Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 8

Capítulo 5: Coisas Onipresentes

O DOMINGO PASSOU num piscar de olhos, e agora era segunda-feira, o quinto dia do exame. As quatro horas de aulas da manhã foram totalmente dedicadas ao exercício físico. Tínhamos que percorrer a pé ou correndo um percurso de dezoito quilômetros, que seria usado para a corrida de revezamento de longa distância, e depois voltar a tempo para as aulas da tarde. Como se tratava de uma corrida de revezamento, cada pessoa correria apenas um ou dois quilômetros. Mas estávamos nas montanhas, e o caminho poderia ser acidentado e íngreme.

Andamos cerca de cinco quilômetros, esgotando nossas reservas de energia. No outro dia, tínhamos apenas suado levemente. A diferença entre então e agora era incrível.

— Sério, até onde essa ladeira vai?! Isso é loucura, cara. Muito difícil! — resmungou Ishizaki, enquanto passávamos por uma placa alertando sobre javalis selvagens. Ele se virou para mim com um olhar que sugeria que havia percebido algo desagradável.

— Falando em javalis, os daqui são grandes? Tipo esse cara?

— Incrível. Subestimei você, Ayanokoji.

Hashimoto e um monte de outros caras começaram a me elogiar, o que me deixou extremamente desconfortável. Saber que eles iriam usar isso como piada por um tempo era profundamente constrangedor. Albert chegou até a aplaudir.

Mas logo eles ficaram sem tempo para me provocar.

Mesmo que a estrada que levava ao cume fosse asfaltada para permitir veículos, a inclinação era extremamente íngreme. Apenas caminhar seria suficiente para cansar as pernas. Além disso, como tínhamos acordado cedo para preparar o café da manhã, estávamos mais cansados que os veteranos. Só tivemos uma folga no domingo porque a escola mostrou um pouco de misericórdia.

— Quanto tempo vai levar para voltarmos?

— A velocidade média de caminhada de uma pessoa é de quatro quilômetros por hora. São dezoito quilômetros de distância. Se caminharmos o tempo todo, levará quatro horas e meia.

— Você só pode estar brincando comigo. Não teremos tempo nem para almoçar!

— Então teremos que correr, Ishizaki. Quanto mais corrermos, mais rápido acaba — disse Moriyama, da Classe B, um pouco amargamente.

Embora todo o nosso grupo grande tivesse começado junto, a maioria dos alunos do segundo e terceiro anos estava se movendo mais rápido que nós.

— Não fala besteira. Não tem como eu correr dezoito quilômetros.

— Não se canse falando à toa. Estamos todos aqui porque você concordou com minha estratégia, certo? — avisou Keisei, ofegante.

Alunos com boa resistência poderiam ter começado a correr imediatamente, mas manter esse ritmo por dezoito quilômetros certamente não era a melhor ideia. A estratégia de Keisei era caminhar pelos primeiros nove quilômetros até o ponto de retorno e correr a partir daí. Na maior parte, iríamos descendo depois, algo que ele havia considerado em sua proposta.

— Ainda nem começamos a correr. Nem que eu quisesse conseguiríamos aguentar até o ponto de retorno.

— Cala a boca… Apenas fique quieto e caminhe.

Keisei não era muito bom com esforço físico. Suas pernas já deviam estar doendo, porque sua compostura começava a se abalar. Faltando cerca de treze quilômetros, talvez não conseguíssemos voltar dentro do tempo estipulado. Era natural querer falar o mínimo e focar na caminhada.

Dito isso, esse exercício me fez começar a entender quem eram os corredores. Yahiko e Keisei definitivamente não estavam bem preparados para essa tarefa. Koenji, que estava atrás de nós, provavelmente poderia ser um trunfo para o grupo. Mas duvidava que ele levasse a sério a ponto de correr.

— Ih, ficar quieto e caminhar, né? Tá se achando o rei do pedaço pra alguém que parece um zumbi, Yukimura — insistiu Ishizaki.

Ele não parecia disposto a parar com a conversa.

— Estou falando pelo bem do grupo, como representante. Por favor, não fale.

— Ah, como representante? Vai se foder.

Talvez por todo o estresse que estava sentindo, Ishizaki continuava atacando verbalmente Keisei. Moriyama e Tokitou, da Classe B, não podiam deixar passar.

— Chega, Ishizaki. Yukimura está certo.

Percebendo que alguém atrás de mim estava se distanciando, me virei e vi que Koenji havia se desviado do caminho e entrado na floresta. Ninguém mais percebeu. Estavam todos focados à frente. Ishizaki não era nosso único problemático. Eu não conseguia mais ver Koenji e não havia sinais de que voltaria; provavelmente não era apenas um pequeno desvio.

— Bem, é o que é…

Pensei em seguir Koenji discretamente, mas todos poderiam achar que eu também estava fugindo. Então falei:

— Koenji desviou por outro caminho. Vou chamá-lo de volta.

— Hã? O que aquele maluco está fazendo?! — A voz de Ishizaki parecia ficar cada vez mais alta, já que nenhum aluno parecia capaz de detê-lo.

— Não se distraia com ele, Ishizaki. Se não ignorar Koenji, só vai se prejudicar.

A estratégia de Keisei era tratar Koenji como se fosse invisível. Uma boa estratégia, mas ignorá-lo completamente era mais fácil de dizer do que fazer.

— Desculpe, Kiyotaka. Posso deixar isso com você? — perguntou Keisei, arrependido.

Pude perceber que ele não tinha energia para ir atrás de Koenji. Eu disse que cuidaria disso.

— Ei, estamos falando do Koenji aqui. Ele não vai ser um pouco difícil de lidar? Quer que eu te ajude? — ofereceu Hashimoto. Recusei educadamente.

— Não importa quem vá, talvez não consigamos trazê-lo de volta. Quanto mais pessoas terminarem a corrida, melhor parecerá para a escola. Além disso, não vejo como eu poderia me perder nesse percurso.

— Provavelmente você está certo. Mas volte no momento em que achar que é impossível.

Assenti e parti atrás de Koenji. Eu não pretendia agir ativamente, mas não costumava ter a oportunidade de falar em particular com ele. Se fosse para conversar, essa provavelmente era a única chance.

*

 

O caminho estreito era apenas uma estrada de terra. Apesar do terreno ruim, acelerei o passo. Se Koenji estivesse a pé, calculei que poderia alcançá-lo em um ou dois minutos. No entanto, ele devia ter ido mais rápido, porque não havia sinal dele.

— Que saco…

Ir mais rápido era uma coisa, mas correr por uma estrada de terra era complicado. Aumentei o ritmo, procurando por quaisquer rastros que Koenji pudesse ter deixado. Depois de uns cem metros, finalmente o avistei à frente.

Enquanto olhava para suas costas, lembrei-me de uma situação parecida na ilha, quando Airi estava lá. Koenji também nos deixara comendo poeira naquela ocasião.

— Koenji — chamei, diminuindo a distância entre nós.

— Oh, ho, se não é o Ayanokoji-boy. Este não é o caminho certo, não é?

— Estou aqui para evitar que você seja expulso pela regra da solidariedade. Por que fez esse desvio?

— Vi um javali. Digamos que fiquei interessado. Então fui atrás.

Isso certamente não era o que eu esperava ouvir. Contive-me de perguntar o que ele pretendia fazer se o encontrasse.

— Fique tranquilo. Voltarei a tempo. Não deve levar nem trinta minutos para alguém como eu — acrescentou.

Parece que eu não tinha escolha a não ser confiar nele.

— A propósito, tem mais algum assunto comigo? — perguntou Koenji. Ele devia ter percebido algo, já que eu não tinha ido embora.

— Sobre o exame. Quero que você ajude o grupo.

— Estou ficando cansado de ouvir isso. Sinto que meus ouvidos vão sangrar se ouvir essas palavras mais uma vez.

Não duvidava que Keisei e os outros tivessem tentado persuadi-lo na minha ausência. E ainda assim, Koenji não se mexeu nem um centímetro.

— Você não precisa tirar uma nota excelente. Apenas faça o que deve fazer.

— Você não decide isso. Eu decido. Sabe disso, não é? Nos vemos depois — disse Koenji, indicando que ia embora. Mas agarrei seu braço e o segurei.

Ele tentou dar um passo à frente, me obrigando a firmar os pés e me segurar. Esperei que ele resistisse, mas por algum motivo Koenji relaxou.

— Heh. Entendi. Então é assim, Ayanokoji-boy — disse Koenji, virando-se para mim.

— Como assim? O que é assim?

— A pessoa que domou o Dragon-boy.

— Dragon… quem?

— Estou falando daquele malandro, Ryuen.

— O que Ryuen tem a ver comigo?

— Você é muito bom em se fazer de bobo. Não deixa transparecer suas intenções quando finge indiferença.

— Realmente não entendo como chegou a essa conclusão.

— Pelo toque no meu braço. Posso perceber pelo calor transmitido pela sua pele.

Eu já havia percebido que Koenji não era normal, mas aparentemente ele era ainda mais excêntrico que eu. Ele deduziu tudo isso apenas pelo meu toque?

— Desculpe, mas isso é um grande mal-entendido — disse.

— Sério? Julgando pelo jeito que o Delinquente-kun olha para você e se comporta ao seu redor, e pelas reações de todos à sua volta, eu diria que é um fato comprovável.

Koenji não tinha nenhuma prova, mas soava extremamente confiante em suas observações. Seria inútil tentar enganá-lo.

— Heh. Relaxe. Não tenho intenção de revelar o que você está escondendo. Mesmo que você seja excepcional à sua maneira, ainda é apenas mais um para mim. Um entre muitos. Então, esteja certo ou errado, não haverá problema enquanto eu não contar nada. Correto?

— Bem, eu realmente quero esclarecer esse mal-entendido.

— Que pena. Isso não vai acontecer, Ayanokoji-boy. Mesmo que terceiros atestem que você não teve nada a ver com isso, minha decisão está tomada. Tenho certeza do que sei.

— Entendo. Então, podemos voltar ao assunto em questão?

— Você está falando sobre eu cumprir meu papel como membro do grupo, certo?

— Pode fazer isso?

— Já disse várias vezes. Recuso-me.

Ele respondeu de forma clara e decidida.

— Agirei de acordo com meus próprios desejos. Essa é minha filosofia. Farei o exame ou não? Que nota irei alcançar? Todas essas coisas dependem de como me sinto naquele momento.

— Entendo.

Eu havia considerado várias maneiras de persuadi-lo, mas tentar algo aleatório ali provavelmente seria um tiro pela culatra. Teria que deixar as coisas ao acaso, e havia grande chance de que isso causasse o menor dano. Ficou claro que Koenji queria evitar ser punido com expulsão. Eu não tinha escolha a não ser apostar nisso.

Não restava nada a fazer senão assistir Koenji seguir seu caminho, atrás do javali.

— Não acho que exista alguém no mundo que consiga fazer esse cara fazer algo.

Não importava se fosse o irmão da Horikita, ou Nagumo, ou até seus próprios colegas. Essa era minha impressão honesta do meu colega, que eu conhecia há cerca de um ano.

*

 

Depois de deixar koenji, voltei para o percurso. Mesmo tendo ficado fora por menos de dez minutos, provavelmente agora eu estava em último lugar. Não vi nenhum estudante do grupo à minha frente ou atrás, então decidi acelerar um pouco para alcançar os outros. Pouco tempo depois, avistei um grupo de calouros — Keisei e os outros rapazes. Tokitou me notou primeiro, e então todos olharam para mim.

— Bem, para constar, eu o encontrei, mas…

— Nada feito, né?

Hashimoto, que já previa que isso aconteceria, exibia um sorriso amargo. Os outros estudantes também não me culparam e apenas reclamavam da ausência de Koenji. De um jeito ou de outro, acabamos chegando ao ponto de retorno, reclamando alegremente de Koenji pelo caminho. Chabashira nos esperava lá, com os braços cruzados. Eu não a via há alguns dias, mas parecia que ela vinha sendo chamada com frequência para ajudar em várias aulas.

— Os segundos e terceiros anos já voltaram. Vocês são os últimos — disse ela.

— Que horas são, sensei?

— São quase onze horas.

Isso significava que ainda tínhamos uma hora até o intervalo do almoço. Se fosse uma estrada plana, não seria difícil voltar a tempo. No entanto, já havíamos percorrido nove quilômetros por uma subida extremamente íngreme e sinuosa. Nossa resistência estava bastante desgastada. Se não corrêssemos em um ritmo sólido, esse exercício ia comprometer nosso intervalo de almoço.

— Vou na frente. Não quero me atrasar para o almoço — disse Ishizaki.

— Espere. Faremos a chamada antes de vocês descerem. Cada pessoa tem que informar sua classe e nome.

Um quadro foi trazido, provavelmente para registrar os estudantes que chegavam ao ponto de retorno. Depois de assinar, Ishizaki virou-se e saiu correndo, deixando o grupo para trás.

Parecia que seria cada um por si, que se dane o grupo. Albert o seguiu logo em seguida.

— Vamos, Kiyotaka.

— Você vai na frente. Quero esperar e garantir que Koenji volte — respondi.

— Tudo bem, mas… só temos uma hora — alertou alguém.

— Sou rápido o suficiente. Não se preocupe.

— Corrida de curta distância e corrida de longa distância são duas coisas diferentes, sabe. Bem, acho que não sou ninguém para falar — disse Keisei, soltando uma risada autodepreciativa antes de correr de forma desajeitada.

— Estou indo também — disse Hashimoto.

— Certo.

Hashimoto, o último membro do nosso grupo, se alongou e saiu correndo. Chabashira e eu éramos os únicos restantes.

— Parece que você não tem nada para discutir comigo — disse ela.

— Estou apenas esperando Koenji. Se não fizermos a retaguarda se mexer, vai dar problema.

— Problema?

Não era exatamente um grande problema. Se você tinha resistência de sobra, como Ishizaki, que assumiu a liderança rapidamente e limpou o percurso, nem notaria os estudantes que desistiram no meio do caminho. Esse não era um teste cronometrado. Só precisávamos completar o percurso dentro do tempo estipulado; se fizéssemos em uma ou quatro horas, não importava. Keisei não tinha muita resistência, mas era óbvio que ele estava se esforçando para não nos atrasar.

Cerca de vinte minutos depois, Koenji finalmente apareceu.

— Parece que este é o ponto de retorno.

Ele tinha se movimentado um pouco, aparentemente. Folhas e sujeira estavam presas à sua camiseta.

— Você é o último, Koenji. Tem quarenta minutos restantes.

— Parece que sim. Queria ter demorado um pouco mais, mas meu encontro com o javali acabou antes do esperado.

— Javali? — perguntou Chabashira.

Ela claramente tinha perguntas sobre aquela parte estranha e repentina do que ele acabara de dizer, mas Koenji se virou e saiu correndo.

— Chamada, Koenji. Senão será desqualificado — disse Chabashira.

— Meu nome é Koenji Rokusuke. Lembre-se bem, professora — disse Koenji, sem nem se virar. Sua risada estrondosa ecoou pelo morro.

— Tudo bem, sensei? Ele não disse a classe — comentou Chabashira.

— Ele disse o nome. Vamos relevar.

— Certo. Vou seguir meu caminho.

Me perguntei quanto tempo havia passado. Ao me aproximar do aviso sobre javalis novamente, vi as costas de dois estudantes. Um deles era Keisei, como eu esperava. No entanto, em vez de ter esgotado sua resistência, parecia que ele estava se apoiando em outro estudante, que o sustentava. Parecia que sua perna esquerda estava machucada.

O outro estudante era Hashimoto, que, como eu previa, havia ficado para ajudar a apoiar Keisei. Ao me aproximar deles, a situação ficou clara.

— Você torceu o tornozelo? — perguntei.

— Ayanokoji? É, parece que sim. Acho que o tornozelo dele atingiu o limite no ponto de retorno — explicou Hashimoto em nome de Keisei.

Deve ser difícil sustentar o peso de outra pessoa, mas ele parecia não se importar. Caminhava devagar, próximo a Keisei, sem demonstrar nenhum desagrado.

— Ugh, que patético. Por que não consigo nem fazer algo assim? — resmungou Keisei.

Ele parecia frustrado, mas dava para perceber que havia mudado. O velho Keisei tinha dificuldade em compreender esportes físicos ou qualquer coisa além de provas escritas; ele pensava que a vida de um estudante girava em torno da academia. Este Keisei se alongou antes de retomar a descida e foi por último, pelo mesmo motivo que eu.

— Vou ajudar também — disse eu.

Dois seriam melhores que um para essa tarefa. Passei para o outro lado e apoiei Keisei.

— Espere. Se fizerem isso, vão se atrasar para o almoço — disse Keisei.

— Se te abandonarmos, você vai começar a correr, não é? Isso pioraria sua lesão. Isso seria um problema para todos nós no exame final. Se podemos aliviar sua lesão apenas abrindo mão de um intervalo de almoço, é um preço pequeno a pagar. Certo, Ayanokoji?

— Você está certo quanto a isso.

— Mas…

— Foi apenas uma boa coincidência que nós dois estivéssemos correndo perto de você — disse eu. — Não fique envergonhado.

Hashimoto me corrigiu:

— Na verdade, éramos três. Mas, cara, aquele Koenji corre absurdamente rápido, hein? O cara é um monstro.

— Tenho a impressão de que ele tem resistência ilimitada. Sem dúvida, é o número um do nosso ano — respondi, sem elogiar Koenji, apenas sendo honesto.

— Talvez sua personalidade horrível tenha nos salvado de ficar com ele na Classe A. Estar em um grupo com ele deixou bem claro que ele é mais um incômodo para a Classe C do que uma vantagem.

Era verdade que, se Koenji utilizasse todo o seu potencial, seria uma ameaça enorme. Mas não dava para considerá-lo uma boa arma secreta se ele não colaborasse.

No fim, eram cerca de 12h40 quando voltamos para o acampamento, carregando o machucado Keisei entre nós. Depois que chegamos, Keisei recebeu atendimento médico na enfermaria. Hashimoto e eu esperamos por ele no corredor. Uns dez minutos depois, Keisei retornou.

— E aí, como está? — perguntou Hashimoto. Keisei sorriu de forma amarga.

— É apenas uma leve torção. Graças a vocês dois, acabou sendo um ferimento menor.

Apesar de apoiar um pouco a perna esquerda, parecia que ele estava andando normalmente.

— Não temos muito tempo até o exame. Não deixe piorar — disse Hashimoto, dando um leve tapinha no ombro de Keisei.

— Ei, eu sei que vocês me ajudaram, mas… — disse Keisei. Hashimoto entendeu imediatamente.

— Não se preocupe. Vamos manter isso entre nós. Vai ser mais conveniente, não é?

Ele entendeu o que Keisei queria dizer sem precisar ouvir em palavras. Keisei bateu no peito e suspirou aliviado.

*

 

Como perdi o almoço, estava mais animado que o normal para o jantar. Depois de pegar meu lugar, comecei a comer imediatamente.

— Ei, Kiyopon, o lugar do seu lado está vago? — perguntou Haruka.

Quando me virei, vi que todos os membros do Grupo Ayanokoji estavam juntos.

— Caramba, Kiyopon. Tivemos dificuldade para te encontrar nos últimos dias. Você tem aparecido em lugares estranhamente difíceis de achar.

— Desculpem. Acho que simplesmente não sei o que fazer em uma cafeteria tão grande — respondi.

Por causa da forma como os grupos foram organizados, não era tão fácil reunir a turma usual. Como não havia assentos suficientes ali, nos movemos um pouco para achar um lugar onde os cinco pudessem sentar.

— H-Há quanto tempo, não é, Kiyotaka-kun? — disse Airi timidamente.

Era realmente incomum não termos conversado por quase uma semana inteira. Mesmo durante os longos feriados, costumávamos ligar ou nos encontrar.

— Mais importante, você está bem, Miyacchi? Você está com o Ryuen, certo? — Haruka perguntou, direcionando a questão a Akito. Ela deve ter ouvido isso de algum lugar.

— Bem, acho que sim. Estou me mantendo alerta, mas parece que não houve mudança. Ele está realmente levando as aulas a sério e participando.

— Tipo, até zazen e o revezamento?

— Sim. Ele está agindo de forma tão normal que chega a ser assustador. Se alguma coisa, ele está se saindo bem melhor que os desajeitados. É só que… tentei conversar com ele algumas vezes, mas ele não parece querer se aproximar de ninguém.

— Talvez ele tenha ficado meio louco com o choque de perder uma luta?

— Não sei. Acho que ele sempre foi assim.

Akito se preparou, como se dissesse que não podia baixar a guarda.

— E você? Está se dando bem com seu grupo?

— Não muito a dizer, pessoalmente. Não sou próximo de ninguém, mas também não estou brigando com ninguém. Airi e eu estamos no mesmo grupo, então está tudo bem.

— Estou realmente feliz que Haruka-chan esteja lá comigo.

Então Haruka e Airi estavam no mesmo grupo? Deve ser reconfortante ter pelo menos uma amiga próxima por perto.

— Parece que nosso grupo tem mais problemas, Kiyotaka.

— Você pode estar certo sobre isso.

— Sério?

Haruka e Airi trocaram olhares, como se fosse a primeira vez que ouviam isso.

— Bem, Koenji não segue ordens, e Ishizaki explode com qualquer um a qualquer momento. Talvez seja porque ele tem Albert com ele, mas também não conseguimos controlá-lo. São um verdadeiro problema.

— Então Koenji-kun também está com vocês… Está tudo bem, Kiyotaka-kun?

— Ele não está nos prejudicando ativamente ou nada do tipo.

— Se é para falar de problemas de verdade, eu diria que o Ishizaki é o verdadeiro problema. Talvez ele tenha se deixado levar desde que o Ryuen-kun foi derrotado. Não faz muito tempo, ele era apenas um capacho.

Para ser sincero, senti que um dos principais motivos para o mau comportamento de Ishizaki era estar no mesmo grupo que eu. Imagino que todo esse ressentimento e frustração sem válvula de escape faziam com que ele descontasse em qualquer um que não fosse eu.

— De qualquer forma, eu tenho que me esforçar como representante — disse Keisei. Mesmo com o equivalente metafórico a uma bomba amarrada à perna, ele continuava fazendo o seu melhor para unir o grupo.

— Vocês garotos realmente têm vida difícil, hein?

— D-De algum jeito, sinto que estamos meio fora de lugar.

— Ah, tudo bem. Quero dizer, se vocês garotas estão se dando bem, isso nos deixa tranquilos. Certo? — disse Akito.

Com certeza. Mesmo com Kei me passando informações sobre as garotas, ainda havia muitas coisas que eu não podia ver. Se Haruka e Airi estavam juntas e se virando bem, nós garotos podíamos focar mais em nós mesmos.

*

 

Já era o sexto dia, terça-feira. Naquele dia, comecei a perceber algo um pouco estranho vindo dos garotos.

Eles estavam com saudade do sexo oposto. Esse era o assunto da vez. Tive a sensação de que a maioria deles estavam ansiosos pelo jantar. Estar cercado apenas por garotos me deixava mais relaxado, mas não era exatamente divertido.

— Ah, droga. Sinto que estou perdendo a cabeça por ficar só com garotos o tempo todo.

— Se eu estivesse numa escola só de garotos, eu estaria morto, cara.

Essas eram apenas algumas das opiniões que ouvi.

— Cara, só ter garotos por perto é péssimo. Tipo, literalmente.

Suponho que fosse inevitável que eles comprassem o clichê de que todos os garotos têm higiene ruim. A verdade, porém, é que não havia muitas pessoas suadas ou cheirando mal por aqui. Eles deveriam agradecer por não ser verão. E, bem… pessoalmente, eu me sentia mais relaxado estando apenas com garotos. Esse fato merecia ser repetido.

— Ai, meu quadril…

Enquanto estávamos no meio da faxina, Keisei gritou de dor e se agachou. Tínhamos que lidar com a limpeza e o preparo do café da manhã todos os dias, independentemente das aulas que continuavam ao mesmo tempo, e já chegamos ao ponto em que dava para ver os alunos mais fracos atingindo seus limites. Keisei estava reclamando da dor.

A área que nos foi designada para limpar naquele dia era bem grande, forçando todos do nosso grupo, que já era pequeno, a trabalhar mais do que o normal. Quando até uma pessoa se machucava, era necessário compensar.

— Como assim, tá com dor no quadril? Faz o seu trabalho.

Ishizaki agarrou o braço de Keisei e o puxou com força para cima.

— E-Eu sei. Vou fazer o trabalho. Solta.

— Então faz direito — resmungou Ishizaki antes de voltar.

Keisei tentou imediatamente retomar a limpeza, mas simplesmente não se movia bem. Sua perna torcida, em particular, estava claramente rígida.

— Ugh.

Ele resmungou baixinho. Parecia estar suportando a dor, mas se se esforçasse demais, isso poderia afetá-lo amanhã.

— Respira um pouco. Eu vou ocupar seu lugar.

Não havia alternativa. Eu limparia a seção de Keisei por ele.

— Desculpa, Kiyotaka.

— Ei, a gente se ajuda quando está em apuros.

Problema resolvido. Até…

— Ei. Você acabou de dizer que ia fazer sozinho! — disse Ishizaki.

Aparentemente, ele não gostou que eu estivesse ajudando Keisei. Mas ainda assim tomou cuidado para não me encarar.

— Eu cuido disso — respondi.

Ishizaki não parecia satisfeito. Olhou através de mim, continuando a despejar palavras duras sobre Keisei.

— Você é o representante, não é? Não reclama de algo como limpeza.

— Eu entendi.

Keisei se sentiu responsável. Quando pressionado, ele cedia.

— Você não entendeu. Está tentando empurrar seu trabalho para outra pessoa agora, não é? Eu não gosto disso. Faça você mesmo.

— Entendi. Vou fazer.

— Muito bem, então. Está dito. Sob nenhuma circunstância ajude ele, Ayanokoji.

Ishizaki falou comigo pela primeira vez e, em seguida, imediatamente recuou, como se estivesse fugindo.

— Mesmo se o Keisei se machucar por causa disso? — perguntei.

— Se ele se machucar, azar — respondeu Ishizaki.

Aparentemente, Ishizaki não permitiria nenhuma tentativa de ajudar Keisei, mesmo sabendo que isso não era bom para o grupo. Albert se aproximou silenciosamente de Ishizaki, parecendo tentar lhe dizer algo. Mas Ishizaki não parecia ouvir.

— Desculpa, Kiyotaka. Acho que não tenho escolha a não ser aguentar.

Keisei provavelmente temia que o clima do grupo piorasse se ele não continuasse trabalhando. Ishizaki já estava irritado com a atitude de Keisei nos últimos dias; provavelmente não suportaria ver Keisei sendo ajudado por outra pessoa. Keisei entendia isso, e justamente por isso resolveu fazer o trabalho sozinho.

Mesmo assim, se Keisei se esforçasse demais, poderíamos pagar por isso mais tarde. Mesmo que aguentasse hoje, não havia como prever o que aconteceria amanhã. O exame real incluía vários testes fisicamente exigentes, como zazen e o revezamento de longa distância. Ele poderia sofrer ainda mais do que agora. Eu queria fazer Ishizaki entender, mas duvidava que fosse simples.

— Ei, Ishizaki. Você está levando isso longe demais — disse Yahiko, incapaz de ficar parado vendo a situação.

— É culpa dele por não conseguir limpar direito — respondeu Ishizaki.

— Eu sei disso. Mas e ele? Vai avisá-lo também — Yahiko apontou para Koenji, que nunca tinha limpado nada.

— Não consigo nem me comunicar com esse cara em japonês. Não tenho tempo de persuadir um gorila — respondeu Ishizaki.

Não é que Ishizaki não tivesse avisado Koenji pelo menos uma vez antes. Ele já tinha tentado várias vezes, sem sucesso, e desistido. Nesse sentido, dava para dizer que a diferença entre Keisei e Koenji era que Ishizaki conseguia ter uma conversa real com Keisei.

— Se você tem um problema, então tente discutir com ele. Mas será só uma perda de tempo.

— Tudo bem. Se eu tiver que ir, eu vou — disse Yahiko, pegando uma vassoura e indo até Koenji.

— É inútil. Você vai ver.

Ishizaki soltou um resmungo de desprezo. Yahiko empurrou a vassoura em direção a Koenji, tentando forçá-lo a limpar. Mas, depois de alguns minutos, ele se afastou, totalmente exausto. Estávamos no mesmo grupo, mas ainda éramos inimigos. Claramente, isso não havia mudado.

A maioria dos alunos provavelmente queria que essa atividade de grupo acabasse o quanto antes. Mas o importante era lembrar que nem todo grupo era como o nosso. Mesmo que fosse apenas na superfície por enquanto, alguns grupos tinham membros que estavam aprofundando laços uns com os outros, formando amizades e alianças reais, como se fossem colegas de classe de verdade. Não eram apenas os calouros. O mesmo fenômeno podia ser observado entre os veteranos que conseguiram estabilizar as relações entre suas turmas. Eles entendiam que todos se beneficiavam se cooperassem.

Alguns alunos conseguiam planejar com antecedência, enquanto outros eram escravos de seus impulsos mais sombrios. Sem uma diferença drástica de habilidade para agitar as coisas, não era difícil imaginar o resultado dessa batalha.

— Aagh! Eu não quero fazer isso! Isso é tão idiota! Por que temos que agir como se fôssemos amigos? Fingir que somos camaradas dos caras das outras turmas? Certo, Albert?

Albert não concordou nem discordou, mas Ishizaki continuou:

— Sério, cara. Odeio esse grupo tanto que poderia morrer. Tem aquele gorila do Koenji, e o irritante do Yukimura, que se acha o máximo mesmo sem conseguir correr uma maldita maratona. Depois tem os caras da Classe B que só sorriem e riem sem se preocupar, e aqueles idiotas da Classe A que não fazem nada. Idiotas.

WHACK! Ishizaki chutou a vassoura.

— Pode xingar à vontade, mas continue limpando.

— Cala a boca. Koenji não está fazendo nada, então por que eu tenho que fazer?

— Então você não tem o direito de falar nada para o Yukimura, não é? — disse Hashimoto.

Mas Ishizaki não estava ouvindo. Ele abandonou a limpeza e foi embora, murmurando algo sobre ir ao banheiro. Keisei mordeu o lábio, frustrado.

— Keisei, você precisa parar de tentar carregar tudo sozinho. Não dá para mudar nada nesses um ou dois dias que restam. Se você cometer um erro agora, pode se arrepender depois — disse eu, dando um conselho a Keisei… ou melhor, esperando confirmar que ele havia entendido.

— Entendo, mas não há mais nada que eu possa fazer. Se eu depender de outra pessoa, Ishizaki só vai afastar o resto do grupo ainda mais. Se eu não fizer nada, é altamente provável que nosso grupo fique em último lugar. Então eu tenho que fazer algo, mesmo que seja imprudente.

Se as duas opções que Keisei acabara de listar fossem as únicas disponíveis, então agir de forma imprudente provavelmente seria a melhor escolha. Se você não tinha outro caminho a seguir, só restava abrir um novo por conta própria. Mas Keisei não parecia capaz de criar nada naquele momento, muito menos uma opção totalmente nova.

Precisávamos de alguém capaz tanto de compreender o grupo quanto de agir pelo bem dos outros. Olhei para Hashimoto, que continuava limpando em silêncio. Ele havia impedido Ishizaki de descontar em Koenji no segundo dia e reagido perfeitamente durante a prática de corrida. Tive a impressão de que ele poderia manter o grupo unido, na medida certa.

Não estava claro o quanto Sakayanagi e Katsuragi o valorizavam, mas eu imaginava que ele era um sujeito altamente competente — pelo menos se o avaliasse como um inimigo hipotético. Ele era mais difícil de ler do que a agressiva Sakayanagi ou o conservador Katsuragi, o que o tornava um oponente mais complicado.

— Olha, só não se esqueça de que eu estou aqui. Se você tiver problemas, eu ajudarei.

— Obrigado, Kiyotaka. Só de ouvir isso, já fico mais tranquilo.

Se aquelas palavras ajudassem Keisei, eu ficaria feliz em dizê-las.

*

 

Durante a aula seguinte, ficou claro que a situação no nosso grupo não havia melhorado. Keisei, sentindo-se responsável, não conseguia dar ordens de forma eficaz como representante, e Ishizaki não falava com ninguém além de Albert. Mesmo durante as refeições, o único momento em que seria possível criar algum tipo de paz e harmonia, nosso grupo nunca se reunia.

Decidi esquecê-los por enquanto. Não havia nada que eu pudesse fazer por esse grupo de qualquer forma. Eu podia dar alguns conselhos ao Keisei em dificuldades e ao Ishizaki briguento, mas não tinha intenção de agir diretamente para ajudar. Me aprofundar na situação só atrapalharia meu objetivo de passar despercebido.

Lembrando de Haruka e Airi, decidi investigar novamente o que se passava com as garotas. No entanto, não era como se eu pudesse ficar contatando Kei diretamente repetidas vezes. Ela tinha suas próprias responsabilidades, e se eu insistisse em procurá-la, poderia levantar suspeitas sobre a natureza do nosso relacionamento.

Além disso, a informação que eu queria não estava relacionada aos calouros. Eu precisava de informações sobre os alunos do segundo e terceiro anos. Precisava confirmar as verdadeiras intenções de Nagumo em relação ao irmão de Horikita.

Isso significava que meu número de contatos úteis era muito limitado. Arrisquei um pouco por essa razão, tentando deixar uma pista para Kiriyama encontrar… mas Kiriyama estava no grupo de Nagumo. Mesmo que ele guardasse ressentimento de Nagumo, provavelmente não poderia me ajudar desta vez.

Eu precisava atacar por um ângulo que Nagumo não esperasse. Uma pessoa veio à mente. Pedi a Kei que investigasse uma certa garota do segundo ano para mim.

Essa pessoa se chamava Asahina Nazuna.

Ela estava na Classe A, ao lado de Nagumo Miyabi, e era pessoalmente muito próxima dele. Eu já tinha visto Asahina almoçando com suas amigas na cafeteria várias vezes. Mesmo agora, eu monitorava seus movimentos à distância. Ela não estava no conselho estudantil, mas tinha influência relativamente alta dentro de sua turma. Parecia também ter bastante influência sobre Nagumo.

Havia outros garotos e garotas próximos de Nagumo, mas escolhi Asahina por duas razões. A primeira era que, ao contrário de sua aparência rude e jeito de falar, ela tinha reputação de ser diligente e conscienciosa. Além disso, não era uma fã obcecada de Nagumo.

A segunda razão era que nós dois, por acaso, havíamos nos esbarrado acidentalmente. A dificuldade de tentar obter informações sobre Nagumo vinha do fato de que praticamente todos os alunos do segundo ano o apoiavam. Se eu tentasse contato de forma descuidada, correria o risco de expor informações sobre mim mesmo.

Eu precisava restringir meus possíveis contatos a alguém que fosse menos propenso a vazar informações. Isso tornava nosso encontro "acidental" uma arma poderosa. Informação que só eu sabia. Informação que só Asahina poderia compreender. Eu usaria o que aquele acidente havia criado.

Que acidente eu quero dizer? Bem, vinha de um amuleto da sorte.

Asahina o havia perdido acidentalmente algum tempo atrás, e eu simplesmente o havia encontrado. Na época, devolvi sem pensar muito. Para minha surpresa, o item era aparentemente muito importante para ela. Eu percebi porque ela o trouxe consigo até este acampamento. Ela sempre o usava com grande cuidado, preso ao seu corpo.

Uma conexão acidental às vezes pode ser mais forte do que uma criada intencionalmente. Aproveitando essa conexão, eu queria descobrir se ela poderia ser uma fonte útil de informação sobre Nagumo. As circunstâncias deste acampamento tornavam fácil o contato com ela. Restava apenas transformar nossa conexão indireta em direta.

Se eu abordasse Asahina abertamente, alguém — mesmo que não fosse ela — poderia reportar isso a Nagumo. Eu queria evitar isso. Esperei o momento certo, mas Asahina passava quase todas as horas do jantar com outras pessoas. Não encontrava oportunidade de ficar a sós com ela.

Mas hoje, essa oportunidade de ouro finalmente apareceu.

— Vou ao banheiro. Já volto.

Assim, Asahina se levantou, no meio da refeição. Nenhum outro aluno a acompanhou, o que era estranho para uma garota. Eu a segui rapidamente. Não podia incomodá-la dentro do banheiro, então esperei pacientemente ela sair.

Provavelmente teríamos no máximo cinco minutos para conversar. Se eu tomasse muito do tempo dela, ela poderia se irritar. Eu não tinha ideia de quanto conseguiria fazer nesses cinco minutos, mas precisava lembrá-la de que havíamos nos encontrado antes, por acaso. Ênfase em acaso.

Logo, Asahina saiu do banheiro. Como de costume, estava usando o amuleto no pulso esquerdo.

Fingi estar apenas passando por ali.

— Hmm? — murmurei, baixo o suficiente para que Asahina pensasse que eu estava falando sozinho ou chamando-a de leve.

Ao ouvir isso, Asahina se virou. Se eu não respondesse rapidamente, ela provavelmente pensaria que eu estava falando sozinho e continuaria andando. Decidi agir.

— Ah, desculpe. Eu só estava pensando que já tinha visto esse amuleto antes. Por favor, não se importe comigo — disse, gesticulando como se fosse continuar andando. Se ela não respondesse, eu estava preparado para iniciar a conversa sozinho.

— Eles não vendem mais esse amuleto na escola, sabe — respondeu ela.

Mas ao menos respondeu, então, sem hesitar, continuei a conversa.

— Ah é? Por acaso você o deixou cair algum tempo atrás? — perguntei. Ela deveria entender imediatamente o que eu queria dizer.

— Espera, você é… a pessoa que encontrou meu amuleto? — perguntou ela.

— Talvez… Eu o peguei voltando para o dormitório, hum… quando foi mesmo? — respondi, fingindo não me lembrar.

— Não, acho que estou certa. Entendi. Então foi você — disse Asahina, sorrindo feliz. Ela se aproximou. — Obrigada. Quando percebi que havia perdido, fiquei tão chateada. Desde então, tive medo de perdê-lo de novo, então tenho usado ele com mais frequência.

Ela olhou timidamente para o pulso.

— Esse amuleto… bem, eu comprei depois de começar a escola. Não é que eu tenha algum apego forte a ele ou algo assim. É só… como posso dizer? É tipo um apoio emocional. Quando o tenho comigo, me sinto mais segura, sabe? Quando o perco, fico toda ansiosa, como se algo ruim fosse acontecer, tipo um mau presságio. Fiquei tão aliviada que alguém o tenha encontrado.

Bem, trazer boa sorte era, essencialmente, o propósito de um amuleto.

— Nunca imaginei que você fosse a pessoa que o encontrou.

— Você me conhece? — perguntei.

— Sim, eu sei sobre você. Você chamou muita atenção naquela corrida de revezamento contra Horikita-senpai. Ah, e Miyabi. Espera, você talvez nem saiba o primeiro nome dele. O Presidente do Conselho Estudantil, Nagumo, falou com você há um tempo, não foi?

— Espera. Você também estava lá? — perguntei.

Claro, eu sabia a resposta. Ichinose também havia estado presente.

— Pois é.

Asahina parecia daquelas pessoas que se fechariam se eu dissesse que sabia que ela tinha estado lá, então fingi não me lembrar. Assim como pegar o amuleto, esse encontro, onde por acaso cruzamos caminhos, também precisava ser acidental.

— Sou bem rápido, mas, para ser honesto, não tenho mais nada de especial. Talvez tenha chamado a atenção do Presidente Nagumo por algum tipo de engano — disse, fazendo minha voz soar preocupada. Asahina acenou repetidamente, mostrando que entendeu.

— Nagumo realmente respeita Horikita-senpai. Ou, tipo, ele fez de Horikita-senpai uma espécie de meta. Acho que ele provavelmente ficou com ciúmes de não poder desafiá-lo durante a corrida de revezamento.

Não percebi nenhum motivo oculto nas palavras de Asahina. Para o bem ou para o mal, ela parecia do tipo honesto. Decidi avançar um pouco mais.

— Como eu faço para que Nagumo-senpai pare de prestar atenção em mim? — perguntei.

— Bem, que tal vencê-lo em alguma coisa? Você poderia colocar aquele Miyabi convencido no seu lugar. Pessoalmente, eu adoraria vê-lo perder pela primeira vez — respondeu ela, rindo. Provavelmente estava brincando, mas eu fingi levar o que disse a sério.

— Entendi. Essa pode ser uma opção — respondi.

Os olhos de Asahina imediatamente se voltaram para mim, com um olhar de admiração. Alguns segundos depois, ela caiu na risada.

— Ahahahaha! Vamos, eu estava brincando. Não percebeu? — disse, rindo quase às lágrimas, dando um leve tapa no meu ombro.

— Então, se Nagumo algum dia for derrotado, isso seria um problema, hein? — perguntei.

Para o caso de ela ainda pensar que eu estava brincando, decidi fortalecer meu tom. Se Asahina fosse do tipo que recuaria e contaria tudo para Nagumo agora, esse seria o fim da linha. Mesmo que ela contasse, terminaria achando que eu era apenas um calouro metido.

— Espera, você está falando sério? — perguntou.

— Então você estava brincando, senpai? — respondi.

— Olha, isso não é algo que um calouro possa resolver — disse, desculpando-se pela brincadeira. Mas continuei falando no mesmo tom.

— Entre todos os segundos anos que conheci até agora, você parece ser a mais direta, Asahina-senpai.

— A mais direta?

— É difícil conseguir qualquer informação dos segundos anos, além de "Nagumo Miyabi domina a todos".

— Isso é conversa perigosa. Eu também estou no segundo ano, sabe. Miyabi e eu temos uma relação bem próxima, entendeu? — respondeu ela.

— Não se trata de ser superficial ou profundo. O que importa é o quanto você foi influenciada por ele.

Como eles estavam na mesma classe, não poderiam ser inimigos de verdade. Não importava o que Asahina pensasse de Nagumo em particular, ela não queria que sua turma sofresse por causa disso.

— Acho que são coisas parecidas, no entanto — disse ela.

— Nesse caso, considere isso bobagem de um calouro — falei, fazendo uma reverência. — Por favor, me desculpe.

— Ah, espera. De algum jeito, sinto que sou a vilã aqui — respondeu ela, soltando um suspiro profundo. O sorriso desapareceu. — Vejo que você não está brincando. Como forma de me desculpar, deixe-me retribuir por ter encontrado meu amuleto. Se houver algo que queira saber, eu te contarei.

— Tem certeza? Isso poderia ser visto como rebeldia contra o Nagumo-senpai, sabe.

— Para ser honesta, não acho que aconteça nada drástico só porque eu conversei com você — respondeu.

Ela parecia certa de que me contar algo sobre os segundos anos não teria grande impacto. Em outras palavras, qualquer informação que me desse seria irrelevante, mesmo se vazasse.

— Das garotas do seu ano, quantas você diria que são especialmente próximas do Nagumo-senpai? — perguntei.

— Garotas próximas dele? Tipo, todas. Elas confiam mais no Miyabi do que nos outros garotos.

Eu já sabia que ele não era um adversário comum, mas esse era um alcance de influência extraordinariamente amplo.

— E quanto às pessoas que atuam como olhos e ouvidos do Nagumo-senpai? — perguntei.

— Você realmente acha que eu te contaria isso?

— Bem, como senpai, não é errado ajudar um kouhai um pouco, né?

— Nossa, você é ousado — respondeu, rindo. Não parecia aborrecida. — Bom, se me permite dizer, os segundos anos têm um senso de união realmente forte. Sinceramente, fomos mais bem-sucedidos em nos dividir em grupos do que os primeiros e terceiros anos, sabe? Depois que explicaram o teste para nós no ônibus, Miyabi disse para compartilhar imediatamente aquela informação com as outras turmas.

Como eu suspeitava — embora tivessem começado como inimigos, as quatro turmas de segundo ano pareciam a caminho de se tornar aliados reais. Asahina me contou os nomes dos quatro representantes de turma. As quatro turmas mantinham contato e até discutiam, em certa medida, a formação de seus pequenos grupos entre si. Aparentemente, as coisas haviam ocorrido de forma similar entre as garotas.

— E quando vocês se encontraram com os grupos de primeiro e terceiro anos? Também decidiram as coisas aleatoriamente?

Nagumo havia proposto um sistema de seleção por sorteio, que os calouros executaram.

— Na maior parte, sim.

— Na maior parte. Então algo foi diferente?

Asahina cruzou os braços, parecendo profunda em pensamento.

— Por que você pergunta?

Pude perceber que Asahina começava a ter dúvidas. O silêncio se prolongou.

— Você não vai me contar? — perguntei.

— Vou contar, sim. É que… quando estávamos decidindo os grandes grupos, algumas garotas do segundo ano fizeram um pequeno pedido. Ou mais como… queriam alguns ajustes. Naquele momento, o pequeno grupo era formado por membros em quem Miyabi podia confiar.

Se o grupo foi formado seguindo ordens do Nagumo, ele provavelmente lhes deu um papel especial. Você não perceberia isso a menos que soubesse o que se passava entre os segundos anos. Do ponto de vista de um observador externo, pareceria apenas amigos se reunindo.

— Há algum primeiro ou terceiro ano que tenha sido selecionado para esse grande grupo de garotas que se destaque de forma especial?

— Mesmo que você me pergunte, mal sei algo sobre os primeiros anos. Dos terceiros anos, acho que há a Tachibana-senpai, que foi secretária do Horikita-senpai. Ah, mas a representante deles é outra pessoa. Miyabi disse que nada estranho aconteceria. Ele disse que faria tudo de forma justa.

— Você confia bastante no Nagumo-senpai, hein?

O irmão da Horikita também parecia confiar no que Nagumo dizia. Se eu acreditasse nele e em Asahina, essa linha de raciocínio poderia ser considerada um blefe. Nagumo prometera competir de maneira justa, mas, ao mesmo tempo, nos fazia desconfiar. Temíamos que ele estivesse tramando algo nos bastidores, usando isso para quebrar nossa concentração.

— Ele sempre cumpre sua palavra. Não usaria truques sujos. Além disso, mesmo que aquele grupo de garotas tentasse armar algum tipo de armadilha, isso não afetaria a luta entre Horikita-senpai e Miyabi.

— É verdade. Seria totalmente irrelevante.

Asahina estava certa. Nagumo havia proposto que apenas seu grupo e o grupo do irmão da Horikita competissem. As garotas não tinham nada a ver com isso. Mesmo que algumas garotas do segundo ano próximas a Nagumo estivessem no grande grupo da Tachibana, isso era irrelevante.

Então, ele estaria fazendo parecer que tinha algo secreto acontecendo, enquanto na verdade jogava limpo? Isso significaria que as palavras aparentemente importantes que ele disse ao se encontrar com o terceiro ano do seu grupo, Ishikura-senpai, também eram apenas um blefe.

Suponho que, se você estivesse investigando normalmente, teria a sensação de que essas pistas apareciam e desapareciam em todos os lugares. Um jeito interessante de fazer as coisas. Isso era diferente de Sakayanagi e Ryuen: uma estratégia única.

— O que posso te dizer, acho, é que quem se preocupa demais é quem perde.

— Você foi de grande ajuda — disse.

Eu era grato a Asahina por ter atendido meu pedido irracional de discutir assuntos internos da turma dela. Claro, provavelmente ela fez isso porque não achava que eu poderia ser um obstáculo para Miyabi. Ela nem conseguia imaginar que eu seria seu oponente.

— Bem, faça o seu melhor para dar trabalho ao Miyabi, garoto — disse Asahina. — Estarei torcendo por você, mesmo que seja só um pouquinho.

— Ah, só mais uma coisa…

— Hmm?

Se eu combinasse o que acabara de aprender com a informação que recebi da Kei, meu entendimento da situação ficaria muito mais claro. Decidi me aprofundar um pouco mais.

*

 

Na noite do sexto dia, um clima pesado pairava sobre todo o grupo. Se deixássemos o dia terminar assim, o grupo poderia se desmoronar completamente no dia seguinte. Esses rancores entre nós só continuariam a se intensificar, tornando ainda mais difícil garantir uma boa pontuação no exame, que estava agora a apenas dois dias de distância.

Ao voltar para o quarto após o banho, encontrei a atmosfera tão tensa quanto sempre. Ishizaki havia se isolado e agora se recusava a falar com qualquer outra pessoa. Keisei, se culpando, havia se calado e se retraído também. Os alunos da Classe B continuavam tentando conversar para animar o ambiente, mas a atmosfera desconfortável era demais para eles, e acabaram ficando em silêncio.

Eventualmente, após confirmar que estava quase na hora de apagar as luzes, Yahiko virou o interruptor e mergulhou o quarto na escuridão, buscando dar um fim misericordioso ao dia.

— Ei, Ishizaki. Tem um minuto? — Hashimoto quebrou o longo silêncio enquanto estávamos no escuro total.

— Não — respondeu Ishizaki.

Pelo som dos lençóis se mexendo logo depois, ele provavelmente havia virado as costas para Hashimoto, recusando-se a interagir.

— Nesse ritmo, nosso grupo estará em extremo perigo. Temos a vantagem de não sermos muitos, mas isso também nos prejudica na prova. No pior cenário, Yukimura e mais alguém serão expulsos — disse Hashimoto.

Você vai ser o próximo a cair junto com ele quando isso acontecer, Ishizaki. Você sabe disso? Era a implicação não dita.

— Cale a boca. Mesmo que eu seja expulso, dane-se. Não ligo. Acontece.

— Cara, vamos lá… — Hashimoto suspirou profundamente, como se desistisse diante da recusa de sua ajuda.

Não conseguia ver o rosto de Hashimoto na escuridão. Já havíamos passado do ponto sem retorno em relação à união do grupo? Talvez fosse hora de desistir.

— Joguei futebol no ensino fundamental e médio. Nossa escola era bem prestigiada, então o time competia no campeonato nacional todo ano. Não era um jogador estrela ou algo assim, mas jogava na maioria das partidas e me saía bem — disse Hashimoto. Não dirigiu suas palavras a ninguém em particular, mas ao quarto como um todo.

— Espera, mas você não faz parte do time de futebol agora, faz? Não parece que se machucou ou algo assim — apontou Yahiko, sua voz cortando a escuridão.

— Não, não faço. Sei que hoje em dia não é tão popular, mas eu costumava fumar.

— Então descobriram e te expulsaram do futebol?

— Não. Eu escondia bem o hábito. Só minha família sabia.

— Mesmo que fumar seja nojento, não é motivo para parar de jogar futebol.

As dúvidas de Yahiko eram justificadas. Se ninguém sabia, então não podia ser um problema.

— Acho que só senti uma sensação de alienação ou algo assim. Todo mundo trabalhando junto para vencer o campeonato nacional, e eu apenas observava friamente. Eu sabia que não pertencia. Além disso, não gostava tanto de futebol. Decidi parar de jogar e focar nos estudos. Eu já era relativamente inteligente, então não foi tão difícil continuar tirando boas notas.

— O quê, agora você está se gabando? Não vou ouvir isso — interveio Ishizaki, irritado.

— Para o bem ou para o mal, meu único ponto forte era conseguir me sair razoavelmente bem no mundo, suponho. Mas ainda há momentos em que sinto arrependimento. Sempre que vejo Hirata e Shibata treinando no campo, penso que poderia estar lá também. Mesmo sem gostar tanto. Estranho, né? — disse Hashimoto.

Ele deu uma risadinha autodepreciativa.

— E você? Como foi sua infância, Ishizaki? — perguntou Hashimoto.

— Hã? Por que você pergunta?

— Sem razão.

— Hmph. Bem, não tenho nada a dizer — Ishizaki recusou, para ninguém se surpreender.

Keisei abriu a boca, sendo o próximo a se juntar à conversa no escuro.

— Desde pequeno, tudo que eu fazia era estudar. Talvez tenha sido influência da minha irmã mais velha. Ela era muito mais velha e queria ser professora, então eu sempre tive que fazer o papel de aluno. Minha irmã era meio ridícula. Sempre me dava problemas absurdamente difíceis para resolver, mesmo no ensino fundamental.

— Então é por isso que você é tão bom nos estudos, né? — respondeu Hashimoto, tentando puxar a conversa.

— É. E além disso, sou péssimo em esportes. Não importa o que eu fazia, geralmente ficava quase sempre em último lugar. Decidi focar em desenvolver meus pontos fortes, em vez de conquistar minhas fraquezas. Achava que não valia a pena treinar o corpo se não fosse para virar atleta profissional. Entrar nesta escola me fez duvidar disso pela primeira vez… mas ainda acreditava que, estudando muito, poderia ser considerado adequado para a Classe A — disse Keisei.

Ele parou por um momento, como se estivesse lembrando daquele período. Ser colocado na Classe D devia ter lhe causado enorme desespero.

— Mas então todas essas coisas que eu não conseguia aceitar continuaram acontecendo. Não concordo com o sistema de solidariedade, e viver na ilha deserta fazia ainda menos sentido para mim… Na minha própria turma, Sudou era como meu oposto total. Ele era ótimo nos esportes, mas não sabia estudar. A princípio, pensei que tinha sido sobrecarregado com algum fardo ridículo. Mas na ilha deserta e durante o Festival Esportivo, as habilidades de Sudou se mostraram muito mais úteis que as minhas. Eu podia vê-lo brilhar, bem ao meu lado.

Havia um leve tom de arrependimento em sua voz.

— Ainda tem uma parte de mim que não consegue aceitar, para ser honesto. Mas estou começando a perceber aos poucos que, se você só sabe estudar, ou só sabe fazer esportes, isso não é suficiente. É isso que este exame exige. Se você não consegue fazer as duas coisas, não consegue tirar uma boa pontuação. Estou errado, Ishizaki?

— Sério, você está me perguntando—?

— Sinto-me completamente humilhado. Assim como lá na ilha deserta e durante o Festival Esportivo. Estou arrastando o grupo para baixo. Me machuquei, o que significa que me tornei um fardo para os outros, e, mais importante, derrubei a moral do grupo. Não tenho absolutamente nada a mostrar para o Ishizaki, que, apesar das reclamações, tem contribuído para o grupo tanto quanto, ou até mais, que a média.

Ishizaki parecia prestes a zombar dele, mas engoliu as palavras. Eu não conseguia ver seu rosto. Mas era justamente por estarmos no escuro, sem nos enxergar, que podíamos nos mostrar assim vulneráveis.

— Desculpa, Ishizaki… Desculpa por seu representante, que deveria estar dando exemplo para todos, estar nessa situação.

Eu percebia que Keisei tentava segurar as lágrimas. Nenhum de nós teve coragem de interromper ou dizer algo. Eram lágrimas amargas.

— Para de besteira. Por que está se desculpando? Quer dizer, fui eu quem te culpou — disse Ishizaki. Soltou uma risada, aparentemente dirigida a si mesmo, antes de continuar. — Quero dizer, você foi quem aceitou ser representante quando ninguém mais queria.

Mesmo que tivéssemos tentado empurrar a função para Keisei, ele poderia ter recusado. De fato, Ishizaki havia feito isso antes. Ele provavelmente percebeu agora o gesto de boa fé que Keisei fez ao aceitar o cargo.

— Me irritava receber ordens suas. Mas se você não tivesse dado essas ordens, nosso grupo provavelmente estaria muito pior. Por preparar o café da manhã, e pela maratona.

— Sem dúvidas — disse Hashimoto, rindo.

Alguns alunos vão bem nos estudos, outros não. Alguns se destacam nos esportes, outros têm dificuldades. Quando todos esses alunos diferentes, com seus próprios interesses e histórias, se juntam para formar uma classe ou grupo, eles trazem consigo seus problemas. Todas as amizades, rivalidades e tudo o mais.

Yahiko e os outros alunos começaram a conversar entre si, falando aos poucos. Aquela foi a primeira noite em que começamos a sentir que éramos um grupo de verdade.




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