A Classe de Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 2 - Volume 1

Capítulo 2: Um Novo Estágio

DEPOIS DAS FÉRIAS DE PRIMAVERA — que, de alguma forma, pareceram ao mesmo tempo longas e curtas — finalmente chegou o dia da cerimônia de abertura. Naquele dia, deixamos a sala do primeiro ano, com a qual já estávamos tão acostumados, e fomos para uma nova sala destinada aos alunos do segundo ano. À primeira vista, as cadeiras e mesas pareciam exatamente as mesmas. Mas, ao mesmo tempo, havia algo nelas que parecia diferente.

A primeira coisa que vimos ao chegar à sala foi uma mensagem escrita no quadro:

"Sentem-se nos mesmos lugares que lhes foram designados no primeiro ano e aguardem."

Até o ano passado, o que os alunos chamavam de quadro-negro era, bem, algo em que os professores escreviam com giz. No entanto, o quadro à nossa frente não era exatamente um quadro-negro. Um grande monitor havia tomado seu lugar, fixado na parede. Pelo brilho de novo, imaginei que aqueles monitores tinham sido instalados apenas naquele ano.

Os alunos que chegaram depois de mim também pareceram bastante surpresos ao ver o novo "quadro". Decidi me sentar como instruído, indo para o lugar no fundo da sala, perto da janela. Mais tarde, a cerimônia de abertura seria realizada no ginásio. Depois disso, os professores responsáveis pela turma passariam cerca de duas horas explicando o cronograma e as exigências deste ano, e então seríamos liberados ainda no fim da manhã.

Como as férias de primavera tinham acabado de terminar, alguns alunos ainda pareciam meio sonolentos. Amigos que não se viam há algum tempo conversavam animadamente sobre o que haviam feito durante o intervalo. Enquanto eu navegava aleatoriamente na internet pelo celular em busca de informações, alguém me chamou:

— Ei.

Era meu colega de classe, Miyake Akito. Ele fazia parte do pequeno grupo de amigos com quem eu havia me aproximado.

— Eu fiquei meio preocupado com você, já que não apareceu muito pra sair com a gente durante as férias — disse Akito.

Isso era verdade. Eu praticamente não tive contato com o grupo durante as férias de primavera. Ou melhor, fui negligente, já que estive ocupado lidando com várias outras questões.

— Quer dizer, não tem regra nenhuma dizendo que a gente precisa se encontrar ou coisa assim, claro, mas a Haruka ficou bem preocupada. E a Airi, principalmente, parecia ainda mais preocupada com você — continuou Akito.

Basicamente, ele estava me aconselhando a prestar mais atenção aos sentimentos das garotas do nosso grupo.

— Foi mal. Vou tentar sair com vocês de vez em quando — respondi.

— Isso seria bom. Eu também fiquei meio solitário sem você por perto — disse Akito.

Confesso que fiquei um pouco sem jeito ao ouvir isso de um amigo. Mas não foi um sentimento ruim. Akito fez um leve aceno, como se dissesse que não pretendia ficar ali por muito tempo, e voltou para a própria carteira.

Eu realmente sentia que tinha feito bons amigos. Afinal, ele tinha até se dado ao trabalho de me dar um conselho amigável. Depois que ele saiu, perdi o interesse em mexer no celular e decidi prestar atenção nas conversas ao redor. O assunto tinha mudado das férias de primavera para os novos alunos. No dia seguinte, aconteceria a cerimônia de ingresso dos calouros.

No ano passado, nós, alunos da Classe D, acabamos nos empolgando demais com o bom tratamento inicial da escola e tropeçamos por causa disso. Mas era compreensível. Recebemos mil Pontos de Classe logo ao ingressar, o equivalente a cem mil ienes. Os alunos ficaram extremamente empolgados com a grande quantia de dinheiro que acreditavam receber todo mês, e muitos começaram a gastar sem controle, comprando todo tipo de coisa que queriam.

Além disso, atrasos e faltas eram comuns, e muitos alunos conversavam durante as aulas ou até cochilavam. Já os alunos mais sérios estavam focados apenas em si mesmos, sem prestar atenção ao que acontecia ao redor. Tenho certeza de que havia várias razões para essa falta de atenção, mas o aparente descaso da escola com os alunos problemáticos provavelmente era a principal. Afinal, se os professores não os advertiam, então os próprios alunos não tinham motivo para fazê-lo. Ou pelo menos era o que pensavam.

Mas acho que se pode dizer que aquilo foi apenas o primeiro "exame especial" que a escola nos aplicou. Ela estava nos testando, para ver se éramos capazes de perceber que a educação ali era diferente da educação obrigatória que recebemos no ensino fundamental. E a Classe D recebeu a pior avaliação possível nesse exame. De forma até impressionante.

No mês seguinte, maio, nossos Pontos de Classe caíram para zero. Isso significava que a quantidade de pontos depositados em nossas contas naquele mês também despencou para um belo zero. Depois disso, a Classe D enfrentou uma série de provações ao longo do ano. Mas, depois de chegarmos ao fundo do poço, nossos colegas — antes dispersos e desunidos — começaram aos poucos a amadurecer, e a turma se tornou mais unida.

Em certo momento, conseguimos até subir para a Classe C. Mas, infelizmente, por causa do que aconteceu na prova final de fim de ano, acabamos rebaixados novamente para a Classe D.

Ainda assim, ao final do ano, nossa turma conseguiu recuperar duzentos e setenta e cinco Pontos de Classe. Embora ainda houvesse uma enorme diferença entre nós e a Classe A, o mais importante na nossa tentativa de chegar ao topo era quantos Pontos de Classe conseguiríamos conquistar ao longo deste segundo ano.

— Bom dia! — disse uma garota bastante animada, sua voz ecoando pela sala.

As garotas da sala reagiram assim que aquelas palavras foram ditas. Elas se reuniram ao redor de quem havia falado — Karuizawa Kei, a líder das garotas da nossa turma. O número de meninas à sua volta só aumentava. Quando percebi, elas já tinham retomado as mesmas conversas de antes.

Aliás, foi só outro dia que eu comecei a namorar a Kei, a "abelha-rainha" da nossa classe. No momento, a única pessoa que sabia disso além de mim era a própria Kei.

Enquanto eu relembrava isso, ouvindo as conversas ao redor, um grito de surpresa — não, mais um berro agudo — ecoou pela sala. Quando levantei o olhar para ver o que estava acontecendo, entendi imediatamente o motivo de todo aquele choque. Dava para dizer que era uma reação perfeitamente natural diante da aparência da garota que acabara de chegar silenciosamente à escola.

Apesar de atrair a atenção de todos ao redor, ela não reagiu nem um pouco à comoção. Em vez disso, foi diretamente até seu lugar — bem ao lado do meu.

Seu longo e belo cabelo preto havia desaparecido. Agora estava curto, nem sequer chegava aos ombros.

Ela havia se reconciliado com o irmão mais velho, Horikita Manabu, e decidiu se despedir de seu antigo eu, cortando o cabelo como símbolo dessa decisão. Justamente por eu saber disso, não fiquei surpreso. Mas imaginei que, se fosse a primeira vez que eu a visse assim, provavelmente reagiria como os outros.

— S-Suzune...? V-Você... seu cabelo... O que aconteceu com o seu cabelo?! — gritou Sudou Ken, visivelmente abalado.

Ele largou a conversa que estava tendo com um amigo e correu até Horikita. Sudou era um dos nossos colegas — e também estava apaixonado por ela. Outra pessoa, uma garota, também parecia confusa com a transformação de Horikita e se aproximou de forma semelhante.

— Horikita-san, você... mudou completamente. Estou tão surpresa!

Kushida Kikyou. Outra colega de classe — e alguém que havia estudado com Horikita no ensino fundamental.

— É tão estranho assim eu ter cortado o cabelo? — perguntou Horikita, lançando olhares não só para Sudou, mas também para os vários alunos que a encaravam.

— B-Bem, não é que seja estranho ou algo assim, é só... surpreendente... É que, tipo, com esse corte você ficou com um visual completamente diferente... Mas não é que não combine com você nem nada! Eu acho que você fica bem de cabelo curto também. N-Não acha, Kushida? — disse Sudou.

Embora a mudança repentina na aparência dela tivesse causado um grande impacto, do ponto de vista de Sudou coisas como o comprimento do cabelo eram triviais. Se fosse o caso, ele recebia o novo visual da garota de quem gostava de braços abertos, mostrando até certo entusiasmo. No entanto, Kushida não conseguiu esconder completamente o desconforto ao ser colocada contra a parede de repente, sendo chamada a concordar.

— É... acho que sim. Combina com você. Mas... aconteceu alguma coisa?

Ela provavelmente não queria explicar em detalhes o que realmente pensava, então mudou o rumo da conversa, perguntando o motivo de Horikita ter cortado o cabelo.

— Pera, como assim "aconteceu alguma coisa"? Tipo o quê? — perguntou Sudou, se adiantando antes mesmo que Horikita pudesse responder.

— Bem, por exemplo... talvez ela tenha levado um fora, ou algo assim — disse Kushida.

— F-F-F-Fora?! — gaguejou Sudou.

— Se tenho que dizer alguma coisa, é uma demonstração da minha determinação — respondeu Horikita imediatamente, como se quisesse expulsar do ar as palavras "fora" e "coração partido".

— A-Ah, entendi. É... não tem como alguém como você levar um fora, né? — disse Sudou.

Apesar disso, ele parecia estar suando frio.

— Agora que somos alunos do segundo ano, vou lutar para garantir que a Classe D chegue ao topo. E quero fazer tudo o que puder para que isso aconteça — afirmou Horikita.

— Entendi... Nesse caso... talvez eu faça o contrário e deixe meu cabelo crescer — disse Kushida.

Ela falou de forma fofa, mas suas palavras também carregavam, de alguma maneira, seus verdadeiros sentimentos. Estava incomodada por ter o mesmo comprimento de cabelo que a pessoa que odiava. Ninguém provavelmente levaria a sério a ideia de ela deixar o cabelo crescer, mas não seria surpresa se realmente fizesse isso. Não pude deixar de imaginar as emoções intensas escondidas por trás daquela fala.

— Se já estão satisfeitos, poderiam voltar para seus lugares? — disse Horikita, em tom seco.

Claramente, ela não queria que ficassem ali parados encarando-a daquele jeito, fosse com cabelo longo ou curto. Embora seu novo visual tivesse causado um grande impacto, ela parecia bastante incomodada com toda aquela atenção. Sua expressão já demonstrava mau humor, mas, felizmente, o sinal tocou logo depois, encerrando abruptamente as conversas.

*

 

Já haviam se passado vários dias desde o fim da cerimônia de abertura. O fim de semana veio e foi, e agora era segunda-feira. Uma vida escolar tranquila. Uma rotina comum que se repetia continuamente.

A mudança mais marcante no início deste novo ano foi o fato de que os quadros agora eram digitais e todos os nossos livros didáticos tinham sido substituídos por tablets. Na semana passada, ficamos olhando para as mãos, onde segurávamos os novos dispositivos que acabávamos de receber.

O fato de os livros terem sido substituídos por tablets mostrava o quanto a disseminação dos e-books havia avançado. Cada aluno recebeu seu próprio tablet, e novos carregadores de alta velocidade foram instalados na parte de trás das salas. Também recebemos baterias portáteis, caso os dispositivos descarregassem durante a aula.

Era proibido levar os tablets para os dormitórios, mas podíamos transferir os dados necessários pela rede da escola e acessá-los de nossos quartos.

Aquela quantidade irritante de livros que precisávamos carregar agora cabia perfeitamente dentro de um tablet de doze polegadas, em formato digital. Isso não só permitia o uso livre de gráficos e imagens, como também facilitava a comunicação com pessoas de outros países — como nas aulas de inglês. Considerando que a escola era administrada pelo governo, parecia que estavam um pouco atrasados na implementação dessas mudanças.

Ainda assim, não estava claro se essas alterações eram realmente a decisão correta. Talvez só fosse possível entender seu impacto ao observar como esses alunos cresceriam e se integrariam à sociedade no futuro.

O conteúdo estudado no segundo ano seria, naturalmente, mais difícil do que no primeiro. Eu não sabia exatamente como essa escola se comparava a outras nesse aspecto, mas era seguro dizer que estava acima da média. Fiquei me perguntando até que ponto alunos como Sudou e Ike conseguiriam acompanhar os estudos por conta própria. Se quiséssemos garantir que ninguém fosse expulso, talvez fosse mais importante do que nunca que nos apoiássemos mutuamente.

De qualquer forma, embora a maior mudança tenha sido a digitalização do material de estudo, houve outras novidades importantes. Se tivesse que destacar uma, seria a possibilidade de trocar de lugar na sala usando Pontos Privados para garantir o assento desejado.

Eu me mudei do meu antigo lugar perto da janela para um assento do outro lado da sala, no fundo, próximo ao corredor. Aparentemente, esses lugares não eram muito populares por causa do fluxo constante de pessoas, mas isso não me incomodava.

Além disso, embora eu estivesse cruzando com alunos novos com mais frequência ultimamente, ainda não havia conversado com nenhum deles, já que não participava de atividades de clube. Como resultado, minha situação pessoal não havia mudado muito.

Acho que isso não era tão estranho. Quando eu era do primeiro ano, a primeira vez que tive uma conversa de verdade com um veterano foi durante um exame especial, já que ele tinha acesso a provas antigas. De qualquer forma, os primeiros dias do novo ano letivo tinham sido tranquilos.

— Todos estão presentes? — perguntou nossa professora responsável, Chabashira, entrando na sala quase exatamente no momento em que o sinal tocou.

Enquanto o período da manhã começava, ela ficou de pé diante da mesa do professor com uma expressão séria. Isso, somado ao fato de não termos aulas no primeiro e segundo horários hoje, me fez prever que algo estava para acontecer. Ao que parecia, aquele breve momento de paz estava prestes a acabar.

— Professora, vai ter exame especial? — perguntou Ike, antes mesmo que ela pudesse fazer seu anúncio.

Parecia que ele estava perguntando por uma inquietação genuína, não por brincadeira. E Chabashira entendeu isso, razão pela qual não demonstrou incômodo com a pergunta. No passado, sempre que um exame especial era anunciado, a maioria dos alunos ficava compreensivelmente ansiosa. Mas agora esses exames eram obstáculos inevitáveis que precisávamos superar para chegar ao topo. E nossa turma já estava se preparando para enfrentá-los.

— Imagino que estejam preocupados com isso, mas antes de entrarmos nesse assunto, há algo que gostaria que vocês fizessem. Algo que será particularmente importante para a forma como vocês levarão suas vidas nesta escola daqui para frente — disse Chabashira.

Ela pegou o celular e continuou falando enquanto o mostrava para nós.

— Por favor, peguem seus celulares e coloquem-nos sobre a mesa. Se alguém esqueceu o aparelho, vá buscá-lo imediatamente... Mas parece que ninguém esqueceu — disse ela.

Os celulares eram itens essenciais do dia a dia. Talvez até os mais importantes, já que estavam sempre conosco. Em pouco tempo, Chabashira confirmou que trinta e nove aparelhos estavam sobre as mesas. Então voltou a falar:

— Primeiro, quero que todos acessem o site oficial da escola e instalem um novo aplicativo. Ele já deve estar disponível para download. O nome oficial é "Overall Ability", mas aparecerá apenas como "OAA" no celular após a instalação.

Um vídeo demonstrativo com legendas apareceu na tela do quadro digital e começou a ser exibido. Era uma das conveniências trazidas pela digitalização da sala. Seguindo as instruções dela e do vídeo, instalei o aplicativo. Surgiu um ícone com a sigla "OAA" e o que parecia ser uma ilustração da escola.

— Depois de instalarem, coloquem os celulares sobre a mesa. Se alguém tiver dúvidas, levante a mão.

O processo era simples. Todos já estavam acostumados com celulares, então ninguém teve dificuldades.

— Não são apenas os alunos da Classe D que estão instalando esse aplicativo. Neste momento, todos os alunos da escola, em todos os anos, estão fazendo o mesmo. Este aplicativo é realmente notável. Certamente trará diversos benefícios aos alunos desta escola. Mas, como dizem, "ver para crer", então abram o aplicativo — disse Chabashira.

Toquei no ícone. Assim que o aplicativo abriu, a câmera do celular foi ativada automaticamente.

— Ao escanear sua carteira estudantil, a configuração inicial será concluída automaticamente — explicou ela.

Segui as instruções e posicionei minha identificação diante da câmera. O aplicativo leu minha foto e número de aluno, concluindo o login.

— Agora todos devem ter criado suas contas individuais com sucesso. A partir de agora, não será necessário fazer login novamente. Mas, como a conta está vinculada ao celular, tenham cuidado para não perdê-lo.

Após o login, várias opções apareceram na tela.

— Este aplicativo contém dados pessoais de toda a escola. Por exemplo, se selecionarem "Segundo Ano Classe D", os nomes de vocês aparecerão em ordem padrão. Experimentem — disse Chabashira.

Como esperado, surgiram as fotos e nomes completos dos trinta e nove alunos.

— Vocês podem visualizar qualquer perfil, mas recomendo que comecem pelo próprio nome.

Toquei no meu nome. Imaginei que veria apenas informações básicas, como data de nascimento, mas não era o caso. O que apareceu foram categorias e valores numéricos que eu nunca tinha visto antes.

2 – D Ayanokoji Kiyotaka
Resultados do Primeiro Ano
Habilidade Acadêmica: C (51)
Habilidade Física: C+ (60)
Adaptabilidade: D+ (37)
Contribuição Social: C+ (60)
Habilidade Geral: C (51)

— P-Professora, é impressão minha ou isso aqui parece status de videogame?! — gritou Ike.

— Exatamente. Esses são seus índices individuais de desempenho, calculados pela escola com base em seus resultados até o final do primeiro ano. E não é só a sua turma que pode ver isso — qualquer aluno pode acessar os dados de alunos de outras classes e anos. Esse sistema foi adotado por ser considerado importante para o futuro da educação de vocês — explicou Chabashira.

Ou seja, o objetivo do aplicativo era apresentar o desempenho individual de todos em forma de dados numéricos. Também parecia permitir o envio de mensagens públicas. Havia um ícone de interrogação com a palavra "Descrição". Ao tocar nele, surgiram explicações detalhadas:

Habilidade Acadêmica: baseada principalmente nas notas das provas escritas.
Habilidade Física: baseada nas aulas de educação física, clubes e exames especiais.
Adaptabilidade: mede a capacidade de se adaptar ao ambiente social, incluindo amizades e comunicação.
Contribuição Social: avalia comportamento em sala, atrasos, faltas e participação na escola.
Habilidade Geral: resultado combinado dos quatro critérios acima, com peso reduzido da contribuição social.

Fórmula:
(Acadêmica + Física + Adaptabilidade + Contribuição Social × 0,5) ÷ 350 × 100

Fazia sentido. Minha adaptabilidade era menor que as outras — afinal, eu não era exatamente alguém sociável. Os demais valores também pareciam coerentes com a forma como eu era avaliado.

Também havia campos para o segundo e terceiro ano, ainda vazios.

— Por enquanto, apenas os resultados do primeiro ano estão disponíveis. Mas, a partir de agora, suas avaliações do segundo ano serão atualizadas conforme forem sendo analisadas pela escola. Os dados serão atualizados mensalmente, assim como os Pontos de Classe — disse Chabashira.

Ela continuou:

— Por exemplo, Sudou, sua habilidade acadêmica atualmente é E. Mas, se você tirar nota máxima na próxima prova, poderá receber um A+ na avaliação do segundo ano.

Ou seja, as avaliações do segundo ano seriam independentes das do primeiro. Tudo seria baseado apenas no desempenho atual — e atualizado constantemente.

Se Sudou tirasse nota máxima em abril, poderia alcançar um A+. Mas, se tirasse zero na prova seguinte, sua média cairia para C.

Assim funcionaria ao longo do ano, até o cálculo final.

Outro ponto importante era que não podíamos ver apenas nossa turma — também era possível acessar os dados das outras classes. Antes, eu só conseguia informações sobre outros alunos indo atrás delas pessoalmente. Agora, bastava um olhar para saber nomes, rostos e desempenho de qualquer estudante da escola.

A propósito, os dados dos novos alunos do primeiro ano pareciam se basear nas informações do terceiro ano do ensino fundamental e nos resultados do exame de admissão. Ou seja, deixando de lado habilidades acadêmicas, físicas e contribuição social, era bem possível que a pontuação de adaptabilidade deles ainda não fosse tão precisa.

Um aplicativo prático para verificar notas… Bem, não. Era óbvio que não se tratava apenas disso. Aquilo claramente teria algum papel importante.

— Imagino que os alunos que obtiveram resultados pouco satisfatórios não estejam muito felizes em ter seus registros armazenados dessa forma. No entanto, precisam aceitar que foram eles mesmos que passaram o primeiro ano daquele jeito — explicou Chabashira.

Basicamente, quanto mais próximas de E estivessem suas notas — especialmente nas áreas acadêmica e física — maior seria o constrangimento.

— Ainda assim, os resultados do primeiro ano não passam de um registro do passado. Eles não terão qualquer influência nas avaliações futuras de vocês como alunos do segundo ano. Isso significa que, especialmente aqueles que tiveram resultados decepcionantes, devem aproveitar esta oportunidade para rever suas prioridades. Ao visualizar seus dados dessa forma, esperamos incentivá-los a evoluir — acrescentou ela.

Fazia sentido. Se nossas pontuações ficariam visíveis para todos dali em diante, muitos alunos naturalmente se esforçariam para melhorar a própria imagem. Isso certamente ajudaria a elevar o desempenho, como ela disse, mas...

— Professora, por que o critério de avaliação da contribuição social é um pouco diferente dos outros três? — perguntou Hirata Yousuke.

A pontuação de contribuição social tinha metade do peso na avaliação geral. Era isso que preocupava Hirata.

— Habilidade acadêmica, física e adaptabilidade são consideradas extremamente importantes pela escola. Já a contribuição social é um pouco diferente — respondeu Chabashira. — Ela se baseia essencialmente em "moral" e "etiqueta". Avalia como vocês se comportam como estudantes, sob todos os aspectos: influência em grupo, frequência com que estão certos, postura diante dos professores, atrasos, faltas, cumprimento de regras. Como são habilidades básicas que vocês deveriam naturalmente desenvolver, seu peso na nota geral é menor.

Ou seja, ao contrário das outras três categorias — que não mudam drasticamente da noite para o dia — a contribuição social poderia melhorar rapidamente com uma mudança de atitude.

— Este aplicativo é imparcial. Não importa se você está em uma classe superior ou inferior. Todos são avaliados da mesma forma. No momento, se um aluno tem uma alta pontuação geral, é seguro dizer que conquistou algo digno de reconhecimento.

A lista estava organizada por nome, mas havia uma função de "ordenar". Assim, não precisei analisar aluno por aluno para descobrir quem tinha a maior pontuação na Classe 2-D. Ao usar o filtro, vi que Hirata estava no topo:

2-D Hirata Yousuke
Resultados do Primeiro Ano
Habilidade Acadêmica: B+ (76)
Habilidade Física: B+ (79)
Adaptabilidade: B (75)
Contribuição Social: A- (85)
Habilidade Geral: B+ (78)

Bastava um olhar para perceber sua excelência. Ele estava acima da média em tudo. Se não tivesse revelado sua fragilidade emocional no fim do ano passado, talvez seus números fossem ainda maiores.

Por outro lado, ao ordenar em ordem decrescente, Ike apareceu no extremo oposto. Sua pontuação geral era 37 — empatado com Sakura Airi.

Já Sudou, que muitos imaginavam estar em último, na verdade superava alguns alunos:

2-D Sudou Ken
Resultados do Primeiro Ano
Habilidade Acadêmica: E+ (20)
Habilidade Física: A+ (96)
Adaptabilidade: D+ (40)
Contribuição Social: E+ (19)
Habilidade Geral: C (47)

Seu desempenho acadêmico e sua contribuição social eram baixos, em parte por seu comportamento no primeiro ano. No entanto, sua altíssima capacidade física compensava isso, evitando que ficasse na última posição. Ao explorar o aplicativo, percebi que ele era o único aluno do ano inteiro com nota A+ em habilidade física.

Além disso, Sudou vinha melhorando nos estudos e amadurecendo emocionalmente. Era provável que seus resultados melhorassem bastante dali em diante.

— Aliás, embora isso não esteja diretamente relacionado à Classe D, foi feita uma exceção para uma aluna do seu ano — disse Chabashira. — Sakayanagi Arisu, da Classe 2-A, terá sua habilidade física definida com base na menor pontuação do ano.

Sakayanagi possuía uma deficiência física e precisava de uma bengala para se locomover. Mesmo que quisesse praticar atividades físicas, isso era limitado. Como não seria possível excluir totalmente esse critério, a decisão de colocá-la no nível mais baixo parecia razoável.

De qualquer forma, esse sistema de visualização de habilidades parecia essencial para implementar a verdadeira meritocracia que Nagumo defendia.

— Tenho certeza de que este aplicativo será útil não apenas para mudar a forma como vocês enxergam suas notas, mas também para incentivar a interação entre alunos, já que poderão reconhecer nomes e rostos independentemente do ano. No entanto... — disse Chabashira, fazendo uma breve pausa. — Isso é apenas uma suposição minha, mas acredito que alunos que não mantiverem uma pontuação mínima possam sofrer algum tipo de penalidade.

— Penalidade...? Não quer dizer expulsão, quer...?

— É uma possibilidade. Mas, como eu disse, isso é apenas uma hipótese. Ainda assim, é seguro assumir que quanto mais próxima sua pontuação estiver de E, maiores serão os riscos — respondeu Chabashira.

No momento, Ike e Airi estavam nas piores posições da turma, com pontuações perigosamente próximas de E. Se continuassem como no ano anterior, estariam em sério risco.

— Imagino que alguns de vocês não concordem com a forma como foram avaliados. Mas esta é a avaliação atual da escola. Se estão insatisfeitos, provem o contrário. Mostrem do que são capazes e façam a escola mudar de opinião. Afinal, ela não é onisciente nem infalível — concluiu Chabashira.

— M-Mas como a gente vai provar isso, professora?! — lamentou Ike, levantando a mão em pânico ao confirmar que estava no fundo do ranking.

— Bem, aqui vai uma maneira. Existe, de fato, uma diferença na precisão ao avaliar as habilidades físicas de um aluno que participa de atividades de clube em comparação com um que não participa. Se você confia em si mesmo, tente entrar em algum clube — disse Chabashira.

Ela queria dizer que os alunos que demonstravam diretamente suas capacidades para a escola tinham mais chances de receber avaliações melhores. Ainda assim, cada caso era analisado individualmente. Se alguém tentasse se destacar demais — ou de forma descuidada — isso poderia acabar gerando problemas.

— É quase como se cada um estivesse lutando sua própria batalha... — murmurou Horikita, em voz baixa.

Chabashira não deixou passar o comentário. A introdução do aplicativo parecia anular completamente as batalhas que vínhamos travando até então — juntos, como uma classe. E Horikita certamente não era a única a sentir isso.

— Bem, isso está ao mesmo tempo errado e certo. Esse sistema, que começa a ser implementado este ano, foi proposto pelo atual presidente do conselho estudantil, Nagumo Miyabi. A administração aprovou e adotou a ideia — explicou Chabashira.

Ou seja, o ideal de Nagumo — um sistema onde cada indivíduo é avaliado por seus próprios méritos — finalmente havia se concretizado. Provavelmente, o motivo de ele não ter agido tanto no ano anterior foi o tempo necessário para implementar tudo isso.

— Mas o conceito fundamental não mudou. A escola ainda espera que vocês trabalhem juntos como classe, assim como fizeram até agora. Não se esqueçam disso e continuem dando o seu melhor todos os dias — acrescentou ela.

Depois de instalarmos o aplicativo e ouvirmos as explicações, a primeira aula terminou. Com o intervalo, os alunos imediatamente se voltaram para seus celulares, completamente absorvidos pelas telas. Era óbvio que queriam ver não só suas próprias notas, mas também as dos colegas e das outras turmas.

— Cara, eu não acredito que tão me tratando como se eu tivesse menos noção que o Koenji, de todos os caras! — reclamou Sudou, olhando o aplicativo e lançando um olhar irritado na direção dele.

Depois de ouvir isso, resolvi conferir por conta própria, mantendo atenção na conversa.

2-D Koenji Rokusuke
Resultados do Primeiro Ano
Habilidade Acadêmica: B (71)
Habilidade Física: B+ (78)
Adaptabilidade: D- (24)
Contribuição Social: D- (25)
Habilidade Geral: C (53)

Considerando que Koenji demonstrava bom desempenho com frequência nas aulas e provas, suas notas acadêmicas e físicas eram altas.

— Ah, qual é, cara... tanto faz, né? Além disso, você é muuuuito melhor que ele em habilidade física — resmungou Ike, com um tom evidente de inveja.

— Isso é só porque o Koenji não leva nada a sério... embora eu odeie admitir — respondeu Sudou.

Como ele disse, as capacidades físicas de Koenji eram extraordinárias — quase fora da curva. Ele tinha potencial igual ou até superior ao de Sudou. No entanto, não participava de clubes e sua presença em atividades como educação física era extremamente irregular, dependendo apenas do humor. Se não se interessava por algo, simplesmente ignorava — ou abandonava no meio. Muitas vezes, nem se dava ao trabalho de começar.

Sudou, por outro lado, levava tudo a sério. Isso o colocou no topo em desempenho físico. Não era surpresa haver tanta diferença nas avaliações, mesmo com habilidades semelhantes.

O ponto em que Sudou realmente tinha dificuldades era na contribuição social.

Ou seja, justamente o critério relacionado a comportamento e ética. Nesse aspecto, Koenji — apesar de também problemático — acabava sendo menos prejudicado. Sudou parecia especialmente irritado por ter ficado abaixo dele, ainda que por pouca diferença.

Não era difícil entender sua frustração. Mas, provavelmente, Koenji pontuou melhor simplesmente por ter tido menos ocasiões de agir de forma prejudicial à classe ou à escola. Já Sudou, com histórico de suspensão e explosões de raiva, naturalmente foi penalizado.

Mesmo ouvindo tudo, Koenji agia como se nada fosse com ele. Nem sequer parecia interessado no aplicativo, ao contrário dos demais alunos. Depois de mais de um ano naquela escola, talvez ele fosse a pessoa que menos havia mudado.

De qualquer forma, agora podíamos visualizar claramente nosso desempenho no primeiro ano. A introdução desse aplicativo trouxe vantagens e desvantagens.

Por exemplo, a existência de uma pontuação geral criava um ranking provisório dentro da turma. Se um exame especial complicado surgisse agora, não seria necessário decidir quem deveria ser candidato à expulsão. Os alunos com menor pontuação seriam automaticamente os principais alvos.

Ike — e Airi, que estava empatada com ele na última posição — provavelmente estavam extremamente ansiosos naquele momento. Como se estivessem sentados sobre espinhos.

*

 

O segundo período começou, mas o assunto do aplicativo OAA ainda permanecia no fundo de nossas mentes. Provavelmente, agora entraríamos no outro tema — aquele que realmente importava. Os alunos esperavam uma explicação completa… e essa expectativa logo se confirmou.

— Agora, vou apresentar uma visão geral do próximo exame especial — disse Chabashira, entrando no assunto como se estivesse começando uma aula comum. — Este será o primeiro exame especial de vocês como alunos do segundo ano, e envolverá iniciativas inéditas, coisas que nunca foram vistas antes. Como a introdução desse aplicativo.

Seria influência de Tsukishiro? Ou de Nagumo? De qualquer forma, parecia que o sistema escolar também estava passando por grandes mudanças.

— O ponto mais importante que vocês precisam saber é que este será um teste escrito em que vocês, alunos do segundo ano, formarão duplas com os novos alunos — os do primeiro ano — explicou Chabashira.

— Fazer dupla com... alunos do primeiro ano...?

Até agora, quase não tínhamos feito nada que ultrapassasse as barreiras entre séries. Houve exceções, como o acampamento escolar, mas ainda dentro da estrutura normal de competição entre turmas. Será que essas barreiras tinham sido derrubadas com a introdução do OAA?

— Neste exame especial, vocês serão avaliados principalmente em suas habilidades acadêmicas e de comunicação — continuou Chabashira.

Habilidade acadêmica e comunicação. À primeira vista, não pareciam coisas que combinassem.

— A importância do teste escrito dispensa explicações. Mas, até agora, a escola nunca promoveu interações profundas entre alunos de séries diferentes, exceto em eventos como o festival esportivo e o acampamento. Por isso, concluiu-se que as habilidades de comunicação dos alunos ainda não estão tão desenvolvidas quanto poderiam — disse ela.

— M-Mas a gente ainda vai competir com as outras turmas do nosso ano, né? Sei lá... isso parece meio estranho — comentou Ike, claramente desconfortável com a participação dos alunos do primeiro ano.

— Entendo como você se sente, mas tente pensar de forma objetiva. Quando vocês entrarem na sociedade, não lidarão apenas com pessoas recém-formadas como vocês. Alguns estarão no segundo ano de trabalho. Outros terão vinte ou trinta anos de experiência. Pessoas mais velhas ou mais jovens podem se tornar seus concorrentes — explicou Chabashira.

— É... bom, acho que dá pra imaginar isso...

— Enquanto outros países adotam a meritocracia, muitas empresas japonesas ainda seguem sistemas de senioridade e emprego vitalício. Se vocês acham estranho interagir com pessoas de outras idades, precisam mudar essa visão. Para facilitar o entendimento, existe um conceito chamado "salto de série", comum em países como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Não é raro crianças pequenas estudarem com alunos do ensino médio ou até universitários. Conseguem imaginar alunos do ensino fundamental aqui nesta sala, aprendendo junto com vocês?

Meus colegas tentaram imaginar a situação, mas era evidente que ainda não conseguiam compreender. Parecia algo estranho, até impossível. No Japão, isso quase não existia. Muitos sequer sabiam que era possível.

A ideia de avançar de série não combinava com o modelo educacional japonês, que seguia uma progressão linear e igualitária. Por isso, nunca foi totalmente aceita. Eu, pessoalmente, não tinha problema com isso — na Sala Branca, não existia esse tipo de limitação.

Ainda assim, era óbvio que aquilo não era toda a verdade. Simplesmente imitar outros países não bastava. O Japão precisava de um sistema que se adequasse à sua realidade. Chabashira provavelmente sabia disso, mas estava apenas seguindo ordens.

— No futuro, pode haver situações em que vocês competirão com alunos do primeiro e terceiro ano. Mas, desta vez, vocês irão cooperar. Não se esqueçam disso — disse ela.

Seria por isso que o exame exigia tanto habilidades acadêmicas quanto comunicação? Alguns alunos pareciam confusos, incapazes de imaginar como funcionaria.

— A melhor forma de entender é lembrar de um exame especial do ano passado. Pensem nisso como uma versão aprimorada do "Paper Shuffle", em que vocês precisavam formar duplas dentro da própria turma — explicou Chabashira.

O "Paper Shuffle" havia sido um exame em que formávamos pares e fazíamos uma prova juntos. Desta vez, porém, não seria com colegas da própria turma — e sim com alunos do primeiro ano. Embora parecesse uma simples mudança, era enorme.

— Vocês poderão escolher livremente com qual aluno do primeiro ano querem formar dupla, independentemente da classe. O período de escolha começa hoje e dura cerca de duas semanas, até o fim do mês. Vocês terão tempo para escolher com cuidado e também para estudar — disse Chabashira.

Agora fazia sentido termos instalado o OAA. Os alunos do primeiro ano não conheciam os veteranos, e nós também não conhecíamos eles. No "Paper Shuffle", escolhíamos parceiros entre pessoas que já conhecíamos bem, o que facilitava estratégias e cooperação. Alunos com dificuldades podiam se apoiar nos outros.

Mas este exame era diferente. Aqui, ambos os lados estariam buscando o melhor parceiro possível. Além disso, estaríamos lidando com alunos completamente desconhecidos, cada um com suas próprias circunstâncias e preocupações.

Mais importante ainda, construir uma relação de confiança do zero levava bastante tempo. Sem esse aplicativo, duas semanas certamente não seriam suficientes. Com o OAA, porém, era possível encurtar caminho, reconhecendo nomes e rostos com base nas informações exibidas. Além disso, como dava para ter uma noção geral da habilidade acadêmica de cada um, o aplicativo se tornava uma referência útil na hora de escolher parceiros.

— No dia da prova escrita, vocês serão avaliados em cinco matérias. Cada uma vale cem pontos, totalizando quinhentos pontos. E a regra mais importante é... bem, desta vez haverá duas formas de competição: como classe e como indivíduos — explicou Chabashira.

Ela apontou para o quadro digital, exibindo as regras:

Recompensas por Classe (por ano):
A classe vencedora será determinada pela média geral, considerando as notas dos alunos e de seus parceiros. As recompensas em Pontos de Classe serão: 50, 30, 10 e 0, conforme a classificação.

Recompensas Individuais:
Os vencedores serão definidos pela soma das notas de cada dupla.
As 5 melhores duplas receberão 100.000 Pontos Privados cada.
Duplas no top 30% receberão 10.000 pontos cada.
Se a soma da dupla for 500 pontos ou menos, o aluno do segundo ano será expulso, e o do primeiro ano ficará três meses sem receber Pontos Privados.

Além disso:
Qualquer tentativa de manipulação de notas resultará em expulsão.
Forçar outro aluno a reduzir sua pontuação também leva à expulsão.

— Imagino que vocês já tenham percebido, mas neste exame, alunos com alta habilidade acadêmica serão extremamente disputados — disse Chabashira.

Sem o OAA, não teríamos acesso a esse nível de detalhe. Agora, porém, as habilidades de todos estavam expostas. Quanto pior a nota acadêmica, mais difícil seria encontrar um parceiro. Era evidente que os alunos com dificuldades correriam o risco de serem deixados de lado.

Alunos inteligentes buscariam parceiros igualmente inteligentes para alcançar as melhores recompensas. Já os alunos com dificuldades fariam o mesmo — mas para sobreviver. Se dois alunos fracos acabassem formando dupla, havia uma grande chance de não atingirem 500 pontos. E, nesse caso, o aluno do segundo ano seria expulso.

Os alunos do segundo ano, por já conhecerem o sistema e terem laços com seus colegas, talvez tentassem ajudar uns aos outros, mesmo abrindo mão de recompensas maiores. Já os alunos do primeiro ano, ainda sem vínculos, provavelmente não pensariam muito nas consequências para alguém que mal conheciam — como ficar três meses sem pontos.

Seria como aconteceu com Sudou no ano passado… não, pior.

— As duplas serão formadas mediante consentimento mútuo e registradas no aplicativo OAA. Vocês já podem começar a escolher seus parceiros. No entanto, uma vez confirmada a parceria, ela não poderá ser desfeita por nenhum motivo — explicou Chabashira.

Isso tornava a escolha ainda mais difícil. Uma decisão precipitada poderia trazer arrependimentos.

O monitor atualizou novamente:

Métodos e Regras para Escolha de Parceiros:
Cada aluno pode enviar um pedido de parceria por dia via OAA.
Se o pedido não for aceito, a tentativa é reiniciada à meia-noite.
Se aceito, a parceria é confirmada e não pode ser cancelada.
Exceções: expulsão ou doença grave do parceiro.
Após confirmação, o sistema atualiza às 8h do dia seguinte, bloqueando novos pedidos.
Os nomes das duplas não serão exibidos no aplicativo.

Com essas regras, não era possível sair enviando pedidos aleatórios em massa. E mesmo ao escolher alguém específico, o pedido poderia ser desperdiçado — afinal, a pessoa poderia já ter aceitado outro parceiro naquele dia, sem que você soubesse até a atualização do sistema.

Também era improvável que alguém aceitasse um pedido de alguém totalmente desconhecido. Provavelmente, essas regras existiam para impedir que fosse possível mapear facilmente as duplas e prever a força das classes.

— Professora! Mas tipo, não tem como nenhum calouro querer fazer dupla comigo! Tá dizendo que um idiota completo como eu tem que resolver isso só na base da comunicação?! — lamentou Ike.

A preocupação dele era totalmente válida. As chances de alguém escolher um aluno com notas baixas eram mínimas — a menos que não houvesse outras opções disponíveis.

Isso, claro, se todos jogassem "corretamente".

— Não se preocupem. A escola levou certas coisas em consideração para garantir que ninguém fique de fora, independentemente de quantos alunos não consigam formar dupla. Caso não consigam um parceiro até o dia do exame, as duplas serão formadas aleatoriamente às oito da manhã — explicou Chabashira.

Ike levou a mão ao peito, aliviado por um instante. Mas esse alívio durou pouco.

— Dito isso, alunos que não encontrarem parceiros não serão tratados da mesma forma que aqueles que encontraram. Qualquer dupla formada por sorteio sofrerá uma penalidade de cinco por cento na pontuação total — acrescentou ela.

A sala inteira reagiu com lamentos. Ainda que fosse possível fazer a prova, a penalidade era significativa.

— Professora, três alunos já foram expulsos do nosso ano. Isso não significa que haverá três alunos do primeiro ano sobrando? — perguntou Hirata.

Chabashira respondeu com indiferença:

— Esses três casos serão compensados com a duplicação da pontuação individual. No entanto, eles também sofrerão a mesma penalidade de cinco por cento por não terem parceiros. Portanto, não acredito que alguém ficará satisfeito em estar sozinho.

Ou seja, esses alunos fariam a prova sozinhos, assumindo o papel de ambos na dupla. Se fossem bons academicamente, talvez não fosse um problema.

Mas eu não podia me preocupar apenas com Ike ou Sudou. Este exame seria especialmente perigoso para mim. O motivo era simples: se a soma da dupla fosse igual ou inferior a 500 pontos, o aluno do segundo ano seria expulso. Em outras palavras, meu parceiro precisava fazer pelo menos um ponto. Mesmo que eu tirasse nota máxima em tudo, se ele zerasse, eu seria expulso.

Normalmente, isso abriria espaço para sabotagem. Um aluno do primeiro ano poderia simplesmente ir mal de propósito para eliminar o parceiro. Mas a escola havia previsto isso.

— Qualquer aluno que manipular sua pontuação propositalmente será expulso, independentemente do ano. E qualquer terceiro que forçar outro aluno a baixar sua nota também será expulso — reforçou Chabashira.

Essa regra era essencial para manter a integridade do exame. Impedia ameaças, chantagens ou sabotagens óbvias. Em teoria, isso tornava o sistema seguro. Mas, para mim, não era suficiente. Para alguém da Sala Branca, isso não significava nada. Esse tipo de aluno já parte do princípio de que será expulso eventualmente. Se conseguisse formar dupla comigo, poderia simplesmente zerar a prova sem hesitar.

Se eu escolhesse essa pessoa como parceiro... estaria acabado.

Assim que o exame começasse, haveria pelo menos uma chance em cento e sessenta de eu ser expulso. Se existisse uma regra protegendo o parceiro inocente, isso ajudaria. Mas não havia. Ninguém levantou essa questão porque todos assumiam que ninguém se sabotaria deliberadamente.

Ou talvez não fosse só isso. Se algo assim acontecesse, a escola provavelmente interviria… para a maioria dos alunos. Mas comigo seria diferente. Aquele homem não deixaria passar. Ele diria que a culpa foi minha por escolher um parceiro inadequado. Uma brecha proposital nas regras.

A imagem de Tsukishiro passou pela minha mente. Esse exame era claramente uma oportunidade criada por ele. Se eu demorasse para escolher um parceiro, aumentaria o risco de acabar justamente com a pessoa da Sala Branca.

O ideal seria agir rápido e escolher alguém confiável. Mas minha avaliação acadêmica era C. Eu não estava em posição de escolher livremente. Mesmo que tentasse me unir a alguém com notas baixas, essa pessoa poderia recusar, desconfiando da minha classificação mediana. Nesse caso, o mais provável seria formar dupla com alguém também de nível C.

Mas isso também podia ser uma armadilha. Assim que ouvi todas as regras, tive certeza: Este seria o exame mais perigoso até agora.

— Professora, quão difícil será essa prova? — perguntou Horikita.

— Sendo franca, haverá muitas questões extremamente difíceis. Sem dúvida, será uma das provas mais difíceis que vocês já fizeram. Mas isso só se aplica a quem busca notas altas — respondeu Chabashira. — A prova foi estruturada de modo que até alunos com nível E consigam pelo menos 150 pontos sem preparo. Com alguns dias de estudo, podem chegar a 200.

Ela indicou a tela:

Estimativa de Pontuação por Nível Acadêmico:
E: 150 – 200 pontos
D: 200 – 250 pontos
C: 250 – 300 pontos
B: cerca de 350 pontos
A: cerca de 400 pontos

— Se estudarem adequadamente, devem atingir esses valores. Mas não se acomodem — alertou. — Como podem ver, mesmo alunos de nível A dificilmente passam de 90 pontos por matéria. Tirar nota máxima é extremamente improvável.

Isso refletia o que ela já havia dito: seria o exame mais difícil até agora. Se dois alunos de nível E formassem dupla, estariam praticamente condenados.

— Bem, essa foi a explicação geral do exame de abril. Preparem-se adequadamente — concluiu Chabashira.

Ela ainda explicou o conteúdo da prova. Segundo ela, bastava revisar bem o material do primeiro ano para ter uma base sólida.

*

 

Assim que a explicação terminou e entramos no intervalo, muitos alunos inevitavelmente se reuniram ao redor de Yousuke. Ao ver isso, Horikita também se levantou imediatamente e foi até lá. Decidi apenas ouvir a conversa por enquanto.

— O-O-O que eu faço, Hirata?! Minha habilidade acadêmica é E! Tô completamente ferrado! — lamentou Ike, segurando a cabeça enquanto implorava por ajuda. Yousuke olhou ao redor da sala, pensando em como acalmá-lo.

— Primeiro, se acalma. Depois a gente pensa em um plano.

— Isso. Não há motivo para pânico — acrescentou Horikita.

— M-Mas, cara!!

— Este exame não é fácil, isso é fato — continuou Horikita. — Para garantir uma pontuação de 501 pontos ou mais, um aluno com nível E precisa fazer dupla com alguém do primeiro ano com nível B ou superior. Em outras palavras, se você conseguir um parceiro assim, suas chances de passar são boas.

Ela explicou de forma simples, provavelmente para tranquilizá-lo.

— Além disso, já enfrentamos provas difíceis antes. Se continuarmos unidos e nos prepararmos bem, não é impossível que você alcance 250 ou até 300 pontos.

— Exatamente como a Horikita disse — reforçou Yousuke. — Se trabalharmos juntos, todos nós podemos passar.

Aos poucos, as palavras dos dois começaram a acalmar os demais.

— O mais importante é não escolher um parceiro de forma precipitada. A única exceção seria se um aluno do primeiro ano com nível B ou superior aceitasse formar dupla imediatamente — disse Yousuke.

Era verdade. Depois de confirmar uma parceria, não havia volta. Era preciso ter certeza de que a dupla conseguiria ultrapassar os 500 pontos.

— Quanto a vocês que têm nível B+ ou superior, peço que não se precipitem. Talvez seja importante manter alguns bons alunos disponíveis, caso precisemos ajudar os outros — disse Horikita. — Independentemente do seu nível, consultem a mim ou ao Hirata se tiverem dúvidas.

Ela manteve o discurso objetivo: evitar pânico e decisões impulsivas. Alunos como Keisei e Mii-chan assentiram prontamente, demonstrando cooperação. Horikita poderia assumir o controle total das negociações, mas isso seria difícil — especialmente com o fator tempo e a competição entre alunos.

— Acho que vou tentar negociar com o pessoal do clube de futebol primeiro. Tem alguns calouros bons lá, talvez dê pra formar algumas duplas — disse Yousuke.

Uma abordagem prática.

— Se puder fazer isso, seria de grande ajuda — respondeu Horikita.

Atividades de clube não eram exatamente o forte dela, então Yousuke assumiu essa parte com um sorriso.

— Também acho que deveríamos reunir os alunos com nível C- ou inferior, por precaução — acrescentou ele.

— Concordo. Vamos trabalhar juntos para encontrar parceiros para todos — disse Horikita.

Só o fato de já terem um plano claro trazia mais tranquilidade para a turma.

— Horikita-san, mais uma coisa—

— Há alunos com nível C ou superior que não são bons em comunicação. Vou acompanhar aqueles que possam ter dificuldade em conseguir parceiros por esse motivo — disse Horikita, antecipando o raciocínio.

Eles se entendiam quase sem precisar explicar.

— Obrigado. Isso ajuda muito — respondeu Yousuke.

Os dois continuaram organizando estratégias sem dificuldades. Apesar de conflitos anteriores, agora trabalhavam em perfeita sintonia — não apenas porque Horikita havia mudado, mas também pela flexibilidade de Yousuke.

— Aliás, Sudou-kun. Como estão as coisas no clube de basquete? Entraram calouros, certo? — perguntou Horikita.

Sudou desviou o olhar, meio constrangido.

— S-Sim, mas...

— Mas? — insistiu Horikita.

— É que... faz poucos dias que começaram, mas a gente tá pegando pesado com eles. Tipo... bem rígido, sabe...

— Quer dizer que vocês estão sendo duros com eles?

— É... dá pra dizer isso. Basquete é coisa séria — respondeu Sudou.

Ou seja, havia uma chance de ele já estar sendo malvisto pelos novatos. Alguns poderiam respeitar, outros não.

— Entendo. Por enquanto, foque nos estudos e evite se envolver demais com o exame — disse Horikita, em tom firme.

— T-Tá bom... — respondeu Sudou.

*

 

O intervalo para o almoço chegou em seguida. Depois que terminei de comer, Horikita me chamou para o corredor.

— Isso não é algo que devemos discutir na sala. Se falarmos aqui, vamos perceber se alguém se aproximar — disse ela.

— Certo. Então… é sobre o exame especial, não é? — perguntei.

— Sim. A Chabashira-sensei disse que será um exame bastante difícil. Para alunos com baixa habilidade acadêmica, será um grande desafio… mas, para nós dois, será o cenário ideal para a nossa competição.

Ela quis tratar de assuntos pessoais primeiro e foi direto ao ponto. Durante as férias de primavera, nós dois havíamos feito uma promessa: competir para ver quem conseguiria a maior nota em uma prova escrita, em uma matéria específica. Se eu vencesse, Horikita entraria para o conselho estudantil. Se ela vencesse, eu usaria, sem reservas, as habilidades que escondi ao longo do último ano para ajudar a classe.

Considerando que até mesmo alunos de nível A teriam dificuldade em alcançar 90 pontos em uma matéria, era improvável que empatássemos com notas perfeitas.

— Você não tem objeções, certo? — perguntou Horikita, confirmando.

— Claro que não.

Não havia motivo para adiar isso, então concordei naturalmente.

— Fico feliz em ouvir isso. Então podemos passar para o próximo assunto.

Satisfeita, ela pegou o celular e abriu o aplicativo OAA.

— Eu verifiquei quantos alunos do primeiro ano têm nível B ou superior em habilidade acadêmica. São dezessete na Classe A, treze na Classe B, treze na Classe C e onze na Classe D.

Cinquenta e quatro no total — um número razoável.

— Na nossa classe, temos apenas quatro alunos com nível E. Se incluirmos os de nível D, são doze. Ou seja, há alunos suficientes no primeiro ano para cobrir essa necessidade.

— A questão é quantos desses alunos de alto nível conseguimos trazer para a Classe D — comentei.

Mesmo sendo cinquenta e quatro, era inevitável uma disputa intensa por eles.

— Exatamente. A classe que conseguir garantir muitos desses alunos terá vantagem. Já quem acabar formando duplas com alunos de nível D+ ou inferior ficará em desvantagem — disse Horikita.

O aplicativo recém-introduzido oferecia ferramentas extremamente úteis — e quem soubesse utilizá-las melhor sairia na frente.

— Sakayanagi-san, Ryuen-san e Ichinose-san… todas as classes devem começar a agir a partir de hoje.

A líder da Classe A, Sakayanagi, provavelmente iniciaria imediatamente. Sua classe tinha menos alunos com dificuldades acadêmicas, o que permitia focar em atrair os melhores calouros. Do ponto de vista deles, a estabilidade da Classe A era evidente no aplicativo — e isso tornava a escolha ainda mais atrativa.

Nós, por outro lado, não tínhamos esse luxo.

— Antes de tudo, devemos priorizar ajudar os alunos com nível E e D a encontrarem parceiros melhores — sugeri.

Horikita assentiu.

— Já fiz uma lista de prioridades. Acho que devemos começar pelo Sudou-kun.

— Espera. É verdade que ele é nível E, mas você acha mesmo que ele é prioridade?

As notas dele eram péssimas no início, mas melhoraram ao longo do ano.

— Você tem razão… Ele evoluiu bastante. Mesmo nas férias, passou muito tempo estudando — disse Horikita.

— Você estava estudando com ele?

— De forma alguma. Não tenho tempo para isso. Ele aprendeu a estudar sozinho. Eu só verifico o progresso dele de vez em quando.

— Entendi…

Achei que ele se esforçava por causa dela. Era impressionante.

— Honestamente, acho que o nível dele já subiu um pouco… talvez para D ou D+ — disse ela.

Era uma estimativa otimista, mas plausível.

— Se me lembro bem, o Sudou de antes entrava em pânico com exames especiais. Agora ele está bem mais calmo — comentei. — Então, mesmo assim, você acha que ele deve ser prioridade em vez do Ike? — perguntei.

— Sim. A personalidade e a aparência dele pesam muito. Além disso, o comportamento dele com os calouros no clube também me preocupa.

Ou seja, era uma decisão baseada em análise, não favoritismo.

— Imagine que você é um aluno do primeiro ano… Quem pareceria mais fácil de se aproximar? Sudou ou Ike?

— Ike, com certeza.

A aparência intimidante de Sudou — altura, físico, cabelo vermelho e jeito ríspido — afastaria muita gente.

— Conseguir um parceiro para ele já será difícil. Quanto mais alguém com alto nível acadêmico — disse Horikita.

Fazia sentido.

— Entendi. Se possível, deveríamos tentar emparelhá-lo com alguém de nível B- ou superior — respondi.

— Sim. Assim ele consegue passar com segurança. Quero agir rápido. Pode me ajudar?

— Ajudar? Não sei exatamente como.

— Só fique ao meu lado e me diga o que pensa. Quero alguém em quem eu possa confiar — disse Horikita.

— Quer dizer… você confia em mim? — perguntei.

— Entre os nossos colegas que podem agir livremente, você é alguém em quem eu confio — respondeu ela.

Pela forma como disse isso, não ficou claro se era muita ou pouca confiança…

— Ou será que você está preocupado de não conseguir me vencer se perder nem que seja um minuto de estudo? — provocou Horikita.

A provocação acabou sendo contraproducente. Ela praticamente me deu a desculpa perfeita para escapar, dizendo que precisava estudar.

— É, eu estou muito preocupado—

Quando eu já estava prestes a aproveitar a oportunidade, meu celular vibrou. Era uma mensagem pública no aplicativo OAA, enviada pela líder da Classe 2-B, Ichinose Honami.

"Conseguimos autorização para realizar um encontro entre alunos do primeiro e do segundo ano no ginásio hoje, das 16h às 17h. Se tiverem tempo, apareçam!"

Era praticamente uma dádiva para quem ainda não sabia como abordar os calouros.

— Como esperado da Ichinose-san. Muito bem pensado. Bem típico dela considerar todos, não apenas o próprio grupo — comentou Horikita.

Não dava para saber quantas pessoas compareceriam, mas provavelmente seriam muitas. Era bem possível que várias duplas fossem formadas ali mesmo. Ainda assim, notei um leve traço de frustração no rosto de Horikita — talvez ela tivesse pensado em algo semelhante.

— O que foi? O exame mal começou, não?

— Sim… você tem razão. Acho que nosso primeiro passo já está decidido.

Ou seja, iríamos ao encontro depois da aula. E, antes que eu percebesse, já tinham decidido que eu iria ajudá-la. Horikita me lançou um olhar, como se estivesse testando minha reação.

— Certo. Eu vou — respondi.

— Ora… então vai mesmo me ajudar? Achei que estivesse me evitando ultimamente… mas está sendo bem cooperativo — disse ela.

Ela percebeu perfeitamente.

— Só quero observar de perto que tipo de estratégia você vai usar — respondi.

— Entendo. Acho que fui precipitada ao dizer "cooperativo".

Mesmo assim, ela pareceu satisfeita com minha resposta. Era apenas um pretexto, claro. Para passar nesse exame, eu precisava manter certas aparências — e trabalhar com Horikita tornaria algumas coisas mais fáceis.

— Então considere o que vou dizer agora como um pensamento em voz alta — continuou ela. — Ajudar Sudou-kun e Ike-kun a passar é essencial, mas este exame gira em torno de disputar os melhores alunos. Precisamos observar de perto o que Ryuen-kun e Sakayanagi-san estão fazendo… ou seja, suas estratégias.

Era óbvio, mas a antiga Horikita não teria pensado tão longe tão cedo. Antes, ela focaria apenas em salvar os colegas.

— Ainda não sei exatamente o que eles vão fazer, mas acho que os Pontos Privados serão fundamentais — disse ela.

Dinheiro.

— Faz sentido. Para os calouros, é o mais fácil de entender — concordei.

Sem vínculos entre primeiro e segundo ano, dinheiro era a forma mais direta de negociação.

— Não sei quanto capital a Classe A e a Classe C têm, mas, se estivermos competindo por alunos, comprar ou subornar será a estratégia principal deles — disse Horikita.

— Concordo.

Era fácil imaginar ofertas baseadas no desempenho acadêmico. Mas, se todos começassem a gastar indiscriminadamente, os pontos acabariam rápido — especialmente para a Classe D, que já estava financeiramente limitada.

— Em condições normais, também deveríamos investir para garantir alguns alunos — acrescentei.

A única coisa que compete com dinheiro… é mais dinheiro.

— Primeiro, vamos fazer reconhecimento no encontro. Se surgir uma oportunidade, agimos rápido. Caso contrário, não pretendo me precipitar — disse Horikita.

Parecia que ela ainda não tinha um plano totalmente definido.

— A propósito, Ayanokoji-kun. Posso assumir que você consegue encontrar um parceiro sozinho? — perguntou ela.

— Você arranjaria um para mim, se eu pedisse?

— Sendo objetiva, sua habilidade acadêmica é C. Então, qualquer parceiro serve. Posso lidar com isso junto com o resto, sem problema.

— Se eu tiver dificuldades, falo com você.

Eu podia descartar como suspeitos do Sala Branca quaisquer calouros que formassem dupla com Horikita ou Yousuke. Em último caso, poderia tentar trocar de lugar com alguém… mas, se meu adversário já tivesse previsto isso, essa estratégia não seria totalmente segura.

No fim das contas, tudo dependia de prever os movimentos do oponente — e superá-los.

Mais importante ainda, era pouco provável que um aluno do primeiro ano ficasse satisfeito em ser forçado a trocar de parceiro depois de já ter decidido se juntar a Horikita ou Yousuke. Não seria algo que aceitariam facilmente.

— É melhor você não demorar demais. Não é como se você não tivesse com o que se preocupar. A penalidade de cinco por cento por ficar sem parceiro não é algo leve — disse Horikita.

— É… isso é verdade — respondi.

Eu não pretendia enrolar, mas minha preocupação era outra: o aluno da Sala Branca. Eu tinha certeza absoluta de que ele já estava infiltrado entre os alunos do primeiro ano.

 

 


 

 

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag

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