Ano 1 - Volume 8
Capítulo 6: O Que Se Perde, O Que Não Se Perde
ERA CEDO NA MANHÃ do sétimo dia. O último dia completo. O teste final aconteceria na manhã seguinte. Embora o raciocínio rápido de Hashimoto tivesse impedido que nosso grupo desmoronasse, as alianças que havíamos desenvolvido aos poucos, à medida que nos aproximávamos, terminariam com aquele teste. Provavelmente havia mais de algumas pessoas ali que sentiam um certo receio de se separar.
No fim das contas, apesar do desgosto por Koenji, eu achava que a maioria dos estudantes do nosso grupo estava se dando bem. Bem, Ishizaki provavelmente me odiava ainda mais do que odiava Koenji, mas fazia o possível para não demonstrar. Ele provavelmente não queria nada além de me confrontar, mas sabia exatamente o que aconteceria se tentasse.
Ishizaki era como Sudou, no sentido de que ambos perdiam a paciência com facilidade e tinham um jeito grosseiro de falar. No entanto, Ishizaki era mais astuto que Sudou. Também tive a impressão de que ele respeitava seus adversários e reconhecia sinceramente suas forças. Provavelmente por isso Ryuen o mantinha por perto.
Isso não significava que Sudou era inferior a Ishizaki. Ele era muito mais atlético e, naquele momento, provavelmente também melhor que Ishizaki academicamente. Enquanto Horikita o ajudasse, Sudou continuaria a evoluir. Ele e Ishizaki podiam ser parecidos, mas tinham armas diferentes à disposição.
— Quero falar sobre a maratona de revezamento amanhã. Por favor, me escutem.
Todos, ainda deitados, olharam para Keisei.
— Somos apenas dez, então cada pessoa vai carregar uma grande responsabilidade. Mas dependendo de como as coisas se desenrolarem, talvez possamos virar isso a nosso favor.
—Como assim? Não seria melhor ter mais pessoas, para que cada uma corresse uma distância menor? Não seria mais fácil?
— É verdade que, se quinze pessoas dividissem o esforço igualmente, cada uma teria menos para fazer. Mas quanto maior o grupo, maior a probabilidade de termos alunos lentos na equipe. Posso contar nos dedos de uma mão quantos são bons em maratonas de longa distância.
— É, você tem um ponto.
— Em outras palavras, esta é a nossa chance de diminuir a diferença.
— Mas isso assumindo que todo o nosso grupo seja atlético, né?
Ishizaki olhou ao redor. Eu poderia ser considerado atlético, mas como não podíamos contar de verdade com Koenji, isso significava que o único outro corredor do grupo era Hashimoto. Não tínhamos exatamente um excesso de pessoas rápidas.
— Isso vai parecer patético, mas… apesar de tudo que eu disse, provavelmente não serei útil — disse Keisei.
Ele conhecia melhor que ninguém suas limitações. De todos no grupo, Keisei tinha a pior resistência e velocidade. Mas, como representante, ele apresentou um plano.
— A maratona de revezamento tem dezoito quilômetros. As regras dizem que cada pessoa deve correr no mínimo 1,2 quilômetros. Então, em um grupo de quinze, todos correriam a mesma distância: 1,2 quilômetros cada. No entanto, em um grupo de dez pessoas, podemos fazer alterações significativas na distribuição das distâncias.
— Não podemos simplesmente dizer que alguém está machucado e não pode participar, certo?
— Qualquer ausência naquele dia por lesão ou doença resultará em penalidade. Além de causar mais problemas para os outros, também perde-se tempo. Isso não é bom. Além disso, o ponto de troca tem que ser a cada 1,2 quilômetros.
A escola trabalhava duro para eliminar quaisquer brechas. Os estudantes teriam que fazer o que era exigido. Então Keisei e Yahiko, que não tinham confiança na velocidade, teriam que correr a distância mínima de 1,2 quilômetros. Os três garotos da Classe B poderiam ser colocados nesse mínimo também.
Albert era razoavelmente rápido, mas o problema era sua resistência. Mesmo que todos os outros corressem o mínimo, os quatro restantes teriam que correr uma média de 2,7 quilômetros cada, senão mais… mas alunos habilidosos em maratonas longas provavelmente seriam capazes disso. O que significava que os pensamentos que me vinham à mente eram exatamente os que Keisei estava considerando.
— Nesse caso, vou correr 3… não, farei 3,6 quilômetros — declarou Ishizaki. Ele era certamente um dos poucos membros do grupo capaz de aguentar isso.
Outra pessoa levantou a mão.
— Nesse caso, parece que eu vou fazer o mesmo. Não me saio mal em corridas longas — disse Hashimoto. Dois dos membros mais qualificados do grupo prometeram de forma sincera assumir uma parte significativa da carga. Isso significava que já tínhamos coberto 7,2 quilômetros.
— Obrigado.
Keisei se curvou em sinal de gratidão. Se era assim que as coisas iam, eu supus que precisaria cobrir uma certa distância também.
— Então… vou tentar fazer o que puder. Mas não sei quão rápido consigo correr — disse eu a Keisei.
— Está certo, Kiyotaka?
— Só não espere muito de mim.
No entanto, a parte crucial era o que vinha a seguir. O homem conhecido como Koenji — a pessoa com maior potencial aqui, o aluno que liderava nossa classe em resistência e atletismo, a quem nem Sudou chegaria perto. Quanto mais Koenji corresse, mais fácil seria para os outros alunos. Ele provavelmente correria a distância mínima de 1,2 quilômetros, mas ainda não havia prometido fazer mais do que isso.
Mais importante, não havia como saber se ele realmente correria a sério. Mesmo que nós nove déssemos nosso máximo, estaríamos perdidos se Koenji decidisse caminhar pelo percurso.
— Koenji. Eu gostaria que você corresse também.
Era justamente por estar ciente de ser o elo mais fraco que Keisei baixou ainda mais a cabeça ao se dirigir a Koenji.
Koenji estava sentado na cama, olhando para suas unhas e sorrindo.
— Koenji.
Keisei chamou seu nome novamente, de forma calma.
— Correrei, é claro. No entanto, ao contrário desses rapazes, não estou muito inclinado a correr longas distâncias — disse Koenji.
Bem, não seria do feitio dele concordar de imediato. Ishizaki lançou um olhar feroz para Koenji, mas não tentou pressioná‑lo. Nos últimos dias, ele começara a entender melhor as ações de Koenji, inclusive seu aparente descaso.
— Gostaria de evitar que nosso grupo ficasse em último lugar.
— Suponho que sim. Entendo o que você quer dizer, Óculos-kun.
Desviando o olhar das unhas, Koenji lançou um breve olhar a Keisei.
— Mesmo que correr longas distâncias seja impossível, correrei ao menos 1,2 quilômetro com esforço sério.
Todos no grupo olharam para Koenji.
— Não posso prometer nada. Mesmo que nosso grupo termine em último, não é como se eu fosse expulso. Apenas você, o representante, será. Você certamente não faria algo tão desumano quanto arrastar um colega para a ruína com você. Não é verdade?
Se o representante tivesse sido alguém como Ishizaki ou Yahiko, talvez Koenji corresse. Mas como era Keisei, um colega de classe, ele se considerava seguro. Se o ameaçássemos com expulsão de qualquer maneira, havia uma pequena chance de conseguirmos fazê‑lo correr agora — mas ao custo de jamais conseguir sua cooperação novamente.
— Então me diga. O que precisamos fazer para que coopere? Se pagar pontos privados ajudar, eu pago — disse Keisei. Mais uma vez, justamente por saber que era a maior fraqueza do grupo, ele estava disposto a pagar do próprio bolso.
— Não carregue esse peso sozinho, Yukimura — disse Hashimoto. — Eu não tenho muito, mas tenho pontos.
— Eu também pago.
Yahiko e os outros rapazes se juntaram, concordando em ajudar. Como dizem, cada grão conta. Se nós nove juntássemos nossos pontos, teríamos uma quantia considerável. Como Koenji reagiria ao desejo unificado do grupo?
— Infelizmente para vocês, não estou exatamente sofrendo por falta de pontos privados. Além disso, eu poderia levar uma vida plena na escola mesmo sem ponto algum, sabem.
Como eu havia previsto, ele não se comoveu nem um pouco com a oferta de dinheiro. Pedir que desse o melhor pelo bem do grupo era claramente inútil também. Todos ali, inclusive eu, havíamos quebrado a cabeça nos últimos dias tentando pensar em uma forma de fazê‑lo cooperar. Os veteranos também haviam tentado. E todas as tentativas haviam fracassado.
— Você está dizendo que não vai correr por nós?
— Sim, suponho que sim — disse Koenji após pensar por um instante. — Não parece que eu seria um trunfo para vocês.
Ishizaki, que vinha se segurando esse tempo todo, se levantou para avançar contra Koenji, mas Keisei o conteve.
— No entanto, fiquem tranquilos quanto a uma coisa. Embora eu não pretenda fazer mais do que o necessário, farei o mínimo exigido. Tenho meu próprio modo de fazer as coisas, sabem.
— Então isso significa… que você vai apresentar um resultado mediano?
— Correto. Naturalmente, mesmo fazendo apenas o mínimo, ainda assim provavelmente apresentarei resultados superiores. Suponho que isso seja uma boa notícia para vocês, não é?
Eu sentia que todos ali entenderam o significado por trás daquilo. Finalmente começávamos a nos sentir como um time, ainda que só um pouco. Começávamos a pensar no que poderíamos fazer uns pelos outros, como amigos.
Minha análise, porém, dizia que a realidade era outra: Koenji estava agindo apenas por interesse próprio. Ele sempre tivera comportamentos imprevisíveis em todos os exames, mas nunca a ponto de ser expulso. Koenji havia calculado que havia 99% de chance de Keisei não arrastá‑lo com ele, mas isso ainda deixava uma mínima possibilidade. Se ele tivesse um desempenho ruim, a escola registraria isso, e então ele não teria como escapar da regra de solidariedade se fosse aplicada. Um sujeito como ele não cometeria esse erro.
— Que diabos você quer dizer com "resultados excelentes"? Você nem consegue fazer algo como zazen direito.
— Heh. Dominei coisas como zazen na minha primeira infância. Não é problema.
— Como foi sua infância, afinal?
Koenji apenas riu, ignorando a pergunta. Ainda assim, isso já era o suficiente para Keisei. Mesmo que não tivesse intenção de cooperar, Koenji havia prometido fazer o mínimo. E isso, por si só, era enorme. Como colegas de classe, sabíamos a extensão do potencial dele.
Ainda havia incógnitas — como o zazen e a prova escrita — mas ao menos poderíamos contar com sua aptidão física para a maratona.
*
Com um problema resolvido, era hora da limpeza matinal. Quando Keisei estava prestes a começar a varrer, Ishizaki foi até ele e pegou o pano.
— Descanse. Se você não puder correr no revezamento, será pior.
— Mas…
— Descansa. Em troca, dê o seu melhor na prova escrita. Tire pelo menos 120%, ouviu?
— Certo. É impossível tirar 120%, mas… vou mirar nos 100…
Parecia que Ishizaki finalmente havia entendido o que significava dar e receber. Keisei agradeceu, aliviado, e sentou‑se.
— Muito prudente de sua parte, Delinquente‑kun.
— Cala essa boca ou eu te mato, Koenji. Você não fez porcaria nenhuma desde o primeiro dia!
— É mesmo? Hahaha!
Koenji não pegou pano nem vassoura. Em vez disso, saiu, caminhando tranquilamente para aproveitar a natureza. Mesmo com os veteranos observando, ele agia com arrogância.
— Esse cara é uma doença. Vocês conseguem mesmo subir de classe com ele atrapalhando?
Até o pessoal da Classe D sentia pena de nós.
— Eu não diria que estou confiante.
Keisei sempre sonhara em subir de classe, mas Koenji era uma variável completamente imprevisível. O desempenho dele no dia seguinte teria um enorme impacto nas nossas notas. Ele havia prometido fazer o mínimo durante nossa conversa matinal, mas isso não garantia nada. Era totalmente possível que simplesmente fugisse das obrigações assim que estivesse fora da vista.
Se ele se recusasse a participar até mesmo de algo como a limpeza, havia uma chance bem real de ficarmos em último lugar. Se isso acontecesse, até os veteranos que até então haviam fechado os olhos para ele poderiam, de repente, mostrar os dentes. Embora eu geralmente considerasse Koenji uma pessoa calculista que não faria algo tão tolo, sua irracionalidade completa e total me deixava alerta para a possibilidade de que ele pudesse trair minhas expectativas.
Percebendo a ansiedade de Keisei, Ishizaki se aproximou.
— Não se preocupe. A gente só precisa compensar por ele.
— Isso definitivamente não parece coisa sua. Você se tornou muito mais compreensivo em apenas um dia.
— Cale a boca, Hashimoto. Tem algum problema com isso?!
— Nenhum problema. A classificação do nosso grupo impacta meus próprios planos. Eu gostaria que a gente ficasse pelo menos uma posição acima do último lugar. Não é, Yahiko?
— Pois é. Como nosso grupo é complicado, não temos escolha a não ser fazer o nosso melhor. Se tirarmos uma nota baixa, Katsuragi-san vai ficar desapontado com a gente — disse Yahiko.
Hashimoto sorriu de lado enquanto dava um leve tapa no ombro de Yahiko, que estava concentrado em Katsuragi como sempre. Yahiko devia estar ciente de que ele nos atrasaria em atividades como a maratona. Desde o início do teste, ele vinha se comportando de maneira bastante humilde.
— Já enfrentei Katsuragi muitas vezes por ordem de Sakayanagi. Você provavelmente guarda rancor disso, mas agora somos aliados de verdade. Por favor, esqueça o passado.
— Hmm. Talvez.
Yahiko não gritou nem fez cena, mas tive a impressão de que sua confiança em Hashimoto tinha limites. Alguma parte dele provavelmente não podia perdoar Hashimoto pelo modo como Katsuragi fora prejudicado por seus próprios colegas até agora.
— Você não foi quem colocou Katsuragi-san como representante? — perguntou Yahiko.
— Não tive nada a ver com isso. Esse foi o plano de Matoba.
Yahiko não parecia convencido. Mas se controlou, escolhendo não atrapalhar o grupo. Tive que reconhecer isso.
*
Era nosso jantar final antes do exame. Vi Ichinose passando com uma bandeja e chamei por ela. Não estava tentando extrair informações; era só que… algo nela parecia um pouco estranho.
— Algo te incomodando?
— Hã? Ah, Ayanokoji-kun. Nada, sério. Só estava pensando em algumas coisas.
— Você está enfrentando um problema difícil, né?
Ichinose parecia prestes a ir embora, mas então parou.
— O exame final é amanhã. O que você acha desse teste, Ayanokoji-kun?
— Essa é uma pergunta bem indireta.
— Quero que me diga seus pensamentos sinceros.
— Acho que parece diferente dos exames que tivemos até agora. Um pouco mais difícil. Há um alto risco de expulsão.
— Entendi. Mas agora estamos no terceiro semestre. Não é natural que as coisas fiquem mais difíceis?
— Acho que sim.
— Falando em riscos, esse sistema de representantes é assustador, né? Ser o líder de um grupo.
— Sim.
— Ser o representante é muito arriscado, mas… ser representante pelo bem de vencer também é importante, não? — Não discuti, apenas ouvi atentamente o que ela tinha a dizer.
— Mesmo que você diga que há risco de expulsão, acho que é meio que… tudo fica no ar, de alguma forma. Não parece real. …Para ser honesta, ainda há muita coisa que está escondida de mim. Mas o que realmente me assusta não é perder pontos de classe ou pontos privados.
— Você está falando dos seus colegas de classe?
— Sim. O risco de perder um deles é inimaginável.
— Se um colega fosse expulso, o que você faria? — perguntei.
— O que eu faria? — Ichinose olhou para cima lentamente, com um sorriso tênue no rosto. — Ayanokoji-kun, você é realmente esperto, não é?
— Por que diz isso?
— Quero dizer, normalmente, não há nada que você possa fazer se alguém for expulso, certo? Mas você sabe que sempre há um jeito.
— Era uma pergunta hipotética.
— Se fosse realmente hipotética, você não teria usado a palavra "faria", né? Você diria "O que aconteceria?" ou formulava de outra forma, tipo: "Sua classe ficaria bem?" ou algo assim.
—Desculpe. Você está me dando muito crédito. Minhas habilidades com linguagem não são tão avançadas.
— Mesmo assim, acho que você tem uma intuição muito respeitável.
Ela então disse que havia se empolgado conversando e que nos veríamos mais tarde. Ichinose se afastou, provavelmente carregando várias coisas que precisava ponderar sozinha. Observei outros alunos chamando por ela enquanto ia embora. Ser popular era difícil. Mesmo quando você só queria um tempo para pensar, as pessoas não te deixavam em paz.
Ainda assim, Ichinose sempre tinha um sorriso no rosto. Mas hoje, parecia que não era o caso.
— Sim. Desculpa, eu só não estou me sentindo bem hoje — disse Ichinose, afastando-se de duas garotas próximas a ela. Sua voz estava desanimada. — Desculpem. Só tenho algumas coisas acontecendo. Eu gostaria de ficar sozinha hoje.
Isso não era fingimento. Ela parecia uma pessoa completamente diferente daquela do primeiro dia no acampamento.
Ao ver aquilo, eu entendi. Sakayanagi havia feito seu movimento. A tempestade que se aproximava não atingiria apenas os garotos. As garotas também estavam prestes a sofrer as consequências.
*
Como era o último dia antes do exame, as coisas tinham mudado drasticamente. O clima na cafeteria permanecia o mesmo, mas era fácil perceber quem estava rindo e quem estava deprimido. Em resumo, havia uma diferença clara entre os grupos que iam bem e os que não iam tão bem.
Quando saí para o corredor, Kei estava lá, encostada na parede perto da entrada da cafeteria.
Ela me entregou discretamente um pedaço de papel ao passar por mim e, em seguida, entrou na cafeteria, provavelmente para se encontrar com as amigas. Quando nos separamos, dei uma olhada no bilhete e depois o rasguei, distribuindo os pedaços em várias lixeiras espalhadas pelo prédio.
Ela tinha aguentado bem durante a semana, mas parecia ter finalmente chegado ao limite.
Caminhei até um canto do prédio escolar, onde a pessoa que Kei estava observando por mim tentava conseguir um momento sozinha. Solidão era um recurso escasso neste acampamento. Havia sempre a madrugada, claro, mas as pessoas perceberiam se você sumisse do quarto compartilhado por muito tempo. A melhor opção era aproveitar o momento em que todos estavam reunidos na cafeteria.
Segui a pessoa em questão e a vi se abaixar, como se estivesse tentando se esconder. Ela não percebeu minha presença. Observei enquanto tentava conter as lágrimas, e hesitei, pensando no que fazer.
Mas, por mais difícil que fosse encontrar esse lugar, não havia como saber quando outro estudante poderia aparecer.
Eu precisava resolver isso rápido.
— Se você está com algum problema… talvez devesse conversar com o ex-presidente do conselho estudantil?
— Hã?!
Tachibana Akane, estudante do terceiro ano da Classe A, ergueu o rosto para mim. Em pânico por ter sido vista naquele estado lamentável, ela rapidamente enxugou as lágrimas.
— O que foi?

— Nada. Exatamente o que eu disse.
— Não estou em nenhum problema ou coisa assim.
— Se você está chorando mesmo sem estar em problema, isso pode ser um problema por si só.
— Eu não estou chorando!
Enquanto dizia isso, Tachibana desviou o olhar de mim. Provavelmente ela não se movia do lugar porque sabia que seus olhos vermelhos e o rosto molhado seriam visíveis se ela fosse para um lugar bem iluminado.
— Às vezes só quero ficar sozinha.
— É verdade. Não temos muito tempo privado, né?
Os intervalos para ir ao banheiro eram praticamente tudo que tínhamos, e só podíamos usá-los por um tempo limitado. Sempre havia alunos entrando e saindo, vendo você ali.
— Para constar, estou do lado da ex-presidente Horikita.
Isso era mentira. Mas se eu dissesse isso, Tachibana confiaria mais em mim.
— Tanto faz. Você não vai ajudar em nada.
Bem… dito assim, eu não tinha resposta. Na verdade, se continuasse, poderia acabar revelando algo que não queria.
— Só considere que é melhor não sermos inimigos.
— Ok, você pode parar de falar com os senpais de um jeito tão casual? Eu não disse nada antes porque o Horikita-kun estava lá, mas…
Mais do que a repreensão, o que me chamou atenção foi ela ter chamado ele de "Horikita-kun". Normalmente ela continuava chamando de Presidente Horikita, o que já era estranho, dado que ele não estava mais no cargo. Ela poderia usar a palavra "ex" antes do título, mas a forma como Tachibana se referiu a ele foi incomum.
— Vocês… Deve ser bom ser calouro. Tão despreocupado.
— Uau, você parece bem assustada. Está ansiosa pelo teste de amanhã?
— Não sinto nada. A vaga de representante está em jogo e tal, mas as coisas não estão ruins entre as pessoas do nosso grupo. Na verdade, as coisas estão indo muito bem.
— Então por que você está chorando?
— E-Eu te disse, eu não estava chorando!
Quando apontei para os olhos de Tachibana, ela entrou em pânico e tocou o rosto para ver se alguma lágrima havia brotado. Quando percebeu que eu havia enganado ela, me lançou um olhar irritado.
— Horikita-kun… é dele que eu me preocupo.
Isso era mentira… e ao mesmo tempo, não. Mas eu não tocaria nesse assunto ainda.
— Preocupação, hein? Há realmente algo para se preocupar com esse cara?
— Horikita-kun… Horikita-kun tem lutado sozinho por muito tempo. Ele tem enfrentado os alunos do segundo e terceiro ano o tempo todo. Você não tem ideia de como é difícil ter que enfrentar todos sozinho.
Verdade. Eu nunca entenderia isso, mesmo se tentasse.
— Eu sei um pouco sobre como os segundos anos, especialmente o Nagumo, são inimigos dele — disse eu. — Mas ele também tem inimigos entre os terceiros anos? Poucas pessoas se rebelariam contra o ex-presidente do conselho estudantil, certo?
— Você acha que Horikita-kun é algum tipo de ditador? Mesmo quando era presidente do conselho estudantil, ele nunca fazia tudo à sua maneira, como Nagumo-kun. Você nunca pode se descuidar em nenhum teste.
Nunca tinha tido a oportunidade de aprender sobre os assuntos internos dos terceiros anos. Eu não sabia nada sobre o histórico do Horikita mais velho. Mas se ela dizia que não podiam se descuidar em nenhum exame, isso significava…
— Espera. Você quer dizer que o conflito entre as turmas dos terceiros anos ainda continua?
— Se Horikita-kun falhar, a Classe A definitivamente cairá.
— Hum.
Nagumo tinha dito a mesma coisa. Ele mencionou que a diferença entre as Classes A e B do terceiro ano era de apenas 312 pontos. Se o irmão Horikita era a principal arma da Classe A, ou se a Classe B tinha um aluno excepcional guardado, era totalmente possível que a liderança deles fosse derrubada.
— Então, mesmo ele é apenas um estudante normal.
— Horikita-kun é…! Nada. Esquece.
Ela elevou a voz sem querer, mas depois se acalmou. Tachibana começou a falar mais devagar desta vez, como se estivesse deixando a frustração sair.
— É porque o resto de nós da Classe A sempre atrasa a turma. Perdemos muitos pontos que não deveríamos, até pontos individuais… Ele está sempre se sacrificando para proteger os colegas.
Se o que Tachibana dizia fosse verdade, então o Irmão Horikita era muito parecido com Hirata — o que me surpreendeu, para ser honesto. Claro, se Tachibana, que realmente estava na Classe A do terceiro ano, dizia isso… tinha que haver algum grau de verdade. Eu suspeitava que, provavelmente, muitas vezes o Horikita mais velho lidava com as coisas nos bastidores, então ninguém via o quão virtuoso ele era. E a pessoa que mais presenciava essas ações, estando ao lado dele mais do que qualquer outro, era esta garota.
— Então você está deprimida com a situação atual?
— Até eu ouvi sobre o que está acontecendo com os garotos. Inclusive que Nagumo-kun desafiou Horikita-kun para uma disputa, e por causa disso ele não pode agir. Não podemos ajudá-lo de jeito nenhum.
— Isso depende de quão persistente você é, não é?
— Eu sei disso.
Talvez lágrimas novas tenham surgido em seus olhos, porque Tachibana as enxugou com o braço mais uma vez. Sua preocupação com o Irmão Horikita podia ser uma das razões de seu choro, mas eu apostaria que havia mais por trás disso.
— Você está em algum tipo de problema, não está?
— Não estou. Não realmente.
— Não realmente?
— Você é insistente, né? Eu não estou em nenhum tipo de problema.
— Se você diz, devo estar enganado.
— Está enganado. Por favor, não diga nada estranho para Horikita-kun.
— Ok.
Com esse aviso severo, Tachibana voltou para a cafeteria. Provavelmente não queria que o irmão Horikita soubesse a verdade sobre o que estava acontecendo com ela. Mas ela havia cometido um erro de julgamento. Isso não era um problema que se resolvia se sacrificando.
— Suponho que isso significa xeque-mate se eu não agir, né?
Observando as costas frágeis e esbeltas de Tachibana enquanto ela se afastava, tive certeza desse fato.
*
Eram meia-noite quando fui acordado por um leve rangido. Um aluno solitário se movia na escuridão total. Claro, apesar da falta de visibilidade, eu ainda sabia quem era — Hashimoto, que deveria estar dormindo no beliche acima do meu naquele momento. Ele desceu do beliche sem fazer um som e saiu do quarto sem nem levar uma lanterna. Quando ele se foi, sentei-me devagar.
Provavelmente era só uma ida ao banheiro, mas outras possibilidades também existiam. O que me chamou atenção foi o fato de que, na última semana, Hashimoto não tinha saído do quarto nenhuma vez à noite para ir ao banheiro.
Depois de lhe dar uma pequena vantagem, levantei-me e o segui. No caso de ele estar parado do lado de fora da porta, eu apenas diria que tinha me levantado para ir ao banheiro também. Dividíamos o mesmo beliche; Hashimoto pensaria que apenas me havia acordado.
Entrei no corredor com cuidado. Mesmo que a única iluminação viesse das luzes de emergência e de um fio de luar, eu conseguia andar sem lanterna. Hashimoto seguiu em direção ao banheiro, depois desapareceu da minha visão. Comecei a segui-lo. Logo o vi virar à esquerda, embora o banheiro ficasse mais adiante no corredor.
Então, aparentemente, ele não precisava do banheiro. Hashimoto desceu até o primeiro andar e saiu, ainda usando chinelos de dentro de casa. Escondi-me, abraçando a parede. Não havia outros estudantes por perto. Talvez ele simplesmente tivesse saído para tomar um pouco de ar fresco porque não conseguia dormir. Ou talvez estivesse esperando por alguém?
A resposta para minha pergunta veio imediatamente.
Sentindo que ele iria se aproximar de onde eu estava, me movi para outro lugar quando vi outra sombra, que supus ser o alvo dele. A sombra seguiu o mesmo caminho que Hashimoto e saiu. Estava tão silencioso que não se ouvia nem insetos; qualquer sussurro parecia soar como um sino claro.
— Ei, Ryuen — disse Hashimoto.
— Que diabos você quer comigo?
— Só queria conversar. Quero dizer, você se destaca demais na cafeteria, cara. A única hora que posso falar com você é no meio da noite.
— No último dia?
— É. Chamei você aqui porque é o último dia. Agora, todo mundo está dormindo profundamente.
— Entendi. Acho que você tem um ponto.
Nenhum estudante ficaria acordado de propósito até tarde da noite quando havia prova no dia seguinte. Mesmo assim, Ryuen e Hashimoto… era uma combinação que eu não esperava. Por outro lado, Ryuen tinha formado um vínculo com a Classe A durante nosso tempo na ilha desabitada. Não me surpreenderia se Hashimoto tivesse atuado como intermediário.
— Olha, não sou bom em falar indiretamente. Então quero uma resposta direta. Você realmente deixou de ser líder da turma?
— Heeheehee. Parece que você não acredita, hein?
— Pelo menos, não acredito que Ishizaki e os outros tenham te pressionado — respondeu Hashimoto, focando no detalhe que chamava sua atenção. De fato, a ideia de Ishizaki bater em Ryuen era meio absurda.
— Tirando o Ishizaki, Albert é problema. Se realmente nos enfrentássemos, seria brutal.
— Entendi. Bem, Albert certamente é uma ameaça, acho. Mas o Ryuen Kakeru que eu conheço não é do tipo que se acovarda diante de um oponente. Se tem alguma coisa, ele está sempre pensando em contra-ataques, não é?
Em vez de diminuir as suspeitas de Hashimoto, o que Ryuen disse só as reforçou.
— Cansei de tentar unir pessoas que continuam se rebelando contra mim. Enquanto eu continuar drenando vocês da Classe A, estou tranquilo. Não tenho nenhuma obrigação com os outros.
— Entendi. Então é isso.
— Consegui te convencer?
— Não tenho certeza. Estou dividido. Pessoalmente, acho que quero que você lute contra a situação em que está.
— Para poder ganhar mais uns trocados, né?
— Exato. Quero a promessa da Classe A. Igual a você.
Se você conseguisse acumular vinte milhões de pontos, poderia comprar o direito de entrar na Classe A. Um estudante com essa capacidade podia ficar tranquilo — uma situação invejável. Tornar esse objetivo realidade era difícil, mas parecia que Hashimoto era um dos estudantes que miravam nisso.
— Se a promessa de vitória é o que você deseja, estou supondo que você está preparado para se livrar de Sakayanagi?
— Se for necessário.
Hashimoto continuou:
— Trair Sakayanagi não é barato, Ryuen. Agora ela está no topo da nossa turma. Eu estou do lado vencedor. Entendeu?

— Vamos ver o quão oportunista você realmente é.
— Sou bom em me dar bem no mundo. Você deveria saber que consigo me sair bem. De qualquer forma, fico feliz de poder conversar diretamente com você. Parece que você ainda não perdeu o fogo — Hashimoto bocejou e acrescentou mais uma coisa. — Quando você foi ultrapassado pela classe do Hirata, fiquei pensando que diabos você estava fazendo. Mas talvez eles sejam um grupo difícil, afinal.
— Hã?
— Se você analisar cada membro com a cabeça fria, dá pra ver que eles são bem equilibrados. Quero que sejam esmagados o quanto antes.
— Huh. Pensar que um cara como você estaria avaliando eles. Alguém em especial chamou sua atenção?
— Koenji é uma ameaça, no mínimo. Para ser honesto, se ele começasse a agir de forma vantajosa para a própria classe, não dá pra prever o que aconteceria com a Classe A. Eles também têm estudantes academicamente fortes, como Hirata e Yukimura, e o Sudou, que é facilmente um dos mais atléticos do nosso ano.
— Não sei sobre esses outros aí, mas não consigo imaginar o Sudou fazendo algo tão extraordinário.
Hashimoto riu, concordando.
— Enfim, não dá pra saber o que vai acontecer, mas tem algo que você deve ter em mente. Mesmo que o grupo do Hirata consiga chegar à Classe A, estou tranquilo desde que haja espaço para eu entrar também.
— Duvido que você tenha esse poder todo. Tente não se queimar — disse Ryuen com deboche, como se encerrasse ali a conversa.
— É uma merda, mas prolongar isso é um incômodo.
— É.
Achei que eles encerrariam ali, então me preparei para me mover. Hashimoto provavelmente voltaria para o quarto. Se eu não estivesse dormindo quando ele chegasse, poderia suspeitar de algo.
Mas senti outra presença se aproximando e parei. Uma das duas pessoas que se aproximaram imediatamente notou Ryuen e Hashimoto e os chamou.
— O que é isso, alunos do primeiro ano? Uma reunião secreta a essa hora, hein?
— Hã?
Nagumo Miyabi e Horikita Manabu estavam diante dos dois conspiradores. Ryuen hesitou por um momento, depois simplesmente perdeu o interesse e tentou ir embora. Caminhou diretamente na direção de Nagumo, que não se moveu.
— Sai da frente.
Nagumo riu, como se achasse o olhar feroz de Ryuen divertido. Enquanto isso, Hashimoto, que voltara ao corredor para ver o que estava acontecendo, cruzou olhares com Nagumo.
— Ouvi dizer que você é bem delinquente. Seu nome é Ryuen, certo? Vou ter uma conversa com o Horikita-senpai, mas você deveria vir junto — disse Nagumo, acenando para que Hashimoto se aproximasse também.
— Não tô interessado — respondeu Ryuen, esbarrando no ombro de Nagumo ao passar.
— Uau, que confiança. Não tem medo de mim, Ryuen?
— Não importa se você é presidente do conselho estudantil ou sei lá o quê. Vou esmagar qualquer um que ficar no meu caminho.
— Heh.
Nagumo parecia ter certo interesse naquele Ryuen que não se abalava nem um pouco.
— Não desgosto de gente como você. Mas você não serve para fazer parte do meu conselho estudantil.
Quando Ryuen tentou ir embora, Nagumo o chamou de novo.
— Ei, que tal participar dessa aposta como terceiro? Qual grupo você acha que vai ficar melhor colocado na prova especial de hoje: o meu ou o do Horikita-senpai? Que tal dez mil pontos por cabeça? Não importa em quem você apostar, se estiver certo eu pago. Se errar, você paga.
— Que idiotice. Não me interesso por esse tipo de dinheiro.
— Dez mil é "esse tipo de dinheiro", é? Você está na Classe D, então está sempre sem grana, não é? Não custa nada ganhar um pouco.
— Nesse caso, faça um milhão. Eu topo se você estiver disposto a pagar — disse Ryuen, virando-se.
— Hahaha! Você é engraçado, Ryuen. Que piada ousada. Pode ir.
Aparentemente, ele achou que Ryuen estava brincando.
— Se não tem coragem de pagar tudo isso, nem me peça para apostar.
— Ei, você aí, do primeiro ano. Você acha que o Ryuen pode pagar tanto assim? — perguntou Nagumo a Hashimoto.
Como Hashimoto sabia do acordo secreto de Ryuen com a Classe A, sabia que ele podia, sim, pagar. Mas…
— Não sei. Estamos em classes diferentes, então não posso afirmar.
— Se tivéssemos nossos celulares, poderíamos conferir. Aí eu não me importaria de participar. Uma pena.
Pelo visto, a aposta não aconteceria. Hashimoto tentou escapar, e Nagumo desviou o olhar para Horikita.
— Horikita-senpai. Por favor, abstenha-se de fazer o exame amanhã — disse Nagumo de repente. Ryuen continuou andando, aparentemente desinteressado, mas Hashimoto parou.
— Abster-me?
— Isso mesmo.
— Essa é uma piada ainda pior que a do Ryuen.
— Na verdade, estou sendo bem sério — respondeu Nagumo, e acrescentou: — É para o seu próprio bem, senpai.
— Explique de uma forma que eu possa entender. Você tem o hábito de dizer tudo o que pensa sem contexto, e parece que ainda não resolveu isso.
— Desculpe. Conseguir ver longe demais no futuro é uma maldição.
Ele continuou:
— De qualquer forma, se você não se abster amanhã, vai se arrepender. Estou tentando te ajudar. Eu poderia simplesmente te atingir sem aviso, mas isso seria cruel, não é?
— O que você está planejando? Dependendo do que for, posso não aceitar.
— Entendo. As regras da nossa disputa dizem que temos que lutar de forma justa, sem envolver terceiros. Mas do jeito que está, se a prova acontecer, não vamos saber quem vai ganhar até ver os resultados. Claro, é natural que seja acirrado. Mas é justamente por isso que quero vencer. E já venho tomando medidas para garantir isso.
— É por isso que quer que eu me abstenha?
— Sim. Porque, se você o fizer, sairá dessa com o mínimo de dano, senpai. Está ciente da preparação estratégica que fiz? Não, não está, né? Não existe um único aluno nesta escola que consiga ler meus pensamentos. É isso. Até seu queridinho também é assim… Como era mesmo o nome daquele aluno do primeiro ano?
Nagumo olhou intencionalmente para Hashimoto. Mas não havia como Hashimoto saber.
— Ah, é mesmo. Se não me engano, ele está no mesmo grupo daquele aluno do primeiro ano. Ayanokoji Kiyotaka — Nagumo enfatizou claramente meu nome, como se quisesse que Hashimoto prestasse atenção. — O que acha, Hashimoto? Sobre Ayanokoji.
— O que eu…? Bem, acho que ele é apenas um estudante normal.
Hashimoto ficou visivelmente abalado ao ouvir meu nome inesperadamente.
— Eu sei, né? Mas o Horikita-senpai aqui parece valorizar Ayanokoji acima de todos os outros calouros.
— Talvez porque ele tenha se saído bem no revezamento durante o Festival Esportivo?
— Bem, isso faria sentido. Mas não parece ser só isso. Veja, o Horikita-senpai valoriza Ayanokoji mais do que Sakayanagi, mais do que Ryuen, mais do que Ichinose. Como você está no mesmo grupo que ele, pensei que pudesse ter notado algo.
— Não — respondeu Hashimoto.
— Por que será, senpai? Por favor, acho que já está na hora de me dizer o motivo — disse Nagumo.
— Você está forçando, Nagumo. Quando é que eu falei bem de Ayanokoji? Não há nada a ganhar espalhando mentiras. Pare de provocar os calouros.
— Desculpe, senpai. Acho que você tem razão. Foi mal, Hashimoto. Era só uma brincadeira.
— É mesmo…?
Não gostei de para onde a conversa estava indo, mas era hora de sair dali. Os três bloqueavam o corredor, então precisei usar a escada na outra extremidade do prédio. Isso significava fazer um desvio, mas decidi pegar o caminho alternativo. Precisava estar de volta antes que Hashimoto retornasse, ou ele poderia suspeitar de algo no que Nagumo dizia.
Alguns minutos depois que voltei, Hashimoto entrou silenciosamente no quarto. Senti seu olhar sobre mim do beliche de cima, mas apenas por um instante. Depois disso, ele foi dormir.
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