimentos restantes serão recolhidos e não poderão ser recuperados depois. Considerando isso, vocês devem discutir e decidir entre si o que é absolutamente necessário.
Um teste de sobrevivência com duração máxima de três noites e quatro dias. Cada item retirado exigia consideração cuidadosa.
Por enquanto, no entanto, especular era inútil. Nos reunimos em torno da caixa designada e abrimo-la para ver com o que estávamos lidando. A primeira coisa que nos recebeu foi uma dura realidade — um suprimento de comida miseravelmente pequeno, longe do suficiente para nos sustentar.
— Sério? É só isso? — murmurou uma voz. — Isso nem dura um dia.
As provisões consistiam apenas de blocos nutricionais e água mineral. Uma contagem rápida revelou apenas dois de cada por estudante, sem absolutamente nada mais comestível. Parecia que apenas o suficiente havia sido preparado para ser consumido antes do almoço.
— Então é assim — murmurou Hashimoto. — Se quisermos comida, teremos que lutar por ela durante os eventos… eles realmente não estão poupando esforços.
Com a segurança alimentar diretamente ligada aos eventos especiais, a participação deixou de ser opcional. E com isso, o risco de confronto com outras classes disparou. Poderíamos tentar ignorar os eventos, mas o sistema estava claramente projetado para tornar isso impossível. Os suprimentos iniciais eram propositalmente insuficientes.
Se o objetivo era forçar o conflito, essa era a pressão necessária para fazê-lo acontecer.
— Olhando para as regras, enquanto continuarmos fugindo, não podemos perder — pelo menos por enquanto — observou Shiraishi, pegando uma das caixas de blocos nutricionais. — Vejam, as bolas de tinta não são usadas se não houver combate, mas você não pode fugir da fome.
Ela estava certa. Era um fato inegável: para qualquer classe que não conseguisse suprimento suficiente de comida, o leque de estratégias disponíveis rapidamente se estreitaria, levando ao pânico, seguidos de combates imprudentes e, eventualmente, à eliminação. A escolha fundamental diante de nós era clara: arriscar-se para recuperar suprimentos, ou evitar o risco e suportar a escassez. Ou talvez, tentar uma estratégia equilibrada que navegasse pelo meio perigoso.
O debate em nossa classe já começava a esquentar, e as opiniões divergiam nitidamente.
— Ainda acho que ir atrás dos eventos próximos é muito perigoso — argumentou Sugio, olhos fixos nervosamente na pilha miserável de blocos nutricionais. — Em vez de arriscar uma eliminação precoce, que tal evitar completamente a Classe A e atravessar a montanha desde o início? Teríamos muito mais chances de monopolizar os eventos na região nordeste. Nenhuma outra classe se daria ao trabalho de atravessar tudo isso só para brigar, certo?
Shimazaki imediatamente descartou a ideia.
— Sou contra. E se outras classes tiverem a mesma ideia? Além disso, mesmo que gastemos toda essa energia atravessando a montanha, não há garantia de que algum evento apareça no nordeste.
Todos nós apenas supúnhamos que os eventos seriam distribuídos uniformemente, mas a verdade só se revelaria quando o exame começasse de fato.
— Nesse caso — acrescentou Shimazaki, — acho melhor permanecermos próximos do ponto de partida até o primeiro evento ser anunciado.
O plano de Sugio poderia evitar o combate imediato, mas estava cheio de outros perigos: o cansaço da travessia da montanha, a incerteza da localização dos eventos e os movimentos imprevisíveis dos rivais. Nada podia ser ignorado. Nesse estágio, derivar uma única resposta correta era impossível, mesmo para mim.
Para ir para o norte a partir de nosso ponto de partida, a rota mais curta e segura passava por um caminho estreito à beira do rio em G8. Mas, com a Classe A tendo vantagem geográfica, eles certamente correriam para controlar aquele ponto estratégico. Se nós fossemos atrás, o conflito seria quase certo.
— Então ficamos parados sem fazer nada? — retrucou Sugio. — Isso significa nos preparar para a luta no instante em que começar. E se nossos três VIPs forem eliminados imediatamente? Aí, o que fazemos?
Ele imaginava o pior cenário — nosso exame terminaria em apenas 1 hora, em vez de durar os 3 dias.
— Ok, ok, calma, vocês dois — interrompeu Hashimoto, se colocando entre eles com desenvoltura. — Sugio, entendi seu ponto. Mas antes de nos adiantarmos, vamos terminar de conferir o restante dos suprimentos. Tenho certeza de que nosso líder aqui vai bolar um plano brilhante enquanto isso.
Dar uma ideia era fácil. Mas insistir nela para todos significava assumir a responsabilidade pelo resultado. Olhando para Sugio e Shimazaki, ficou claro que nenhum deles estava pronto para carregar esse peso.
— É… certo.
As palavras de Hashimoto encerraram efetivamente o debate, e todos os olhos se voltaram para mim. A crise imediata da estratégia inicial estava em suspenso, mas a tensão permanecia. Em um exame que exigia movimento constante e ameaça permanente de combate, não era surpresa que a classe estivesse alerta. Para um grupo como o nosso, com forças fortemente voltadas para o acadêmico, um único passo em falso no campo poderia ser fatal. O medo era palpável.
Deixando de lado os movimentos iniciais e o problema da comida, nos voltamos para a próxima caixa. Dentro dela havia itens menores: mapas de papel, canetas, escovas de dente e produtos de higiene. Mashima-sensei acrescentou que poderíamos levar quantos quiséssemos, desde que não descartássemos nada e devolvêssemos tudo ao final do exame. Por serem pequenos, fazia sentido pegar bastante reserva.
Em seguida, abri a maior caixa de papelão, revelando uma variedade de barracas de diferentes tamanhos.
— Barracas, hein — disse Hashimoto, observando-as. — Precisamos decidir o que levar, e rápido. A grande questão é quanto do planejamento devemos deixar nas suas mãos, Ayanokoji.
Seus olhos se voltaram para mim, silenciosamente buscando direção. Eu lhe dei um pequeno aceno.
— Fornecerei a base principal do que é necessário e a capacidade aproximada que devemos carregar — afirmei. — Se houver objeções a essa estrutura, quero ouvi-las com os devidos argumentos nesse momento.
Meu objetivo era primeiro estabelecer um quadro funcional e, depois, incorporar as opiniões dos colegas conforme necessário. Esse método era a melhor maneira de evitar perder tempo precioso em um debate interminável.
Idealmente, cada um teria sua própria barraca para uma noite confortável, mas quarenta pessoas carregando barracas individuais seria um pesadelo logístico, prejudicando severamente nossa mobilidade. Isso significava que precisaríamos priorizar barracas para duas ou mais pessoas desde o início. Essa estratégia também facilitaria alternar posições ou compartilhar abrigo quando cansados.
Mas a questão mais crítica era quantas levar no total. À medida que o exame avançasse, estudantes seriam inevitavelmente eliminados. Isso tornaria as barracas grandes e multipessoas rapidamente um peso morto. Na verdade, a dinâmica se inverteria completamente, com as menores e mais práticas barracas de uma ou duas pessoas tornando-se muito mais valiosas. Elas tinham montagem rápida, sendo fáceis de armar e guardar com pressa.
Enquanto calculava mentalmente o equilíbrio necessário de barracas a levar, lancei meus olhos para o último grupo de caixas de papelão restantes. Dentro delas estava o material mais essencial: as armas para o combate.
— Uau, parecem de verdade de perto — respirou Hashimoto, estendendo a mão para pegar um fuzil de assalto. — Nunca tinha tocado em um desses antes.
Quando contei as unidades, parecia que um total de quarenta armas principais havia sido preparado: vinte fuzis de assalto, dez metralhadoras e dez espingardas. Além disso, havia duas pistolas designadas como armas secundárias. Como uma arma principal — que serviria como força primária em qualquer luta — poderia ser possuída por cada Guarda, o suprimento era suficiente para que todos os membros da nossa equipe de combate estivessem armados.
— Essas espingardas parecem complicadas, hein — acrescentou Hashimoto, erguendo uma. — E ainda são pesadas.
Peguei os três tipos de armas principais e examinei-os rapidamente. A verdadeira sensação de uma arma só ficaria clara ao usá-la de fato, mas apenas pela distribuição, o fuzil de assalto parecia o mais equilibrado e fácil de usar. Provavelmente preencheríamos as vagas restantes de Guarda com metralhadoras e espingardas.
Morishita se aproximou após conferir a contagem.
— Se começarmos sem Analistas, podemos levar duas armas extras. O que acha?
— Ter mais munição em campo é uma vantagem, isso é verdade — admiti, — mas precisaremos de Analistas eventualmente. Quando os designarmos mais tarde, teremos que lidar com o incômodo de gerenciar as armas agora excedentes. Difícil dizer se seria um ganho líquido.
Armas não eram descartáveis. Não podiam ser jogadas de lado como galhos quebrados. Tudo o que carregássemos teria que ser levado de volta novamente. Se os Guardas pudessem empunhar duas armas ao mesmo tempo, poderíamos contornar o sistema. Mas as regras encerravam imediatamente essa opção. Armas extras apenas atrapalhariam alguém e nos desacelerariam.
Crucialmente, toda vez que um Analista ou Batedor fosse declarado OUT, ele seria substituído por um Guarda, o que significava que nossa carga total só continuaria a aumentar.
— Vamos manter a política de sem excedentes — declarei, cortando a indecisão.
— Ou seja, você não pretende levar nada extra — respondeu Morishita. — Em situações como essa, o instinto natural é ter um seguro — pegar o que puder, só por precaução.
Era verdade. Se uma arma quebrasse, ou se ficássemos sem munição, ter reservas seria reconfortante. Se todos conseguissem se manter ativos, aquelas armas extras poderiam fazer diferença. Exatamente por isso o desejo de agarrar-se a essa sensação de segurança era completamente natural.
— Se precisarmos de algo, podemos conseguir nos eventos. É para isso que o sistema serve — disse.
Claro, a ideia de passar por todo o exame sem que ninguém se machucasse era irrealista. Alguém certamente seria eliminado antes de usar os suprimentos que carregava. E em nossa classe — onde o poder ofensivo era escasso — carregar armas extras não significava nada se não houvesse habilidade para disparar. Equipamentos extras só tinham valor quando apoiados pela capacidade de utilizá-los.
Além disso, se pegássemos excedentes, o candidato seria a metralhadora leve, mas sua munição era limitada a apenas sessenta tiros por unidade, mesmo com reservas. E, como o padrão de carregador era diferente do fuzil de assalto, trocar munição exigia remover e recolocar os cartuchos manualmente, gerando incômodo desnecessário.
Havia maneiras melhores de gerenciar nosso arsenal — recuperar armas de colegas eliminados ou criar depósitos de munição dedicados em mochilas específicas desde o início. Essas opções de backup eram importantes e moldavam minha decisão tanto quanto o peso das próprias armas.
— Bem, deixo com você — disse Morishita. — Prefiro passar a responsabilidade para Ayanokoji Kiyotaka de qualquer forma.
— Tudo bem — respondi.
Após confirmar o consenso geral da classe, relatei o que precisávamos a Mashima-sensei e recebemos os suprimentos. Os itens mais pesados — como a água — foram destinados aos garotos com força e resistência para carregá-los, enquanto as meninas e aqueles menos aptos para trabalhos físicos receberam apenas suas roupas e o mínimo necessário. Reduzir a carga delas era mais prático a longo prazo.
— Antes do exame começar, há algo que preciso que todos ouçam — disse. Minha voz cortou o suave barulho de zíperes, sacos sendo remexidos e preparativos finais. Todos se voltaram para mim.
— Quero explicar o que acontece se formos a primeira classe a ser eliminada.
O rosto de Matoba se enrijeceu, um desconforto passando por sua expressão.
— Falar sobre perder antes mesmo de começar? Por que mencionar isso? — Sua voz carregava suspeita, talvez pensando que eu estava oferecendo desculpas antecipadamente.
— Haverá uma penalidade inevitável quando esse momento chegar — disse. — Seremos obrigados a expulsar alguém. Para evitar o caos depois, quero que decidamos com antecedência quem será.
A reação foi imediata. Uma tensão fina e aguda espalhou-se pelo grupo, como se cada estudante recuasse instintivamente da ideia.
— Quer dizer… eu entendo — murmurou Matoba. — Ninguém quer lutar pensando que pode ser o escolhido para expulsão, mas…
— Ayanokoji-kun — disse Sanada com cuidado, — isso é realmente a decisão certa?
O tom dele alinhava-se com o de Matoba, ambos reconhecendo exatamente a gravidade do assunto.
— Ninguém na nossa classe tem um Ponto de Proteção — acrescentou Matoba. — Isso significa que, se formos eliminados, alguém será expulso. Para quem escolhemos, é uma sentença de morte.
Eles estavam certos. Ninguém aceitaria voluntariamente ser o sacrifício designado.
— Além disso — continuou Matoba, desafiando minha liderança, — só porque você é o líder, você realmente pretende decidir quem será expulso daqui?
Sua voz ecoou o sentimento não dito de muitos. Ninguém ali queria se voluntariar. E, por eu ser recém-chegado, deixar que eu tomasse uma decisão dessas naturalmente despertou resistência.
— Não deveríamos decidir isso depois de perder? — alguém sugeriu. — Podemos considerar quem foi responsável. Ou apenas sortear e compartilhar o mesmo destino. Não são essas as únicas formas justas?
A maioria rejeitou a ideia de decidir agora. Estava escrito em seus rostos. Mas eu já havia ponderado a situação muito antes de levantar o assunto.
— Hashimoto Masayoshi, parece que a política de Ayanokoji Kiyotaka já está definida — Morishita interveio de repente, cortando a tensão. — Posso entender qual decisão ele tomou sem nem precisar de explicação.
— Sério? — perguntou Hashimoto, cético.
Morishita encarou o desconfiado Hashimoto e fez um aceno confiante e decisivo.
— Se incorrermos na penalidade, então quem se sacrifica para proteger a classe será, claro, Hashimoto Masayoshi. Esse é o resultado mais justo e equilibrado.
— Entendi, isso faz totalmen… NENHUM sentido. Ah, me poupe! Não acredito que eu realmente levei você a sério por um instante..
— É mesmo? Estou falando sério de verdade, sabia? Não acha que todos, exceto você, Hashimoto Masayoshi, aceitariam felizmente essa proposta?
— Claro que aceitariam — rebateu ele. — Contanto que estejam seguros.
— Exatamente. Todos estão salvos. Não há vítimas infelizes.
— Exceto eu! Como isso é perfeitamente justo?
— Não tem o que fazer. Você protegerá a classe e se tornará uma estrela — um herói. Adeus, Hashimoto Masayoshi. Lembrarei da sua existência… por pelo menos uma semana.
— Só uma semana? Não, mesmo que fosse um ano, eu jamais aceitaria. E, além disso, você acabou de jogar meu nome aí na esperança de realmente me fazer o peão sacrificial, não foi?
Ninguém queria ter seu nome vinculado ao papel de aluno expulso. E em situações como essa, a culpa naturalmente recaía sobre quem não era popular.
— Tch, então percebeu — murmurou ela.
— Você realmente estalou a língua... Não posso baixar a guarda nem por um segundo perto de você — disse Hashimoto, encarando-a por um instante antes de se voltar para mim, a expressão carregada de desconforto.
— Se Hashimoto quer se voluntariar, tudo bem — disse eu. — Mas, infelizmente para ele, já decidi quem será expulso se chegarmos a esse ponto. E mesmo que alguém se oponha, não mudarei essa decisão.
— Espera aí — explodiu Matoba. — Como eu disse antes, ser o líder não significa que você pode decidir tudo—
Eu o interrompi com a mão levantada.
— Se incorrermos na penalidade… eu assumirei o papel eu mesmo.
O burburinho cessou instantaneamente. Um silêncio atônito caiu sobre a classe. Até Mashima-sensei, que observava com os braços cruzados, deixou-os cair inconscientemente ao lado do corpo.
— Você está falando sério? — Matoba perguntou, com a voz quase um sussurro. — Você é o líder.
— Um líder assumindo a responsabilidade pela derrota soa admirável, mas essa não é a razão — respondi. — A verdade é mais simples. Ainda sou um estranho — alguém que entrou nesta classe recentemente. Vim aqui para impulsionar a classe, para ajudá-la a vencer. Se o resultado deste exame terminar em derrota, carregar esse peso sozinho é o curso lógico. É um papel que naturalmente recai sobre alguém como eu.
— Pode até ser verdade — retrucou Hashimoto, — mas este não é um teste onde você decide tudo sozinho. Nossa classe nem é boa nesse tipo de coisa. E se você for expulso, o que acontece com a classe depois?
— De qualquer forma — disse eu, encontrando seu olhar, — de que adianta um líder que deixa a classe ser esmagada sem lutar? Você não poderia confiar em mim de qualquer jeito.
— Entendi… Bem, você pode encarar assim, certamente — admitiu Hashimoto, embora sem entusiasmo.
Para uma classe que havia afundado até o fundo, o que precisavam não era de incentivo vago. Precisavam de uma base — uma razão concreta para acreditar que a vitória era possível.
Morishita falou em seguida, com tom firme.
— Um líder aceitando a responsabilidade é algo que posso reconhecer. Se formos forçados a expulsar alguém, Ayanokoji Kiyotaka desaparecerá. Por enquanto, esse arranjo está bem. Ao menos, nossa segurança imediata está garantida.
Ela não estava sendo fria. Estava sendo racional — focada em minimizar o peso emocional para os demais.
— Ainda assim — continuou sem hesitar, — quando esse momento chegar, você se voluntariará nobremente em meu lugar, não é, Hashimoto Masayoshi?
— Você realmente não vê a hora de me sacrificar, né? — murmurou Hashimoto.
Mas, diferente de antes, ele não ofereceu resistência forte. Parte disso era porque discutir com Morishita era exaustivo e inútil.
Mas havia outra razão. Se eu fosse expulso, seria um golpe fatal para as próprias ambições de Hashimoto. Já tendo desistido de sua vaga em outra classe, eu era sua única esperança restante para a Classe A.
Mesmo que a situação se desenrolasse da pior maneira possível, ele não aceitaria totalmente. Mas ao menos poderia aceitar que alcançar a Classe A não seria mais possível.
Diante dessa realidade, ele não tinha outra opção a não ser confiar no meu julgamento e engolir a decisão por enquanto. E como não poderiam apresentar um sacrifício alternativo, não havia outras escolhas a ponderar.
— Mashima-sensei — disse, voltando-me para ele. — Há algum problema em deixar os outros saberem dessa decisão?
— Claro que não. Seja a verdade ou uma mentira, não há problema em divulgar quem será expulso em caso de derrota.
— Então eu gostaria de fazer um pedido.
— Qual?
— Quero que confirme oficialmente que, caso uma expulsão seja necessária, essa vaga será minha. Isso é para evitar que eu desista depois. Definir isso antecipadamente não viola nenhuma regra do exame, certo?
— Você está falando sério? — ele perguntou, finalmente perdendo a compostura.
— Sim. Não posso dizer isso apenas para acalmar os colegas.
Sem isso, se perdêssemos, eu poderia teoricamente me recusar a sair, suportando críticas enquanto transferia a culpa para outra pessoa.
— Desculpe, mas não posso oficializar nesse estágio de acordo com as regras — disse ele. — No entanto, levarei sua intenção em consideração.
— Obrigado.
Mashima-sensei não conseguiu esconder seu espanto, mas como um professor não poderia nomear outro candidato à expulsão, não teve escolha a não ser respeitar minha decisão por enquanto.
— Bem, esta explicação se estendeu um pouco, mas esta é a última coisa que precisam saber — anunciou Mashima-sensei. — A partir deste momento, vocês têm trinta minutos para decidir quem ocupará cada função. Se não chegarem a um consenso nesse tempo, a escola sorteará as posições. Sugiro que evitem esse resultado.
Com isso, ele deu alguns passos para trás, criando distância clara entre si e a classe. Sua parte havia acabado; a decisão agora estava inteiramente em nossas mãos.
— Comandante, VIP e mais três posições… Este é o primeiro grande cruzamento.
Um único erro na atribuição dessas posições-chave impactaria sem dúvida nossas chances de vitória.
Para dar um exemplo óbvio, colocar alguém como Ike ou Hondou da classe de Horikita, ou Ishizaki e Kondou da classe de Ryuen, na posição de comandante seria praticamente suicídio. Por outro lado, Ishizaki possuía atributos físicos elevados e resistência, tornando-o um bom recurso se alocado como Guarda.
Antes que eu pudesse vocalizar meus pensamentos, Morishita rapidamente se adiantou.
— O comandante é, sem dúvida, a posição mais crítica. Ele deve supervisionar todo o campo de batalha, prever o movimento do inimigo e, acima de tudo, determinar o momento ideal para aplicar táticas. Portanto, esse papel deve ser designado primeiro, com nossa escolha feita entre todos os trinta e sete de nós.
— Ela adora declarar o óbvio com esse tom altivo, não é? — murmurou Hashimoto, baixo o suficiente para que apenas eu ouvisse.
Tamiya, no entanto, levantou a voz para concordar.
— Concordo com Morishita-san. Será uma luta difícil sem ordens firmes do topo. Por que não apenas escolher Ayanokoji-kun? Ele é nosso líder, não é?
— Espera — interferiu Hashimoto. — Não duvido que Ayanokoji se sairia bem como Comandante. Mas sou totalmente contra. Ele precisa estar na linha de frente. O melhor papel para ele é Guarda.
— Guarda? Qualquer outra função seria aceitável, mas por que exatamente um Guarda? — perguntou outro estudante, confuso.
— A razão é simples. Vejo Ayanokoji como um recurso especial. Para ser direto, Guardas podem ser descartáveis, mas são os únicos capazes de deter um inimigo. Além de mim e Kitou, não temos muitos estudantes aptos para essa posição. Então faz muito mais sentido tê-lo na linha de frente. Além disso, só porque ele não pode se comunicar diretamente com o comandante não significa que não possa manter a classe organizada, certo?
Sua voz carregava um leve tom de firmeza que ele normalmente escondia. A classe reagiu com surpresa contida — esse nível de insistência de Hashimoto não era comum.
A posição de VIP era de fato crucial para determinar o resultado, mas a condição para a vitória dependia de o VIP não ser derrotado. A lógica de Hashimoto — de que deveríamos dedicar nossos melhores recursos para garantir a sobrevivência do VIP — era sólida. Além disso, mesmo que os Guardas não pudessem se comunicar diretamente com o Comandante, ainda poderiam transmitir mensagens através do VIP, mesmo que indiretamente. Era até possível solicitar a ativação tática por esse canal.
Foi por isso que, mesmo antes da discussão começar, eu já havia descartado assumir os papéis de VIP, Analista ou Batedor. No entanto, a escolha entre Comandante e Guarda ainda valia ser ponderada.
O papel de Comandante era tentador — ser o único capaz de rastrear a localização de GPS de todos os alunos era uma grande vantagem, diretamente ligada a uma maior chance de vitória. Sozinho, nesta vasta ilha desabitada, eu não teria como saber quem das outras classes estava se movendo para onde, ou o que eles estavam mirando; seria forçado a apenas seguir o fluxo. Por isso, não era uma posição a ser assumida levianamente.
Mesmo assim, não era como se o comandante sozinho pudesse controlar o resultado com certeza absoluta. Por mais capaz que fosse, este exame não podia ser resolvido por uma única pessoa.
— Além disso — acrescentou Hashimoto, — Ayanokoji provavelmente não quer entregar seu destino inteiramente a outra pessoa de qualquer forma.
A ideia de ficar na sede, emitindo ordens por tablet e conexão sem fio, não era desagradável. Controlar a rede de informações tinha seu apelo. Mas neste exame especial, outro fato se mantinha firme: todo estudante com boa capacidade física era muito mais valioso como VIP ou, especialmente, como Guarda.
— Você já está pensando em como distribuir os papéis, não é? Vamos ouvir seu plano.
Havia cinco funções no total. Onde quer que eu acabasse, a escolha não podia conter erros.
O comandante — estacionado em segurança na base — era, indiscutivelmente, uma das posições mais críticas. Ele tinha acesso às localizações por GPS de todos os alunos e, além disso, detinha autoridade para acionar táticas poderosas capazes de virar completamente uma situação desfavorável. Era o único autorizado a observar o campo de batalha de cima, acompanhando de forma plena o fluxo do combate. Um tipo de vantagem assim não podia ser confiado a um amador.
Assumir essa responsabilidade eu mesmo certamente era uma opção viável.
Dito isso, a Classe C não podia ser descrita como um grupo poderoso fisicamente. Tínhamos alunos ágeis, como Kitou e Hashimoto, mas fora o núcleo central, a maioria era mediana ou abaixo disso. Por mais precisas que fossem as ordens do Comandante, elas eram inúteis se os soldados em campo não conseguissem executá-las.
Por outro lado, como Guarda, eu poderia exercer minha força individual sem restrições. Com habilidade suficiente, não era impossível lidar com ameaças sem depender totalmente das informações do comandante ou de táticas pré-estabelecidas.
— Estou inclinado a assumir o papel de Guarda — declarei.
— Certo, essa é a melhor escolha.
— Mas só — acrescentei — se houver um candidato adequado para Comandante.
Quem deveria assumir o comando?
Um rosto me veio imediatamente à mente. Morishita.
Para o comandante, eu não buscava simplesmente atribuir o cargo a uma "aluna modelo". Eu queria alguém cuja perspectiva e forma de ver o mundo fossem diferentes — alguém capaz de perceber detalhes que os outros ignoravam. Nesse sentido, eu avaliava as habilidades de Morishita de forma bastante positiva.
Ou melhor… eu gostaria de dizer isso, mas… Sua natureza excêntrica era um grande motivo de preocupação. Passar informações por meio de VIPs já era ineficiente; adicionar uma personalidade imprevisível nesse fluxo criaria uma confusão que eu não tinha espaço para administrar. Mesmo assim, ela merecia ser considerada… embora sua própria disposição fosse mais importante do que qualquer coisa.
Lancei um breve olhar em sua direção, e seus olhos se arregalaram instantaneamente, fixando-se nos meus.
— Se estiver pensando em me colocar no comando, eu recuso humildemente.
Ela ergueu ambas as mãos, as palmas totalmente abertas, enfatizando sua recusa.
— Eu nem disse nada ainda.
— Seus olhos disseram tudo.
— Bem, é verdade que eu estava considerando isso — admiti. — Posso ao menos ouvir seu motivo?
— Motivo? Pretendo participar como guarda. Sempre que vejo uma ilha desabitada, meu antigo sangue de guerreira começa a ferver. Ah, sim… Há muito tempo, chamavam-me de Amazona da Floresta Densa, temida por todas as terras — Não, esqueça isso. É uma história antiga. Nem vale a pena mencionar.
Ela disse que não falaria muito, e ainda assim falou demais. E considerando que aquilo era, em todos os sentidos possíveis, uma mentira evidente, decidi aceitar seu conselho e esquecer imediatamente.
Mas, com ela fora da lista, nenhum outro colega vinha à mente que pudesse cumprir o papel de comandante no padrão que eu precisava. Infelizmente, isso deixava o grupo sem candidatos ideais.
Por eliminação, alguém como Sanada, confiável para todos, poderia ser a escolha mais segura—
— Ayanokoji. — Uma voz rompeu o breve silêncio enquanto Shimazaki dava um passo à frente. — Se estiver com dificuldade para decidir um Comandante, estaria disposto a confiar o cargo a mim? — Ele encontrou meu olhar. — Não posso prometer superar todas as expectativas, mas acredito que posso desempenhar o papel de forma competente.
Ele não teria se oferecido se duvidasse de sua própria aptidão. Sua inteligência não era um problema.
Mas, para o bem ou para o mal, Shimazaki era a definição clássica de aluno sério e ortodoxo — estável, porém não necessariamente flexível. Não era claro se ele conseguiria se adaptar rapidamente em situações caóticas. Ainda assim, recusá-lo, quando não havia candidatos melhores, poderia criar tensão desnecessária entre nós.
— Posso confiar isso a você? — perguntei.
— Pode — respondeu, com um aceno firme. — Nunca fui do tipo que gosta de correr por uma ilha desabitada mesmo. Acho que sou mais útil se puder focar apenas em pensar.
Um papel tão pesado quanto o de comandante naturalmente trazia pressão, mas ele o encarava com determinação clara e objetiva. Só isso já o tornava digno de consideração séria.
— Entendido. Nesse caso, vou confiar a você o papel de Comandante, Shimazaki. Mas não se sinta sobrecarregado. As capacidades de um Comandante são limitadas. A responsabilidade final pelo sucesso ou fracasso do exame recai sobre mim, já que sou eu quem está confiando o cargo a você.
Quando eu disse isso, a expressão séria de Shimazaki suavizou um pouco.
Depois disso, Takemoto, Shiraishi e Nishikawa, que haviam se voluntariado, foram designados como VIPs. Em seguida, Sanada e Nakajima foram nomeados Analistas, e Tsukaji como Batedor. Os demais alunos ficaram no papel de Guardas, e assim nossa formação foi finalizada.
— Parece que todos os papéis foram agora atribuídos — disse Mashima-sensei. — Nesse caso, peguem seus suprimentos necessários e sigam imediatamente para suas áreas de início. Aqueles que servirão como comandantes devem permanecer aqui — vocês serão levados ao quartel-general em breve.
Ele fez um gesto orientando os alunos a seguirem.
Era aqui que Shimazaki e eu nos separaríamos. Sem meios de contato direto até o fim do exame, caminhei rapidamente até ele.
— Há algo que quero lhe dizer antes de partirmos — falei.
Ele se virou para mim.
— O que foi?
— Por menor que seja a mudança, se algo lhe parecer estranho ou fora do comum, me informe imediatamente.
— Fui encarregado de um papel importante — respondeu. — Isso é óbvio.
— Não é isso que quero dizer. Quanto mais você se fixar na responsabilidade de ser Comandante, menos vai perceber o que está bem ao seu redor. O comandante de outra classe sorrindo ou ficando irritado. Uma mudança sutil na formação de GPS de outra turma, um padrão que pareça levemente desalinhado. Mesmo que seja apenas um palpite seu — algo que incomode você, Shimazaki — ainda assim quero saber, por mais insignificante que pareça.
Ele fez uma pausa, refletindo.
— Isso não… vai sobrecarregar a estrutura de comando com informação demais? Não causaria confusão?
— É verdade — respondi. — Por isso a informação não será espalhada amplamente. Ela será passada a um único ponto de contato.
— E para quem eu devo repassar isso?
— Não importa particularmente quem — respondi. — Mas, por agora, vamos deixar isso com a Shiraishi. Provavelmente vai facilitar as coisas para você também.
A partir de nossa conversa anterior, eu já havia percebido que, assim como Yoshida, Shimazaki nutria sentimentos por Shiraishi. Se esse fosse o caso, aumentar suas oportunidades de contato com ela só poderia ser recebido de forma positiva.
Da minha parte também, entre os três VIPs — Takemoto, Nishikawa e Shiraishi — ela era aquela cujo comportamento, tendências e padrões de pensamento eu entendia melhor.
Entre os três, era a que eu enxergava com mais clareza.
— N-Não, não… isso seria… constrangedor — ele balbuciou. — O Yoshida me mataria.
— Não há motivo para favorecer apenas o Yoshida — respondi calmamente. — Para mim, vocês dois são amigos importantes.
— Eu não sei como você consegue dizer algo assim sem mudar a expressão… — ele suspirou. — Mas, ainda assim, quando se trata da Shiraishi, é um pouco…
— É mesmo? — perguntei. — Então Takemoto ou Nishikawa também servem. Takemoto é um cara — talvez seja a escolha mais segura.
Considerando o quanto Nishikawa e Shiraishi eram próximas, qualquer deslize com Nishikawa chegaria diretamente aos ouvidos de Shiraishi.
— Não — disse ele, depois de pensar por um momento. — Pensando bem… sim. A Shiraishi está bem. Eu vou lidar com isso direitinho, então não precisa se preocupar.
Apesar da hesitação inicial, Shimazaki acabou cedendo. Era claro que ele havia decidido que, se tivesse de relatar algo, que fosse para Shiraishi.
— Vamos confirmar uma última coisa — falei. — Presumo que você vá monitorar a situação pelo GPS, mas, de modo geral, fique à vontade para entrar em contato com qualquer VIP para atualizações normais. Entretanto, quando se tratar de dúvidas vagas, sensações estranhas ou qualquer coisa da qual você não tenha certeza — encaminhe exclusivamente para a Shiraishi. Precisamos evitar ruídos desnecessários na cadeia de comando. Quanto mais pessoas envolvidas em um jogo de telefone, maior a chance de a mensagem ser distorcida. Em resumo: você pode dizer qualquer coisa à Shiraishi, sem filtros.
Se Shiraishi fosse derrubada, decidiríamos naquele momento quem assumiria seu lugar como ponto de contato.
— Você tem razão — disse ele em voz baixa. — Entendido. Vou fazer isso.
Passei a ele mais alguns pontos específicos para investigar quando chegasse ao quartel-general, e ele aceitou prontamente.
Antes de partirmos, realizamos a etapa final dos preparativos: cada um colocou um par de óculos de proteção. Mirar na cabeça era proibido pelas regras, mas por motivos de segurança, usar os óculos durante o exame era praticamente obrigatório. Se optássemos por tirá-los e algo inesperado acontecesse nesse intervalo, as consequências recairiam integralmente sobre nós.
Além disso, embora os sensores de impacto parecessem estar embutidos apenas nas camisetas do uniforme, os acertos ainda seriam registrados mesmo através da jaqueta esportiva, tornando essa camada externa opcional. Ainda assim, como o tecido ajudava a amortecer o impacto, manter a jaqueta parecia a escolha mais inteligente para uma dose extra de proteção.
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