Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 8

Epílogo: Ponto Cego

ERA O ÚLTIMO DIA do acampamento, o dia em que nossos grupos seriam classificados de acordo com a prova especial. Durante a última semana, os cerca de vinte e seis pequenos grupos haviam passado o tempo de maneiras próprias. Alguns grupos se aproximaram e trabalharam bem juntos. Outros estavam à beira do colapso. Outros completaram suas tarefas diárias com indiferença, sem se aproximar nem se afastar.

No começo, nosso grupo tinha sido um desastre. No entanto, até o fim, havíamos nos aproximado consideravelmente. Não éramos perfeitos. No máximo, éramos um bando improvisado. Era uma aliança temporária — amanhã, voltaríamos a ser inimigos. Havia um certo sentimento de tristeza só de pensar que nossas atividades em grupo chegariam ao fim.

— Por enquanto, fizemos tudo o que podíamos. Não importa o resultado, não teremos arrependimentos.

— Eu também penso assim. Obrigado por ser nosso representante, Yukimura.

Ishizaki e Yukimura apertaram as mãos.

— Não importa o que aconteça, vamos dar o nosso melhor.

— Vamos fazer isso.

Os outros se cumprimentaram e selaram o acordo com um aperto de mãos. Depois, seguimos para a sala de aula designada. Não havia com o que se preocupar quanto à unidade do grupo. Nossa maior preocupação era Koenji.

No momento, ele parecia calmo, nos seguindo discretamente. Mas ninguém poderia prever quando ele poderia explodir de repente. Os alunos do segundo e terceiro ano de nosso grande grupo já haviam chegado, então corremos para nossos lugares em um pouco de pânico assim que o sinal tocou. O professor entrou e começou a explicar o conteúdo da prova.

Mesmo reunidos em nosso grande grupo, a prova seria aplicada aos pequenos grupos por nível de série. Os grandes grupos afetariam a classificação geral quando as pontuações fossem somadas. Por maior que fossem os terrenos do acampamento, se todos tentassem fazer todas as atividades ao mesmo tempo, ficaríamos todos amontoados.

As quatro seções da prova eram como esperado: Zazen, Discurso, Revezamento de Longa Distância e Prova Escrita. Nós, calouros, começaríamos com o zazen. Depois, seguiríamos para a sala de aula seguinte para a prova escrita. Em seguida, faríamos o revezamento de longa distância e, por fim, os discursos.

Os alunos do segundo ano tinham um obstáculo maior logo de início, já que começariam pelo revezamento de longa distância. Os do terceiro ano, aparentemente, começariam pelos discursos.

*

 

Depois de terminar o café da manhã, seguimos para o dojo de zazen. Estávamos dispensados da limpeza naquela manhã. A prova começou assim que todos os calouros se reuniram.

— Sem mais delongas, vamos começar. Existem dois critérios para determinar suas pontuações: seus modos e postura ao entrar neste dojo e a presença ou ausência de qualquer desordem durante o zazen. Após terminarem, vocês devem permanecer em suas salas de aula designadas até receberem instruções para a próxima prova. A partir de agora, chamarei os nomes. Os alunos cujo nome for chamado deverão se alinhar e iniciar o teste. Classe A, Katsuragi Kouhei. Classe D, Ishizaki Daichi —

O instrutor continuou lendo os nomes em voz alta. Depois de Katsuragi, veio Ishizaki. Isso foi inesperado. A multidão murmurou, surpresa.

— Apresse-se, Ishizaki. Próximo, calouros da Classe B, Beppu Ryouta.

Confuso, Ishizaki entrou na fila, um pouco em pânico.

— A ordem está diferente do habitual?

Keisei se preparou mentalmente, enquanto também se desesperava por dentro. Não esperávamos isso. Havíamos feito zazen várias vezes na semana passada, mas sempre em nossos pequenos grupos. Desta vez, a escola estava distribuindo os lugares aleatoriamente.

Isso significava que alunos fora da nossa zona de conforto estariam próximos ao nosso espaço pessoal. Pode parecer um detalhe trivial, mas no dia da prova, quando todos já estavam tensos, tornava tudo muito mais difícil. O objetivo da escola de bagunçar as coisas estava funcionando.

Keisei estava nervoso. Então uma grande mão pousou em seu ombro — Albert, oferecendo um gesto de consideração para acalmá-lo. Recebendo a mensagem, Keisei parecia ter recuperado um pouco da compostura.

— Desculpe. Se eu ficar assim na primeira prova, vai afetar a moral do nosso grupo.

Em vez de encarar a pressão de ser representante como negativa, Keisei a viu como algo positivo. Quando finalmente chamaram seu nome, ele respondeu com clareza e entrou no dojo. Fui chamado antes de Albert, penúltimo. Vários instrutores dentro do dojo estavam em volta segurando pranchetas e canetas.

Além disso, havia um número estranho de câmeras instaladas pelo dojo, talvez para garantir precisão na pontuação. Eu já tinha o básico do zazen decorado, então não cometeria erros. Como era muito provável que o sistema de pontuação começasse em cem e deduzisse pontos conforme o desempenho, calculei que teria nota máxima.

Afinal, não havia necessidade de me conter ao fazer zazen. Um pouco afastado de mim, Koenji também participava. Ele não cometeu erros — na verdade, sua postura era perfeita. Seus movimentos eram impecáveis. Ele nunca parecia levar os treinos a sério, mas isso era esperado, né?

Como mantínhamos os olhos fechados durante a avaliação, não podia ter certeza dos detalhes mais sutis. Mas eu tinha certeza de que havíamos nos saído bem.

*

 

Depois de terminar o zazen, todos começaram a se dispersar em silêncio. Ainda estávamos sendo avaliados até realmente sairmos do dojo. Sob o olhar atento dos instrutores, os alunos saíram silenciosamente e se dirigiram para suas respectivas salas de aula, conforme instruído.

Assim que todos do nosso grupo se reuniram, Keisei caiu na cadeira.

— Ugh, minhas pernas ficaram dormentes durante o teste.

— Conseguiu se sair bem? — perguntou Ishizaki. Suas pernas talvez tivessem passado pela mesma coisa, porque ele as esfregava enquanto falava com Keisei.

— Acho que sim. Mas talvez tenham descontado alguns pontos.

— Bom, não adianta se preocupar. Agora já era. Certo, Ayanokoji? — disse Hashimoto.

— Certo. O próximo é o forte do Keisei: a prova escrita. Concentre-se nisso — disse eu.

As palavras de Nagumo da noite anterior provavelmente ainda ecoavam na cabeça de Hashimoto. Mas ele não iria me confrontar diretamente, porque não tinha ideia do que o irmão da Horikita considerava especial em mim desde o início.

Duas outras pequenas turmas de calouros estavam na sala conosco. Uma delas era o grupo de Ryuen, cujo representante era Akito. Percebi que Ishizaki e Albert desviaram o olhar para Ryuen, mas ele, em vez de nos olhar, se sentou sozinho. Não falou com ninguém. Fazia parte do grupo, mas ao mesmo tempo, não. Passava uma aura de isolamento completo.

— Huh, isso é bem estranho — murmurou Hashimoto, ao meu lado. Eu poderia ignorá-lo, mas decidi acompanhar a conversa um pouco.

— O que é?

— Os olhos do Ishizaki e do Albert. Não tenho a impressão de que eles o odeiam. Pelo contrário, parecem tristes. Como pets cujo dono os abandonou.

— Não entendi. Ishizaki e Albert não estavam cansados do Ryuen?

— É o que dizem, mas… talvez haja algo mais na renúncia do Ryuen. Não acha?

Hashimoto provavelmente não tinha nenhuma evidência ligando-me a Ryuen. Era provável que ele tentasse levar a conversa nessa direção porque Nagumo demonstrou interesse em Ryuen.

— Não sei. Não estou muito por dentro do que acontece nas outras turmas.

— Entendi. Desculpe por perguntar algo estranho.

Após o intervalo de dez minutos, seguimos para a prova escrita, que não se revelou nada de especial. Testaram o que havíamos aprendido durante o acampamento. Quem tivesse bom domínio dos tópicos principais provavelmente tiraria nota máxima. Quem tivesse dificuldade, ficaria entre cinquenta e setenta pontos.

O que eu deveria fazer?

Enquanto todos ao meu redor abaixavam a cabeça e trabalhavam, tentei decidir quantos pontos poderia me permitir perder. Provavelmente, não tornariam as pontuações individuais públicas, mas eu não queria que a escola visse minhas notas perfeitas consecutivas. Muitos alunos vinham me sondando ultimamente. Honestamente, preferi segurar um pouco e não marcar nota muito alta.

Decidi errar apenas uma questão considerada difícil. Isso me daria cerca de 95 pontos. Depois de escrever todas as respostas, fui tentado a olhar pela janela, mas não queria que os professores pensassem que eu estava trapaceando, então fechei os olhos e esperei o fim.

Depois da prova, os grupos se reuniram e avaliaram suas pontuações. Não era como se calcularmos os pontos nós mesmos mudasse o resultado, mas não pude deixar de me perguntar se acertei ou errei aquela única questão. Suponho que forçar-se a pensar diferente fosse eficaz, até certo ponto.

Todos do nosso grupo estavam presentes, exceto Koenji, que saiu da sala assim que a prova terminou. Como esperado, Ishizaki não entendeu a maioria das questões. Minha "segurança" seria útil. Ainda assim, a prova escrita foi fácil no geral, então provavelmente todos os grupos marcaram bem.

Pelo que vi no dojo, zazen e a prova escrita provavelmente não causariam uma diferença significativa de pontos entre os grupos. Todos haviam feito zazen com certo grau de precisão. Ambas as provas testavam o que aprendemos, então quem conseguisse, dificilmente teria grande variação nas pontuações. Das seções da prova, o revezamento de longa distância provavelmente teria o maior impacto.

Se a pontuação final fosse baseada na colocação do revezamento, você poderia supor que o grupo que ficasse em primeiro teria nota máxima… mas isso seria simples demais, não é? Tive a sensação de que eles também levariam em consideração nosso tempo. De fato, até quem chegasse em sexto, mas com bom tempo, poderia pontuar bem.

Ao sairmos da sala, vi várias vans estacionadas. Parecia que nos levariam até o ponto de entrega dos bastões. Ao entrar na van, recebemos instruções adicionais dos professores:

— Cada aluno deve correr uma distância mínima de 1,2 km.

— As trocas de bastão só são permitidas a cada 1,2 km.

— Se um aluno não completar a corrida por acidente, ou não cumprir os requisitos mínimos, será desclassificado.

Após a explicação, deixaram Keisei, nosso primeiro corredor, e a van seguiu adiante. Decidimos a ordem de corrida considerando os alunos menos confiantes em velocidade. Keisei seria o primeiro. Depois, Sumida, Tokitou e Moriyama da Classe B. Yahiko seria o quinto.

Colocamos os corredores assim devido às variações de terreno no início da prova. Também diminuía a pressão de serem ultrapassados por outros corredores. Cada um desses cinco percorreria a distância mínima, totalizando seis quilômetros.

Depois vinha Hashimoto, correndo 3,6 km em alta velocidade, incluindo o ponto de retorno. Então Albert receberia o bastão e correria 1,2 km antes de passá-lo a Ishizaki, que correria 3,6 km. Eu estaria bem correndo após Albert, mas Keisei acreditava que a transição seria mais suave se os colegas fossem colocados juntos.

Koenji correria apenas 1,2 km. Eu percorreria 2,4 km e passaria o bastão para ele na última etapa. Essa foi a conclusão que Keisei alcançou. Koenji foi colocado por último para motivá-lo a terminar. Ele receberia o crédito por cruzar a linha de chegada e aliviaria nossas preocupações sobre ele não passar o bastão.

A desvantagem era que, se alguém cortasse caminho, não saberíamos quem estava atrasado. Após Ishizaki sair da van, restávamos três: o instrutor que dirigia, Koenji e eu. Poderiam nos deixar primeiro, já que estavam indo ao ponto de retorno, mas suponho que quisessem nos deixar na ordem em que correríamos.

Tudo o que restava era eu esperar no meu ponto, a 3,6 km da linha de chegada.

A van começou a voltar na direção de onde tínhamos vindo.

— Ayanokoji-boy. Permita-me perguntar algo claramente. Se ficarmos em primeiro lugar nesta corrida, o que acha que vai acontecer? No geral, quero dizer.

— Não tem como eu saber a resposta, mesmo que pergunte. Além disso, nosso resultado geral é determinado pela média de pontos do grupo grande. Então depende de como os veteranos vão se sair, certo?

Por mais que nos esforçássemos, seria difícil alcançar o primeiro lugar se eles pisassem na bola.

— Então você nem vai mentir para me animar, dizendo que existe uma possibilidade de ficarmos em primeiro? — perguntou ele.

— Você não é o tipo de cara que ficaria animado se eu dissesse algo assim, é?

— Hmm, tenho minhas dúvidas. Que tal eu aliviar você de 1,2 quilômetro? Se eu correr na velocidade máxima, há uma chance extremamente alta de derrotarmos os outros grupos — sussurrou Koenji no meu ouvido, inclinando-se perto.

— Certo, o que diabos trouxe isso à tona? — perguntei.

— Apenas um capricho. Um capricho que pode ajudá-lo. Nada mal, não?

— Quer dizer então que você se responsabilizaria por correr 2,4 quilômetros e nos garantir uma boa colocação?

— Ora, não há necessidade de falar tão formalmente. É só um capricho, afinal.

— Entendi. Desculpe, mas vou recusar. Não posso mudar a estratégia do Keisei por conta própria.

— Heh. Entendo. Bem, que pena — disse Koenji, voltando ao assento.

Eu não sabia o que ele estava planejando, mas não tinha intenção de arriscar e confiar nele. Se ele podia decidir ajudar por um capricho, podia voltar atrás no mesmo impulso. Koenji só havia prometido correr a distância mínima exigida. Isso significava que provavelmente ele se seguraria se corresse mais do que 1,2 quilômetro. A prova estava na forma como desviou da pergunta sobre assumir responsabilidade.

Além disso, se eu acabasse causando problemas desnecessários por causa de uma decisão minha, a culpa cairia toda sobre mim.

— Parece que você é mais esperto do que eu pensei. E também bastante entediante.

Se essa era a impressão que tinha de mim, eu agradecia. Saí da van e esperei Ishizaki no marcador a 3,6 quilômetros da linha de chegada.

— Ei, Ayanokoji-kun.

Naturalmente, havia outros garotos esperando ali também. Hirata me cumprimentou.

— Huh, você não é o âncora? — perguntou.

— Não. Koenji vai por último. E você? Sudou é o âncora de vocês?

— É. Ele está louco para correr — quer fazer vários trechos. Mas com quinze pessoas, isso não é possível.

A rivalidade do Sudou com Koenji provavelmente iria explodir na última volta.

— Pessoalmente, eu queria que tivéssemos mais gente — eu disse. — Teria facilitado um pouco.

— De qualquer forma, vamos dar o nosso melhor. Contanto que não fiquemos abaixo do padrão da escola, ninguém será expulso.

— É.

Enquanto esperávamos, todos estavam livres para conversar ou se concentrar em silêncio. Havia postos de água a cada 1,2 quilômetro, então também era possível beber alguma coisa… embora aumentasse o risco de dor de estômago se alguém bebesse demais antes de correr. Um aluno, completamente alheio ao perigo, virou uma garrafa inteira.

— Ah, estou tão nervoso — murmurou ele, antes de se virar e cruzar o olhar comigo. Era o Professor. Talvez quisesse conversar com alguém, porque se aproximou. — Então você está neste ponto também, Ayanokoji-kun.

— Ayanokoji-kun? Neste ponto…?

Eu não podia acreditar no que ouvia. O Professor que eu conhecia teria dito algo como: "Honorável Ayanokoji-dono, estás vós atualmente posicionado sobre esta terra?"

— Ah. Bem, parei de falar daquele jeito. Eu fazia aquilo para interpretar um personagem, mas depois daquela bronca durante o zazen, decidi parar.

— Entendo.

Eu não conseguia esconder meu choque. O Professor falando normalmente não combinava nada com ele. Era como se a coisa que o tornava ele mesmo tivesse desaparecido. Agora parecia apenas um figurante, tipo Aluno X, ou Y, ou fosse lá qual letra.

Conversamos normalmente por algum tempo, mas, para ser honesto, nem lembro do conteúdo. Apenas mudar o jeito de falar realmente fazia diferença.

De qualquer forma, eu me perguntava se Keisei tinha conseguido passar o bastão com sucesso. Por mais tempo que levasse, terminar a corrida era essencial. Por mais frio que parecesse, mesmo que nosso grupo grande ficasse em último ou abaixo da linha de corte, nada aconteceria comigo.

Claro que eu realmente achava melhor que ninguém fosse expulso.

Enquanto eu tentava calcular quantos minutos tinham passado, finalmente vi um aluno se aproximando. Mas não era Ishizaki. Era alguém do grupo formado em maioria pela Classe B, liderado por Kanzaki. Mais corredores começaram a chegar, um após o outro. Após uma disputa acirrada com o terceiro colocado, Ishizaki vinha em quarto.

— Huff… huff… Toma, Ayanokoji! Vai pelo primeiro lugar! — gritou ele, entregando o bastão.

Se ficaríamos em primeiro dependeria de Koenji, mas peguei o bastão e corri.

— Eu te mato se segurar o passo! — berrou Ishizaki com suas últimas forças, antes de desabar no chão.

Seu cansaço era natural, considerando que correu mais de três quilômetros em um trajeto montanhoso. Decidi diminuir aos poucos a distância em relação aos corredores à frente. Corri um pouco mais rápido que os outros, tomando cuidado para não comprometer minha respiração. Em vez de atacar desde o início, esperei a resistência deles cair para ultrapassá-los. Assim, dei a impressão de que os ultrapassei porque estavam lentos demais.

Apesar do terreno irregular, dois quilômetros não eram suficientes para me deixar sem fôlego. Assim, ultrapassei um corredor, alcançando o terceiro lugar, ficando a uma curta distância do segundo. Então entreguei o bastão para Koenji.

Nove pessoas haviam segurado aquele bastão. Nossa sorte agora estava nas mãos dele.

— Agora então. Vamos trabalhar um leve suor, que tal?

Koenji, passando a mão pelo cabelo, pegou o bastão e começou a correr com uma expressão completamente despreocupada. Provavelmente não estava no máximo, mas era muito rápido. Se mantivesse aquela velocidade, ficaríamos bem. Isso, claro, desde que ele não reduzisse para uma caminhada quando saísse de vista.

No final, apesar de toda a ansiedade que nos causou, Koenji acabou terminando em segundo lugar. Eu não sabia se ele não conseguiu ultrapassar o corredor em primeiro ou se simplesmente não quis. Provavelmente era o segundo caso.

Os discursos que teríamos de fazer após essa corrida intensa seriam um verdadeiro inferno para os calouros. Teríamos que falar longamente, em voz alta, depois de nos esgotarmos completamente.

No entanto, nada particularmente notável aconteceu. Embora eu tivesse algumas dúvidas sobre a apresentação um tanto… digamos, dramática de Koenji durante seu discurso, todos pareciam ter completado a tarefa sem grandes dificuldades.

*

 

E assim, o dia mais longo do exame especial chegou ao fim. A maioria do nosso grupo — não, de todo o corpo estudantil — estava completamente exausta. Eu não tinha dúvida de que nosso grupo pontuaria muito acima do que esperávamos inicialmente. Se tudo dependesse das médias, então nosso grupo tinha grandes chances de terminar bem. O resto dependia de como o grupo do Nagumo e os veteranos se sairiam, mas eu tinha certeza de que não ficaríamos abaixo do limite estabelecido pela escola.

Como no primeiro dia, todos os alunos do sexo masculino se reuniram no ginásio, logo acompanhados pelas alunas. Provavelmente iriam anunciar os resultados tanto dos meninos quanto das meninas. Já eram cinco horas da tarde — era seguro assumir que chegaríamos tarde à escola.

— Todos vocês fizeram um trabalho excelente nesta escola de campo durante esses últimos oito dias. Embora o conteúdo varie, este exame especial ocorre a cada poucos anos. No geral, vocês se saíram melhor do que os estudantes do exame anterior. Suponho que isso se deva ao bom trabalho em equipe — anunciou um homem idoso que eu nunca tinha visto antes. Ele sorriu durante todo o tempo que falou.

Eu suponho que ele era o responsável pelo acampamento.

— Vou anunciar os resultados, mas primeiro devo dizer que os meninos não poderiam ter tido um final melhor. Todos cumpriram os padrões da escola com sucesso, e, portanto, nenhum aluno do sexo masculino será expulso.

No momento em que ele anunciou isso, ouvi murmúrios de alívio de vários garotos.

— Ufa, ninguém vai ser expulso — disse Keisei, levando a mão ao peito com um suspiro de alívio. Ishizaki deu um tapinha nas costas dele.

— Nunca pensei que seríamos expulsos desde o começo. Estávamos mirando o primeiro lugar, afinal.

— É.

Independentemente dos sentimentos pessoais, evitar a expulsão era significativo. No entanto, a forma como o homem idoso fez o anúncio foi um pouco preocupante. Se nenhum aluno de todo o corpo estudantil fosse expulso, ele não teria razão para especificar "meninos" daquele jeito.

O que significava…

— Agora, vou anunciar o vencedor geral entre os grandes grupos masculinos, mas lerei apenas o nome do estudante veterano que atua como representante. Os pontos para os estudantes do grupo, incluindo alunos do primeiro ao terceiro ano, serão divulgados em data posterior.

Com isso, o homem idoso leu os nomes lentamente.

— O grupo do terceiro ano da Classe C, representado por Ninomiya Kuranosuke-kun, ficou em primeiro lugar.

Quando esse anúncio foi feito, alguns veteranos imediatamente começaram a comemorar. Por um momento, eu não sabia de quem era o grupo, mas logo percebi que era o grande grupo do irmão da Horikita. Parecia que ele havia vencido sua batalha contra Nagumo.

— Muito bem, Horikita. Exatamente o que eu esperava de você — disse Fujimaki, elogiando o irmão da Horikita, ignorando os demais anúncios.

Os grupos que ficaram em segundo lugar e abaixo foram anunciados, mas do ponto de vista dos veteranos, isso era apenas um bônus.

— Ei, Yukimura. Ficamos em segundo. Conseguimos!

— É, estou feliz. Muito, muito feliz.

Eles não anunciaram a diferença real nas pontuações, mas o grupo do Nagumo ficou em segundo lugar, então eu supunha que a margem tinha sido pequena. Todos pareciam pensar que Nagumo ficaria mais quieto agora que havia ficado em segundo, mas honestamente, eu não tinha certeza de qual estratégia prevaleceria no final.

Por quê? Bem, eu não tinha nada particularmente em jogo, mas… Nagumo estava sorrindo ao meu lado, sem nenhum sinal de aborrecimento. Aquela não era a expressão de alguém que perdeu depois de jogar a toalha de forma dramática e desafiadora.

Eu supunha que era o esperado. Esperado, ou seja, que ele estava tramando algo incrivelmente malicioso nos bastidores.

— Você conquistou o primeiro lugar. Parabéns, Horikita-senpai. Exatamente como eu esperava — disse Nagumo, falando em voz alta.

Horikita não respondeu. Ele simplesmente permaneceu em silêncio durante o restante dos anúncios. Talvez ele também estivesse começando a perceber que algo estava errado.

— Você perdeu, Nagumo — disse o veterano Fujimaki, claramente alheio ao que acontecia. Ele provavelmente achava que havia dado uma lição de humildade a um calouro arrogante.

— Parece que sim. Mas eles só começaram a anunciar os resultados, não é? — respondeu Nagumo.

— Chega. Acabou.

— Certo. Para os meninos.

— Para os meninos? Bem, sim, mas as meninas não têm nada a ver com isso. Esse era o acordo, não era, Nagumo?

— Sim. Elas não têm nada a ver com a disputa entre Horikita-senpai e eu. De forma alguma.

O rosto de Fujimaki ficou sério ao ouvir a escolha enigmática de palavras de Nagumo. Ishikura, veterano do terceiro ano da Classe B, estava ao lado de Nagumo, observando silenciosamente o que acontecia.

— Em seguida, gostaria de anunciar os resultados dos grupos femininos. Primeiro lugar vai para o grupo da terceira série da Classe C, liderado por Ayase Natsu-san.

Desta vez, algumas meninas soltaram gritos de alegria. O grande grupo que a veterana Ayase liderava incluía principalmente alunas do primeiro ano da Classe C, incluindo Horikita e Kushida. Elas provavelmente ganharam muitos pontos.

Mas a alegria durou pouco. Algo preocupante veio logo depois.

— Hum, bem… Isso é realmente lamentável, mas, infelizmente, há um pequeno grupo entre as meninas que não atingiu a pontuação necessária.

Todos congelaram ao ouvir isso. Até as alunas que comemoravam ficaram em silêncio. Todos tinham se esforçado ao máximo para não ficar abaixo da linha de corte. Mas a vida pode ser cruel. Alguém certamente seria expulso.

Agora, a única dúvida era: seria uma aluna do primeiro ano? Ou talvez uma veterana? O irmão da Horikita olhou para Nagumo como se tivesse acabado de perceber algo. Como se tentasse entender o significado do sorriso convencido que Nagumo carregava desde o início.

No entanto, já era tarde demais.

— Vou primeiro anunciar o grupo que ficou em último lugar… Esse é o grupo representado pela veterana Ikari Momoko-san, da Classe B.

Como nos meninos, não estava imediatamente claro quem estava incluído naquele grupo. Mas os gritos angustiados de algumas meninas começaram a esclarecer a situação. O grande grupo que ficou em último havia sido definido. Agora era apenas questão de qual dos pequenos grupos dentro dele tinha ficado abaixo do limite aceitável. No pior cenário, estudantes de todos os três anos poderiam ser expulsos ao mesmo tempo.

— Quanto ao grupo que ficou abaixo do limite…

O ginásio ficou ainda mais silencioso do que durante o zazen. Todos os olhos se fixaram na boca do homem idoso, ansiosos para saber os resultados.

— Também é…

O ginásio estava dividido em dois grupos: aqueles que continuavam sorrindo e aqueles que estavam ficando nervosos.

— O grupo que a Ikari Momoko-san representa. É só isso.

No momento em que o homem idoso declarou os resultados, Nagumo começou a rir alegremente, como se tivesse guardado isso para si até agora. A passagem do tempo, que parecia ter desacelerado a passos de tartaruga, voltou a fluir normalmente. No entanto, muitos dos estudantes pareciam não entender o que estava acontecendo. Por que Nagumo estava rindo porque uma aluna que ele nem conhecia seria expulsa da escola?

Uma aluna da Classe B do terceiro ano seria expulsa. Mas ele ria porque… isso não era tudo.

— O que você fez, Nagumo?! — gritou Fujimaki, que agora entendia o que estava acontecendo. Ele se aproximou de Nagumo.

O irmão da Horikita não se aproximou de Nagumo, mas mantinha uma expressão sombria.

— Ora, senpai, ainda estamos no meio dos resultados. Por favor, acalme-se. Isso não tem nada a ver com você, Fujimaki-senpai. Tem, não tem? O único acontecimento aqui é que uma aluna da Classe B será expulsa. Se bem que, isso significa que vocês ficarão ainda mais à frente dos rivais, não é? — Nagumo deu uma risadinha.

— Hum, por favor, um pouco de silêncio. Agora, é realmente lamentável, mas isso significa que a Ikari-san terá que assumir a responsabilidade pelo grupo e, portanto, será expulsa. A Ikari-san também poderá decidir invocar a regra de solidariedade e nomear outra pessoa dentro de seu grupo. Ikari-san, por favor, consulte-me depois. Em seguida, anunciarei qual dos grupos femininos ficou em segundo lugar.

Apesar de dizer que era lamentável, ele continuou a falar solenemente. Mas o irmão da Horikita já não se importava em ficar em primeiro lugar. Ele havia caído na armadilha que Nagumo havia preparado, exatamente como o Miyabi pretendia. Era justamente porque Horikita Manabu era um indivíduo íntegro e honrado que ele foi derrotado por Nagumo, que atacou de onde ninguém esperava.

— Ayanokoji, por que o Fujimaki-senpai está tão bravo…? — sussurrou Keisei em meu ouvido. — Como Nagumo-senpai disse, o representante é um aluno da Classe B. Isso não seria uma vantagem para a Classe A?

— Não, o problema não é o representante. Acho que é quem vai ser levado junto com ela.

— Hã?

Fomos ordenados a nos dispersar. Enquanto preparavam os ônibus para o retorno, tivemos tempo livre para nos trocar. Nagumo manteve-se firme, orgulhoso. Chamou uma das alunas.

— Ikari-senpai. Tenho certeza de que todos estão se perguntando quem exatamente será expulso junto com você.

A aluna da Classe B, Ikari, que estava marcada para expulsão, estava calma. Se alguma coisa, eram as outras garotas de seu pequeno grupo — composto principalmente por estudantes das Classes B e D — que pareciam preocupadas.

Eu sabia o que ia acontecer. Tinha certeza disso, graças às informações que recebi de Asahina e Kei.

E entre os membros daquele grupo… havia apenas uma participante da Classe A: Tachibana Akane. Olhei para o irmão da Horikita e falei lentamente com ele em minha mente.

Olha, eu entendi. Para garantir que todos vocês se formassem na Classe A e também para enfrentar Nagumo, você instruiu todos os alunos da Classe A, tanto meninos quanto meninas, a não assumirem o papel de representante. Certo? Porque, desde que vocês obtivessem pontuações sólidas, nenhum de vocês seria expulso.

No entanto, você sabia que isso não era uma defesa infalível. Foi por isso que aceitou o desafio de Nagumo, garantindo que a luta fosse justa, numa tentativa de se defender de sua malícia. Também evitou qualquer contato imprudente com as garotas, na esperança de reduzir o risco de Nagumo explorar essa brecha e atacá-las.

Você esgotou todas as medidas disponíveis e ainda manteve tudo civilizado, eu concedo isso. Mas, mesmo assim, a malícia de Nagumo não conhece limites. Não preciso dizer mais nada sobre isso.

Este exame especial era uma armadilha que Nagumo havia preparado sem que a escola percebesse. As pessoas que caíram em sua armadilha entendiam agora a situação em que se encontravam. Seus rostos estavam tão pálidos que pareciam prestes a desmoronar a qualquer momento.

— Ora, não é óbvio? É a aluna que garantiu que nosso grupo nunca tivesse paz. Tachibana Akane-san, da Classe A — disse Ikari com raiva, alto o suficiente para todos ouvirem.

— Nagumo… Você prometeu à Horikita que não envolveria terceiros nisso, não foi? — gritou Fujimaki, indo na direção de Nagumo, quase pronto para partir para a violência.

— Por favor, espere. Isso não tem nada a ver comigo.

— Isso é uma mentira descarada!

Fujimaki estava furioso, e era óbvio o porquê. Ninguém ali estava enganado. Nagumo sabia exatamente o que estava acontecendo.

— Bem, vou notificar a escola sobre quem arrastarei comigo — anunciou Ikari, indiferente, indo em direção ao instrutor. Sua colega Ishikura foi com ela, mantendo-se próxima.

Ninguém podia fazer nada para impedir o que estava acontecendo. Até Hashimoto reconheceu isso.

— Tachibana-senpai arrastou o grupo da Ikari-senpai — disse ele. — Como resultado, a pontuação do grupo caiu abaixo da média, então ela também será punida pela regra de solidariedade. É só isso, não é?

Diferente de Fujimaki, o irmão da Horikita chamou Tachibana, que permaneceu parada, antes de se aproximar de Nagumo. Alguns veteranos se afastaram, com expressões que indicavam que não conseguiam nem falar nada diante da situação.

— Horikita-kun, me desculpe…!

— Tachibana, por que você não me consultou antes? Certamente você deveria ter percebido que algo estava errado.

— É que… eu sabia que você assumiria o fardo, Horikita-kun… — disse Tachibana, pedindo desculpas, em lágrimas.

Ela provavelmente não percebeu no começo. Como havia sido pega em uma armadilha desde o momento em que os grupos foram definidos. Mas, com o passar do tempo, ela deve ter sentido que algo estava errado… sentido que o grupo em que foi colocada havia sido criado com o único propósito de derrubar Tachibana Akane.

E ainda assim, ela enfrentou o exame, se esforçando ao máximo na esperança de um milagre. Mas, como era de se esperar, a realidade foi cruel. Mesmo assim, Tachibana deveria estar preparada para aceitar isso. Mesmo que fosse expulsa, isso custaria à Classe A apenas cem pontos de classe.

— Ah, que bela amizade. Ou talvez devesse chamar de amor? De qualquer forma, parabéns a você, Horikita-senpai. Mais uma vez, permita-me cumprimentá-lo. Eu perdi.

Um perdedor jamais falaria no tom de voz que Nagumo usava agora. Duvidava que houvesse uma única pessoa ali que acreditasse no que ele dizia.

— Foi uma estratégia realmente fantástica. Não, talvez eu devesse dizer que foi uma estratégia que ultrapassou todas as expectativas. Não há uma única pessoa aqui que consiga ler minhas intenções, e isso inclui você, Horikita-senpai — disse Nagumo, rindo alto, sem cessar seus ataques contra o oponente ferido. — Por favor, ilumine-me, Tachibana-senpai. Como é servir no conselho estudantil, estar à beira de se formar na Classe A, para depois ser expulsa? E você, Horikita-senpai, como se sente agora? Tenho certeza de que está tomado por sentimentos de frustração que jamais experimentou antes. Hã?

Após ouvir isso, Horikita suspirou silenciosamente.

— Por que não foi atrás de mim? — perguntou.

— Porque não consigo imaginar você sendo expulso, mesmo que eu tentasse esse método com você, senpai. Eu temia que você me contra-atacasse com algo que eu não pudesse antecipar. Mas, mais importante, eu nunca realmente quis que você fosse expulso, Horikita-senpai. Se fosse expulso, não poderíamos mais nos ver, não é? Por isso, entre todos os possíveis alvos, eu fui atrás da Tachibana-senpai. Quis ver sua expressão quando a fizesse desaparecer — disse Nagumo, rindo, como se tivesse feito isso apenas por curiosidade ou por impulso.

— Entendo que temos princípios muito diferentes, mas confiei em você. Quanto à competição, pensei que você fosse capaz de me enfrentar diretamente, frente a frente. Parece que eu estava errado — disse Horikita.

Nagumo aparentemente não se ofendeu com isso.

— Confiança é muito parecida com pontos de experiência em um jogo — disse ele. — Quanto mais você acumula, mais seu valor aumenta. Acho que a forma máxima disso é a família. Se você encontra um estranho à noite, fica cauteloso. Mas se for um membro da família, você baixa a guarda. É assim, Horikita-senpai. Embora eu sinta que você não gosta muito de mim, consegui conquistar certo grau da sua confiança nesses últimos dois anos. Mesmo com valores diferentes, sempre cumpri o que prometi. Segui suas instruções e respeitei as regras. Dito isso, você é um veterano bastante perspicaz. Tenho certeza de que não confiou em mim completamente, não é?

Era seguro presumir que Nagumo sabia das ordens que o irmão da Horikita havia dado à sua turma para protegê-los e coletar informações.

— No entanto… mesmo que você tivesse suspeitas sobre mim, não era como se pudesse me trair primeiro, senpai — acrescentou Nagumo.

Essa era a desvantagem de uma política de defesa não agressiva.

— Você perdeu algo bastante significativo por causa da sua curiosidade, Nagumo.

— Oh, quer dizer sua confiança? Eu mesmo escolhi descartá-la. Para tentar entender meu senpai, que se importa tanto com seus juniores, que mal há nisso?

Nagumo provou que não ligava para promessas. Ele queria lutar sem fatores limitantes como confiança e respeito. Esse era o tipo de desafio que ele oferecia.

— Já entendi bem como você age — disse Horikita Manabu.

— Fico feliz em ouvir isso. Afinal, isso foi apenas um aquecimento — respondeu Nagumo. — Não me importo de expulsar alguém, se for necessário. É assim que esta escola funciona.

Enquanto todos os outros entravam em pânico, Horikita continuava calmo.

— Você parece estar operando sob a impressão de que a Tachibana será expulsa.

— E-Ei, Horikita-kun! — gritou Tachibana.

Mas havia uma determinação feroz nos olhos de Horikita.

— Oh, é? Achei que acabaríamos em empate, ambos perdendo algo. Mas você realmente vai gastar tudo isso? Quero dizer, isso significaria muito dinheiro e pontos de classe.

Revogação de expulsão. A ferramenta definitiva que qualquer um poderia usar, contanto que cumprisse os requisitos.

— Por favor, não faça isso. Tudo é minha culpa…

Tachibana tentou desesperadamente impedir Horikita. No entanto, parecia que Fujimaki compartilhava da opinião de Horikita, enquanto se dirigia à Classe A.

— Entendemos. Chegamos tão longe como Classe A porque entendemos isso melhor do que ninguém. Não é mesmo?

— Exatamente, Horikita. Não precisa se segurar. Use-a.

Alguns colegas falaram para demonstrar apoio.

— Você realmente concorda com isso, Horikita-senpai? Para uma turma do terceiro ano salvar uma aluna da expulsão agora, significaria basicamente abrir mão de sua posição como Classe A, sabe?

— Mesmo que desistamos da posição, tudo o que precisamos é retomá-la novamente. Como você disse, é assim que esta escola funciona.

— É mesmo? Bem, acho que tudo bem.

Miyabi provavelmente iria discutir de forma amigável a estratégia que tinha em mente a partir deste ponto. Eu já sabia qual era a estratégia. Não havia necessidade de eu ficar ouvindo cada palavra.

Além disso, não havia nada que eu pudesse fazer, mesmo se ficasse.

Horikita Suzune observava toda a situação se desenrolar, do início ao fim, ansiosamente. Ela olhava tão atentamente para o irmão que nem percebeu minha presença ao me afastar, o que estava ótimo para mim.

Saí do ginásio. Quando o fiz, vi Kei perto da entrada, parecendo me esperar. Ao sair para o corredor, ela me seguiu um pouco atrás.

— Tudo aconteceu como você disse, Kiyotaka. Você realmente sabia o que ia acontecer. Sabia que a Tachibana-senpai seria o alvo. Eu teria pensado que qualquer pessoa além do Horikita-senpai poderia ser alvo do Nagumo…

— Foram as regras do exame especial — disse eu. — Assim que ouvi que o conselho estudantil estava envolvido no planejamento, pensei que isso poderia acontecer. Certamente, qualquer um poderia ter sido alvo. No entanto, Nagumo se deu ao trabalho de preparar uma armadilha tão complexa. Se ele quisesse fincar a faca o mais fundo possível, seus alvos eram limitados. A única aluna com quem Horikita tinha uma ligação profunda era a Tachibana.

Essa foi a conclusão que tirei ao juntar as informações de Kei, Ichinose e Asahina. Também havia uma clara sensação de conluio entre Nagumo e Ishikura. Ficava evidente que aqueles dois estavam conectados. Nagumo não havia apenas reunido todos os alunos do segundo ano sob sua influência. Ele também trouxe todos os terceiros anos que não estavam na Classe A para o seu lado.

— Tenho certeza de que todos no grande grupo conspiraram para obter uma pontuação baixa. Os membros do pequeno grupo da Tachibana também devem ter segurado bastante, assim foi fácil que caíssem abaixo do limite.

Mas Kei não parecia totalmente convencida.

— Mas por que ele usou a Classe B? Teria sido suficiente se tivesse colocado uma estudante da Classe D como representante. Quero dizer, já que ele usou a Classe B, isso significa que o Horikita-senpai ainda está na Classe A, certo? Se o Nagumo quisesse derrubá-lo para a Classe B, não deveria ter escolhido uma estudante da Classe D?

Kei tinha uma boa percepção. Ela estava certamente certa. Se esse fosse o objetivo do Nagumo, teria sido uma excelente estratégia fazer uma estudante da Classe D a representante, diminuindo assim a diferença entre as Classes A e B. Ou pelo menos, seria o que se suporia normalmente.

— É justamente por ser a Classe B que isso foi possível. Se a Tachibana cumprisse suas tarefas durante este exame especial sem problemas, não seria fácil expulsá-la via regra da solidariedade. A menos que as três classes se unissem, a estratégia não seria viável. Vamos considerar a Classe D do terceiro ano. Eles têm menos chance de chegar à Classe A antes da formatura, dado o contexto atual. Se uma estudante da Classe D fosse a representante, ela poderia escolher nomear uma estudante da B ou C para cair junto, a fim de elevar sua própria classe, mesmo que seja apenas um nível. Mas seria inútil prejudicar uma aluna de uma classe inferior neste ponto.

Por outro lado, se olhássemos da perspectiva dos alunos da Classe D ou C que não eram representantes, provavelmente ficariam felizes em ajudar a derrubar alunos das Classes A e B. Por isso, o grupo da Ikari se uniu para demonizar completamente a Tachibana, fazendo dela a vilã. Se algo, elas provavelmente a assediaram de forma flagrante e maliciosa. A Tachibana provavelmente não conseguira dormir à noite.

E, como resultado, elas não conseguiram boas notas no final. Mesmo que a média da classe fosse mediana, se aparentasse que a Tachibana segurou o grupo durante toda a semana, isso já seria suficiente para pintá-la como alvo.

Se alguém reclamasse, haveria uma discussão. Mas se todo o pequeno grupo conspirasse para afirmar que a Tachibana foi um obstáculo em momentos e de maneiras que não eram visíveis publicamente, a escola teria que reconhecer isso. Claro, isso estabeleceria um precedente ruim, mas provavelmente fariam algumas alterações nas regras para o próximo exame especial em alguns anos.

E assim, a estratégia elaborada de Nagumo se completou, abrindo o caminho para a expulsão da Tachibana.

— Mas espere, como ele conseguiu executar uma estratégia dessas? Se eu fosse uma aluna da Classe B, com certeza não aceitaria ser expulso pelo bem da minha classe. Qual seria a recompensa? — perguntou Kei.

— Não sei que tipo de recompensa houve, mas a Ikari não será expulsa.

— Hã? Mas ela era a representante, não era?

— Eles provavelmente previram que o Irmão Horikita usaria aquela opção de salvação. Pagando vinte milhões de pontos privados e trezentos pontos de classe, ele pode revogar a expulsão de um aluno. Como o Horikita usou essa opção, o Nagumo aceitou que a Classe B também a usasse.

— Bem, agora não consigo entender o que ele ganhou com tudo isso. Se é que não é uma perda, né?

— Gastar esses pontos de classe vai doer, mas se a Classe A tivesse que usar a mesma salvação, a diferença entre as classes não aumentaria. Quanto aos pontos privados, isso não vai prejudicá-los em nada.

— Então a Classe B do terceiro ano é tão rica assim?

— Não. A condição inegociável da estratégia de Nagumo era que ele pagaria todos os pontos privados sozinho. Se não fizesse, não haveria como eles cooperarem.

É muito provável que Nagumo tenha contatado Ishikura no ônibus e pago os vinte milhões de pontos antecipadamente. A prova disso estava no comportamento calmo de Ikari e Ishikura.

— A turma do segundo ano é um monólito. Se ele tivesse recolhido o dinheiro de todos os segundos anos, não precisaria de quinze mil por pessoa. Salvar um aluno da expulsão poderia ser barato.

— Que jeito seriamente insano de lutar. Isso definitivamente não é normal.

— É assim que Nagumo Miyabi faz as coisas. Simples assim.

Ele não elaborou uma estratégia depois de ver como era o exame. Ele criou a estratégia e depois estruturou o exame. A Classe A, liderada pelo Irmão Horikita, teria que pagar vinte milhões de pontos privados no total, como uma única classe. Um dano considerável. Eles ainda poderiam enfrentar um ou dois exames especiais antes de se formarem e acabaram de perder uma quantia astronômica de dinheiro.

Se o Irmão Horikita fosse expulso no próximo exame, não teria dinheiro suficiente para se salvar. A salvação estaria perdida.

— Acho que é hora de seguirmos caminhos separados.

— Espera, mais uma coisa — Kei insistiu. — Não consigo pensar em nenhuma maneira de contra-atacar a forma como o Nagumo-senpai pensa. O método que ele usou para colocar a Tachibana-senpai na linha de expulsão… É tipo, a armadilha perfeita ou algo assim. Foi por isso que você não agiu, Kiyotaka?

— É uma estratégia realmente formidável. O Nagumo já tinha um xeque-mate preparado antes que seu oponente entrasse no jogo.

Isso estabelecia um bom precedente. Pontos privados poderiam ser poderosos.

— E se eu acabar na mesma situação que a Tachibana-senpai…? Em uma situação em que nem sequer é possível usar uma salvação? Quer dizer, não haveria nada que pudesse ser feito nesse momento, certo? — perguntou Kei, em voz baixa.

— Nem precisa que eu responda, não é? Eu não vou deixar você ser expulsa. Não importa os métodos que eu precise usar.

No final, Horikita Manabu escolheu abrir mão dos pontos de classe e privados da Classe A, salvando assim Tachibana Akane. Como eu previa, Ishikura, da Classe B, fez o mesmo para salvar Ikari. Um acontecimento extremamente incomum: duas classes utilizando a opção de salvação ao mesmo tempo.

A partir desse momento, alunos de todos os anos na Advanced Nurturing High School começariam a ser expulsos, um após o outro.



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