A Classe de Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 9

Capítulo 6: Coisas Ambíguas

PARA HASHIMOTO MASAYOSHI, a questão de quem seguir era trivial. Na verdade, não era exagero dizer que ele simplesmente não se importava. Não fazia diferença para ele se Sakayanagi ou Katsuragi liderassem a Classe A; ele apenas usaria quem lhe fosse mais útil. Era só isso.

Embora tivesse tido a sorte de começar na Classe A, ele sempre considerou a possibilidade de cair para a Classe B ou até C ao longo do caminho. O importante era alcançar uma posição a partir da qual pudesse virar o jogo contra qualquer inimigo e garantir uma vitória no final. Foi exatamente por isso que, desde cedo, procurou contato com Ryuen Kakeru, reconhecendo seu potencial. Ryuen era uma pessoa de talento excepcional, capaz de derrotar tanto Sakayanagi quanto Ichinose. Hashimoto percebia claramente esse poder inquietante.

Se fosse necessário, Hashimoto não hesitaria em vazar informações da Classe A para Ryuen. Por ora, ele apenas coletava informações para Sakayanagi. No entanto, se Ryuen realmente ultrapassasse os demais, Hashimoto estava preparado para traí-la.

Ele também havia voltado sua atenção para Ichinose, da Classe B, da mesma forma. Mas Ichinose não era como Ryuen ou Sakayanagi; não dava para lidar com ela usando táticas sujas. Assim, em vez de forçar a situação, Hashimoto optou por remover obstáculos em seu caminho.

Fez contato com uma garota da Classe B próxima a Ichinose. Não conseguiu fazer com que ela traísse Ichinose, mas estabeleceu uma conexão — e depois criou relações semelhantes com pessoas de todas as quatro classes. Seguro nunca é demais.

E hoje, ele estava tentando fazer alguns preparativos preliminares para um desses "eventos inesperados".

— H-Hashimoto-kun, você tem um minuto?

Uma colega de Hashimoto, Motodoi Chikako, chamou por ele no corredor depois da aula. Assim como ele, ela fazia parte do clube de tênis. Pelo visto, tinha corrido atrás dele depois que ele deixou a sala. Parecia nervosa, inquieta.

Hashimoto entendeu imediatamente o que estava acontecendo, sem que ela precisasse dizer nada. Era 14 de fevereiro. Ele já tinha passado por aquilo muitas vezes. Claro, mesmo tendo percebido, não demonstrou nada em seu rosto — tampouco disse qualquer coisa.

— O que foi, Motodoi? Queria falar sobre algo? — perguntou com gentileza.

Motodoi pareceu reunir coragem para dizer:

— Aqui, pra você. Chocolate. Porque hoje é Dia dos Namorados… — disse, entregando um chocolate, que Hashimoto aceitou na hora.

— Obrigado, Motodoi. Fico muito feliz.

— Eu-eu também!

Hashimoto já havia percebido há algum tempo que Motodoi olhava para ele com carinho. O chocolate era, sem dúvida, uma expressão de seus sentimentos. Ele sabia que, se a convidasse para sair, ela aceitaria. Mas ele não sentia absolutamente nada por Motodoi.Para o bem ou para o mal, ela não passava de alguém que não valia a pena usar. Já tinha concluído que não havia qualquer benefício em namorar com ela.

— Você devia aparecer no clube de vez em quando — ela comentou.

— Foi mal. Acho que tenho faltado bastante ultimamente, né?

— Demais! Os senpai estão super irritados!

— Vou me lembrar disso. De qualquer forma, mês que vem eu te agradeço direitinho — disse Hashimoto.

— Ce-certo!

Motodoi corou, acenou rapidamente e saiu correndo, tentando fugir da própria vergonha. Não havia a menor chance de ele namorar com ela, mas Hashimoto deixava a porta aberta — vai que algo mudasse no futuro.

Ele acelerou o passo a caminho da Classe C do primeiro ano, tentando recuperar o tempo perdido. Havia alguém que ocupava muito mais sua atenção do que Motodoi: Ayanokoji Kiyotaka, da Classe C.

— Por que eu não consigo parar de pensar nele? — murmurou Hashimoto. Uma parte dele realmente se perguntava.

Antes do acampamento escolar, Ayanokoji nem estava no radar de Hashimoto. Mal lembrava do rosto dele. Recordava-se de que Ayanokoji havia corrido contra o ex-presidente do conselho estudantil no festival esportivo, mas só isso. E Hashimoto não mudaria sua avaliação de alguém só porque a pessoa sabia correr.

Além disso, nem Sakayanagi, nem Ryuen — que possuíam grande instinto para perceber pessoas perigosas — demonstravam interesse especial por Ayanokoji.

No entanto, algo recente o fez reconsiderar: um comentário enigmático do presidente do conselho estudantil, Nagumo Miyabi. Miyabi havia dito que Horikita Manabu tinha Ayanokoji em maior estima do que qualquer outra pessoa. Hashimoto tentou encarar aquilo como brincadeira, mas não conseguiu.

Pensando bem, os sinais sempre estiveram ali. Por que Ayanokoji e o ex-presidente se enfrentaram diretamente na corrida do festival esportivo? E se não fosse coincidência, mas algo intencional? E se houvesse um motivo para exibirem aquele confronto? Essas perguntas começaram a rondar a mente de Hashimoto.

Além disso, ainda havia dúvidas sobre a história de Ishizaki e os outros terem derrubado Ryuen. A Classe C havia sido a Classe D — a mais fraca — na primavera. E mesmo assim reduziu a diferença com as classes superiores rapidamente. E se Ayanokoji estivesse por trás disso…?

— E se ele superar Sakayanagi e Ryuen…? — refletiu Hashimoto.

Por enquanto, ele não conseguia realmente imaginar isso. Eram só suspeitas, delírios paranoicos talvez. Ele ainda não tinha a peça-chave do quebra-cabeça. As palavras de Nagumo podiam ser só uma piada; o incidente do festival esportivo podia ser pura imaginação sua.

E era por isso que ele estava tomando medidas para descobrir a verdade.

Enquanto atuava sob as ordens de Sakayanagi para espalhar rumores sobre Ichinose, Hashimoto havia se visto com algum tempo livre nos últimos dias. E o estava usando para seguir Ayanokoji e tentar descobrir o que ele andava fazendo. Agora, ao chegar à Classe C, descobriu que Ayanokoji já tinha ido embora.

— Você nunca perde tempo, hein, Ayanokoji?

Talvez por ter um círculo social bastante limitado, Ayanokoji quase nunca ficava na sala depois do fim das aulas. "Será que ele saiu com aquele grupinho dele de novo?", pensou Hashimoto, lembrando-se de Miyake, Yukimura e os outros. Mas Yukimura e Sakura ainda estavam na sala, então descartou essa possibilidade.

— Yo, Hirata. — Ficar ali parado observando outra classe chamaria atenção, então Hashimoto imediatamente chamou por Hirata, que ainda não tinha saído para o clube.

— Ah, oi, Hashimoto-kun. O que houve? — respondeu Hirata.

— Só passei pra ver se você já arrumou uma nova namorada.

— Bem, eu não estou pensando em entrar em outro relacionamento agora.

— Então você ainda está consertando o coração partido, é isso?

— Haha… Algo assim, eu acho — disse Hirata.

— Vai ter que me contar mais sobre isso um dia. Ah, aliás, eu estava tentando pegar o contato dos caras que estavam comigo no acampamento. Pensei em pedir ao Ayanokoji, mas parece que ele já saiu — disse Hashimoto.

— Você não esbarrou com ele? Acho que ele saiu um ou dois minutos atrás…

Por pouco. Hashimoto agradeceu rapidamente e saiu para o corredor, decidido a tentar alcançá-lo.

As provas finais do ano estavam próximas. Nem ele podia se dar ao luxo de passar todos os dias só perseguindo Ayanokoji. Queria chegar logo a uma conclusão para poder focar nos estudos e estar em plena forma para a prova.

— Cara, tomara que eu consiga alguma coisa logo — murmurou.

Se surgisse uma oportunidade, ele a aproveitaria. E assim continuou seguindo Ayanokoji. Por sorte, Ayanokoji estava na entrada do prédio, mexendo no celular. Estaria esperando alguém? Ou só matando tempo? De qualquer forma, pareceu que a sorte de Hashimoto estava a seu favor.

Ayanokoji mexia no celular praticamente sem parar para falar com alguém. Não dava para saber se era com Miyake e os outros do grupo, ou com alguém que Hashimoto desconhecia. A única certeza era que Ayanokoji era muito fácil de rastrear.

Hashimoto já havia seguido vários alunos: Katsuragi, Ryuen, Kanzaki e, às vezes, até Ichinose. Nenhum deles era fácil de acompanhar. Conseguir observá-los uma vez a cada dois dias já era sorte — e às vezes eles sumiam completamente por quase uma semana.

Mas a rotina diária de Ayanokoji era rígida, e seu círculo de amizades, minúsculo. Isso tornava extremamente fácil prever onde ele estaria. Além disso, ele parecia completamente alheio ao que acontecia ao seu redor. Nunca olhava para trás, nunca demonstrava intuição apurada, nem sequer parecia perceber, mesmo por acidente, que Hashimoto o seguia.

Mesmo assim, Hashimoto não era tolo; mantinha distância suficiente para não ser notado.

Então seu celular tocou. Era um colega de classe, Shimizu Naoki.

— E aí, Naoki?

— Cara… é sobre o que aconteceu de manhã. Sério, mano, eu desisto. Isso é um saco.

— Eu sei, cara. Mas dá um tempo nisso, tá? A nossa classe só tem gente que adora fofocar.

Um pequeno problema tinha surgido naquela manhã na Classe A, à qual Hashimoto pertencia. As meninas descobriram que Shimizu tinha se declarado para Nishikawa — e que ela o rejeitara. Provavelmente Nishikawa deixou escapar sem querer para as amigas, e a informação se espalhou. Acontecia sempre.

— Mano, você nunca vai conseguir namorar se ligar pra cada coisinha dessas, sabia? — disse Hashimoto.

— Eu-eu sei, mas… Cara, eu simplesmente não consigo perdoar a Nishikawa.

— Bom, por mais que eu adorasse ficar ouvindo você reclamar, estou no meio de uma coisa agora.

— Ah, foi mal, cara.

Hashimoto prometeu ligar mais tarde e encerrou a chamada.

— Isso é o que acontece quando você chama alguém pra sair sem garantir antes as condições para ter sucesso — murmurou, guardando o celular.

Decidido a consolar Shimizu depois, Hashimoto continuou seguindo Ayanokoji até os dormitórios.

— Se ele for direto pro quarto, então acho que hoje também não vou conseguir nada.

A pior parte de persegui-lo era provavelmente a total falta de variedade. Porém, o elevador passou direto pelo quarto andar — onde ficava o quarto de Ayanokoji. Continuou subindo. Hashimoto observou o monitor, vendo Ayanokoji descer sozinho em um andar feminino.

— Se eu lembro bem… esse é o andar da Ichinose, não é? — disse em voz alta.

Podia ser coincidência. Talvez Ayanokoji estivesse indo ver outra garota. Mas, considerando tudo o que vinha acontecendo, Hashimoto não conseguiu deixar de relacionar isso à Ichinose.

— Embora, sendo a Ichinose, é possível que seja só uma visita…?

Apesar do círculo reduzido de Ayanokoji, Ichinose era extremamente popular, querida por alunos de todas as séries. Não seria estranho se ela fosse amiga dele. Além disso, era bem fofa — muita gente podia estar indo visitá-la na esperança de criar alguma chance.

De qualquer forma, Ayanokoji voltou ao elevador pouco depois. Desta vez, desceu no quarto andar, onde ficava seu quarto.

— O quê…?

Hashimoto não conseguia entender o que diabos Ayanokoji estava fazendo. No monitor, viu várias garotas da Classe B entrando no elevador no andar onde Ichinose morava. Hashimoto deduziu que elas tinham ido visitá-la antes de Ayanokoji chegar, e que isso o fizera voltar quando cruzou com elas.

Só para garantir, Hashimoto subiu rapidamente ao quarto andar. Mas Ayanokoji já havia desaparecido — com toda certeza, voltara para o próprio quarto.

— No fim, não consegui nada hoje também, hein — murmurou.

Depois de pensar um pouco se devia desistir por ora, decidiu refletir sobre a situação no saguão. Ainda era cedo. Havia boas chances de Ayanokoji tentar fazer contato com Ichinose mais tarde, ou que estivesse planejando encontrar outra pessoa. Se ele entrasse no elevador, Hashimoto poderia ver pelo monitor se iria subir ou descer.

Sua decisão de esperar mais um pouco acabou valendo a pena cerca de uma hora depois. Ayanokoji entrou no elevador e começou a descer para um andar inferior. Além disso, ainda estava de uniforme.

— Ele vai voltar para o prédio da escola?

Não fazia sentido ele retornar agora, depois de ter ido até o dormitório. Se estivesse indo à loja de conveniência e não quisesse se dar ao trabalho de trocar de roupa, até faria sentido… mas Ayanokoji estava com a mochila escolar.

Hashimoto levantou imediatamente do sofá e se escondeu perto da escada de emergência.

— Certo, tomara que algo interessante esteja pra acontecer.

Como se seu pedido tivesse sido atendido, Ayanokoji saiu do saguão e caminhou em direção a uma área relativamente isolada do campus. Isso descartava a possibilidade de estar indo ao prédio da escola ou à loja. Então… estaria encontrando alguém? Mas o lugar para onde seguia não era apropriado para encontros casuais.

Considerando tudo, Hashimoto tinha certeza de que ele iria se encontrar com alguém. Se fosse com o ex-presidente do conselho estudantil, Horikita, ou com Ryuen, aí sim as coisas esquentariam.

Mas suas expectativas foram completamente quebradas.

— O que…? Tá brincando comigo? — murmurou.

A pessoa que surgiu para encontrar Ayanokoji foi ninguém menos que Karuizawa Kei, da Classe C do primeiro ano. Ela estava bem em evidência, inclusive na Classe A, por ter terminado recentemente com Hirata. Hashimoto nunca tinha tido muito contato com ela, então não conseguiu conter a surpresa ao vê-la.

Uma onda de desapontamento o atingiu. Suas expectativas tinham sido destruídas.

Isso não tinha nada a ver com o "lado oculto" de Ayanokoji que ele tentava descobrir. Era simplesmente um encontro romântico. Hashimoto tentou automaticamente interpretar aquilo de outra forma, mas, não importava como analisasse, parecia que os dois compartilhavam algo mais do que uma amizade comum. Ele já vira Hirata e Karuizawa em encontros várias vezes, mas nunca sentira intimidade ou uma vibe realmente romântica entre eles.

— Não entendo. Por que o Ayanokoji?

Qual dos dois estava interessado no outro? Ou seriam os dois? Hashimoto tentou adivinhar, mas não chegou a lugar nenhum. Romance nunca foi algo lógico. Se comparasse objetivamente Hirata e Ayanokoji, 80% das garotas provavelmente escolheriam Hirata. As 20% restantes escolheriam Ayanokoji mais como uma segunda opção do que por preferência real. Em resumo…

— A pessoa com quem Ayanokoji anda tendo tanto contato é a Karuizawa…?

Hashimoto descartou essa ideia quase imediatamente. Era imaginação. Uma teoria conveniente para encaixar no que acabara de ver. Ele precisava investigar mais a fundo.

Mas não conseguia ouvir o que diziam. E também não podia simplesmente se aproximar — aquele lugar não costumava ter alunos circulando.

— O que eu faço…? — murmurou, frustrado.

Então a cena tomou um rumo inesperado.

— Chocolates, hein? — disse Hashimoto.

Karuizawa entregou algo que estava segurando a Ayanokoji. Hoje era 14 de fevereiro. Se ela estava entregando algo escondida, num lugar onde ninguém os veria, era fácil deduzir do que se tratava. Isso, pelo menos, provava que Karuizawa havia desenvolvido sentimentos por Ayanokoji.

— Bom, acho que por hoje já deu.

Nada daquilo tinha relação com a informação que Hashimoto buscava. Mas, justo quando decidiu voltar ao dormitório, ele parou.

— Já que tenho essa chance… talvez eu devesse provocar ele um pouco?

Considerando o quão perto estavam dos exames de fim de ano, podia-se dizer que aquela era uma oportunidade valiosa. Ele poderia causar um alvoroço, tirar Ayanokoji do equilíbrio ao envolver Karuizawa à força na situação. Era uma chance de expor os segredos de Ayanokoji. E, se nada viesse disso… então talvez pudesse concluir de uma vez por todas que Ayanokoji não representava ameaça alguma para ele.

Com a decisão tomada, Hashimoto seguiu rapidamente em direção a Ayanokoji e Karuizawa.

*

 

Eu senti alguém se aproximando por trás, vindo rápido. Ficava óbvio, só pelos movimentos, que não queria perder a chance de me ver com Kei tão próximos daquele jeito.

— Yo, Karuizawa. Ah, e você também, Ayanokoji.

Era Hashimoto, que vinha escondendo sua presença e me seguindo desde que deixara o saguão.

— Ahm… quem é ele? — perguntou Kei, sem parecer reconhecê-lo, olhando para mim.

— Hashimoto, da Classe A. Estive com ele no acampamento escolar.

Depois de nos cumprimentar, Hashimoto se aproximou de Kei.

— Uau… um encontro secreto entre um garoto e uma garota assim… Você é bem esperto, hein, Ayanokoji?

Eu já sabia que Hashimoto tentaria fazer contato em algum momento. Então era esse o instante que ele tinha escolhido, hein? Nesse caso, eu só precisava virar os planos dele a meu favor.

— Não é como se estivéssemos fazendo qualq—

— Não tenta esconder. É Dia dos Namorados. Mesmo que vocês não estejam namorando, não me surpreende terem marcado um encontro secreto. Aliás, parece que você recebeu alguma coisa dela — disse Hashimoto. Ele tinha visto Kei me entregar o chocolate e eu guardá-lo imediatamente na mochila.

— Ela só me deu chocolates por coincidência. Não foi como se tivéssemos marcado de nos encontrar.

Tentei negar, mas Hashimoto riu, percebendo a desculpa.

— Ah, por favor. Você sabia desde o começo que ia ganhar chocolate dela, né? Digo… a sua mochila.

— Minha mochila?

— Você já tinha voltado pro dormitório. Não tinha motivo nenhum para trazer a mochila da escola quando saiu de novo. Certo?

— Bem, na verdade eu estava planejando ir pra biblioteca. Só que a Karuizawa me ligou bem na hora em que eu ia sair, e eu concordei em encontrá-la. Foi só isso.

— Então… você tá dizendo que foi coincidência?

Assenti à pergunta de Hashimoto e tirei dois livros da mochila, mostrando a ele.

— Bom, dá na mesma de qualquer jeito. No fim, você ainda recebeu chocolate da Karuizawa — disse Hashimoto. Do ponto de vista dele, não importava se eu tinha ou não procurado Kei. O importante era que ela me deu chocolate.

— Eu realmente não entendo… Tem algum problema nisso? — perguntei.

— Só quero saber por que ela se interessa por você, só isso. Tipo… o ex da Karuizawa é o Hirata. Um dos caras mais populares da escola. E aí, depois de terminar com o Hirata, ela escolhe você?

Ele queria saber como as coisas tinham chegado àquele ponto. Kei, que estava ouvindo em silêncio até então, abriu a boca:

— Ah, desculpa, mas acho que você tá entendendo tudo errado aí.

— Entendendo errado?

— É. Eu ia dar o chocolate pro Hirata-kun originalmente. Mas aí achei que seria, tipo, um desperdício jogar fora. Então quis dar pra alguém, e acabei escolhendo o Ayanokoji-kun — disse Kei.

— Você entrega um presente íntimo como chocolate e diz que foi aleatório? E num lugar como esse, ainda por cima? Ah, vá. Isso é mentira. E uma bem ruim — disse Hashimoto, rindo.

Kei pareceu ficar visivelmente irritada.

— Como é que é? — ela disparou, lançando um olhar intenso. — Quem você pensa que é, aparecendo aqui do nada e falando besteira? Qual é o seu problema?

— Eu só quero saber a verdade — disse Hashimoto, recuando um pouco.

Dito e feito: não era como se estivéssemos tentando disfarçar as circunstâncias suspeitas do nosso encontro. Então mudei de abordagem. Era uma chance para Kei mostrar suas habilidades. Mostrar o quanto podia acompanhar meu ritmo.

— Olha… não acha que é melhor ser honesta sobre o que tá acontecendo, Karuizawa? Se a gente esconder, isso só vai dar problema depois — eu disse, passando a bola para ela. — Se ele achar que estamos namorando, isso vai ser ruim, né?

Sem hesitar, Kei soltou um suspiro dramático.

— Aff. Tá, tá. Eu vou contar. Mas isso não vai sair daqui, entendeu? — disse ela, apontando o dedo para Hashimoto. — Eu estou deixando o chocolate com o Ayanokoji-kun. Para ele entregar pra pessoa de quem eu gosto.

— Então… o Ayanokoji é o intermediário? — ele perguntou.

— Isso mesmo. Entendeu agora? — disse Kei.

O olhar de Hashimoto dizia claramente que ele estava achando difícil acreditar.

— Certo, então pra quem é o chocolate? — insistiu.

— Hã? Eu não vou contar isso pra alguém que acabei de conhecer. Você é idiota? — disse Kei. Ela claramente tentava provocá-lo, mas nada soava falso. Tudo combinava com a imagem que Karuizawa Kei havia construído: a gyaru popular que não leva desaforo pra casa.

— Isso… Bem, acho que você tem razão — disse Hashimoto, parecendo chocado. Ele inclinou a cabeça, se desculpando.

— Ah, por favor, não acha que só abaixar a cabeça vai resolver tudo comigo. Tenha dó — disse Kei.

— Entendi. Parece que eu realmente entendi tudo errado aqui. Foi mal. Quando pensei que vocês dois pudessem gostar um do outro, não consegui evitar ficar desconfiado — disse Hashimoto.

— Ok, e por que você tá enfiando o nariz em algo que não tem nada a ver com você? — perguntou Kei.

— Sobre isso… não dá pra dizer que não tem nada a ver comigo.

— Hã?

Hashimoto caminhou até a ainda irritada Kei. Ele estendeu o braço e apoiou a mão na parede, bloqueando-a.

— Ei, o-que…? O que você pensa que está fazendo?

— Sabe, eu venho pensando nisso faz um tempo. Sai comigo, Karuizawa. Não sei quem é o seu próximo amor de verdade, mas se você ainda não deu o chocolate pra ninguém, isso significa que você não declarou seus sentimentos. Não é? — Ele continuou, acrescentando de forma incisiva: — Ainda dá tempo.

— Do que você tá falando…? Você realmente acha que eu aceitaria isso?!

— O amor é uma coisa interessante, sabe? Nunca dá pra prever o que vai acontecer — disse Hashimoto, lançando um olhar afiado para mim por um instante. Ele talvez estivesse tentando provocar uma reação minha ao dar em cima da Kei daquele jeito.

— Bom, eu vou indo — falei.

— Hã? Eu-eu também já tô indo — disse Kei, colocando a mão no peito de Hashimoto, empurrando-o e se afastando dele.

— Que gelada — murmurou Hashimoto, com um sorriso amargo. Parecia que ele não pretendia insistir mais naquele dia. Ou melhor, parecia que já não tinha interesse algum em Kei.

Kei analisou a situação, soltou um suspiro exagerado de frustração e seguiu de volta para os dormitórios.

— Foi mal — disse Hashimoto para mim. — Por ter atrapalhado vocês num momento ruim.

— Relaxa, não foi nada.

Caminhamos lado a lado até o ponto em que os caminhos se dividiam: um levando ao dormitório, o outro ao prédio da escola.

— Enfim, parece que sua vida amorosa também anda bem ocupada, hein? — disse Hashimoto.

— Do que você tá falando?

Ele então colocou a mão no meu ombro e sussurrou no meu ouvido:

— Tô falando que uma garota inexperiente provavelmente não vai conseguir lidar com o seu, digamos… "tamanho", cara.

Ele sorria como se estivesse apenas me zoando. Sério… isso de novo?

— Ei, cara, não fica com essa cara de saco cheio. Tem muita gente te respeitando por causa disso — ele acrescentou.

Aquilo não me deixava feliz nem um pouco. Aliás, eu estava começando a odiar ainda mais aquele acampamento escolar por ter causado toda essa confusão.

— Enfim, Rei. Troca contato comigo — disse Hashimoto.

— Eu troco, contanto que você nunca mais use esse apelido que acabou de inventar — respondi.

— Hahaha! Beleza, beleza, nunca mais.

Troquei informações de contato com Hashimoto, que tirou o celular do bolso e se desculpou enquanto fazia isso.

— Bom, vou nessa. Até mais, Ayanokoji — disse ele, indo embora.

Hashimoto veio e foi embora como uma tempestade passageira. Será que achou que já tinha coletado informação suficiente por hoje? Ou queria evitar forçar demais a situação?

De qualquer forma, minha verdadeira natureza ainda devia continuar envolta em mistério na mente dele. Pelo menos por enquanto.

Decidi passar na biblioteca e ver Hiyori, que provavelmente estaria me esperando lá. Havia também outra pessoa com quem eu tinha prometido me encontrar na escola.

*

 

Como eu tinha voltado para o dormitório mais tarde do que o planejado, não consegui me encontrar com o Grupo Ayanokoji. Quando cheguei ao meu quarto, pouco antes das sete da noite, vi que haviam deixado uma sacola de papel na frente da minha porta. Dentro dela havia dois pacotes embrulhados de forma diferente: um quadrado e um redondo.

Cada pacote tinha um nome escrito à mão. Eram chocolates de Dia dos Namorados da Haruka e da Airi, como já tinham avisado no nosso chat. Akito e Keisei receberam o mesmo.

Entrei no quarto e alinhei os chocolates sobre a mesa.

— Nunca imaginei que receberia cinco… — murmurei.

Kei, Airi, Haruka, Hiyori. E mais um. Uma caixinha com uma fita rosa bem bonita.

*

 

Mais tarde, depois das dez da noite, saí para o corredor vestindo uma blusa com capuz por cima da roupa casual. Entrei no elevador, já que as câmeras lá dentro eram posicionadas de modo que não mostrassem meu rosto. Apenas uma medida de precaução, no caso de algo acontecer. Eu até preferia que esse encontro fosse em outro lugar… mas, se ela estava descansando porque não se sentia bem, não havia o que fazer.

Era tarde o suficiente para que Ichinose já pudesse estar dormindo, mas eu já tinha confirmado que ela estava acordada ao mandar uma mensagem antes — contato que tinha conseguido com a Horikita. Porém, não contei que estava indo ao quarto dela.

Cheguei ao andar da Ichinose e parei diante de sua porta.

Toquei a campainha. Dez segundos se passaram. Depois vinte. Não ouvi nada do outro lado da porta, então toquei novamente. Era natural imaginar que Ichinose poderia estar confusa com alguém vindo visitá-la no meio da noite.

Depois de cerca de trinta segundos, decidi falar:

— Ei, sou eu, Ichinose. É o Ayanokoji.

Já era depois do toque de recolher. Ficar muito tempo no andar dela poderia me causar problemas, e Ichinose provavelmente sabia disso. Ela não abandonaria alguém à toa nesse tipo de situação de risco.

— Ayanokoji… kun? O que houve? — respondeu Ichinose, com a voz vinda do outro lado da porta.

Ela soava fraca, e ouvi que começou a tossir imediatamente depois. Mas era difícil saber, apenas pelo som, se ela estava realmente doente.

— Tem algumas coisas importantes que eu gostaria de conversar com você. Será que eu poderia entrar e falar com você? Não tem problema?

— Não, tudo bem… hum…

— Pra falar a verdade, seria ruim se outra garota me visse aqui fora — disse eu, insistindo um pouco mais.

— Espera só um segundo, tá?

Pouco depois, ouvi o som da fechadura sendo destrancada do lado de dentro. Quando Ichinose abriu a porta, ela parecia tão abatida que quase não acreditei.

— Nyahaha. Você foi meio agressivo, hein, Ayanokoji-kun… — murmurou ela. Estava usando uma máscara cirúrgica, claramente indisposta. Parecia que não estava fingindo estar doente.

— Desculpa por isso. Fui mesmo um pouco agressivo. Você realmente não está se sentindo muito bem, né? — falei.

— É… estou meio caída agora…

— Desculpa por aparecer em um momento tão ruim.

— Não, não, tudo bem. Minha febre já passou quase toda. Acho que é mais por estar me sentindo meio mal por ter dormido demais e estar com fome… Ah, desculpa, mas você poderia colocar essa máscara? — disse Ichinose.

Ela me entregou uma máscara, para que eu não pegasse o resfriado dela. Meu sistema imunológico era relativamente forte, mas não era imune a doenças, e eu sabia que Ichinose se sentiria mal se eu recusasse de forma descuidada e depois pegasse o resfriado. Coloquei a máscara sem hesitar.

— Você já foi ao médico?

— Fui durante a semana.

Muitos estudantes achavam que Ichinose fingia estar doente para escapar dos boatos sobre ela. Mas aparentemente não era o caso. Ela estava realmente doente.

— Você estava preocupado porque eu tenho faltado às aulas por causa desses boatos, né? Obrigada por se preocupar comigo — disse Ichinose.

— Não, eu…

Será que ela percebeu meus pensamentos?

— Você é a primeira pessoa que veio me ver cara a cara desde que fiquei doente, Ayanokoji-kun — disse ela.

— É mesmo?

— Algumas garotas vieram me visitar quando minha febre estava alta, mas, mesmo me sentindo mal, tive que mandá-las embora porque não estava bem. Desde então, acho que minhas outras amigas devem ter pensado que estou deprimida, porque parece que têm evitado me visitar — explicou Ichinose.

Eu tinha ido visitá-la muito depois de todo mundo e, ainda assim, fui seu primeiro visitante desde que ela ficou doente. Irônico.

A situação parecia simples: Ichinose estava descansando porque estava doente. Mas considerando seu comportamento anterior, não foi difícil perceber que ela era do tipo de pessoa que monitora sua saúde com cuidado. Sem falar que os exames de fim de ano estavam chegando. Ela provavelmente teria evitado ficar doente a todo custo nesse período, o que me fez concluir que pegou um resfriado porque seu sistema imunológico estava enfraquecido pelo desgaste psicológico que vinha sofrendo.

Não que ela fosse admitir isso, é claro.

— Não vou faltar só por causa desses boatos — disse Ichinose.

— Você é realmente durona — falei.

— Durona, hein…? Ah, desculpa, mas você poderia fechar a porta da entrada pra mim? Eu tinha deixado aberta pra ventilar um pouco, mas agora ficou frio… Ah, e por favor, lave bem as mãos quando voltar — respondeu ela.

— Tudo bem.

Ela tinha ligado o umidificador no quarto para evitar que o ar ficasse seco demais. O vírus da gripe se prolifera melhor em ambientes secos e frios, então aquecer o ar é uma ótima maneira de prevenir. Ignorar esses cuidados aumentaria muito a chance de prolongar o resfriado ou passar para quem viesse visitar. O ar seco era a principal razão pela qual resfriados duravam mais no inverno.

Ainda assim, era meio estranho que eu estivesse visitando quartos de garotas e recebendo visitas delas com tanta frequência, e nenhuma daquelas visitas tivesse qualquer relação com romance.

— Está tudo bem…? — perguntou Ichinose, lançando-me um olhar confuso enquanto eu examinava o umidificador dela.

— Desculpa por ter vindo te incomodar enquanto você estava descansando — respondi.

— Ah, não, está tudo bem, de verdade. É verdade que seria mais seguro se eu não encontrasse ninguém agora, mas acho que é melhor as pessoas saberem que peguei um resfriado, suponho.

Parecia que ela estava bem ciente dos boatos de que estaria fingindo estar doente. Como se para provar, Ichinose me mostrou o celular. Parecia que ela havia trocado várias mensagens com Horikita. Imaginei que Horikita ainda estivesse preocupada com ela e demonstrando isso do jeito dela.

Não conversamos por muito tempo depois disso. Decidi ir embora o mais rápido possível e aproveitei a primeira oportunidade para fazê-lo.

*

 

Chegara o dia do teste prático — um dia em que cada classe precisaria se concentrar em seu próprio exame. No entanto, a sala estava cheia de alunos conversando, em vez de estudando. E não falavam sobre vocabulário ou preparação para a prova. Os assuntos que consegui ouvir eram totalmente alheios aos exames.

— Está bem animado aqui, hein — comentei em voz alta.

— Claro que está — disse Horikita. — Não é óbvio? É por causa dos boatos malucos que ouvimos hoje de manhã.

— Boatos malucos? Mais notícias sobre a Ichinose?

— Não. São novos boatos, e eles estão causando o caos na Classe C.

— Novos boatos…hm. — Bastava olhar para o caos total da sala para perceber que não era pouca coisa.

— A propósito, parece que mencionam você, Ayanokoji-kun — disse Horikita, mostrando o celular. Havia quatro boatos registrados no aplicativo de notas dela.

— Isto é…

Ayanokoji Kiyotaka está apaixonado por Karuizawa Kei.

Hondou Ryoutarou só se interessa por garotas mais gordinhas.

Shinohara Satsuki se prostituía quando estava no ensino fundamental.

Satou Maya odeia Onodera Kayano.

O conteúdo dos boatos era semelhante. Quatro pessoas, incluindo eu, eram citadas diretamente como alvo de ridicularização.

— De onde veio essa informação? — perguntei.

— Você conhece os murais que a escola disponibiliza para cada classe?

— Sim, se não me engano, eles estão no app, certo?

Quando os alunos queriam conferir o saldo da conta ou algo assim, precisavam acessar pelo aplicativo oficial da escola. Esse app incluía fóruns e murais para uso estudantil, mas como tínhamos vários apps de chat mais fáceis no celular, os murais eram ignorados 99% das vezes.

— Foi esperto perceber essas postagens. Quem foi a primeira pessoa a descobri-las?

— Quando cheguei à sala, os boatos já estavam circulando. Imagino que alguém tenha dado de cara com as mensagens no mural enquanto usava o app. Além disso, dá para ver quando o mural foi atualizado pela última vez, aparentemente.

Os murais não serviam apenas para trabalhos de classe — havia alguns dedicados a conversas casuais. Como qualquer pessoa podia acessar, era bem provável que outros alunos de outras classes também tivessem visto esses boatos.

— Não está curiosa sobre por que o modus operandi desta vez é diferente da última?

— Independentemente de ter sido a mesma pessoa ou outra, existem incontáveis maneiras de espalhar boatos. Sim, o modo de agir é diferente, mas não há muito que possamos fazer, certo? Além disso, como esses boatos foram postados online com palavras explícitas, é impossível escondê-los ou ignorá-los.

Horikita mudou de assunto, precedendo seu próximo comentário com uma ressalva.

— A propósito, estou te perguntando isso por precaução, mas é verdade?

— Não, não é — neguei imediatamente. — Além disso, pouca gente sabe que Karuizawa e eu nos falamos, para começo de conversa.

— Consegue pensar em alguém que poderia ter postado esses boatos?

— Bem, acho que tenho alguns palpites.

Resumi rapidamente para Horikita o que aconteceu ontem, quando encontrei Hashimoto.

— Se Hashimoto-kun começou os boatos sobre Ichinose-san, não seria nada surpreendente que ele fizesse o mesmo sobre você e Karuizawa-san.

— Mas e as outras vítimas? Não temos muitas maneiras de confirmar a verdade.

— Isso é verdade…

Quer dizer, não havia nenhum aluno que pudesse simplesmente confirmar a veracidade desses boat—

— Ei, Shinohara! Você era prostituta ou algo assim?! — gritou Yamauchi, rindo, completamente alheio aos sentimentos alheios, como sempre.

— N-Não! — respondeu Shinohara, negando com veemência. Ela se levantou do assento em pânico, claramente envergonhada e irritada.

— Então me mostre alguma prova — disse Yamauchi.

— Prova…? Como eu vou provar isso pra você?! — gritou Shinohara.

Cativados pelo drama, os alunos que já estavam na sala começaram a espalhar os boatos para os que chegavam. De qualquer forma, eles acabariam ouvindo cedo ou tarde.

— Então você está dizendo que é tudo mentira? — exigiu Yamauchi. — E tudo o que foi postado online também era mentira, né? E a gente só fica falando bobagem sem pensar?

Enquanto observava Yamauchi e Shinohara discutindo, confirmei o que estava pensando com Horikita.

— Me pergunto… Bem, acho que tudo o que podemos fazer é confirmar a veracidade dos boatos com cada aluno, um por um, como o Yamauchi está fazendo.

É claro que, para uma pessoa normal, era mais fácil falar do que fazer, sair bisbilhotando a vida alheia e reabrindo feridas que alguns queriam manter escondidas.

— Que idiotice é essa?! Não acredito que você está se deixando levar por esses boatos sem nem saber quem os escreveu! — Shinohara estava claramente furiosa com Yamauchi, mas não era surpresa ela negar tudo com tanta veemência. Se fosse, seria surpreendente ela estar tão calma depois que alguém postou aquelas coisas sobre ela.

— Mas você não acha… que tudo que disseram online parece bem crível?

— Para com isso, Haruki!

Em resposta às provocações impiedosas de Yamauchi, Ike, que estava ao lado dele, agarrou-o pelos ombros e tentou fazê-lo parar.

— Q-Que é isso, cara?! Essa é minha chance de dar o troco na Shinohara por ela sempre se achar a tal!

— Dar o troco por quê…? Cara, esses boatos não passam de mentiras!

— E como você sabe disso, hein? Digo, dizem que garotas feias como ela podem aprontar umas coisas bem nojentas, sabe? — Yamauchi riu, continuando a falar como um idiota, ignorando totalmente os sentimentos de Ike. — Ah, entendi. Ike, você tem uma quedinha pela Shinohara. Por isso você não pode ad—

— Haruki! — Ike agarrou a gola de Yamauchi.

— Chega, vocês dois!

Incapaz de ficar parado vendo a cena se desenrolar, Sudou interveio e separou os dois à força. Hirata chegou à sala logo depois e imediatamente percebeu o que estava acontecendo. Começou a perguntar para algumas meninas sobre a situação, confirmando os detalhes desses boatos.

Como Shinohara estava negando tudo, Yamauchi mudou temporariamente de alvo.

— Então, ei, Hondou! Você tem mesmo fetiche por garotas gordinhas? — disse, voltando-se para Hondou.

— N-Não, cara! Não! Esses boatos são pura besteira! Certo, Ayanokoji? Quero dizer, não é possível que você tenha algo por Karuizawa!

Naturalmente, Hondou negou a acusação e se voltou para mim em busca de ajuda, tentando evitar perseguição. De repente, todos os olhos se voltaram para mim. Felizmente, a maior parte do grupo de amigos da Kei ainda não tinha chegado à sala.

Assenti para Hondou, confirmando que ele estava certo. Ele gritou:

— Viu?! — e se virou para Yamauchi.

— Tch, vamos lá. Que diabos, cara? Tudo mentira?

Agora que três de nós havíamos negado os boatos, a sala começou a se acalmar um pouco.

— Mas… é verdade que a Satou-san não gosta muito da Onodera-san, não é? — Maezono soltou sem pensar, provavelmente porque Onodera ainda não estava presente.

— E-Ei, espere um segundo, Maezono-san! — Satou tentou impedi-la freneticamente, mas já era tarde demais.

— Na verdade, pensando bem… alguém já viu a Satou sair com a Onodera antes?

— I-Isso… —

A situação mudou. De repente, parecia que as pessoas não estavam mais inclinadas a descartar os boatos como mentiras. Sudou, confirmando que tinha separado Ike e Yamauchi, se aproximou de Horikita e de mim.

— Ayanokoji. Você realmente não tem nada por Karuizawa? — Ao que parece, até ele sentiu que precisava perguntar.

— Não, não tenho.

— Hm. Bem, mesmo que fosse verdade, acho que não importa muito para mim. Ei, Suzune.

— O que foi, Sudou-kun?

— Bem, ouvi um pouco da conversa de vocês mais cedo. Se você não se importar, posso ajudar — disse Sudou.

— Como assim?

— Bem, sou meio insensível. Posso simplesmente ir e perguntar diretamente às pessoas, como o Haruki fez. Que tal? — ofereceu Sudou.

Era verdade que Sudou poderia ser útil para descobrir a origem desses boatos… embora, se tivesse ouvido nossa conversa, ele deveria ter ouvido a parte em que eu neguei qualquer interesse na Kei.

— Não faça nada que diminua sua reputação aos olhos dos outros — disse Horikita. — As pessoas já não pensam muito bem de você. Você deveria se esforçar para melhorar a forma como o veem, mesmo que só um pouco. Os comentários descuidados do Yamauchi parecem ter diminuído drasticamente sua posição na nossa classe…

Parecia que Yamauchi havia superado Sudou como a pessoa mais odiada da classe de uma só vez. Até Ike, seu amigo mais próximo, estava agora furioso com ele.

— Talvez você tenha razão sobre isso… Mas eu quero ser útil de algum jeito.

Sudou lançou um olhar rápido para mim antes de desviar imediatamente. Eu tinha certeza de que era porque ele tinha uma vaga noção de que Horikita costumava me consultar sobre muitas coisas. Claro, ele provavelmente também entendia que isso acontecia em parte porque era fácil pra gente conversar, já que éramos vizinhos de carteira.

— Nesse caso, por favor, fique de olho no Yamauchi-kun e mantenha ele sob controle. Se pelo menos um dos rumores fosse positivo, seria outra história. Mas eles são tão problemáticos que chegam a ser profundamente pessoais, sejam verdadeiros ou não. Tenho certeza de que o Hondou-kun deve estar abalado com tudo isso, então gostaria que você conferisse como ele está. Consegue fazer isso, certo?

— Sim, tudo bem.

Sudou parecia um pouco decepcionado, mas mesmo assim seguiu obedientemente as instruções de Horikita. Ela esperou confirmar que ele tinha ido embora e então voltou ao assunto.

— É bem provável que isso faça parte do plano da Sakayanagi-san. Ela não ficou satisfeita em ir atrás da Ichinose-san, então está tentando o mesmo esquema com a Classe C também. E atacando várias pessoas ao mesmo tempo, ainda por cima. Acho que isso é só uma tentativa de nos desestabilizar antes das provas de fim de ano, mas… o que devemos fazer?

— O que quer dizer? Você acha que tem alguma forma de realmente combater esses rumores? Quanto mais tentarmos negar, mais a imaginação das pessoas vai correr solta, convencendo elas de que é tudo verdade. O rumor sobre mim não é grande coisa, mas se os outros forem tomados como fatos, isso vai prejudicar muito quem foi citado.

— É verdade. Talvez você tenha razão — disse Horikita, assentindo enquanto olhava para Hondou e Shinohara. Fiquei imaginando se ela estava tentando se colocar no lugar deles. — Dito isso, isso é um golpe bem sujo. Como vamos reagir a algo assim?

— Vai saber.

— Mesmo vendo as faíscas começando a voar, você pretende só ficar sentado e observar? — perguntou Horikita.

— Não é tão grave assim. Bom, acho que do ponto de vista da Karuizawa vai ser, porém.

— Quer dizer que pra você está tudo bem?

— Sim, totalmente bem.

Por algum motivo, parecia que Horikita estava esperando me ver entrar em pânico. Por causa disso, pude presenciar a rara expressão de leve decepção em seu rosto.

— Pelo menos não é o contrário — ela disse.

Ou seja, se o rumor afirmasse que a Kei tinha uma queda por mim. Isso teria gerado ainda mais rumores sobre ela — como estarem dizendo que ela já estava correndo atrás de outro cara logo após terminar com Hirata, por exemplo. A especulação correria solta. Não importava se algo fosse completamente falso; se pessoas suficientes reconhecessem uma mentira como verdade, ela acabaria virando realidade.

— Mas… eu não posso simplesmente ficar quieta e observar para sempre, como você.

— Entendi.

A comoção na sala deixava claro que esses incêndios continuariam se espalhando mesmo que ninguém tomasse nenhuma atitude. Yamauchi estava prestes a retomar o assunto envolvendo Shinohara e Satou, mas Hirata o interrompeu.

— Yamauchi-kun. Só porque algo está escrito no quadro de avisos não significa que seja verdade. Além disso, no mínimo, você concorda que é errado machucar um colega de classe assim, certo? — disse Hirata.

— Mas se for igual aos rumores sobre a Ichinose, então todo mundo já deve ter ouvido, né? Mesmo que a gente não diga nada, no fim vai dar tudo no mesmo, não vai?

— Não acho que podemos afirmar isso com certeza. Pelo menos não ainda. É por isso que eu acho que o melhor a fazer agora é seguir em frente sem deixar o que foi postado no quadro nos jogar no caos — respondeu Hirata.

As palavras dele foram recebidas com fortes concordâncias, tanto pelos garotos quanto pelas garotas. Isso não resolveria todos os problemas, claro, mas pelo menos ele conseguiu colocar uma tampa na situação por enquanto.

Então o celular de Horikita vibrou.

— É do Kanzaki-kun — disse Horikita, lendo a mensagem. — Ao que parece, a Ichinose também faltou hoje.

O dia do teste prático. Mesmo que você estivesse um pouco indisposto, ainda assim gostaria de fazer o teste para ter uma noção do seu desempenho. Sem contar que Ichinose era a líder da classe, responsável por orientar seus colegas. Bem, pelo jeito como ela estava ontem, não era surpresa que ainda não tivesse se recuperado.

— E tem mais uma coisa… Parece que rumores semelhantes foram postados no quadro da Classe B.

— O que significa que eles também devem ter visto o que escreveram sobre nós.

— Parece que sim.

Horikita rapidamente entrou no aplicativo e verificou o quadro da Classe B. Assim como na Classe C, havia quatro rumores postados, cada um citando um aluno diferente. No quadro da Classe D também havia mensagens parecidas.

— Convenientemente, parece que só os alunos da Classe A não tiveram nenhum rumor postado. Você pode me dar um minuto depois da aula hoje? Quero conversar com a Ichinose, conseguir mais informações e discutir como vamos responder a essas postagens.

— Claro — concordei.

— Por enquanto, vamos focar no teste prático. É uma oportunidade valiosa para avaliar o nível de dificuldade da prova de fim de ano e para termos uma ideia de como a nossa classe está.

Mas Horikita não era uma das pessoas atingidas pelos rumores. Diferente dela, as vítimas não seriam capazes de se concentrar tão facilmente no teste. Quando Kei e suas amigas entraram na sala, elas se agruparam e começaram a cochichar entre si. Então, olharam para mim. Olharam como se eu fosse lixo humano. Mesmo sem ouvir o que diziam, eu sabia exatamente o que estava acontecendo.

"Será que o Ayanokoji-kun parece mesmo ter uma queda pela Karuizawa-san?"

"Ei, o que você acha dele, hein? Hein, Karuizawa-san?"

Eu tinha certeza de que a conversa delas era algo nessa linha. E, sem dúvida nenhuma, apostaria que Kei respondia com coisas como "Ele é nojento" ou "Ele é o pior".

— Você não disse que estava bem?

— Me incomoda um pouco.

Eu teria continuado observando a conversa delas, mas não queria realmente ouvir o que estavam dizendo, então decidi parar. O verdadeiro problema eram os outros alunos, além de mim, que haviam sido mencionados nominalmente e estavam sendo discutidos naquele momento.

*

 

O TESTE PRÁTICO havia começado, apesar das marcas geladas de constrangimento e má vontade ainda pairando no ar. Esta era uma fase importante do final do ano letivo. O conteúdo do teste prático era, mesmo em comparação com os anteriores, muito mais difícil do que os exames que havíamos feito até então. Extremamente difícil, aliás.

No entanto, também era verdade que os alunos que tinham conseguido passar pelos testes anteriores deveriam ser capazes de lidar com este sem entrar em pânico. Por outro lado, os estudantes que mal se saíram bem provavelmente precisariam se esforçar muito mais depois deste teste prático.

Fui convidado a me juntar ao Grupo Ayanokoji para uma sessão de estudos, mas decidi avisá-los de que podiam começar sem mim, já que eu acompanharia Horikita hoje. Kanzaki não queria chamar atenção para si, então decidimos nos encontrar no Keyaki Mall depois da escola, quando os testes práticos terminassem.

Seguindo Horikita, nos dirigimos até onde Kanzaki nos esperava, próximo à entrada sul do shopping. Era o ponto mais distante do prédio da escola, então os alunos raramente passavam por ali.

Não me importava particularmente com toda a confusão de conflitos entre classes, mas isso não significava que eu não estivesse preocupado com Ichinose, como amigo. Além disso, obter mais informações nunca era ruim. Sem contar que Hashimoto vinha me seguindo ultimamente, há algum tempo. Se eu fizesse contato com a Classe B, a sombra da Classe A inevitavelmente se aproximaria… mas era exatamente isso que eu esperava.

De fato, Hashimoto me seguira até ali, mantendo uma distância apropriada o tempo todo.

— Dois dias ausentes seguidos. E ainda assim você não conseguiu entrar em contato com Ichinose-san?

— Não é que ela não esteja respondendo; é que as respostas são lentas. Tudo que recebi dela foi uma notificação de que está doente com um resfriado.

Kanzaki parecia tenso. Imaginei que ele estivesse sob bastante estresse ultimamente. Ichinose devia ter lhe dito para não se preocupar, mas suponho que ele mal podia se conter.

Os problemas de saúde de Ichinose eram provavelmente um dos motivos pelos quais ela relutava em encontrar qualquer colega de classe agora. Apostaria que outro motivo era que ela realmente não queria ouvir ou discutir os boatos.

— O que disse a professora da sua turma sobre isso?

— O de sempre. Ela apenas disse que Ichinose estava ausente porque estava doente com um resfriado.

A professora de classe provavelmente recebera a mesma mensagem de Ichinose que todos os outros. Kanzaki parecia desanimado porque duvidava que ela estivesse realmente ausente por estar resfriada. Afinal, ela vinha sendo alvo de um escândalo recente. Claro, ele suspeitava que esse fosse o verdadeiro motivo de sua ausência.

— Que tal irmos visitá-la? Acho que poderíamos esclarecer tudo se a víssemos pessoalmente — disse Horikita.

— Aparentemente, algumas garotas da nossa classe foram visitá-la. Não parece que conseguiram vê-la cara a cara — respondeu Kanzaki.

Percebendo que a situação não estava boa, Horikita ponderou profundamente.

— Bem, pelo lado positivo, Ichinose é muito boa academicamente. Mesmo se não fizer o teste prático, provavelmente se sairá bem — argumentou.

Alunos doentes, como Ichinose, poderiam receber as questões do teste em outra data, ou poderiam perguntar a outros estudantes quais problemas apareceram.

— Não estamos preocupados com isso. Só queremos saber do bem-estar mental de Ichinose — disse Kanzaki.

Enquanto Horikita e Kanzaki continuavam tentando bolar um plano, várias sombras se aproximaram. Parecia que Hashimoto já havia informado sobre essa reunião secreta.

— Ah, parece que Ichinose-san está ausente da aula de novo hoje, hein? Semana que vem é o exame de fim de ano. Se ela ficar ausente por muito tempo… talvez até o dia do exame… Bem, pode ser que tenha problemas sérios, hm? — disse Sakayanagi.

— Sakayanagi.

Sakayanagi e seus comparsas apareceram diante de nós. Bem, diante de Kanzaki, na verdade. Vimos Kamuro e Hashimoto com ela, e também um garoto chamado Kitou. Então esses eram os membros principais da facção de Sakayanagi, hein?

— E então, o que vocês estão discutindo com esses da Classe C? — perguntou Sakayanagi.

— Não tem nada a ver com você.

— Oh, meu, parece que não somos muito bem-vindos aqui.

— Se quer ser bem-vinda, então pare de espalhar boatos estranhos. Antes que faça algo que não possa desfazer.

Sakayanagi e seus colegas se entreolharam e riram.

— Do que você está falando, afinal? — ela perguntou.

— A união da Classe B não será abalada, não importa quantos boatos vocês espalhem.

— Receio que eu não saiba em que situação sua classe se encontra. Mas estou ansiosa para ver o que acontece a seguir.

Suponho que ela veio apenas para ver por si mesma como as coisas estavam se desenrolando. Pareceu concluir que seus planos estavam dando resultados imediatos, pois partiu logo após essa troca de palavras com Kanzaki.

— Não se preocupe com ela, Kanzaki-kun — disse Horikita. — Isso tudo faz parte da estratégia de Sakayanagi-san.

— Eu sei.

Infelizmente, a preocupação de Kanzaki com seus colegas e sua natureza humilde e reservada significava que seu sofrimento não acabaria tão cedo.

*

 

A aula tinha acabado, mas não era como se os boatos fossem parar de se espalhar. Voltei para o dormitório e estava relaxando quando recebi uma ligação de Kei.

— E-Espera um minuto! O que está acontecendo, Kiyotaka?! — ela gritou.

— O que quer dizer com "o que está acontecendo"? — já sabia, mas resolvi fingir.

— Não, você sabe do que eu tô falando! Kiyotaka, tem… bem, hum… tem um boato rolando de que v-você tá afim de mim! Você não sabia?!

Ela praticamente gritava, e o som agudo me fez doer os ouvidos. Afastei o telefone por um momento e abaixei o volume.

— Não se preocupe com os boatos.

— N-Não, sem chance! Não dá pra simplesmente ignorar só porque é um boato! Como isso aconteceu?!

— Suponho que pode ter sido o Hashimoto que começou o boato — disse eu. — Ou talvez alguns outros alunos tenham nos visto juntos.

— Aaaahhh! — Kei deixou escapar um grito baixo.

— Bem, quer dizer, isso até que é bom, né? Teria sido bem pior se fosse ao contrário.

— Ao contrário? — ela perguntou, confusa.

— Se o boato fosse "Kei tá afim do Kiyotaka", aí sim seria ruim para você, não acha? Acho que se fosse o caso, as pessoas desconfiariam ainda mais de você do que de mim, já que você acabou de terminar com o Hirata.

— Eu-eu suponho que sim, mas…

— Não se preocupe. Boatos desse tipo sempre desaparecem rápido.

— Sério?

— Ainda assim, acho que pode ficar mais fácil a gente se comunicar daqui pra frente, graças a esse boato. Se eu tentar falar com você, as pessoas vão supor que é por causa do que o boato diz, e pronto.

No fim, tudo se resumia à perspectiva. Eu não tinha planos de começar a conversar em lugares chamativos, mas poderia ser algo como uma "apólice de seguro", dependendo das circunstâncias.

— I-Isso não dá! — Kei praticamente gritou. — Se nós dois ficarmos juntos, as pessoas vão achar estranho! Absolutamente, definitivamente vão achar estranho!

Repetir assim era algum tipo de tendência? Que jeito estranho de falar. De qualquer forma, isso significava que Hashimoto, que vinha me seguindo, também teria essa informação plantada na cabeça.

— Não se preocupe com isso.

— Mesmo que você me diga pra não me preocupar……

Seguiu-se um longo silêncio, após o qual ela aparentemente decidiu que seria impossível.

— É impossível. Eu não consigo!

Kei continuou reclamando sobre vários assuntos por um tempo, mas eventualmente pareceu desistir e encerrou a ligação.

*

 

AS COISAS começaram a se mover em um ritmo vertiginoso. Mesmo sem um exame especial, e devendo nos concentrar apenas na prova escrita de fim de fevereiro, estes dias foram tumultuados.

Na sexta-feira, 18 de fevereiro — três dias após o teste prático — alunos de todas as turmas, exceto a B, se reuniram em um local distante do prédio da escola. Hirata fez o possível para impedir que os novos boatos se espalhassem nesse momento crítico, mas seus esforços foram em vão. A Classe A, a única sem boatos postados nos murais, já tinha tomado conhecimento da situação.

— E aí, Ishizaki. Então, o que diabos você queria falar comigo, afinal? — perguntou Hashimoto, parecendo o mesmo de sempre.

— O que eu quero falar? Você já sabe do que se trata, Hashimoto! E o que tá pensando, trazendo o Kitou junto com você? Eu te disse pra vir sozinho, não disse? — disse Ishizaki.

— Bem, você trouxe o Albert também, não foi? Só tomando precauções.

O clima estava tenso, como se todos estivessem em alerta máximo. Olhando para a situação atual, era difícil imaginar que os dois haviam dividido o mesmo quarto pouco tempo atrás no acampamento escolar, mas as razões pelas quais tudo estava assim eram óbvias.

— Viemos só pra conversar hoje. Não é isso, Ishizaki-kun? — Ishizaki e Albert não eram os únicos estudantes da Classe D presentes. Hiyori e Ibuki também estavam ali.

— Bem, contanto que não façam uma cena, então acho que tudo ficará bem.

— Mas…

As preocupações de Hiyori eram compreensíveis. Dadas as pessoas presentes, era difícil imaginar que nada aconteceria.

— E os outros? Eu não sabia que vocês tinham convidado mais gente além de nós — disse Ishizaki.

Hashimoto olhou para nós e suspirou exasperado.

— Não sei sobre eles. Não foram vocês que os chamaram?

Aparentemente, tanto a Classe D quanto a Classe A se sentiam desconfortáveis com a presença dos alunos da Classe C.

— É exatamente como você disse, Ayanokoji — disse Akito, que estava ao meu lado, junto com o resto do Grupo Ayanokoji. Todos nós nos encontramos no café para uma sessão de estudo há pouco tempo.

— Eu só me lembrei daquela vez em que Kanzaki e Hashimoto estavam discutindo. E aí eu por acaso vi vocês saindo do campus, então pensei que talvez... Bem..

Assim que contei a Akito que havia sentido que algo estava errado, ele imediatamente me seguiu até aqui. A única coisa que eu não tinha planejado era que Haruka, Airi e Keisei também viessem.

— Tem muito mais gente aqui do que da última vez. As coisas podem ficar bem complicadas…

—Ah, cara, por que sempre acabamos nessas situações perigosas? — disse Haruka, aparentemente exasperada.

— Bem, tanto faz. Não importa quem os chamou aqui. Então, vamos ouvir o que você tem a dizer, Shiina-chan.

— É sobre os boatos. Vocês, pessoal da Classe A, são os que estão começando tudo isso, não são? — disse Hiyori, talvez decidindo que isso resultaria em uma briga se deixasse Ishizaki conduzir a conversa.

— Ei, ei, por que você tá nos perguntando uma coisa dessas?

— Isso é um absurdo!

— Deixe comigo, Ishizaki-kun — disse Hiyori, impedindo gentilmente Ishizaki de gritar de volta com raiva. — Eu acabei ouvindo Kanzaki-kun dizendo que ele viu você espalhando boatos sobre Ichinose-san.

— Uau, mas que fofoqueiro, né? Ou talvez você tenha ouvido isso daqueles dois ali? — respondeu Hashimoto. Ele se referia a mim e Akito, já que tínhamos ouvido a conversa de Hashimoto com Kanzaki outro dia.

— Por favor, responda à pergunta, Hashimoto-kun — Hiyori continuou pressionando Hashimoto sem nem olhar em nossa direção.

— Bem, Ayanokoji e Miyake sabem, então acho que é melhor eu falar logo. Ouvi esses boatos sobre Ichinose em algum lugar e decidi repeti-los várias vezes, só porque achei divertido.

Hashimoto, claro, não admitiu a verdade.

— Essa é uma desculpa bastante conveniente. Você realmente acha que algo assim ainda vai colar?

— Desculpa? É a verdade. Acho que, se for errado repetir boatos só porque é divertido, então eu sou o vilão. Ainda assim, é estranho, não é? Que a Classe D, que não tem nada a ver com isso, apareça e se envolva nessa situação toda — disse Hashimoto. Ele continuava falando, jovial como sempre, mas com um brilho afiado no olhar. — É possível que… na verdade, sejam vocês, pessoal da Classe D, que estão espalhando esses boatos?

— Você só pode estar brincando. Já sabemos que é a Sakayanagi quem está espalhando esses boatos!

— Não seja tão rápido em presumir. Claro, é verdade que nossa líder é agressiva. Às vezes, contra seu próprio juízo, ela diz coisas que provocam as pessoas. Diz coisas contra Ichinose também. Quer dizer, eu até entendo como você se sente. Entendo por que você quer interpretar tudo demais e decidir egoisticamente que ela foi a fonte dos boatos. Mas nós não temos nada a ver com isso. Além disso, vocês nem têm prova, não é?

Ishizaki estava claramente frustrado com as palavras de Hashimoto, mas Hashimoto não estava errado. Até agora, não havia nenhuma evidência conclusiva de que Sakayanagi tivesse colocado as cartas nas caixas de correio ou postado os boatos nos murais online… mesmo sabendo que, muito provavelmente, tinha sido ela.

— Então é isso que acontece hoje. Vocês vieram me pressionar sobre tudo isso, né? Tenho que dizer, não fazia ideia de que vocês, pessoal da Classe D, estavam protegendo a Ichinose — disse Hashimoto.

Ishizaki e seu grupo olharam para ele com raiva. Hashimoto soltou um suspiro, como se entendesse a situação em que estava.

— Não adianta tentar nos enganar. Vocês não estão apenas espalhando merda sobre Ichinose. Também inventaram coisas sobre nós.

— Entendi. Então é por isso, né? Vocês não ligam realmente para a Ichinose — vocês só não gostam que a Classe D tenha se envolvido nesses boatos. Ah, sim, disseram algo sobre você ter sido colocado em um centro de detenção juvenil por uma brincadeira que fez com um aluno do primário. Não é, Ishizaki?

No momento em que essas palavras saíram da boca de Hashimoto, Ishizaki explodiu. Hiyori rapidamente agarrou o braço de Ishizaki, segurando-o antes que ele pudesse atacar Hashimoto.

O boato que Hashimoto acabou de mencionar era uma das supostas mentiras postadas no mural. A fúria de Ishizaki era inevitável, resultado de estar numa situação como essa. Hashimoto, sem mostrar sinais de recuar, continuou falando.

— Mas sério, fico impressionado que vocês tenham inventado todos esses boatos. Vamos, me digam como conseguiram descobrir todas essas coisas sobre outras pessoas, não apenas sobre Ichinose?

— Para de nos provocar, Hashimoto!

— Espera, Ishizaki!

Akito, achando que Hiyori não conseguiria conter Ishizaki sozinha, apressou-se para segurá-lo.

— Não tente me parar, Miyake! De jeito nenhum vou ficar aqui sentado enquanto a Classe A faz o que bem entende!! Eu vou encher esse cara de porrada!

— Corta isso, Ishizaki. Quem vai se machucar é você, entendeu? Provavelmente você confia nas suas habilidades de luta, mas eu também sei me virar, sabia? — disse Kitou, dando um passo à frente e levantando os punhos em posição de combate, pronto para enfrentar Ishizaki e Albert. Parecia preparado para aceitar o desafio caso fosse necessário.

— Cortem isso, pessoal. Todos sabem como a escola fica brava quando rola briga — disse Akito, tentando acalmar a situação, enquanto se mantinha à distância.

— Até agora, pelo menos.

— Até agora?

— Ouvi dizer que o atual presidente do conselho estudantil está disposto a tolerar um comportamento inadequado de vez em quando. Sacou?

Hashimoto encurtou a distância entre ele e Ishizaki, lançando sua perna direita em um chute. Akito bloqueou com o braço esquerdo.

— Tch… sério mesmo? Cara, parece que qualquer coisa é possível com esse presidente.

As palavras de Hashimoto sozinhas não eram suficientes para nos convencer de que a proibição de brigas havia sido suspensa. E foi exatamente por isso que ele decidiu provar isso tomando a iniciativa por conta própria.

— Nada mal, Miyake. Não é à toa que você estava tão confiante quando disse que poderia nos impedir de brigar — disse Hashimoto, recuando novamente.

A atmosfera ficou ainda mais tensa do que antes. A sensação de alerta percorreu a todos.

— Brigar não é certo — disse Hiyori.

— Eu sei. Não vim aqui para brigar com vocês. Aquilo ali era apenas minha forma de mostrar que temos força para nos defender — respondeu Hashimoto.

— Podemos confiar em você?

Hashimoto assentiu, olhando Hiyori nos olhos. Ainda assim, ninguém acreditou nele.

— Vamos lá, chega disso, Hiyori. Esse cara mente sem nem piscar. Por mais que você pense, foram os da Classe A que espalharam esses boatos. A prova é que a Classe A foi a única que não foi alvo dos boatos.

— Mas… não é justamente por isso que pode ser que eles não sejam os responsáveis? — disse Hiyori.

— É exatamente como Shiina-chan disse — disse Hashimoto. — Se fôssemos nós que espalhamos os boatos, não teríamos postado algo também no mural da Classe A para desviar suspeitas?

— Não tenho tanta certeza disso. Não consigo imaginar que todo aluno da Classe A saiba que Sakayanagi foi a pessoa por trás daqueles boatos sobre Ichinose. Se boatos envolvendo a Classe A surgissem, naturalmente causariam confusão dentro da classe.

Depois que Akito apontou isso, Hashimoto soltou um suspiro.

— Bem, não posso dizer que seu raciocínio está errado, de fato. Mas é probatio diabolica, não é?

Apesar de suas ações serem extremamente suspeitas, não tínhamos provas para acusá-los. Por outro lado, também era difícil para eles provarem sua inocência.

— A única maneira de tirar a verdade deles é deixar nossos punhos falarem.

— Ei, calma. Para com isso, Ibuki-chan. Mesmo que a gente lute, você não vai conseguir nada com isso, sabia?

— Falar para pararmos depois de você ter tentado nos provocar? Que audácia.

— Nós não temos nada a ver com isso. Acredite em mim — disse Hashimoto, soltando uma risada.

Ibuki, no entanto, não estava sorrindo. Pelo contrário, parecia se esforçar ao máximo para conter a raiva. Um dos boatos a atingiu, assim como Ishizaki.

— Vocês… acham que podem zombar da gente só porque o Ryuen deixou de ser nosso líder, né? — disse Ishizaki.

Ele deve ter atingido o limite da paciência, porque passou por Akito. Então, como se em sincronia com Ishizaki, Ibuki foi se posicionar na frente de Hashimoto e Kitou.

— Espera, espera! Sério!

— Façam a Sakayanagi pedir desculpas tanto pelos boatos sobre Ichinose quanto pelos boatos sobre nós.

— Vocês estão enganados. Nós não espalhamos os boatos.

— Para de rir!

Ishizaki chutou o corrimão com toda força. Hashimoto começou a entender que não conseguiria mais controlar a situação.

— Então, o que vocês vão fazer a respeito?

— Não é óbvio? Vou calar vocês à força.

— Você realmente acha que pode fazer isso?

— Sim. E se não quiserem, melhor irem fazer ela retirar esses boatos agora mesmo.

— Tô falando, nós não começamos esses boatos.

Mesmo dizendo isso, Hashimoto percebeu que ninguém acreditava nele. O que Sakayanagi havia feito era praticamente uma declaração de guerra contra Ichinose; era difícil para ele provar sua inocência. Um sorriso voltou ao seu rosto.

— Isso não é algo para se rir.

— Desculpa, desculpa. É que isso é tão absurdo que nem eu consigo entender.

Como Hashimoto não podia admitir que Sakayanagi era a fonte dos boatos, não teve escolha a não ser rejeitar o pedido de Ishizaki.

— Nesse caso, vocês vão ter que falar com a própria Sakayanagi.

— Vocês? Ah, de jeito nenhum — disse Hashimoto, acenando a mão como se descartasse a própria ideia de Sakayanagi se encontrar com eles. Ishizaki devia saber que era impossível também, e por isso procurou Hashimoto. — Kitou. Parece que não temos outra escolha.

Hashimoto, percebendo o clima, parecia decidido de que palavras não seriam suficientes. Kitou, que já estava se preparando, assumiu imediatamente uma posição de combate.

— Hah! — gritou Ishizaki, correndo em direção a Kitou, tentando derrubá-lo. Ao lado dele, Ibuki deu um chute voador em Hashimoto, que teve que se esquivar rapidamente.

— Caramba! — gritou Hashimoto.

Por causa do salto potente, o celular e a carteira de estudante de Ibuki caíram do bolso. Percebendo que ela era mais rápida e forte do que imaginava, a expressão de Hashimoto mostrou que ele percebeu o perigo em que estava.

— Uau, você está muito mais acostumada a lutar do que eu lembrava, Ibuki-chan… — disse ele, demonstrando respeito. — Acho que eu tinha esquecido disso.

— Parem com isso, todo mundo! — gritou Akito, pegando o celular que estava caído no chão. Mesmo assim, os alunos da Classe D não mostraram qualquer sinal de parar. Ibuki não parecia nem um pouco preocupada com o fato de que seu celular poderia ter sido danificado. Estendi a mão e peguei sua carteirinha de estudante, que havia caído perto dos meus pés, e, sem pensar, baixei os olhos para lê-la. Naturalmente, ela não estava sorrindo na foto. Seu rosto era o de sempre: ríspido, rígido.

No entanto… um detalhe específico chamou minha atenção.

— O que significa isso…? — murmurei.

— O quê? — perguntou Keisei, aparentemente tendo ouvido minha voz baixa ao meu lado. Balancei a cabeça rapidamente, dispensando a pergunta, e coloquei a carteirinha de Ibuki no bolso por enquanto, para mantê-la segura.

— Ah, nada. Mais importante: nossa prioridade é parar essa briga.

— Parar…? Como?

A briga já havia se transformado em um confronto dois contra dois, e o segundo round estava prestes a começar.

— Ele tem razão, é melhor não nos metermos.

— Parece perigoso, Kiyotaka-kun… — disseram Haruka e Airi, pedindo que ficássemos de fora.

— Vocês têm razão. Deixar isso com o Akito provavelmente é a escolha mais sábia — respondi.

Akito interveio para tentar impedir o próximo ataque.

— Não atrapalha, Miyake! — gritou Ishizaki, tentando empurrá-lo pela força bruta, mas Akito agarrou sua mão e o jogou para baixo com um empurrão firme.

— Ei, seu idiota, me solta!

— Foi mal, Ishizaki. Não é que eu odeie caras como você, mas eu preciso te parar.

— Afasta! — gritou Ibuki, desferindo um chute em direção à cabeça de Akito.

Akito se afastou de Ishizaki às pressas, desviando do pé de Ibuki por um fio de cabelo, mas perdeu o equilíbrio no processo. Albert então o agarrou com seus braços enormes.

— Segura ele, Albert.

— Gr… — rosnou Albert.

Não havia como Akito escapar da força monstruosa dele. A Classe D havia decidido que não perderia enquanto mantivesse a luta em dois contra dois.

— Ibuki! — gritou Ishizaki. Ao mesmo tempo, Kitou avançou com a mão estendida, mirando o pescoço de Ibuki.

— Não me subestime! — gritou Ibuki, reagindo ao ataque de Kitou ao chutar sua mão para longe.

— Eles estão brigando pra valer… O que fazemos? — nós quatro assistíamos, incapazes de impedir.

— Bem, agora não dá pra fazer nada, a briga já começou… mas vocês, Classe C, estão realmente no caminho… — disse Hashimoto, olhando para nós enquanto mantinha Ishizaki à vista, que acabara de se levantar.

— Viemos aqui por coincidência, mas precisamos dizer algo. Um dos nossos amigos… Ayanokoji foi alvo e também sofreu com esses boatos, assim como Ishizaki e os outros — disse Keisei. Airi, ao lado dele, concordou energicamente com um aceno.

— Oh? É verdade, tinha aquele rumor sobre ele, não é? Aquele rumor fofo de que ele estava apaixonado pela Karuizawa ou algo assim?

— N-Não tem nada de fofo nisso! — exclamou Airi, normalmente tão suave, erguendo a voz para protestar — uma visão rara.

Acompanhando o clima, falei também com Hashimoto:

— Odeio dizer isso, mas suspeito de você também, Hashimoto.

— Faz sentido. Afinal, eu fui o único que viu você e a Karuizawa se encontrando em segredo outro dia.

— E-Encontrando em segredo?

Não só Airi, mas Haruka também virou para me encarar rapidamente.

— Não há nada de estranho entre nós — respondi.

— Sério? M-Mas, Kiyotaka-kun, eu tive a impressão de que você e Karuizawa-san estavam se dando bem ultimamente… — disse Airi.

Airi observava tudo com muita atenção, então não era surpreendente que tivesse percebido algo assim. Mas o importante era que Hashimoto a tivesse ouvido. Eu precisava que ele soubesse que havia outras pessoas conscientes da natureza da minha relação com Kei. Tinha de haver a impressão de certa intimidade entre mim e ela, se quiséssemos manter credível a desculpa de que eu estava apenas entregando chocolates em nome de Kei para seu verdadeiro interesse amoroso.

Hashimoto estava fazendo isso para entender como meus colegas enxergavam minha relação com Kei. Mas justamente sua inteligência acabaria fazendo com que ele ignorasse várias possibilidades. Mesmo de olho em mim, ele ia acabar obtendo evidências de que eu não representava ameaça alguma. E, assim, suas suspeitas sobre mim desapareceriam.

— Eu sou seu oponente agora, Hashimoto!

— Ah, cara… isso já tá ficando irritante.

— Por favor, Ishizaki-kun, pare! Não continue com isso! Ao menos isso eu não posso permitir — disse Hiyori, em um tom firme.

Ishizaki, incapaz de ignorá-la, olhou de volta com uma expressão aflita.

— M-Mas…!

— Mesmo que você consiga vencer Hashimoto-kun e Kitou-kun e forçá-los a confessar, isso não será uma prova real. A pessoa no centro de tudo, Sakayanagi-san, ainda assim não admitirá nada. Não basta que não tenhamos conseguido arrancar uma confissão deles? — disse Hiyori.

— Então você tá dizendo que eu e a Ibuki temos que só calar a boca e aceitar?

— Eu sei que parece duro, mas sim. Por favor, aguentem por enquanto.

— Você que pediu pra gente vir com você, sabia? E agora diz pra aguentar? Isso não faz sentido!

— Eu prometo que vou compensar vocês — disse Hiyori.

Hashimoto assobiou, claramente interessado no que ouviu.

— Oh, então não foi o Ishizaki que marcou esse encontro, e sim você, Shiina-chan?

— Albert-kun, por favor, solte ele.

Albert soltou Akito lentamente, obedecendo.

— Realmente causamos muito problema para vocês da Classe C — disse Hiyori, fazendo uma reverência profunda.

— Nossa, tá dizendo que acabou assim, do nada? Que conveniente. Então vocês nos acusam, tentam nos espancar, e é pra simplesmente aceitarmos isso?

— Podem, por favor, nos perdoar?

Hashimoto aceitou o que Hiyori tinha a dizer. Ele devia ter percebido que não adiantaria insistir na questão.

— Bem, não é como se estivéssemos machucados ou algo assim. Vamos encerrar por hoje, Kitou. Mas, por favor, parem de nos culpar de forma obstinada. Se quiserem nos acusar, primeiro arrumem uma prova irrefutável, certo?

De algum modo, Hiyori conseguiu controlar a situação antes que ela se transformasse em uma briga generalizada. No entanto, a relação entre a Classe A e as demais turmas agora estava deteriorada a ponto de ser impossível de reparar.

*

 

Naquela noite, liguei para Horikita Manabu.

— É bastante incomum receber uma ligação sua — disse Horikita.

— Tem uma coisa que eu quero te perguntar.

— O que é?

Relatei o que havia notado depois de olhar os cartões de identificação de dois alunos.

— Espero que isso não seja apenas um mal-entendido da sua parte — respondeu Horikita, soando surpreso, como se estivesse ouvindo aquilo pela primeira vez.

— Pela sua reação, imagino que o conselho estudantil… não, quero dizer, que isso nunca tenha acontecido antes? — perguntei.

— Está correto. Isto é, desde que não seja apenas um simples erro.

Claro, eu não podia descartar a possibilidade de que fosse um erro. Mas, se fosse, seria um erro extremamente raro.

— A escola muda e evolui a cada ano. Esse fenômeno também deve ter algum significado. Como eu possivelmente fui a primeira pessoa a notá-lo, pode chegar o dia em que isso se prove útil para você.

Mesmo que esse dia chegasse, eu esperava poder resolver tudo sem precisar fazer uso disso, se possível.

— Provavelmente vocês, alunos do primeiro ano, ainda terão mais uma prova especial para concluir este ano — disse Horikita.

Anotei mentalmente o fato de ele ter se referido especificamente aos alunos do primeiro ano. Isso significava que a situação era diferente para nós?

— Bem, foi assim nos anos anteriores, pelo menos. Não posso ter certeza absoluta de que será assim este ano. Mas, se as coisas seguirem como no passado, até mesmo os alunos do terceiro ano deverão enfrentar duas ou mais provas especiais — acrescentou Horikita.

— Então vai ser um período bem difícil para você, hein?

Se todos os alunos do segundo ano, liderados por Nagumo, colocassem seu peso por trás dos estudantes da Classe B do terceiro ano, a posição de Horikita não estaria nem um pouco segura.

— É uma situação altamente imprevisível, isso é certo. Mas não é algo com que você precise se preocupar.

Como era de se esperar do ex-presidente do conselho estudantil. Ele não parecia considerar sua situação atual desesperadora, e eu estava confiante de que tinha força para abrir caminho por conta própria. No entanto, minha confiança era em Horikita Manabu — e apenas em Horikita Manabu. Assim como havia mirado em Tachibana Akane, eu tinha certeza de que Nagumo também colocaria outros alvos na mira, vítimas que pudesse destruir pouco a pouco.

— O que você deveria estar se preocupando agora é com a turma do primeiro ano como um todo — disse Horikita.

— Se o conselho estudantil está apoiando ele, então o Nagumo deve conseguir varrer para debaixo do tapete o que quiser — raciocinei.

— Sim, isso é possível. Claro, o conselho estudantil pode perder a confiança da escola e ser dissolvido à força se for longe demais... mas estamos falando do Nagumo. Ele provavelmente vai lidar com tudo de forma bastante astuta. Você teve algum problema com aquela questão envolvendo a Kushida?

— Ah, isso já foi resolvido.

— Parece que muita coisa tem acontecido nos bastidores no que diz respeito a toda essa situação com a Ichinose.

— Entrarei em contato novamente.

Tendo confirmado o que queria saber, encerrei a ligação.

*

 

Os dias seguintes passaram voando. Ichinose, centro desse turbilhão de polêmica, continuou ausente até 24 de fevereiro, um dia antes da prova final de fim de ano, quando finalmente voltou à sala. Eu não a vi pessoalmente, mas muitas pessoas estavam de olho em cada movimento dela, já que ela não comparecera à aula por mais de uma semana. A notícia do retorno chegou a mim quase imediatamente.

Dito isso, isso era importante apenas para a Classe B. A Classe C estava muito mais preocupada com a prova final que nos aguardava no dia seguinte.

— Certo. Ayanokoji, Akito, Haruka e Airi, vocês mandaram muito bem.

Durante o intervalo do almoço, nos reunimos ao redor da mesa de Keisei. Havíamos feito um simulado que ele preparou para realizarmos sozinhos à noite, a fim de testar nossas habilidades. E ele havia terminado de corrigir nossas respostas.

— Uau, Kiyopon, você tirou 90 pontos? Que demais! — disse Haruka, surpresa, enquanto comia seu sanduíche.

— Bem, isso porque os testes que Keisei fez para nós são perfeitos. Você também tirou uma boa nota, não foi? — Apesar de suas pontuações variarem um pouco, os três haviam feito cerca de 80 pontos.

— Bem, se conseguiram passar pelo teste prático e pelo simulado que eu preparei, tenho certeza de que vão se sair bem na prova de amanhã — disse Keisei.

— Se você nos dá seu aval, Keisei, tenho certeza de que será mamão com açúcar — disse Akito, alongando os ombros rígidos, como se estivesse se preparando para lutar.

— Sério, muito obrigada, Keisei-kun. Sempre fico tão nervosa quando faço uma prova… — disse Airi.

— Ah, não precisam me agradecer. É o mínimo que posso fazer — disse Keisei, coçando levemente a ponte do nariz, parecendo um pouco envergonhado.

— Podemos mesmo descansar pelo resto do dia?

— Vocês passaram muito tempo estudando esta semana. Honestamente, acho uma boa ideia relaxar neste último dia. Não é como se tudo que vocês estudaram cuidadosamente desaparecesse de repente. Além disso, não querem exagerar agora e acabar doentes, ou dormir demais no dia da prova. Seria uma pena perder pontos por um erro tão trivial.

— Entendido! Vou seguir suas ordens, Yukimuu! — respondeu Haruka, fazendo uma saudação engraçada a Keisei. Os outros acenaram em concordância, compartilhando o mesmo sentimento.

Bum!

De repente, um som alto ecoou pela sala de aula. Era o barulho da porta sendo escancarada com violência.

— Uou! Pessoal! Parece que vem coisa aí!

Justo quando estávamos prestes a aproveitar o restante do nosso almoço com calma. Que péssimo momento.

— Argh, sério mesmo? — disse Haruka, assustada, enquanto deixava cair seu sanduíche no chão. Ela olhou para Ike, claramente irritada e sem tentar esconder. — Ei! Qual é a sua, hein?!

— Cara, é como se fosse um motim! Forquilhas e tudo mais! Um monte de gente da Classe A está marchando para a Classe B agora! — gritou Ike, empolgado.

— Então a Sakayanagi-san vai agir agora que Ichinose-san voltou, né… — disse Horikita, que também estava almoçando na sala. Ela se levantou rapidamente, parecendo incomodada, e saiu da sala sem dizer nada para mim.

Vendo-a sair, Sudou, Hirata e alguns outros a seguiram. Amanhã seria a prova final de fim de ano. Se Sakayanagi pretendia resolver isso, hoje era a última chance. Ela queria lançar um ataque direto à Ichinose logo após seu retorno e eliminá-la.

— O que devemos fazer, Akito…?

— Não temos escolha a não ser ir até lá. Se acontecer como no outro dia, alguém precisa estar presente para impedir.

— É, faz sentido.

— Mas Haruka, Airi, vocês duas ficam aqui. Não adianta envolver mais gente.

— Tá, tá, entendemos. Vamos terminar de comer com calma.

— O que você vai fazer, Kiyotaka-kun?

— Eu—

Keisei se levantou, junto com Akito. Seria difícil dizer que eu ficaria para trás numa situação dessas.

— Eu também vou, só por precaução. Embora eu ache que não serei de grande ajuda.

Os três saímos da sala e nos dirigimos à Classe B. A confusão parecia já ter se espalhado pelo corredor, e uma multidão começava a se formar.

— Que diabos você veio fazer aqui, Sakayanagi?! — ouvimos Shibata gritar ao entrarmos na sala.

— Que diabos eu vim fazer aqui? Vim para resgatar todos vocês da Classe B. Não veem?

Sakayanagi estava acompanhada por Kamuro e Hashimoto, embora eu não visse Kitou ou qualquer outra pessoa. Eles provavelmente teriam mais resistência se viessem em maior número, por isso escolheram agir com um grupo pequeno.

— O que quer dizer com isso, Sakayanagi? — perguntou Ichinose, se pronunciando do fundo da sala, cercada por vários colegas.

— Espera, Ichinose. Não há necessidade de você se envolver.

— É, é isso mesmo, Honami-chan. Não vá!

Uma das alunas abraçou Ichinose com força, tentando impedi-la de ir até Sakayanagi.

— Antes de mais nada, devo dizer que estou bastante feliz em ver que você se recuperou totalmente. Para ser honesta, queria falar com você muito antes, mas estive ocupadíssima estudando para a prova. Ah, mas sim, fico feliz que você tenha voltado. Bem a tempo da prova final também.

— Sim. Obrigada.

Elas conversavam atravessando a sala. Era evidente que todos na Classe B consideravam Sakayanagi uma inimiga. Mesmo sendo hora do almoço, não havia um único aluno ausente. Todos decidiram se unir para proteger Ichinose.

No entanto, Sakayanagi não parecia abalada. Pelo contrário, parecia estar se divertindo ao estar em território inimigo. Ela devia ter previsto que Ichinose, ainda no centro do turbilhão de polêmicas, não iria a algum lugar como a cafeteria durante o intervalo.

— Você diz que veio aqui para nos salvar, Sakayanagi? — perguntou Kanzaki.

— Sim — respondeu Sakayanagi, sorrindo e assentindo.

— Isso significa que você está admitindo que começou esses rumores? Suponho que eu entenderia como você estaria "nos salvando" se viesse se desculpar.

— Não fui eu quem começou os rumores — respondeu ela.

— Então, de que exatamente você está nos salvando?

— Vocês se lembram de um rumor que circulou antes? Aquele sobre Ichinose-san ter acumulado uma quantidade enorme de pontos? Na época, a escola declarou que nada de errado havia ocorrido, e o caso foi rapidamente encerrado.

— E daí? — respondeu Kanzaki sem hesitar, agindo rápido para impedir que Ichinose dissesse algo.

— Agora, isso pode ser apenas minha imaginação, mas… bem, há poucas maneiras de alguém conseguir tantos pontos sem recorrer a meios ilegais. Uma dessas maneiras seria coletar pontos privados dos colegas regularmente e guardá-los. Em resumo, concluí que Ichinose está atuando como uma espécie de banqueira da sua turma.

— Não posso realmente dizer nada sobre isso — disse Kanzaki.

Se fosse verdade, fazia parte da estratégia da Classe B. Era natural que ele negasse saber de algo.

— Suponho que sim. Bem, não é como se eu tivesse vindo aqui em busca de uma resposta sobre isso. É só que… Bem, se Ichinose-san está desempenhando o papel de banqueira, como suspeito, então… Acho que isso é extremamente perigoso para todos vocês — disse Sakayanagi, olhando para Ichinose, que devolvia seu olhar à distância.

…………

Ichinose não respondeu. Em vez disso, continuou simplesmente olhando fixamente para Sakayanagi.

— O que eu disse está incorreto? Ichinose Honami-san?

Uma situação cruel, Sakayanagi. Você certamente encurralou Ichinose. Ichinose, que até então não tinha nenhuma arma além do silêncio, fora levada à beira do precipício. Um empurrão final a faria despencar. Era exatamente a situação que Sakayanagi havia planejado criar.

No entanto, seu plano não funcionaria.

— Desculpem, mas Chihiro-chan, Mako-chan, poderiam me dar um pouco de espaço? — pediu Ichinose.

— M-Mas!

— Tudo bem. Vou ficar bem. Vocês não precisam mais se preocupar — disse Ichinose com um sorriso gentil, enquanto lentamente encurtava a distância entre ela e Sakayanagi.

No fim, porém, ela não se moveu para enfrentar Sakayanagi diretamente. Em vez disso, posicionou-se no púlpito do professor, de frente para todos os colegas.

— Sinto muito! — disse Ichinose, curvando a cabeça diante de todos os alunos da Classe B.

— P-Por que você está se desculpando conosco, Ichinose? Não há motivo para se desculpar com a gente. Certo? — disse Shibata, claramente incomodado, tentando impedir que Ichinose falasse.

— Por favor, não tente detê-la, Shibata-kun. Ela só está tentando se redimir — disse Sakayanagi, sorrindo alegremente.

— Durante todo o ano em que estive aqui… Há um segredo que guardei de vocês. Tenho guardado há muito, muito tempo.

— Espera, Ichinose. Você não precisa dizer nada aqui — disse Kanzaki, claramente percebendo que algo estava errado. Mas Ichinose não parou.

— Nas últimas semanas, circularam muitos rumores estranhos sobre mim. No entanto, um desses rumores é, na verdade, a verdade. Assim como dizia naquela carta… Eu sou uma criminosa.

Ao pronunciar essas palavras, Sakayanagi exibiu um sorriso satisfeito.

— Isso é realmente verdade?

A sala barulhenta novamente mergulhou em silêncio.

— Parece que este grupo de almas bondosas não tem a menor ideia do que está acontecendo aqui, então, por favor, conte todos os detalhes, Ichinose-san. Que tipo de crime você cometeu exatamente?

— E-Eu—

Ichinose estava prestes a continuar falando, mas parou e engoliu em seco, nervosa.

— Tenho mantido segredos de todos vocês… mas vou confessar tudo, a partir de agora — disse finalmente, revelando o passado que mantivera enterrado. — O crime sobre o qual permaneci em silêncio… Bem, é que eu era uma ladra de loja.

A aluna modelo, Ichinose Honami, ladra de loja. A revelação surpreendeu não apenas a Classe B, mas também os espectadores à margem, como Akito e Keisei. Ichinose simplesmente não parecia ser o tipo de pessoa capaz de cometer tal ato.

— Honami-chan é… uma ladra de loja…? É… é verdade?

— Sim. Sinto muito, Mako-chan.

Enquanto se desculpava com todos, Ichinose começou a nos contar como tudo começou.

— Venho de uma família monoparental. Meu pai não estava presente, então eu morava com minha mãe e minhas duas irmãs mais novas. Não éramos ricos, mas nunca fomos infelizes. Minha mãe sempre parecia estar passando por muitas dificuldades, criando minhas duas irmãs mais novas enquanto trabalhava. Por isso, quando eu estava no ensino fundamental, tive a ideia de começar a trabalhar assim que terminasse o ensino médio. Afinal, custava muito para ir para a escola. Pensei que conseguiria um emprego, ajudaria minha mãe, ajudaria a sustentar minhas duas irmãs. Mas minha mãe era totalmente contra a ideia. Assim como eu queria que minhas irmãs fossem felizes, minha mãe também desejava a felicidade das filhas — disse Ichinose, nos contando tudo sobre seu passado.

— Aprendi que, mesmo sendo pobre, poderia me beneficiar de uma bolsa de estudos se estudasse muito. Então estudei o máximo que pude. Estudei tanto que cheguei ao ponto de ser informada de que era a número um de toda a escola. Mas… no verão do meu terceiro ano do ensino fundamental… minha mãe trabalhou demais e desabou.

A mãe de Ichinose devia estar se matando de trabalhar para sustentar a família. Trabalhava sem parar para criar os filhos.

— O aniversário da minha irmãzinha estava chegando. Ela nunca tinha me pedido nada, nem à nossa mãe. Ela ainda estava no primeiro ano do ensino fundamental. Merecia que a mimássemos um pouco, mas nunca pedia nada. Nem roupas que queria, nem para sair com as amigas ou ir às compras… tudo o que fazia era aguentar, sem pedir nada. Ela sempre, sempre, sempre se conteve.

— Mas então, pela primeira vez… minha irmãzinha disse que queria algo. Era um daqueles presilhas de cabelo que eram super populares, algo que a celebridade favorita dela usava. Tenho certeza de que minha mãe se esforçou ainda mais, pegando turnos extras, só para poder comprá-la.

E, em vez disso, ela acabou hospitalizada. Pelo que parecia, não conseguiu dar à filha o presente de aniversário que ela queria.

— Mesmo agora, ainda me lembro do rosto da minha irmãzinha, gritando e berrando várias coisas para nossa mãe, que chorava e pedia desculpas da cama do hospital. Lembro de vê-la gritar e chorar porque estava ansiosa por aquela presilha. Eu realmente não podia culpá-la por agir assim. Era o único presente que ela tinha pedido… — disse Ichinose.

O sorriso no rosto de Sakayanagi não desapareceu enquanto ela continuava a ouvir a confissão de Ichinose.

— Como irmã mais velha… pensei que tinha que devolver o sorriso da minha irmãzinha, custasse o que custasse. Então, no dia do aniversário dela, depois da aula, fui à loja de departamentos.

Tinha certeza de que o coração de Ichinose estava acelerado de nervosismo naquele momento, assim como estava naquela época.

— Tenho certeza de que estava escondendo meus verdadeiros sentimentos naquela época. Dizia a mim mesma que estava tudo bem. Que não era grande coisa fazer algo errado assim, só dessa vez, pelo bem da minha irmã. Afinal, havia muitas pessoas no mundo fazendo coisas ruins. Por que minha família, que aguentou tanto por tanto tempo, deveria ser culpada? Dizia a mim mesma que o que estava fazendo poderia ser perdoado. Essa foi a justificativa egoísta e centrada em mim mesma que criei.

As palavras de Ichinose saíam como se ela estivesse liberando algo pesado que vinha segurando.

— Aquela presilha custava dez mil ienes ou mais. Então… eu a roubei. Roubei a presilha que minha irmãzinha queria. Foi um ato que deixou todos infelizes. Mas, naquele momento, tudo o que eu queria era fazer minha irmã feliz, de algum jeito.

E esse ato desencadeou tudo o que veio depois.

— Mas isso não importa, né? — murmurou Ichinose, baixinho. Ela continuou, juntando frases desconexas na tentativa de expressar seus pensamentos confusos. — No fim das contas, crime é crime. Não importa o quanto você se arrependa, seus pecados nunca vão desaparecer.

— Então você está dizendo que foi pega? — perguntou Hashimoto. Ichinose apenas balançou a cabeça.

— Eu só saí da loja com a presilha. Foi a primeira vez que eu furtara algo. A primeira vez que cometi um crime, de fato. Ninguém me viu. Voltei para casa e dei para minha irmãzinha, que ainda estava emburrada. Eu tinha acabado de roubar, então não estava embrulhada nem nada. Foi um presente tão descuidado. Mas ela ficou incrivelmente feliz ao vê-lo. Quando vi o sorriso dela, senti minha culpa desaparecer por um momento. Mas não desapareceu totalmente. Voltou e continuou crescendo dentro de mim.

Ichinose soltou uma risada de autoironia.

— Quero dizer, não há absolutamente como uma mãe não perceber quando sua própria filha faz algo errado, certo? Eu disse à minha irmã para manter o presente em segredo. Mas ela o usou quando fomos visitar nossa mãe no hospital. Claro que ela faria isso. Ela jamais poderia imaginar que era um presente roubado. Foi a primeira vez na minha vida que vi minha mãe realmente brava. Ela me deu um tapa e tirou o presente da minha irmãzinha chorosa, que não entendia nada. Mesmo sabendo que ainda deveria estar no hospital, minha mãe me arrastou de volta até a loja, onde eu me ajoelhei e implorei por perdão. Foi aí que finalmente entendi o peso do meu crime. Percebi que, não importava quais desculpas eu desse, não havia nada que eu pudesse fazer para desfazer tudo.

Esse era o passado de Ichinose. O passado que ela vinha escondendo.

— No fim, o atendente da loja não me entregou à polícia. Ainda assim, a notícia se espalhou. Num piscar de olhos, minha família estava no centro da controvérsia. Eu me fechei e me retraí. Por quase metade do meu terceiro ano do ensino médio, me isolei do mundo e fiquei no meu quarto… Mas, eventualmente, comecei a pensar em tentar seguir em frente novamente. Foi meu professor da sala que me falou sobre esta escola naquela época que me fez começar a pensar nisso. Você estava isento do pagamento de mensalidades e taxas de cursos, e se se formasse, poderia conseguir emprego em qualquer lugar. Eu queria recomeçar. Queria um novo começo.

Quando Ichinose terminou de contar sua história, ela se curvou mais uma vez para todos os alunos da Classe B.

— Sinto muito, pessoal. Sou uma líder patética e inútil…

— Isso não é verdade, Ichinose — disse Shibata, que estava ouvindo perto. — Ouvi tudo o que você disse e ainda acho que você é uma boa pessoa. Tenho certeza disso. Certo?

— Sim. Talvez você tenha feito algo errado, Honami-chan, mas—

Klak!

O estalo alto de uma bengala batendo no chão ecoou pela sala.

— Por favor, poupem-me. Vocês, cretinos da Classe B, poderiam ao menos tentar não me fazer rir? — disse Sakayanagi, afastando com um gesto as vozes que saíam em apoio a Ichinose. — Sério, isso é uma farsa absurda. Quer ganhar simpatia contando detalhes desnecessários sobre seu passado? Não importa a situação, furto é furto. Você não merece simpatia. Seu roubo foi para benefício próprio.

Perto dali, a expressão de Kamuro endureceu por um momento ao ouvir o que Sakayanagi disse.

— Sim, você está absolutamente certa. As circunstâncias do meu passado não mudam nada — disse Ichinose.

— A verdade é que você cometeu um crime. Portanto, não seria justo presumir que você poderia também roubar a grande quantidade de pontos privados que lhe foram confiados, perto da hora da formatura? — disse Sakayanagi.

— Eu jamais faria algo assim, Sakayanagi-san. Se eu ignorasse os desejos de todos e subisse para a Classe A sozinha, seria um ato de traição. Não acho que a escola permitiria algo assim também — disse Ichinose.

— Sim, suponho que sim. Você é bastante esperta, então imagino que não faria algo tão óbvio. Mas e se você, por exemplo, fizesse um show para todos? Fizesse um discurso para ganhar a simpatia de todos, como acabou de fazer, para conseguir aprovação e subir para a Classe A? — disse Sakayanagi, pressionando implacavelmente.

— Sim, você tem razão. Talvez… talvez, por mais que eu me esforce, meus esforços acabem soando hipócritas. Uma vez que você cometeu um crime, ele nunca pode ser apagado.

Ichinose sempre carregaria o rótulo de criminosa, e esse rótulo significava que as pessoas nunca deixariam de suspeitar que um dia ela poderia traí-las.

— Entenderam agora, pessoal? Esta é a verdadeira Ichinose Honami-san. Enquanto tiverem uma pessoa assim como líder, a Classe B não tem chance de vitória — disse Sakayanagi, reforçando a realidade da situação. — Agora, devolva todos os seus pontos privados a estes alunos e deixem de ser a líder da Classe B. Eu gostaria que fizessem pelo menos isso. Se não o fizer, esses rumores terríveis sobre você nunca vão parar, vão?

Ichinose fechou os olhos. Então, silenciosamente, respirou fundo.

— E então, Ichinose? O que você quer fazer? — perguntou Kanzaki, representando a Classe B.

A questão era se ela continuaria como líder da classe. Ichinose, e apenas Ichinose, podia tomar essa decisão. Se fosse a primeira vez que seu espírito tivesse sido esmagado, talvez ela não tivesse resistido. Talvez tivesse cedido.

No entanto, Ichinose já teve seu espírito quebrado antes.

E eu fui quem quebrou.

Mas ela se recuperou. As partes dela que haviam sido quebradas ficaram mais fortes e resilientes do que antes.

— Este é o fim da minha penitência! — disse Ichinose, virando-se para Sakayanagi com um sorriso. — É certamente verdade que eu furtei. Como você disse, Sakayanagi-san, não mereço simpatia. Crime é crime, afinal. Não tenho intenção de fugir dessa verdade. Mas a verdade é que nunca recebi uma sentença a cumprir por esse crime. Em outras palavras, o que está feito, está feito. Não preciso continuar pagando pelo preço.

— Que coisa incrivelmente sem vergonha de se dizer. Você está sendo ousada de maneira inacreditável, para uma ladra de presilhas.

— Talvez. Mas eu não vou mais olhar para trás. Não vou deixar meu passado me derrubar. — Ichinose virou o rosto sorridente para os colegas de classe. — Mesmo sendo tão sem vergonha… Vocês vão me seguir até o fim, pessoal?

Depois que ela falou, houve um momento de silêncio. Ichinose não falava por confiança falsa ou otimismo. Mesmo agora, ela estava à beira das lágrimas. Queria fugir. Sentia vergonha do seu passado. E ainda assim, continuava a avançar. Não havia como os alunos da Classe B, que compartilharam um ano de alegrias e tristezas com ela, não entenderem isso.

— Claro que vamos te seguir! Certo?! — gritou Shibata, sorrindo.

Todos os alunos da Classe B deram um grito unânime de apoio. Esse era o tipo de liderança que Ichinose inspirava. Eu conseguia sentir a profundidade da devoção deles por ela. Keisei e Akito sorriam, parecendo igualmente radiantes com a demonstração de apoio da Classe B.

Duvidava que houvesse outro aluno nesta escola capaz de inspirar um apoio assim. Ichinose não estava apenas sendo aplaudida pela Classe B, mas também por alunos de outras turmas.

— Sakayanagi… E agora? O que fazemos? — perguntou Kamuro.

O ataque de Sakayanagi havia sido neutralizado. Kamuro percebeu isso, e por isso falou, fazendo uma pergunta que poderia ser interpretada como um sutil recuo.

— Heheheheheh. — Sakayanagi riu. — Heheheheheheheh. — E então riu de novo, um pouco mais longo desta vez. — Entendo. Bem, parece que você enganou bem seus colegas de classe. Mas como você mesma disse antes, não é como se seu passado criminoso simplesmente desaparecesse. Os rumores continuarão se espalhando sobre você por muito, muito tempo — disse Sakayanagi.

— Sim. Mas eu não vou mais fugir disso.

— É mesmo? Então, vou ter que—

— Ok, já chega, pessoal.

Assim que Sakayanagi ia responder a Ichinose, alguns professores e alunos entraram na Classe B. Os recém-chegados eram o presidente do Conselho Estudantil, Nagumo, a professora titular da Classe B, Hoshinomiya, e nossa professora titular, Chabashira.

— Oh, minha nossa, que reunião impressionante. No entanto, este é um assunto entre os alunos do primeiro ano, não é? — perguntou Sakayanagi.

— Você está certa que parece ser uma disputa entre os alunos do primeiro ano. No entanto, a partir de hoje, o ato de espalhar rumores de forma leviana é proibido — respondeu Nagumo.

— O que quer dizer com isso? Não aceito a imposição de tal ordem. Independentemente de como os rumores sobre ela começaram, se Ichinose-san foi incomodada por eles, ela deveria ter denunciado à escola, certo?

— Não é isso, Sakayanagi. Isso não é mais apenas sobre Ichinose — disse Nagumo.

— O que quer dizer?

Nagumo abriu a boca para explicar, mas Chabashira falou em seu lugar.

— Não entrarei em detalhes, mas foi confirmado que declarações difamatórias estão sendo trocadas entre os alunos do primeiro ano — explicou ela. — Já circulam quase vinte rumores. Qualquer fofoca adicional prejudicará os laços sociais e impactará negativamente o comportamento dos alunos. Rumores são rumores, mas, independentemente de serem verdadeiros ou falsos, a escola não quer mais ver a propagação de boatos sobre indivíduos específicos. Portanto, estou aproveitando para informar que, daqui em diante, quem espalhar rumores sem sentido poderá ser punido.

A escola vinha tolerando silenciosamente o espalhar contínuo de rumores até agora. Parecia que finalmente decidiram agir.

— Entendi. Então é assim que as coisas estão — disse Sakayanagi, parecendo compreender a situação após ouvir a explicação de Chabashira.

— Suponho que isso significa que a escola finalmente tomou uma posição — disse Horikita para mim. Ela se aproximou para ter uma boa visão da situação e também compreendeu o que estava acontecendo. — Isso deve ser suficiente para salvar as turmas afetadas. Quanto a Ichinose-san, o alvo original de tudo isso… Não acho que a facção de Sakayanagi possa continuar atacando-a. Os rumores sobre Hondou-kun, Shinohara-san, você e Satou-san também devem ser encerrados agora.

— Sim, acho que sim.

— Sakayanagi-san foi longe demais. Ela tentou usar a mesma estratégia para atacar todas as outras turmas ao mesmo tempo, mas, ao fazer isso, seus movimentos ficaram muito conspícuos e chamaram a atenção da escola. Parece que foi apenas uma ação exagerada de uma garota incrivelmente agressiva — disse Horikita.

Depois de dizer isso, ela ficou em silêncio. Pouco depois, abriu a boca para falar novamente.

— Mas—

— O que foi?

— Esqueça. Não é nada.

Horikita não parecia querer dizer mais nada.

— Vamos nos retirar. Se a escola está tomando uma atitude, acredito que nossa presença aqui não é mais necessária.

Sakayanagi, entendendo a situação, deu a ordem para que seus colegas se retirassem. A Classe B, que estava em alvoroço, ficou ainda mais animada, em comemoração. A Classe A havia sido completamente repelida.

*

 

Quando chegamos de volta à Classe C, Haruka perguntou animadamente a Akito sobre o que havia acontecido.

— Ei, e a Classe B? Pelo que parece, houve uma grande confusão lá.

— As coisas tomaram um rumo totalmente inesperado. Ichinose fez Sakayanagi recuar — disse Akito, dando um resumo conciso do que aconteceu na Classe B. Ele contou a ela a verdade sobre os boatos envolvendo Ichinose e que a escola havia emitido um aviso oficial de que espalhar rumores não seria mais tolerado a partir de agora.

— Os professores provavelmente vão nos dar um comunicado oficial durante as aulas da tarde.

— Mesmo assim, furto em loja, hein? Quero dizer, isso é super surpreendente, mas faz sentido o que aconteceu depois. Se as pessoas continuam lembrando você de algo do passado que você não quer revisitar, claro que você vai querer se afastar da escola por um tempo — disse Haruka, defendendo Ichinose agora que sabia o que havia acontecido.

— De qualquer forma, a provação acabou. Agora vamos nos concentrar na prova e esquecer os rumores.

— Não é ótimo, Kiyopon? — perguntou Haruka.

— Sim… acho que sim.

Então, meu celular tocou.

— Quem é?

— É de um número não registrado.

Mostrei o número na tela para Haruka e os outros. Era diferente do número que me havia ligado no meio da noite, algum tempo atrás. Levantei-me do meu assento, me afastei um pouco do grupo e atendi a ligação.

— Alô?

— É o Ayanokoji-kun?

Reconheci imediatamente a voz da pessoa que ligava. Era Sakayanagi.

— Como você sabia meu núm—bem, na verdade não é tão difícil de descobrir, pensando bem.

— Exato. Ainda temos cerca de dez minutos antes do intervalo terminar. Você poderia sair para me encontrar?

Eu poderia recusar, mas então teria que arranjar outro horário para encontrá-la, o que seria um incômodo.

— Para onde quer que eu vá? — perguntei, saindo para o corredor.

— Vamos ver… que tal na entrada do primeiro andar? — perguntou ela.

— Certo.

Encerrei a chamada e me dirigi à entrada. Imaginei que Kamuro e Hashimoto poderiam estar com ela, mas Sakayanagi estava sozinha quando cheguei.

— Por favor, fique tranquilo. Não trouxe ninguém comigo desta vez. Devo dizer que você realmente se saiu muito bem, Ayanokoji-kun.

— Do que você está falando?

— Parece que você tem atuado nos bastidores sem que eu percebesse. Embora muitos mistérios ainda permaneçam, não estou realmente interessada em resolvê-los. Há apenas uma coisa que realmente quero saber: por que você decidiu proteger Ichinose-san? — disse ela, fixando o olhar em mim.

— Espere. Não faço a menor ideia do que você quer dizer.

— Só posso imaginar que foi precisamente porque você a salvou que Ichinose-san foi tão corajosa naquela época… Não, que ela conseguiu se reerguer novamente. Talvez não tenha sido a primeira vez que ela confessou seu passado? Talvez já tivesse contado a alguém antes? — perguntou Sakayanagi.

— E esse alguém sou eu, suponho? — perguntei.

— Sim.

Era uma conclusão totalmente compreensível para ela chegar.

— Você não usou Kamuro para me fazer agir? — perguntei.

— Usou Kamuro-san?

— Antes que eu pudesse esclarecer os fatos por mim mesmo, ela me contou tudo. Apenas a mim. Sobre o fato de que Ichinose havia furtado no passado.

— Ela agiu completamente por conta própria — disse Sakayanagi.

— Não, isso não é verdade.

— Como você tem tanta certeza disso? — aparentemente, ela queria ouvir meu raciocínio.

— Ela me entregou uma lata de cerveja como prova de que havia furtado. Mas ela não havia roubado naquele dia. Kamuro a havia furtado no dia em que começou a estudar aqui.

— E qual é sua base para afirmar isso?

— A validade da lata. Depois que conferi a validade da lata de cerveja que Kamuro me deu, fui à loja de conveniência e conferi as datas das demais latas da mesma marca. Havia mais de quatro meses de diferença. É difícil acreditar que a loja tivesse uma lata tão antiga por acaso. Kamuro disse que havia me dado a lata que ela havia furtado e que você disse que a descartaria. Isso significa que ela a recuperou de você antes de me encontrar e me entregou. Ou entrou em contato com você logo após sair do meu quarto e pegou a lata então.

Até aquele momento, o fato de Kamuro ter me contado sobre o passado de Ichinose estava dentro do que eu esperava.

— Por que acha que eu tomaria uma ação tão indireta? — perguntou Sakayanagi.

— Para me atrair, provavelmente — respondi.

— Heheheheheh. Suponho que devo dizer que é exatamente o que eu esperaria de você, Ayanokoji-kun.

— Teria sido fácil para mim ficar de braços cruzados e assistir aos acontecimentos. Na verdade, era exatamente isso que eu planejava fazer.

A pessoa que me tirou desses planos foi ninguém menos que Sakayanagi. Ela atacou Ichinose com uma mão, enquanto oferecia apoio com a outra. Claro, de uma maneira extremamente indireta.

— Foi tudo para chamar sua atenção, Ayanokoji-kun — disse Sakayanagi, segurando firmemente sua bengala e caminhando lentamente em minha direção. — Não me importava se Ichinose-san fosse destruída. No entanto, esperava que, se deixasse a possibilidade aberta para você intervir, você a aproveitaria. Estimei que as chances eram de cinquenta por cento… mas parece que as coisas saíram exatamente como eu esperava.

Em outras palavras, ela estava dizendo que a existência de Ichinose não importava para ela.

— Por favor, tenha um pequeno duelo comigo, Ayanokoji-kun.

— E se eu disser não?

— Embora você tente dizer que isso não te prejudicaria significativamente, eu exporia você como o cérebro por trás da Classe C. E tenho certeza de que você entende muito bem que isso não seria algo que poderia ser descartado como um mero boato.

Eu tinha certeza de que Sakayanagi prosseguiria calma e decididamente para tornar meus segredos conhecidos por todos, mesmo que a escola ostensivamente proibisse a divulgação de boatos.

— Então, o que me diz? Vai aceitar? — ela perguntou.

— Como faríamos isso? Você é da Classe A. Eu sou da Classe C. A diferença é óbvia.

— Bem, eu não sei exatamente o que a próxima prova vai abranger, mas que tal compararmos nossos rankings? Se você ganhar, prometo que, a partir de agora, não direi uma palavra sobre seu passado a ninguém.

Embora essa não fosse uma oferta ruim, não havia garantia de que ela cumpriria sua palavra. E eu não tinha a menor intenção de registrar qualquer prova escrita ou em áudio desse acordo.

— Você não acredita em mim, hm? Mas não tem escolha a não ser acreditar. Se não acreditar, seu passado será exposto para todos verem. Isso tornaria bastante difícil para você levar uma vida normal, não acha?

— Faça o que quiser. Mas se isso acontecer, você nunca, jamais terá a chance de me enfrentar.

— Heheheh. Sim, suponho que é isso que você diria, Ayanokoji-kun.

Sakayanagi sabia que eu não aceitaria competir com ela tão facilmente. E era exatamente por isso que ela ainda não havia contado a ninguém sobre meu passado.

— Bem, então, que tal eu apostar meu futuro nesta escola? Se eu perder, eu abandono. Além disso, não me importo se você tiver meu pai, o diretor, como testemunha e garantidor — Sakayanagi irradiava confiança absoluta de que venceria. — Claro, mesmo que você perca para mim, não há necessidade de deixar a escola. Não pretendo pedir que você arrisque algo significativo. Apenas anunciarei publicamente que você é o cérebro por trás da Classe C. Só isso. Se você não quiser aceitar algum risco, pode simplesmente se retirar do nosso pequeno desafio.

— Se essas são suas condições, então aceito.

— Muito obrigada, Ayanokoji-kun. Parece que minha vida entediante aqui nesta escola finalmente acabou.

Com um largo e satisfeito sorriso no rosto, Sakayanagi se afastou. Decidi ligar para a pessoa no centro dos eventos recentes; aquela que estivera à espreita nos bastidores o tempo todo. Não era Horikita, nem Kei. E também não era o irmão da Horikita.

— Eu estava justamente pensando que já era hora de ouvir você. Boa noite, Ayanokoji-kun.


 


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