Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 7

Epílogo: O Que Ryuen Ganha e o Que Ele Perde

NAQUELA NOITE, sonhei com minha infância. Com a época em que matei uma cobra. Se eu a tivesse segurado e me ensinado a sentir medo antes de matá-la, ainda teria acabado a matando no fim?

— Que idiotice.

Pensar nisso era inútil. Você só tem uma vida, e ela não vem com botão de desfazer. Alguns dias você vence, outros perde. Ontem tinha sido um desses últimos. O número de vezes que eu tinha sido derrotado provavelmente já chegava na casa das centenas. Aliás, ontem nem sequer tinha sido a primeira vez que eu perdera para Ayanokoji.

Então, o que tornava isso diferente de todas as vezes anteriores?

Às oito da manhã seguinte, deixei o dormitório e segui para o prédio da escola. Era o primeiro dia das férias de inverno, mas as atividades dos clubes continuavam, então o prédio permanecia aberto. As regras exigiam uniforme dentro das instalações, mas eu já não precisava mais me preocupar com isso.

Os clubes já estavam em seus treinos matinais, que normalmente começavam por volta das sete. Como o Keyaki Mall só abria às dez, eu provavelmente era o único estudante indo para o prédio naquele momento.

— Atchim!

No caminho, encontrei uma aluna parada ao lado da trilha, tremendo de frio. Ignorei e continuei andando, mas ela chamou por mim.

— Até que enfim você veio.

Continuei caminhando.

— Ei, espera aí! — disse ela, correndo atrás de mim em pânico. Ela segurou meu ombro.

— O que você pensa que está fazendo? Não encoste em mim assim — rosnei.

— Não é como se eu quisesse te tocar. Você enfiou seu celular em mim, lembra? Só estou devolvendo — disse Ibuki, com o nariz vermelho, estendendo o aparelho para mim.

— Você podia ter feito isso em um momento mais conveniente. Quanto tempo ficou esperando?

— Quem sabe?

Provavelmente, muito tempo. Que sensível para certas idiotices… Eu não peguei o celular, mas Ibuki segurou meu braço quando tentei passar direto.

— Você vai mesmo desistir da escola? — ela perguntou.

— Não tinha dito que só queria devolver o celular? — retruquei.

Ibuki me lançou um olhar feroz.

— Você se lembra do que disse quando lutou contra o Ishizaki e o Albert? Disse que o mais forte é aquele que vence no final, não importa quantas vezes tenha perdido antes. E foi exatamente assim que aconteceu naquela luta.

— E daí?

— Vai realmente encerrar tudo depois de perder para o Ayanokoji uma única vez?

— Eu avaliei errado a situação e selei meu destino. Além disso, já não me importo — respondi.

— O quê? Isso é muito patético.

Eu realmente não me importava mais. Talvez aquele cara fosse mesmo especial, se conseguira me deixar assim.

— Talvez — disse, completamente indiferente.

— Não me venha com "talvez" — reclamou Ibuki, ainda segurando meu braço.

— Você queria que eu desistisse, não? Isto não é perfeito?

— Eu cooperava com você porque você disse que nos levaria até a Classe A. E agora vai simplesmente nos abandonar?

Ibuki tinha seus rompantes de vez em quando, mas parecia que aquilo vinha se acumulando há muito tempo. Ela claramente tinha mais a dizer.

— Eu tolerei sua tirania. Aguentei porque tínhamos o mesmo objetivo final. Mesmo quando a Classe C perdeu pontos recentemente e você não explicou nada, ninguém reclamou. Todos acreditávamos que você nos levaria até a Classe A um dia. E agora você vai simplesmente desistir? Isso é patético. Muito patético.

Ela respirou fundo e acrescentou:

— Existe algo mais miserável do que isso?

— Vai mesmo distorcer tudo para te favorecer? — perguntei.

Parei de andar. Precisava me mover com cuidado; meu corpo inteiro doía.

— Sim, eu disse para vocês inúteis que, se me seguissem, levaria a Classe C até a Classe A. Era só uma cenoura balançando diante dos seus narizes, enquanto eu usava violência para plantar medo. Você sabe do meu contrato com a Classe A, sabe? Era tudo por mim. Só por mim. Eu não dava a mínima para vocês.

— Está dizendo que pretendia chegar à Classe A sozinho?

— Exato. Não tem como eu levar um bando como vocês comigo. Concorda, não?

Até Ibuki deveria aceitar isso.

— Oitocentos milhões de pontos privados — disse Ibuki.

— Hã?

— Depois que você jogou seu celular pra mim ontem, eu fiquei em dúvida se devia transferir tudo para minha conta. Mas então decidi ver o que mais tinha no aparelho.

Ela virou a tela para mim. Mostrava a estratégia de três anos que eu vinha elaborando.

— Se fosse para chegar à Classe A sozinho, dois milhões de pontos bastariam. Então por que bolar uma estratégia que inclui esse número? Oitocentos milhões é a quantia necessária para levar toda a Classe C até a Classe A, não é? Apesar de eu não conseguir imaginar como juntaríamos tudo isso…

— Pare de sonhar. Eu só estava brincando quando escrevi aquilo — resmunguei, arrancando o celular da mão dela. — Hiyori e Kaneda provavelmente vão liderar a Classe C daqui em diante. Enquanto Ayanokoji não fizer nenhum movimento, ainda dá para vocês acumularem esse tanto de pontos.

— Não é disso que estou falando.

Argh. Ibuki idiota. Ela nem tinha transferido meus pontos privados. Que incômodo.

— O que você quer que eu diga?

— Se vai desistir, então lute comigo — ela respondeu.

Que proposta absolutamente insana. Idiotas eram bons peões, mas de vez em quando tinham surtos como esse.

— Com os ferimentos de ontem e esse frio, aposto que você mal consegue se mover, né? — comentei. Já tinha notado que o aperto dela na minha manga estava mais fraco que o normal.

Soltei meu braço e comecei a andar — e ela me acertou. Fui lançado para trás, caindo com força no chão.

— Ai… Nem consigo mais amortecer uma queda — gemi. Aquele maldito Ayanokoji realmente tinha acabado comigo.

— Ah. Isso foi ótimo. Bem, se vai desistir, anda logo — disse Ibuki, virando-se para voltar ao dormitório.

Fiquei me perguntando quanto tempo ela tinha esperado por mim.

*

 

Ao chegar à escola, fui visitar meu professor titular. Já havia ligado antes e marcado um horário pelo telefone do dormitório. Estava fazendo isso no dia seguinte para tentar minimizar as complicações de toda a confusão no terraço, especialmente considerando que eu havia mexido em uma câmera de segurança e o ex-presidente do conselho estudantil sabia o que havia acontecido.

— Preciso falar com você sobre a coisa que relatei ontem, Sakagami.

— Entendo — disse Sakagami. — Por favor, me acompanhe até o escritório do conselheiro.

— Certo.

— Mas primeiro, há algo que precisamos resolver.

— O quê?

— Vocês poderiam sair um momento? — Sakagami chamou alguém na sala dos professores.

— Ryuen-san…

Ishizaki e Albert apareceram para se juntar a nós no corredor. Primeiro aquela idiota da Ibuki, agora eles? Por que estavam aqui?

— Eles estão esperando desde cedo, querendo saber se você viria. Mesmo quando pedi para contatá-lo diretamente, não quiseram ouvir. Bem problemático. Antes de termos nossa reunião, preciso que você cuide desses dois — disse Sakagami.

— O que vocês estão fazendo aqui? Sumam, ou eu acabo com vocês — olhei furioso para Ishizaki.

— Nós—

— Hum…

— Sobre a câmera de vigilância destruída — esses dois tiveram algo a ver com isso? — perguntou Sakagami, tocando os óculos.

— Fiz isso sozinho — respondi. — Vamos logo com isso.

Se Ishizaki ou Albert falassem algo descuidado, estariam enforcando a própria garganta. Sacudi-os, ignorei Sakagami e comecei a caminhar para o escritório do conselheiro.

Sakagami devia suspeitar de algo, mas disse a Ishizaki e Albert que voltassem e me seguiu.

— Tenho uma ideia geral do que aconteceu, com base no que você me disse por telefone, mas me conte tudo de novo, Ryuen. Primeiro, você admite ter danificado a câmera de segurança com spray?

— Sim. Fiz isso sozinho.

— Certo, mais uma coisa. É verdade que houve uma briga entre você, Ishizaki, Albert e Ibuki? — Sakagami perguntou.

— Sim, é verdade. Assumo total responsabilidade. Dei o primeiro soco. Eles revidaram.

Não havia necessidade de envolvê-los nessa batalha perdida.

— Então isso será rápido.

— Espere, Ryuen-san! Nós tivemos algo a ver com— — gritou Ishizaki, que ainda nos seguia.

Eu o chutei. Explosões violentas diante de um professor não importavam quando você ia abandonar a escola, de qualquer forma.

— Ryuen?! — repreendeu Sakagami. — O que você está fazendo?

— Quantas vezes pretende me fazer repetir? O soco que eu dei ontem não foi suficiente? — cuspi em Ishizaki, que se encolheu no chão, sentindo dor.

Chegamos ao escritório do conselheiro. Olhei para outro lado, deixando Ishizaki e Albert do lado de fora. Hora de encerrar isso.

— Pode adicionar essa explosão agora à minha penalidade — disse a Sakagami.

— Parece que há um mal-entendido aqui, então permita-me corrigir algumas coisas — disse Sakagami. — Confirmamos que há inconsistências no seu depoimento.

— Hã? Espera. Inconsistências?

— Pelo que entendi, há algum tipo de problema entre você e a Classe D.

De jeito nenhum. Será que Ayanokoji fez algo? Se ele relatou o que aconteceu à escola, então isso não terminaria só comigo. A escola também puniria Ibuki e Ishizaki.

— Eles apresentaram alguma queixa ou algo assim? — perguntei.

— Queixa? Não, pelo que ouvi, apenas um aluno da Classe D também participou da destruição da câmera de segurança.

— O que você disse? — As palavras não faziam sentido.

— A Classe D já pagou os pontos privados necessários para cobrir o conserto. O que eu queria confirmar com você era se desejava dividir a culpa.

— Você só pode estar brincando comigo.

Se acha que isso vai me impedir de abandonar a escola, está muito enganado, Ayanokoji.

— Vou abandonar — disse a Sakagami.

— Não há problema aqui, então. Mesmo assim quer desistir? — Sakagami não era tolo. Ele devia ter percebido que algo sério tinha acontecido no terraço ontem.

— Isso mesmo. Não vejo motivo para continuar nesta escola.

— Entendo. Se essa é sua decisão final, não posso impedi-lo — Sakagami disse, puxando um papel. — Por favor, escreva seu nome, número de matrícula e o motivo da saída neste formulário.

— Só um momento — disse.

Peguei uma caneta, e Sakagami trouxe mais dois formulários.

— Quando terminarmos de processar sua saída, por favor, entregue estes para Ishizaki e Yamada.

— O quê? Eles não têm nada a ver com isso.

— Você está certo. Mas essa era a vontade deles. Disseram que, se você optasse por abandonar a escola, eles também desistiriam. Não ouviriam razão.

Aquele Ayanokoji… Ele basicamente colocou essa ideia ridícula na cabeça daqueles idiotas? Ele estava mantendo Ishizaki e Albert como reféns para me impedir de sair. Se eu desistisse agora, os dois iriam junto, e minha própria saída perderia sentido. Estaria colocando a carroça na frente dos bois.

— Droga.

— Pessoalmente, acharia lamentável que alguém da minha classe desistisse — disse Sakagami, baixando o olhar para o formulário em minhas mãos. — Da forma como está, o caso pode ser resolvido com uma simples punição por danificar patrimônio escolar. Esta é sua primeira e última chance.

— Qual a razão de eu ainda ficar, então? — murmurei para mim mesmo.

Ayanokoji tinha meu número. Sabia que eu não ia causar mais problemas para Sakayanagi e os outros dois.

— Tudo bem. Não vou desistir.

Entreguei o papel e a caneta de volta a Sakagami e saí.

*

 

Logo depois, estranhos boatos começaram a se espalhar entre os alunos do primeiro ano — boatos de que Ryuen Kakeru havia abandonado sua posição como líder da Classe C, que Ishizaki e os outros não faziam mais parte de sua comitiva, que ele não falava com ninguém e passava todo o tempo sozinho.

Era como olhar em um espelho — um espelho da pessoa que eu fui quando comecei nesta escola. Perguntei-me se chegaria o dia em que Ryuen recuperaria o que perdeu.

Uma coisa eu tinha certeza, no entanto: ele e eu éramos parecidos.

E eu ainda podia usá-lo.



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