Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 7.5

Capítulo 1: A Flecha do Amor

23 DE DEZEMBRO. Céu limpo. Acordei me sentindo ótima, tão renovada que quase não consegui acreditar. Mesmo tendo acabado de sair da cama, sentia como se ainda estivesse sonhando. Eu estava diferente.

O que, exatamente, havia mudado? Se alguém me perguntasse, eu diria que nada. Mas isso não seria verdade. Tinha havido uma mudança. Uma mudança enorme. Eu, Karuizawa Kei, finalmente estava livre do meu passado horrível. Não… não era bem isso — era mais como se eu tivesse ganhado força suficiente para superar esse passado.

Isso aconteceu ontem, depois da cerimônia de encerramento do segundo semestre. Ryuen Kakeru me chamou no terraço e me intimidou de forma cruel. Parece bobo falar assim, mas é a verdade. Diante da crueldade dele, cheguei ao fundo do poço. Achei que estava amaldiçoada, condenada ao inferno outra vez. Eu tinha fugido para esta escola em busca de salvação, apenas para cair na mesma armadilha. Descobri coisas chocantes naquele terraço. Descobri que Kiyotaka tinha provocado Manabe e suas amigas a me atacarem.

No começo, senti desespero. Depois, raiva. Mas, no fim, eu fui salva. Pelo Kiyotaka.

Quando deixei o terraço, o ex-presidente do conselho estudantil e a Chabashira-sensei estavam me esperando. Não disseram quase nada, mas foram cuidadosos, tentando não chamar atenção. Se não fosse por eles, eu provavelmente nem teria conseguido voltar ao dormitório. Disseram que estavam agindo por instruções do Kiyotaka. Talvez soubessem que só isso me deixaria um pouco mais tranquila.

Pensei no que havia acontecido lá em cima. Se eu tivesse o poder de abandonar meu passado, não teria sentido medo. Ninguém teria descoberto quem eu tinha sido no ensino fundamental. Mas isso também não era verdade, era? A culpa era minha também. Eu tinha agido arrogante para parecer forte. Não era de se admirar que Manabe e as outras me odiassem. Minhas tentativas de me proteger do bullying só acabaram me fazendo ser intimidada de novo.

— Ahh… — suspirei. Não era um suspiro ruim. Era… um suspiro cheio de sentimentos? Eu nem sabia dizer. Só tinha certeza de uma coisa: estivesse eu dormindo ou acordada, Kiyotaka estava sempre na minha mente. Desde ontem, eu não conseguia parar de pensar nele.

Mesmo sem febre, eu me sentia quente. Fechei os olhos, tentando conter aquele calor.

Ayanokoji Kiyotaka. Primeiro ano, Turma D. No começo, eu nem tinha reparado na existência dele. Era só um colega de fundo de sala, nada mais. Alguns achavam ele legal ou algo assim, mas eu não me interessava. Além disso, logo esqueciam do Kiyotaka. Para ser popular, você tinha que saber conversar, e isso ele definitivamente não sabia. Não importava o quanto fosse bom nos estudos ou nos esportes — se não conseguisse fazer os outros te seguirem, nunca teria influência. Por isso o Yousuke-kun, o Tsukasaki-kun da Classe A e o Shibata-kun da Classe B eram muito mais populares que ele.

Mas, no fim, o verdadeiro Kiyotaka era um bom conversador. Inteligente, maduro, calmo e tão bom em esportes que conseguia acompanhar até os veteranos. E também era incrivelmente forte. Ele podia ser cruel e impiedoso também, mas… bem… ainda assim tinha me salvado no final.

— Hã?! Espera aí. Eu…? Não me diga que eu… Pelo Kiyotaka… — Balancei a cabeça. — Não! Não, não, não! Nem pensar!

Pressionei as mãos no rosto vermelho como um tomate. Estava agindo como uma princesa de conto de fadas apaixonada pela primeira vez. Eu queria me apaixonar, claro. Mas… parte de mim simplesmente não queria admitir que pensava no Kiyotaka desse jeito.

— Não. Isso não tem como acontecer. Quer dizer, foi por causa dele que todas aquelas coisas horríveis aconteceram comigo.

Se fosse pensar bem, era ele quem devia agradecer por eu não guardar rancor. E ainda por cima roubar meu coração? Seria imperdoável uma arrogância dessas.

Penteei meus cabelos bagunçados na frente do espelho, me perguntando se uma pessoa comum teria perdoado o Kiyotaka por tudo aquilo. Provavelmente não. Na verdade, impossível. Qualquer um guardaria rancor. Só alguém de coração generoso — como eu — conseguiria perdoar algo assim.

Fique satisfeito com isso, Kiyotaka. Enquanto falava sozinha, tentava afastar aquelas fantasias malucas. Mas eu não sabia o que dizer quando estivesse cara a cara com ele. Não podia simplesmente contar que já o tinha perdoado. Talvez eu devesse ser um pouco dura com ele? Mostrar que estava chateada por ele ter me usado?

Enquanto pensava nisso, meu celular vibrou com uma mensagem.

"Hoje às onze. Conto com você, Karuizawa-san."

— Ah, é. Aquilo.

A mensagem era da minha colega de classe, Satou Maya. Ela tinha dito que queria conversar e pedir alguns conselhos. Nós duas fazíamos parte de grupos diferentes, então não era comum interagirmos muito. Não que não nos déssemos bem — nos dávamos —, mas era a primeira vez que ela me chamava para sair sozinha.

— Apesar de tudo, até que estou me sentindo bem — falei para mim mesma.

Considerando que ontem eu tinha levado baldes de água gelada na cabeça, ao ar livre, estava até orgulhosa de estar tão inteira. Tomei um banho quente logo depois, mas uma garota normal provavelmente teria pegado um resfriado. Talvez até ficasse de cama por três dias depois de uma tortura daquelas.

— Acho que eu só estou acostumada a esse tipo de coisa.

A piada autodepreciativa escapou fácil demais. Achei que tinha mudado, mas, no fundo, continuava a mesma. Desde que entrei na escola, sempre tive medo do bullying, e aquela escuridão sempre esteve ali, dentro de mim. Agora, porém, tudo parecia mais claro. Talvez eu pudesse mudar.

Tirei o pijama e fiquei só de roupa íntima. Não conseguia parar de olhar para as cicatrizes no meu corpo, mas elas já não me incomodavam tanto. Era inacreditável como alguém podia mudar tanto em um único dia. Ainda assim, eu definitivamente não podia deixar nenhum garoto ver aquelas cicatrizes. Garotas deveriam ter pele lisa, macia, bonita. Tenho certeza de que a visão delas apagaria até o amor mais ardente. Embora…

Kiyotaka era diferente. Ele olhou para minhas cicatrizes sem demonstrar nojo. Talvez não quisesse dizer o quanto eram repulsivas. Ou talvez estivesse muito escuro naquele navio. Ou talvez ele estivesse tão ocupado me intimidando que nem teve tempo de sentir nojo.

Talvez, lá no fundo, ele achasse que eu era repulsiva. Ou… talvez não.

Enquanto relembrava tudo repetidamente, percebi algo.

— Espera. Ele… me tocou, não foi? Ele colocou as mãos em mim.

Naquela hora eu não tinha percebido direito, mas… aconteceu, não foi? Ele tocou nas minhas pernas. Eu nunca nem tinha dado as mãos para um garoto antes. O que diabos ele aprontou comigo?

— Argh! Droga! Pensando nisso de novo! Eu sou uma idiota!

Chega! Por enquanto, afastei qualquer pensamento sobre Kiyotaka e comecei a me vestir.

*

 

Eu já estava atrasada, então tive que correr. Os estudantes em férias de inverno lotavam o Keyaki Mall, que estava muito mais cheio do que o normal.

— Faz sentido. Não tem muito outro lugar pra ir — murmurei para mim mesma.

Cheguei ao café por um triz, acenando para Satou-san, que esperava na entrada com o celular na mão.

— Bom dia, Satou-san — cumprimentei.

— Ah, Karuizawa-san! Bom dia! — Seus olhos brilharam enquanto ela retribuía o aceno. Parecia que tinha acabado de sair do salão, porque o cabelo dela estava lindíssimo.

Eu escondi meu cansaço. Ninguém podia saber sobre a tortura de ontem no terraço. Eu tinha que continuar sendo a garota alegre de sempre, e foi por isso que aceitei encontrar a Satou, mesmo podendo ter recusado. Além disso, eu já estava curiosa sobre o que ela queria há algum tempo.

— Desculpa ter te chamado tão em cima da hora — disse Satou-san.

— Ah, não tem problema.

— Ufa! Fico feliz em ouvir isso.

Entramos no café. Estava completamente lotado, mas um grupo acabou de sair, liberando uma mesa. Timing perfeito.

— Nossa, tá realmente lotado — comentei. Era uma loucura ali dentro.

— Fico pensando se alguma turma vai ter provas nas férias de inverno — disse Satou-san. Parecia que estava pensando a mesma coisa que eu. Nós, alunos do primeiro ano, tínhamos ido para o mar em um navio de cruzeiro luxuoso nas férias de verão, mas desta vez parecia que não haveria nenhuma prova especial.

Será que a escola estava sendo gentil em nos dar um descanso no inverno? Ou iam enfiar alguma prova surpresa logo no começo do ano? Espero que não.

— Se você não tomou café da manhã, pode pedir o que quiser. Eu pago — disse Satou-san, sorrindo. Aceitei a gentileza e pedi um scone americano e um café com leite.

Nos sentamos à nossa mesinha pequena para duas pessoas.

— Então, sobre o que você queria falar comigo? — perguntei. Se ela estava pagando, era porque precisava de um favor grande.

— Sim. É o seguinte… para falar a verdade… eu… eu vou sair pra um encontro em breve — disse Satou-san.

— Um encontro? — Fiquei surpresa, mas controlei o choque e um leve aperto no peito.

— Sim — respondeu ela, com o rosto ficando vermelho. Tive um mau pressentimento. Se eu não estivesse interpretando errado, esse encontro seria com…

— Hã… com quem? — perguntei. Parecia que ela estava esperando essa pergunta.

— Bem… com o Ayanokoji-kun, na verdade. É meio… surpreendente, né? — Ela parecia envergonhada, mas feliz. Um zumbido ecoou nos meus ouvidos, mas tentei fingir calma absoluta. Peguei o scone e dei uma mordida enorme. Algumas migalhas caíram na bandeja. Minha boca ficou seca por causa da massa esfarelenta, então engoli com o café com leite.

— Ah… então você tá de olho no Ayanokoji-kun, hein? Realmente é uma surpresa — respondi. Eu sabia que Satou-san gostava do Kiyotaka há algum tempo, mas como nunca falamos disso, essa era a resposta mais segura.

— Pois é, né? Eu também fico um pouco surpresa. Mas lembra da corrida de revezamento no festival esportivo? Quando vi o Ayanokoji-kun correr, meu peito ficou apertado. Acho que comecei a me apaixonar ali.

Ela falava com tanta empolgação que eu sentia vergonha alheia. Parecia mesmo uma princesa de conto de fadas apaixonada.

— Mas ele não chama muita atenção, né? — comentei. — Digo, estamos falando de você, Satou-san. Tenho certeza de que muitos outros caras seriam ótimos para você. Sei lá, talvez alguém como o Tsukasaki-kun daquela outra turma?

Ele era bem bonito. Muitas garotas já tinham ficado caidinhas por ele.

— Acho que não — disse Satou. — Parece que ele tá saindo com uma veterana do clube dele.

Então já tinham fisgado ele. Não surpreendia que ninguém mais comentasse sobre ele. Celebridades — meninos ou meninas — sempre perdiam um pouco da popularidade quando começavam a namorar.

— Ah, entendi. Bom… e o Satonaka-kun? Ele tá solteiro agora, né? — perguntei.

— Ah, eu acho ele legal e tudo mais, mas… acho que simplesmente não sinto nada desse tipo por ele — respondeu Satou.

Minhas tentativas de sugerir garotos mais populares não surtiram efeito algum. Não parecia que ela gostava do Kiyotaka só pela aparência — não que ele superasse Tsukasaki ou Satonaka nesse quesito. Ainda assim, o Kiyotaka ficava fácil entre os dez garotos mais bonitos da escola, e Satou certamente sabia disso.

Ter um namorado bonito era um símbolo de status. Sair com um cara legal ou uma garota bonita já elevava a reputação de qualquer um. Quando eu comecei a "namorar" o Hirata-kun, minha popularidade disparou muito mais do que eu esperava. Se a Satou começasse a namorar o Kiyotaka agora, a popularidade dela poderia explodir num futuro próximo. Se o Kiyotaka revelasse seus talentos de verdade, talvez até superasse o Hirata-kun na reputação.

Mesmo depois da corrida de revezamento, ele ainda não era muito popular com as garotas — provavelmente por ser quieto demais, e também porque só parecia conversar com a Horikita-san. Além disso, a maioria das garotas detestava os amigos dele, como Ike-kun, Yamauchi-kun e Sudou-kun.

De qualquer forma, Satou-san não devia ter falado muito com o Kiyotaka antes. E agora estava apaixonada só de ter visto ele correr aquela única vez? Não era meio superficial isso? Eu conhecia o Kiyotaka muito melhor que ela. Conhecia o verdadeiro lado dele. Aquele lado profundo e sombrio que a Satou nem imaginava que existia.

Aaaagh! Não, não! Eu não tinha motivo nenhum pra falar mal da Satou. Eu tinha que apoiá-la. Por quê? Porque eu era a namorada do Hirata Yousuke-kun. Não tinha motivo para atrapalhar o romance de ninguém. Eu tinha que agir como Karuizawa Kei, namorada do Hirata-kun, líder das garotas da Classe D.

— Olha… sei que isso pode soar meio estranho, mas você está mesmo levando isso a sério? De verdade? — perguntei. A "verdadeira" Karuizawa Kei perguntaria desse jeito desconfiado.

— Sim — respondeu Satou, sem hesitar. Ela estava decidida. Não era brincadeira.

— Bom, é ótimo você ter encontrado alguém de quem gosta, né? O Ayanokoji-kun deve estar solteiro mesmo — comentei.

— Exato. Por isso achei que essa poderia ser minha chance. Senti que tinha que agir rápido.

Era a história mais velha do mundo. Você contava o crush pra uma amiga e aquela amiga corria e ficava com o cara. Entendi por que Satou estava sendo cautelosa. Ela provavelmente achava que eu era "segura", já que eu tinha um namorado que estava acima do Kiyotaka na hierarquia da classe.

Mesmo assim, eu nunca teria imaginado que esses dois fossem sair para um encontro nas férias de inverno. Apesar do que tinha acontecido no terraço, Kiyotaka realmente ia sair com Satou-san — mesmo não parecendo nem um pouco interessado nela.

Frrrrr. Sem perceber, rasguei o papel que envolvia o canudo.

— Então, a nossa conversa tem algo a ver com o seu encontro? — perguntei.

Os olhos de Satou-san brilharam quando ela assentiu. Ela estava irritantemente radiante agora.

— Tem sim! Eu só… tipo… queria perguntar o que torna um encontro bem-sucedido, sabe? Fiquei curiosa sobre como você e o Hirata-kun começaram a namorar.

Yousuke-kun e eu éramos os únicos da classe que tínhamos anunciado um relacionamento. Se Satou buscasse ajuda em outras turmas, provavelmente ouviria algo como "Kiyotaka? Quem é esse?". Fazia total sentido que viesse pedir ajuda a mim.

— Karuizawa-san, você começou a namorar o Hirata-kun logo depois que entramos na escola, né? — ela continuou.

— Aham. Bom, acho que sim… é. Não é nada demais.

— Claro que é! É incrível. Eu te admiro tanto! — Satou-san segurou minhas duas mãos. — Por favor, me ensine os seus métodos! Suas habilidades!

— Não é como se fosse uma "habilidade" nem nada…

Eu não conseguia dar a Satou-san as respostas que ela queria. No início do ano, eu tinha acabado de escapar do inferno que tinha sido o bullying no fundamental. Decidi que minha experiência no ensino médio seria melhor, então procurei o Hirata-kun e pedi sua ajuda. Olhando agora, tive sorte dele ser um cara tão legal. Foi uma aposta gigante. Se ele tivesse recusado fingir ser meu namorado, minha vida seria completamente diferente.

Mas Yousuke-kun era o tipo de pessoa que realmente queria paz e harmonia. Se ele pudesse me ajudar fingindo ser meu namorado, ele ajudaria. Eu percebi que ele era uma boa pessoa, e por isso o escolhi.

Ser a "namorada" dele deu mais certo do que eu poderia imaginar. No começo, algumas garotas da classe ficaram com ciúmes, mas logo passou. Lembrei como as garotas populares da minha antiga escola agiam e apenas copiei. Eu saía bastante, fazia compras sem moderação, exigia que as meninas me dessem dinheiro. Em pouco tempo, virei a abelha-rainha das garotas da Classe D.

E eu vivia uma mentira. Satou-san pediu dicas de romance, mas eu não tinha nenhuma. Como alguém que nunca teve um namorado poderia saber o segredo de namorar?

Eu não queria desapontá-la. A antiga eu teria inventado tudo, fingindo confiança e mostrando "conhecimento" que havia visto em revistas ou na TV. Mas eu estava mudando. Eu não queria frustrar Satou-san, que confiava em mim, mas já estava cansada de fingir ser uma garota arrogante e egocêntrica. Queria contar a verdade para ela.

Mas eu não podia. Precisava ser a namorada confiante do Yousuke-kun. Eu vivia essa farsa para me manter segura. Mas será que ainda precisava? Será que ainda era necessário fingir namorar Yousuke-kun? Esses pensamentos giravam na minha mente.

Manabe, Ryuen e seus amigos já não eram mais ameaça graças ao Kiyotaka, que cuidou deles. Agora ninguém jamais descobriria que eu tinha sido vítima de bullying. E mesmo que algo acontecesse no futuro, eu acreditava que Kiyotaka me salvaria.

Namorar Yousuke-kun trazia muitas vantagens, mas eu não perderia minha posição na classe só por terminar com ele, certo? Quer dizer, pedir para "terminar" depois de ter pedido para "namorar" seria meio ridículo, mas eu tinha a sensação de que tudo daria certo. Se desse, eu ficaria solteira e livre… e poderia ir atrás do meu verdadeiro amor.

Espera — não era hora de pensar nisso. Satou-san esperava uma resposta. Eu podia refletir sobre meu namoro de mentira mais tarde.

— Então, você não quer que isso seja… tipo… algo casual, né? — falei. — Você quer um encontro sério com o Ayanokoji-kun. Algo que torne vocês oficialmente um casal, certo?

— Sim — respondeu. Ela queria que Kiyotaka se apaixonasse por ela naquele encontro. — O que eu devo fazer?

— Vejamos… — Pense. Como fazer Satou-san começar a namorar o Kiyotaka?

Eu não fazia ideia de como fazer um garoto se apaixonar. Além disso, Kiyotaka era claramente diferente dos outros. Será que um romance normal o satisfaria? Ou talvez ele fosse o tipo que secretamente desejava um romance comum. Difícil saber.

Enquanto eu me perdia nesses pensamentos, Satou-san pegou o celular.

— Talvez eu esteja sendo vaga demais. É que, sabe, eu sou totalmente amadora nisso. Então eu tentei montar o encontro perfeito. O que você acha? — Ela me mostrou o plano que digitou no celular.

Encontrar-se ao meio-dia → Almoço → Cinema → Compras → Confissão romântica sob a árvore lendária? → Presente

Parecia incrivelmente simples. Bom, listas sempre fazem parecer simples. Um detalhe saltou imediatamente aos meus olhos.

— Espera aí. Você planeja dizer que gosta dele logo no primeiro encontro?

— Acho que pensei em ir com tudo ou nada… mas só se eu conseguir criar coragem.

Eu achei que ela fosse querer aprofundar a relação aos poucos, devagar e sempre. Ela era mais decisiva do que eu imaginava.

— Você não acha que está indo, tipo, rápido demais? — perguntei. — Quero dizer, seria tranquilo esperar até o segundo ou terceiro encontro. Ainda seria bem rápido. Além disso, você pode descobrir algo sobre ele que não goste muito.

Até garotas experientes às vezes não sabem como começar um novo relacionamento, e Satou-san parecia uma total iniciante. Eu esperava que ela fosse com calma.

Embora, sendo eu mesma outra iniciante… que direito eu tinha de falar?

— Ah, e o que é essa "árvore lendária"? — acrescentei. — É uma daquelas histórias de que, se você declara seu amor debaixo dela, vocês ficam juntos para sempre?

Será que a escola tinha mesmo uma árvore assim? Seria só uma lenda urbana? Mesmo que tivesse algum poder misterioso, ficar presa a alguém por dez ou vinte anos parecia meio ruim.

— Bom, ela não é muito famosa. Vi algo sobre isso no quadro de avisos da escola. Dizia que, se você declara seus sentimentos debaixo dela, a outra pessoa vai gostar de você também. Parecia ter várias histórias de sucesso.

Hmm. Talvez eu devesse conferir. Abri o fórum do quadro de avisos no meu celular e vi que as histórias eram verdadeiras. A árvore existia, e várias confissões bem-sucedidas tinham acontecido lá. Aparentemente, algum figurão doou a árvore quando a escola foi fundada. Ela já tinha mais de cinquenta anos.

Pelo que eu li, a confissão romântica tinha que acontecer no fim da tarde, antes do pôr do sol, entre quatro e cinco horas. As postagens também diziam que ninguém mais podia estar por perto. Se todas as condições fossem atendidas, havia 99% de chance de sucesso.

Aquilo parecia bem suspeito.

— Mas não é difícil acertar um horário tão específico assim? — perguntei.

— É. Dizem que, se alguém aparecer no momento em que você declara seus sentimentos, não funciona.

Ficar sozinha parecia algo complicado, especialmente porque haveria bastante gente circulando naquele horário. Além disso, e se vários casais resolvessem testar a lenda ao mesmo tempo? Era mais superstição do que qualquer outra coisa, mas as pessoas fazem de tudo para aumentar as chances de uma confissão única na vida dar certo. Se fosse comigo, provavelmente eu também tentaria aumentar minhas chances de sucesso de qualquer forma.

— Então… tipo… por que você se apaixonou pelo Ayanokoji-kun? — perguntei.

— Hã? Por quê?

— Desculpa — acrescentei. — É que eu não sei nada sobre ele. Nem consigo imaginar direito. O que exatamente te atrai nele? Se você me contar, posso ter ideias para o encontro de vocês.

As bochechas de Satou-san ficaram coradas. Ela escondeu o rosto com as mãos enquanto falava.

— Hmm… bem, antes de tudo, ele é muito bonito, né? É tão quieto e maduro. Também corre rápido. Tira notas melhores que as minhas, então não é burro. Sabe, tirando o Hirata-kun, a maioria dos garotos da nossa sala é bem imatura.

Ela provavelmente estava falando do Ike-kun e do Yamauchi-kun. Eu concordava totalmente — a maioria dos meninos agia como crianças. Era difícil acreditar que tínhamos a mesma idade. Não é à toa que muitas garotas preferiam veteranos.

— Por favor, mantenha isso só entre nós — acrescentou Satou-san. — Não conte para as outras garotas, tá? Não quero que elas percebam o quanto o Ayanokoji-kun é incrível… nem o quanto eu sou inexperiente.

— Mas comigo você pode falar?

— Ah, você é a namorada do Hirata-kun. Não tem competição.

Satou-san estava confiando em mim. Era bom ser valorizada… mas por que tinha que ser o Kiyotaka? Se fosse sobre qualquer outro garoto, eu a apoiaria de verdade, sem hesitar. Não estaria tão confusa. Era só o destino sendo cruel?

— Aaah… — soltei um suspiro antes de perceber. Esse era pesado.

A expressão de Satou-san ficou triste.

— E-Eu… estou te incomodando, não é?

— Ah, desculpa. Não suspirei por isso, de verdade. — Senti como se um peso estivesse esmagando meu coração. Não era como se eu estivesse apaixonada pelo Kiyotaka ou algo assim. Eu só… tinha uma relação diferente com ele. Mesmo assim, agora eu precisava ajudar Satou-san. — Certo, vamos revisar seu plano de encontro. Talvez seja melhor deixar o almoço para depois do filme. Assim, se ficar estranho, vocês podem falar sobre o filme ou algo assim.

— Certo. Boa ideia, Karuizawa-san.

Satou-san pegou o celular.

— Então, quando é o grande dia? — Abri a página do cinema para ver se os horários podiam ser ajustados.

— Depois de amanhã.

— Ok, bem perto. Espera… depois de amanhã?! É dia vinte e cinco! — Quase me levantei sem perceber, mas me segurei e sentei de novo, tentando manter a calma.

— Heehee! — Satou-san riu.

Não me venha com esse "heehee"!

Vinte e cinco de dezembro. Um dos dias mais importantes do ano. Aff… Kiyotaka! O que diabos ele estava pensando, aceitando um encontro no Natal?! Era um dia para casais, para aprofundar o relacionamento. Um dia para confirmar o amor. Não para começar um.

Ele deveria ter recusado gentilmente e sugerido o dia vinte e seis. Mas, pensando bem, isso também poderia ter dado errado — poderia soar como desculpa de garoto que só quer safadeza.

Eu estava tão nervosa que meu cérebro parecia fritar. Suspirei de novo.

— O que foi, Karuizawa-san?

— Nada. Não se preocupa. — Por que eu estava tão agitada? Não era da minha conta. Eu não tinha nenhum direito de opinar nos detalhes desse encontro — eram eles que tinham que decidir. — Dia vinte e cinco, né? Bom… acho que é melhor do que na véspera de Natal.

Os cinemas lotam na véspera de Natal. Se você não se importasse muito com o horário da sessão ou com o assento, podia passar o dia inteiro lá.

— Então, se vocês começarem o filme às 11h50, ele termina por volta de 13h30 — continuei. — Se começarem o almoço antes das duas, provavelmente saem do restaurante por volta das três. Isso dá tempo para você se declarar depois das quatro. Certo?

Satou-san assentiu, satisfeita.

— E é melhor reservar o restaurante também — acrescentei. — Você quer lugares perto da janela, né? Como não vai ser horário de pico, deve conseguir reservar. Ah, e se pedir com antecedência, o restaurante pode preparar coisas que não estão no menu comum.

— Eu nem tinha pensado nisso. É exatamente o que eu esperaria de você, Karuizawa-san!

Era justo que as pessoas caprichassem em um encontro especial de Natal. Honestamente, o garoto deveria ser o responsável por esses preparativos. Mas como aquilo era o prelúdio da confissão romântica de Satou-san, provavelmente estava tudo bem.

Provavelmente. Eu não tinha certeza. Por mais patético que fosse… eu nunca tinha ido a um encontro de verdade.

*

 

Depois que Satou-san e eu conversamos, voltamos para o dormitório. Continuamos batendo papo enquanto caminhávamos.

— A neve tá caindo forte desde hoje de manhã. Dizem que amanhã vai nevar ainda mais — comentou ela.

Olhei ao redor. Se continuasse desse jeito, o campus ia ficar coberto de neve até o Ano-Novo.

Neve me fazia lembrar do ano retrasado. De alguém dizendo que neve lamacenta era raspadinha de chocolate antes de enfiar aquilo na minha boca. Pela primeira vez, recordei essa memória de longe, como se fosse uma lembrança até meio carinhosa. Parecia tão distante agora.

— O que será que tinha de tão divertido fazer aquilo, hein? — murmurei.

— Hã? — disse Satou-san.

— Ah, foi mal. Tava falando comigo mesma.

Talvez por causa do que aconteceu ontem, várias lembranças estavam voltando. A expressão de Satou-san ficou tensa. Achei que era porque eu tava falando sozinha, mas aparentemente não era isso.

— Na verdade, hum… eu queria te pedir mais um favor.

— Ué, não precisa se segurar. Manda.

Dei até um tapinha no peito, fazendo pose.

— Obrigada, Karuizawa-san. Então… eu tô muito feliz de ir nesse encontro, só que… esse vai ser o meu primeiro encontro. Eu não faço a menor ideia do que fazer.

— Você nunca saiu com um garoto antes? — perguntei.

Pelo que ela tinha dito mais cedo, até fazia sentido… mas eu imaginava que uma garota estilosa como ela já tivesse ido a pelo menos um encontro.

Satou-san balançou a cabeça, envergonhada.

— Tô te contando isso porque é… você, Karuizawa-san. Nunca fui a um encontro, e já tô no primeiro ano. Se eu contasse pra qualquer outra pessoa, iam rir de mim. Iam dizer que eu sou atrasada. Você também acha isso, né?

— N-Não, claro que não. Você pode até ser uma "flor tardia", mas isso só quer dizer que demorou um pouco para achar alguém de quem realmente gostasse, sabe? Significa que você se respeita demais pra aceitar qualquer coisa.

Mesmo mentindo, a apoiei. Não por ela… mas por mim.

— Obrigada por dizer isso — respondeu ela. — Então, hum… eu acho que vou ficar tão nervosa que posso acabar estragando tudo. Então… será que você e o Hirata-kun podiam ir junto, fazendo um encontro duplo? Eu queria que você fosse minha… "asa"!

Eu não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir.

— E-Encontro duplo?! A-Asa…?

— Eu devia ter pedido isso antes, né? Ainda mais depois de você me ajudar com todas as reservas… — disse ela, sem graça.

As reservas não tinham sido grande coisa. O problema era que ela queria que eu, totalmente inexperiente em romance, fosse uma espécie de Cupido.

O que poderia ser mais absurdo?

— Provavelmente é uma má ideia, né? — acrescentou Satou-san.

— Bom, isso… — Eu devia dizer não. Eu ia acabar fazendo tudo errado e mostrando minha falta total de experiência. Argh! Mas… como esse era o primeiro encontro dela, talvez ela nem percebesse? Será que eu devia fingir confiança e aceitar? — É que eu tinha pensado em passar o Natal só com o Hirata-kun. Só nós dois, sabe?

Pares normais provavelmente iriam passar também amanhã e depois juntos. Era meio óbvio, mas minha cabeça tava uma bagunça. Eu não sabia o que fazer.

— Ah… — Satou-san pareceu aflita. — É que… você e o Hirata-kun são tão perfeitos juntos. Eu queria ter um relacionamento como o de vocês.

Do ponto de vista dela, eu levava a vida de modo impecável. Claro que não era verdade… mas algo continuava me incomodando, e não era o Kiyotaka.

Eu não gostava do Yousuke-kun desse jeito, e nós nem estávamos realmente namorando. Era tudo fachada. Enquanto continuássemos assim, nenhum dos dois encontraria um amor de verdade. Aquele pensamento me corroía.

Até o Kiyotaka não se interessava por mim. Como minhas mentiras poderiam ajudar a Satou-san?

— Bom, eu não sei… — Pensei em recusar, mas me detive.

Ficar pensando no Kiyotaka o tempo todo não fazia bem pra mim. Eu precisava parar com isso. Se eu conseguisse aproximar ele e a Satou-san, então… Bem, isso tiraria de vez qualquer possibilidade de ele acabar comigo — por menor que fosse.

— D-Deixa comigo. Eu cuido disso — declarei.

— Sério?! Obrigada, Karuizawa-san! — Satou-san segurou minhas mãos e começou a saltitar.

Ela gosta mesmo dele, hein? Nesse caso, eu devia apoiar seu primeiro amor. Peguei um pouco de neve e pressionei contra a testa para esfriar a cabeça.

Enquanto fazia isso, refleti.

Eu já não era mais a pessoa que fui no ensino fundamental. Nem a garota tomada pelo desespero de três anos atrás. Nem sequer a mesma aluna que chegou aqui há oito meses. Fingir um papel diante dos colegas não tinha me libertado; tinha sido só uma forma de me proteger. Isso não era certo. Se alguém precisava da sua ajuda, você tinha que ser honesta. Não dava para ser uma amiga de verdade de outro jeito.

Mas, se eu topasse o encontro duplo, outros problemas surgiriam. Primeiro, eu precisava saber se o Yousuke-kun estaria disponível. Como a escola inteira sabia que estávamos juntos, não precisávamos aparecer muito em público, então tínhamos planejado ficar tranquilos nesse Natal. Se alguém perguntasse o que fizemos, diríamos que tivemos um encontro no dormitório de um de nós. Mesmo que alguém nos visse sozinhos durante o dia, poderíamos dizer que tínhamos planos à noite.

— Ah… hum… mais uma coisa — disse Satou-san. — Eu meio que queria que você e o Hirata-kun… encontrassem comigo e com o Ayanokouji-kun por acaso.

Nossa, mais um pedido?

— Você não quer que pareça… tipo, um encontro duplo combinado?

— Será que pode ser assim?

— Ah, tudo bem. — Claro que ela não queria. Pensei um instante e aconselhei: — Na verdade, não vamos por esse caminho. Acho melhor dizer logo de cara que você quer que seja um encontro duplo.

— Entendi. Mas… e se o Ayanokoji-kun não gostar disso? — perguntou Satou-san.

— Não seria pior se ele descobrisse depois que foi manipulado?

— É, você tem razão… — Ela ficou com uma expressão preocupada.

— A escolha é sua, Satou-san. — Eu não podia forçar nada, mas mentir para o Kiyotaka era uma má ideia. Cedo ou tarde, ele descobriria… embora eu não pudesse dizer isso. Seria estranho falar algo como: "O Kiyotaka é surpreendentemente perceptivo. Não tenta enganar ele." Afinal, ninguém achava que eu e ele tínhamos qualquer convivência.

Por outro lado, eu também não podia afirmar com certeza que um encontro duplo era ruim. Talvez eu procurasse um artigo online para ajudar… Algo tipo: "Por que encontros duplos são perfeitos para iniciantes."

— Você poderia só… aparecer naturalmente no dia do encontro? Acho que seria melhor assim — disse Satou-san. Minha sugestão de honestidade não tinha surtido efeito — ela queria manter tudo às escondidas.

— Se você prefere assim, tudo bem. Não me importo. — Agora, só faltava impedir o Kiyotaka de perceber a armação. Talvez isso servisse para testar quanto eu conseguia esconder dele. — Mas, se o Yousuke-kun não quiser ir a um encontro duplo por algum motivo, já aviso que não tem como.

Dito isso, voltamos para o dormitório.

*

 

Quando cheguei ao meu quarto, me joguei na cama com o celular na mão e fiquei encarando o teto. Um monte de emoções estranhas borbulhava dentro de mim.

Minha conversa com a Satou-san, o fato de ela gostar do Kiyotaka, o pedido de ajuda para tornarem-se um casal de verdade… Aquilo me irritava, mas também me deixava inquieta. Se fosse só sobre romance, seria uma coisa. Acho que eu conseguiria ajudar Satou-san. Mas…

Será que o Kiyotaka planejava sair com ela só para "estudar" como garotas agem em encontros? E se ele não estivesse nem um pouco interessado nela — e fosse usá-la como fez comigo? Talvez eu estivesse exagerando, mas… era o Kiyotaka. Nunca dava para saber o que ele realmente pensava.

E se ele estivesse saindo com ela para avaliar se seria útil? Eu temia que ele enxergasse Satou-san como a chave para facilitar a vida dele na escola — do mesmo jeito que um dia ele me usou. E se ele decidisse que Satou-san era melhor do que eu? Talvez parasse de me proteger.

Peguei o celular e disquei, murmurando:

— Eu nem decorei meu próprio número, e mesmo assim…

Tudo o que eu precisava fazer agora era tocar no ícone de chamada. Mas o que eu pretendia perguntar, afinal? Você acha que a Satou-san vai ser mais útil que eu? Não, isso era idiota. Parecia até que eu queria ser usada. E não era isso. Eu só… bom… queria me proteger. Queria manter minha "apólice de proteção Kiyotaka". É. Obviamente era isso.

— Talvez eu devesse perguntar direto. — Ordenei ao meu polegar que apertasse "ligar", mas ele não se mexeu. Nem tocou na tela. No fim, eu não consegui. — Sou uma idiota…

O que eu realmente queria perguntar era:

 "Você terminou de me usar?"

Então meu celular tocou.

— Hã?! — Era o número do Kiyotaka. Atendi em pânico: — A-Alô?

— Quero te perguntar uma coisa.

O tom dele era o de sempre: frio e apático.

— O quê? O que você quer perguntar?

— Tem alguém aí agora?

— Não. Tô no meu quarto.

Talvez ele achasse que eu tava doente e ligou para conferir. Mesmo assim, era tarde demais para ele me ligar desse jeito. Ainda assim, meu coração se agitou com a ideia de que ele pudesse se importar.

Mas o Kiyotaka destruiu essa esperança num instante:

— Preciso que você investigue algo pra mim, Karuizawa.

— O quê? Você não disse que não ia mais depender de mim? Que era pra eu apagar seu contato? — rebati.

Depois do que aconteceu ontem, ele deveria pelo menos confirmar se eu estava bem. Eu não esperava algo carinhoso como "Não pegou um resfriado, né?", mas… um "desculpa", ao menos, seria bom.

O Kiyotaka tinha manipulado o Ryuen e os outros para me intimidarem. Eu devia odiá-lo. Qualquer outra pessoa teria denunciado ele. No mínimo, ele podia pedir desculpas. Mas a primeira frase que saiu da boca dele foi: "Preciso que você investigue algo."

Escuta aqui, Kiyotaka. Quem você pensa que é? Eu não te devo nada. Aliás, você é quem me deve proteção — de graça.

Eu devia ter dito algo ousado assim. Mas as palavras ficaram entaladas. Tive medo de que, se dissesse, ele simplesmente me deixaria.

— O que você quer que eu investigue? — perguntei, engolindo tudo.

— Satou.

— Satou-san? — Isso estava ficando cada vez mais estranho. Eu não tinha dito nada sobre ter me encontrado com ela hoje. — O que tem ela?

— Quero saber com quem ela costuma andar. Quais são seus padrões de comportamento. Também gostaria que me informasse sobre a personalidade dela, hobbies, gostos e desgostos. Se você já souber tudo isso, nossa conversa será breve.

Eu não sabia nada daquilo.

— Infelizmente, eu e a Satou-san andamos em grupos diferentes. Não sei muita coisa sobre ela.

— Pouco informada, hein? Então tem muitas coisas que até você, a líder de fato das meninas, não sabe.

— Ei, você sabia que está sendo um idiota agora?

— Se você não tem as respostas, então investigue. Prefiro que a Satou continue sem saber disso — disse ele.

— Bom… se eu perguntar para a Shinohara-san, talvez consiga descobrir algumas coisas.

— Faça o que achar melhor. Deixo tudo nas suas mãos — respondeu Kiyotaka.

— Tá, tudo bem. Vou tentar perguntar por aí… mas me diz o motivo disso.

— Envie os detalhes por e-mail.

Kiyotaka desligou sem sequer responder minha pergunta.

— Mas qual é o problema desse cara? Ugh. Idiota fui eu de esperar qualquer coisa diferente.

Eu devia ter tossido durante a ligação, ou feito algo pra dar a entender que eu não estava bem.

Resmungando, mandei uma mensagem para Shinohara-san. Pelo menos eu podia me orgulhar de estar agindo profissionalmente, mesmo com o Kiyotaka sendo um completo babaca. Shinohara-san respondeu, e logo consegui direcionar a conversa naturalmente para o assunto "Satou-san".

Conversamos por um tempo e, quando já tinha todas as informações que podia, enviei tudo para o outro e-mail do Kiyotaka. Como sempre, não recebi resposta — mas eu tinha certeza de que ele recebeu.

Então o Kiyotaka estava mesmo interessado na Satou-san? Estava claramente reunindo informações antes do encontro para garantir que tudo desse certo. E, se desse, será que os dois começariam a namorar de verdade? Ou talvez… talvez ele quisesse transformar a Satou-san em sua peça? Eu simplesmente não conseguia entender.

— Argh! Poxa! Qual é o problema desse cara?!

Não consegui dormir naquela noite. O dia seguinte seria longo.



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