Ano 1 - Volume 7
Capítulo 3: Insanidade
UM DIA, pouco antes das férias de inverno, uma tempestade atingiu a Classe D.
Aconteceu logo depois do fim da aula orientada. A porta da nossa sala se escancarou, e Ryuen, acompanhado pelos alunos da Classe C, entrou marchando. A sala inteira imediatamente explodiu em caos.
Chabashira-sensei lançou um olhar para Ryuen e os outros, mas saiu sem dizer uma palavra. Seria outra história se uma briga começasse ali na hora, mas não havia nada que proibisse alunos de outra classe de fazer uma visita.
Até então, Ryuen e seus colegas tinham observado a Classe D à distância. Como não conseguiram as respostas que queriam, decidiram adotar uma abordagem direta. Ou talvez estivessem agindo conforme alguma estratégia que eu ainda não conseguia entender. De qualquer forma, era evidente que tinham vindo nos confrontar.
Horikita, que estava guardando suas coisas para ir embora, parou e encarou o grupo da Classe C, composto por Ryuen, Ishizaki e Yamada Albert. Komiya e Kondou também estavam lá.
Com todos aqueles oponentes reunidos, o clima ficou tenso.
— Ei, o que tá pegando? Aqui é a Classe D — disse Sudou, o primeiro a reagir. Normalmente ele era rápido em arrumar briga, mas dessa vez parecia mais defensivo. Mais importante: provavelmente sentiu que precisava proteger a Horikita.
Ele se levantou e foi até Ryuen; Hirata, assustado, correu para ficar entre os dois, temendo que eles partissem para a violência.
— Você tem algum assunto com a nossa classe, Ryuen-kun? — perguntou Hirata.
Em resposta, Ryuen levantou as mãos de maneira exagerada.
— Tem algum motivo pra eu não poder visitar meus colegas? Isso acontece nessa escola, não acontece? Visitar um amigo. Por que tão tremendo?
Soou como provocação, mas Hirata manteve a calma.
— Normalmente sim. Mas esta escola não é exatamente normal, é? Além disso, você nunca veio visitar a Classe D antes.
— A gente andou meio afastado. Pensei que devíamos ser um pouco mais assertivos para criar laços — disse Ryuen. Ele apoiou a mão na carteira de uma garota próxima e exibiu os dentes brancos num sorriso. — Cara, vocês mandaram bem pra caramba no Paper Shuffle. A Classe C perdeu por causa do brilho de vocês. Bom, os resultados ainda não saíram, mas dizem que vocês podem virar Classe C no próximo semestre. Isso é grande.
— Heh. Acho que a única coisa grande em você é sua cabeça, seu macaco incompetente. Tá na hora de sentir o gostinho de ser Classe D — retrucou Sudou.
Hirata agarrou o ombro de Sudou para contê-lo, em pânico.
— É porque temos trabalhado duro.
— Trabalhado duro, hein? — disse Ryuen. — Engraçado, esse conceito de esforço parece completamente estranho pro Sudou, mas ele ainda tá aqui. Achei que seria o primeiro a ser expulso.
— Então você lembra meu nome — disse Sudou.
Ryuen e Sudou se encararam. O ar entre eles estava elétrico. Vários colegas que estavam saindo ficaram congelados no lugar.
— Pode nos dizer por que realmente veio aqui? — perguntou Hirata. Talvez ele quisesse resolver a situação o quanto antes, impedindo Ryuen de enrolar. Ou talvez estivesse apenas sendo direto como sempre.
— Tô dando um aviso justo para a Classe D — disse Ryuen.
— Aviso? Como assim?
— Não tenho intenção de explicar nada pra um idiota. Ou você tá fingindo que não entende?
Parecia uma provocação a Hirata, mas na verdade Ryuen mal olhou para ele. Estava examinando a sala inteira. Podia ter direcionado suas palavras para mim, para Keisei ou até para Akito.
No fim, seus olhos pousaram num alvo inesperado. A pessoa em questão nem percebeu que Ryuen o encarava — ou talvez simplesmente não se importasse. Na verdade, já estava indo para o dormitório.
Koenji se levantou e saiu da sala com indiferença, aparentemente imune à presença de Ryuen. Ryuen deu uma risadinha e sinalizou para seus aliados o acompanharem. Eles saíram imediatamente e, assim que a porta se fechou, toda a tensão na sala se dissipou de uma vez e foi substituída por um alvoroço.
— Ei, ei, aquele tal de Ryuen parecia que ia aprontar alguma loucura! — exclamou Ike.
— Eles vão fazer alguma coisa com o Koenji — disse Yamauchi. — Não vão?
Pois é. Koenji Rokusuke, o enfant terrible da Classe D. Teorias da conspiração começaram a voar de todos os lados, puxadas por Ike e Yamauchi.
De forma incomum, Kushida ficou de fora. Ela havia parado de se envolver tanto nos assuntos da classe, talvez por causa da derrota para Horikita. Mesmo agora, embora estivesse murmurando sobre Ryuen e sua turma para algumas meninas, não estava realmente liderando a conversa.
— Isso é realmente ruim, não é? — perguntou Horikita, enquanto eu refletia. Até ela, que queria evitar qualquer enrosco com a Classe C, não podia simplesmente ignorar aquilo.
— Talvez — respondi.
Parecia que Ryuen realmente tinha algum assunto com Koenji, mas isso me intrigava. Koenji era estranho, claro, mas mesmo para um observador externo, a chance de ele ser uma peça-chave da Classe D era mínima. Deve haver uma razão para Ryuen tentar se aproximar dele de forma tão descarada, enquanto ao mesmo tempo observava tantas outras pessoas.
— A gente vai verificar, Kiyotaka? — perguntou Akito.
— Tem muita gente por perto. Não tem muito que a Classe C possa tentar.
— Eles podem ter algo planejado.
— Suponho que sim… Acho que ter muita gente olhando não garante que o Ryuen não vá tentar alguma coisa.
Estranho. Mesmo para alguém de fora, era improvável que Koenji fosse o "salvador secreto" da Classe D. E se a Classe C atacasse Koenji, outros da Classe D poderiam se meter na confusão e acabar em problemas. Mas, por outro lado, se ficássemos parados quando poderíamos ajudar, nos arrependeríamos.
Quando fui para o corredor com Akito, Keisei veio atrás.
— Vou junto. Segurança em números — disse ele.
Horikita veio um pouco atrás, e Sudou seguiu colado nela. Hirata também veio, preocupado. Uma verdadeira tempestade se formava. Pedi para Keisei e Akito esperarem e fui falar com Hirata.
— Não seria melhor se você ficasse aqui, Hirata? Se você vier, outros alunos podem seguir também. Se gente como Ike e Yamauchi aparecer, só vai jogar mais lenha na fogueira — eu disse.
— É verdade… mas será que o Koenji-kun vai ficar bem?
— A Horikita está vindo. O Keisei e o Akito também. No pior dos casos, se parecer que a coisa vai ficar violenta, eu te chamo.
— Keisei? Hã. Tudo bem. Só não façam nada precipitado, entendido? — Hirata pareceu confuso com o jeito que me referi a Yukimura, mas voltou para a sala.
— Foi a decisão certa, Kiyotaka — disse Keisei, assentindo. — Além disso, o Hirata é melhor para acalmar o resto da turma.
O próximo problema era descobrir para onde Koenji e os outros tinham ido. Nem mesmo Ryuen e seus capangas poderiam causar confusão dentro do prédio da escola. Se fossem tentar algo, seria provavelmente lá fora — mas eu não fazia ideia de para onde Koenji teria ido.
— Para onde o Koenji costuma ir depois da aula? — perguntei.
— Sei não.
— Eu também não — disseram Akito e Keisei, inclinando a cabeça.
— Alguém sabe alguma coisa sobre o Koenji? — Praticamente nenhum de nós conversava muito com ele.
— Ele geralmente vai direto para os dormitórios.
— Como você sabe?
— Eu vejo ele com certa frequência. Vamos até a entrada por enquanto.
Se os sapatos dele ainda estivessem lá, significaria que ele continuava no prédio. Nesse caso, provavelmente ainda teríamos tempo para agir. Aceleramos o passo, andando juntos.
— Isso pode virar uma briga séria — comentou Sudou para Horikita, cerrando os punhos.
— Não seja ridículo. Violência entre as Classes D e C não é brincadeira. Mais importante: por que você está me seguindo?
— Bom, é que eu tô preocupado com você, Suzune, sabe? Dizem que o Ryuen bate até em meninas.
— Eu não sou tão fraca a ponto de precisar da sua proteção — disse Horikita.
— Não fala assim.
Horikita continuava tão firme quanto sempre, e o cavalheirismo de Sudou era completamente fora de lugar. Uma garota podia derrubar um garoto facilmente se tivesse treinamento marcial. Mas, como sempre, Sudou era Sudou, e provavelmente nem considerava a possibilidade de Horikita ser forte o bastante para se defender sozinha.
— Além disso, mesmo que eu esteja me preocupando à toa… e o seu clube? — perguntou Horikita.
— Relaxa. Ainda falta um tempinho para o treino. Vamos logo achar o Koenji — Sudou não ia desistir.
— Pelo amor de Deus. Não quero um encrenqueiro me seguindo por aí — ela murmurou.
Ainda assim, se Horikita se machucasse enfrentando aqueles caras da Classe C sozinha, Sudou surtaria. E, se a escola pegasse ele brigando de novo, seria o fim. Talvez deixá-lo vir fosse a melhor forma de mantê-lo sob controle.
*
Ao sair do prédio da escola, seguimos pelo caminho arborizado em direção aos dormitórios. Como a aula tinha acabado há pouco, quase ninguém estava por perto, mas vimos um grupo da Classe C mais à frente no caminho. Ibuki estava com eles, embora não tivesse vindo junto com Ryuen na visita à nossa sala. Um pouco adiante, sozinho, caminhava Koenji.
Aparentemente, a Classe C realmente planejava atacá-lo. Conforme Ryuen se aproximava, ordenou que Ishizaki bloqueasse o caminho de Koenji.
— Tudo exatamente como a Suzune previu. Vamos parar eles — disse Sudou, olhando para Horikita como se esperasse ordens.
— Vamos observar primeiro. Ainda não sabemos o que o Ryuen-kun quer — ponderou Horikita.
Como o próprio Ryuen dissera, conversar com alguém de outra classe não violava regra nenhuma. Nos aproximamos devagar, analisando a situação.
— Ei, Koenji. Deixa eu sondar tua mente um pouco, hein? — chamou Ryuen.
— O que está fazendo? Não me lembro de ter me comportado de maneira que justificasse você me parar — respondeu Koenji. Como Ishizaki estava na frente, eu não conseguia ver seu rosto, mas sua voz arrogante era a mesma de sempre.
— Não é você quem decide isso.
— Hmph. Tampouco é você — retrucou Koenji. Ele olhava para Ryuen e seus capangas sem o menor sinal de preocupação.
— Você lembra de mim, não lembra? — perguntou Ryuen, caminhando até Koenji com as mãos nos bolsos.
— Claro. Você é o ditadorzinho desagradável da Classe C, não é? — disse Koenji.
— Não consegui te pegar da última vez, mas agora você vem comigo, aberração — cuspiu Ryuen.
— Minhas sinceras desculpas. Imagino que eu deva ter estado ocupado quando você "não conseguiu me pegar" — disse Kouenji, passando a mão pelos cabelos. Não parecia nem um pouco arrependido. — Porém, tem algo que você disse que, receio, não posso ignorar. Quando falou "aberração", estava se referindo a mim?

— Quem mais eu poderia estar chamando assim?
— Bem, embora eu ache sua afirmação completamente absurda, suponho que vou deixar passar. Sou um sujeito bastante magnânimo, veja bem. Tenho um encontro, então vamos encerrar isso rápido, pode ser?
— Desculpa aí, mas você vai ter que adiar seu encontro.
— Então você não pretende recuar?
— O que vai fazer se a gente não sair do caminho?
Koenji cruzou os braços e pareceu refletir por um instante.
— Bem, suponho que discutiremos o seu assunto ali adiante — disse por fim, apontando para uma área de descanso mais à frente.
— Não me importa onde — respondeu Ryuen.
— Então me sigam.
Eles acompanharam Koenji até a área de descanso, quase saindo do nosso campo de visão.
— Melhor irmos também — disse Sudou.
Horikita o deteve imediatamente.
— Não fale nem faça nada imprudente. Entendido?
— S-Sim.
Sudou foi na frente, com Horikita logo atrás. O resto de nós seguiu um pouco distante, e nos aproximamos.
— Ryuen-kun — chamou Horikita. — O que você está planejando? Se fizer qualquer coisa, vai nos causar problemas.
— Heh. Então caiu direitinho na armadilha, hein?
Ryuen olhou por cima do ombro como se soubesse, desde o início, que alguém nos seguiria. Ele analisou todo o nosso grupo. Embora fosse provável que estivesse interessado em Koenji, tudo aquilo era uma cilada para reduzir a lista de suspeitos da Classe C. Foi por isso que ele entrou de propósito na Classe D com seu grupo — para nos fazer aparecer.
— Ayanokoji, Miyake e Yukimura, hein? Aceitável.
— Eu tô aqui também, Ryuen — disse Sudou, batendo os punhos.
— Cadê o Hirata? — perguntou Ryuen.
— Quem sabe? Não tenho a menor ideia. E você nem está interessado nele, certo?
— Ah, poupe-me. Aquele senso de justiça dele é tão forte que não seria estranho se aparecesse aqui — disse Ryuen.
— Isso não vai sair como você pensa — disse Horikita.
— Bem, tudo bem. Por enquanto.
Ryuen ergueu o queixo num sinal. No mesmo instante, Ishizaki e os outros cercaram Koenji.
Akito, observando tudo, não conseguiu esconder o desgosto.
— Ele acha que é rei ou algo assim. Manda nos colegas só movendo o queixo.
— Desculpa aí, Miyake, mas eu nasci assim — respondeu Ryuen. Com as mãos nos bolsos, aproximou-se ainda mais de Koenji.
— Pare — disse Horikita.
— Parar? Parar o quê? Como pode ver, não estou fazendo nada.
De fato, ninguém tinha encostado um dedo em Koenji ainda.
— Não me importo especialmente em brincar, mas me parece que minha presença aqui não é necessária. Concorda? — disse Koenji.
Ignorando Horikita, Ryuen virou-se novamente para ele.
— Agora que lembro… Hoje você é o protagonista, Koenji. Você me deve uma dívida.
— Dívida? Não faço ideia do que está falando.
— O teste do zodíaco. Por sua causa, perdi a chance de ganhar mais pontos.
— Ah. Se eu o atrapalhei, minhas desculpas.
Apesar das palavras, não parecia nem um pouco arrependido. Com naturalidade ousada, Koenji tirou um espelhinho do bolso interno. Os capangas da Classe C o olharam com estranheza, e ele respondeu com educação:
— Está ventando bastante hoje. Só estou verificando se meu penteado impecável não está bagunçado. — Girou o rosto para um lado e para o outro. — Hmm. Estou tragicamente desalinhado. Com licença, poderia segurar isto?
Koenji estendeu o espelho para Ryuen. Ele pegou, sorrindo.
— Pode apontar o espelho para mim — disse Koenji. Tirou um potinho de cera da bolsa, pegou um pouco com o dedo e começou a arrumar o cabelo com as duas mãos.
A Classe C, perplexa, nada fez… até que um som de estilhaço cortou o ar. Ryuen jogara o espelho no chão, quebrando-o. Ainda sorrindo, agarrou o braço de Koenji.
— Quero ver por quanto tempo você mantém esse showzinho.
Koenji, ainda ajeitando o cabelo, suspirou levemente.
— Você realmente é um canalha. Aquele espelho era bem caro, sabia?
— Foi mal. Minha mão escorregou — disse Ryuen.
— Tsc. Nesse caso, poderia soltar meu braço para que eu termine de arrumar meu cabelo? Claro, eu sou o tipo de homem que fica bonito até despenteado.
A tensão aumentava, e nós estávamos à beira de intervir. Ryuen soltou lentamente o braço de Koenji. Fazer isso em público era arriscado, mas combinava com sua tática habitual de levar os inimigos ao limite.
— Pare com isso, Ryuen-kun — disse Horikita.
— Quietinha, Suzune. Estou brincando com o Koenji.
— Isso não é "brincar". Você está atacando ele. É unilateral. Ele não quer isso.
Horikita recolhia cuidadosamente os pedaços do espelho quebrado, encarando Ryuen.
— Deixa que eu faço. Você vai machucar suas mãos — disse Sudou.
— Não me importo. Seria pior se você se cortasse, porque tem o seu clube.
— Não fala bobagem. Eu não vou deixar uma garota se machucar.
Sudou afastou Horikita e começou a juntar os fragmentos.
— Não vou te medicar se cortar a mão — resmungou Horikita. Sudou ignorou e continuou recolhendo.
— Ora, mas que reunião interessante nós temos aqui, não? — disse alguém.
Como se tivesse sido chamada por um sinal invisível, Sakayanagi e seu grupo apareceram na área de descanso. Vi Kamuro Masumi entre suas acompanhantes, mas não conhecia os outros dois rapazes — embora lembrasse de seus rostos.
— Sakayanagi, hein? Que timing suspeitosamente perfeito.
Sakayanagi parou e bateu levemente sua bengala no chão. A situação estava virando uma pequena multidão. Contando Koenji, eram seis de nós da Classe D, cinco da Classe C e agora quatro da Classe A — quinze pessoas ao todo.
— Estou aqui puramente por coincidência — disse Sakayanagi.
— Não me faça rir — respondeu Ryuen.
— Pensar que eu iria topar com os figurões da Classe C brigando com alguns alunos da Classe D. Estão planejando uma festa de Natal?
— Cai fora. Eu não tenho nenhum negócio com você — rosnou Ryuen.
— Ora, não precisa ser tão rude. Se estão organizando uma festa, quanto mais gente, melhor. Concorda? Posso participar?
— Se pretende ficar, não atrapalhe.
— Mas é claro. Eu jamais ousaria envergonhar o anfitrião da festa — disse Sakayanagi.
Ela se sentou em um banco próximo. Os três outros alunos da Classe A se acomodaram ao redor dela, como se a estivessem protegendo. Naquela área de descanso não havia câmeras de vigilância, apesar de sermos cercados por alunos voltando para os dormitórios. A qualquer momento alguém poderia passar por ali.
Koenji Rokusuke, ainda com aquele sorriso ousado e destemido, falou de novo:
— Não me incomoda que nossa plateia tenha aumentado, mas não está na hora de encerrarmos isso? Se não vamos conversar, seguirei meu caminho.
— Espere, Koenji. Ryuen-san disse para não deixar você fugir desta vez.
Koenji exibiu um sorriso fino.
— Lamento que nossa conversa tenha se prolongado. Acho melhor irmos direto ao ponto. Suponho que você esteja obcecado em derrotar qualquer um que atrapalhe a Classe C, ou qualquer um que forme uma aliança com outra classe para fazê-lo. Estou errado?
— Vou esmagar qualquer inseto que ficar no meu caminho, é isso aí — disse Ryuen.
— E agora surgiu alguém assim dentro da Classe D. Então você está procurando esse estorvo — disse Koenji. Para alguém que não demonstrava interesse por nada ao seu redor, ele parecia entender a situação surpreendentemente bem.
— Exato.
— Nesse caso, temo não me encaixar no perfil. Não tenho o menor interesse no futuro da Classe D, tampouco em qualquer outra classe. Não contribuí com nada digno de nota em nenhum exame até agora, e não tenho intenção de fazê-lo. Diga-me, está mesmo decidido a fazer inimigo alguém tão irrelevante?
— Então como explica o exame do zodíaco? A conversa corre solta — disse Ryuen.
— Oh ho. Parece que você é bem informado.
Durante o exame do zodíaco, Koenji foi quem descobriu a identidade do VIP do Grupo Macaco. Mesmo sabendo que a Classe D havia vencido ao analisar os resultados, seria difícil para Ryuen apontar com precisão quem havia descoberto aquilo. Ele realmente tinha feito o dever de casa. Ou talvez tivesse deduzido que Koenji estava no Grupo Macaco?
— Ah, aquilo. Eu só estava economizando tempo. Não queria participar daquelas reuniões tediosas, então resolvi acabar logo com tudo e voltar a desfrutar da minha liberdade. Nada além disso — disse Koenji. Ele pegou o celular e usou a câmera para analisar o próprio rosto, como um espelho improvisado.
— Não podemos descartar a possibilidade de que tenha ajudado em outras provas — disse Ryuen. — Isso significa que não há garantia de que você não esteja controlando a Classe D.
— Suponho que seja possível. Mas, se essa é a conclusão a que chegou, significa que você é um idiota de intelecto miserável — respondeu Koenji.
Ishizaki parecia prestes a avançar, mas Ryuen sorriu e o conteve. Eu tinha que admitir que a resposta de Koenji fora excelente. Se Ryuen estivesse perseguindo a pessoa errada, acabaria parecendo um completo imbecil.
— Heh. Você está certo. Se estiver dizendo a verdade, então é completamente inofensivo.
— Sim. Você é bem perspicaz, Dragon-boy.
Sakayanagi começou a rir ao ouvir o apelido "Dragon-boy".
Ryuen mudou de assunto completamente:
— E se eu mandar esses caras te espancarem até desmaiar como pagamento pelo exame do zodíaco? O que faria se eu partisse para a violência gratuita?
Horikita tentou responder àquela pergunta perturbadora, mas Koenji a interrompeu com uma risada:
— Isso não faz sentido algum. Você não faria isso aqui, diante de tanta gente. Não teria nenhum benefício.
— Sou perfeitamente capaz de causar um estrago mesmo em um lugar inconveniente como este, benefício nenhum envolvido — disse Ryuen.
— Entendo. Nesse caso, se realmente optasse por isso, eu defenderia meu orgulho e derrubaria qualquer um que viesse para cima de mim — disse Koenji.
— Você conseguiria fazer isso sozinho?
— Acho mais difícil imaginar por que não conseguiria.
Sakayanagi, ainda ouvindo tudo, apenas sorriu.
— Parece que meu raciocínio estava errado — disse Ryuen. — Koenji não parece ser o X. Ele é completamente insano, mas de um jeito diferente de mim. Acho que é só isso mesmo.
— Fico feliz por termos esclarecido esse mal-entendido — respondeu Koenji.
— Mas deixe eu te perguntar uma coisa, Koenji. Os pontos da Classe D estão aumentando constantemente. Alguém tem que ser o responsável por isso. Se não é você, quem é? Algum desses que nos seguiram até aqui como um bando de ovelhas pasmadas? — perguntou Ryuen.
Pela primeira vez, Koenji olhou para nós. Depois deu de ombros, desinteressado.
— Posso te contar, mas—
— Posso ter um minuto? — interrompeu Sakayanagi, como se estivesse tentando impedir Koenji de falar. — Essa conversa é fascinante. Então alguém da Classe D está atrapalhando a Classe C, é isso? Ouvi boatos de que o Dragon-boy estava procurando essa pessoa, mas isso é mesmo verdade?
— Já falei para você calar a boca, Sakayanagi. E se me chamar assim de novo, eu te mato. Entendeu?
— Ora, não gostou? Acho um apelido maravilhoso. Enfim, há algo aqui que não entendo muito bem.
Ryuen riu, mas Sakayanagi o ignorou completamente.
— Alguém da Classe D viu através dos seus planos e derrotou você — continuou ela. — É só isso? Esta escola foi criada justamente para colocar as classes umas contra as outras. Você e eu já nos enfrentamos inúmeras vezes assim. Não sei quem é esse aluno da Classe D, mas permanecer anônimo enquanto trava guerra contra você é uma estratégia excelente. Vai mesmo gastar toda essa energia interrogando um aluno que não tem nada a ver com isso? Honestamente, suas ações só parecem patéticas.
— Admito que o X estragou meus planos — respondeu Ryuen. — Mas esse não é o problema. Estou fazendo isso para arrancar à força quem está agindo nos bastidores. Vou arrastá-lo chutando e esperneando para a linha de frente.
— Entendo. Então pretende recorrer à extorsão e chantagem, se necessário?
— Isso mesmo. E estou disposto a usar violência também, se for preciso. Gosto bastante do meu jeito de fazer as coisas.
— Se fizer isso, além de parecer patético, revelará sua própria incompetência. Ouvi bastante de Masumi-san e Hashimoto-kun sobre a estratégia que você usou na ilha… e sobre como seus truques fracassaram. Se observar a situação objetivamente, fica claro que Koenji não teve envolvimento algum, não é? Além disso, ouvi dizer que a mente por trás de tudo foi Horikita Suzune-san, a garota bem ali. Fico pensando… será que essa pessoa que você procura realmente existe? — perguntou Sakayanagi, açoitando Ryuen com o olhar e com as palavras.
— Tem certeza de que não está apenas tentando encobrir sua própria falha, Ryuen-kun? — murmurou um aluno da Classe A.
— Você exagerou, Kitou. Ryuen não é tão idiota assim — respondeu outro. Acho que era o Hashimoto, ou algo assim.
Ryuen não demonstrou nenhum sinal de abalo com as provocações da Classe A. Ele entendia melhor do que ninguém esse tipo de estratégia. Em vez de rebater Sakayanagi, mudou completamente de abordagem.
— A idiota aqui é você, Sakayanagi. Eu usei o Katsuragi. Fiz ele assinar um contrato comigo.
— Um contrato? Ah, sim. "Em troca da assistência prestada pela Classe C à Classe A, pontos privados serão pagos como compensação", algo desse tipo, não? Especificamente, havia uma cláusula dizendo que "vinte mil pontos privados serão pagos por pessoa, por mês, até a formatura", correto? — recitou Sakayanagi com naturalidade.
— Hã?! O quê?! Vocês estão bem com isso?! — gritou Sudou.
— Não vai contra as regras — explicou Sakayanagi. — É um contrato que ambas as classes aceitaram mutuamente. Receberíamos os pontos de classe que deveriam ter ido para a Classe C, e os compensaríamos com pontos privados.
Eu sabia que as Classes A e C tinham formado uma aliança no exame da ilha, mas os detalhes exatos ainda não estavam claros para mim. Pelo visto, após gastarem todos os seus pontos e deixarem seus últimos 270 pontos — descontando os trinta perdidos pela ausência de Sakayanagi — para a Classe A, a Classe C havia exigido vinte mil pontos privados por pessoa em troca.
À primeira vista parecia que a Classe C tinha se dado melhor. Porém, o mais importante era terminar o exame liderando em pontos de classe. Eles determinavam a colocação das classes, afinal. Poderíamos até dizer que os pontos privados eram apenas um bônus. Se Katsuragi não tivesse aceitado o acordo, o teste da ilha poderia ter sido muito pior para a Classe A — eles provavelmente teriam ficado quase sem pontos agora, e a diferença para a Classe B seria bem menor.
Mas por que revelar tudo isso agora, depois de manter segredo por tanto tempo? Parecia que Sakayanagi queria humilhar Ryuen. Ele a chamara de idiota, e ela o ridicularizava mostrando que já sabia do contrato desde o começo. Talvez.
— Bem, quem vai se dar mal se esses detalhes vazarem não sou eu. São vocês — disse Ryuen. — As outras classes vão descobrir que estamos recebendo vinte mil pontos mensais por pessoa de vocês, não vão?
— Se você quisesse contar para todos, já teria feito isso. Além disso, foi o próprio Katsuragi-kun quem sugeriu o contrato — respondeu Sakayanagi de forma categórica.
Ela não estivera na ilha, então podia evitar qualquer responsabilidade. Era até possível que tivesse instruído seus seguidores a deixar Katsuragi agir sozinho, mas isso jamais saberíamos. O que importava era que Katsuragi estava mantendo a cabeça baixa agora, enquanto Sakayanagi parecia no controle da classe.
— Argh. Então a Classe C basicamente tem uma mesada garantida? — resmungou Sudou.
— Não se deixe enganar, Sudou-kun. A Classe C poderia ter conquistado esses pontos de classe sozinha, mas os desperdiçou. No fim, não ganhou nada — disse Horikita.
— Será mesmo, Suzune? — perguntou Ryuen. — Não é diferente de conseguir duzentos pontos de classe do jeito certo, lá na ilha. Além disso, nossa renda de pontos privados vai continuar indefinidamente. Vamos ganhar esses pontos até a Classe A perder sua posição.
— Errado. Parece semelhante, mas não é. O que vocês estão recebendo são apenas pontos privados. Eles não têm relação nenhuma com pontos de classe.
Nesse ponto, Horikita estava certa. Porém, oitocentos mil pontos privados fluindo todo mês para a Classe C era algo significativo. Mesmo que a Classe C continuasse perdendo pontos de classe daqui em diante, ainda assim teria uma renda garantida. Embora a facção de Sakayanagi estivesse atacando, a facção de Katsuragi havia dado à Classe C um bilhete premiado.
— Já terminamos aqui? Não pretendo negar a diversão de vocês, mas gostaria que saíssem do meu caminho. Já perdi tempo demais ouvindo essa baboseira sem sentido — disse Koenji.
— Espere, Koenji. Você ainda não respondeu.
Koenji ergueu os olhos para o céu, como se tentasse lembrar.
— Algo sobre uma pessoa inteligente na Classe D, não? Para ser honesto, nem pensei no assunto. De qualquer forma, provavelmente é melhor que eu não diga, certo? Você está fazendo de tudo para caçar essa pessoa, mesmo colocando a si mesmo em risco. Não quero roubar sua diversão. Quanto a mim, não me importo com ninguém nesta escola. Estou apenas aproveitando os dias ensolarados da minha juventude, cortejando belas mulheres e admirando minha própria beleza.
— Então você está dizendo que não vai ajudar sua própria classe?
— Não ajudei, e não ajudarei. Eu disse isso desde o início. Para mim, Classe A e Classe D são a mesma coisa. Todos vocês são tão terrivelmente entediantes.
— Ryuen-san, esse idiota já menosprezou a gente demais! Vamos ensinar uma lição a ele!
Ishizaki levantou os punhos, pronto para atacar, mas quem o deteve não foi Ryuen. Foi Sakayanagi, que até então apenas observava tudo sorrindo. Koenji havia dito algo que ela não podia ignorar.
— Tem algo que você disse que me interessa — começou ela. — Deixando o Dragon-boy-san de lado—
— O quê?!
Ryuen avançou contra Sakayanagi e desferiu um chute. Hashimoto saltou para protegê-la, bloqueando o golpe com o braço esquerdo. Voou para trás, caindo com força no concreto. Se ele não tivesse interferido, Ryuen provavelmente teria acertado o chute no rosto dela. Um garoto da Classe A de luvas brancas, Kitou, imediatamente assumiu posição de combate.
— Oh? Magoei dos seus sentimentos? — provocou Sakayanagi.
— Eu disse que mataria você se me chamasse assim de novo.
— Pare imediatamente. O que você fez agora é horrível — começou Horikita, mas Sakayanagi a interrompeu.
— Há algum problema com o que acabou de acontecer, Hashimoto-kun?
— Não. Eu só caí — disse Hashimoto, levantando-se devagar e tirando a poeira da roupa.
— Viu, Horikita-san?
— Tsc. Tanto você quanto o Ryuen-kun são lunáticos — disse Horikita.
Mesmo diante de um ato deliberado de violência, os alunos da Classe A liderados por Sakayanagi não demonstraram sinal algum de descontentamento. Na verdade, pareciam totalmente prontos para revidar.
— Sinto muito, Ryuen-kun. Acho que provoquei você demais — disse Sakayanagi. Ela então voltou sua atenção para Koenji. — Voltando à minha pergunta original… o que você quer dizer quando afirma que todos aqui, inclusive eu, são entediantes?
— Pelo amor de Deus… — murmurou Horikita, exasperada. Era compreensível.
— Machuquei tanto assim os seus sentimentos, Little-girl? — Koenji apontou para Sakayanagi enquanto se aproximava do banco onde ela estava sentada.
— Tsc. Little-girl, hein? Que apelido maravilhoso — respondeu Sakayanagi. Ryuen soltou um riso curto, como se aquilo fosse a vingança por Koenji tê-lo chamado de "Dragon-boy". — Koenji-san, não é? Seu inglês precisa de alguns ajustes. Eu não sou uma garotinha.
— Isso não é você quem decide. Chamá-la de Little-girl é apropriado, considerando sua idade e seu porte físico — respondeu Koenji.
— E é exatamente aí que você se engana. O uso apropriado das palavras "Little-girl" é para meninas em idade escolar fundamental. Você não pode alterar as regras do mundo como bem entende — disse Sakayanagi.
— Ser escravo das convenções não combina comigo — disse Koenji, passando os dedos pelos cabelos.
— Pare com isso, Koenji — disse Kitou, dando um passo à frente. Ele fez um movimento como se fosse tirar suas luvas brancas, que eu inicialmente achara serem para proteger as mãos do frio. Aparentemente, não era esse o motivo.
— Que diabos há com esse cara? Se ele tirar as luvas, algum demônio aparece ou algo assim? — murmurou Sudou.
— O quê? — perguntei, surpreso.
— Não sabe? É de um mangá antigo que era bem famoso. Tem um cara que, quando tira a luva branca, um demônio aparece para lutar contra outros demônios — explicou Sudou. Nunca tinha ouvido falar naquilo, mas eu também nunca tinha lido mangá nenhum.
— Não tenho nenhum assunto com a Classe A. Saiam agora — ordenou Koenji.
— Permita-me corrigir o comportamento desse garoto — disse Kitou a Sakayanagi.
— Haha! Bem, eu não me importo que briguem por minha causa. Infelizmente, meu gosto por homens e mulheres tende mais para pessoas mais velhas — disse Koenji. Ele estava brincando tanto com Sakayanagi quanto com Ryuen, os representantes de suas classes. Talvez loucura fosse mesmo uma forma de poder, assim como violência e mentira.
— Já terminamos aqui. Agora cai fora — rosnou Ryuen. Lidar com alguém como Koenji devia ser exaustivo até mesmo para ele.
— Muito bem, então. Até mais — disse Koenji, virando nos calcanhares e indo embora.
A tempestade que temíamos que estourasse talvez fosse Koenji, e não Ryuen.
Com aquela fonte de confusão indo embora, todos ficaram em silêncio. Sudou já havia recolhido a maior parte dos cacos do espelho quebrado, e parecia que a tensão tinha diminuído por ora.
— Bem, o show acabou — disse Sakayanagi. — Vamos voltar?
— É bom ficar em guarda no terceiro semestre, Sakayanagi — alertou Ryuen.
— Claro. Se está tão convencido de que derrotou a Classe D, serei sua oponente a qualquer momento — respondeu Sakayanagi enquanto partia com seu grupo.
— Vamos voltar também, Horikita? — perguntei.
— Sim. Não aguento ficar aqui nem mais um minuto. Embora… devo dizer que Ryuen-kun parecia menos interessado em Koenji-kun do que eu imaginava — refletiu Horikita.
As ações de Ryuen ainda a intrigavam, e parecia que a Classe C compartilhava dessas dúvidas.
— Devíamos mesmo deixar ele ir assim tão fácil? — perguntou um dos capangas de Ryuen.
— Se fosse ele, eu não teria deixado — respondeu Ryuen.
— Mas ele parece muito suspeito pra mim. Podia estar mentindo.
— A forma de pensar dele não combina com a minha. Seja quem for o X, ele e eu pensamos da mesma maneira. Além disso, ele parece mesmo o tipo que se uniria à Horikita?
— Difícil de imaginar, verdade. Mas então por que você mirou no Koenji?
Ryuen deixou de observar as costas de Koenji se afastando e virou-se para nós com um sorriso perturbador.
— Ei. O que vocês acham do Koenji?
— Você tá falando um monte de besteira faz tempo — resmungou Sudou, cerrando os punhos. — Não tô entendendo nada.
— Idiotas deveriam ficar fora disso — disse Ryuen.
— O quê—?!
Horikita impediu Sudou com um olhar e um gesto da mão.
— Suas ações são bizarras e incompreensíveis, Ryuen-kun — disse Horikita.
Ryuen pareceu tomar aquilo como um elogio.
— Nesse caso, devo estar fazendo algo certo. Hoje reduzi bastante minha lista de suspeitos, Suzune. Agora só falta aquele esquisitão aí atrás de você.
— Não vou ouvir mais nada do que você diz. Isso é perda de tempo. Da próxima vez, pare de abordar meus colegas — disse Horikita.
— Sou livre para abordar quem eu quiser. Não é contra as regras — respondeu ele, irônico, considerando o quanto vivia quebrando regras. — Enfim, o show vai acabar logo. Mal posso esperar pelo grande final.
Ryuen lançou um olhar rápido para a figura de Sakayanagi desaparecendo ao longe e então se retirou.
— Finalmente. Vamos. Devemos contar isso ao Hirata-kun — disse Horikita.
— Qual é a do Ryuen? Será que tá aprontando alguma coisa? — reclamou Sudou.
— Quem sabe? Duvido que alguém entenda realmente como a mente dele funciona.
Enquanto observava Ryuen e seus capangas indo embora, concluí que os preparativos dele estavam quase completos. E isso não era um pensamento nada agradável.
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