Ano 1 - Volume 6
Epílogo: A Diferença na Determinação
O TEMPO CONTINUOU PASSANDO enquanto nós nos entupíamos de conteúdo para as provas que se aproximavam. O ânimo dos alunos despencava diante o bombardeio de tarefas árduas e intermináveis. Dezembro chegou e faltavam menos de três dias para o exame final. Amanhã seria o início do fim de semana; na segunda-feira, a prova nos aguardava.
Para ser sincero, o exame em si não era tão perigoso. Quanto aos alunos da Classe D, estávamos mais unidos do que nunca. Os grupos de estudo estavam produzindo resultados impressionantes. Até Sudou e os outros preguiçosos se esforçaram. Os problemas eram Ryuen e Kushida. Sem dúvida, eles vinham agindo por trás dos panos. No entanto, eu conseguia ler ambos com certa facilidade.
Os dois objetivos de Ryuen eram derrotar a Classe D e arrancar o mentor que se escondia atrás da Horikita. Se ele queria vencer na pontuação total, suas estratégias ficavam limitadas. A melhor opção era fazer a Classe C estudar o máximo possível ou tentar criar problemas de prova extremamente difíceis — estratégias relativamente comuns.
Eu não sabia até que ponto a Classe C tinha se unido, nem o quanto estudaram. Não os vimos no café, na biblioteca, nas salas de aula ou em qualquer outro lugar. Seria coincidência? Ou estavam estudando em algum lugar secreto? Mesmo que estudassem muito, desde que não ultrapassassem a Classe D, estaríamos bem. De qualquer forma, eu não tinha ideia de qual era a estratégia deles. Conseguiria entender, porém, se analisasse tudo por outra perspectiva.
— Está pensando em algo? — perguntou Horikita.
— Ah, desculpa — respondi.
Horikita olhou para mim da base da escada. Apressado, desci até ela. Carregava um grande envelope pardo, abarrotado de questões que ela e Hirata tinham ralado para produzir ao longo do último mês. Aquele envelope continha o destino da Classe D, e por isso Horikita mantinha tudo o mais confidencial possível. Nem mesmo eu podia ver as perguntas. No fim das contas, apenas ela as conhecia por completo.
— Quais são as nossas chances? — perguntei.
— Difícil dizer. Não espere demais. A escola fez muitos ajustes. Mas não há dúvida de que já completamos a parte mais difícil do exame até agora — disse Horikita.
Ela exalava confiança, então provavelmente tinha feito um ótimo trabalho. O problema era o que viria a seguir: como protegeríamos aquelas questões?
No caminho para a sala dos professores, Horikita e eu encontramos Ryuen no corredor.
— Yo, Suzune — disse Ryuen, exibindo um sorriso ousado. Ele também segurava um envelope pardo.
— Isso é coincidência? Ou uma emboscada, talvez? — perguntou Horikita.
— inevitável. Eu estava esperando por você.
— Então, uma emboscada — suspirou Horikita, exasperada, passando por ele.
— Você também vai entregar as questões no último minuto, hein? Vamos juntos — disse Ryuen, erguendo seu envelope. — Qualquer um poderia tentar dar uma espiada, então entendo sua cautela.
— Não está preocupado com traidores na sua própria classe? — perguntou Horikita, com certa zombaria.
— Ha. Não existe ninguém estúpido o suficiente para me trair — respondeu Ryuen.
— E ainda assim, você esperou até o último minuto para entregar suas questões — rebateu Horikita.
Ryuen parecia se divertir com a irritação dela. Continuamos andando, e ele nos seguiu.
— Espero muito que a inteligência espremida daqueles lixos defeituosos da sua classe sirva para ajudar a Classe C — provocou ele.
Horikita o ignorou completamente.
— Ayanokoji-kun, você estudou direito? Como estão as coisas com seu parceiro? — perguntou.
— Acho que estamos seguros — respondi.
— "Achar" não é suficiente. Não podemos permitir que nenhum aluno seja reprovado. Não fique complacente, mesmo que eu tenha certeza de que podemos lidar com o que quer que a Classe C faça — disse Horikita.
Ryuen, claro, não perderia a chance de se intrometer.
— Oooh! Que comentário interessante. Parece até arrogância.
— Hmm, quem sabe? Talvez tenha sido apenas uma provocação barata. Bem ao seu estilo — disse Horikita.
— Pode ser — respondeu Ryuen.
Assim que chegamos à sala dos professores, Horikita chamou a Chabashira-sensei. Do mesmo modo, Ryuen chamou Sakagami-sensei, que apareceu primeiro e pegou o envelope das mãos dele.
— Poderia aceitar isto?
— Sim. Falamos depois.
Logo após essa breve troca, Chabashira-sensei apareceu e tomou o lugar de Sakagami-sensei. Ela já parecia saber exatamente por que estávamos ali; seu olhar se fixou diretamente no envelope.
— Então é isso — disse. Não deu a menor atenção a Ryuen, parado ao lado.
— Estas são as perguntas finais, Chabashira-sensei — disse Horikita.
— Eu cuidarei delas — respondeu ela.
Ryuen observava tudo com um sorriso perturbador. Quando Chabashira-sensei estendeu a mão para pegar o envelope, Horikita hesitou.
— Gostaria de perguntar uma coisa, se me permite — disse ela.
— Sim?
— Essas questões estão diretamente ligadas à vitória ou à derrota da Classe D. São dois lados da mesma moeda. Precisamos evitar um vazamento a qualquer custo. Depois que eu lhe entregar esses papéis, poderia, por favor, não mostrá-los a mais ninguém? Incluindo a mim.
Horikita tinha definido esses termos com base em seu fracasso no festival esportivo. Eu não sabia se Chabashira-sensei compreenderia.
— Você quer que eu recuse absolutamente qualquer pessoa que queira vê-las? — perguntou a professora.
— Isso seria um problema?
— Não é essa a questão. Eu entendo que você tem medo de vazamentos, e a escola não tem o direito de recusar seu pedido. Porém, há condições — disse Chabashira-sensei.
— Condições? — repetiu Horikita.
— A classe inteira precisa concordar com isso. Todos aprovaram essa medida?
— Não recebi permissão de cada aluno individualmente, mas… acho que não iriam se opor. Ninguém quer que nossa classe perca — respondeu Horikita.
— Você não pode afirmar isso com certeza. Como já mencionei antes, as pessoas são cheias de surpresas. Alguns podem, sim, querer perder — disse Chabashira-sensei.
— Isso—
Mas ela continuou:
— Além disso, você pode garantir que estas são realmente as questões que sua classe deseja usar? Nem todos as viram ou concordaram com elas, certo?
— Está pedindo que eu prove isso? Quer que eu mostre as questões para toda a classe e confirme que todos aprovam?
— Não exatamente. O que estou dizendo é que não é tão simples. Não posso ter plena certeza de que você, Horikita Suzune, está agindo pelo bem da sua classe. Dito isso, atenderei ao seu pedido. Se qualquer aluno perguntar, eu absolutamente não divulgarei as questões e respostas que você criou — disse Chabashira-sensei.
— Muito obrigada. Assim posso encarar o exame em paz.
— No entanto, direi isto: de modo geral, não é ideal restringir informação dessa maneira. Isso mostra que a classe não está unida — concluiu Chabashira-sensei.
Ela não estava errada. Se todos na classe estivessem realmente alinhados, não precisaríamos nos preocupar com vazamentos. Egoisticamente, pensei que algo assim jamais teria acontecido com a Classe B.
— Uma lição dolorosa. Vou trabalhar ainda mais para unir a classe — respondeu Horikita, confiante.
Chabashira-sensei sorriu levemente.
— Você mudou, Horikita.
— Algumas coisas não podem permanecer as mesmas.
— Como eu disse, vou honrar seu pedido. Porém, em caso de circunstâncias imprevistas, gostaria de acrescentar uma condição ao nosso acordo. Contanto que tenham a sua permissão, Horikita, eu vou divulgar as informações para quem pedir para ver as perguntas. Tudo bem? Se eu não mostrasse para absolutamente ninguém, isso poderia ser um problema para você também, não é? — perguntou Chabashira-sensei.
Em resumo, uma confidencialidade de 100% não era realmente possível. A professora queria ao menos alguma forma de divulgar as perguntas, caso fosse necessário.
— Sim, desde que eu esteja presente no momento — respondeu Horikita.
— Claro. Alguém pode mentir dizendo que tem sua permissão, afinal. Se alguém vier procurar as perguntas, bem, direi exatamente tudo o que você me disse. Como professora, não posso mentir — explicou Chabashira-sensei.
— Tudo bem.
Horikita soltou um suspiro de alívio. Algo finalmente tinha dado certo. O plano era à prova de falhas e deveria impedir truques sujos como os do festival esportivo. Mesmo que alguém tentasse pagar para ver as perguntas, não seria permitido.
Ainda assim, algo me parecia errado, embora eu não conseguisse identificar o quê.
Tudo estava indo perfeitamente. As questões que Horikita e Hirata elaboraram eram indiscutivelmente muito difíceis, e Horikita havia tomado medidas preventivas para garantir que nada vazasse. Até aí, tudo certo. Mesmo que Kushida tentasse obter as respostas para Ryuen, ela precisaria da presença e da aprovação de Horikita. Tudo estava sólido. Sem brechas. Entendo, entendo.
Horikita havia negociado impecavelmente, mas havia definitivamente algo estranho com nossa professora. Não dava para perceber pela sua linguagem corporal, porém. Chabashira-sensei aceitou solenemente as perguntas e fez sinal para sairmos. Mesmo assim, a postura resoluta de Ryuen me incomodava — o fato de ele não parecer nem um pouco abalado.
— Vamos voltar, Ayanokoji-kun. Nosso assunto aqui acabou.
Ignorei Horikita e encarei os olhos de Chabashira-sensei. Ela retribuiu o olhar.
Veja isso, Horikita. Antes que seja tarde demais.
Não podia dizer nada na frente de Ryuen, nem encarar por muito tempo. Mesmo que superássemos aquilo, nossas mãos poderiam ficar atadas depois. Horikita começou a sair da sala dos professores, mas parou de súbito.
— Chabashira-sensei. Você disse que não mentiria, não foi?
— Isso mesmo. É o que se espera de mim, como professora — ela respondeu.
— Nesse caso… a escola aceitará as perguntas que acabei de entregar?
Horikita tinha percebido. Descobrira por conta própria.
— Não até confirmarmos que não há nada de anormal nelas — respondeu Chabashira-sensei.
— O que foi, Horikita? — perguntei.
Ela não me deu atenção.
— Deixe-me reformular. Você já aceitou outras perguntas de prova?
A professora ficou em silêncio.
— O que quer dizer com isso?
— Gostaria de ouvir a resposta diretamente da sua boca, Chabashira-sensei.
— Minha resposta é que a escola já aceitou e terminou de revisar as perguntas da Classe D.
Nossa realidade desmoronou.
— Então… isso significa que alguém já enviou outras perguntas e respostas? — perguntou Horikita, incapaz de processar o que estava acontecendo.
— Correto. A escola não vai usar as questões que você acabou de me entregar — disse Chabashira-sensei.
— Por favor, cancele a aceitação das perguntas enviadas anteriormente. Eu tenho as corretas aqui — disse Horikita, apontando para o envelope pardo.
Mas, pelo que eu entendia da conversa, aquilo não seria simples.
— Infelizmente, Horikita, não posso ceder ao seu capricho. Eu já revisei as perguntas de outro aluno. Esse aluno tinha preocupações parecidas. Também pediu para manter tudo em segredo. E disse que, caso outro estudante aparecesse egoisticamente pedindo para trocar as questões, eu deveria apenas aceitar as novas perguntas e guardá-las. Também pediu que eu informasse quem tentou trocá-las depois — disse Chabashira-sensei.
— Mas o que é isso? — murmurou Horikita, completamente abatida. Aquilo era cruel demais. — Qual aluno? Por favor, me diga.
— Kushida Kikyou.
A resposta era óbvia. Horikita acreditava que impediria a traição de Kushida. Porém, Kushida havia agido primeiro. Por sabermos de seu passado, ela tomou medidas ousadas e drásticas.
— Mas, se as condições forem atendidas, a Classe D pode trocar as perguntas que a escola já aceitou, certo?
— Sim. Porém, o prazo é até o fim do dia. Se quiser alterar as questões, traga Kushida aqui — disse Chabashira-sensei.
— Isso…
Impossível. Kushida jamais aceitaria. Mesmo que começássemos a procurar agora, havia 100% de chance de ela ter desligado o celular e se escondido no dormitório… ou em algum outro lugar. Não conseguiríamos alcançá-la antes do fim do dia.
— Só posso especular sobre qual de vocês está mentindo, Horikita. Não sei a verdade. Também reconheço que pode haver um terceiro desconhecido movendo os fios. Se vocês não resolverem isso dentro da classe, será ruim — disse Chabashira-sensei.
— Quanto tempo temos para corrigir as perguntas?
— Até às 18h.
Olhei meu celular. Faltava pouco para as quatro. Aproximadamente duas horas.
— Hahahahaha! O que você está fazendo, Suzune? — Ryuen zombou. Ele certamente sabia dessa situação desde o começo; ria escancarado da nossa desgraça. — Isso já é um xeque-mate, não percebe? As perguntas pelas quais vocês tanto se esforçaram são completamente inúteis!
— Você está por trás disso? Pediu para Kushida-san fazer isso? — perguntou Horikita.
— Hm, quem sabe? Quero dizer, não é como se eu soubesse algo sobre a Classe D, certo?
Horikita elevou a voz.
— Eu não vou tolerar esse intruso ouvindo nossa conversa por mais tempo!
— Ohoho, que assustador. Acho que vou voltar para o meu dormitório como um bom garoto. Mal posso esperar pelos resultados da prova — disse Ryuen.
— Você não vai procurar a Kushida, Horikita? — perguntou Chabashira-sensei.
— Detesto esforços inúteis.
Mesmo que conseguíssemos encontrar Kushida, não havia chance de ela cooperar. O jogo já tinha acabado.
— A Kushida-san instruiu você a não mostrar as perguntas para ninguém?
— Não, não recebi instrução alguma — respondeu Chabashira-sensei.
Isso não era surpresa; apenas confirmava nossas suspeitas.
— Então, por favor, mostre-as para mim.
Chabashira-sensei mostrou a Horikita as perguntas da prova enviadas por Kushida. Depois de um breve olhar, algo ficou imediatamente claro.
— Elas são incrivelmente difíceis — disse Horikita.
— Sim. Com certeza são — respondi.
As perguntas de Kushida não pareciam nada mais fáceis do que as que Horikita e Hirata haviam preparado. Eram problemas elaborados com excelência.
Na verdade, eram tão bem estruturados que ninguém imaginaria que não haviam sido criados pela própria Horikita. Com Ryuen envolvido, havia grandes chances de terem sido feitos por Kaneda. Enquanto Kushida participava das sessões de estudo e aceitava o desafio de Horikita, ela havia se esgueirado com um plano absurdamente astuto.
Nenhum terceiro saberia a verdade. Se as questões de Kushida fossem tão fáceis que até Sudou conseguiria resolvê-las, ela levantaria suspeitas de sabotagem. Mas, se fossem semelhantes às de Horikita, ela passaria despercebida. Essas perguntas tornavam tudo muito mais complicado. Se você soubesse as respostas com antecedência, não importava o quão difíceis fossem os problemas. Desde que toda a Classe C compartilhasse as respostas, todos obteriam notas altas.
Horikita havia prometido não expor o passado de Kushida. Hirata, temendo conflitos internos, provavelmente não diria nada. Isso significava que quem atacasse primeiro venceria. Se a Classe D perdesse, Horikita — que assumira a liderança — seria inevitavelmente culpada. Kushida drenaria a influência de Horikita enquanto usava Ryuen para encurralá-la ainda mais.
Ainda assim, nada disso era tão grave quanto a aposta entre Horikita e Kushida. Se Kushida e Ryuen tivessem colaborado, era certo que Kushida recebera as perguntas da Classe C em troca de sua cooperação. Nesse caso, Kushida provavelmente tiraria cem pontos na prova de matemática. Se Horikita errasse até mesmo uma questão, teria que abandonar a escola. E ela jamais quebraria sua promessa.
— Então… não há mais nada que possamos fazer? — perguntou Horikita.
A investida antecipada de Kushida tinha colocado Horikita contra a parede. Parecia realmente que ela estava sem opções. Tudo era consequência da ingenuidade de seu plano. Se fosse comigo…
— Está tudo bem, Horikita. Ryuen já foi embora — disse Chabashira-sensei, ao ver que ela ainda mantinha a cabeça baixa. O que estava acontecendo? Chabashira-sensei não parecia nem um pouco abalada.
— Desculpem. Eu queria tomar precauções extras, então continuei com a encenação — disse Horikita, levantando o rosto. Ela não parecia nem um pouco deprimida.
Então, eu entendi.
— Você já sabia disso? — perguntei.
— Sim. Eu não podia permitir que me derrotassem da mesma maneira que no festival esportivo. Quando os detalhes da prova final foram anunciados, imediatamente consultei Chabashira-sensei. Tive dois pedidos: primeiro, que somente eu pudesse enviar as perguntas válidas da Classe D; segundo, que Chabashira-sensei fingisse aceitar quaisquer outras questões enviadas — explicou Horikita.
Ou seja, Horikita tinha enganado Kushida, fazendo-a acreditar que suas perguntas haviam sido aceitas.
— Agora que eles têm certeza absoluta de que as questões da Kushida foram usadas, se os alunos da Classe C não estiverem estudando, podem simplesmente fracassar — disse Horikita.
Eu jamais teria imaginado que ela elaboraria um contra-ataque tão brilhante. Nem eu conseguiria pensar em algo assim. Ryuen certamente não fazia ideia do estrago que Horikita estava prestes a causar.

— De qualquer forma, esta é uma situação difícil — disse Chabashira-sensei, com uma rara expressão de preocupação genuína no rosto. — Nunca recebi um pedido assim em todo o tempo em que gerenciei a Classe D. Não esperava tamanha cautela e enganação. No entanto, você não vai vencer sempre, Horikita. Se houver traidores assim entre seus colegas, você está fadada ao fracasso.
Chabashira-sensei estava certa. Mesmo a Classe A, atualmente dividida entre as facções de Sakayanagi e Katsuragi, jamais faria algo tão extremo.
Isso significava que precisávamos ter ainda mais cuidado ao lidar com Kushida.
— Eu entendo. Mas isso acaba com o exame final.
Senti a determinação de Horikita em pôr fim aos conflitos internos.
— Sério? Nesse caso, estou ansiosa para ver.
Horikita suspirou de alívio ao ver Chabashira-sensei retornar para dentro da sala com o envelope pardo. Quando ficamos a sós, ela abaixou a cabeça e se desculpou.
— Desculpa por ter escondido isso de você.
— Não, tudo bem. Para ser honesto, eu não fazia ideia.
Eu havia subestimado Horikita.
— Ryuen já me derrubou tantas vezes… Achei que estava na hora de aprender alguma coisa — disse Horikita.
Isso não apenas arruinava a vitória decisiva da Classe C, como colocava a Classe D um passo à frente. Porém, restava ainda o último desafio de Horikita.
— Agora só falta superar a pontuação da Kushida no exame. Com isso, sairemos completamente ilesos.
Sim. Horikita não tinha futuro a menos que superasse a pontuação dela. Para garantir que não perdesse, ela precisava acertar tudo na prova de matemática.
*
A primeira parte da prova final havia chegado. A pontuação mínima total que cada dupla precisava para passar era 692 pontos — menor do que o esperado, mas ainda assim não podíamos baixar a guarda. O resultado seria decidido até o fim do dia — ou melhor, até o fim da primeira metade. A dificuldade da prova dependeria diretamente do nível das questões que criamos e da capacidade de cada estudante de pressionar os demais.
O primeiro dia cobria quatro matérias: Estudos Sociais, Inglês, Japonês e Matemática. Isso significava que o resultado da disputa entre Horikita e Kushida seria revelado muito em breve.
Ao entrar no corredor a caminho da sala de aula, encontrei Satou. Para o bem ou para o mal, parecia que ela estava me esperando.
— Bom dia, Ayanokoji-kun. Falta pouco para a prova, né?
— É. Dormiu bem ontem?
— Estudei até uma da manhã mais ou menos. Tô meio nervosa — disse Satou, levando a mão ao peito e respirando fundo.
— Bom, não vai ser fácil, mas vamos dar o nosso melhor. Se você aplicar tudo o que estudou, vai se sair bem.
— Tá bom!
Por mais que fosse estranho, éramos parceiros nisso. Não dava para negar nosso destino compartilhado: se um de nós caísse, o outro caía junto. Cada um podia arrastar o outro para o abismo.
Nesse momento, Karuizawa apareceu.
— Bom dia, Satou-san.
— Ah, bom dia, Karuizawa-san.
— Você já tinha combinado de encontrar o Ayanokoji-kun? É raro ver vocês dois juntos — disse Karuizawa.
— N-Não, a gente só se encontrou por acaso.
— Entendo. Bem, que tal passarmos no Pallet para pegar algo pra beber antes da aula? — sugeriu Karuizawa.
— Ok! Bem… até depois, Ayanokoji-kun.
Satou virou-se, ruborizada. Karuizawa me lançou um olhar rápido antes de ir embora.
— Essas duas são bem próximas, hein? — murmurei.
— Acho que a Karuizawa-san é mais ciumenta do que parece — disse Hirata, aproximando-se.
— Hã? — respondi.
— Bom dia.
— Bom dia. O que você quis dizer?
— Já finjo ser o namorado da Karuizawa-san há um bom tempo. Notei que ela anda prestando mais atenção em você ultimamente, Ayanokoji-kun.
— Não acho que seja isso.
Karuizawa tinha sido forçada a se afastar de Hirata e se aproximar de mim, como um peixe-remora preso a um tubarão.
— Sério? Bem, ainda bem. Eu não acho saudável manter um relacionamento falso. Apesar de isso provavelmente ser egoísmo meu — disse Hirata enquanto caminhávamos até a sala. — As perguntas da Horikita-san com certeza vão atingir a Classe C. Acho que não deve ser difícil para a Classe D vencer, desde que todos façam bem a prova.
Hirata transbordava confiança. Tirando um emparelhamento inesperado, todo o resto tinha corrido conforme o planejado.
— Para falar a verdade, havia algo que eu queria conversar com você, Ayanokoji-kun — continuou Hirata. — Você conhece a Shiina Hiyori-san?
— Ela é da Classe C. Nos encontramos outro dia quando apareceu no grupo de estudos do Keisei — respondi.
— Ela foi ao meu grupo de estudos também. Parece que a Classe C está à procura do cérebro que se esconde atrás da sombra da Horikita-san.
— Parece, sim.
— Você é quem está por trás da Horikita, Ayanokoji-kun — disse Hirata. Não era uma pergunta; era uma afirmação. — Não contaria isso a ninguém, claro. Tenho certeza de que você tem um plano. Além disso, você já salvou a Classe D inúmeras vezes.
— Entendo. Fico agradecido por você dizer isso.
— Então você não nega?
— Mesmo que eu negasse, você não acreditaria.
— Suponho que não.
— Eu não sou nenhum herói, nem estou escondendo alguma identidade secreta. Só não quero chamar atenção — expliquei.
— Imagino que você tenha tido seus motivos no festival esportivo. Mas e agora? Está tudo bem? A Classe C está no ataque. Se precisar, eu te apoio — disse Hirata.
Agradecia a oferta, mas não era necessário.
— Estou bem. Se eu precisar de algo, eu procuro você.
— Entendido.
Chegamos à sala. Observei Sudou e os outros rapazes de longe; eles estavam bem diferentes de exames anteriores. Em vez de se reunirem em pânico para estudar de última hora, analisavam calmamente os últimos detalhes. Quase metade da classe estava realmente concentrada.
— Impressionante, né? — comentou Hirata.
— Com certeza.
Se alguém me dissesse meses atrás que a Classe D estaria assim, eu nunca acreditaria. Mas essa escola priorizava resultados acima de tudo.
Horikita estava lendo um livro em vez de estudar.
— Você está lendo justo antes da prova? — perguntei. — O que você está lendo?
— And Then There Were None — respondeu Horikita.
— Agatha Christie, hein? Bom, vamos torcer para que sobre mais do que "nenhum" quando tudo isso acabar — brinquei.
Horikita fechou o livro, destruindo meu humor sombrio.
— Ninguém vai deixar a escola. E é claro que nem você nem eu vamos desaparecer.
— Dá pra ver na sua cara que você vai vencer custe o que custar — falei.
— Naturalmente. Me preparei para tirar o primeiro lugar do nosso ano desta vez — respondeu ela.
— Se as questões da Classe C forem muito fáceis, pode complicar.
— Mesmo assim, eu vou vencer. Isso só vai me motivar ainda mais — ela declarou.
Agora eu estava realmente empolgado para ver o que aconteceria. Vamos lá, Horikita. Mostre do que é capaz.
*
Ao tocar o sinal indicando que a prova iria começar, todos começaram a guardar seus materiais de estudo. Tínhamos que colocar qualquer objeto desnecessário para o exame nos armários nos fundos da sala. Só era permitido ficar com utensílios de escrita. Se nossos lápis quebrassem, a carga da lapiseira acabasse ou a borracha se gastasse, teríamos que solicitar suprimentos extras para a Chabashira-sensei.
— Agora começaremos o exame final. A primeira matéria é Língua Japonesa Contemporânea. Vocês estão proibidos de virar a folha antes que eu dê o sinal para começar — disse Chabashira-sensei. — Por favor, tenham isso em mente.
Em vez de mandar os alunos da frente passarem as folhas para trás, Chabashira-sensei colocou cada prova diretamente nas mesas.
— A prova terá cinquenta minutos. Tentem evitar sair por motivos de doença ou para usar o banheiro. Caso realmente não consigam esperar, levantem a mão e me avisem. Fora isso, ninguém poderá deixar a sala durante o exame — continuou ela.
Após distribuir todas as provas, nenhum aluno dizia uma palavra. Todos encaravam fixamente as folhas ainda viradas. Logo depois, o próximo sinal tocou, marcando o início oficial do exame.
— Podem começar.
Viramos as folhas ao mesmo tempo.
Se tudo acontecesse conforme Keisei previra, pensei que nossas contramedidas seriam suficientes. Passei rapidamente os olhos pelas questões, do começo ao fim, avaliando se meus colegas seriam capazes de resolvê-las. Era uma prova cruel, mas não impossível. Havíamos previsto várias questões com precisão quase absoluta. Se mantivéssemos a calma, conseguiríamos. Os planos de Keisei estavam certeiros.
Além disso, a escola havia alterado diversas questões de forma significativa. Dava para ver onde a Classe C havia tentado nos enganar, mas a escola fizera ajustes.
Essa prova seria especialmente difícil para os alunos mais medianos da Classe D, como Haruka e Akito. Eles precisavam se esforçar ao máximo e garantir boas notas nas matérias de humanas.
Se alguém não tivesse estudado o suficiente, poderia acabar tirando apenas dez ou vinte pontos. Nesse caso, seu parceiro precisaria fazer pelo menos cinquenta ou sessenta. Os alunos mais competentes seriam capazes de superar a barreira dos sessenta sem problemas, mas ainda assim não poderiam relaxar.
Ao meu lado, Horikita pegou a caneta e começou a responder de imediato. Eu girei minha caneta entre os dedos enquanto pensava no que fazer. Satou tinha sido mais dedicada que muitos nos estudos, e eu esperava que ela pontuasse melhor que Ike ou Yamauchi. Ainda assim, eu precisava complementar a pontuação dela. Nossas notas individuais não garantiriam nada. Pensando no que viria pela frente, decidi mirar em uma média segura de sessenta pontos.
Levantei a cabeça. Meu olhar encontrou brevemente o de Chabashira-sensei, que observava a sala a partir do púlpito. Mas meu alvo não era ela — eu queria ver a reação de Kushida Kikyou.
Kushida parecia estar conferindo algo, revisando a prova repetidas vezes. Ficou imóvel por uns dois ou três minutos. Finalmente, começou a escrever.
A prova seguiu em silêncio absoluto.
Durante a quarta aula, na parte de matemática — justamente a que decidiria a disputa entre Horikita e Kushida — houve um pequeno incidente logo após virarmos a folha.
— P-Por quê? — escapou de Kushida.
— O que houve, Kushida? — perguntou Chabashira-sensei.
— N-Não é nada. Desculpe — respondeu ela.
O deslize dela certamente deixou a turma inquieta, mas Kushida começou a responder rapidamente em seguida. Observei-a com atenção. Kushida, normalmente calma e composta, estava visivelmente agitada — algo nunca visto antes. Parece que ele fez sua escolha.
Horikita, por outro lado, continuou a responder de forma estável, sem se abalar. Era uma disputa genuína, simples e direta. Agora só restava mostrar o resultado do esforço.
Com minhas preocupações desaparecendo, foquei totalmente na prova.
*
— Ufa — suspirou Horikita, lançando rapidamente um olhar ao teto da sala.
— Parece que você terminou — comentei.
— Nunca considerei estudar algo particularmente cansativo, mas me empenhei mais para esta prova do que em qualquer outro momento da minha vida — respondeu ela.
— Quanto você acha que tirou em matemática?
— Cem. Ou, pelo menos, é assim que eu gostaria de dizer. Como havia uma questão com enunciado ambíguo, posso garantir apenas noventa e oito. Algumas eram bem difíceis.
Ela parecia extremamente confiante.
— Pode ter errado algo sem querer. Há chance de ter ficado abaixo de noventa e oito?
— Nenhuma. Tenho certeza de que superei essa prova. Acho que também consegui quase pontuação perfeita nas outras três matérias.
— Impressionante.
— Fiz essa aposta com a Kushida-san partindo do pressuposto de que ela tiraria cem. Me preparei de modo a não cometer nem um erro trivial. Ainda assim, é uma pena talvez ter perdido dois pontos — disse Horikita.
Mas erros acontecem. Ela poderia muito bem ter ficado abaixo dos noventa e oito. As questões preparadas por Kaneda não eram nada fáceis. Nem eu sabia se Keisei conseguiria passar dos noventa. Se Horikita realmente tivesse ficado acima disso, o primeiro lugar era dela. Mesmo tendo tutorado tantos colegas, conseguiu tudo graças ao próprio esforço e determinação.
— Suzune, quero te dizer uma coisa. Posso voltar para o dormitório com você? — disse Sudou, aproximando-se com a mochila na mão, parecendo exausto.
— Quer me dizer algo? Desculpe, mas não pode dizer aqui mesmo?
— Sobre a prova de hoje… Não sei se alcancei os quarenta pontos em todas as matérias. Queria me desculpar. Sinto muito — disse Sudou, sinceramente abatido.
— Não é tão ruim. A dificuldade muda de matéria para matéria. Considerando o conteúdo da prova, você foi bem — respondeu Horikita. Realmente, a prova fora mais difícil que o normal. A nota baixa era compreensível. — Tenho algo a resolver, então volte com seus amigos.
— Você vai ficar, Ayanokoji? Ou vocês dois vão voltar juntos? — Sudou lançou um olhar desconfiado.
— Meu assunto não tem nada a ver com ele. Vou me encontrar com a Kushida-san. Algum problema? — perguntou Horikita.
— Com a Kushida? Então não, nenhum — disse Sudou. Saber que Horikita se encontraria com outra garota parecia ser suficiente para acalmá-lo. — Certo, vou voltar e estudar.
— Tudo bem. Mas, considerando o que vem amanhã, vá dormir cedo — disse Horikita.
— Eu sei. Vamos, Kanji, Haruki. Vamos voltar — disse Sudou.
Ele parecia totalmente tranquilo. Uma vez que alguém aprende a estudar, consegue evitar notas de reprovação — e isso traz paz de espírito.
— Aliás, o que você quer com a Kushida? — perguntei.
— Nada demais. Já que conseguimos estimar nossas notas, só quero confirmar algo com ela — explicou Horikita.
Demoraria até recebermos os resultados. Mas, se todos tivessem uma boa noção de seus desempenhos, poderíamos decidir o vencedor da aposta desde já. Pessoalmente, eu tinha certeza da vitória de Horikita Suzune. Isso estava claro só de olhar para Kushida, que se levantou e saiu apressada da sala.
— O que será que houve com ela? — comentou Horikita.
— Ela provavelmente acha que foi pior do que esperava.
— Espero que sim. Ryuen é bem persistente.
— Está preocupada com ele? — perguntei.
— Se ele tivesse dado as respostas a ela, provavelmente teria tirado cem. Nesse caso, você e eu teríamos que abandonar a escola.
— Então, se isso acontecesse, você se prostraria diante da Kushida e pediria perdão? — perguntei.
— Isso foi sarcasmo?
— O quê?
— Nada, esquece.
Horikita foi atrás de Kushida. Decidi acompanhá-la. Ela saiu para o corredor e chamou:
— Kushida-san.
Kushida parou lentamente.
— O que foi, Horikita-san? — perguntou. Seu rosto refletia cansaço e desgaste.
— Tem um momento? Quero confirmar algo com você. Mas há pessoas por perto, então que tal conversarmos em outro lugar? — disse Horikita.
— Depende do assunto — respondeu Kushida. — Mas você tem razão, aqui talvez não seja ideal.
— Ayanokoji-kun vai vir também, já que está envolvido nisso. Você não se importa, certo? — perguntou Horikita.
Kushida não respondeu, mas também não recusou. Checou a hora no celular e acenou. Provavelmente tinha marcado de encontrar alguém depois. Como ainda havia muitos alunos espalhados pela escola, decidimos ir ao prédio especial.
— Você quer falar sobre nossa aposta no exame final, certo?
— Sim. Embora os resultados oficiais ainda não tenham sido divulgados, devemos ser capazes de estimar bem nossas próprias notas — disse Horikita.
— Sim… eu acompanhei minha pontuação.
Horikita havia apostado seu futuro nessa disputa, enquanto Kushida colocara em jogo seu orgulho. Eu sabia que ela teria calculado exatamente quantos pontos conseguiu.
— Estou confiante de que tirei noventa e oito ou mais. E você? — perguntou Horikita. Havia dúvida em sua voz, mas apenas um resquício.
Kushida não pareceu surpresa. Na verdade, era como se já soubesse. Se Ryuen tivesse ajudado Kushida, isso mudaria drasticamente nossa estratégia daqui em diante.
— Não precisamos esperar os resultados oficiais — murmurou Kushida. — Eu não poderia ter tirado mais do que oitenta. Não… provavelmente nem cheguei a oitenta. Você venceu a aposta, Horikita-san.
— Entendo — disse Horikita, levemente confusa com a nota baixa. — Achei que você pontuaria mais.
— É isso que eu sou — disse Kushida, em tom decepcionado.
— Suponho que só teremos certeza quando os resultados saírem.
Não havia espaço para mentira; a escola divulgaria tudo em breve.
— Não há necessidade disso. Você ganhou a aposta. Está satisfeita, Horikita-san? — perguntou Kushida. Ela sabia que, mesmo se Horikita tivesse errado sua estimativa, não haveria um erro de quase vinte pontos.
— Então posso confiar que você não vai mais atrapalhar?
— Vou cumprir minha promessa, por mais que eu odeie isso. Quer que eu coloque por escrito?
— Não precisa. Vamos começar confiando uma na outra — disse Horikita.
Ela estendeu a mão. Kushida olhou para a mão estendida, com os olhos vazios.
— Eu te odeio, Horikita-san.
— Eu sei. Mas acho que posso me esforçar para mudar isso — respondeu Horikita, enfrentando diretamente os sentimentos da outra.
— Sinto que estou começando a te odiar cada vez mais — disse Kushida.
Ela passou direto por Horikita, sem apertar sua mão. A mão estendida de Horikita agarrou apenas o vazio.

— Não vou fazer nada para te atrapalhar. Mas nunca vou cooperar contigo. Não se esqueça disso — disse Kushida.
— Entendo. É uma pena — respondeu Horikita. — Mas suponho que nossos termos já foram definidos.
— Lembre-se, Horikita-san, os termos da aposta eram apenas que eu não atrapalharia você. Só isso — disse Kushida. A escuridão em seus olhos parecia se prender a mim.
— Isso é…
Kushida foi embora imediatamente. Era como se ela não quisesse encarar Horikita por nem mais um segundo. Ela já não tinha Horikita como alvo, mas talvez agora fosse a minha vez. Não havia nada nos termos da aposta dizendo que ela precisava me deixar em paz.
— Eu devia ter pensado nisso com mais cuidado — disse Horikita.
No fim, as coisas não haviam mudado tanto assim. Kushida não manteria sua promessa para sempre. Nossa presença destruía a esperança dela de um futuro tranquilo. Ela havia concluído que, para se proteger, precisava lidar conosco. Para ela, não éramos nada além de contaminantes em sua vida. O máximo que eu poderia esperar era uma trégua temporária.
*
Depois que Horikita voltou para o dormitório, fiquei pensando no que estava por vir. Ryuen Kakeru não era do tipo que deixava assuntos inacabados. Horikita certamente havia lidado bem com tudo dessa vez, contendo Ryuen e manipulando Kushida com um ataque preventivo. Em uma classe saudável, sua estratégia provavelmente não teria ajudado muito, mas era eficaz contra um traidor. Entretanto, não era algo que pudesse ser usado sempre, em qualquer situação — ficava restrito a momentos como exame final e o festival esportivo.
Foi exatamente por isso que Horikita convidou seu irmão para atuar como testemunha; era uma oportunidade de ouro. A Classe D tinha feito inúmeras sessões de estudo no último mês, então não deveríamos perder para a Classe C. Pode-se dizer que foi uma vitória completa.
Meu celular vibrou.
"O que você está planejando?" dizia a mensagem.
Eu não era o único estrategista ali.
"Você também está planejando algo, não é, Ryuen?"
Outra mensagem apareceu:
"Eu definitivamente vou te fazer pagar."
Um arquivo de imagem estava anexado. Quando o abri, me deparei com uma única fotografia que dizia mais do que mil palavras.
— Então, Manabe e suas amigas abriram o bico, hein? — murmurei.
Claro, eu já imaginava isso desde o momento em que encontrei Ryuen e Hiyori. Ele provavelmente tinha ameaçado as garotas para que revelassem quem poderia ter visto o ataque contra Karuizawa, e agora meu nome e o de Keisei estavam passando pela cabeça dele. No entanto, ele não tinha provas. Isso explicava por que estava tentando me encurralar. Era o que ele queria dizer ao me enviar aquela foto.
O fato de Ryuen ter a foto significava que ele sabia das circunstâncias ao redor dela. Dependendo de como as coisas evoluíssem, é provável que ele fosse atrás da pessoa retratada. Se isso significava algo, era uma declaração de guerra.
— Eu devia ter ficado quieto — murmurei.
Pensar que ele mostraria suas cartas assim… Será que ele gostava tanto assim da caçada? Já chega. Eu estava cansado dessa insistência obsessiva.
Fechei o celular e respirei fundo. Meias-medidas não serviriam aqui. Se Ryuen estava realmente disposto a brigar, eu retribuiria à altura.
— Venha com tudo que você tem. Sem arrependimentos. Eu entro no seu jogo — disse em voz alta.
Apesar de mim mesmo, senti uma pontada de empolgação.
*
— Você se atrasou, Kikyou. O que foi, não conseguiu escapar dos seus colegas? — perguntou Ryuen.
— O que você está tramando, Ryuen-kun? — exigiu Kushida. Ela se aproximou de Ryuen no isolado terraço da escola.
— Hã? — disse Ryuen.
— As perguntas e respostas que você me deu eram completamente diferentes das que caíram na prova.
— Ah, é. Eu as troquei antes do prazo. E daí? — Ryuen deu uma risada desdenhosa e tomou um gole de água da garrafa.
— Eu te falei, não falei? Eu vou expulsar a Horikita, custe o que custar. Eu traí minha turma e troquei nossas perguntas sob a condição de que você me desse as respostas da prova de matemática. Se você tivesse cumprido sua promessa, a Horikita teria sido expulsa. Mas você me traiu — disse Kushida.
— O quê? Você tá brava por algo tão trivial?
— Trivial? Você quer derrotar a Classe D e não me dar nada em troca?
— Você está enganada, Kikyou. As suas perguntas nem foram usadas na prova — respondeu Ryuen.
— Hã? Do que você tá falando? Eu as entreguei imediatamente, exatamente como você pediu. Cheguei até a confirmar tudo com a Chabashira-sensei.
— Você realmente não percebeu? Suzune agiu antes para impedir que a escola aceitasse formalmente suas perguntas. Graças a isso, não só perdemos como também quase sofremos uma catástrofe. Toda a minha classe dependia dessa estratégia — disse Ryuen.
— Espera. Antes do prazo? Isso é… Não pode ser.
— Pode esperar o resultado, se duvida de mim. Muito provavelmente, a Classe C perdeu para a Classe D. Isso tornou nosso acordo inválido. Eu não vou te dar as perguntas corretas se não receber nada em troca — disse Ryuen.
— Grrr!
— Escuta, Kikyou. Não há espaço para rancor aqui. Que tal me mostrar um pouco de gratidão?
— Gratidão? Eu acabei de perder para a Horikita! Pelo que eu deveria ser grata?! — Kushida se lembrou da humilhação de admitir derrota diante de Horikita. A raiva a consumia; ela sentia o sangue ferver.
— Tão confiável, né? Caiu direitinho na armadilha sem nem perceber — zombou Ryuen. Segurando o uniforme de Kushida, ele abriu à força um botão do blazer dela e enfiou a mão por dentro.
— Ei, o que você pensa que está fazendo?! — gritou Kushida, recuando para afastar-se de Ryuen. Ele sorriu.
— Calma. Não estou fazendo nada. Vai, olha no seu bolso — disse ele.
— No meu bolso? — Ainda em alerta, Kushida enfiou a mão lentamente no blazer. Ela sentiu um papel, algo que não deveria estar ali. — O que é isso?
Ryuen não teria tido tempo para colocar algo em seu bolso naquele instante. Então aquilo significava que ele o colocara antes. Quando Kushida abriu o papel, encontrou uma lista de perguntas e respostas da prova de matemática.
Porém, não eram as perguntas que realmente caíram na prova. Eram as que Ryuen supostamente havia dado a ela.
— Por que isso estava no meu uniforme?
— Isso provavelmente não é tudo. Imagino que várias provas de cola estejam espalhadas pelos seus pertences. Tenho certeza de que você vai encontrá-las se procurar depois — disse Ryuen.
— Eu não estou entendendo — disse Kushida.
— Alguém da Classe D estava preparado para te destruir. E se eu tivesse te dado as perguntas certas? Pensa: você tira uma nota altíssima na prova, aparece um acusador, encontram esses papéis com você… O que acha que aconteceria?
— Espera, você tá dizendo que eu seria expulsa?! Mesmo sem ter colado? Isso é ridículo! — Kushida se assustou.
— Seria ridículo se você fosse inocente. Mas você conseguiu as perguntas antes da prova trabalhando comigo. Não teria como escapar — disse Ryuen.
É claro que Kushida poderia alegar que foi tudo armação. Mesmo que escapasse da expulsão, sua reputação ficaria manchada. Ela de fato recebeu perguntas e respostas de Ryuen. Não era proibido uma classe oferecer suas perguntas para outra, mas era vergonhoso. Isso provavelmente invalidaria sua prova e ameaçaria sua posição na Classe D, mesmo sem expulsão. A Classe C também teria ficado em perigo.
— Quando essa cola entrou no meu—?
— Você realmente não tem ideia? Percebeu alguma pessoa estranha por perto?
— Não, não pode ser… Espera. Na semana passada, eu fui à reunião final de estudos num karaokê com a Horikita e os outros. Agora que penso, algo estranho aconteceu lá. Uma garota ficou irritada e jogou o suco em mim por algum motivo. Depois, ela perguntou se podia levar meu blazer para a lavanderia. Era compreensível, dada a situação, mas… por algum motivo, isso não saia da minha cabeça — disse Kushida.
— Deixa eu adivinhar quem era essa garota. Karuizawa Kei — disse Ryuen.
— C-Como você sabe? Não me diga que viu?
— Como eu teria visto? É simples dedução — disse Ryuen, batendo o dedo na lateral da cabeça para enfatizar. — Explique tudo desde o começo.
Embora estivesse atordoada, Kushida contou a Ryuen tudo que havia acontecido na sala de karaokê. Explicou que Horikita e Hirata tinham convidado todos, e que Ayanokoji, Sudou e Karuizawa se sentaram juntos. No meio da reunião, Karuizawa começou uma briga e jogou suco nela.
Depois de ouvir em silêncio, Ryuen levou sua dedução adiante.
— Não há dúvida. Alguém armou uma armadilha pra você.
— Isso é impossível. É verdade que meu blazer foi para a lavanderia, mas eu chequei os bolsos quando o peguei de volta. Além disso, o funcionário teria me avisado se tivesse algo dentro! — ela disse. — Então, mesmo que ela quisesse me enganar naquela hora, não teria adiantado.
— É, teria sido quase inviável. Mas não era isso que a Karuizawa queria. Alguém queria saber se você tinha um uniforme reserva?
— Um reserva? Isso é impossível — disse Kushida.
— Por que você fala isso com tanta certeza?
— Você está tentando dizer que todos ali armaram para mim e eu não percebi? Eu não sou idiota. Eu observo o comportamento de todo mundo. Se estivessem mentindo para mim, eu certamente teria notado.
— Bem, provavelmente você está certa quanto a isso. Porém, só uma ou duas pessoas, no máximo, mentiram para você — disse Ryuen.
— Hã? Como—
— Se alguém ali leu a situação perfeitamente, então é provável que essa pessoa tenha te enganado. Alguém capaz de entender o processo de pensamento de todos, seus cacoetes, seus hábitos. Alguém que adivinhou exatamente o tipo de comentário que fariam. Alguém que conseguiu ler tudo isso com perfeição. Uma pessoa que escreveu o roteiro para que você interpretasse seu papel na peça dela — disse Ryuen.
Kushida tentou negar, mas logo pensou no que havia acontecido. Hirata era sempre pacifista. Ele se preocuparia com o blazer dela manchado e tentaria acalmar a raiva irracional de Karuizawa. E, como a reunião aconteceu logo antes da prova, ele certamente perguntaria quantos blazers Kushida tinha.
— Depois que descobriram que você só tinha um blazer, só faltava plantar a cola em você durante a aula de educação física. Além disso, seria bem comum você não mexer nos bolsos por um ou dois dias depois de pegar o blazer da lavanderia. Provavelmente houve várias outras oportunidades para eles fazerem o serviço. A verdadeira questão é: quem teve a ideia? Não foi a Suzune nem a Karuizawa. Elas não são o tipo de garota capaz de bolar algo assim — disse Ryuen.
— Então está dizendo que eu fui enganada? Por quem?
— Pouco antes da prova, uma carta acusando Ichinose de algo ilegal foi distribuída, certo?
— Sim, a carta com que você tentou incriminar ela, Ryuen. Por que você fez isso? Ela nem fez nada.
— Foi parte da estratégia do cérebro por trás de tudo — disse Ryuen.
— Hã?
— Eu não fui quem enviou aquela carta. Foi a pessoa da Classe D que armou para você.
— Eu não estou entendendo.
— Você realmente acha que eu colocaria uma carta acusando a Ichinose de fraude no armário de todos os alunos do primeiro ano e, deliberadamente, escreveria meu próprio nome como remetente? Bem, deixando minha personalidade de lado, era natural que todos pensassem que fui eu — disse Ryuen.
— Se não foi você, então devia ter negado.
— Você realmente acha que eu faria isso?
— Não — disse Kushida, entendendo imediatamente. Ryuen sempre perseguia coisas que o divertissem. Se alguém enviasse cartas usando o nome dele, Ryuen acharia aquilo instigante. Além disso, como ele não tinha ouvido nenhum rumor sobre fraudes da Ichinose antes, ficaria curioso.
Então por que alguém teria colocado propositalmente o nome de Ryuen como remetente? Porque uma mensagem anônima teria menos credibilidade. As acusações poderiam ser ignoradas completamente.
— Mas qual era o propósito da carta? Fazer você ficar em alerta? — perguntou Kushida.
— Quem sabe? Eu pensei muito nisso, mas ainda não está claro. Será que o culpado só queria saber se a Ichinose tinha muitos pontos? Ou talvez… Não, isso seria impossível. Não pode ser algo tão idiota — disse Ryuen. O que quer que ele tivesse imaginado era distante demais da realidade.
De qualquer modo, a estratégia havia sido bem planejada e executada com perfeição. O interesse de Ryuen pela pessoa que ele chamava de "X" só aumentava.
— Ei, Kikyou. Eu não sei nada sobre o seu passado, e não estou interessado. Porém, se você continuar tentando expulsar a Horikita da escola, quem vai desaparecer é você. Entendeu?
— Você também não está numa posição perigosa? Se a Classe C perder pontos coletivos nessa prova, não é ruim?
— É. Com esse golpe de sorte, a sua classe provavelmente tem chance de ser promovida à Classe C — disse Ryuen.
— E como se sente sendo rebaixado pelos "defeituosos" da Classe D?
Ryuen parecia completamente indiferente, mesmo após as provocações insistentes de Kushida. Desde o início, ele nunca se importou com isso.
— Estou me sentindo livre de qualquer preocupação. Seja Classe A ou D, no fim são só letras. Estamos apenas arranhando a superfície dessa batalha — disse Ryuen.
— O que você quer dizer com isso?
É claro que Ryuen não podia responder. Ainda assim, seu objetivo não havia mudado desde que entrou na escola. Embora tivesse tropeçado algumas vezes, seus preparativos para chegar à Classe A avançavam sem problemas.
— Faça o seu melhor e alcance as classes superiores — disse Ryuen, virando-se e começando a se afastar.
— Espera — a cola! Tem algo errado aqui!
— Heh.
— O que significa isso? Me diga, Ryuen!
— Você percebeu?
A contradição que surgiu em sua mente a deixou totalmente confusa. Um novo problema começava a se formar.
— Por que alguém da Classe D tinha essas perguntas da prova? Só você e eu devíamos tê-las. Não consigo entender.
— Porque eu as entreguei para o X, imagino — disse Ryuen.
— Então você me traiu?
— Não. Foi um acordo necessário.
Os olhos de Ryuen desceram para o celular. Nele havia fotos das perguntas e respostas antes de ele alterá-las. Ele tinha enviado essas fotos para um endereço de e-mail desconhecido.
— Mas X me entende muito bem — acrescentou.
Ele havia recebido uma mensagem de X com o assunto "Transação". O conteúdo dizia:
"Forneça-me as perguntas e respostas que a Classe C elaborou para o exame final, ou faça mudanças significativas nas perguntas que você deu a Kushida Kikyou."
Normalmente, Ryuen nem responderia. Porém, momentos antes, X havia lhe dado informações úteis para a Classe C sem pedir nada em troca, avisando que Horikita Suzune tinha percebido os planos de Ryuen e tomado uma atitude preventiva para aprovar suas próprias perguntas, em vez das de Kushida. Isso o chocou profundamente, já que toda a sua estratégia dependia das perguntas que imaginava que Kushida havia entregue. Sem o aviso de X, os alunos da Classe C que não estudaram o suficiente poderiam ter sido reprovados.
Sabendo disso, Ryuen tinha três opções.
A primeira era desafiar X e dar a Kushida as perguntas corretas, permitindo que ela vencesse a aposta contra Horikita. Porém, Ryuen queria evitar a expulsão de Horikita a qualquer custo.
A segunda era deixar as perguntas como estavam e permitir que a cola de Kushida fosse descoberta, resultando em sua expulsão. Mas Ryuen não queria dar a X exatamente o que ele queria.
Seguir o plano ideal de X não teria graça nenhuma.
A terceira opção — e a que Ryuen escolheu — foi dar a Kushida as perguntas erradas e deixar Horikita vencer.
— Então X protegeu a Suzune e, ao mesmo tempo, manteve você sob controle, Kikyou — disse Ryuen. Suzune lutava diretamente, mas essa pessoa agia com habilidade nos bastidores. Quando Ryuen percebeu que X havia transformado sua própria estratégia em uma arma contra ele usando Kushida, quase não conseguiu conter o riso. — Mas estou prestes a encurralá-lo. Se ele não revelar sua identidade — Ryuen abriu uma imagem em seu celular — a mesma que havia enviado ao misterioso estrategista. A pessoa na foto seria essencial para descobrir quem X era. — Então eu vou destruí-la.

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