Ano 1 - Volume 9
Capítulo 2: Relações em Mudança
UM ESPETÁCULO incomum se apresentava logo cedo, numa manhã qualquer, na Classe C. Um círculo de garotas havia se formado ao redor de Karuizawa Kei, todas fazendo tanto barulho que chegava à beira da total balbúrdia.
— Você está bem atrasado hoje, Ayanokoji-kun — disse Horikita Suzune, minha vizinha de carteira. Faltavam apenas cinco minutos até o sinal tocar e anunciar o início da aula.
— Eu dormi demais.
— Hm — respondeu Horikita, desinteressada. Comparado à nossa conversa completamente sem emoção, o grupo de Kei praticamente pegava fogo.
— Parece que a Karuizawa-san terminou com o Hirata-kun — disse Horikita.
— É por isso que estão tão agitadas hoje? Um casal famoso terminou?
— Elas foram educadas o bastante para falar tão alto que a sala inteira conseguisse ouvir. Então a informação ficou cravada na minha mente, quisesse eu ou não — suspirou ela, visivelmente irritada. — Você parece próximo do Hirata-kun e da Karuizawa-san. Não sabia disso?
— Não sabia de nada. É um assunto particular deles.
Parecia que ela ainda não tinha tocado no assunto lá no acampamento escolar, mas imagino que tenha resolvido lidar com isso depois. Eles eram um casal bem conhecido por toda a escola, então a notícia evidentemente causara alvoroço. Qualquer pessoa de fora ouvindo ficaria surpresa.
Ainda assim, tudo isso significava apenas que a ligação entre Kei e Hirata se rompera oficialmente. Não queria dizer, necessariamente, que Kei perderia sua posição como a abelha-rainha das garotas — embora isso pudesse acontecer se alguma outra garota conquistasse o coração de Hirata e se tornasse seu único amor verdadeiro. Mesmo assim, eu não conseguia imaginar Kei sendo derrubada de sua posição. Se as outras garotas tentassem desrespeitá-la, o próprio Hirata seria o primeiro a impedir. Se não fosse assim, não teria valido a pena ele ir tão longe para salvá-la entrando num relacionamento falso.
— Então quem terminou com quem? — perguntei a Horikita. Eu realmente não sabia a resposta, então não havia razão para ela desconfiar de mim.
— Parece que foi a Karuizawa-san quem terminou.
— Isso é inesperado. Ela sempre pareceu do tipo que gostaria de namorar um cara legal, como uma questão de status.
— Suponho que sim. Pelo menos, eu pensava isso… — Horikita me lançou um olhar suspeito por um instante, mas desviou logo depois. Ela ainda não conseguia ler minha expressão impassível, e o fato de ter desviado os olhos era prova de que começava a entender isso.
Ainda assim… Kei terminou com Hirata, hein? Fazia sentido, considerando que ela iniciou aquele relacionamento falso para começo de conversa, e pouco importava quem havia terminado. Provavelmente foi Hirata quem sugeriu que essa seria a melhor solução para Kei. Se ele tivesse terminado com ela, poderia colocar sua posição em risco, sugerindo que havia algo errado com ela.
De qualquer forma, bastava dar uma olhada ao redor para ver o impacto enorme que o término causara na Classe C. O que realmente me impressionava, porém, era como as garotas falavam abertamente sobre assuntos românticos.
— Hã? Como assim você terminou com ele e nem tem outro namorado em vista, Karuizawa-san?! — perguntou Shinohara, em um tom tão alto que ecoou por toda a sala.
Mesmo Ike, Sudou e os outros garotos, conversando entre si, claramente estavam ouvindo cada palavra.
— Eu não sei. Só acho que preciso dar um passo adiante e seguir em frente. Seria fácil deixar o Yousuke-kun cuidar de tudo pra mim, mas tem muita coisa que eu quero pensar sozinha, sabe?
O término catastrófico certamente teve impacto na Classe C, mas provavelmente afetaria outras classes também. No mínimo, as garotas provavelmente brigariam pela "vaga" de namorada do Hirata.
— Eu me pergunto como conseguem pensar em romance numa situação dessas. Com as regras da escola, não há garantia nenhuma do que o amanhã traz.
— Talvez seja justamente por não haver garantias que eles aproveitam o presente ao máximo.
— Não tenho razão para negar isso, desde que não roubem o futuro de alguém…
Hirata Yousuke, o outro envolvido na história, estava cercado por garotos e garotas da classe, usando sua expressão gentil de sempre. Mesmo tendo supostamente sido dispensado pela namorada, não parecia nem um pouco abatido. A prova mais clara disso era que Ike e Sudou não estavam indo provocá-lo. Ou… talvez fosse mais correto dizer que eles tinham "se formado" desse tipo de comportamento. Pareciam interessados no assunto, mas não fofocavam. Na verdade, se alguém estava tendo uma conversa de mau gosto, eram eu e Horikita.
Depois de tantos exames especiais e do acampamento, aqueles garotos imaturos começavam a mudar, ainda que devagar. Claro, nem todos amadureciam no mesmo ritmo.
— Ei, Hirata! Ouvi dizer que a Karuizawa terminou com você? Não se preocupa, cara! Tá tudo de boa! — gritou Yamauchi, completamente alheio ao clima. Ele se aproximou de Hirata com um enorme sorriso, dando um tapinha no ombro dele.
A cena deixou Ike e Sudou visivelmente desconfortáveis; os dois se apressaram em cercar Yamauchi, segurando-o pelos lados.
— Ei, qual é o problema? Vamos lá, pessoal, vamos consolar o Hirata juntos! — disse Yamauchi. — Até galãs podem ser dispensados!
— Que feio, cara — resmungou Sudou. — Para com isso.
— Hã? Mas estamos falando do galã sendo dispensado! Isso é ouro puro! — insistiu Yamauchi, ignorando a bronca.
— Desculpa, Hirata. Vou tirar ele daqui — disse Sudou.
— Tudo bem — respondeu Hirata. — É a verdade, não é?
Ele tinha todo o direito de estar incomodado, mas não parecia se importar. Foi então que Horikita falou de repente, do assento ao meu lado:
— Isso me lembra… O que você sabe sobre a Ichinose-san? Tenho ouvido algumas coisas sobre ela que parecem difamação ultimamente.
Uma pergunta sobre a Classe B, do nada? Hm.
— Talvez alguém esteja espalhando rumores por inveja dela. Ela é popular. Ou talvez faça parte de uma estratégia para derrubar a Classe B. O que esses boatos difamatórios dizem? — perguntei.
— Eu… — Horikita lançou um olhar atento ao redor — estou um pouco hesitante em dizer isso em voz alta.
Ela me passou o caderno por baixo da carteira. Na página, havia uma lista inteira de acusações. Coisas como "Ela tem histórico de explosões violentas", "Ela já fez encontros pagos", "Cometeu furtos e roubos", "Tem histórico de uso de drogas". Nem mesmo os delinquentes da sala conseguiriam marcar todos os itens daquela lista.
— São rumores terríveis — falei.
— Mas ela não parece nem um pouco esse tipo de pessoa…
— Bem, mesmo que alguém esteja espalhando boatos, acho que não dá pra acusar ninguém de crime.
— Isso não é verdade. Independente de as declarações difamatórias serem verdadeiras ou falsas, se forem espalhadas publicamente e para pessoas o suficiente… ainda é difamação. Você poderia processar — disse Horikita.
— Claro, no mundo real.
Mas aquilo era uma escola. Um ambiente fechado, cheio de menores de idade. Não era como se esses rumores estivessem sendo postados na internet para o mundo inteiro ver.
— Você está dizendo que não conta como crime nenhum, então?
Mesmo que não houvesse punição legal, a escola poderia aplicar alguma penalidade própria. Mas provavelmente seria difícil identificar exatamente quem havia começado os boatos. Bastava alguém dizer que "ouviu de outra pessoa", e pronto. A investigação da escola só iria até certo ponto e, no fim, o problema permaneceria. No máximo, poderiam advertir os alunos para não espalharem rumores sem pensar.
De qualquer forma, estava claro que alguém vinha tentando destruir a imagem de Ichinose há algum tempo. Muito provavelmente Sakayanagi era quem estava puxando os fios. Mas quase ninguém parecia perceber isso.
— E o que a Ichinose tem feito em resposta? — perguntei.
— Nenhuma ideia. Não somos próximas. E se eu me intrometer sem cuidado, podem desconfiar da nossa classe.
— Bem, é verdade que observar à distância é a opção mais sábia — respondi.
— Ainda assim… fico me perguntando se uma estratégia tão clichê realmente vai funcionar contra a Ichinose-san — murmurou Horikita.
— Como assim?
— Por mais horríveis que os rumores sejam, o dano que podem causar é limitado. Até eu sei qual é a reputação da Ichinose nesta escola. Esse tipo de assédio parece cruel demais para ser apenas inveja, como você sugeriu.
— Está dizendo que quem armou isso errou a mão?
— Suponho que sim. Mas, como dizem, "onde há fumaça, há fogo".
— Então quer dizer que a Ichinose tem histórico de violência, ou usou drogas, ou algo assim? — perguntei.
— Mesmo que a maioria dos rumores seja infundada, talvez exista algum no meio que seja verdadeiro — disse Horikita, acrescentando logo depois: — Bem, é extremamente improvável, claro, mas…
Hmm. Não havia como saber ainda se tudo era mentira ou apenas rumores, como Horikita disse. E Sakayanagi havia insinuado que talvez houvesse um grão de verdade em meio a tantas falsidades.
— Bom… não vamos chegar a resposta nenhuma só ficando aqui pensando. Mudando de assunto: parece que a escola liberou as novas classificações das turmas com base nos resultados do acampamento escolar. Quer dar uma olhada? — perguntou Horikita.
— Meh, eu realmente não…
— Sim, eu sei que você não liga. Mas você deveria saber disso, apenas por precaução.
— Tá, tá.
Folheei as páginas do caderno que ela praticamente me obrigara a olhar.
*
O alvoroço causado naquela manhã pela separação de Hirata e Kei ainda estava fresco na memória de todos quando a Classe C foi atingida por mais um drama romântico. As aulas tinham acabado, alguns alunos saíam para os clubes e outros voltavam para os dormitórios. Foi então que surgiu uma visitante totalmente inesperada.
— Com licença — disse ela. — O aluno Yamauchi Haruki estaria aqui?
Os estudantes que ainda estavam na sala se viraram para Yamauchi ao mesmo tempo, completamente boquiabertos. Quanto a Yamauchi, provavelmente planejava voltar ao dormitório com Ike para jogar algum game, porque acabara de abrir um guia estratégico.
— Hã. É, sou eu — disse Yamauchi. — Mas… o que você quer?
Normalmente, ele ficaria animado ao ver uma garota fofa, mas dessa vez? Parecia completamente perdido. A visitante era Sakayanagi, líder da Classe A do primeiro ano. E ali estava ela, perguntando por Yamauchi pelo nome.
— Poderia me conceder um momento do seu tempo?
— C-Claro! Ah, eu não me importo. Tô livre.
— Hm. Mas sabe… acho que este não é exatamente o lugar adequado para essa conversa. Que tal me encontrar no corredor, perto das escadas?
Talvez ela estivesse preocupada com os olhares que recebia dos outros alunos. Sakayanagi desapareceu no corredor, o olhar voltado para baixo. O silêncio voltou a dominar a Classe C.
— Não, não, não, não! Isso não pode estar acontecendo!
Foi Ike — parado ao lado de Yamauchi — quem quebrou o silêncio.
Se Sudou estivesse ali, provavelmente teria acontecido um tumulto ainda maior, mas ele já tinha saído para o treino de basquete. Todos na sala, inclusive o próprio Yamauchi, tentavam entender a entrada ousada de Sakayanagi e seu convite inesperado.
De repente, como se estivesse agindo por puro instinto, Yamauchi agarrou sua bolsa.
— Foi mal! Tenho uma coisinha pra resolver!
— S-Sim, claro…
Mas, quando estava prestes a disparar para fora da sala, Horikita bloqueou a saída, como se pedisse que ele parasse e pensasse.
— Espere, Yamauchi-kun.
— O-O que foi, Horikita?
— Talvez ela esteja tentando derrubar a Classe C.
— Hã? Por que você acha isso?
— O simples fato de você ser o convidado já é anormal por si só — disse Horikita, séria, suas palavras afiadas como facas. Aquilo estava indo longe demais. Qualquer um poderia interpretar como um insulto.
Mas, ao contrário do esperado, Yamauchi recebeu tudo de forma positiva.
— Sabe aquele negócio de… tipo… você esbarrar na aluna transferida no cruzamento, ela cair toda fofa com um pedaço de torrada na boca? É, sabe, né?
— Torrada… na boca? — repetiu Horikita, franzindo o cenho, confusa. Quem não ficaria? Mas eu já tinha visto Yamauchi trombar com Sakayanagi no acampamento escolar, então imaginei que era a isso que ele se referia.
— Eu vou. Porque a Sakayanagi-chan tá me esperando.
Nada do que Horikita dissesse seria capaz de pará-lo. Yamauchi começou a caminhar.
— E o que pretende fazer se isso for uma armadilha? — ela perguntou.
— Nah, sem chance. — Ele nem sequer considerou a possibilidade. — Eu sou a arma secreta da classe, então vai ficar tudo bem. Se for uma armadilha — o que é tipo, uma chance em um milhão — eu resolvo, beleza?
Ele ia "resolver", hein? Resolver como? Aposto que nem ele sabia.
— Entendo — disse Horikita. — Não posso impedi-lo. Mas, por favor, não seja descuidado a ponto de vazar informações importantes sobre os assuntos internos da classe.
— Relaxa. Eu sei. — E, com um sorriso enorme, Yamauchi deixou a sala. Alguns alunos — Ike entre eles — correram para segui-lo.
— Vamos também — disse Haruka, olhando não só para mim, mas também para Keisei e Airi, que estavam com ela. Não havia motivo para recusar, então assenti e me levantei.
No corredor, encontramos Ike e alguns dos rapazes quase imediatamente.
— Ah, parem, parem! Por aqui! — chamou o Professor antes que seguíssemos adiante. — Os dois estão conversando ali naquele canto.
— Hein? O que houve com o jeito que ele fala? — murmurou Haruka, percebendo que o Professor já não falava daquele modo arcaico e esquisito de antes.
— Parece que ele foi "corrigido" no acampamento escolar — expliquei.
— Sei lá… ficou menos interessante. Eh, tanto faz — disse Haruka, perdendo o interesse tão rápido quanto surgira. Voltamos nossa atenção para Yamauchi e Sakayanagi.
— Então, ahm… o que você queria… conversar? — perguntou Yamauchi, nervoso.
Quanto a Sakayanagi, ela passava a mão esquerda pelos cabelos, parecendo um pouco constrangida. Se eu tivesse de analisar psicologicamente a cena, diria que esse gesto era provavelmente inconsciente — algo para torná-la mais atraente ao membro do sexo oposto por quem estivesse interessada.

— Espera — resmungou Ike, soando frustrado —, será que a Sakayanagi tá mesmo a fim do Haruki?
Ele provavelmente tinha percebido isso instintivamente pelas expressões e gestos dela. Mas, nesse caso específico, eu devia presumir que Sakayanagi estava deliberadamente tentando passar essa impressão.
Em contraste com a minha análise calma e cuidadosa—
— Não, não, isso é burrice demais — cuspiu Haruka. Ela parecia enjoada. — Ela tá brincando com ele. Nem ferrando que ela poderia gostar do Yamauchi-kun.
Intuição feminina, talvez?
— A-Ah, acho que você tem razão — disse Airi, talvez por sentir a mesma coisa.
— Poxa! Homens são tão simples. Como alguém pode cair numa atuação tão óbvia?
— Ela… tá mesmo atuando? — perguntou Keisei, incerto. Acho que eu também não teria percebido se não tivesse prestado atenção…
— Com certeza é atuação — disse Haruka, convicta.
— Talvez ela esteja tentando conseguir informações da Classe C, igual a Horikita-san disse? — falou Ike.
— Não sei, parece óbvio demais — disse Keisei. — Você pensaria que existe um jeito melhor de fazer isso. Se ela tivesse se encontrado com o Yamauchi em segredo, não ia deixar a gente em alerta como agora. Seria bem mais fácil pra ela.
— É… acho que isso é verdade…
Keisei estava completamente certo. Mesmo que ela planejasse atrair Yamauchi para uma armadilha, havia vários meios de entrar em contato com ele sem levantar suspeitas. Deliberadamente fazer toda a Classe C perceber suas ações lhe traria mais prejuízo que benefício, ligando seu nome a qualquer problema que surgisse depois.
Então talvez ela realmente tivesse uma queda por Yamauchi, como Keisei e Ike disseram. Isso faria mais sentido. Mas, ao mesmo tempo, Sakayanagi era agressiva e ousada por natureza, então podia muito bem ser qualquer uma das opções.
— Pra falar a verdade — disse Sakayanagi —, eu queria conversar com você faz um tempo já.
— P-P-Pra valer? — gaguejou Yamauchi. — Tipo… pra valer MESMO?
— Bem, não é como se eu tivesse tempo livre a ponto de mentir sobre algo assim, não é? — respondeu ela.
Observei os dois atentamente enquanto conversavam, conduzindo minha própria análise.
— Receio que eu não consiga me acalmar muito aqui, Yamauchi. Talvez a gente devesse… ir para outro lugar?
— E-Entendi! Tá bom. Vamos!
— Então, venha comigo, por favor.
Os dois caminharam lado a lado, com Yamauchi tentando acompanhar o passo lento de Sakayanagi. Parece que ele era capaz de demonstrar o mínimo de consideração. Os outros estudantes observaram a dupla se afastar — provavelmente sabiam que seria difícil continuar seguindo-os.
*
Todos os membros do Grupo Ayanokoji estavam reunidos no café, exceto Akito, que tinha ido para as atividades do clube. Haruka começou de imediato:
— Certo, o que vocês acham que realmente estava acontecendo naquela palhaçada de antes? O que o Yamauchi-kun e a Sakayanagi-san estão fazendo?
— Mas será que dá pra dizer com certeza que foi uma palhaçada? — perguntou Keisei.
— Isso é… claro que foi! Qualquer um perceberia. Né, Airi?
— B-Bem… — Airi corou. — Acho que… talvez pudesse…
— Hã? Mas fala sério, foi tão obviamente encenado, né? Como um show? Não é? — insistiu Haruka.
— É, acho que os gestos que ela fez realmente davam uma impressão… mas, como o Keisei-kun disse, você acha mesmo que ela faria algo ruim vindo visitar a Classe C assim tão abertamente?
— Ah, por favor — disse Haruka —, usa a cabeça. Isso faz parte da encenação. Ela quer deixar a gente confuso com psicologia reversa.
Hmm. Então Haruka acreditava que, sendo tão direta, Sakayanagi nos faria pensar que era óbvio demais para ser uma armadilha. Era possível.
— O que vocês acham, Kiyopon? Yukimuu? Vocês realmente acham que pode ter… romance? — perguntou Haruka.
— Esse é um tema no qual eu não sou muito versado — disse Keisei. — Prefiro não responder, obrigado.
Ele claramente não queria continuar falando sobre romance. Naturalmente, Haruka e Airi voltaram seus olhares para mim.
— Para ser sincero — respondi —, Yamauchi e Sakayanagi praticamente não interagiram até agora. Isso é repentino demais para algo tão básico virar romance, não acham?
— Bem sensato da sua parte, Kiyopon — disse Haruka. — Mas se apaixonar não segue sempre o mesmo ritmo ou padrão. Pessoas como o Hirata-kun são uma coisa… mas duvido que o Yamauchi-kun seja do tipo que demora pra cair por alguém.
No fim, a conversa estagnou por falta de informações. Eventualmente, o assunto mudou do possível romance entre Yamauchi e Sakayanagi para o que estava acontecendo dentro da Classe C.
— Ah, falando no Hirata-kun — disse Airi —, ele não terminou com a Karuizawa-san?
— Eu não tô surpresa — disse Haruka. — Honestamente, parecia inevitável que terminassem algum dia.
— S-Sério, Haruka? — perguntou Airi, espantada.
— Se você pensar como "o líder dos garotos namorando a líder das garotas", até faz sentido. Mas eles não combinam de verdade, sabe? É tipo… como posso dizer…? Hirata-kun parece gostar de uma garota fofa e gentil.
— Mas eu acho a Karuizawa-san muito fofa — disse Airi. — Você não acha, Kiyotaka-kun?
Ela estava perguntando para mim? Era uma pergunta difícil. Talvez ela tivesse perguntado para ouvir especificamente minha opinião.
— Sei lá — respondi. — Nunca prestei muita atenção na Karuizawa.
Não sabia como Airi se sentiu com isso, mas era a única resposta que podia dar.
— Hmm, é, acho que faz sentido — disse Haruka. — Enfim, deixando a Karuizawa-san de lado, o problema é que o Hirata-kun virou um garoto livre agora. — Felizmente, ela estava voltando o assunto para Hirata. — Parece que tem várias garotas na classe que gostam dele. Fico curiosa para saber o que vai acontecer.
— Sério? — perguntou Airi.
— Hã? Você nunca percebeu? Por exemplo… a Miichan com certeza gosta dele.
— Bem… agora que você mencionou, ela realmente olha para o Hirata-kun de vez em quando.
— Eu sei, né?
Keisei tirou o caderno, provavelmente já cansado de tanta conversa sobre romance.
— Acho que vou estudar um pouco.
— Ah, é mesmo, a prova de fim de ano tá chegando… Que pensamento deprimente — disse Haruka.
— Vou precisar preparar alguns guias de estudo para vocês também — disse Keisei.
Haruka soltou uma risadinha antes de abaixar a cabeça até encostar na mesa, como se estivesse fazendo uma reverência completa. Chabashira não tinha nos dado nenhuma instrução especial sobre a prova final, então provavelmente seria um exame escrito comum. Se um aluno tirasse nota vermelha, seria expulso na hora. Pelo menos era o que eu imaginava.
— Então… quando a gente vai começar nosso grupo de estudos?
— Vejamos — disse Keisei. — Hmm… que tal depois de terminarmos o simulado no dia 15? Isso nos deixaria com uns dez dias até a prova final. Se focarmos nas questões que já apareceram antes e nas tendências das aulas, deve dar tudo certo.
— Oooh! — Assim, o humor de Haruka pareceu melhorar, provavelmente porque isso significava adiar um pouco o estudo. — Era exatamente o que eu esperava de você, Yukimuu! Um plano perfeito. Concordo totalmente, vamos com essa.
— O último exame especial do ano provavelmente vai ser depois da prova final. Em março, imagino — disse Keisei.
— O último exame especial do ano… — repetiu Airi. — Nossa, então o nosso primeiro ano já tá quase acabando, né?
— Passamos por muita coisa — disse Haruka —, mas passou tão rápido, não foi?
Airi e Haruka ficaram refletindo por um momento… mas Keisei logo as trouxe de volta à realidade.
— É cedo demais pra ficar lembrando o passado. Se vocês forem mal na prova de fim de ano, vão ser expulsas. Sem contar o que pode vir no exame especial…
Ele provavelmente não queria que perdessem o foco.
Pouco depois, Keisei já estava completamente concentrado nos estudos… e Haruka percebeu algo.
— Oh!
Segui sua linha de visão e vi Ichinose junto de vários garotos e garotas, todos da Classe B. Ao contrário do nosso grupo, eles pareciam rígidos e tensos.
Se eu tivesse que adivinhar, estavam tentando pensar em maneiras de proteger Ichinose das difamações e calúnias que estavam circulando sobre ela. A própria Ichinose, porém, provavelmente não queria nada daquilo. Estava se comportando exatamente como sempre: conversando com amigos e falando alegremente com todos ao seu redor.
O que me preocupava era que Kanzaki não estava lá. Ele era um dos mais próximos de Ichinose, então imaginei que eles ficavam juntos com frequência…
— Parece que ela tá passando por um bom aperto agora — disse Haruka, observando Ichinose com leve indiferença —, não é?
— Ouvi dizer que uns rumores estranhos estão rolando — disse Airi. — Não sei quem tá espalhando, mas são horríveis…
— Mas isso não é tão incomum assim, né? — perguntou Haruka. — Quero dizer, sim, dessa vez passaram um pouco dos limites, mas já vi esse tipo de coisa várias vezes. Dá pra dizer que garotas populares estão meio que fadadas a isso, certo?
— Você acha? — disse Airi, com um olhar confuso. — Eu não sabia disso…
— Claro. Se você fosse mais assertiva e positiva como a Ichinose-san, provavelmente teria um monte de gente com ciúmes de você. Não acha, Airi?
Era possível. Mas parecia que Airi nem sequer conseguia imaginar-se sendo assertiva, não importa o quanto tentasse.
— Hmm, melhor não se preocupar com isso — continuou Haruka. — Aposto que a Ichinose entende bem essa dinâmica.
Eu apenas ouvi a conversa, sem realmente participar.
*
Cerca de duas horas depois, as garotas conversavam entre si enquanto Keisei mergulhava no caderno. Eu ficava entrando e saindo do papo delas enquanto mexia no meu celular. Então, o telefone de Haruka vibrou sobre a mesa.
— Ah, é do Miyacchi.
Haruka deslizou o dedo na tela e atendeu no viva-voz.
— Já terminou no clube? — ela perguntou.
— Foi mal, acho que vou me atrasar um pouco.
Era Miyake Akito, e ele parecia nervoso.
— Hã? O treino vai acabar mais tarde ou algo assim?
— Não… não, acho que tá prestes a rolar algum problema.
— Espera, problema? Que tipo de problema? Explica direito para eu entender o que tá acontecendo.
— As Classes A e B tão se enfrentando. Se o pior acontecer e uma briga estourar, provavelmente vou ter que entrar no meio para impedir.
Parecia que Akito ainda não tinha se envolvido diretamente, mas… Classe A e Classe B? Os rostos dos principais membros da Classe B passaram pela minha mente. Será que Ichinose seria tão descuidada a ponto de deixar uma briga estourar?
— Melhor deixar quieto — disse Haruka. — Não tem nada a ver com a nossa classe.
— Pode virar nosso problema amanhã — disse Akito, antes de encerrar a chamada.
Apesar de normalmente ser um cara de poucas palavras, ele tinha um lado surpreendentemente intenso. Como quando recebeu Ryuen no nosso grupo durante o acampamento, mesmo quando ninguém mais queria se aproximar dele.
— Quem será que tá brigando…? — murmurou Airi, preocupada.
— Geralmente é aquela classe que começa briga. Mas dessa vez, não — disse Haruka. Ela, claro, se referia à classe de Ryuen, agora rebaixada para D.
— Verdade… pensando bem — disse Airi.
As duas inclinaram a cabeça em reflexão diante daquele confronto inesperado entre A e B.
— Ei, Airi, Kiyopon, que tal irmos procurar o Miyacchi? — sugeriu Haruka.
— M-Mas… isso não é perigoso? — perguntou Airi.
— Bom, se as coisas piorarem, nossa classe pode acabar sendo arrastada junto como dano colateral — disse Haruka com um sorriso provocador.
Airi encolheu os ombros, assustada.
— Mas não se preocupa! Olha, se algo acontecer, aposto que o Miyacchi resolve. Dizem que ele já foi um cara bem barra-pesada no passado.
— B-Barra-pesada? Sério?
— Bom… quando eu digo "dizem", quero dizer "ele diz".
Hmm. Talvez esse fosse o motivo de ele não ter medo de lidar com alguém como o Ryuen — ele tinha confiança nas próprias habilidades.
— Enfim, Airi — disse Haruka —, se você se meter em apuros, tenho certeza de que o Kiyopon vai salvar você. Né?
— Eu vou fazer o que puder — respondi. — Mas eu realmente preferia não me meter em brigas.
— Ahaha! Relaxa, né? Não é como se fosse ficar tão violento assim aqui na escola. Uh… provavelmente… — Haruka foi perdendo firmeza, lembrando das várias situações de violência que já tinham acontecido ao longo do ano.
Ainda assim, não havia motivo para não irmos atrás do Akito, então decidimos procurá-lo.
*
Não vimos sinal de Akito enquanto seguíamos rumo ao clube de arco e flecha.
— Hããã? Onde será que o Miyacchi tá?
Tínhamos certeza de que ele estava indo para o café; então provavelmente mudou o caminho ao perceber que uma briga estava para acontecer. Continuamos procurando e, alguns minutos depois, conseguimos uma informação confiável de um colega que voltava do clube para os dormitórios.
Chegamos então a um ponto ao lado do ginásio, um pouco afastado do prédio principal, onde encontramos dois alunos frente a frente. Nenhum deles era quem Haruka e Airi pareciam estar esperando.
Um era Hashimoto, da Classe A do primeiro ano. O outro era Kanzaki, da Classe B. Akito estava entre eles, como se tentasse controlar a situação.
— Vocês não vão mesmo brigar, vão? — perguntou Akito.
— Você é insistente mesmo, Miyake. Além disso, não fui eu quem começou isso aqui. Foi o Kanzaki que me arrastou para essa briga — disse Hashimoto. Nessa hora, nossos olhares se cruzaram. — Parece que seus amigos chegaram, hein?
Assim que ele disse isso, Akito e Kanzaki olharam na nossa direção quase ao mesmo tempo.
— Vocês vieram? — Akito não parecia feliz de nos ver metendo o nariz na situação. Suponho que não havia muito a ganhar envolvendo as garotas nessa confusão.
Mas Haruka rebateu de imediato:
— Quem meteu o nariz em coisa estranha foi você, Miyacchi. A gente veio te salvar.
— Me salvar… — Akito olhou para o céu, resignado. — Claro.
— Então, o que tá rolando? Esses dois tão brigando? — perguntou Haruka.
Percebendo que não adiantava discutir, Akito mudou de tom.
— Me enganei sobre isso. Mas a situação tá bem hostil.
— O único hostil aqui é o Kanzaki — disse Hashimoto.
Era verdade que Hashimoto não parecia agir diferente do normal. Mas Akito não estava disposto a confiar só na palavra dele.
— Espero mesmo que seja isso.
Akito não parecia prestes a sair dali. Uma briga ia estourar? Ele também não parecia ter certeza. Já Kanzaki parecia envergonhado por nos ver ali — o que sugeria que ele não queria espectadores.
Claro, ele também não podia simplesmente nos mandar embora. No fim, não disse nada para nós e voltou sua atenção totalmente para Hashimoto.
— Retomando o que eu disse antes, Hashimoto — disse Kanzaki —, o que você anda fazendo depois da aula? Você não participa de nenhum clube. Por que fica rondando tão tarde?
— Não estar em um clube significa que eu tenho que voltar pros dormitórios logo? Sou livre pra fazer o que quiser depois da aula. Aliás, acho que o único aqui que participa de um clube é o Miyake. Não é? — respondeu Hashimoto.
Ele nos puxou para dentro da discussão sem hesitar, usando a nossa presença para desmontar o argumento de Kanzaki. Ao contrário de Kanzaki, Hashimoto parecia achar muito conveniente termos aparecido.
Nós, os membros do Grupo Ayanokoji, trocamos breves olhares. Não podíamos realmente dizer que éramos aliados da Classe A ou da Classe B. Ainda assim, se tivéssemos de escolher um lado, inevitavelmente seria a Classe B, por causa da trégua entre Horikita e Ichinose.
Hashimoto abriu um sorriso.
— Ha! Não consegue me dar uma resposta, Kanzaki, consegue?
— Não é como se você estivesse aqui para se encontrar com alguém — disse Kanzaki. Embora sua expressão permanecesse tão calma quanto sempre, era possível sentir a força por trás de suas palavras. — Você só está tentando puxar pessoas aleatórias e espalhar esses boatos, não é?
Então era isso que ele vinha pressionando Hashimoto: os rumores envolvendo Ichinose. E isso deixara Akito preocupado de que eles acabassem brigando. E agora estávamos ali, no meio disso.
Hashimoto pareceu perceber que Kanzaki sabia o que ele estava tramando, porque assentiu.
— Boatos? Ah, você quer dizer aqueles sobre a Ichinose ter feito um monte de coisa errada? O que isso tem a ver comigo?
— Fingir-se de idiota é só perda de tempo — disse Kanzaki. — Gostaria de deixar algo claro aqui e agora: suas ações são tão baixas que vejo pouca diferença entre você e o Ryuen.
— Tá, mas mesmo que você diga isso, eu realmente não sei como posso te responder.
Hashimoto continuava escorregadio e evasivo diante das tentativas de Kanzaki de encurralá-lo. Akito, aparentemente decidido de que eles não iriam partir para a agressão imediata, veio se juntar a nós.
— Ei, o que a gente faz agora? — perguntou Haruka em voz baixa, direcionando a pergunta a Akito.
— Nada. Por enquanto, só observamos. Se eles se separarem sem acontecer nada, acabou.
— Mas… é certo a gente ficar ouvindo isso? — perguntou Airi, ansiosa. Eu entendia o que ela queria dizer; a Classe C não tinha nada a ver com aquela discussão, e Kanzaki não parecia nem um pouco satisfeito com nossa presença.
— O que você acha, Kiyotaka? — perguntou Akito para mim.
— Hmm. Acho que não tem problema ouvirmos até que nos mandem sair, certo? Se isso virar uma briga depois, uma terceira parte como nós pode validar o que aconteceu. Isso deve ajudar o Kanzaki, caso ele precise — argumentei.
Akito assentiu, aparentemente convencido. Mas Hashimoto continuou com os rumores, indo ainda mais fundo.
— Ei, Kanzaki. Esses boatos sobre a Ichinose… você tem mesmo certeza de que são só isso? Só… boatos?
— O quê?
— Você sabe como é: "onde há fumaça, há fogo". Não dá pra culpar alguém por procurar o fogo, não é?
— Boatos não precisam de fogo. Não se tiver algum espertinho espalhando fumaça por aí.
Hashimoto se apoiou na parede próxima.
— Entendo. Bem, é verdade que fogo e rumores são coisas separadas.
Provérbios nem sempre se aplicavam ao mundo real.
— Mas você pode afirmar com total certeza que a Ichinose não tem um passado sombrio, Kanzaki?
— Um ano, Hashimoto. Passamos cerca de um ano lutando juntos na Classe B, nos bons e maus momentos. Então… sim, eu tenho certeza.
— Ah, por favor! Já chega, Kanzaki. Você é tão meloso que nem consigo olhar nos seus olhos.
Ao dizer isso, Hashimoto abaixou o olhar de forma zombeteira.
— Claro que também perguntei diretamente para a Ichinose.
— Oh? E o que ela disse?
— Ela me disse para não me preocupar e não ser enganado por esses boatos.
— Em outras palavras, isso significa que ela não confirmou nem negou nada?
— É verdade. Por isso decidi acreditar nela.
— Cara, sério? Quanto coração mole uma pessoa consegue ter? — zombou Hashimoto. E continuou: — Ninguém quer falar de seu próprio passado sombrio, e ninguém vai contar toda a verdade só porque um amigo perguntou. É claro que ela não contaria a verdade aos colegas. Ou o quê? Você acha que só porque ela é uma boa pessoa agora, também foi no passado?
Kanzaki não pareceu se abalar nem um pouco com suas palavras. O olhar dele mostrava confiança absoluta em Ichinose.
Hashimoto não parou.
— Só porque você é o braço direito da Ichinose, acha que ela vai te contar tudo? Ah, vá. Quanta ingenuidade.
Cada palavra transbordava desprezo pela fé cega de Kanzaki. Ou talvez Hashimoto tivesse decidido que não valia mais a pena prolongar aquele confronto.
— Não estou falando sobre isso — disse Kanzaki. — Quero que você fale sobre você. Sobre o que andou fazendo hoje.
— Tá bom, certo. Eu te digo. Sim, eu estive espalhando rumores sobre a Ichinose — admitiu Hashimoto. — Olha, Kanzaki… você é inteligente. É um cara atencioso. Mas é exatamente por isso que você não deveria se envolver nisso. Você só sabe acreditar cegamente nos outros, sabe? Isso simplesmente… não é da sua conta.
— Então você está dizendo que não pretende retirar esses boatos.
— Retratar os boatos? Qual é, você não acha que está confundindo as coisas? Boatos não se retratam. Eles se espalham para onde quiserem. Eu só aconteceu de encontrá-los pelo caminho e ajudar a passá-los adiante — disse Hashimoto.
Ele admitira espalhar os boatos, mas negava categoricamente ser a fonte. Ainda assim, Kanzaki não recuou. Não… ele parecia já saber que Hashimoto não era a origem.
— Tenho conduzido uma investigação minuciosa entre os alunos da Classe A nos últimos dias.
— E?
— Eu rastreei a origem de todos os boatos até vários garotos e garotas da Classe A do primeiro ano. Quando pressionei esses alunos sobre onde tinham ouvido os rumores, eles responderam com evasivas como "não me lembro" ou "ouvi por aí". Muito parecido com a resposta que você acabou de me dar agora. Todos eles. Tenho certeza de que você, entre todas as pessoas, entende o que isso significa, Hashimoto.
Alguém havia dado instruções àqueles alunos.
— Desculpa, Kanzaki — disse Hashimoto —, mas eu não tenho a menor ideia. Se não se importa, por que não diz logo de uma vez?
— Os boatos feitos para difamar Ichinose foram quase certamente espalhados pela Classe A do primeiro ano.
— Hã.
— Não tente escapar. Eu não perguntei apenas aos alunos do primeiro ano — perguntei também aos do segundo e do terceiro. Eles disseram que ouviram os rumores da sua classe. Exatamente de onde eu os rastreei. Se necessário, posso chamar esses alunos e fazer com que confirmem os fatos pessoalmente.
Aparentemente, Kanzaki e o restante da Classe B tinham investigado a fundo a origem dos boatos. Ele estava convencido de que a Classe A do primeiro ano tinha liderado sua criação, e era por isso que confrontava Hashimoto agora. O fato de estar agindo sozinho provavelmente significava que estava tentando evitar causar problemas para Ichinose. Se muitos estudantes causassem alvoroço, atrairia a atenção de pessoas que inicialmente não estavam interessadas nos boatos.
Por outro lado, era totalmente possível que Kanzaki estivesse lidando com isso completamente sozinho.
— Entendi. Então é por isso que você andou me seguindo de novo hoje — Hashimoto deu de ombros e soltou um suspiro.
"De novo", hein? Então ele já tinha percebido Kanzaki o seguindo há algum tempo. Embora não parecesse se importar, provavelmente porque não via isso como ameaça real.
— Foi a Sakayanagi quem lhe disse para espalhar esses boatos? — perguntou Kanzaki.
— Ah, não?
— Certo, então quem? A única outra pessoa que poderia dar ordens à Classe A seria Katsuragi.
— Vai saber? Eu só andei por aí com outros alunos. Peguei os boatos em algum lugar no caminho. Mesmo que você diga que os boatos vieram da Classe A, o que quer que eu faça com isso? Talvez seja coisa do Ryuen. Talvez ele só esteja fingindo estar aposentado?
Depois de ouvir isso, Kanzaki mudou a abordagem.
— Então você pegou histórias sem saber se eram verdadeiras ou não, engoliu como se fossem, e simplesmente… as espalhou por aí?
— É assim que as pessoas funcionam, não é? Não importa se são verdade ou invenção; se o boato é interessante, as pessoas vão falar. Além disso, nós, garotos, não somos nada comparados às garotas nesse departamento, né? — Hashimoto lançou o olhar para Haruka e Airi.
— Bem… eu realmente gosto de boatos, mas…
— E, infelizmente, quanto mais edificantes — ou chocantes — os boatos, mais empolgantes eles ficam. Tente pensar nisso com mais objetividade, Kanzaki. Ichinose não confirmou nem negou os rumores. E ela não está pedindo ajuda a ninguém também. Não acha isso estranho? Se fosse tudo invenção, você não acha que ela estaria pedindo ajuda para encontrar a fonte? — disse Hashimoto.
— Ichinose tem uma aversão extrema ao conflito — disse Kanzaki. — Acredito que ela seria capaz de ter compaixão por todos… até por aqueles que espalham rumores cruéis sobre ela.
Como ela não tomava uma posição própria sobre o assunto, Kanzaki não podia fazer nada além de escolher acreditar nela.
— Meu Deus, vocês da Classe B…
De qualquer forma, as palavras e o comportamento de Hashimoto me levaram a uma conclusão: os rumores que circulavam sobre Ichinose… não eram completamente falsos, afinal.
Coloquei de lado minha posição de estudante por um momento e examinei o caso sob uma perspectiva social. Ichinose provavelmente poderia processar as pessoas que começaram o boato por difamação. Independentemente de serem verdadeiros ou não, aquilo havia prejudicado sua reputação, o que lhe dava base para processar.
…A menos, claro, que os rumores envolvessem fatos já de conhecimento público. Se aquilo fosse obra de Sakayanagi, então tudo seguia conforme o plano. O silêncio de Ichinose era prova de que estava funcionando como pretendido.
Depois de dar um tapinha no ombro de Kanzaki, Hashimoto enfiou as mãos nos bolsos e tentou ir embora.
— Ainda não terminamos de conversar — disse Kanzaki.
— Qual é, cara, já não tá bom? Mesmo que a gente continue falando, não é como se fôssemos chegar a algum acordo — disse Hashimoto.
Ele acenou gentilmente para Haruka e Airi, depois seguiu na direção do prédio da escola. Havia algo estranho ali. Meu instinto dizia que Hashimoto estava agindo de maneira diferente comigo do que havia agido durante o acampamento escolar.
Era só um palpite, claro. Eu não conseguia identificar exatamente o que tinha mudado.
— Com licença — disse Kanzaki, fazendo uma leve reverência antes de seguir rumo aos dormitórios, em vez de ir para o prédio da escola.
— Uau, tá — disse Haruka. — Isso aí? Foi incrível.
— O que exatamente — perguntou Akito — foi incrível nisso?
Haruka mostrou a língua.
— Ah, qual é! É tipo… sabe? Tava quase ficando emocionante. Além disso, se por acaso alguém atacasse, você com certeza daria conta do cara, né, Miyacchi? — Ela fez alguns movimentos rápidos no ar, como se estivesse lutando.
— Ouvi dizer que você era delinquente? — perguntei, seguindo o fluxo da conversa.
Akito soltou um suspiro pesado.
— Não fala isso por aí, Haruka. Não quero que esse boato se espalhe.
— Qual é, qual o problema? — ela retrucou. — Você é diferente agora, de qualquer jeito. Aposto que era bem forte naquela época, hein?
— E-Eu não era nenhum delinquente famoso, tá? — disse Akito. — Tinha outro cara que era o número um na minha escola. Esse sim era muito mais forte do que eu.
— Hã. Sua escola era tão barra pesada assim?
— Era. As pessoas da minha cidade eram assim mesmo. Os adultos também. E quando tinham filhos, criavam eles do mesmo jeito. Ah, e o Ryuen da Classe D? Ele estudava numa escola ao lado da minha — explicou Akito.
— Sério?!
— Sim. A gente se esbarrou algumas vezes quando rolavam brigas entre as escolas. Mas acho que ele nunca deu muita atenção pra mim.
Provavelmente Akito sabia lidar com esse tipo de situação porque já tinha experiência em brigas.
— Certo — disse ele —, a conversa acaba aqui. E não espalhem isso fora do grupo, por favor.
— Tá bom, tá bom, já entendi — disse Haruka. — Vamos voltar pro café? O Yukimuu tá esperando a gente.
— Beleza.
No fim das contas, isso era assunto do Akito. Se eu tinha certeza de algo, era de que o melhor era não cavar mais fundo.
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