Ano 1 - Volume 9
Capítulo 5: Boatos Fora de Controle
O FIM DE SEMANA TERMINOU, e a segunda-feira havia chegado. Tomei meu banho matinal e escovei os dentes enquanto secava o cabelo com uma toalha. Meu plano era ir mais devagar do que o normal, ficando no quarto o máximo possível sem realmente me atrasar para a aula.
Eu tinha dormido com o celular desligado na noite anterior. Assim que o liguei, algumas mensagens apareceram imediatamente na tela.
"Kiyotaka-kun, você tem um tempinho hoje de manhã? Posso ir até o seu quarto?"
Era uma mensagem da Airi, aparentemente enviada logo depois que entrei no banho. Havia também uma chamada perdida da Kei, mas eu ligaria de volta depois.
"Desculpa, eu estava no banho e não vi sua mensagem. Agora não tenho muito tempo. Podemos conversar na escola?"
Respondi. Menos de um segundo depois, vi que ela havia lido. Coincidência? Ou ela estava esperando minha resposta?
"Tudo bem, não se preocupe. Falo com você mais tarde"
Respondeu Airi, o que me fez pensar que não devia ser nada urgente.
Decidi focar em terminar de me arrumar. Eu já tinha passado do limite para enrolar, então finalizei e saí rumo ao elevador. Normalmente ele ficava cheio de alunos indo para a escola e demorava para responder, mas como eu estava indo praticamente no limite, não deveria estar tão movimentado.
Apertei o botão e, enquanto esperava, mandei uma mensagem para a Kei:
"O que você queria? Se possível, queria te encontrar hoje à tarde ou mais à noite pra conversar."
A mensagem foi marcada como lida quase imediatamente.
Kei respondeu:
"Eu não liguei por nada em especial, relaxa. E tudo bem marcar, mas pode ser mais cedo? Vou sair com minhas amigas hoje à noite."
"Que tal às cinco? Às seis também serve."
"Vamos de cinco então. Sobre o que é?"
"Falamos pessoalmente."
O elevador chegou dos andares superiores bem quando enviei a última mensagem. Hirata estava sozinho dentro.
— Ah, bom dia, Ayanokoji-kun — disse ele.
— Isso é raro, Hirata. Você também está saindo em cima da hora hoje, hein?
Hirata era um aluno exemplar, quase sempre chegava cedo. Era bem incomum vê-lo deixando o dormitório tão tarde, quase no limite.
— Pois é, eu pretendia sair bem antes, mas… — disse ele, com um sorriso amargo e um ar meio conflituoso.
Aquilo era vago.
— Mas…?
Quando chegamos ao saguão e saímos do elevador, vi várias meninas esperando por nós. Não eram apenas de uma classe — eram das quatro, da A à D. Por um momento me perguntei por que estavam ali, mas logo percebi o motivo.
— Bom dia, Hirata-kun!
— Ah, bom dia — disse ele, sorrindo de forma encantadora, embora ainda parecendo meio desconfortável.
— I-Isso… é um chocolate de Dia dos Namorados! Para você!
As seis meninas entregaram chocolates ao mesmo tempo. Imaginei quantas vezes essa mesma cena já havia se repetido naquela manhã, forçando Hirata a voltar ao quarto várias vezes para deixar os presentes.
Despedi-me rapidamente e segui rumo à sala de aula. Eu poderia ter esperado por ele, mas a pressão das garotas era forte — a clara vibração de "Você está atrapalhando".
Ah, é mesmo. Hoje era Dia dos Namorados.
— Nunca ganhei chocolates antes… — murmurei sem perceber.
De certa forma, eu queria receber chocolates antes de fazer algo como arrumar uma namorada. Até eu fiquei surpreso com isso. Não achei que fosse capaz de desejar esse tipo de coisa, mesmo que só um pouco.
*
EU NÃO ERA O ÚNICO CARA animado com o Dia dos Namorados. Assim que cheguei na Classe C, senti o ambiente tomado por uma atmosfera estranha. Muitos garotos estavam reunidos em um canto. Hoje era o auge de um ano inteiro de esforço. Assim como o Natal, era um evento que colocava os casais em destaque.
— Ah, você veio mesmo, hein, Ayanokoji? Vem aqui um instante — disse Sudou.
Fui até ele.
— Você ganhou algum chocolate? — perguntou, com o rosto tenso, como se realmente exigisse uma resposta. Ele praticamente me lançava um olhar ameaçador.
— Hã?
— Deixa eu traduzir pra você. O que ele quer saber mesmo é: "Você ganhou algum chocolate da Horikita?" — disse Ike, rindo.
— Para de falar besteira, idiota. Não tem nada a ver com isso — disse Sudou, sem esboçar nenhum sorriso. Na verdade, seus olhos tinham uma energia quase demoníaca, como se estivessem dizendo "E então?"
— Eu não ganhei nada. Não tem como eu ganhar — respondi.
— Sério? — perguntou Sudou.
— Sério.
Ele assentiu algumas vezes, aliviado, e suspirou ao abandonar o olhar afiado.
— Bom, dá pra entender porque o Ken tá tão nervoso. O Ayanokoji tem um monstro, afinal — disse Ike, fazendo na frente dele o contorno de algo do tamanho de uma garrafa de plástico com as mãos.
— Olha, Ayanokoji, não ache que venceu só porque tem aquilo, beleza? — rosnou Sudou.
— Não, eu não acho isso, nem de longe…
Desde o acampamento escolar eu vinha recebendo comentários assim de vez em quando, e isso estava começando a me irritar.
— Pensando bem, como você tá, Kanji? As coisas estão indo bem com a Shinohara?
— H-Hã? Por que você tá trazendo a Shinohara pro assunto?
— Ah, qual é, cara, chega. Fala logo a verdade. Todo mundo já sabe mesmo.
— Todo mundo… sabe? — disse Ike, olhando para mim por algum motivo. Eu meio que entendi para onde a conversa estava indo, então assenti levemente.
— Uuughhh! — Ike imediatamente se agachou, o rosto ficando vermelho.
— Viu? Até um completo recluso como o Ayanokoji sabe disso. Então, você ganhou algum chocolate? — perguntou Sudou.
Talvez porque a Shinohara não fosse exatamente popular na classe, ninguém ao redor estava comentando com inveja do Ike. Eu imaginaria que Yamauchi, seu parceiro habitual de bagunça, estaria irritando ele ou com ciúmes, mas ele não estava em lugar nenhum.
— Eu não ganhei nada… — respondeu Ike.
— Então acho que você e eu estamos no mesmo barco — disse Sudou, dando um tapinha solidário no ombro dele.
— Bem, também não importa tanto assim. Porque eu ganhei um da Kushida-chan — disse Ike, exibindo orgulhosamente uma caixinha de chocolate com um laço rosa.
— Ah, tá, cara, mas você tá ligado que todos os garotos da classe ganharam também, né? Eu ganhei — disse Sudou.
— Ainda fico feliz, mas… é, no fim das contas, acho que é só chocolate de obrigação mesmo.
Eu realmente não esperava que a Kushida desse chocolates para todos os garotos do primeiro ano. Como ela conseguiu isso? Bom, suponho que não fosse tão estranho assim, considerando que era a Kushida.
A atmosfera estava carregada de entusiasmo masculino. Não pude deixar de pensar que era exatamente esse tipo de comportamento infantil que fazia as meninas manterem distância. Por outro lado, meus colegas tinham pouquíssima experiência no campo do amor. Era inevitável, mesmo que o desespero deles não mudasse nada. As chances de ganhar chocolates dependiam de como você havia se comportado nos dias que antecederam a data — não do que fizesse agora, na última hora.
Pelo menos, essa foi a conclusão a que cheguei enquanto assistia uma garota da Classe B entregar chocolate ao Akito.
*
— Amanhã, dia 15, teremos uma prova prática abrangendo todas as matérias, conforme indicado no cronograma. No entanto, como já mencionei antes, isso não terá impacto algum nas suas notas. O propósito desse teste é, no máximo, medir suas habilidades atuais. Além disso, servirá como um bom treino para as provas de fim de ano. Muitas das questões da prova prática serão semelhantes às que vocês verão no exame final, embora, claro, não sejam exatamente as mesmas. Não fiquem descuidados só porque foram promovidos para a Classe C — disse Chabashira.
Essa explicação, muito bem-vinda, marcou o fim das aulas de hoje. Decidi dizer algumas palavras à minha vizinha de carteira enquanto ela se preparava para ir embora.
— Como estão as coisas com a Kushida ultimamente? — perguntei.
— O que você quer dizer? — respondeu Horikita.
— Quero dizer… vocês estão se dando bem?
— Não sei. Estou fazendo o possível para encontrar maneiras de melhorar nosso relacionamento. Você está cogitando me ajudar?
— Só estou perguntando, só isso.
— Kushida-san tem mudado, pouco a pouco — disse Horikita.
— Mudado como?
— Vou tomar chá com ela no Keyaki Mall hoje mais tarde. Normalmente, ela teria me recusado sem pensar duas vezes — disse Horikita.
Aparentemente, as coisas estavam indo melhor do que eu imaginava — mesmo que apenas na superfície.
— Então isso quer dizer que suas esperanças estão se realizando? — perguntei.
— Se conversarmos, talvez consigamos chegar a um entendimento mútuo.
— Seria bom. Bem, até mais — respondi, levantando-me da carteira.
— Tá, o que foi isso agora? — disse Horikita, lançando-me um olhar levemente desprezivo enquanto também se levantava.
— Ah, Suzune. Uh, hum… quando seria um bom horário pra você me ajudar nos estudos? — perguntou Sudou.
— Ora, você está sendo bem proativo, Sudou-kun — disse Horikita.
— É, acho que sim. Não quero ser expulso, afinal — disse Sudou, nervoso. Eu apostaria que seu verdadeiro objetivo era ganhar chocolate de Dia dos Namorados da Horikita. — Qualquer horário funciona pra mim hoje. Então?
Porém…
— Seu clube ainda não entrou em recesso, entrou? Posso te ajudar a estudar depois da prova prática. Não vai ser tarde demais — respondeu Horikita, destruindo as esperanças de Sudou enquanto eu deixava a sala.
Alguém gritou meu nome, a voz ecoando pelo corredor. Bom… "gritou" talvez fosse exagero; o volume era bem baixo.
— Kiyotaka-kun!
— O que foi, Airi? — perguntei.
— E-é verdade que você não vai se encontrar com o grupo hoje?
— Eu não estava planejando ir, não. O Grupo Ayanokoji me chamou pra sair, mas recusei. Ainda tenho um problema que preciso resolver agora.
— A-Aacho que tudo bem mesmo se você for mais tarde. Será que você poderia ir?
— Hmm… Talvez eu só esteja livre depois das seis. Tudo bem?
— Sim! Acho que todo mundo ainda vai estar junto nessa hora!
— Certo. Então eu entro em contato mais tarde, tá? — respondi.
Aquele breve comentário foi o suficiente para transformar a expressão rígida de Airi em um sorriso radiante. Me despedi e voltei a caminhar. Quando cheguei à Classe B, a sala estava estranhamente silenciosa. Havia apenas alguns alunos com quem eu realmente queria falar — Kanzaki seria minha primeira escolha, mas Sumida ou Moriyama, que estiveram comigo no acampamento, também serviriam. Infelizmente, os três já tinham ido embora quando cheguei.
Eu até poderia escolher alguém aleatoriamente, mas não era isso que eu queria. Dei meia-volta e saí. No caminho, ouvi um pedaço de conversa entre algumas garotas da Classe B.
— Ei… você acha que a Honami-chan faltou hoje por causa…?
— Não, impossível.
Então, Ichinose estava ausente, hein? Enquanto me afastava da Classe B, me perguntei se era coincidência… ou se tinha relação com o que aconteceu no outro dia. Como Sakayanagi tinha descoberto o segredo de Ichinose em primeiro lugar? Claro, existiam técnicas de conversa como cold reading ou hot reading para extrair segredos de alguém, mas eu não conseguia imaginar Ichinose revelando voluntariamente seu passado como ladra de lojas.
Sua recusa em comentar os rumores, mesmo agora, era prova disso. Ela realmente teria deixado escapar um de seus maiores segredos para Sakayanagi, uma de suas maiores rivais, da Classe A? Ike e Yamauchi eram uma coisa… mas Ichinose era bastante inteligente.
— Será que ela simplesmente cedeu às tentativas da Sakayanagi de arrancar a verdade…? — murmurei para mim mesmo.
Ou havia mais alguém que sabia o segredo de Ichinose? Mas nem mesmo Kanzaki, em quem ela provavelmente mais confiava na Classe B, parecia saber. E eu também não imaginava que suas amigas mais próximas soubessem, pelas reações delas. Então talvez o corpo docente… ou o conselho estudantil, do qual Ichinose fazia parte.
— Se Nagumo traiu a Ichinose e escolheu ficar do lado da Sakayanagi, então é possível — concluí.
Ainda assim, era uma teoria baseada em várias suposições. E, além disso, a menos que tudo o que Kamuro disse fosse verdade, nada podia ser provado. A única pessoa capaz de derrubar essa hipótese era a própria Ichinose Honami.
Embora essa escola pudesse parecer enorme, aos olhos do mundo lá fora, o campus era um lugar bem limitado. Se você se encontrasse com alguém em segredo, sempre havia o risco de ser visto. Isso significava que normalmente você tinha que se encontrar muito cedo de manhã ou tarde da noite, para não ser detectado.
Eu não sabia o número do quarto da Ichinose, mas isso era fácil de resolver — bastava ligar para a administração do dormitório e perguntar. Do ponto de vista da escola, não havia motivo para manter os números dos quartos em segredo. Se você dissesse que era um estudante tentando entrar em contato com outro estudante, a escola cooperaria.
Liguei para confirmar o número enquanto caminhava e consegui a informação rapidamente. Enquanto isso, ignorei Hashimoto, que me observava de longe. Ele vinha me seguindo com frequência nas tardes e noites ultimamente, e não era nada ruim nisso. Dava pra ver que tinha bastante experiência em seguir pessoas.
À primeira vista, talvez parecesse que não havia mérito algum em visitar Ichinose enquanto eu estava sendo observado. Na verdade, era justamente o contrário. Era porque eu estava sendo observado que a ação valia a pena. Além disso, eu queria confirmar algo com Ichinose.
Apressado, voltei ao dormitório e fui até o andar dela. Infelizmente, quando cheguei, havia várias garotas paradas em frente ao seu quarto — justamente as pessoas mais próximas de Ichinose.
Rapidamente dei meia-volta, entrei de novo no elevador e decidi encerrar o dia por enquanto.
*
Quando deu cinco horas, pedi para Kei me encontrar em um lugar um pouco afastado dos dormitórios. Não era exatamente uma área movimentada, mas também não era um lugar onde ninguém jamais passava.
— Ah, tá tão frio! Por que a gente tem que se encontrar num lugar desses, afinal? Tem tantas outras opções, não tem? — reclamou ela.
— Bom, não podemos exatamente nos encontrar no saguão, né? Se nos encontrarmos num lugar aberto, as pessoas vão começar a cochichar, e isso seria ruim pra você, não seria?
— Eu acho que sim, mas… encontrar escondido assim não deixa tudo ainda mais suspeito? Se alguém ver a gente, com certeza vão inventar todo tipo de rumor…
— Não se preocupe com isso.
— Sabe, tenho a leve impressão de que você não tá sendo muito cauteloso. Mas tudo bem, acho.
Não havia problema. Afinal, seria uma longa espera para o cara que vinha me seguindo.
— Ainda assim, tá frio demais. Queria que o verão chegasse logo — disse Kei.
— E quando o verão chegar, não vai acabar dizendo que quer que o inverno volte logo?
Kei pensou um pouco, depois fungou.
— Isso faz parte do coração de uma donzela — respondeu, fazendo biquinho. — Pensando bem, será que vai ter algum exame especial esse mês?
— Bom, nós acabamos de voltar do acampamento escolar. Não me surpreenderia se não houvesse exame especial agora.
— Então dá pra respirar um pouco?
— E você, vai ficar bem no exame de fim de ano? Provavelmente vai ser difícil.
Ao ouvir isso, Kei ficou toda tensa.
— Hã…? Sério?
Ela vinha se safando por pouco nas provas até agora, mas não podia se dar ao luxo de relaxar nos estudos.
— Me ajuda a estudar — pediu Kei.
— Pede pro Hirata… Aliás, embora não seja impossível, acho que seria meio complicado, né?
Kei certamente tinha audácia para pedir ajuda a Hirata mesmo depois do término dos dois. Mas não parecia muito inclinada a isso. Ela estava olhando fixamente pra mim. A solução mais simples seria pedir para Keisei ensiná-la, mas isso não era realista; jogá-la no meio do nosso grupo sem preparo geraria repercussões.
— Teria que ser de madrugada. Tudo bem pra você? — perguntei.
— Qualquer coisa é melhor do que ser expulsa.
Bem colocado.
— Certo. Vou montar um cronograma, então.
— Obrigada.
Mesmo que passássemos pelo exame de fim de ano, novos problemas surgiriam logo depois. Era quase certo que haveria um grande exame especial no começo de março. Se conseguíssemos superar isso, teríamos completado o primeiro ano. A escola nos faria lutar até o último segundo, então não podíamos baixar a guarda.
— Então, afinal, o que você queria comigo? — perguntou Kei, parecendo um pouco inquieta e nervosa por algum motivo.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntei.
— Não, não é isso. É só que… parecia que você realmente queria me encontrar hoje, por algum motivo.
— Eu só tinha algo que queria confirmar. Não teria problema se não conseguíssemos fazer isso hoje.
— Hmph — resmungou ela, me lançando um olhar desconfiado. Decidi ignorar e focar no assunto principal.
— Você tem ideia de quem pode ser esse número? — perguntei, mostrando-lhe o número não registrado de onde recebi a ligação outro dia.
— Hã? E de quem é isso? Como assim, você anda recebendo ligação de desconhecidos?
— Parece que sim.
Kei abriu seus contatos e digitou o número manualmente. Se estivesse registrado, apareceria o nome da pessoa.
— Não apareceu nada. Eu tenho mais contatos no meu celular do que a maioria das garotas, mas não conheço muitos veteranos — disse Kei.
Eu tinha esperado que surgisse alguma pista ao verificar os contatos dela, mas era natural que as chances fossem pequenas.
— Por que você não liga de volta pra esse número? — ela sugeriu.
— Já tentei várias vezes, mas quem quer que seja deixa o celular desligado.
— Hm…? Se for importante, quer que eu investigue isso pra você?
— Claro. Foi por isso que eu te chamei aqui hoje, afinal. Mas não faça nada imprudente — eu disse.
— Entendi — respondeu Kei, assentindo enquanto anotava o número. — Isso é tudo?
— É. Até mais.
Tentei encerrar a conversa, mas Kei rapidamente me interrompeu, parecendo aflita.
— Ah, é… hã… na verdade, eu queria falar com você sobre uma coisa. Posso fazer uma pergunta?
Era uma pergunta estranha, ao final das contas.
— Que dia é hoje? Certo, 5, 4, 3—
— Essa pergunta é bem mais fácil do que eu imaginava. Na verdade, é tão fácil que tô até com medo de responder errado — respondi.
— Não pensa demais. Só responde direto.
— Dia dos—
— Isso mesmo — disse ela, cortando-me antes que eu terminasse.
Senti algo bater levemente na minha cabeça — uma caixinha.

— Você tá me dando isso? — perguntei.
— Eu tinha comprado pro Yousuke-kun, mas não tenho mais motivo pra dar pra ele.
— Para o Hirata, é?
— O quê? Você não gostou?
— Não, não é isso. Só pensei que você deve ter preparado isso faz bastante tempo — respondi. Kei já tinha decidido terminar com Hirata fazia mais de um mês.
— Eu-eu me preparo muito bem pras coisas! Mesmo tendo decidido terminar com ele, achei que ainda poderia ser útil, tá? Bom, acho que não dá pra esperar que alguém como você, um completo iniciante no mundo do romance, entenda.
Eu supunha que ela tinha razão.
— Eu só pensei que talvez você tivesse escolhido justamente hoje pra me encontrar porque estava esperando ganhar chocolate de mim — ela acrescentou.
— Foi mal. Não pensei nisso nem por um segundo — respondi.
Kei fez uma expressão irritada por um instante, mas rapidamente se recompôs e mudou de assunto, como se estivesse tentando evitar algum tópico.
— Aliás, você ganhou alguma coisa de outras garotas?
— Nada. Não recebi nada.
Eu já tinha decidido dizer isso, independentemente de ser verdade ou não.
— Ha! Que pena. Acho que você é mesmo um cara sem perspectivas — ela provocou, mudando de tom num piscar de olhos.
— Tem certeza que quer me dar isso, então? Se você me der, significa que eu deixo de ser um cara sem perspectivas, não é? — retruquei.
— Isso só torna tudo ainda mais patético. Significa que você precisa vir até mim para ser salvo — disse ela, agora totalmente condescendente. — Ah, e fique à vontade pra retribuir me pagando mil vezes mais, se quiser.
Bom… aquilo era extremamente absurdo.
— Ah, e… — Kei tentou mudar de assunto novamente, mas as palavras ficaram presas na garganta quando ela encontrou meu olhar. Ficamos ali, próximos, olhando um para o outro, até que desviei meus olhos lentamente na direção do dormitório.
— Bom, eu vou voltar pro meu quarto então — disse Kei.
— Beleza. Até mais.
Kei seguiu para o dormitório, e eu coloquei o presente dela na minha mochila imediatamente.
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