Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 8

Capítulo 1: Um Novo Exame Especial: Acampamento de Treinamento Misto

NUMA MANHÃ de quinta-feira, pouco depois do início do terceiro semestre, vários ônibus seguiam em fila pela rodovia. Eles não transportavam apenas os alunos do primeiro ano, mas também os do segundo e terceiro ano — toda a escola embarcando em uma grande viagem conjunta.

O ônibus que nos levava — nós, alunos da Classe C do primeiro ano — entrou em um túnel. Meus ouvidos foram atacados pela mudança de pressão.

Era a segunda vez que eu pegava um ônibus desde que me matriculei nesta escola. Ninguém havia explicado para onde estávamos indo ou o que faríamos. Tudo o que sabíamos era que precisávamos usar uniformes de treino, e era altamente recomendado levar alguns extras e roupas íntimas de troca. Isso, porém, não soava como férias.

Como a viagem duraria cerca de três horas, todos haviam levado itens de entretenimento considerados aceitáveis pela escola. Celulares eram óbvios, mas também havia livros, baralhos, lanches e sucos. Alguns até haviam trazido consoles de videogame.

Nossos assentos eram marcados, com nossos nomes escritos, e eu estava sentado ao lado de Ike Kanji. Eu pretendia me aproximar dele ao me matricular aqui, mas nosso relacionamento ainda estava na fase de "apenas colegas de classe", e as oportunidades de passar tempo juntos haviam diminuído drasticamente. Em vez de falar comigo, seu vizinho literal de assento, ele se ajoelhou no banco, se virou e começou uma conversa alta com Sudou e Yamauchi, que estavam mais distantes.

Ocasionalmente eu ouvia as meninas repreendê-los por serem irritantes, mas eles não davam muita atenção. O barulho dentro do ônibus era geral, então não era de se admirar que eles não se contivessem. Senti-me um pouco sozinho, mas não havia nada que eu pudesse fazer.

Por outro lado… a última rodada de provas havia me permitido me aproximar de alunos como Akito e Keisei.

O clima no ônibus era agradável, mas eu podia perceber que isso não seria apenas um passeio escolar. Se tivéssemos feito isso no meio das férias de inverno, talvez ainda pudesse ter esperança de que fosse apenas uma viagem divertida, mas o terceiro semestre já havia começado. Provavelmente seria uma forma de nos preparar mentalmente para um exame como aquele que tivemos na ilha deserta. Não que Ike e os outros não tivessem amadurecido desde então. Provavelmente.

Chabashira observava os alunos agindo à vontade com um olhar de profundo interesse. Ela ficava perto do motorista, relativamente próxima do meu assento, enquanto nos observava. Como não queria que nossos olhares se cruzassem, decidi encarar a janela. O túnel era longo. Já faziam dois ou três minutos desde que entramos.

Justo quando pensei nisso, começou a clarear. Havíamos passado.

Chabashira, que aguardava nossa saída do túnel, começou a se mover. Ao mesmo tempo, a dor nos meus ouvidos aumentou.

— Desculpem interromper o entusiasmo de vocês, mas fiquem quietos — disse ela, dirigindo-se aos alunos através de um microfone portátil. — Achei que vocês gostariam de saber para onde este ônibus está indo e o que farão quando chegarmos.

— Bem, claro que estamos curiosos. Não vamos para outra ilha deserta, né? — perguntou Ike.

Chabashira respondeu rapidamente.

— Vejo que o exame especial ainda está gravado na memória coletiva de vocês. Permitam-me dar um pouco de tranquilidade; não realizamos exames especiais em uma escala tão grandiosa com frequência. Nem somos cruéis ao ponto de submetê-los a algo assim fora do verão. No entanto, como vocês já devem imaginar, há um novo exame especial à frente. Comparado à ilha, porém, vocês estarão em condições de vida significativamente melhores.

Foi o que ela disse — mas eu não confiei nela. À parte a ilha, todo exame especial que enfrentamos até agora havia sido insano do ponto de vista de um aluno médio. Pairando sobre nossas cabeças estava a penalidade máxima por falhar em um desses exames: a expulsão.

— Agora, o exame especial que vocês, alunos da Classe D, vão fazer — Chabashira fez uma pausa. Meus colegas sorriram com um toque de orgulho e, imediatamente em seguida, ela baixou a cabeça em desculpa.

— Desculpem. Vocês agora são da Classe C. Permitam-me dar a vocês, recém-promovidos, uma visão geral do exame especial.

Tendo sido formalmente promovidos à Classe C no terceiro semestre, nossa classe parecia tentar enfrentar o próximo exame com calma. Receber uma explicação sobre como aquele exame especial funcionava durante a viagem de ônibus significava que poderíamos preparar estratégias, ou ao menos tentar. Não podíamos simplesmente levantar e andar enquanto o ônibus estava em movimento, mas ele era pequeno o suficiente para que todos pudessem ouvir você se falasse, e sempre poderíamos usar nossos celulares para nos corresponder de forma privada com pessoas específicas.

Ike e os outros barulhentos ficaram quietos, ouvindo o que Chabashira tinha a dizer. Prova de que haviam amadurecido, mesmo que um pouco.

— Estamos levando vocês para um acampamento escolar nas montanhas. Chegaremos em pouco menos de uma hora. Quanto menos tempo eu gastar explicando, mais tempo vocês terão para elaborar estratégias — disse Chabashira.

Uma hora até o exame começar, hein? Em outras palavras, se levássemos vinte minutos explicando as regras, teríamos quarenta minutos restantes para planejar.

— Não é normal os alunos irem a acampamentos escolares no verão? — perguntou Ike, que já foi escoteiro. Ele sabia bastante sobre a cordilheira que podíamos ver das nossas janelas enquanto o ônibus percorria a rodovia. Estava coberta de neve branca, mesmo agora.

— Por favor, fiquem quietos e prestem atenção. Lembrem-se, este é o único momento que vocês têm — repreendeu Chabashira, mas soou mais gentil do que zangada. Ike coçou a cabeça, envergonhado, e pediu desculpas. Seguiu-se um breve momento de risadas.

Acampamento escolar. Eu nunca tinha ouvido falar, então procurei no celular.

Normalmente é realizado nos meses de verão, em dias de bom tempo. Comumente realizado em locais com muita vegetação, como montanhas. Atividades em grupo são conduzidas com o objetivo de promover o desenvolvimento de corpos saudáveis. Também pode se referir a uma instalação educacional.

Exatamente como Ike havia dito, parecia que esses acampamentos escolares normalmente aconteciam no verão. Claramente, no entanto, poderiam ocorrer em qualquer época do ano.

— Normalmente, as oportunidades de se conectar com alunos mais velhos são poucas, especialmente para aqueles que não participam de atividades de clube. Neste acampamento escolar, vocês participarão de atividades em grupo entre classes durante oito dias e sete noites, tornando isso um passo além do Festival Esportivo. O nome que demos a este exame especial é "Acampamento Misto". Como tenho certeza de que uma explicação verbal não será suficiente, vou distribuir agora materiais impressos — continuou Chabashira.

Ela entregou uma pilha de folhetos aos alunos da primeira fila, que pegaram um exemplar cada e repassaram o restante. O material tinha cerca de vinte páginas. Como ela não havia nos proibido de olhar, comecei a folheá-lo.

Havia fotografias nítidas do que presumi ser o acampamento, incluindo dormitórios, banhos coletivos, refeitório, entre outros. Era até empolgante olhar para aquilo; parecia que eu estava folheando um guia de viagem. As palavras tão importantes, exame especial, contudo, contiveram nosso entusiasmo.

Mesmo assim, eram vinte páginas de documentação além da explicação verbal. Para o Paper Shuffle, havíamos recebido apenas uma breve explicação oral, o que significava que este exame provavelmente seria bem mais complicado.

Após confirmar que todos haviam recebido os folhetos, Chabashira retomou a fala.

— Sintam-se à vontade para continuar lendo, mas vou explicar agora o Acampamento Misto. Estes materiais serão recolhidos antes de descerem do ônibus, então certifiquem-se de entender bem as regras. Perguntas serão aceitas ao final, então prestem atenção. Entenderam? — perguntou, olhando para Ike enquanto falava.

Ike assentiu.

— O objetivo principal do Acampamento Misto é fomentar o desenvolvimento mental de vocês. Para alcançar isso, vamos começar pelos fundamentos da participação na sociedade civilizada — garantindo que vocês consigam construir relações estáveis com pessoas que não conhecem muito bem. Cada um de vocês aprenderá essas habilidades.

Então era por isso que nos faziam ter atividades em grupo com alunos mais velhos, hein?

Como Chabashira acabara de dizer, alunos que participavam de clubes poderiam já ter desenvolvido relações com seus juniores ou seniores. Mesmo assim, essas interações eram limitadas às próprias atividades do clube. Quanto aos alunos que não participavam de clubes, quase nenhum de nós havia interagido com os veteranos de fato. Poder-se-ia pensar que a escola queria que nos relacionássemos voluntariamente, sem necessidade de exames ou atividades de clube como incentivo. Claro que, na realidade, não era tão simples assim.

Então, como planejavam envolver os veteranos nisso?

A menos que o contato direto fosse prioridade, a maioria dos alunos provavelmente manteria distância uns dos outros, como fizemos no Festival Esportivo. Bem, estávamos indo para as montanhas, para um lugar designado como acampamento, então isso talvez fosse mais fácil de dizer do que fazer…

De qualquer forma, se as regras do exame especial não fossem rígidas, seria fácil encontrar brechas. Havia uma diferença marcada em maturidade, física e mental, entre alunos do primeiro e do segundo ano. Um ano é um período significativo na vida de um adolescente. Eu não poderia dizer quão extrema seria essa diferença, mas a realidade era que não estaríamos em igualdade de condições.

— Quando chegarmos ao destino, vamos dividi-los por gênero. Em seguida, realizaremos uma discussão envolvendo todos os níveis e depois dividiremos vocês em seis grupos — explicou Chabashira.

— Dividir homens e mulheres, depois formar seis grupos… — murmurou Ike, como se tentasse memorizar a informação.

Chabashira continuou:

— O número mínimo e máximo de pessoas em cada grupo já foi decidido. Observem atentamente as diretrizes na página 5 do folheto.

Todos olharam ao mesmo tempo.

Os números dos grupos são calculados com base no total de alunos, depois separados por ano e gênero. Por exemplo, se houver 60 ou mais alunos do sexo masculino no mesmo ano, o número mínimo de participantes por grupo é 8, e o máximo 13. Se o total for 70 ou mais, os limites são 9 e 14. Se o total for 80 ou mais, os limites são 10 e 15. Caso o número de alunos seja inferior a 60, consulte uma tabela separada.

Vamos supor que a proporção de meninos e meninas em uma classe não varie entre os anos. Se uma classe tiver 40 alunos, com proporção 1:1 — 20 meninos e 20 meninas — isso significaria, basicamente, 80 meninos no total nos quatro grupos de um mesmo ano. Isso daria entre 10 e 15 pessoas por grupo, com seis grupos ao todo. Mas o fato de a tabela considerar o total de alunos primeiro significava que esses números mudariam dependendo de quantos haviam sido expulsos em todos os anos.

— Vocês provavelmente já perceberam, mas dividir em seis grupos mistos por gênero significa que alunos de diferentes classes serão combinados. Durante o exame, os membros do grupo serão seus aliados. Vocês estarão no mesmo barco, por assim dizer.

— Não é meio ridículo nos colocarem em grupos com alunos de outras classes? Quero dizer, eles são nossos inimigos — murmurou Ike, alto o suficiente para Chabashira ouvir.

Ele provavelmente não conseguia mais se conter. Mas suas próprias palavras pareciam ter despertado algo, pois ele se iluminou.

— É isso! Não precisamos realmente fazer isso, certo? Podemos dividir a Classe C em dois grupos. Isso resolveria, não é, Ayanokoji? — perguntou, baixando a voz.

Era verdade que a Classe C poderia formar dois grupos de dez. Contudo, a ideia de Ike simplesmente não funcionaria.

— Boa ideia, mas as coisas não são tão simples. As regras proíbem formar um grupo apenas com alunos de uma classe. Contanto que os grupos respeitem o número de integrantes permitido, vocês podem se organizar com qualquer classe. Mas cada grupo deve ter alunos de pelo menos duas classes. Mais importante ainda, esses grupos não são formados por discussão. Devem ser aprovados unanimemente — explicou Chabashira.

O que ela acabara de dizer estava claramente escrito no folheto.

— Cada grupo deve consistir em alunos de pelo menos duas ou mais classes.

— Então isso significa que teremos que fazer amizade com o inimigo? — Ike disparou. Era menos uma pergunta e mais algo que simplesmente escapara.

— Sim, exatamente — respondeu Chabashira, parecendo um pouco exasperada. — Claro, vocês podem formar um grupo composto quase inteiramente por alunos da própria classe. Se conseguirem apenas um aluno de outra classe, cumprirão os requisitos.

Em outras palavras, poderíamos formar um grupo de dez pessoas — o mínimo — e nove desses alunos poderiam ser da Classe C. Mas eu não conseguia imaginar que esse tipo de composição seria aprovado unanimemente quando realizássemos as discussões entre toda a escola. Poucos alunos estariam dispostos a se juntar a um grupo quase inteiramente composto por pessoas de outra classe.

Além disso, seria melhor ter mais pessoas ou menos? O mesmo número? Se a diferença de números pudesse gerar vantagem ou desvantagem, um grupo menor seria arriscado. Mas não poderíamos saber qual número seria superior sem conhecer as condições do exame. Nossa sorte dependeria da natureza do teste.

— Acredito que vocês estão se perguntando se é melhor ter mais pessoas no grupo ou menos. Os números certamente serão importantes neste exame, como verão se consultarem a seção marcada "Resultados" — disse Chabashira, ironicamente. — Vou explicar agora.

Aparentemente, era fácil perceber que todos estávamos pensando na mesma coisa.

— Com licença, mas você poderia primeiro continuar explicando as regras? Quero saber sobre os resultados, mas antes disso, gostaria de entender o que faremos como grupo — perguntou Hirata.

— Suponho que você tenha razão. Se eu responder todas as preocupações do Ike, não chegaremos a lugar algum.

Ike coçou a cabeça, pedindo desculpas novamente.

— Cada grupo funcionará como uma classe temporária. Digo temporária, mas o tempo juntos será significativo. Os membros do grupo farão aulas juntos, é claro, mas também cozinharão e limparão, tomarão banho e dormirão juntos. Vocês compartilharão uma variedade de experiências de vida.

Tanto meninos quanto meninas soltaram gritos agonizantes ao ouvir as palavras "tomar banho e dormir juntos".

— Eu realmente não me sinto capaz de viver com pessoas de outras classes — resmungou Ike. Eu entendia como ele se sentia. Embora tivéssemos cooperado com outra classe durante o Festival Esportivo, aquilo havia sido uma aliança breve e temporária. Não passamos muito tempo juntos. Não estivemos exatamente lado a lado em todas as situações.

No entanto, este exame estava prestes a derrubar essas barreiras. Dependendo de como as coisas se desenrolassem, alguns grupos poderiam acabar com uma mistura de alunos de todas as quatro classes.

— Quanto aos resultados, eles serão determinados por um teste abrangente aplicado no último dia do acampamento. O conteúdo deste teste, bastante significativo, está descrito na página 7 do folheto de vocês. Dêem uma olhada.

Todos conferiram aquela seção.

Ética, Fortaleza, Disciplina, Iniciativa

Não eram matérias escolares típicas. Este exame seria algo distante do curso normal, como inglês ou matemática, que testam habilidades acadêmicas. Infelizmente, duvidava que os testes que enfrentaríamos tivessem respostas claras. Os quatro conceitos descritos no folheto eram abstratos. Ainda não havia visto nenhum detalhe concreto sobre como o teste seria conduzido.

O cronograma apresentado apenas reforçava meu ponto. Após acordar, faríamos tarefas matinais. Em seguida, nos reuniríamos no dojo e realizaríamos zazen, exercícios de disciplina meditativa (como limpeza), seguidos do café da manhã, e depois diversas aulas em sala. Após o almoço, trabalharíamos em tarefas da tarde e praticaríamos mais zazen. Em seguida, jantaríamos, tomaríamos banho e iríamos dormir. Um desvio considerável do nosso estilo de vida até então.

Curiosamente, ao contrário da rotina escolar habitual, haveria aulas adicionais nas manhãs de sábado. Só teríamos domingo de folga.

— Mais detalhes sobre o cronograma serão informados ao chegarmos ao acampamento. No momento, não posso dizer que tipo de exame enfrentarão no último dia — acrescentou Chabashira.

Ou seja, precisaríamos ficar atentos e improvisar durante o exame especial. Talvez o último dia nos testasse em atividades como zazen, incluindo detalhes como postura e modos. Palavras como Discurso e Produção saltaram aos meus olhos enquanto folheava o folheto. Não pareciam bons sinais.

— Escolher seus grupos será de extrema importância. Todos os seis grupos devem trabalhar juntos e completar o acampamento escolar de uma semana como uma unidade. Por qualquer motivo, vocês não podem se retirar do grupo a qualquer momento, nem membros podem ser trocados. Se um aluno tiver que se ausentar por doença ou lesão, o grupo deve simplesmente lidar com a ausência e operar como se o aluno ainda fizesse parte do grupo.

Em outras palavras, não iríamos a lugar algum se houvesse discórdia interna ou antagonismo. Parecia cada vez mais que teríamos que equilibrar competir com outras classes e manter o funcionamento interno do nosso próprio grupo.

Pelo cronograma, as aulas começariam amanhã de manhã, sexta-feira. Estaríamos em atividade até quarta-feira da próxima semana. Na quinta-feira seguinte, todos os anos fariam o exame final.

— Quando os alunos do primeiro ano terminarem de formar seus grupos, eles se reunirão com os do segundo e terceiro anos, que formarão seus próprios grupos ao mesmo tempo. No final, teremos seis grupos finais, cada um composto por uma mistura de aproximadamente trinta a quarenta e cinco alunos do primeiro, segundo e terceiro anos.

Já era difícil formar um grupo dentro do mesmo ano, agora ainda teríamos que adicionar outros anos. O ônibus ficou estranhamente silencioso.

— Simplificando — disse Chabashira —, pensem nos grupos formados apenas por alunos do mesmo ano como pequenos grupos. Já os grupos formados por alunos de todos os anos serão os grandes grupos.

Cada um dos seis grupos formados por alunos do mesmo ano seria um pequeno grupo. Depois, esses pequenos grupos se juntariam com os do segundo e terceiro anos para, finalmente, formar seis grandes grupos.

— Os resultados serão determinados com base na média dos exames de todos os membros dos seis grandes grupos individuais. Os pontos fortes e fracos dos outros anos influenciarão bastante seus resultados.

O que me preocupava ali era a diferença no número de integrantes dos grupos. Os grandes grupos teriam cerca de quarenta pessoas. Fazer a média dos resultados deveria ajudar a reduzir a desigualdade, mas dependendo de como os pequenos grupos fossem formados, poderia haver diferenças significativas no número de pessoas nos grandes grupos.

A forma como escolheríamos formar esses grandes grupos agora era a coisa mais importante. Se fosse um exame acadêmico, um grande grupo composto apenas por alunos excepcionais venceria facilmente. Por outro lado, alunos considerados medianos inevitavelmente seriam excluídos dos grupos mais fortes, sendo forçados a formar um grupo de classificação inferior. No entanto, este exame não poderia ser vencido simplesmente reunindo os mais talentosos em um único lugar.

— Acho que vocês já devem ter entendido a ideia geral. Vou concluir com a informação mais importante — ou seja, os resultados deste exame especial.

Boa pergunta. O que poderíamos perder?

— Os membros dos grandes grupos cujas médias ficarem em primeiro, segundo e terceiro lugar receberão pontos privados e pontos de classe. Grandes grupos cuja média ficar em quarto lugar ou abaixo devem esperar ter pontos deduzidos — explicou Chabashira.

Os detalhes estavam, naturalmente, descritos no folheto.

Recompensas Básicas

1º lugar: 10.000 pontos privados. 3 pontos de classe.

2º lugar: 5.000 pontos privados. 1 ponto de classe.

3º lugar: 3.000 pontos privados.

As recompensas acima seriam distribuídas a cada aluno individualmente.

Ou seja, se um pequeno grupo de dez pessoas incluísse nove alunos da mesma classe, essa classe receberia vinte e sete pontos de classe caso o grupo ficasse em primeiro lugar. Claro que isso descrevia um cenário ideal, mas seria melhor tentar colocar o maior número possível de alunos da nossa classe em primeiro lugar.

No entanto, quanto mais alunos da mesma classe houvesse em um grupo, mais pontos essa classe teria deduzidos caso o grupo ficasse em quarto lugar ou abaixo. E quanto maior o grupo, mais difícil seria controlar todos. Os aspectos negativos em jogo superavam os poucos positivos.

4º lugar: –5.000 pontos privados.

5º lugar: –10.000 pontos privados, –3 pontos de classe.

6º lugar: –20.000 pontos privados, –5 pontos de classe.

As penalidades acima seriam aplicadas a cada aluno individualmente.

Os pontos privados e de classe não poderiam cair abaixo de zero, mas as deduções permaneceriam como déficit acumulativo, a ser aplicado a quaisquer pontos ganhos em exames futuros. Era algo que a escola nunca havia feito antes. Se as recompensas pareciam relativamente pequenas comparadas aos riscos, era porque havia um truque nisso.

Chabashira leu a próxima seção em voz alta.

— Dependendo do número de classes representadas em um pequeno grupo, as recompensas podem ser multiplicadas. Elas também podem ser multiplicadas com base no número total de pessoas em um pequeno grupo. Relaxem, porém. Esses multiplicadores só se aplicam às recompensas obtidas por ficarem em primeiro, segundo ou terceiro lugar. Não se aplicam às deduções de pontos para quarto lugar ou abaixo.

Esses multiplicadores potenciais funcionavam da seguinte forma:

Se um pequeno grupo fosse composto por alunos de duas classes, receberia apenas as recompensas básicas. Um pequeno grupo com alunos de três classes receberia o dobro dos pontos privados e de classe. Um grupo com alunos das quatro classes receberia o triplo dos pontos privados e de classe.

Por fim, o multiplicador mudava dependendo do número de pessoas no pequeno grupo. Um grupo de dez pessoas recebia a recompensa básica. Um grupo de quinze pessoas recebia 1,5× a recompensa. No caso especial de um pequeno grupo ter apenas nove pessoas, a recompensa seria 0,9× a padrão.

Em outras palavras, se um grupo com alunos das quatro classes ficasse em primeiro lugar, atingiria o multiplicador 3×. Se esse mesmo grupo tivesse também o número máximo permitido de integrantes, ou seja, quinze, receberia um multiplicador adicional de 1,5×. Arredondando para o número inteiro mais próximo, isso significava que cada membro do grupo receberia 45.000 pontos privados e quatorze pontos de classe.

Até então, parecia um exame especial padrão; complicado, mas interessante. Mas o que veio a seguir mudou tudo.

— Além disso… — disse Chabashira —, há uma penalidade significativa para o grande grupo que ficar em último lugar.

— Uma penalidade…? Não pode ser.

— Sim. A penalidade é expulsão.

Sem surpresas aí.

— Claro, nem todos os membros do grande grupo que ficar em último serão expulsos. Se fizéssemos isso, expulsaríamos quase quarenta alunos de uma vez. A expulsão se aplicará apenas ao pequeno grupo dentro desse grande grupo cuja média fique abaixo do limite estabelecido pela escola.

Ou seja, a classificação geral era calculada com base na média de cada grande grupo, mas quando se tratava de expulsões, eram as médias dos pequenos grupos que contavam.

Isso era preocupante.

— Se um pequeno grupo não atingir esse padrão, o representante desse pequeno grupo será expulso.

— Como escolhemos os representantes?

— Vocês discutirão isso com os membros do pequeno grupo e nomearão alguém. Só isso.

— Que diabos? Quem iria querer ser representante sabendo que pode ser expulso?

Duvidava que houvesse muitos voluntários.

— Há benefícios significativos em ser o representante de um grupo. O representante e os colegas de classe do representante receberão o dobro das recompensas.

— Você disse dobro? — murmurou Horikita, que até então estava em silêncio.

— Isso mesmo. Para garantir o maior retorno possível neste exame, você teria que formar um grupo com doze alunos da Classe C e um aluno de cada uma das outras três classes. Se vocês então nomearem alguém da Classe C como representante e ficarem em primeiro lugar…

— Qu-quanto ganhamos? — perguntou Yamauchi, incapaz de fazer os cálculos sozinho. Ele praticamente estava hiperventilando.

— Vocês receberiam 1.080.000 pontos privados e 336 pontos de classe.

— T-Trezentos e trinta e seis?!

Se isso acontecesse, a classificação das classes seria totalmente invertida. Até subir direto para a Classe A como resultado deste exame não seria impossível, dependendo da pontuação dos outros grupos. Quanto maiores os riscos, maiores as recompensas — e as chances de garantir o prêmio máximo não eram tão baixas assim.

— Depois que os pequenos grupos forem decididos, vocês terão até amanhã de manhã para nomear seu representante. Caso um grupo não consiga escolher um representante, será imediatamente desclassificado, e cada um de seus membros será expulso. Claro que nenhum grupo seria tão estúpido a ponto de cometer esse erro.

Ou seja, a escola não escolheria os representantes — era totalmente responsabilidade nossa decidir quem nomear. Uma decisão difícil, com certeza. Se ninguém se voluntariasse, talvez tivéssemos que recorrer a sorteio ou pedra-papel-tesoura… uma conclusão inevitável, considerando que todos seriam expulsos caso contrário, mas em uma situação já tão tensa, isso colocaria à prova a unidade do grupo.

— Finalmente, o representante que for expulso poderá escolher mais uma pessoa do seu grupo para compartilhar seu destino. Chamamos isso de regra da solidariedade. Pensem como "afundar juntos".

— H-Hã?! Que história é essa?! Isso é loucura! Então, se nomearmos algum azarado como representante, ele poderia levar junto o líder de outra classe?!

Eu não conseguia imaginar que seria tão fácil. Escolher um representante envolveria um certo grau de seleção. Provavelmente não escolheríamos peões óbvios para sacrificar, e se o fizéssemos, a culpa seria do grupo. Era improvável que encontrássemos alguém disposto a se sacrificar pelo grupo e ainda derrubar um aluno de uma classe inimiga… a não ser, é claro, que estivéssemos falando de alguém que estivesse preso na Classe D há anos e prestes a desistir de qualquer forma.

Mas se houvesse alunos considerando desistir desse jeito, seus colegas provavelmente já sabiam disso.

— Não se preocupem — disse Chabashira. — O representante não pode simplesmente levar qualquer aluno junto com ele. Apenas os alunos que a escola considerar responsáveis pelo fracasso do grupo poderão ser escolhidos para expulsão dessa forma. A menos que você intencionalmente tire nota baixa ou boicote o teste, ficará tudo bem.

Bem, pelo menos isso já era alguma coisa. No entanto, eu tinha minhas dúvidas sobre os representantes deste exame. Isso era diferente de qualquer situação anterior em que estivéssemos — particularmente pelo fato de que, desta vez, o exame era o mesmo para todos os anos. As outras classes provavelmente estavam recebendo exatamente as mesmas instruções agora.

Em outras palavras, muitas estratégias diferentes estavam sendo formadas ao mesmo tempo. Não era apenas uma luta entre os calouros. Os segundos anos estavam batalhando contra outros segundos anos, e os terceiros anos contra outros terceiros anos.

Enviei uma mensagem para um certo indivíduo, esperando esclarecer algumas coisas. Queria saber se o conselho estudantil estava de alguma forma envolvido na criação deste exame especial.

— Mais um detalhe importante. Se um aluno for expulso, a classe desse aluno será penalizada de acordo. Os detalhes da penalidade mudam dependendo do exame. No caso deste teste, serão deduzidos cem pontos da classe. Se a classe não tiver pontos suficientes para pagar a penalidade, ficará endividada. Até que a dívida seja quitada, o total permanecerá em zero.

Os benefícios eram enormes, mas os negativos eram igualmente vastos. A promessa de dobrar seus pontos sendo representante era tentadora, mas vinha com o risco de expulsão. Ninguém se voluntariaria para esse papel sem estar confiante nas habilidades do seu pequeno grupo. Nem, é claro, queria que os frutos da vitória do representante fossem para outra classe.

Então havia a regra da solidariedade, claramente projetada para deixar todos em um impasse.

— Isso conclui minha explicação. Agora abrirei para perguntas.

Hirata imediatamente levantou a mão.

— Se alguém fosse expulso… haveria alguma forma de ajudar essa pessoa, tipo um salva-vidas? — perguntou.

— Se você for expulso, está expulso. Não tem nada que você possa fazer — respondeu Sudou.

Hirata rejeitou isso imediatamente.

— Isso não pode ser verdade. Você quase foi expulso uma vez, Sudou-kun, mas foi salvo graças à rapidez de raciocínio da Horikita-san. Seria estranho se não houvesse nada que pudéssemos fazer.

Chabashira sorriu.

— Está correto. Você pode comprar uma Revogação de Expulsão usando pontos privados como último recurso. Naturalmente, o preço será alto. A Revogação de Expulsão custa vinte milhões de pontos privados e mais trezentos pontos de classe. Esse salva-vidas apenas evitará a expulsão de um aluno. Não cancela as penalidades sofridas pela classe em decorrência dessa expulsão. Claro que, se você não tiver pontos suficientes para pagar, essa opção não estará disponível.

Um preço exorbitante. Isso significava que seriam necessários, no mínimo, quatrocentos pontos de classe para salvar um aluno à beira da expulsão, tornando o salva-vidas algo que provavelmente não usaríamos. Toda a classe teria que pagar um preço alto para salvar uma única pessoa.

— Sobre os vinte milhões de pontos mencionados, a classe toda pode contribuir? — perguntou Hirata, claramente imaginando um futuro onde poderíamos usar o salva-vidas.

— Sim, todos podem contribuir. Mas isso é totalmente irrelevante, já que vocês têm apenas alguns pontos disponíveis.

Com isso, Chabashira terminou de revisar o material.

— Não há muito tempo antes de chegarmos ao destino. Vocês são livres para usar o tempo restante como quiserem. Logo antes de chegarmos, recolherei os folhetos. Além disso, o uso de celulares será proibido por uma semana. Irei coletá-los em breve. Fora isso, vocês podem levar itens de uso diário ou brinquedos, mas não comida. Perecíveis devem ser consumidos antes de chegarmos, ou vocês terão que jogá-los fora antes de descer do ônibus. É só isso.

Os alunos que ainda não haviam reagido aos perigos do exame especial agora soltaram gritos agonizantes com esse último comentário. Já havíamos passado por isso na ilha desabitada, mas supunha que era doloroso ter o celular confiscado por uma semana inteira.

— Tenho uma pergunta! — Ike levantou a mão com entusiasmo. — Você disse que meninos e meninas ficariam separados, mas, tipo, exatamente o quão distantes vamos ficar?

Chabashira exibiu um sorriso irônico.

— Existem dois prédios no acampamento. Os meninos usarão o prédio principal, e as meninas ficarão no outro. Os prédios ficam próximos, mas vocês viverão separados por uma semana. Não será permitido sair durante o recreio ou depois das aulas sem permissão.

— Então não poderemos conversar uns com os outros?

— Não, meninos e meninas farão as refeições juntos na cafeteria do prédio principal por uma hora por dia. Nesse período, a escola não emite nenhuma diretriz aos alunos. Vocês podem fazer o que quiserem. Entenderam?

— Sim! — exclamou Ike, provavelmente feliz por poder conversar com as garotas.

Eu me sentei um pouco e olhei para Shinohara, que estava próxima. Embora parecesse um pouco exasperada, seu rosto se iluminou com as palavras de Ike. Talvez o jantar de Natal deles tivesse corrido bem.

— Se não houver mais perguntas, é só isso — disse Chabashira, provavelmente prevendo muitas perguntas bobas.

— Sensei. Posso pegar seu microfone? — perguntou Hirata.

— Claro.

Chabashira entregou e voltou para seu assento. Hirata se posicionou à frente do ônibus.

— Com base no que a sensei disse, estamos ficando sem tempo. Ainda assim, gostaria de ouvir a opinião de todos. Como podemos passar por este exame? Que tipo de grupos deveríamos formar?

— Não seria melhor tentar colocar o maior número possível de nossos colegas? Escolher doze melhores alunos e um de cada outra classe. Isso seria perfeito — disse Sudou.

— Isso seria ideal, mas duvido que três alunos de outras classes queiram se juntar a esse grupo. Eles naturalmente estariam na defensiva.

Seria óbvio que esse grupo queria vencer a todo custo. Eu não conseguia imaginar alunos individuais de cada uma das outras classes aceitando se juntar a eles. Além disso, se esse grupo tivesse um desempenho ruim, o prejuízo para a classe seria considerável.

— Ei, se todos os alunos inteligentes se colocarem em um grupo, o resto de nós não terá chance — disse Yamauchi. Aparentemente, ele ainda não tinha entendido que isso não tinha a ver com notas. — Quero dizer, a gente também quer ganhar alguns pontos privados, né.

Suas queixas eram compreensíveis. Essa questão já tinha surgido durante o exame no navio de cruzeiro. O grande grupo que ficasse em primeiro lugar ganharia pontos privados, mas os alunos dos grupos inferiores não ganhavam nada. Na verdade, perderiam bastante. Diante disso, era óbvio que a maioria queria apostar no "cavalo vencedor", juntando-se a um grande grupo com chances de vencer.

— Se todos concordarem, eu gostaria de propor uma distribuição igual — disse Hirata. — Não sabemos qual grupo vai sair na frente. Se algum de nós ganhar pontos privados neste exame, vamos distribuí-los igualmente entre a classe. Deve dar certo, já que transferências de pontos são permitidas.

E se sofressemos uma dedução, não seria tão ruim, já que todos dividiriam a carga.

— Ah, entendi. Tudo bem.

Claro que os alunos mais excepcionais reclamariam disso, mas considerando o que estava em jogo, parecia provável que houvesse consenso.

— Heh.

Após ouvir a proposta de Hirata, Chabashira riu, virando-se de costas para ele.

— Não contei isso antes porque vocês não perguntaram, mas como recompensa pela promoção à Classe C, vou dar um conselho útil a vocês.

Conselho?

Hirata olhou cautelosamente, sem aceitar a recompensa de imediato.

— Quando as regras não proíbem, vocês certamente podem transferir pontos. Seja no meio de um exame ou na vida cotidiana — podem transferir pontos à vontade, desde que não quebrem nenhuma regra no processo. Contudo, pontos privados não são mesada. Seria bom lembrar disso.

— Você está dizendo que poderíamos, tipo, transferir para qualquer classe que quiséssemos se acumulássemos uns vinte milhões de pontos? Ou isso é sobre o salva-vidas?

— Estou dizendo que existem muitas formas de usar pontos privados. Ter ao menos um ponto pode ajudá-lo em um momento de necessidade. Cooperar e apoiar uns aos outros nem sempre será a resposta certa, entenderam? Por exemplo, digamos que Ike cometesse um erro que o levaria à expulsão, a menos que um milhão de pontos privados fosse pago imediatamente — e a escola proibisse transferir pontos nesse caso. Ike teria que reunir o milhão sozinho ou seria expulso. E aí? Se vocês dividirem os pontos igualmente, podem acabar fazendo algo que não poderão desfazer.

Ike engoliu em seco ao ouvir seu próprio nome usado como exemplo.

— Não dá para contar com outros alunos para salvá-lo, porque cada um deles pode precisar de ajuda no momento seguinte. A única pessoa que pode protegê-lo é você mesmo — disse Chabashira. — Pessoas que trabalham duro são recompensadas. Isso é óbvio. Quando vocês entrarem no mundo real, é extremamente improvável que encontrem alguém disposto a compartilhar seu salário e bônus com amigos.

Talvez devêssemos ser gratos pelo conselho… mas isso só tornaria mais difícil unir a classe. Eu não duvidava que tudo que ela dizia fosse verdade; não conseguia imaginar nenhum professor desta escola causando problemas apenas por não haver precedentes. Chabashira sempre seguia as regras.

Dito isso, ainda havia mais nessa conversa.

Eu tinha certeza de que já existiram casos de indivíduos economizando pontos privados. Mas, inversamente, também tinha certeza de que houve incidentes em que alunos foram salvos porque seus colegas tinham acumulado muitos pontos. Como eu sabia disso? Bem, por experiência própria. No passado, Horikita e eu encontramos uma solução para fornecer pontos a Sudou quando parecia que ele estava prestes a ser expulso. Isso então estabeleceu um precedente.

No fim, compartilhar os pontos igualmente poderia ser visto como uma medida preventiva para situações imprevistas. Ter alunos segurando uma grande quantidade de pontos aumentava o risco de que a pessoa desviasse ou traísse a classe.

Chabashira acabara de dizer algo que prejudicava a coesão da própria classe dela. Não podia descartar a possibilidade de que fosse apenas política escolar, claro, mas…

— Então, vamos colocar em votação pela maioria? Gostaria de ouvir o que todos estão pensando. As pessoas que querem dividir as recompensas, por favor, levantem as mãos. Tudo bem se mudarem de ideia depois — disse Hirata. Levantou a mão de imediato.

Apenas algumas mãos se ergueram. A maioria dos meus colegas parecia preocupada. Unir a classe era importante, claro, mas na hora da verdade, era preciso ter uma forma de se proteger. A maioria dos alunos provavelmente tinha entre dez mil e cem mil pontos privados. Diante disso, não era de se espantar que muitos quisessem guardar os pontos como rede de segurança.

Por outro lado, alunos sem confiança nas próprias habilidades eram mais propensos a querer que os pontos fossem compartilhados com a classe. Havia alguns mais do que eu esperava, mas, no final, menos da metade da classe levantou as mãos.

— Obrigado.

A maioria era contra dividir os pontos. A proposta de Hirata fracassou.

— Meu conselho foi desnecessário, Hirata? — perguntou Chabashira.

— Não, sou grato por ele. É uma informação valiosa neste estágio.

Meu celular vibrou. Pensando que o indivíduo que eu havia contatado poderia ter respondido, tirei o aparelho do bolso — mas era a irmã dele, Horikita, quem havia me mandado mensagem. Naturalmente, era sobre o exame especial.

"Você tem alguma ideia?"

Ela escreveu. Poxa, sempre tentando me fazer agir.

"Nenhuma." 

Após pensar, enviei outra mensagem. 

"Meninos e meninas ficarão separados neste exame. Não posso ajudar em nada. Façam o melhor que puderem."

Minha tentativa de encorajá-la. Eu tinha certeza de que Horikita queria dizer muito em resposta, mas não queria ouvir. Fechei o chat e conferi outro grupo: o Grupo Ayanokoji (nomeado em minha homenagem, mas não de forma arrogante).

Keisei, Akito e até Airi e Haruka discutiam animadamente o exame. Li os textos, fechei o chat sem comentar e voltei a prestar atenção em Hirata.

— Não temos tempo suficiente para criar uma estratégia — dizia ele. — Se meninos e meninas vão ficar separados, enviar conselhos uns aos outros vai ficar complicado.

— Não acredito… — As garotas pareciam naturalmente apreensivas com a perspectiva de não poder recorrer a Hirata, que mantinha a classe unida e sempre foi alguém em quem podiam confiar.

— Já que os meninos não poderão ajudar, acho que as garotas devem escolher uma líder agora. Você aceita o papel, Horikita-san?

Hirata provavelmente vinha pensando nisso desde que Chabashira começou a explicar o exame. Ele escolheu Horikita porque ela era a única capaz de assumir a função.

— Muito bem. Se alguém tiver dificuldades, sintam-se à vontade para me procurar a qualquer momento. Não me importo — respondeu Horikita. Ela não demonstrava desagrado, mas, mesmo que estivesse gradualmente se tornando alguém em quem nossos colegas pudessem confiar, ainda não tinha nem de longe o nível de confiança que Hirata tinha. Claro, sendo Horikita, ela sabia disso.

— No entanto, tenho certeza de que várias outras garotas me acharão insuficiente — continuou. — Não gosto de dizer isso de mim mesma, mas tenho uma personalidade um tanto abrasiva.

Sim, realmente não era algo que alguém quisesse admitir.

— Por isso gostaria que Kushida-san me ajudasse. O que acha? — disse Horikita, olhando para Kushida, que estava próxima à frente do ônibus.

— Serei mesmo útil? — perguntou Kushida.

— Claro. Todos da nossa classe confiam em você.

— Hum… Tudo bem. Se quiser, eu ajudarei.

— Obrigada. Se alguém tiver dificuldade de falar diretamente comigo, pode fazê-lo por Kushida-san. Não me importo. Responderei a qualquer questão, por mais trivial que seja.

Embora a confiabilidade de Kushida fosse uma preocupação, essa estratégia era indiscutivelmente a melhor que tínhamos naquele momento. As regras do exame dificultavam bastante que meninos e meninas se intrometessem nos assuntos uns dos outros. Apesar de estarmos no mesmo espaço geral, nossas classes e testes ocorreriam em locais separados. Os meninos não teriam oportunidade de participar de nenhuma das disputas do lado das meninas. Com nossos celulares confiscados, a única oportunidade de contato seria a hora de jantar.

Dito isso, era vital que conseguíssemos reunir o máximo de informações possível. Eu precisaria de um intermediária para me repassar informações vindas das garotas. Kushida me preocupava. Isso deixava Horikita ou Kei como opções, e a primeira já tinha muito em suas mãos no momento. Eu também precisava considerar que ela tinha a tendência de interpretar demais minhas intenções e tomar ações desnecessárias.

Mais importante ainda, se ela fosse lidar com os pedidos de consulta das outras garotas, provavelmente não teria energia de sobra para mais nada. Suponho que acabaria tendo que usar a Kei, embora não pudesse obrigá-la a monitorar o grupo inteiro sozinha.

Enviei a quantidade mínima de informações necessárias para o celular da Kei. Ela respondeu imediatamente com uma mensagem em branco, confirmando o recebimento. Considerando que acabáramos de descobrir que a natureza única deste exame forçaria meninos e meninas a disputar separadamente por um tempo, ela provavelmente já esperava que eu a contatasse.

Kei provavelmente também queria algum conselho naquele momento. Considerando as regras deste exame, principalmente as relacionadas aos representantes e à possibilidade de levar alguém consigo à expulsão, não era impossível que Kei acabasse sendo uma peça sacrificável. Eu não podia dizer que ela estava bem naquele momento, seja em termos de notas ou de comportamento em aula.

Foi por isso que eu ia ensiná-la alguns truques para se proteger. Não eram coisas que todo aluno conseguiria executar, mas poderiam mantê-la um pouco mais segura.

Quanto a mim, não poderia me importar menos com o exame especial. Não tinha intenção de executar nenhuma estratégia vencedora. Tudo que eu queria era passar por ele em segurança e sem incidentes.

Isso não significava que eu não faria nenhum movimento — como o que acabara de fazer, dando conselhos à Kei. No pior cenário, este exame especial poderia levar vários alunos a serem expulsos da Classe C. Eu não podia proteger a classe inteira sozinho. Tinha que reduzir a lista de pessoas que queria resguardar.

Além de mim, queria proteger a Kei, que se tornara uma aliada fiel, e o Hirata. Considerando meu envolvimento com o conselho estudantil, precisava garantir que Horikita permanecesse por perto também. Depois havia meus amigos: Keisei, Akito, Haruka e Airi. Eles não poderiam ser minha prioridade máxima, mas como amigo, certamente esperava que não fossem expulsos.

Por fim, dada a rara oportunidade de os diferentes níveis de série se misturarem, eu deveria observar os movimentos de Nagumo. Quaisquer outros pequenos conflitos ao meu redor eram irrelevantes.

*

 

O ônibus saiu da rodovia e começou a subir a estrada pavimentada da montanha. Perguntei-me por que nossos passeios escolares sempre aconteciam em meio à natureza, como neste local ou no litoral.

De qualquer forma, um novo exame especial estava prestes a começar. Considerando que estavam confiscando nossos celulares, certamente seria aquele tipo irritante de teste onde você precisa reunir informações por conta própria ou usando seus contatos. E, já que quanto mais descuidadamente você agisse, mais informações vazariam, prudência e discrição seriam essenciais.

— Não nasci para isso… — murmurei, deixando escapar meus pensamentos honestos.

Não importava quantos exames especiais eu enfrentasse, eu simplesmente não me acostumava. Raramente tinha precisado cooperar com outras pessoas antes.

— Chegaremos em breve — disse Chabashira. — Assim que chegarmos, vocês formarão seus grupos. Depois, assim que a distribuição dos quartos estiver concluída, almoçarão, seguido de tempo livre à tarde.

— Isso significa… Yay! Não precisamos estudar! — Ike sorriu para mim.

Verdade, mas isso não era férias. Era um dia escolar. Mesmo considerando o tempo de viagem, era estranho que nos dessem folga à tarde — parecia quase como uma excursão normal, o que não podia estar certo.

O ônibus entrou na parada e reduziu a velocidade até parar.

— Quando seu nome for chamado, entregue seu celular e desça do ônibus. Ayanokoji. Ike — Chabashira começou pelos meninos, chamando nossos nomes em ordem silábica. Desliguei meu celular e o coloquei em uma caixa plástica ao lado da professora. Ao desembarcar, um professor desconhecido se aproximou, instruindo-nos a esperar a uma curta distância do ônibus.

— Cara, que frio! — gritou Ike, abraçando-se fortemente. Provavelmente porque estávamos na montanha. Certamente estava mais frio aqui do que na escola. No entanto, o que víamos à frente fez-nos esquecer do frio por um momento.

— Uau. Que lugar é esse? Isso parece muito para um "acampamento escolar"

Extensos terrenos se estendiam diante de nós, com alguns prédios escolares extremamente antigos visíveis à distância. Nosso lar para a próxima semana. Eram enormes, provavelmente para acomodar os alunos de todos os três anos.

Era semelhante ao teste na ilha desabitada. Assim como naquele teste, eu realmente não tinha muita experiência em viver no meio da natureza. Pessoas como Ike, que fora escoteiro, seriam úteis aqui. Assim como aqueles como Sudou, pela força física.

As garotas desceram do ônibus em seguida. Parecia que Horikita queria vir falar comigo, mas infelizmente já estávamos sendo organizados em filas separadas. Meninos e meninas se dirigiram para seus respectivos prédios escolares, com os meninos sendo direcionados ao maior, chamado de prédio principal. Uma vez lá dentro, senti minhas narinas serem acariciadas pelo aroma nostálgico do interior de madeira.

— Esse realmente é um prédio escolar tradicional de madeira, né? É antigo, mas ainda bonito. Deve ser excepcionalmente bem conservado — disse Hirata. Todos concordaram.

No caminho, vimos o que parecia ser uma sala de aula. Não havia ar-condicionado, apenas um único fogão no centro da sala. Provavelmente teríamos aulas a partir de amanhã em salas assim.

Finalmente, chegamos ao que parecia ser um ginásio. Os meninos das Classes A e B, que já estavam lá, nos olharam. Os alunos da Classe D apareceram logo depois, então os do segundo e terceiro ano provavelmente estariam chegando em seguida.

Fomos ordenados a formar uma fila e aguardar novas instruções.

As Classes A e B pareciam calmas e não conversavam entre si. Provavelmente já haviam terminado de traçar suas estratégias no ônibus, né?

*

 

Os meninos de todos os anos se reuniram dentro do ginásio.

Os tímidos calouros se aglomeraram, esperando em silêncio, e logo depois, um professor de uma das turmas mais avançadas subiu ao palco, microfone na mão.

— Vou presumir que todos vocês entenderam o conteúdo do exame após a explicação dada no ônibus — disse ele. — Cada ano de série agora realizará discussões internas e se organizará em seis pequenos grupos. Os grandes grupos serão formados às 20h de hoje. Isso é tudo. Lembro que a escola não terá nenhum papel na formação desses grupos, nem grandes nem pequenos. Nem os funcionários agirão como mediadores.

Ok, então. Perguntei-me quais seriam as estratégias das outras turmas. Elas provavelmente já tinham algum plano, mas… veríamos como se desenrolava.

Cada ano — calouros, segundos e terceiros — se afastaram dos outros, e as discussões começaram. Eu estava curioso para saber o que os veteranos estavam fazendo, mas era difícil perceber algum detalhe daqui.

Enquanto tentava observá-los, já havia movimentação dentro das turmas do primeiro ano. Eu pensava que íamos tentar nos sondar um pouco mais, mas a Classe A começou imediatamente, formando um grande grupo. Um movimento que chamava bastante atenção, dado o impasse em que estávamos.

Havia vinte meninos na Classe A do primeiro ano. Quatorze deles se uniram em um único grupo e fizeram a seguinte declaração para as pessoas da Classe B e demais:

— Como podem ver, nós da Classe A pretendemos formar um único grupo dessa forma. Atualmente temos quatorze pessoas e precisamos de mais uma para atender aos requisitos. Estamos procurando alguém para se juntar a nós.

Quem disse isso foi um aluno da Classe A chamado Matoba. Vi Katsuragi entre os quatorze meninos do grupo, mas se Matoba era o líder, isso significava que Katsuragi não era o representante também? De qualquer forma, ficou claro que a estratégia da Classe A era formar um grupo com o maior número possível de seus próprios membros.

— Ei, ei! Que diabos vocês, egoístas, estão fazendo? Não é justo se vocês forem os únicos a fazer algo assim! — disse Sudou, olhando irritado para a Classe A.

— É egoísmo? Nosso grupo será formado apenas por estudantes de duas turmas. Mesmo se ficarmos em primeiro lugar, nosso modificador será baixo. Não acho que seja uma proposta gananciosa.

— Bem, claro. Mas não é justo que sejam quatorze de vocês.

— Pelo contrário, é muito justo. Como as três turmas restantes podem criar três grupos de quinze pessoas cada, todos vocês podem formar grupos semelhantes ao nosso. Certo?

— Eh, acho? — disse Sudou, sem entender muito bem. Ele olhou para Hirata em busca de ajuda.

— Isso mesmo — disse Hirata.

— Então essa discussão é inútil. A propósito, concordamos que os seis meninos restantes da Classe A se juntarão felizmente a qualquer grupo que vocês formarem, independentemente da composição — disse Matoba, sorrindo amplamente. Ele se voltou também para Kanzaki e Shibata da Classe B.

— Hm… Bom, acho que isso não é uma má proposta. O que você acha, Kanzaki?

— Desculpe, preciso de mais tempo para responder — disse Kanzaki.

— Não consigo imaginar que os alunos da Classe A iriam tão longe a ponto de prejudicar deliberadamente as outras turmas, mas suponho que é melhor ser cauteloso…

A Classe A estava pressionando todos a tomarem uma decisão imediatamente, mas Kanzaki não parecia inclinado a se apressar. Em resposta à demora, Matoba voltou com uma declaração firme:

— Vocês têm cinco minutos. Tomem sua decisão até lá.

— Um limite de tempo? Acabamos de começar a discutir isso. A Classe A nos deu uma opinião, não uma ordem — vocês não podem tomar uma decisão unilateral aqui. Um prazo de cinco minutos é absurdo.

Apesar da alegação da Classe A de que aceitar a proposta significava que cada turma poderia formar seu próprio grupo de quatorze pessoas, seria mentira dizer que isso era justo para todas as turmas. Pensando bem, a Classe A era a única que podia se dar ao luxo de não se preocupar com um modificador baixo. Eles estavam atualmente em primeiro lugar e liderando em pontos.

— Suponho que não seria justo tomarmos essa decisão apenas por nós mesmos — disse Matoba. — Mas vocês estão enganados. Não estamos dizendo que não negociaremos depois que os cinco minutos acabarem. Estamos apenas oferecendo condições especiais para alguém dentro desses cinco minutos.

— Condições especiais? — Matoba continuava a controlar a conversa, justamente porque as outras turmas ainda não tinham definido o que queriam. Era, certamente, algo próximo de um ataque preventivo.

— A Classe A vai formar um grupo de quatorze pessoas, o que significa que precisamos de um estudante de outra turma. Deixando de lado os méritos dessa estratégia, é verdade que estamos empurrando essa ideia egoisticamente para vocês. Portanto, a única pessoa que aceitaremos em nosso grupo receberá tratamento especial — explicou ele, de forma eloquente.

Isso devia ter sido planejado no ônibus.

— O estudante que se juntar ao nosso grupo não correrá risco algum. Katsuragi-kun será o representante do grupo, e, no improvável caso de ficarmos em último, ele assumirá toda a responsabilidade. Ninguém será arrastado pela regra da solidariedade. Claro, isso vale apenas se o participante especial não reduzir intencionalmente nossas pontuações ou prejudicar nossos amigos. Se suas notas forem realmente baixas, apesar de seus esforços, tudo bem.

Então essas eram as condições especiais, hein?

— Você está falando sério…?

A proposta tinha méritos. Reunir membros habilidosos em um mesmo grupo para criar um grupo com modificador alto podia ser necessário para avançar a turma, mas eram essas pessoas habilidosas — o núcleo da turma — que assumiam os riscos de a estratégia dar errado. Do ponto de vista de um aluno médio, preocupado com a expulsão, o sistema de tratamento especial proposto por Matoba não era nada mau. Garantiria que eles passassem em segurança pelo exame especial.

Ainda assim, por que Katsuragi não estava sugerindo isso? Seria consequência dele ter perdido status na turma?

— Pretendemos ficar em primeiro lugar, o que significa que há uma grande possibilidade de que nosso participante especial seja recompensado com pontos privados. Vocês não estão nervosos com este exame especial? — perguntou Matoba, olhando ao redor. Suas palavras claramente ressoaram com os alunos mais inseguros. — No entanto, se não conseguirem decidir dentro do prazo de cinco minutos, a oferta especial expira. No improvável caso de nossa turma receber uma penalidade, não hesitaremos em arrastar esse estudante conosco.

— É uma proposta interessante. Mas depois que os cinco minutos passarem, o valor de se juntar ao grupo de vocês cai significativamente. Ninguém quer entrar em uma equipe com tanto risco de ser arrastado — disse Kanzaki.

— É, isso mesmo. Quem seria louco o suficiente para fazer isso? — disse um aluno que, por um instante, tinha se encantado com a ideia das condições especiais.

— Não me importa o que vocês pensam. Mas essas são as nossas condições — disse Matoba, dando um passo para trás. Seu grupo se moveu com ele, sinalizando o fim da discussão.

— Acho melhor ignorá-los. Depois que os cinco minutos passarem, ninguém vai querer entrar no grupo deles. Eles vão voltar — disse Kanzaki.

— Suponho que sim — disse Shibata.

Dito isso, se afastaram calmamente. Não vi Kaneda e os outros recém-rebaixados da Classe D fazendo qualquer movimento estranho também.

Hirata, porém, parecia ser o único que pensava diferente sobre a proposta da Classe A. Ele se aproximou de Keisei, Akito e de mim, perguntando em voz baixa:

— O que vocês acham?

— Sobre a estratégia deles? — respondeu Keisei, assumindo a liderança da conversa.

— Sim. Surpreendentemente, não acho que seja uma má ideia. É absolutamente essencial que todos da Classe C passem por este exame. Acabamos de ser promovidos, e não quero que nenhum colega seja expulso. Se um estudante nervoso com este exame entrar no grupo da Classe A, ele deve conseguir ficar tranquilo — disse Hirata.

Como estratégia defensiva, a proposta da Classe A tinha seus méritos.

— Claro, ainda resta ver se a Classe A vai cumprir a promessa do tratamento especial. Se eles acabarem ficando em último lugar, podem usar a regra da solidariedade para arrastar alguém com eles — acrescentou.

As preocupações de Hirata eram compreensíveis. Acordos verbais tinham força, mas mesmo que confrontássemos a Classe A após uma traição, eles poderiam nos prender em discussões intermináveis. Se fingissem ignorância, tudo ficaria complicado. Afinal, a promessa dependia de ninguém sabotar intencionalmente o grupo. Se as notas de um aluno fossem baixas, seria difícil provar se foi intencional ou não.

Mesmo assim, não podíamos registrar isso por escrito; não havia canetas ou papel à mão. Os professores foram instruídos a não ajudar, então pedir que testemunhassem uma promessa verbal provavelmente seria inútil.

Dito isso, as palavras de Matoba despertaram o interesse de todos os calouros. Ele não tinha nada a ganhar ao voltar atrás em suas palavras. Talvez fosse seguro confiar na Classe A nesse ponto.

— Pode ser possível fazer com que eles protejam uma pessoa — disse eu, entrando na conversa com Hirata e Keisei.

— Sim. Se fizermos um movimento agora, resta apenas a questão do que as Classes B e D vão decidir… — respondeu Hirata.

Aceitar a oferta seria visto como alinhar-se à Classe A, que optou por uma abordagem agressiva. Mesmo com uma janela de tempo curta, Hirata parecia querer refletir até o último segundo possível. Cerca de três minutos haviam se passado desde a súbita proposta da Classe A. Não sabíamos se eles estavam contando cada segundo rigorosamente, mas Matoba e os outros pareciam esperar despreocupadamente.

Talvez estivessem esperando alguém se voluntariar. Ou talvez estivessem pensando em outra estratégia. Observamos cuidadosamente nos dois minutos restantes, esperando que se movessem — embora o que fariam dependesse dos líderes das Classes B e inferiores.

— Kanzaki-shi. Tenho uma proposta. Quer ouvir? — disse Kaneda.

Em vez de sussurrar, ele falou em voz alta, para que todos ouvissem, chamando Hirata para se juntar a eles também.

— Determinei que esta é uma oportunidade que devemos aproveitar — disse. — Graças à Classe A se organizar assim, mesmo que o grupo deles ganhe neste exame, eles terão apenas um modificador de pontos por representar duas turmas. Além disso, se aceitarmos suas condições, podemos distribuir os restantes alunos da Classe A como quisermos. Poderíamos configurar os grupos restantes para incluir estudantes de todas as quatro turmas, o que significa que quanto mais bem classificados esses grupos estiverem, maior a probabilidade de reduzir a diferença entre sua turma e a Classe A. Certo?

— Isso só vale se conseguirmos ficar à frente deles — disse Hirata.

Eu não sabia os pontos exatos, mas durante o Paper Shuffle, a Classe A havia destruído a Classe B. Em um teste de habilidade acadêmica, isso poderia dar errado.

— É certamente arriscado. No entanto, não se trata apenas de acadêmicos. O que acham? Eu digo que devemos tentar derrubar a Classe A aqui e agora — disse Kaneda.

Ou seja, fazer com que as Classes B, C e D cooperassem para cercar a Classe A ali mesmo.

— Deixar a Classe A com um grupo de quatorze dos seus é um preço pequeno, comparado ao multiplicador de pontos por representar todas as quatro turmas em um único grupo. Com a oferta de tratamento especial, deve funcionar perfeitamente.

— É isso mesmo. Gosto da estratégia do Kaneda-kun — disse Hirata. Kanzaki, mais cauteloso, continuava refletindo sobre os benefícios de ter pessoas de todas as quatro turmas em um único grupo.

— Mas quem vai entrar no grupo principal da Classe A? — disse ele. — Duvido que algum aluno da Classe B queira se juntar a eles. Eu mesmo não quero.

Mesmo que o participante especial fosse protegido da expulsão, passaria a semana em um grupo formado apenas por alunos da Classe A. Certamente não seria confortável.

— Vamos perguntar aos alunos das Classes B e D. Alguém quer se voluntariar? — disse Hirata.

Olhamo-nos uns aos outros. Mas ninguém levantou a mão.

— Então quero perguntar à Classe C. Alguém quer se voluntariar? — disse Hirata, desta vez se dirigindo à nossa própria turma. Mas obteve a mesma reação.

Alguns provavelmente estavam considerando a oferta por causa da cota especial, mas também ansiosos por estarem sob os olhares de todos. Sem contar estar em território "inimigo" por uma semana.

— Essa é só minha opinião — disse Hirata — mas acho que a Classe A vai cumprir sua palavra.

— Como você pode saber disso?

— Porque eles são a Classe A, suponho. Se eles obrigarem um aluno de menor ranking a ser expulso, ninguém mais confiaria neles para fechar um acordo. Estamos apenas no terceiro semestre do nosso primeiro ano. Perder credibilidade agora seria um grande revés.

As palavras de Hirata faziam sentido. Se fosse uma batalha final e decisiva, a Classe A poderia agir sem se importar com a reputação. Mas ainda tinham mais de dois anos pela frente. Se fossem vistos cumprindo a palavra, poderiam continuar usando métodos semelhantes nos próximos exames. Hirata estava dizendo que eles não fariam nada muito imprudente ainda.

— Não quero elogiar um inimigo, mas esta é a Classe A. Suas notas são simplesmente melhores que as nossas. Duvido que fiquem em último ou abaixo da média. Sua segurança estaria garantida.

Ike e os outros compreendiam bem a tentação.

— Felizmente, não parecem haver candidatos das Classes B ou D. Gostaria de escolher alguém da Classe C para se juntar ao grupo da A. Mesmo que eles ganhem, nossa turma se beneficiaria, e alguém evitaria a expulsão. Que tal? — disse Hirata.

Ele olhou especificamente para Ike e Yamauchi, querendo proteger os alunos mais ansiosos. Ele se certificou de confirmar a veracidade do que dizia com Matoba também.

— Mesmo que o participante especial obtenha nota abaixo da média do grupo, você promete não puni-lo? — perguntou a Matoba.

— Claro. Não pedimos nada a esse aluno. Se ele cumprir as condições que indiquei antes, tem minha palavra.

— Acho que vou fazer isso — murmurou Ike. Ao ouvir isso, Yamauchi disse o mesmo.

— Acho que também quero me voluntariar — acrescentou o Professor, chegando a três candidatos.

— Para manter a justiça, que tal decidirmos com pedra-papel-tesoura? O vencedor se junta ao grupo — sugeriu Hirata. Fizeram exatamente isso, e Yamauchi venceu, tornando-se o escolhido para se juntar ao grupo principal da Classe A. Assim, o primeiro grupo foi formado. Eles se apresentaram à Mashima-sensei, deixando os seis alunos restantes da Classe A para trás.

— Agora podemos formar os grupos restantes como quisermos. Suponho que poderíamos fazer como a Classe A sugeriu e formar três grupos de quatorze pessoas da mesma turma. E, assim como a Classe A, poderíamos prometer não invocar a regra da solidariedade contra a única pessoa de outra turma. Pessoalmente, no entanto, eu preferiria fazermos como eu sugeri antes e misturar as quatro turmas.

— Isso mesmo. Agora que vamos seguir o plano da Classe A, acho que devemos misturá-los.

— Não tenho objeções. E vocês, Classe C?

A estratégia de Kanzaki e Kaneda foi pensada para garantir o maior multiplicador de pontos possível.

— Se queremos ganhar, é isso que precisamos fazer. Não tenho objeções — disse Hirata.

— Espere um minuto, Hirata. Isso é realmente certo? Tipo, eu não quero entrar em um grupo com alguém como o Ishizaki — interrompeu Sudou.

Não era só Sudou. Keisei e outros alunos da Classe C sentiam o mesmo, e também se ouviam reclamações de alguns alunos das Classes B e D. Ter alunos de todas as quatro turmas dava um multiplicador alto, mas também podia gerar conflitos. Se estudantes que brigavam como gato e cachorro ficassem no mesmo grupo, isso poderia até afetar as notas.

— Entendo. Não acho que possamos decidir isso imediatamente. O que funciona para a Classe A pode não funcionar para nós.

Dado o quão satisfeitos os alunos da Classe A pareciam, provavelmente haviam concordado em dividir as recompensas igualmente entre todos os colegas. Podiam até ter prometido dar aos seis alunos excluídos do grupo principal uma parcela maior dos prêmios para compensar os riscos maiores que enfrentariam. Podiam se dar ao luxo de fazer isso justamente porque eram da Classe A e estavam em uma posição relativamente segura.

— Por que não formamos grupos hipotéticos por enquanto? Se alguém se opuser, podemos parar e recomeçar.

— Parece bom. Tentar "sentir o terreno" desperdiça tempo precioso e não nos levará a um consenso, e a Classe A já passou para a próxima etapa.

Discutir para lá e para cá não levaria a lugar algum. Os outros alunos provavelmente estavam deixando as decisões para seus respectivos líderes, porque quase não havia opiniões divergentes.

— Não tenho objeções — disse Kaneda, aceitando a proposta sem resistência. Começamos a formar os grupos de forma suave e eficiente. Mesmo sem que ninguém se manifestasse, muitos alunos ainda mantinham olhares céticos.

Ryuen, e não Kaneda, era o líder original da Classe D. Todos sabiam disso. Mas Ryuen não participava da discussão em grupo. Na verdade, mantinha distância de todos e nem parecia prestar atenção. Agora que o terceiro semestre havia começado, era de conhecimento geral que ele havia deixado seu posto de autoridade há algum tempo. Entre os alunos que não conheciam os detalhes de sua queda, havia vários que suspeitavam que tudo era uma encenação.

— Gostaria de te perguntar algo. O Ryuen te disse para fazer isso? — perguntou Shibata, levantando a questão que Hirata e até Kanzaki não ousaram.

Kaneda tirou os óculos e soprou a poeira das lentes.

— Não. Foi ideia minha. As opiniões dele são irrelevantes. E mesmo se estivéssemos colaborando nos bastidores, sou eu quem está falando com vocês agora. Algum problema com isso?

Sua expressão ficou um pouco sombria.

— Só queria ter certeza. Desculpe se te ofendi — se desculpou Shibata.

— Não ofendeu. Agora vamos continuar com nossa discussão. Não temos tempo para conversa fiada.

Montar esses grupos era uma tarefa complicada. Cada grupo precisava funcionar como uma equipe, enquanto os membros individuais tentavam evitar expulsão e, ao mesmo tempo, ajudar sua turma. Parecia fácil, mas não era. O processo envolvia garantir jogadores competentes e evitar ficar com os incapazes.

Precisávamos garantir que os alunos que provavelmente atrapalhariam os outros acabassem em outro grupo. Hirata, Kanzaki e Kaneda escolheram atuar como representantes de seus respectivos grupos, deixando a formação dos pequenos grupos restantes para depois.

Voluntários imediatos da Classe C correram para Hirata. Ter um colega como representante de grupo significava provavelmente estar seguro de ser arrastado pela regra da solidariedade, além de já conhecê-los bem. Uma boa maneira de minimizar interferência de outras turmas. As pessoas se agrupavam dessa forma, e a Classe B mostrava tendências semelhantes. Os membros de seus grupos foram decididos mais rápido do que eu imaginava.

A Classe D foi a última a se organizar, e fez isso lentamente. Eu provavelmente não era o único observando-os. Alunos proeminentes como Kanzaki e Shibata os observavam, claro, mas muitos outros também, todos curiosos para saber exatamente como Ryuen Kakeru se encaixava no quebra-cabeça da Classe D naquele momento.

Ninguém confiava na Classe D. Compreensível, dado quantas vezes Ryuen Kakeru tentou nos atrapalhar.

— O que você vai fazer, Kiyotaka? — Keisei e Akito vieram conferir comigo.

— E vocês? — perguntei, devolvendo a pergunta enquanto mantinha uma expressão de dúvida.

— Estou pensando em ficar com o Keisei. Quero dizer, usar minha cabeça realmente não é meu forte.

— Um grupo composto principalmente por alunos da Classe C é atraente. É só que, bem, para ser honesto… não estou totalmente satisfeito com o jeito do Hirata de fazer as coisas.

— Quer dizer? — perguntou Akito, sem entender o que Keisei queria dizer.

— Hirata foca em proteger seus camaradas, e não em vencer. Não é ruim, mas não nos faz avançar como turma. Além disso, Ike, Onizuka e Sotomura querem entrar no grupo do Hirata. Como eles vão se sair dependerá da natureza dos próximos testes, claro. Eles podem até ter pontuação melhor que a minha. Mas é muito mais provável que não, dado como este exame está se desenrolando.

— Bem, é verdade…

— A Classe A não é uma gangue indisciplinada. Mesmo que Yamauchi atrapalhe, é duvidoso que o grupo do Hirata consiga vencê-los. O único objetivo sob a estratégia dele é evitar ser eliminado pela regra da solidariedade. Dito isso, acho que prefiro ser minoria em outro grupo. Devemos mirar na vitória, usando apenas os melhores.

— Se tudo se resumir às médias, parece uma boa abordagem, suponho.

Havia oitenta meninos no primeiro ano, vinte em cada turma. Se os dividíssemos, os quatro grupos principais seriam assim:

GRUPO A (14 A, 1 C) = 15 pessoas

GRUPO B (12 B, 1 A, 1 C, 1 D) = 15 pessoas

GRUPO C (12 C, 1 A, 1 B, 1 D) = 15 pessoas

GRUPO D (12 D, 1 A, 1 C, 1 B) = 15 pessoas

Isso deixava vinte pessoas (três da Classe A, seis da B, cinco da C e seis da D) que provavelmente teriam que formar dois grupos. No entanto, enquanto a maioria dos alunos seguia as instruções de seus líderes de classe, alguns não pareciam dispostos a cooperar. Um desses alunos era, sem dúvida, Ryuen Kakeru da Classe D, que evitava interagir com qualquer um, permanecendo sozinho como se não tivesse interesse algum em participar deste exame desde o início.

Apesar de estar sozinho, não parecia estar se lamentando ou algo assim. Se bem que, parecia mais que ele estava esperando orgulhosamente por sua solidão. De qualquer forma, um dos grupos restantes teria que aceitá-lo.

Havia apenas um aluno que eu podia imaginar fazendo isso em uma situação em que até Ishizaki, colega de classe de Ryuen, não falaria com ele.

— Ryuen-kun. Você gostaria de se juntar ao nosso time? — Claro, era Hirata.

Eu podia entender por que alguém como Ryuen, que praticamente se aposentou da competição entre classes, acharia um exame de colaboração obrigatória como esse irritante. Dito isso, ele provavelmente não desafiaria imprudentemente a vontade da escola.

— Espere, Hirata! Levar o Ryuen? Isso não é engraçado!

Todos que haviam se juntado ao grupo de Hirata resistiram. Quem iria querer trabalhar ao lado da maior bomba-relógio ambulante? Ryuen era o elemento mais desnecessário de uma estratégia para subir para a Classe A. Os alunos entendiam isso — mas, ao mesmo tempo, dúvidas surgiam dentro deles.

Dúvidas, isto é, sobre o cenário em que eles se formariam "em uma classe que não fosse a A".

Falhar em se formar na Classe A significava que nunca se beneficiariam da garantia quase inacreditável desta escola de conseguir ingresso em qualquer instituição ou carreira que desejassem. Qual seria o sentido de se formar se não fosse na Classe A?

Essa pergunta assombrava todos na escola. Era o mesmo tipo de inquietação mista que se sente quando notícias boas e ruins chegam ao mesmo tempo. Sem a Classe A, você seria rotulado como um fracassado. Universidades ou empresas poderiam se recusar a admitir ou contratar quem não tivesse competência suficiente.

Claro, sem dúvida havia muitos que respeitavam os formados da Advanced Nurturing High School. Passar três longos e difíceis anos na meritocracia pura de uma escola patrocinada pelo governo tinha seu próprio valor. Formar-se nesta escola, de qualquer forma, ainda era uma conquista substancial, desde que não se criassem expectativas muito altas.

Quanto aos alunos do segundo ano, Nagumo já era o líder da Classe A, muito à frente da Classe B e abaixo. Com um ano restante, outras classes ainda podiam virar o jogo, mas seria uma batalha difícil. Os alunos do terceiro ano também enfrentavam dificuldades. Embora a situação deles não fosse tão desigual quanto a dos segundos anos, eu ouvira que a Classe A, onde o irmão de Horikita estava, nunca havia perdido a liderança e continuava firme.

Neste ponto, havia quase nenhuma chance para os alunos do segundo e terceiro ano da Classe D conseguirem qualquer tipo de recuperação, a não ser que algum milagre acontecesse… Talvez se fosse um daqueles programas de quiz em que você podia alcançar o primeiro lugar acertando a pergunta final crucial. Mas duvidava que isso acontecesse aqui.

Deixando de lado os alunos do primeiro ano que ainda não compreendiam o panorama geral, todos provavelmente estavam aterrorizados com a expulsão. Eu não conseguia imaginar uma universidade ou empresa recebendo de braços abertos um aluno expulso.

Os sistemas deste exame, como a regra da solidariedade, eram no máximo um impedimento.

O sistema do exame, em que o representante podia arrastar alguém junto com ele, era no máximo um dissuasor. Era uma regra criada para garantir que os alunos não fossem expulsos à força. No entanto, estar vigilante ainda era importante. Ainda havia a possibilidade de haver algum aluno que não se importasse em ser expulso, e, na remota chance de um representante ser expulso, ele provavelmente não hesitaria em arrastar alguém junto.

Isso significava que todos deveriam procurar marcar mais pontos que seu representante, mesmo que apenas um ponto a mais, para escapar da regra da solidariedade. Além disso, era importante não provocar a ira do representante.

— Oh, ho, que ousadia, Hirata, me levar pro grupo. Mas parece que ninguém está muito a fim — disse Ryuen.

Exato. Eles não concordariam, e o grupo não se formaria a menos que Hirata conseguisse convencê-los.

— Ei, Keisei. Não seria arriscado fazer parte de um grupo de elite? — murmurou Akito, olhando para os membros restantes.

— Sim, talvez mais do que eu pensei.

Keisei suspirou, exasperado. Além de mim, os cinco alunos restantes da Classe C eram Keisei, Akito, o Professor, Onizuka e Koenji. O Professor e Onizuka queriam entrar no grupo de Hirata, mas ele já estava cheio. Quanto a Koenji, ele fazia seu próprio caminho, por assim dizer. Não participava de discussão alguma.

Poderíamos argumentar que gostaríamos que esses cinco permanecessem juntos, mas então teríamos dois grupos de dez restantes, significando que as outras classes não poderiam fazer o mesmo. Além disso, como praticamente não restavam alunos dispostos a assumir o papel de representante, os movimentos dos alunos se tornaram rígidos, como se o tempo tivesse parado.

— Contanto que eu não esteja em um grupo com Ryuen, estou tranquilo — disse um aluno da Classe B.

— Eu também gostaria de evitar Ryuen — disse Keisei.

Todos estavam no time "Não Ryuen", provavelmente porque ninguém sabia o que ele poderia fazer em seguida. Até seus antigos aliados, como Ishizaki, mantinham distância. Shiina Hiyori, que não tinha se envolvido na briga no telhado, poderia ter apoiado Ryuen, mas não estava presente.

— Isso não vai ser fácil.

— O melhor plano seria colocá-lo no grupo da Classe D.

— Seria ótimo, claro, mas estamos meio presos agora.

— Ouvi dizer que eles tiveram um desentendimento. Mas não tenho provas suficientes para saber se isso é verdade.

Era compreensível que Kanzaki — na verdade, todos ali — tivessem dúvidas. Provavelmente viam toda a situação como a Classe D soltando Ryuen de propósito, esperando que ele sabotasse alguém.

— Kanzaki-kun — disse Hirata — se Ryuen-kun realmente está com problemas, acho que deveríamos fazer algo a respeito.

— Ao dizer "fazer algo a respeito", você quer dizer que as Classes B e C deveriam ajudá-lo. É isso?

— Sim.

— Mesmo que isso ajude a Classe D, duas outras classes seriam prejudicadas no processo. Pesando os riscos, não é uma boa ideia.

Kanzaki estava certo. Incluir Ryuen significava correr um risco que deveria ser assumido por sua própria classe. Kaneda e Ishizaki poderiam não gostar da situação, mas não tinham direito de impor Ryuen a outra classe, e não precisávamos assumir a responsabilidade pelos problemas deles.

Vale lembrar que, se estivéssemos competindo em duplas, Hirata provavelmente teria se unido a Ryuen num piscar de olhos. Mas este era um teste em grupo. A boa vontade de uma pessoa não poderia decidir tudo, como evidenciado pelo silêncio que se seguiu.

Parecia que formar os grupos levaria mais tempo do que o esperado. A paranoia e a desconfiança surgindo dos três grupos que se formaram imediatamente ao excluir Ryuen não ajudavam em nada.

*

 

— Deixem-me sugerir algo. O problema que estamos enfrentando agora é o Ryuen. Estamos discutindo sobre em qual grupo colocá-lo, certo? Nesse caso, eu estaria disposto a agir como representante de um grupo em troca de esse grupo aceitar o Ryuen — disse Akito, que vinha observando cuidadosamente a situação ao meu lado.

Claro, declarar que aceitaria Ryuen quando ninguém mais queria imediatamente levantou suspeitas.

— O que você está tramando?

— É simples. Em troca, quero a maior parte da recompensa pelo primeiro lugar.

Não achei que as pessoas resistiriam à ideia, mas, por outro lado, todos entendiam que aceitar Ryuen trazia grandes riscos. Só que… bem, eu nunca imaginaria que Akito faria um movimento com a intenção de conseguir a recompensa. Suspeitei que ele estivesse simplesmente tentando encontrar um motivo para aceitar Ryuen, já que ninguém mais se dispunha a fazê-lo.

— O que exatamente você está propondo? Você não pretende usar a regra da solidariedade para arrastar alguém junto com você, se for o caso, certo?

— A menos que alguém tente sabotar descaradamente, eu não farei isso. E as regras dizem que eu não posso, de qualquer forma.

Os membros dos grupos hipotéticos ficaram em silêncio após ouvir o argumento bem fundamentado de Akito. E assim, apesar de alguns obstáculos no caminho, os alunos do primeiro ano finalmente conseguiram formar seis grupos.

Isso incluía o meu grupo, que foi composto da seguinte forma:

Da Classe C, tínhamos Koenji, Keisei e eu. Três pessoas.

Da Classe B, tínhamos Sumida, Moriyama e Tokitou. Três pessoas.

Da Classe A, tínhamos Yahiko e Hashimoto. Duas pessoas.

Da Classe D, tínhamos Ishizaki e Albert. Duas pessoas.

Dez pessoas no total.

Nosso grupo era claramente diferente dos outros cinco. Tínhamos uma mistura muito mais equilibrada de alunos de diferentes classes, embora eu supusesse que o grupo que Akito representava não fosse tão diferente assim. No entanto, nosso grupo ainda precisava de um representante. Nenhum de nós parecia ter grandes habilidades de liderança, e ninguém se propunha a assumir o papel. Sem alguém para liderar e guiar todos em direção a um consenso, todos ficamos ali, sem saber o que dizer.

De qualquer forma, precisávamos pelo menos informar à escola que havíamos formado nosso grupo com sucesso. Poderíamos escolher o representante depois. Então, nós dez — grupo número seis — nos dirigimos para relatar aos responsáveis da escola.

— Mesmo tendo conseguido evitar Ryuen, ainda estou preocupado em conseguir uma média decente — disse Keisei, ansioso.

Eu também não tinha certeza de quão bons eram os outros alunos. Pessoalmente, eu queria evitar estar no mesmo grupo que Ishizaki e Albert, mas não havia mais nada a fazer nesse ponto. Ishizaki recusava-se claramente a me olhar nos olhos, mas isso não significava necessariamente que algum terceiro notaria algo. A maioria assumiria que ele simplesmente não dava atenção a mim.

— O Koenji também vai ser um problema — eu disse.

Se Koenji levasse as coisas a sério, ele seria imparável. Suas habilidades atléticas e acadêmicas eram impressionantes. Mas "levar a sério" era justamente onde tudo desmoronava.

— Quer dizer, ele é o Koenji, mas ele realmente não faria algo que nos prejudicasse, certo? Se fizer, talvez esteja tudo perdido.

Eu tinha a sensação de que Koenji marcaria acima da média, mas o faria de maneira desleixada, sem compromisso. A única certeza sobre ele era que seus motivos eram impenetráveis. Se continuasse desmotivado, nosso futuro seria incerto.

Quando terminamos de fazer nosso relatório, notei um grupo circulando. Era o grupo composto principalmente por alunos da Classe A, que já deveriam ter ido embora. A princípio, pensei que quisessem descobrir como os outros cinco grupos haviam se organizado, mas parecia que não era o caso. Havia também alunos do segundo e terceiro ano esperando por ali. Mais importante ainda, estava o presidente do Conselho Estudantil, Nagumo Miyabi, que governava os segundos anos com mão de ferro.

Após confirmar que todos os alunos do primeiro ano haviam formado seus grupos, ele me chamou:

— Vocês foram surpreendentemente rápidos. Pensei que isso levaria mais tempo.

Parecia que os alunos do segundo e terceiro ano também haviam terminado de compor seus pequenos grupos quase totalmente.

— Tenho uma proposta para vocês, calouros — disse Nagumo. — Que tal formarmos agora um grande grupo?

— Não vamos decidir isso hoje à noite, Nagumo-senpai?

— Isso é apenas a escola sendo flexível. Eles não esperavam que os pequenos grupos se formassem tão rapidamente. Já que todos os anos terminaram, não seria melhor avançarmos para a próxima etapa?

Aparentemente, sua sugestão foi inesperada — até para os professores. Percebendo que íamos começar a formar os grandes grupos, os professores começaram a se mover às pressas. Já que o próprio presidente do Conselho estudantil havia proposto isso, os outros alunos dificilmente poderiam recusar.

— Vocês não se importam, Horikita-senpai?

— Não me importo. Isso também é mais conveniente para nós.

As discussões começaram, com Nagumo no centro.

— Então, como faremos isso? Devemos ter um sistema de escolha por draft? Uma pessoa de cada pequeno grupo do primeiro ano joga pedra-papel-tesoura contra as outras. Os resultados determinam a ordem em que as pessoas fazem suas escolhas. Com base nessa ordem, podem escolher quais pequenos grupos de segundo ou terceiro ano querem, e assim teremos os grandes grupos. Um processo justo e rápido.

— Os calouros não têm muita informação para basear suas escolhas. Isso não parece justo.

— Nunca vai ser completamente justo. No final, todos temos diferentes quantidades de informação.

Seguiu-se uma conversa breve, mas importante, entre Nagumo e o irmão de Horikita. Um calouro não teria como interromper.

— O que vocês, calouros, acham? Se tiverem alguma reclamação, falem — disse Nagumo, sabendo muito bem que ninguém iria contestá-lo.

— Não temos objeções — respondeu Matoba, aparentemente agora representando os calouros.

— Entendo. Nesse caso, que tal começarmos?

Nagumo sorriu e se juntou ao seu próprio pequeno grupo. Os alunos do segundo e terceiro ano reformaram seus grupos para que fosse mais fácil diferenciá-los. Então, os representantes dos cinco pequenos grupos do primeiro ano avançaram. Nagumo nos observava com carinho, como se fôssemos crianças adoráveis.

— Agora só falta aquele grupo.

Meu pequeno grupo era o único que ainda não havia escolhido um representante, então naturalmente ninguém se dispunha a jogar pedra-papel-tesoura. Eu empurrei levemente Keisei, certificando-me de que ninguém notasse. Ele parecia confuso, mas levantou a mão relutantemente.

Os seis representantes formaram um círculo e começaram a jogar. Keisei foi selecionado para escolher em quarto lugar. Primeiro foi o grupo de Matoba, composto principalmente por alunos da Classe A. Segundo, o grupo de Hirata, formado majoritariamente por alunos da Classe C. Terceiro, o grupo da Classe D, representado por Kaneda.

— Vocês podem discutir entre si qual grupo gostariam de escolher.

Dois grupos se destacavam imediatamente como as melhores opções: o grupo que incluía o líder da Classe A do segundo ano, o presidente do Conselho Estudantil Nagumo, e o grupo liderado pelo irmão de Horikita, aluno do terceiro ano. Mas alguém como Hirata, que tinha muitos amigos e conhecidos em diferentes séries, poderia identificar um excelente grupo que à primeira vista não parecia ser um.

O grupo de Matoba, primeiro a escolher, não hesitou em pegar o grupo do terceiro ano que incluía Horikita Manabu. Em seguida, Hirata avaliou cuidadosamente cada um dos onze grupos. No fim, ele não escolheu uma das duas opções óbvias que mencionei, mas pegou um grupo de terceiros anos que não tinha ninguém que eu conhecesse.

— Ei, Hirata, você tem certeza de que essa é uma boa ideia? Não deveria escolher o grupo do presidente do conselho ou algo assim? — interrompeu Ike, como era de se esperar.

— Sim, tenho certeza. Acho que essa é uma boa escolha. Pessoas excepcionais têm seu apelo, claro, mas podem trazer problemas junto. Além disso, os veteranos que escolhi não são nada mal — respondeu Hirata, assentindo com aparente confiança.

Ike decidiu não insistir, um sinal da confiança que Hirata havia cultivado com nossa classe.

O grupo majoritário da Classe D foi o próximo. Kaneda consultou seus colegas — ou melhor, simplesmente os informou sobre qual grupo queria escolher. Não houve objeções, e ele fez sua seleção imediatamente.

— Gostaria de me juntar ao grupo do senpai Gouda do segundo ano, por favor.

Mais uma vez, o grupo de Nagumo foi deixado de lado.

— Me pergunto por que estão evitando Nagumo — murmurei, duvidoso. Akito, ao meu lado, ofereceu uma resposta.

— Porque, além do Nagumo-senpai, os outros membros são meio instáveis.

— É mesmo?

— Bem, acho que não são todos instáveis, mas há muitos alunos das Classes C e D. O grupo do segundo ano com muitos alunos da Classe A foi o que Kaneda escolheu.

Em outras palavras, não era que Kaneda estivesse evitando Nagumo — apenas havia escolhido aliados fortes e confiáveis. Eu estava curioso sobre por que Nagumo não havia formado um grupo com a maioria de alunos da Classe A. Eu sabia que ele controlava todos os segundos anos; reunir membros de sua própria classe pareceria uma opção mais segura.

Finalmente, foi a vez de Keisei.

— Posso decidir? — perguntou ele ao resto do grupo.

— Não me importo. De qualquer forma, não entendo muito — disse Ishizaki.

Parecia que Ishizaki, e por extensão os alunos da Classe D, estavam bem em deixar a decisão para Keisei. Os alunos da Classe A também não tinham opinião formada sobre o assunto. Os alunos da Classe B permaneceram em silêncio no início, mas depois de pensar um pouco, fizeram o seguinte pedido:

— Por favor, escolha o grupo do senpai Nagumo.

Embora o grupo de Nagumo fosse composto principalmente por alunos das Classes C e D, eu suspeitava que a presença do presidente do conselho fazia com que eles o considerassem tão importante. Após ouvir o pedido dos alunos da Classe B, Keisei escolheu o grupo de Nagumo.

Depois disso, a discussão chegou ao fim. Os seis grandes grupos haviam sido formados com sucesso.

— Horikita-senpai, já que estamos em grandes grupos separados, que tal fazermos uma pequena competição? — propôs Nagumo. Horikita lançou-lhe um olhar afiado.

Ouvi um suspiro meio exasperado, e um aluno do terceiro ano chamado Fujimaki avançou para repreender Nagumo. Reconheci-o como a pessoa que assumira o comando durante o Festival Esportivo, o que significava que ele tinha certo grau de influência.

— Nagumo. Quantas vezes você já fez isso? Chega.

— Como assim, Fujimaki-senpai?

— Você continua desafiando Horikita para competições. Eu nunca interferi antes, mas este é um exame especial em grande escala que inclui os alunos do primeiro ano. Você não pode tratar isso como se fosse seu jogo pessoal.

— Por que diz isso? Distinções como primeiro e terceiro ano não se aplicam neste momento. Desafiar alguém nessas condições não é incomum, certo? Não há nada no regulamento do exame especial que proíba isso — respondeu Nagumo, escolhendo provocar em vez de se intimidar diante da impressionante presença de Fujimaki.

— Estamos falando de moral fundamental aqui. Mesmo que algo não vá contra as regras, algumas ações são boas e outras são ruins. Isso é óbvio.

— Não penso assim. Se é que me entende, são justamente os veteranos como você que impedem o crescimento dos calouros ao se recusarem a enfrentá-los, não acha?

— Você pode até ser presidente do conselho estudantil, mas isso não significa que pode fazer o que quiser. Precisa estar ciente de que está ultrapassando sua autoridade.

— Se você acha isso, então, por favor, me faça perceber. Que tal você ser meu oponente, Fujimaki-senpai? Você é o número dois da Classe A do terceiro ano, não é? — respondeu Nagumo, enfiando as mãos arrogantemente nos bolsos, agindo como se Fujimaki fosse apenas um detalhe.

Era uma provocação barata, mas parecia irritar alguns dos alunos do terceiro ano. Alguns começaram a avançar. No entanto, Horikita os conteve.

— Tenho rejeitado suas demandas até agora — disse Horikita. — Sabe por quê?

— Hmm, deixa eu ver. Eu diria que é porque seus amigos têm medo de que você possa perder, mas isso não pode estar certo. Você é superior a qualquer outra pessoa que conheci, Horikita-senpai. Não tem medo de perder. Você nunca sequer pensa que poderia perder.

Os alunos do segundo ano que ouviam Nagumo exibiam olhares de admiração. Ele não era um amigo nem um protetor. Era um rival, um inimigo odiado, mas também alguém profundamente respeitado. Parecia que ele despertava uma variedade de emoções poderosas, de qualquer forma.

Nos dois anos em que esteve nesta escola, Nagumo havia realizado muitas coisas que uma pessoa comum não conseguiria. Nem mesmo os alunos do terceiro ano podiam compreender a extensão de suas conquistas. Os alunos do primeiro ano, ainda menos.

— Sou igual a você, Fujimaki-senpai. Também não quero conflitos inúteis.

— Os conflitos que você quer envolvem muitas outras pessoas.

— Mas é assim que esta escola funciona. E acho que isso é o melhor dela… Bem, suponho que seja uma diferença de opinião. De qualquer forma, gostaria que tivéssemos tido uma pequena disputa naquela revezamento durante o Festival Esportivo, senpai. Mas isso não aconteceu. Ainda estou realmente frustrado com isso, sabe?

— Não consigo imaginar como uma disputa entre os segundos e terceiros anos nos ajudaria neste exame.

— Provavelmente você está certo. Você é esse tipo de pessoa, senpai. Mas tudo que quero é uma batalha entre o ex-presidente do conselho estudantil e o atual. Você vai se formar em breve. Antes que isso aconteça, quero ver se o superei.

Não havia como saber se Nagumo algum dia iria parar. Era como se estivesse possuído por algum tipo de desejo incessante.

— Que tipo de batalha seria essa? — perguntou Horikita.

Os alunos do terceiro ano pareciam chocados com a possibilidade de ele aceitar o desafio de Nagumo.

— Que tal ver qual de nós consegue expulsar mais alunos? — respondeu Nagumo.

Todos, dos calouros aos veteranos, começaram a murmurar entre si.

— Para de brincar.

— Sinceramente, acho que seria interessante. Mas se insiste… que tal ver qual grupo consegue a maior média de pontos? Simples e fácil de entender.

— Muito bem. Aceito.

— Obrigado. Sabia que não iria me decepcionar, senpai.

— Contudo, esta é uma batalha pessoal entre você e eu. Não envolva mais ninguém.

— Não envolver outros? Dadas as regras deste exame especial, eu pensaria que fazer alguém arrastar o grupo do seu oponente para baixo seria uma estratégia válida.

— Isso é exatamente o oposto da essência deste exame. Isto é, no máximo, um exercício para testar a unidade do nosso grupo. O objetivo do teste não é explorar fraquezas do grupo adversário, mesmo que você tropece em uma por acaso.

— O que isso quer dizer? — disse Ishizaki, aparentemente dirigindo a pergunta a Keisei.

— Significa que jogamos limpo, baseando-nos apenas em nossas habilidades e nada mais. Simplificando: nada de truques sujos. Nada de atacar nossos oponentes quando estão vulneráveis, como Ryuen gosta de fazer — respondeu Keisei.

— Entendi.

Ignorando Keisei e Ishizaki, o irmão de Horikita e Nagumo continuaram sua discussão.

— Se você não aceitar minhas condições, não aceitarei seu desafio — disse Horikita. Muito provavelmente, o ultimato era uma maneira de dificultar a vida de Nagumo.

— Então não posso vencer atacando os peões de Horikita-senpai, é isso? Tudo bem.

Eu esperava que ele contestasse, mas, surpreendentemente, Nagumo concordou prontamente. No entanto, o irmão de Horikita não tinha terminado.

— Isso não se limita ao meu grupo. Recuso-me a reconhecer qualquer método que cause dano a outros alunos. Nossa competição será inválida no momento em que eu determinar que você interferiu nos assuntos alheios.

— Como eu esperava, senpai. Você não deixa passar nada. Eu tinha considerado recrutar outros grupos para lançar um ataque conjunto, mas… — Nagumo sorriu audaciosamente. — Bem, já que sou o único realmente interessado em competir, não me importo de aceitar certas condições. Certo. Limpo e justo, vamos ver quem pontua mais e trabalha melhor em grupo ou seja lá o que for. Ah, mas deixem-me dizer uma coisa: não é necessário penalizar o perdedor, certo? Afinal, o que está em jogo aqui é o nosso orgulho.

*

 

Com isso, o longo ato de abertura finalmente chegava ao fim. Mas então Nagumo chamou nosso pequeno grupo, nos fazendo parar.

— Ei. Agora que os veteranos se foram, parece que vocês ainda não decidiram um representante.

— Hã? Como você percebeu? — perguntou Keisei, com um tom ligeiramente alarmado.

— Quando sugeri que todos jogassem pedra-papel-tesoura, demorou um minuto para vocês se posicionarem. Se já tivessem escolhido um representante, ele teria se adiantado imediatamente. Notei que outro grupo também reagiu com atraso. Acho que os grupos que não conseguiam decidir seus representantes provavelmente eram os mais equilibrados, com três ou quatro classes — disse Nagumo.

Nagumo provavelmente não conhecia todos os calouros pessoalmente. Ainda assim, deduziu corretamente como nossos grupos estavam divididos, o que não é algo que qualquer um conseguiria. Qualquer atraso da nossa parte foi mínimo. Não havíamos discutido; eu apenas empurrei Keisei, e ele imediatamente se adiantou. A maioria das pessoas nunca teria notado algo errado.

Eu tentava evitar expor o que pudesse ser interpretado como uma fraqueza do nosso grupo. Acho que minha tentativa foi em vão.

— Achei que a escola não se importasse se escolhêssemos um representante depois.

— Correto. Mas queremos saber quem são os representantes dos calouros. Quero que todos saibam que é melhor escolher um representante cedo. Quanto mais tarde alguém assumir esse papel, mais tempo terá que gastar correndo atrás.

Não tinha certeza de quão precisa era essa afirmação, mas a intenção de Nagumo estava clara. Ele queria que escolhêssemos nosso representante agora.

— O que fazemos? — perguntou Keisei, direcionando a pergunta ao grupo. Exceto por mim, ele não conhecia muito os membros e provavelmente não queria ser empurrado para o papel.

— Como vocês decidirem está bem. Escolham um representante agora.

Se o presidente do conselho estudantil estava nos dando uma ordem direta, nem mesmo delinquentes aparentes como Ishizaki e Albert poderiam contestar.

— Ninguém vai se voluntariar. Que tal jogarmos pedra-papel-tesoura de novo? — disse Ishizaki, cerrando o punho. Eu concordei.

Nós nove formamos um círculo. Nove punhos. Isso significava que estávamos com uma pessoa a menos.

— Ei, Koenji — disse Keisei. Koenji estava olhando pela janela e nem nos reconheceu.

— Loirinho. Apressa-te — disse alguém do segundo ano, com um leve tom de raiva. Koenji finalmente se virou — e não disse nada sobre pedra-papel-tesoura. Apenas seu cabelo.

— Heh. Acham que meu cabelo tem um tom verdadeiramente requintado, não é?

— O quê?

— Koenji, leva a sério.

— Sério sobre o quê? Um jogo de pedra-papel-tesoura é sério para você?

— Ei, calouro. Koenji, certo? Está zombando de nós, veteranos?

Como esperado, Koenji já estava chamando atenção para si.

— Zombando de vocês? Não estou zombando de ninguém. Não tenho absolutamente nenhum interesse em vocês. — Ele talvez quisesse mostrar que não estava zombando, mas, claro, teve o efeito contrário. — Não vou participar do pedra-papel-tesoura. Não tenho interesse em ser representante.

— Eu também não quero ser representante. Nem ninguém mais. Mas esta é a única opção — disse Keisei, exasperado. Mas Koenji não deu nenhum sinal de que iria ceder.

— Você fala coisas bizarras, garoto. Se não quer fazer algo, então não há motivo para participar. Não acha?

— Não. Essas são as regras.

— A regra é que alguém do grupo deve se tornar o representante. Nesse caso, alguém além de mim fará isso.

— Para de brincar. Ser egoísta não vai funcionar aqui — retrucou Ishizaki, que já havia brigado com Koenji junto com Ryuen.

— Heh. Nesse caso, por que não me façam o representante do grupo? — disse Koenji, afastando a franja. Ishizaki congelou.

— Então você será o líder. Está bem com isso?

— Vocês são livres para me empurrar com esse trabalho. Não tenho intenção de me opor a cada pequena coisa. Se não temos representante, o grupo será punido, certo? Se temem isso, eu aceito essa opção — disse Koenji.

No entanto, o que ele disse a seguir deixou todos boquiabertos.

— Farei o que eu quiser. Se não quiser fazer algo, não farei de jeito nenhum. Isso significa que não cumprirei os deveres de representante. Não importa quem tente me consultar; minha decisão não mudará. Posso até boicotar o exame. Mesmo que isso faça nossas notas caírem abaixo da média. Mesmo que isso leve alguém a ser expulso. Entendido?

— Isso é… Se você fizer tudo isso, você também será expulso!

— Heheheh. Sim, suponho que sim.

Era como se ele não temesse a expulsão nem um pouco.

— No entanto, essa conversa é realmente boba. Mesmo que eu tire zero na prova, nossa média dificilmente cairá para níveis perigosos, desde que o resto de vocês dê o seu melhor — disse Koenji, penteando o cabelo.

Mas não havia garantia de que isso fosse verdade. Era apenas a interpretação egoísta de Koenji de que o exame não seria tão difícil. Ou talvez ele nem tivesse pensado direito, porque simplesmente não se importava. De qualquer forma, sua marca de originalidade já havia se tornado evidente para todos.

— Que esquisito. Deve ter alguns parafusos soltos — murmurou Ishizaki, dando um passo para trás e assentindo.

No entanto, eu havia percebido uma contradição nas palavras de Koenji. Ishizaki e os outros provavelmente não perceberam, porque não havia falsidade no que Koenji dizia ou fazia. O que significava que, se ele havia criado intencionalmente aquela contradição, então…

Para ter certeza, eu teria que arriscar esperar até o dia do exame.

— Bem, tanto faz. Ele provavelmente não tem coragem de tirar zero ou algo assim. Apenas façam dele o representante.

Ishizaki queria empurrar o papel problemático e arriscado de representante para Koenji, se pudesse. Olhando pela perspectiva de outra classe, isso significava perder a chance de ganhar pontos em dobro. Também havia a possibilidade de alguém ser arrastado pela regra da solidariedade. Mas se Koenji realmente boicotasse o exame, as consequências seriam graves…

— Para com isso, Ishizaki. Se continuar assim, vai ser você a ser arrastado — disse Hashimoto.

— Mas… Droga. Tudo bem, se você consegue o que quer sendo um cabeça-dura, então definitivamente eu também não vou ser representante.

— Tudo bem — disse Hashimoto, acenando em aceitação exasperada.

Ninguém achava que nosso grupo iria ficar em primeiro lugar, evidenciado pelo fato de que ninguém queria o papel de representante. Isso poderia se provar mais difícil do que eu imaginava. Se Koenji continuasse agindo como… ele mesmo, perderíamos uma quantidade considerável de pontos. Ele era o elemento caótico que os alunos do segundo e terceiro ano não haviam considerado em seus cálculos.

Mas então alguém se adiantou e interrompeu nossa conversa para comentar sobre o comportamento bizarro de Koenji.

— Até eu ouvi rumores sobre você, Koenji.

Nagumo, que normalmente não teria motivo para interagir com Koenji, aproximou-se como se tivesse descoberto algo de grande interesse. Bem, isso era inesperado.

— Eu também sei sobre você. Você é o novo presidente do conselho estudantil, não é? — perguntou Koenji, ousado como sempre.

— Brinque à vontade, mas você realmente não se importa com a expulsão? — perguntou Nagumo. — A forma como esta escola funciona é complicada, mas apesar dessa sua atitude despreocupada, você chegou até aqui. Deve ser porque quer se formar aqui. Mas você aceita que o papel de representante seja empurrado para você? E ainda diz que vai boicotar o exame? Besteira. Você apenas não quer se esforçar para chegar à Classe A. Mas também não quer ser expulso.

— Heheheh. Você diz algumas coisas bastante engraçadas. Como pode ter tanta certeza da minha "besteira"?

Eu concordava com Nagumo, no entanto. Pouco depois de Koenji ter se matriculado, lhe perguntaram se tinha interesse em tentar entrar na Classe A. Ele disse que não. Que só queria se formar.

Ele não queria ser expulso, mas também não queria subir na hierarquia. Muito parecido com o que eu esperava desta escola. Mesmo que se contivesse nos exames, ficaria bem. Por isso ele era tão autoconfiante.

— Está estampado no seu rosto — disse Nagumo, provocativamente.

Koenji riu alegremente.

— Bravo, bravo — disse, aplaudindo. Clap. Clap. Então respondeu honestamente, quase como uma confissão. — Eu menti porque não quero ser o representante. Por favor, me permita esclarecer. Não tenho desejo de mirar na Classe A, mas também não tenho intenção de ser expulso. À luz desses dois desejos, acho que uma atitude despreocupada é perfeitamente aceitável — disse Koenji.

Nagumo aparentemente não estava pronto para aceitar isso.

— Você não tem interesse na Classe A, hein? Isso também é mentira.

— Meu Deus, já fui rotulado de mentiroso?

— Se você não está mentindo, então estou curioso sobre algo, Koenji. Até agora, você tem algum método infalível de se formar na Classe A? — perguntou Nagumo abruptamente.

Todos ficaram chocados.

— Oh? Você realmente diz algumas coisas interessantes. Por favor, deslumbre-me com a sua lógica.

— Você tem certeza? Se eu explicar a lógica, seu plano infalível se tornará inutilizável. Não. Eu o tornarei inutilizável. Entendeu?

— Heh. Não me importo. Quero saber se você realmente tem ideia do que está falando — disse Koenji, sorrindo em vez de se assustar.

— Você planeja ser promovido à Classe A usando vinte milhões de pontos — disse Nagumo. — É uma estratégia que todos já consideraram pelo menos uma vez, mas, claro, não é fácil acumular tantos pontos. Também não é impossível. Logo depois que você se matriculou, investigou o que acontece com os pontos restantes dos alunos do terceiro ano quando se formam.

— Continue.

— Ao se formar, os pontos privados são "convertidos em dinheiro", ou seja, podem ser usados fora da escola. Seu valor em dinheiro no mundo externo é naturalmente menor que o equivalente na escola, mas ainda é um sistema extraordinário. Você pretende comprar pontos privados dos alunos do terceiro ano, pagando-lhes mais do que eles poderiam ganhar ao convertê-los em dinheiro. Certo?

Todos ficaram compreensivelmente perplexos, sem conseguir esconder o choque.

Koenji, ouvindo sua própria estratégia explicada, acenou satisfeito.

— Exatamente. Cheguei a essa conclusão logo após me matricular aqui. Não importa quão mal eu me saia enquanto estiver aqui, se conseguir obter pontos privados por meios legais, posso me formar na Classe A. Desde então, a escola se tornou entediante para mim.

Uma jogada milagrosa, disponível justamente porque ele era rico. Comprar pontos privados de alunos que já desistiram da Classe A, ou daqueles cuja vitória já estava garantida, ou de alunos próximos de se formar… Não me surpreenderia se muitos alunos optassem por tal negociação em troca de dinheiro garantido.

Dito isso… comprar pontos pelo mesmo preço que receberiam ao convertê-los sozinho seria vinte milhões de ienes. Não era exatamente uma quantia que um estudante do ensino médio pudesse acessar com facilidade. Alguém acreditaria nele se dissesse que tinha essa quantia?

— Felizmente — continuou Koenji —, antes de me matricular aqui, tive minha foto e perfil publicados no site da empresa, provando que sou o próximo na linha para ser presidente. Tenho dezenas de milhões de ienes à minha disposição. Foi fácil convencer as pessoas a confiarem em mim.

— Sim. Sei que alguns alunos do segundo ano estão planejando vender pontos para você, e aposto que muitos do terceiro ano também. Você conseguiu manter o silêncio deles, mas mais de alguns do segundo ano confiaram completamente em mim. Alguns até me consultaram, perguntando se deveriam acreditar em você. Claro que disse que estava tudo bem. Não é sem risco, mas você parece ser um sujeito bastante rico.

Nagumo olhou para os alunos do segundo e terceiro ano reunidos.

— No entanto, isso termina hoje — disse ele. — Mesmo que ele seja realmente rico, Koenji não é alguém em quem se possa confiar. Como acabamos de ver, ele mente sem pestanejar. É melhor não fazer negócios com ele, nem por engano. Ah, e a propósito, pretendo levar essa questão à escola. Comprar pontos privados antes de se formar não deveria ser permitido de qualquer forma.

— Tudo bem por mim. Eu apenas estava planejando subir para a Classe A. Ainda não decidi se iria realmente executar o plano.

Koenji parecia encarar isso apenas como uma das muitas estratégias possíveis. Que ideia ousada. Bem, para ser sincero, era apenas a estratégia única que só um garoto rico como Koenji poderia executar.

— Achei você estranho, mas inventou essa estratégia sozinho, hein? Impressionante — murmurou Hashimoto, soando tanto impressionado quanto exasperado.

— O que Koenji pretende fazer abandonando sua própria estratégia, então?

Vários olhares se voltaram para os colegas de Koenji: Keisei e eu. Não tínhamos ideia… embora uma coisa viesse à mente. Um garoto rico como Koenji não precisava se formar na Classe A. Mesmo que ele encontrasse uma forma de chegar à Classe A, não precisava realmente colocar seu plano em prática. Se seu único objetivo era se formar — independentemente da classe —, fazer aliados e cooperar com outros alunos seria totalmente desnecessário.

Isso explicaria por que ele não se importava se Nagumo revelasse seus planos. Talvez ele até se divertisse inventando outra estratégia. A percepção de Nagumo sobre os assuntos de Koenji era notável.

— Essa é a primeira vez que vejo Koenji ser pego — murmurou Keisei. Eu tive que concordar.

E ainda assim…

— No entanto, presidente do conselho estudantil, isso só prova que não tenho motivo real para jogar pedra-papel-tesoura pelo cargo de representante. Agora que meus planos foram revelados, posso simplesmente dizer que não pretendo assumir a função.

— Entendo.

Quaisquer truques que Koenji ainda pudesse ter, sua postura não havia mudado. Pelo contrário, ele expôs sua própria mentira — que também era sua única vulnerabilidade — e a jogou fora. Isso nos deixou sem forma de forçá-lo a ser representante contra sua vontade. Alguém com seu nível de riqueza e privilégio não tinha motivo para temer a expulsão; eu não conseguia imaginar seu futuro sendo afetado por tal evento. Hipoteticamente, poderíamos recorrer a medidas drásticas para forçá-lo a ser representante, mas ninguém em nosso grupo ousava tentar algo assim. Se perdêssemos, ele poderia arrastar alguém conosco.

— Acho que devo fazer isso — disse Keisei, levantando a mão resignado.

Alguns alunos de outras classes reagiram. Mas com delinquentes como Koenji, Ishizaki e Albert no grupo, e devido à nossa baixa chance de vitória, ninguém contestou Keisei para a nomeação.

— Está decidido.

Nagumo dispensou o grupo, e saímos do ginásio conforme instruído.

*

 

— Isto parece… muito mais velho do que eu imaginava.

Os pequenos grupos foram levados aos dormitórios, cada um com beliches de madeira correspondentes ao número de pessoas do grupo. Ishizaki caminhou imediatamente até a cama no fundo da sala e subiu para o beliche de cima.

— Essa é minha.

— Do que você está falando? Não pode simplesmente chegar e pegar o que quiser. Isso não é justo — retrucou Yahiko.

— Sabe o que dizem. Quem chega primeiro, leva a melhor — disse Ishizaki. Ele bufou e se deitou, zombando de Yahiko.

— Devíamos discutir quem fica com qual cama.

Keisei, nosso representante, tentou controlar a situação. Ishizaki provavelmente queria desafiá-lo, assim como fizera com Yahiko, mas eu estava bem ao lado de Keisei, e seu olhar encontrou o meu por um instante. Ele tentava evitar contato visual comigo, mas estar no mesmo grupo tornava isso inevitável.

— Tch…

Por um momento, Ishizaki pareceu aterrorizado. Ele saltou do beliche.

— Certo, então. Como exatamente decidimos? — perguntou.

Keisei inclinou a cabeça, confuso com a mudança repentina de atitude de Ishizaki. Ishizaki pode ter interpretado o aviso de Keisei como um alerta vindo de mim, o que era, francamente, paranoico. Honestamente, eu não achava estranho reivindicar nossas camas por ordem de chegada, embora naturalmente fosse mais ideal chegar a um acordo mútuo após uma discussão.

— Heheheh. Bem, suponho que vou me servir primeiro — disse Koenji, saltando para o beliche que Ishizaki ocupava.

— Que diabos, cara?! — gritou Ishizaki.

Mas este era Koenji. O senso comum não se aplicava a ele. Ignorou Ishizaki e se acomodou na cama; em poucos instantes, estava tão à vontade como se fosse seu próprio quarto.

— Droga. Que se dane a discussão.

Depois do que Koenji fez, as pessoas começaram a escolher camas. Ishizaki desistiu de discutir com Koenji e ocupou o beliche de cima de outra cama. Todos pareciam unidos na preferência pelo beliche superior, exceto Albert, o único mais robusto, que se acomodou no beliche inferior sem reclamar.

O consenso não declarado parecia ser que discussão não era mais o método.

— Acho que este é o único lugar que posso pegar — disse Keisei, garantindo a cama abaixo de Koenji. Surpreendentemente, ninguém mais quis pegá-la. Os outros talvez não tenham notado, mas era significativo que Keisei estivesse disposto a fazer o que ninguém queria.

No fim, eu fiquei com um beliche inferior abaixo de Hashimoto, da Classe A.

— Prazer em conhecê-lo. Hum… — Hashimoto estendeu a mão do beliche superior em cumprimento. Ele parecia não saber meu nome.

— Sou Ayanokoji. Prazer.

— Hashimoto.

Apertamos as mãos levemente, como se prometendo nos dar bem. Agora estávamos livres pelo resto do dia e, como tal, abandonamos toda pretensão de unidade de grupo para fazer o que quiséssemos. Um líder nato como Hirata poderia ter tentado nos fazer conversar, mas…

Quanto a mim, meus sentimentos estavam definidos. Embora fosse lamentável não conhecer melhor alunos de outras classes, também era um alívio não ter que lidar com conversas triviais.

— Pode ser uma pergunta boba, mas Albert fala japonês? Ele entende japonês, certo? — Hashimoto deitou-se no beliche superior, dirigindo a pergunta a Ishizaki e Albert.

— Claro que sim. Certo, Albert? — respondeu Ishizaki, olhando para o amigo. Mas Albert apenas continuou olhando à frente em silêncio.

— Ou talvez não.

— Vocês não são colegas de classe? — Hashimoto riu.

— Não sei, tudo bem? Normalmente é o Ryuen-san quem dá ordens — respondeu Ishizaki, irritado.

— Ryuen-san, hein?

O uso respeitoso — e contraditório — do honorífico por Ishizaki era interessante.

— É verdade que vocês brigaram e o expulsaram como líder?

— Droga, cala a boca. Claro que sim. Chamá-lo de "san" era só… hábito antigo, só isso.

Em vez de se unir como grupo, já estávamos discutindo uns com os outros. Decidi escapar do conflito crescente e dar uma volta pelo prédio.

*

 

Finalmente, era hora de comer. A primeira vez que veríamos as garotas desde que descemos do ônibus naquela manhã.

A cafeteria era bastante espaçosa, tanto que tinha até escadas para um segundo andar com vista para o primeiro. Pelo que eu podia ver, o lugar podia comportar cerca de quinhentas pessoas. E estava lotado.

— Não é fácil encontrar alguém quando não temos nossos celulares.

Horikita e Kei provavelmente estavam me procurando, mas eu não tinha intenção de procurá-las. Se por acaso elas me encontrassem, suas reações seriam completamente opostas. Horikita provavelmente reclamaria por eu estar evitando-a, enquanto Kei esperaria para ver o que aconteceria, entendendo que, como eu não a havia procurado, não havia motivo para fazermos contato naquele momento.

Era de se esperar que houvesse algum contato com outros alunos no primeiro dia. Duvidava que muitas pessoas estivessem de olho em mim, mas era bem possível que Sakayanagi e Nagumo estivessem observando. Mesmo que eu pudesse dizer que Hirata e Satou só estavam passando tempo conosco durante o Natal, Nagumo entendia que eu tinha um relacionamento especial com Kei.

Eu queria evitar contato chamativo.

Fiquei sozinho, observando quem estava com quem. Mas, antes de mais nada, era hora de comer. A hora estrita destinada para isso era preciosa. Peguei minha bandeja e fui para meu lugar, sentando sozinho. Na escola, os alunos seriam separados por série até certo ponto, mas aqui, calouros, do segundo e terceiro ano se misturavam.

Muitos dos grupos pequenos e grandes permaneciam juntos, mas havia vários alunos explorando informações. Mais importante, este era o único lugar e hora em que veríamos as garotas, tornando-o o único momento em que os casais podiam ficar juntos.

— Siiiiiigh.

Ouvi um suspiro fofo e exausto perto de mim. Pertencia à líder do primeiro ano da Classe B, Ichinose Honami. Um bando de garotos e garotas estava aglomerado ao redor dela. Decidi sentar perto e ouvir a conversa, confiante de que permaneceria relativamente despercebido.

— Patético se orgulhar de ocupar tão pouco espaço — murmurei.

Ichinose e os outros não reagiram à minha presença. Bem, a cafeteria estava cheia. Eles não poderiam prestar atenção em cada aluno.

— Bom trabalho, Honami-chan. Foi difícil?

— Ahahaha. Bem, suponho que sim, né. Achei que decidir sobre um grupo não seria tão ruim. Mas quando as pessoas querem brigar, vão brigar.

— Não tem o que fazer. As outras classes são inimigas.

— Mas de acordo com Kanzaki-kun, os garotos chegaram a uma decisão bem rápido.

— Hã? Sério? Com a gente, levou até depois do meio-dia.

Os garotos não tiveram vida fácil, mas parecia que as garotas haviam tido ainda mais dificuldade do que nós. Talvez os instrutores tivessem previsto isso, o que explicaria por que não houve aulas no primeiro dia.

— Você acha que alguém pode ser expulso?

— Bem, não posso dizer que não há motivo para preocupação. Embora ninguém tenha sido expulso das turmas do primeiro ano, não podemos baixar a guarda.

— O que devemos fazer se alguém for prejudicado pela regra da solidariedade?

— Vai ficar tudo bem, Mako-chan. Enquanto levamos isso a sério, isso não vai acontecer.

— Tem certeza?

— Se esse momento chegar, todos vamos nos ajudar — disse Ichinose suavemente. Apesar de parecer a mais exausta de todas, permanecia firme como sempre. —Ahh… estou acabada.

Ela apoiou a cabeça na mesa. Infelizmente, essa mudança de posição permitiu que ela me notasse.

— Ayanokoji-kuuun!

Oh, olá, Ichinose. Não tinha te visto aí. Se eu dissesse isso, soaria estranho. Provavelmente era melhor apenas responder com sinceridade.

— Parece que você se divertiu.

— Algumas garotas encontram poder fofocando — disse Ichinose, jogando-se novamente para trás.

Eu realmente não entendia o que ela queria dizer. Esse desânimo era meio surpreendente, vindo dela.

— Acho que eu não deveria fazer isso, né? — disse Ichinose, sentando-se ereta novamente. Parei-a.

— É normal agir assim quando se está exausta — eu disse.

— Desculpe se te deixei meio desconfortável.

Eu não estava desconfortável de forma alguma, mas não podia falar isso em voz alta.

— Parece que você caiu em um grupo complicado — disse em vez disso.

— Acho que dá para dizer que foi difícil apenas juntar os grupos… Tipo, as garotas são bem diretas sobre o que gostam e não gostam. Ou melhor, há mais de algumas garotas que simplesmente dizem na cara de outra que não gostam dela. Suponho que os garotos tendem a manter os sentimentos pessoais mais discretos, né?

— Mas eles são bem diretos ao odiar o Ryuen.

— Me sinto mal por rir disso, mas acho que não tem jeito. Mesmo assim, não é o Ryuen-kun que está cansado disso também? Ser odiado por todo mundo deve ser desgastante.

Ela não estava errada, mas a lógica provavelmente não se aplicava ao Ryuen. Se alguma coisa, ele parecia levar tudo de boa agora que não precisava mais carregar os fardos de uma classe inteira.

— Não se esforce demais.

Concluindo que seria inútil ficar ali, levantei-me.

— Estou bem, estou bem. Minha energia é a única coisa que tenho a meu favor. Até mais, Ayanokoji-kun.

Ichinose acenou suavemente em despedida.

Uma hora por dia. Esse era o único momento em que teríamos contato com as garotas. Mesmo que garotos e garotas não pudessem intervir diretamente nos assuntos uns dos outros, eu imaginava que essa hora era destinada a trocar informações. A escola provavelmente queria que usássemos esse tempo para coletar dados, traçar estratégias e continuar competindo, tornando-se um espaço onde alunos populares e confiáveis, com boas habilidades de comunicação, se destacavam.

— Não sou nada adequado para isso.

Assim como na ilha deserta, basicamente não havia nada que eu pudesse fazer para ajudar.


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