Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 6

Capítulo 5: A Formação do Grupo Ayanokoji

O TEMPO VOOU, e logo chegou a hora da quinta sessão de estudos de Yukimura com Miyake e Hasebe. As sessões anteriores haviam sido no Pallet, mas decidimos nos reunir no café dentro do Keyaki Mall hoje. Previmos que o Pallet estaria excepcionalmente lotado, já que todos os clubes haviam suspendido suas atividades para que os alunos pudessem focar na prova final.

— Uau, está ainda mais barulhento do que eu imaginei — disse Yukimura.

Ele parecia sobrecarregado com a quantidade de alunos no café. Conseguimos assentos, mas o Pallet estava praticamente com capacidade máxima. Estava abarrotado de estudantes de todas as séries, cada grupo estudando por conta própria. Apesar de todos estarem focados nas revisões de última hora, a biblioteca certamente seria mais silenciosa.

— Devíamos ter nos encontrado na biblioteca — disse Yukimura, ecoando meus pensamentos. — Ou no meu quarto.

— Nah. É mais fácil estudar aqui. Né, Miyacchi? — perguntou Hasebe.

— É. O clube de arco e flecha já é quieto e tenso o bastante — respondeu Miyake.

Ao contrário do que Yukimura imaginava, os dois pareciam bem satisfeitos em estudar ali. Ninguém queria ficar preso num quarto abafado. O método moderno era estudar conversando com os amigos. Evolução degenerativa.

— Bem, vocês são os que vão estudar. Se dizem que conseguem se concentrar, então acredito. Aqui, preparei algum material — disse Yukimura.

Ele entregou a Hasebe e Miyake cadernos cheios de questões de humanas. Os dois aceitaram o material com indiferença. As perguntas estavam alinhadas tão densamente quanto barracas em um festival com show de fogos. Yukimura estava empolgado. Aquelas questões que ele havia criado não seriam fáceis.

— Nossa. Você realmente exagerou. Você é cruel, Yukimuu! — disse Hasebe. Como ela não gostava de estudar, muito menos sua matéria mais fraca, aquilo devia ser tortura para ela. Miyake, por sua vez, parecia prestes a vomitar. Ele mantinha as mãos sobre o estômago enquanto folheava o caderno.

— Como pode ficar tão apavorado antes mesmo de começar? — perguntou Yukimura.

— É que… claramente tem muito mais perguntas aqui do que da última vez, e parecem mais difíceis.

— Esse é o pensamento de um aluno medíocre. Pense no que você é capaz de fazer primeiro e desafie a si mesmo — disse Yukimura, cheio de paixão.

— Nesse caso, as perguntas são mais simples do que da última vez? — perguntou Hasebe.

— Claro que não.

— É, eu sabia que seriam difíceis.

Bom, obviamente as coisas não podiam continuar simples para sempre. Honestamente, os problemas e dicas que Yukimura havia preparado eram realmente brilhantes. Ele provavelmente poderia virar professor de verdade se quisesse — não que fosse da minha conta. Ele repreendia os alunos, mas nunca desistia deles, e nunca levantava a voz ou perdia a paciência quando não entendiam algo. Será que Yukimura, assim como Horikita, havia amadurecido? Era impressionante.

No primeiro semestre, tanto Horikita quanto Yukimura insistiam que tinham sido colocados na Classe D por engano, já que ambos eram alunos superiores.

Isso parecia tão distante agora.

— Vamos lá, Hasebe — disse Miyake, entendendo que reclamar não adiantava nada.

— Uau, você tá todo animado, Miyacchi. O que deu em você? O sangue tá fervendo? — ela perguntou.

— Finalmente consegui uma folga do clube, mas não quero passar todo meu tempo livre estudando. Posso voltar depois que terminar? — Miyake perguntou a Yukimura.

— Claro.

Yukimura e Horikita tinham métodos bem diferentes de ensinar. Enquanto Horikita determinava um tempo fixo de estudo, Yukimura era mais flexível. Suas sessões duravam até que os alunos completassem todo o material, podendo terminar mais cedo ou mais tarde que o esperado. A eficácia dependia de quem ele estava ensinando — se tentasse isso com alunos negligentes como Ike, seria um fracasso. Eles provavelmente responderiam qualquer coisa sem pensar só para terminar logo e escapar. Por outro lado, Hasebe e Miyake conseguiam lidar bem.

— Se você não tem tempo livre, por que não sai do clube? — perguntou Hasebe.

— Eu quero estar no clube. Só que quero tempo livre também — respondeu Miyake.

— Uau, egoísta.

De qualquer maneira, se eles tinham recuperado a motivação, não havia mais o que comentar. Se um deles, ou ambos, desistissem do grupo de estudos, eu nem queria imaginar o que Horikita diria para mim depois. Parecia que Yukimura realmente tinha um impacto positivo neles. Eu duvidava que ainda restasse qualquer dúvida sobre a eficácia do método dele.

— Certo, Ayanokoji. A partir de hoje, você também vai fazer isso.

— Hã…?

— Você tira notas boas, mas sua parceira é a Satou. Você precisa se preparar e revisar direito para não serem expulsos — disse Yukimura.

— Não, eu—

— Só faz, Ayanokoji-kun. Vamos todos morrer juntos — disse Hasebe, abaixando a cabeça até o cabelo cair para frente. Ela agarrou minha mão, como um espírito vingativo tentando me arrastar para dentro de um poço.

— Seeeja bem-vindooo — ela gemeu.

Um arrepio percorreu minha espinha enquanto eu era engolido pela terrível escuridão das questões de humanas.

*

 

— Ah, isso me lembra. Tem um cara chamado Yoshimoto-kun na Classe C, né? Você conhece ele, Miyacchi?

— Yoshimoto Kousetsu? Sim, ele é do clube de arco e flecha.

— Isso, isso. Esse cara mesmo. Ouvi dizer que ele começou a sair com uma aluna do segundo ano. Você sabia disso? — perguntou Hasebe, já cansada de estudar e pronta para fofocar.

— Não. Mas, agora que você falou, ele anda com muita pressa para ir embora assim que o clube termina. Deve ser por isso.

Se você fosse um adulto na casa dos trinta, uma diferença de um ou dois anos não significaria muito. Mas para estudantes do ensino médio, tentar sair com alguém um ano acima já era complicado. Pelo menos, era assim que eu imaginava. Afinal, eu também ainda era um adolescente em formação.

— Parece que o Yoshimoto-kun tá super apaixonado. Ele disse que vão se casar um dia. Pff, garotos são idiotas, né? — disse Hasebe, fazendo a conversa dela e de Miyake descarrilar completamente dos estudos.

— Falem do futuro depois, não importa quem tá namorando quem. Primeiro, façam o que precisam fazer — disse Yukimura.

— Eu sei, eu sei. É só uma pausa rápida — respondeu Hasebe, sem dar a mínima para o que Yukimura dizia.

— Sim. Bem rápida.

— Uau, ok, senti a cutucada sarcástica. Vou pegar um refil.

— Vai colocar ainda mais açúcar? Seu café já é tão absurdamente doce que me espanta você conseguir beber — disse Miyake.

— Bom, eu é que não entendo como alguém consegue beber café puro — retrucou Hasebe.

Ela começou a se levantar, mas tropeçou levemente na mochila que deixara aos pés.

— Uopa!

Ela deixou o copo vazio cair. Meus olhos o seguiram enquanto ele rolava pelo chão — até parar ao lado dos pés de um aluno específico.

— Ah, descul—

Hasebe começou a se desculpar. Porém, o pé do aluno esmagou o copo.

— Ora, parece que vocês estão se divertindo. Se importam se a gente se juntar? — perguntou Ryuen.

— O que vocês…? — Hasebe se recompôs e lançou um olhar hostil aos caras da Classe C. Reação mais que compreensível. Ryuen, o responsável por esmagar o copo, exibia um sorriso presunçoso. Ishizaki, Komiya e Kondou — sempre juntos — estavam atrás dele.

Havia também uma garota com eles, que nunca tínhamos visto antes. Ela estava ao lado de Ishizaki, extremamente calma, o rosto sem emoção alguma.

— Ei! — disse Hasebe. — Por que você pisou no meu copo?

— Ele rolou até meus pés, então achei que você tava jogando fora. Pisei pra poupar seu trabalho — disse Ryuen.

Ele chutou o copo esmagado de volta na direção de Hasebe, rindo. Um pouco do líquido restante escorreu por um furo e respingou no chão.

Miyake se levantou devagar.

— Ei, Ryuen. Eu queria dizer isso faz tempo: para com isso.

— Oh? E com quem você acha que tá falando, hein? — Ishizaki agarrou Miyake pela gola.

— Eu não tava falando com você. Capangas deviam cuidar da própria vida, Ishizaki — disse Miyake, afastando sua mão.

— Seu desgraçado! — gritou Ishizaki, chamando a atenção dos outros clientes.

Surpreendentemente, essa explosão irritou mais Ryuen do que qualquer um.

— Cala a boca. Quer começar uma briga de verdade, Ishizaki?

— D-Desculpa. É que o Miyake tava se achando, então eu…

— Idiotas impulsivos me divertem, mas agora preciso que você se comporte.

— Sim…

Ryuen estava certo em segurar Ishizaki. Não eram só alunos do primeiro ano ali. Havia veteranos, funcionários da loja e várias câmeras de segurança ao redor. Nada passava despercebido, e se a Classe C causasse problemas, pagaria caro. Testemunhos e gravações garantiriam isso.

— Não tenho negócios com você. Estou interessado naqueles dois — disse Ryuen a Miyake, lançando um olhar para Yukimura e para mim. — Vocês receberam meu presente?

Naturalmente, Yukimura ficou confuso.

— Do que você está falando?

Ryuen olhou para mim. Sem dúvida, o "presente" era o e-mail que ele havia me enviado no outro dia, aquele com a pergunta: O que você é?

— Quem sabe? — fingi ignorância. Os métodos de Ryuen eram agressivos. Eu não iria cavar minha própria cova respondendo suas perguntas. Mesmo que tentasse levantar suspeitas, ele não tinha nada concreto. Não importava até onde ele tentasse levar isso, ainda estava tudo envolto em mistério.

— E então? Pegou alguma coisa, Hiyori? — perguntou Ryuen à garota ao seu lado.

— "Peguei alguma coisa?" Não posso dizer nada neste estágio — ela respondeu.

Muitos dos alunos que trabalhavam para Ryuen tinham medo dele, mas Hiyori estava completamente serena. Ela continuava olhando de mim para Yukimura, embora seus olhos não parecessem focar totalmente. O que Ryuen estava planejando?

— Os rostos deles são fracos. Provavelmente vou esquecer imediatamente — ela acrescentou.

— Heheheh, ora. Eles serão nossos futuros amigos, afinal.

— Yukimura-san, Ayanokoji-kun, Koenji-kun. Quem era o outro mesmo? — ela perguntou.

— Era o Hirata.

— Isso mesmo. Hirata-san. Por que rostos e nomes são tão difíceis de memorizar? — Hiyori era um completo mistério. Preocupava-me que até o Ishizaki estivesse tão educado com ela. Eu com certeza já tinha visto o rosto dela antes; ela era da Classe C.

— Parece que o único que você vai lembrar é o Koenji.

— Bom, ele é único — ela respondeu.

Então, Ryuen suspeitava de Hirata e Koenji também. Embora Koenji fosse tudo menos um jogador de equipe, era natural que Ryuen desconfiasse de seu talento. Ainda assim, eu tinha quase certeza de que Ryuen deixaria de considerá-lo um suspeito se soubesse o quão naturalmente excêntrico Koenji realmente era.

— O que diabos você quer, Ryuen? — perguntou Miyake, agressivo. — Estamos ocupados. Se tem algo a dizer, diz logo.

— Nada. Só vim dar um oi. Mas vou te contar uma coisa: a gente vai se ver de novo muito em breve — disse Ryuen.

— O que isso significa?

Ignorando Miyake, Ryuen saiu com seus capangas. Assim que se afastaram, o café voltou a ficar animado, com todos retomando seus estudos.

No entanto, Hiyori permaneceu ali, ainda nos observando. Nessas condições, era impossível se concentrar.

Hasebe tomou a palavra:

— O que foi? Você está atrapalhando nossos estudos — resmungou.

— Apenas espere — respondeu Hiyori.

— Hã? Olha, eu tô dizendo que você tá distraindo a gente, então só vai embora. Entendeu? — disse Hasebe, de mau humor desde que Ryuen esmagara seu copo.

Quando Hasebe exigiu que ela saísse, Hiyori respondeu com um sorriso estranho. Pegou sua bolsa do chão e caminhou até o caixa.

— O que foi aquilo? — perguntou Hasebe.

— Quem sabe? Eu não sei e não quero saber — disse Yukimura.

Yukimura claramente não conseguia entender as ações de Hiyori. Depois de refletir um pouco, decidiu abandonar qualquer conclusão e simplesmente ignorar o assunto.

— Essa é a Shiina Hiyori, da Classe C. Já vi ela antes — disse Miyake.

Hiyori fez um pedido no caixa e voltou com dois copos.

— Por favor, aceite isto.

— O que você está aprontando? — perguntou Hasebe. — Por que está me dando isso?

— Está tudo bem. Não precisa ficar tão desconfiada de mim. Eu vi o que aconteceu, e está bem claro que o Ryuen-kun passou dos limites. Por favor, permita-me pedir desculpas em nome da Classe C. Eu me adiantei e coloquei um pouco de açúcar. Você se importa? — disse Hiyori.

— Colocou um pouco de… hã? Uau, isso tá uma delícia! É exatamente igual ao que eu tava bebendo! — exclamou Hasebe.

— Notei que muito açúcar tinha se acumulado no fundo do copo que o Ryuen esmagou, então presumi que você gostasse de café bem doce. Fico feliz em ver que não me enganei — disse Hiyori.

— Parece que você colocou exatamente a mesma quantidade de açúcar que eu. Coincidência? — perguntou Hasebe.

— Usei a quantidade de açúcar não dissolvido para estimar quanto você havia colocado no início — respondeu Hiyori.

— Huuuuuh?! Você consegue fazer isso?!

— Imagino que seja surpreendente. Apesar das aparências, sou bem perspicaz.

Hiyori fixou o olhar em Yukimura, depois em mim e, por fim, em Miyake.

— Vocês estão fazendo uma sessão de estudos, não é?

— Garotas como você acabam com a minha energia — resmungou Hasebe.

A raiva de Hasebe já tinha esfriado, substituída por confusão diante da rapidez de raciocínio de Hiyori. Yukimura apressou-se a fechar os cadernos de todos para impedir que ela visse o conteúdo.

— Você acha que eu sou uma espiã? — perguntou Hiyori.

— Hã, sim. A gente definitivamente acha que você é uma espiã.

— Eu não faria isso, se fosse vocês. Geralmente, mantenho distância do Ryuen-kun.

— Peraí. O Ryuen-kun não acabou de te chamar pelo primeiro nome?

— Eu insisti para acompanhá-los até aqui e ver vocês. A Classe D me interessa.

O restante do grupo de estudos inclinou a cabeça, claramente confuso, incapaz de entender as palavras ou as intenções de Hiyori. Eu os imitei, inclinando a cabeça para a direita, fingindo que também não entendia nada.

— Vocês não sabem? — perguntou Hiyori. — É o que todo mundo na Classe C comenta agora. Dizem que um estrategista genial está escondido na Classe D, disfarçando sua verdadeira identidade. Aparentemente, essa pessoa contribuiu bastante para os sucessos da Classe D, desde o teste da ilha até o cruzeiro e o festival esportivo. Vocês realmente não sabem?

Hasebe, Yukimura e Miyake pareciam ter pontos de interrogação flutuando sobre suas cabeças. Ninguém na Classe D tinha percebido isso ainda, claro.

— Eu sinceramente não faço ideia do que você está falando — disse Yukimura. — Você quer dizer a Horikita?

— É. A única pessoa que consigo imaginar é a Horikita-san — concordou Miyake.

— Não é a Horikita Suzune-san — disse Hiyori, com firmeza. — Ayanokoji-san, você passa muito tempo com a Horikita-san, certo?

— Nem tanto recentemente, mas provavelmente passei mais tempo com ela do que com outras pessoas — respondi.

— Você senta bem ao lado dela, não é?

Hasebe e Miyake me apoiaram:

— Mas não tem ninguém mais inteligente que a Horikita-san.

— É. Ela que cria todas as estratégias da Classe D.

Eu não precisava confirmar nem negar se passávamos muito tempo juntos. Era importante parecer apenas um aluno comum da Classe D.

— Entendo — disse Hiyori. — Então todos vocês pensam assim?

— Pode parar de interromper nossa sessão de estudos com essas bobagens? — murmurou Yukimura. Ele não suportava perder mais tempo de estudo com aquela conversa estranha.

— Desculpem. Estou atrapalhando seus estudos, não estou?

— Sim, exatamente. Está — disse Yukimura.

— Não precisa ser tão duro, Yukimuu — disse Hasebe.

— Se você não se importar em tirar nota baixa e ser expulsa da escola, pode continuar conversando com ela. Eu vou embora — disse Yukimura.

— E-Eu sinto muito, de verdade. Me perdoa. Eu quero que você continue me ensinando — disse Hasebe, inclinando a cabeça em desculpa.

— Ótimo. Se quiser falar dessas coisas malucas, fale depois da prova — disse Yukimura, seco.

Hiyori se levantou, parecendo realmente arrependida.

— Sinto muitíssimo. Você tem razão, seria arriscado não levar essa prova a sério — disse ela.

Aquilo tinha sido uma indireta para os alunos ruins? Embora eu tivesse a impressão de que Hiyori era naturalmente meio distante, ainda não tinha certeza se podia confiar nela.

— Vamos retomar essa conversa depois que o exame final acabar. Ainda vai dar tempo.

Hiyori pegou seu copo e começou a se afastar, provavelmente rumo ao dormitório.

— Obrigada pelo café. Tava uma delícia — disse Hasebe.

— Não foi nada. Até mais — disse Hiyori.

E assim, ela foi embora sozinha, apesar de ter chegado com Ryuen. Ela poderia ter vindo como parte de um plano dele para me fisgar, mas eu não podia baixar a guarda. Decidi investigar Hiyori.

*

 

Como todos nós morávamos no mesmo dormitório, voltamos juntos. Mexendo no celular, Yukimura registrava o progresso do dia.

— Faz muito tempo que eu não estudo tanto! — disse Hasebe. — Seis horas de aula e mais duas horas depois, né? Deve ter, tipo, quase nenhum estudante no mundo que é obrigado a estudar tanto assim, né?

— Mas os alunos da Classe C nos interromperam e nos fizeram perder tempo — disse Miyake.

— Mas a gente não deixou isso nos atrapalhar. Estudamos direitinho hoje! — respondeu Hasebe.

Um olhar irritado passou pelo rosto de Yukimura ao ouvir a conversa animada.

— Vocês só podem estar brincando. Quando começarem os exames de admissão na universidade, vocês vão precisar estudar pelo menos três horas depois das aulas. Quatro, se conseguirem. E isso todos os dias. Quando as provas estiverem perto, vão querer estudar dez horas por dia por conta própria.

— Hããã? Não dá, não dá! Não tem como eu estudar assim. Vai, você sabe disso, Yukimuu — reclamou Hasebe.

— Minha irmã mais velha é professora. Ela sempre estudava tudo isso antes de um exame, como parte da rotina.

— Bom, talvez você venha de uma linhagem super elite! Yukimuu, você tá pensando em virar professor?

— Não tem nada de "elite" em virar professor. E não, não pretendo. Se eu quisesse isso, por que viria para uma escola como esta, que não se parece com nenhuma outra no mundo?

Ele tinha razão. O caminho para virar professor não era simples, embora não fosse tão difícil quanto direito ou contabilidade. Além disso, se seu objetivo fosse ser professor, não havia vantagem concreta em escolher justamente essa escola. Yukimura já era um bom aluno por natureza.

— Então por que você veio pra cá?

— Isso não importa. Quer perguntar pra todo mundo por que eles decidiram se matricular? Se alguém começasse a se intrometer nos seus assuntos, você entenderia como é — rebateu Yukimura.

Ele claramente tentou cortar a conversa, mas sua resposta teve o efeito contrário. Hasebe não parecia nem um pouco incomodada. Na verdade, passou a contar sobre si mesma.

— Pra ser sincera, eu me interessei pela escola por causa da propaganda, sabe? Tipo, poder entrar em boas faculdades ou conseguir um bom emprego só por ter se formado aqui? Quem não escolheria esse lugar? Isso já não é motivo suficiente pra maioria das pessoas? — disse.

— Além disso, muita gente entra aqui porque é tudo de graça. Nem precisamos pagar o dormitório, e o campus é feito pra gente conseguir sobreviver mesmo sem usar pontos. Agora, eu valorizo isso mais do que qualquer garantia depois da formatura — disse Miyake.

— Você não acha isso meio sem graça? Tipo, poder entrar em qualquer universidade ou trabalhar em qualquer lugar é incrível — comentou Hasebe.

— Olha, falem dos seus sonhos depois da exame final. O sistema no qual você aposta não vai fazer nada por você se não se formar na Classe A, Hasebe — disse Yukimura.

— Deve ter algum bônus, né? — retrucou ela. — Tipo, vai que a escola mentiu sobre só a Classe A vencer. Se a gente conseguir se formar, quem garante que não podemos fazer o que quisermos?

— Isso é bem improvável. Se fosse verdade, já teríamos ouvido falar, e eu nunca ouvi nada do tipo, nem nos clubes. E os alunos do segundo e terceiro ano da Classe D parecem bem miseráveis — disse Miyake.

Ele tinha um ponto. Eu não participava de nenhum clube, então não sabia o que acontecia por lá, mas não senti motivação alguma no aluno da Classe D do terceiro ano que conheci mais cedo naquele ano.

— Essa escola é administrada pelo governo, lembre-se. Se não chegarmos à Classe A, se formar aqui pode até ter um impacto negativo na carreira ou no caminho para o ensino superior. É por isso que eu preciso absolutamente me formar na Classe A — declarou Yukimura.

— Ah, uau. Isso seria horrível — concordou Hasebe.

Boas universidades procuravam pessoas de escolas prestigiadas e com grandes realizações pessoais. Mas, nesta escola, você era considerado um produto defeituoso se se formasse em qualquer classe que não fosse a Classe A. Universidades e empresas certamente sabiam disso. Estudantes como Ike, terríveis academicamente, reforçavam essa impressão. Os requisitos de entrada dessa escola não tinham nada a ver com desempenho acadêmico.

— Miyacchi, você realmente está comprometido com o grupo de estudos, hein? Eu achei que você ia desistir logo — disse Hasebe.

— Bom, você não acha estranho você mesma ainda estar aqui? Normalmente você não quer nada com ninguém — respondeu Miyake.

— Bom, sim. Mas se for um grupo de estudos com vocês três, tudo bem — respondeu ela. Parecia ter algo em mente.

— Hasebe, posso te perguntar uma coisa? — falei.

— Hmm?

— Você e a Satou são próximas?

— Satou-san? Não, não muito. Eu não curto grupos grandes, de qualquer forma. Se você tá curioso sobre ela, não deveria perguntar pra Karuizawa-san?

Se eu pudesse fazer isso, não estaria tão estressado. Eu não queria conversar sobre isso com alguém muito próximo da Satou.

— Então?

— É que…

Eu não podia contar a verdade. Yukimura percebeu que eu estava perdido e interveio:

— Eu entendo por que você está preocupado. Ela é sua parceira. Não saber os pontos fortes e fracos dela deve deixar qualquer um nervoso.

— Ah, é mesmo — acrescentou Hasebe. — Você disse que vocês foram pareados.

— Satou e eu não temos nada em comum, então não dá pra simplesmente puxar conversa — expliquei.

Hasebe juntou as mãos, como se oferecesse condolências. Porém, parecia ter tido uma ideia.

— Se é difícil falar com a Karuizawa-san, por que não tenta falar com a Kyo-chan? Ela e a Satou-san são próximas.

— Hã? Kyo-chan? — Eu nunca tinha ouvido esse apelido.

— Tô falando da Kikyou-chan. Você anda bastante com ela, né, Ayanokoji-kun?

"Kyo-chan" veio de "Kikyou", hein? Não entendi muito bem, mas ela esclareceu. Essa tarefa realmente combinava com a Kushida. Ela sabia tudo sobre os assuntos internos da classe. Se não fosse pelo problema com Horikita, eu pediria ajuda sem hesitar. Mas eu duvidava que pudesse confiar nela.

Miyake deu sua opinião:

— É. Falar com a Karuizawa pode ser complicado, mas com a Kushida deve dar certo, né? Ela se dá bem com todo mundo, não é, Hasebe?

— Uhum. Tem muitas garotas que eu detesto, mas eu gosto da Kyo-chan. Ela faz tanta coisa pela classe sem reclamar, e tá sempre animada. Normalmente eu não gosto de conversar com as pessoas, mas a Kyo-chan é especial. Ela realmente te escuta e nunca, nunca, jamais conta pros outros o que você disse.

— Até você desabafa com ela, hein? — disse Miyake.

— Que rude, Miyacchi. Jovens donzelas têm muitas coisas pra falar — respondeu Hasebe.

— Que tipo de coisas?

— Por que eu te contaria? Você com certeza espalharia para todo mundo.

— Não espalharia. Bem… provavelmente não. Depende do que for.

Não era óbvio que ninguém confiaria seus problemas a alguém que dizia isso?

— Se você está preocupado com alguma coisa, é melhor conversar com a Kushida — disse Yukimura.

— Né? — concordou Hasebe. — Não sei se você gosta da Satou-san ou não, mas se você contasse pra Kushida-san, ela com certeza não deixaria escapar.

— O quê? Você gosta da Satou, Ayanokoji? — perguntou Miyake.

— Eu não disse nada disso. Só perguntei se a Hasebe era próxima dela.

— Isso não parece meio suspeito? — disse Hasebe. — Vocês nem eram próximos até agora, né?

— O Ayanokoji disse que tava preocupado porque eles são parceiros. Já esqueceu disso? — rebateu Miyake.

Hasebe não recuou:

— Pelo jeito que ele perguntou, parece que tem mais coisa aí, sabe?

As garotas tinham um radar poderoso para segredos que eu simplesmente não conseguia entender. Eu jamais venceria a intuição feminina.

— Ah, isso me lembra. Tudo bem se a gente passar na conveniência rapidinho? — a sugestão de Miyake tirou a conversa do rumo. Ainda bem.

Kushida era claramente um recurso vital que a Classe D não podia perder. Desde o começo, ela se envolvera em tudo. Sem se gabar, dedicava-se a apoiar os outros alunos, e agora colhia os frutos desse esforço. Era uma figura única — uma das integrantes mais fortes da Classe D. Todo mundo gostava dela. Quando alguém não estava presente, as pessoas costumavam reclamar, então era notável ouvir apenas elogios à Kushida quando ela não estava ali.

— Ah, é. Eu também preciso comprar uns docinhos. Vamos, gente — disse Hasebe.

— Você é uma criança mesmo — comentou Yukimura. Ainda assim, foi junto.

*

 

Os quatro de nós ficamos do lado de fora da loja de conveniência, tomando sorvete.

— Ufa, tomar sorvete quando tá um friozinho leve é uma sensação e tanto — disse Hasebe, levando uma colherada de baunilha à boca.

Yukimura devia não comer sorvete com frequência, porque estava lendo os ingredientes.

— Isso aqui é um festival de conservantes e corantes.

— Como você aproveita alguma coisa se se preocupa com cada detalhezinho desses? — perguntou Hasebe.

— Eu sou cuidadoso com o que como. Fiquei pensando em como estava em péssimo estado lá na ilha. Agora compro comida só na seção orgânica do supermercado do Keyaki Mall.

— Você é bem sério mesmo — disse Hasebe.

Aparentemente, Yukimura tinha se tornado alguém preocupado com a saúde.

— Além disso, comida de conveniência é cara. Se você andar só um pouquinho até o shopping, consegue as mesmas coisas por um preço mais baixo. Por que não comprar seus mantimentos de maneira mais eficiente? — perguntou Yukimura, apontando para as sacolas que Hasebe carregava.

— Yukimuu, você não é desses pão-duros, é?

— Só sou consciente com dinheiro. E… o que é essa história de me chamar de "Yukimuu"?

— Você é o Yukimura-kun, então vira Yukimuu. Quando fico amiga de alguém, dou um apelido. Miyacchi, Yukimuu e Ayanon. Hmm… por algum motivo, Ayanon não soa tão bem — disse Hasebe.

Lá estava. Meu primeiro apelido duvidoso.

— Para de me chamar de Yukimuu. É constrangedor.

— Você não gosta?

— Eu não disse isso. Disse que é constrangedor.

— Ah, deixa disso. Não é grande coisa.

— É só que me chamar de Yukimuu na frente dos outros é meio… — Yukimura deixou a frase morrer.

Hasebe respondeu com uma expressão surpreendentemente séria.

— Sabe, acho que a nossa amizade está indo bem.

— Uma amizade onde usamos apelidos, quer dizer?

— Bom, você e o Ayanon são como eu e o Miyacchi. Todos nós somos meio solitários, né? — disse Hasebe.

— Hmm. Suponho que sim.

— Agora que tentei mesmo fazer parte desse grupo, tô mais confortável do que achei que estaria. Além disso, Yukimuu e Ayanon, vocês não têm muitos amigos, certo? Já passamos da metade do segundo semestre, então pensei que queria fazer amizade com um grupo novo. Não é como se eu estivesse tentando compensar o tempo perdido. Só queria dar apelidos pra gente conseguir se abrir. O que vocês dois acham? — perguntou Hasebe.

Vendo que Yukimura e eu não respondíamos, Miyake falou:

— É. Não é tão ruim. Acho que já me acostumei a ficar num grupo. Me surpreende um pouco. Não me dou bem com o Sudou e o pessoal, e acho que o Hirata tá em outro nível. Ele vive cercado de garotas.

— Viu? Então, o que vocês dois acham? — repetiu Hasebe.

Parecia que Hasebe e Miyake queriam mesmo que nós quatro virássemos amigos. Será que Yukimura recusaria?

— Eu só queria supervisionar os estudos de vocês. Quando a prova acabar, o grupo de estudos termina. Mas… suponho que terão mais provas. Ainda tem o terceiro semestre, e várias avaliações até a formatura. Então, não me importo em formar um grupo, pensando na eficiência — disse Yukimura.

— Ok, isso foi meio rude. Mas… obrigada — disse Hasebe.

— Bem. A gente quer evitar que a escola expulse alguém, afinal — acrescentou Yukimura. — A reputação da nossa classe não pode ficar pior.

— Falta só o Ayanon. Ah, mas Ayanon, já que você anda com o grupo da Horikita-san, isso vai ser complicado pra você? Você também anda com o Ike-kun e o Yamauchi-kun — disse Hasebe.

— Bom, não sou melhor nem pior que ninguém da nossa classe, mas acho que sou um pouco diferente — respondi. — Tem muitas coisas em que eu, o Ike e a Horikita não combinamos. Acho que é bom não precisar fingir ser outra pessoa com vocês. A Horikita e eu só sentamos um ao lado do outro na sala. Não é como se fôssemos um grupinho.

Esses eram meus pensamentos honestos.

— Entendi. Então está decidido. A partir de agora, seremos conhecidos como Grupo Ayanokoji. Prazer em conhecê-los, membros do grupo!

— Ei. Por que colocou meu nome no grupo?

— Ué, você que praticamente juntou a gente. Não basta isso? — Miyake concordou com ela. E Yukimura?

— Não me oponho. Além disso, seria estranho nós nos chamarmos de Grupo Yukimura — disse Yukimura. Ele aceitou sem hesitar.

— Mais uma coisa. A partir de agora, é proibido usar sobrenomes formais no Grupo Ayanokoji — disse Hasebe.

— Você pode proibir o que quiser, mas eu não vou chamar ninguém de Miyacchi ou Ayanon ou coisa assim. É constrangedor — reclamou Yukimura.

Com certeza seria muito estranho para mim ou Yukimura chamar o Miyake de "Miyacchi". Fiquei aliviado que Yukimura pensasse o mesmo.

— Bom, então vamos usar apenas os primeiros nomes. Meu nome é Haruka. Podem me chamar do que quiserem. Qual é mesmo o seu primeiro nome, Miyacchi? — disse Hasebe.

— É Akito.

Hasebe olhou para mim e Yukimura, esperando nossas respostas.

— Akito, hein? Tranquilo. Ayanokoji, seu nome é Kiyotaka, não é? — disse Yukimura. Tínhamos sido colegas de quarto no navio, então parecia que ele lembrava.

— E seu nome é Teruhiko, certo, Yukimura? — respondi.

A expressão de Yukimura escureceu de repente.

— Você lembrou? — perguntou. Parecia incomodado com isso.

— Então o primeiro nome do Yukimuu é Teruhiko, hein? Será que penso num novo apelido… — começou Hasebe.

— Para com isso — disparou Yukimura. Hasebe se encolheu.

— Algum problema? — perguntei. Sua agressividade surgira do nada.

— Não me importo de chamar vocês pelos primeiros nomes. Isso eu aceito. Mas, por favor, parem de me chamar de Teruhiko — respondeu.

— Então você aceita chamar os outros pelos primeiros nomes, mas odeia que te chamem pelo seu?! — perguntou Hasebe.

— Não é que eu não goste de vocês. É só que eu odeio meu nome. Nunca me preocupei com isso antes, porque ninguém me chamava pelo nome — disse Yukimura.

— Não é um nome especialmente incomum. Na verdade, não é bem comum? — perguntou Miyake.

Miyake também achou a reação de Yukimura estranha. Teruhiko era um nome bastante convencional. Não conseguia imaginar alguém passando a detestar isso.

— Há algum motivo particular para você odiá-lo?

— Sim. Minha mãe me chamou de Teruhiko. Ela é uma mulher desprezível que abandonou a família quando eu era pequeno, então rejeito o nome que ela me deu — disse Yukimura. O rosto de Hasebe e Miyake ficou tenso com essa explicação depressiva, e Yukimura mudou de assunto. — Desculpem. Não queria deixá-los desconfortáveis.

— Não, não, me desculpe. Eu que falei seu nome sem permissão — disse Hasebe.

— Não precisam se desculpar. Vocês não sabiam. A maioria das pessoas gosta de usar o próprio nome, afinal. Prefiro não estragar o clima, então que tal me chamarem de Keisei daqui pra frente? É o nome que uso desde criança — disse Yukimura.

— Keisei? Então você tem dois nomes, Yukimuu? Isso é complicado demais.

— Keisei não é meu nome real. É o nome que meu pai queria me dar, então passei a usá-lo depois que minha mãe saiu. Se for demais, podem continuar me chamando de Yukimura, como sempre fizeram — respondeu ele.

Se era isso que ele queria, era isso que faríamos. Além disso, não era estranho alguém ter dois nomes. Pessoas comuns faziam isso, assim como celebridades.

— Bom, eu não quis usar um nome que você não gostasse. Certo, Miyacchi?

— Certo. Prazer, Keisei.

Os dois aceitaram facilmente chamar Yukimura pelo nome preferido.

— Desculpem por ser tão egoísta com isso… Kiyotaka, Akito e Haruka — respondeu Yukimura, fazendo questão de usar nossos primeiros nomes.

— Sem problemas. Todo mundo tem seus problemas — disse eu.

Assim como eu tinha um passado que não queria expor, Yukimura… não, Keisei… também tinha um passado que queria esconder. Tentei falar os nomes dos outros como Keisei fizera.

— Akito, Keisei e… Haruka, certo? Vou lembrar — disse. Era ainda mais estranho chamar uma garota pelo primeiro nome.

— Enfim, Kiyotaka? A gente não vai te chamar de "Ayanon", mas que tal "Kiyopon"? — Haruka parecia presa à questão do meu nome. — Sim, esse soa bem melhor. Yukimuu, quer chamá-lo assim também?

Uau. Ganhei um apelido ainda mais constrangedor. Só de pensar na Hasebe me chamando de "Kiyopon" na frente dos outros, senti arrepios.

— Eu não vou chamá-lo assim. É constrangedor. Já decidi chamá-lo de Kiyotaka — disse Yukimura.

No fim, decidimos usar apenas nossos primeiros nomes. Foi meio estranho no começo, mas logo parecia completamente natural.

Agora que tudo estava fluindo, olhei para trás para conferir a pessoa que nos seguia.

Você está bem só ouvindo, Sakura?

Sempre que fazíamos uma sessão de estudos, Sakura nos seguia. Hoje, ela observava de uma distância discreta. Provavelmente não ouvia tudo, talvez só o suficiente para entender a essência da conversa. O momento em que o novo grupo se formou era provavelmente sua última chance de entrar.

Se ela não se impusesse, então…

— Bem, agora que todos sabemos os nomes uns dos outros, vamos recomeçar. A partir de agora, nós quatro seremos conhecidos como—

— E-E-Eh, com licença!

CRASH! A lixeira ao nosso lado tremeu. Sakura se levantou rapidamente e caminhou até nós, tensa e nervosa.

— Sakura? — disseram os outros ao mesmo tempo.

— Eu… eu também quero entrar no grupo do Ayanokoji-kun!

Sakura reuniu toda a coragem que tinha para dizer essas palavras. Estava incrivelmente nervosa, o rosto vermelho de vergonha. Tão atrapalhada que nem percebeu que os óculos estavam tortos.

— Você quer entrar no grupo por estar ansiosa com a prova? Quero dizer, considerando suas notas e seu parceiro, seria compreensível se estivesse preocupada, Sakura — disse Keisei, calmo e analítico. — Pessoalmente, acho que você deveria entrar no grupo da Horikita. Não sei se consigo ensinar muitas pessoas ao mesmo tempo. Além disso, sua situação é diferente. Provavelmente precisa trabalhar outras matérias.

Mesmo sendo barrada, Sakura tentou novamente, corajosamente.

— N-Não, não é isso. Eu só… realmente quero entrar no grupo! — respondeu.

Como diz o ditado, a vergonha da viagem pode ser deixada para trás. Ou, o que acontece em Vegas, fica em Vegas. Assim como um trem em movimento não pode parar de repente, Sakura não se desanimou com a recusa de Keisei.

— Pode ser. Não tem problema se a Sakura participar. Ela até combina com o grupo — disse Akito.

— É mesmo, eu posso entrar? — perguntou ela.

— Quero dizer, adicionar mais uma pessoa não é grande coisa. Além disso, não é preciso nenhum requisito especial. Somos todos solitários, então é adequado. Estou errado?

— Solitários, hein? Bom, acho que você tem razão — murmurei. Era fato conhecido que Sakura estava sempre sozinha. — Keisei, tudo bem pra você?

— Não tenho objeções. Mas não quero que o grupo cresça mais que isso. A Sakura é tranquila de aceitar, mas se alguém chato entrar, acabou — disse Keisei.

— M-Muito obrigada, Miyake-kun… Yukimura-kun…

Mesmo com uma ressalva, Keisei aceitou. A única pessoa restante era Haruka. Normalmente acolhedora, dessa vez não sorria.

— Desculpe, Sakura-san, mas você ainda não me convenceu — disse Haruka, séria, esfriando o entusiasmo de Sakura.

— Ah… então eu… eu não posso…?

— Olha. Estou realmente ansiosa para fazer parte do grupo. Ou melhor, sinto que vou gostar — continuou Haruka, erguendo o dedo e apontando para Sakura. — Se você quiser entrar, precisa seguir nossa regra principal. Chamamos uns aos outros pelos primeiros nomes ou por apelidos. Então, Sakura-san, uh… — Haruka olhou para mim. — Espera, qual é o primeiro nome dela mesmo?

— Airi — respondi sem hesitar.

— Nós todos vamos te chamar de Airi, e você usará os nossos primeiros nomes. Tudo bem para você?

Sakura não era muito boa com relacionamentos interpessoais. Todos sabíamos disso, e era por isso que Haruka estava testando se ela conseguiria lidar com a situação.

— E-E-Eh…

Tentei ajudar a confusa Sakura. Se ela tivesse que nos chamar pelos apelidos, isso seria um obstáculo difícil.

— Keisei, Akito e Haruka.

— K-Keisei-kun, Akito-kun, Haruka…san… Ufa… — disse Sakura, quase sussurrando as palavras. Eu entendia como ela se sentia, já que tinha que chamar três pessoas de uma vez pelos primeiros nomes.

— Não precisa usar honoríficos, certo? — disse Akito.

— Isso mesmo. Contanto que use os primeiros nomes, já é suficiente. Agora só falta usar o apelido do Kiyopon.

Sakura se virou, e seu rosto ficou vermelho. Um som estranho escapou de seus lábios.

— Ah-hyuu!

— Você já parece bastante próxima do Kiyopon faz tempo, então chamá-lo assim não deve ser difícil, certo? — disse Haruka, sem piedade.

— Kiyotaka está bom — disse eu. Kiyopon era um limite que não podia ultrapassar. Era constrangedor, mesmo só em minha cabeça.

— Ki-Kiyo-Kiyo…pyo!

Todos focaram em Sakura. Ela odiava atenção, o que a fazia gaguejar, e isso chamava ainda mais atenção. Virou um ciclo vicioso.

— Não sei qual efeito esse grupo terá sobre você, mas acho bom que esteja entrando, Sakura. Você deu um grande passo à frente. Só mais um passo não faz mal — disse suavemente.

— S-Sim… K-Kiyotaka-kun. Espero estudar com vocês — respondeu Sakura, olhando diretamente em meus olhos.

— Certo, você passou. Concordo que a Airi entre no grupo — disse Haruka. Com isso, Sakura se tornou parte do grupo.

— Vamos lá, Kiyopon, tente chamar a Airi pelo primeiro nome.

— Uh… oi, Airi.

— O-Olá!

Mesmo nervosos e tensos, conseguimos nos sair bem.

— A partir de agora, nós cinco somos o Grupo Ayanokoji. Conto com todos! — disse Haruka.

Aparentemente, o grupo seria nomeado a meu respeito, gostasse ou não.

*

 

E assim, o Grupo Ayanokouji (dizer isso ainda soava estranho) foi oficialmente formado. Originalmente, o grupo existia para apoiar Haruka e Akito, mas seu escopo começou a se expandir aos poucos. Começamos a planejar juntos, incluindo Airi. Haruka criou um grupo no chat, facilitando a comunicação mesmo quando não estávamos fisicamente juntos. Como passávamos muito tempo sozinhos nos quartos, as conversas eram longas e animadas.

"Depois da aula de amanhã, vocês querem ir ao cinema para distrair a cabeça?" enviou Haruka pelo chat.

"Espera, você está falando daquele filme novo?" Perguntei.

"Sim, sim, daquele. Ouvi que estreia amanhã. Como todos estão estudando agora, conseguir ingressos deve ser fácil!"

"Acho que fazer uma pausa é uma boa ideia. Quando você diz "vocês", presumo que estou convidado?"

"Claro! Você faz parte do grupo, Yukimuu. Mas acho que peguei vocês de surpresa. Se não tiverem tempo, podemos ir depois da prova."

Se não houvesse gente suficiente, Haruka estava disposta a adiar. Akito ainda não tinha visto essas mensagens, mas provavelmente aceitaria. Eu me perguntei se deveria tomar a iniciativa e, mesmo um pouco nervoso, respondi no chat do grupo:

"Eu vou."

Poucos segundos depois, uma mensagem de Airi chegou:

"Eu também quero ir."

"Tudo bem. Se o Akito for, eu vou também." Respondeu Yukimura.

Com isso, a maioria de nós concordou em acompanhar Haruka ao cinema. Akito enviou sua resposta alguns minutos depois:

"Parece bom para mim. Também estou interessado. Você pode reservar nossos ingressos?

"Claro. Eu pego os pontos de vocês depois. Obrigada, pessoal!"

O chat do grupo se acalmou depois disso. Haruka provavelmente tinha mudado para o navegador para reservar os assentos online.

"Estou ansiosa para o filme" Airi me mandou uma mensagem

"Eu também"

"Estou realmente animada para amanhã, Kiyotaka-kun. Boa noite."

Ela terminou o chat com essa nota especialmente educada.

— Então, vou ao cinema com um grupo, hein? — murmurei para mim mesmo.

Parecia que eu estava, de algum modo, desenvolvendo uma vida social. Para qualquer outra pessoa isso seria normal, mas eu tremia com um tipo de empolgação que nunca havia sentido antes.

— Melhor eu ir dormir cedo para não ficar sonolento amanhã.

Meu celular tocou, e olhei para a pessoa que ligava — Horikita Suzune — antes de atender.

— Parece que você está acordado — disse Horikita.

— Ainda são apenas dez horas. Precisa de algo?

— Os grupos de estudo da biblioteca estão quase terminando. Depois da sessão de amanhã, quero fazer alguns preparativos finais para a prova. Pode vir comigo? Se puder avisar o Yukimura-kun também, seria uma grande ajuda.

— Amanhã, hein?

— Há algum problema?

Era o mesmo dia em que eu havia concordado em ir ao cinema.

— Se for inconveniente, pode ser depois de amanhã. Mas quinta-feira é o limite. As questões estão quase prontas, mas acho que precisamos mudar algumas delas.

Parecia que ela queria tomar uma decisão o mais rápido possível. Mesmo assim, eu não queria desconsiderar completamente as expectativas dela. Provavelmente ela já tinha discutido tudo com Hirata e os outros, mas eu imaginava que ela queria continuar conferindo as coisas até o último minuto.

— Vou conversar com o Keisei. Tudo bem se nos atrasarmos? Também deveríamos avisar o Hirata e a Karuizawa com antecedência, se precisar — Eu disse a Horikita.

— Keisei? Parece que você e o Yukimura-kun se aproximaram bastante. Não precisa se preocupar com os outros dois. Eu já falei com eles — respondeu Horikita. — Vou avisar a todos a data e o horário, então.

Não era só eu que tinha se aproximado dos outros, evidentemente. Horikita parecia ter conseguido reduzir a distância entre ela e os alunos em seus grupos de estudo. Eu ficaria contente se ela ficasse pelo menos em bons termos com Hirata e Karuizawa.

Assim que desliguei, recebi outra mensagem. Aparentemente, eu estava popular naquela noite. Desta vez, a mensagem não era de Airi, mas de Karuizawa.

"Confirmei que uma garota estava andando por aí hoje perguntando se as pessoas tinham visto a quantidade de açúcar que a Hasebe coloca no café. Ao que parece, a Hasebe coloca um monte, então o pessoal tinha reparado."

Como eu imaginava. Hiyori não era extraordinariamente perspicaz, apenas era rápida e astuta. Ela fingiu ter um poder de observação incrível só para nos surpreender. Imaginei que aquela era a oportunidade perfeita para atualizar Karuizawa.

"Acho que a Horikita vai te procurar sobre amanhã, mas planejamos nos encontrar por volta das 20h."

"Não é meio tarde?"

"Estou ocupado antes disso. Vou ao cinema com meu grupo de estudo."

"Cinema? Vai ver aquele filme novo, por acaso?"

"Parece que você sabe qual é. Enfim, tenho um favor para pedir."

Dei a Karuizawa instruções detalhadas. Eu não tinha escolha a não ser usar o encontro de amanhã para isso. Assim que ela terminou de ler tudo, respondeu irritada:

"Mais uma tarefa superchata. O que você quer, afinal?"

"Vou explicar quando tudo estiver pronto. É para o seu próprio bem."

"Tá, certo. Nos vemos amanhã."

Pensei que fosse só isso. No entanto, imediatamente depois, recebi outra mensagem. Não havia texto, apenas um adesivo: um delicioso bolo de morango com várias velas.

"Feliz aniversário atrasado."

A mensagem adicional surgiu depois do bolo. Karuizawa não me enviou mais nada.

— Ela percebeu que era meu aniversário? Mas como?

Eu não tinha contado meu aniversário a ninguém. Então lembrei que nosso aplicativo de chat tinha um campo para a data de nascimento, além do nome e e-mail. Eu não havia escolhido manter essa informação privada.

Achei que ninguém perceberia meu aniversário este ano. Karuizawa foi a primeira.

Depois de terminar a conversa com ela, apaguei todas as mensagens.

Embora hesitante, também apaguei o adesivo de aniversário que ela enviou. Depois, acessei o perfil de Karuizawa e vi que seu aniversário era em 8 de março.

— Vou lembrar disso.

*

 

A aula no dia seguinte pareceu surpreendentemente longa. Talvez porque eu tivesse começado a esperar pelas sessões de estudo com meus amigos. Quando a escola terminou, fui em direção ao cinema com Yukimura e os outros.

— É meio emocionante sair com todo mundo… Kiyotaka-kun — disse Airi, caminhando ao meu lado. Ela soava tímida, mas também animada. Era como uma criança, e eu me sentia da mesma forma, então acho que também estava sendo infantil.

— Sim, é mesmo. Não é uma sensação ruim.

— Heehee. Kiyotaka-kun.

— O que foi?

— Hã? Como assim?

— Você disse meu nome.

— Eu disse?! D-Desculpe, você deve ter ouvido errado!

Não achei que tinha ouvido errado. Ao chegarmos no Keyaki Mall, fomos imediatamente ao cinema. Haruka tinha comprado os ingressos antecipadamente e os distribuiu a cada um de nós.

— Estou ansiosa para isso.

— Ayanokoji-kun! — chamou Satou Maya. Por que ela estava ali?

— Ei, você vai ver esse filme agora? Sabe, aquele que todo mundo está comentando?! — perguntou ela animadamente, olhando para o ingresso em minha mão. — Pra falar a verdade, eu também vim para ver. A Karuizawa-san e os outros também — acrescentou.

Atrás de Satou, um grupo de garotas se aproximava do cinema.

— Parece que sim — respondi. — A Karuizawa te convidou?

— Não. Quando mencionei que queria ver um filme depois do grupo de estudo, a Karuizawa-san disse que queria ir também. Então decidimos ir todas juntas. Como estamos todos aqui, vamos ver juntos! — disse Satou, segurando meu braço rapidamente.

— Huuuh?! — exclamou Airi.

— Hé, solta — disse eu a Satou.

— Hã? Por quê? Isso não é normal? — perguntou ela. Satou parecia calma e composta, mas o rosto estava vermelho. Ela estava se esforçando demais.

— Que coincidência. Yukimura-kun, Ayanokouji-kun. Ah, e Hasebe-san e Sakura-san também — disse Karuizawa, com um tom levemente condescendente.

Não era coincidência alguma. Eu tinha contado a ela na noite anterior. No entanto, não imaginei que Karuizawa realmente iria aparecer pessoalmente.

— Que coincidência desagradável. Vou entrar — disse Keisei, seguindo adiante sozinho, parecendo bastante indignado. Ele entregou o ingresso e entrou.

— Bom, acho que eu também vou — disse eu.

Separando-me um pouco de Satou de maneira forçada, segui Keisei para dentro do cinema. Estava quase totalmente cheio, e o cheiro de pipoca e cachorro-quente chegava ao meu nariz. Havíamos reservado os cinco assentos mais distantes, no fundo à direita. Satou, Karuizawa e o grupo delas tinham ido comprar pipoca e refrigerante e ainda não tinham entrado.

Enquanto eu me sentava, Airi inclinou-se e sussurrou para mim:

— Um, K-Kiyotaka-kun?

Como todos ao redor conversavam alto, não parecia necessário falar tão baixinho.

— O que foi?

— Bom, Kiyotaka-kun… recentemente você tem se dado bem com, hum, Satou-san, certo? — perguntou ela.

Considerando o que Airi tinha visto, não era surpreendente que estivesse curiosa. No entanto, eu precisava impedir que aquele rumor se espalhasse.

— Não é bem assim. Satou e eu somos parceiros de prova. Estamos estudando juntos.

— M-Mas… as pessoas normalmente não andam, hum, de braços dados assim, né?

— Não foi exatamente de braços dados. Ela só me agarrou — respondi.

— Bom, se você não gosta, poderia simplesmente, hum, se livrar dela — disse Airi.

Embora tímida, a resposta de Airi estava correta. Eu tinha ido passivamente junto com Satou. Não era bom deixar mal-entendidos se acumularem.

— Entendi. Acho que não vai haver uma próxima vez.

— Também…

Havia mais?

— Antes das duplas surgirem, você saiu com a Satou-san sozinho, não foi? — perguntou.

Lembrei do dia em que Satou me chamou na sala de aula. A Airi não tinha me observado?

— Há algum tipo de envolvimento entre vocês dois?

— Não.

Bem, isso não era totalmente verdade. Mas, na verdade, Satou só conseguiu meu contato. Além disso, Airi e eu também trocamos contatos. Não havia nada de estranho nisso.

— Não está convencida? — perguntei.

— N-Não, estou. D-Desculpe. Fiquei te fazendo todas essas perguntas estranhas… Te deixei desconfortável?

— Nah. Se houver algo que te incomode, pode me perguntar a qualquer momento — disse eu.

— Vou ficar de olho em você, então, Kiyotaka-kun — respondeu ela. — C-Conta comigo!

Er… obrigado? Espero que não de forma exagerada.

Bem, eu não queria estourar a confiança de Airi. Ela parecia bastante confiante agora, embora nada de especial tivesse realmente acontecido.

Depois disso, aproveitei o filme em paz e tranquilidade. Bem, tanto quanto eu podia. O filme em si era bem estranho.

*

 

Havia muitas lojas no Keyaki Mall. A maioria eram estabelecimentos que as pessoas frequentavam diariamente, como supermercados, mas também havia lojas especializadas. Por exemplo, havia estações que resolviam problemas de eletricidade, gás ou água, e um serviço de entrega que levava produtos da loja de conveniência até o quarto. Havia também uma lavanderia que provavelmente seria usada com frequência por um assalariado, mas os estudantes desta escola não precisavam tanto, a não ser que sujassem um blazer, claro.

Passava das oito da noite de quinta-feira, e nosso teste era na semana seguinte. Como era hora de fechamento das lojas, todos da Classe D se reuniram em uma sala de karaokê. Lá dava para realizar uma reunião sem se preocupar com bisbilhoteiros. Embora provavelmente fosse melhor fazer isso no quarto de alguém, nenhum de nós quis. Por coincidência, Hirata e os outros também estavam participando desta vez. Ele e Horikita tinham agido rapidamente, incluindo-o no grupo no início dos preparativos para o exame final, e agora ele estava presente nesta reunião final.

— Ei, posso cantar?

— Espere, Karuizawa-san. Não nos reunimos aqui para nos divertir — disse Hirata.

— Mesmo que tenhamos vindo até aqui, e ainda tenha karaokê? — Karuizawa retrucou.

— Viemos porque você disse que não queria usar o dormitório para estudar.

Não sabíamos de onde as pessoas poderiam ouvir ou observar quando estávamos no café ou na cafeteria do campus.

— Tá, tudo bem. Mas, vamos lá, não é meio bobo vir até um lugar com karaokê e não cantar?

— Apenas aproveite a comida e a bebida e aguente — disse Horikita.

Karuizawa já tinha feito o pedido. Havia um monte de besteiras na mesa, como batatas fritas, além da bebida que ela comprou para si mesma.

— Então vamos cantar um dueto depois da reunião, Yousuke-kun.

— Claro — disse Hirata. — Vai ser bom relaxar depois.

— Concordo — respondeu Karuizawa. — Quero garantir que discutiremos a prova, mas já faz um tempo que não faço karaokê.

Hirata e Kushida concordaram com Karuizawa, respectivamente, para encontrar um ponto de compromisso.

— Certo, vou começar — disse Horikita, ignorando Karuizawa. — Primeiro, nossas sessões de estudo. Para ser totalmente honesta, acho que os resultados foram fantásticos. Os meninos eram uns imbecis no começo, então eu estava preocupada, mas felizmente estudaram bastante. Graças a isso, eles devem se sair bem no exame final.

— Parece que um dicionário de inglês está saindo da minha boca o tempo todo, cara! — disse Sudou. Ele tentava se exibir, mas a forma como se expressava era abstrata demais.

— Sudou-kun melhorou significativamente em relação ao início. Sua concentração, em particular, deu saltos enormes. No entanto, Sudou-kun, não se esqueça de que suas habilidades básicas ainda são inferiores às de um estudante do primeiro ano do ensino fundamental — disse Horikita.

— Estudei tanto e ainda estou no nível de um aluno do primeiro ano do ensino fundamental? — respondeu Sudou, desesperado.

— Considerando que você começou no nível da escola primária, isso é incrível — disse Horikita.

— H-Horikita-san, você não acha que isso está indo longe demais? — perguntou Hirata.

— Ele nem sabia que a constante matemática pi existia até recentemente — rebateu Horikita.

Caramba. Pensar que Sudou viveu tanto tempo sem saber o que era pi.

— Hã? Que absurdo! — disse Karuizawa. Mesmo não sendo muito estudiosa, ela certamente tinha mais noção que isso.

— Cala a boca, Karuizawa. Aposto que você também não sabe — disse Sudou.

— Não, eu sei. Eu sei que pi é 3,14 — disse Karuizawa. Nossa conversa estava rapidamente se tornando um caos. Todos acabariam com dor de cabeça.

— Por favor, parem — disse Keisei. — Posso ver exatamente onde todos vocês estão academicamente. Horikita, o Sudou vai ficar bem mesmo?

— Como eu disse, as habilidades acadêmicas básicas dele são baixas. Mas se focarmos apenas no que um aluno do primeiro ano, segundo semestre, precisa saber, acho que sim. Ele definitivamente não deve esperar reprovar nesta prova. E você, Yukimura-kun? Conseguiu resolver os problemas de Hasebe-san e Miyake-kun? — perguntou Horikita.

— Claro. Ayanokoji observou tudo de perto, então ele pode me dar respaldo nisso, certo? — perguntou Keisei.

— Não acho que houvesse um método melhor que pudéssemos ter usado. Não estou preocupado com ninguém — respondi.

— Que bom. Eu absolutamente odiaria perder alguém da Classe D — disse Kushida.

— É… Mas será que vamos realmente nos sair bem? — disse Karuizawa. Ela ainda parecia inquieta. — Olha, eu odeio a ideia de ter menos colegas de classe. Mas essa prova sempre faz alguém ser expulso, certo? Então, tipo, não há garantia de que Sudou-kun e eu não vamos falhar, né?

— Bem, não posso garantir isso — disse Kushida. — Mas…

— Então não finja que está tudo certo.

A atmosfera um pouco relaxada tornou-se tensa.

— Sabe, Kushida-san, eu meio que sinto que você vem só de "boca" conosco há algum tempo — disse Karuizawa.

— S-Sério? Mas eu só quero que todos passem — disse Kushida.

— Caramba, deve ser bom ser inteligente, né? Você nem imagina o que vai acontecer comigo — retrucou Karuizawa.

— Tudo bem, Karuizawa-san. Você estudou bastante em seu grupo — Hirata a tranquilizou. Ela ainda não parecia convencida, no entanto.

— Kushida-san, eu queria te dizer isso há algum tempo. Não acha que esse seu comportamento de "certinha" está indo longe demais? — disse Karuizawa.

— Uh… s-sério? — gaguejou Kushida.

— Pode se acalmar, Karuizawa-san? Estamos discutindo nosso exame final. Não perca nosso tempo — disse Horikita.

— Fique quieta, Horikita-san. Ei, Kushida-san. Você está zombando de mim na sua cabeça agora? Pensando em como sou estúpida? — perguntou Karuizawa.

— Eu não faria algo assim — disse Kushida.

— Então não me trate como se eu fosse idiota. Provas sempre são difíceis para mim, não importa quantas eu faça. Você vai se responsabilizar se eu reprovar? — continuou Karuizawa.

A situação estava se tornando absurda. A raiva inexplicável de Karuizawa desconcertava não apenas Kushida, mas todos os outros. Parecia que ela considerava as virtudes externas de Kushida ofensivas. Então, em um movimento inesperado, Karuizawa pegou seu copo de suco de uva e derramou sobre Kushida. O suco encharcou o blazer de Kushida.

— Karuizawa-san! — Hirata agarrou a mão dela, que ainda segurava o copo. — Você não pode fazer isso. Isso não está certo.

— M-Mas… você está dizendo que eu estou errada aqui? — perguntou Karuizawa.

— Desculpe, mas sim, Karuizawa-san. Kushida-san não fez nada de errado — disse Horikita. Mesmo travada em uma guerra fria com Kushida, ela não podia defender isso.

— Eu estou bem, de verdade. Não me importo. Por favor, não culpe Karuizawa-san, ok? — disse Kushida.

— Não. Isso é inaceitável. Karuizawa está errada aqui — disse Keisei, de forma objetiva.

Naturalmente, todos ali estavam tratando Karuizawa como a vilã. Qualquer um pensaria que ela estava errada por causa de seus comentários egoístas. Suas ações, porém, não eram exatamente fora de seu caráter.

— Ah, claro. Eu sou a vilã. Kushida-san é a favorita da turma, afinal — disse Karuizawa. Ela se virou para mim, como se eu fosse sua última esperança. — Ei, Ayanokoji-kun. De que lado você está?

— De que lado eu estou? Não há lados. Você está errada, Karuizawa — respondi.

— Eu sabia. Todos são meus inimigos — disse Karuizawa. Ela se levantou e pegou sua bolsa sem se desculpar.

— Karuizawa-san. Se você sair agora, vai se arrepender depois. Eu não quero isso — disse Hirata.

— Então, o que quer que eu faça, hein? — retrucou Karuizawa.

— Primeiro, peça desculpas para Kushida-san. Isso é o mais importante — disse Hirata.

Karuizawa nem ouviu seu suposto namorado. Ela se manteve firme.

— Então, mesmo não achando que fiz nada de errado, eu tenho que me desculpar? — perguntou.

— Você precisa falar com ela — disse Hirata.

Karuizawa ficou completamente imóvel e silenciosa por um momento. Então, lentamente, falou:

— Desculpe.

— Não, está tudo bem. Eu deveria ter sido mais compreensiva com seus sentimentos, Karuizawa-san — disse Kushida. Ela poderia estar com raiva, nas circunstâncias, mas o perdão veio facilmente de seus lábios.

Karuizawa parecia culpada ao sentar-se novamente ao lado de Hirata.

— Acho que perdi a calma. Desculpe — disse ela mais uma vez. Kushida respondeu com um sorriso gracioso.

— Obrigada — disse Kushida.

Hirata bateu no próprio peito e suspirou aliviado. No entanto, isso não significava que tudo estava resolvido.

— Kushida-san, você tem um blazer reserva para usar amanhã? Vai ficar tudo bem? — perguntou Horikita.

— Ah, não. Meu primeiro blazer foi danificado, então este era o único que eu tinha — disse Kushida.

A escola forneceu dois blazers para cada um quando chegamos, mas acidentes aconteciam, e os alunos podiam simplesmente crescer e precisar de roupas novas. Uma loja no Keyaki Mall era especializada em uniformes estudantis. No entanto, levava tempo e custava muitos pontos para ajustar as roupas.

— Não tem uma lavanderia? Posso levar seu blazer junto com algumas das minhas roupas de basquete suadas. Se eu levar hoje, você deve receber o blazer de volta amanhã cedinho — disse Sudou.

— Eu não sabia que havia uma lavanderia — respondeu Kushida. — Parece uma boa solução.

Graças a Sudou, estávamos a caminho de resolver o problema. Então, Karuizawa contribuiu à sua maneira.

— Bem, não é exatamente um pedido de desculpas, mas pelo menos deixe-me pagar a limpeza — disse Karuizawa.

— Sério, não se preocupe com isso — disse Kushida.

— Eu me sentiria culpada demais se não fizesse isso.

— Tem certeza?

— Sim. Por favor, deixe-me fazer isso ao menos — disse Karuizawa, e assim, ela pagou a taxa.

*

 

No caminho de volta para meu dormitório após nossa reunião caótica, encontrei Katsuragi parado ao lado de uma fonte de água. Ele não parecia estar procurando ninguém em particular, então chamei:

— O que você está fazendo?

— Ayanokoji? Ah, nada. Só pensando um pouco sobre o exame final da próxima semana — respondeu ele.

— Em um lugar como este?

— Queria um tempo sozinho para pensar em paz — disse Katsuragi. Seu processo de pensamento não era como o de um típico aluno do primeiro ano do ensino médio. Dito isso, não conseguia imaginar que a prova fosse tão avançada a ponto de até a Classe A sofrer com ela. — Você acha que a prova vai bem?

Decidi responder honestamente.

— Não sei. Mas todos estão estudando muito.

— É mesmo? Seria bom se ninguém fosse expulso — disse Katsuragi.

Não parecia que ele estava particularmente preocupado com os colegas.

— Aconteceu alguma coisa?

— Quando você estava no ensino fundamental, já foi representante de classe ou participou do conselho estudantil? — perguntou ele, com a voz séria.

— Não, nunca me interessei — respondi.

— Eu faço parte do conselho estudantil desde o fundamental. Fui até presidente do conselho tanto no fundamental quanto no ensino médio. Mas, depois de vir para esta escola, tive que fazer algumas mudanças significativas — disse Katsuragi.

— Pensando bem, você não entrou para o conselho aqui.

— Quis entrar, mas não consegui chamar a atenção da presidente do Conselho Estudantil, Horikita.

Até agora, isso não tinha nada a ver com o exame final.

— À primeira vista, o presidente do conselho e os representantes de classe não parecem ter muita autoridade. A maioria dos estudantes acha que participar é apenas uma perda de tempo e esforço. Por isso, só algumas pessoas querem entrar no conselho — disse Katsuragi.

Compartilhava o sentimento da maioria. Eu não queria nenhum cargo de gestão.

— No entanto, esses cargos vêm com certos privilégios. Existe uma divisão entre quem ocupa os cargos e quem não ocupa — uma divisão que não pode ser cruzada. Eu perdi esses privilégios — disse Katsuragi.

— Mas seu prestígio na Classe A ainda é bom, certo?

— Se fosse assim, nós definitivamente não teríamos escolhido a Classe B como nosso alvo para o exame final — respondeu ele.

De fato, alguém como Katsuragi teria escolhido a Classe C ou D. Ele teria escolhido o caminho da defesa forte e da vitória decisiva.

— Posso falar com você sobre a política interna da sua classe? — perguntei.

— Pode. Você entende como é.

— Sabe, você deveria se dar um pouco de descanso. Está tentando carregar a Classe A sozinho, mas aposto que, se relaxasse um pouco, eles ainda se sairiam bem. O importante agora é manter sua posição — disse eu.

— Suponho. Hmm… ser aconselhado a manter minha posição por um aluno da Classe D que deveria estar atrás de nós — ele respondeu, claramente divertido.

— Talvez eu consiga ver as coisas objetivamente justamente porque não consigo alcançá-lo.

Quando nós dois chegamos ao dormitório, encontramos uma multidão no saguão.

— Aqui está bem barulhento. Aconteceu alguma coisa? — perguntou Katsuragi.

— Não sei. Devemos perguntar por aí? — Avistei o Professor e chamei. — O que aconteceu?

— Oh, Ayanokoji, é você? Parece que todos nós, calouros, de alguma forma recebemos a mesma correspondência em nossas caixas de correio.

— A mesma carta?

Deslizei pela multidão, fui até minha caixa de correio e a destranquei. As caixas normalmente não eram muito usadas, mas os estudantes às vezes recebiam pacotes, presentes de amigos ou cartas da escola. Outros espiavam por cima do meu ombro enquanto eu abria a porta.

Peguei uma carta dobrada em quatro e voltei para Sotomura.

— Isso é…?

— Sim, parece que é!

Poucos momentos depois, Katsuragi voltou com um pedaço de papel semelhante. Desdobramos nossas cartas quase ao mesmo tempo. Elas diziam:

"Estudante do primeiro ano da Classe B, Ichinose Honami, pode estar coletando pontos ilegalmente. 

— Ryuen Kakeru"

Sotomura nos mostrou a mesma mensagem em seu papel. Katsuragi murmurou:

— O que esse cara está planejando ao assinar isso? Se essa acusação for infundada, a escola vai tomar medidas disciplinares contra ele.

— Se ele está arriscando isso, significa que a alegação é verdadeira?

— Bem, acho que isso é algo que eu poderia ver Ryuen fazendo. Se as pessoas começarem a suspeitar que Ichinose está cometendo fraude, isso vai dificultar a vida dela, independentemente de ser verdade. O que Ryuen está fazendo poderia ser considerado difamação, mas ele não se importaria com algo assim — explicou Katsuragi.

Era verdade. Embora Ryuen pudesse teoricamente perder sua reputação se suas mentiras fossem expostas, ele não tinha reputação alguma.

— Ei, Ryuen voltou! — disse um estudante quando Ryuen entrou no prédio. Perguntei-me se ele sabia o que havia causado toda a confusão.

— Ei, Ryuen. O que você está tentando fazer?! — Um dos garotos da Classe B o agarrou.

— Hã? Do que você está falando?

— D-Disso! Sua carta! Esse absurdo que você entregou para todo mundo!

— Ah, isso. Coisa interessante, né? — disse Ryuen.

— Interessante como?! Isso está passando dos limites!

— Então, mostre alguma prova de que Ichinose não está coletando pontos ilegalmente — respondeu Ryuen.

— Isso é—

— Que tal, Ichinose? — perguntou Ryuuen, ainda segurando a carta. Ele olhou para Ichinose, que acabara de chegar.

— Não importa o que eu diga agora, você provavelmente não vai acreditar em mim, vai, Ryuen-kun?

— É isso mesmo. Além disso, cabe à escola decidir se você está fazendo algo errado.

— Acho que sim. Desculpem, pessoal. Parece que estou sob suspeita. Mas, por favor, não se preocupem. Amanhã vou informar os professores e provar que isso é apenas um mal-entendido da parte do Ryuen-kun — disse Ichinose, com orgulho.

— Como exatamente você pretende provar isso, Ichinose? — perguntou Ryuen.

— Vou explicar tudo em detalhes. Contarei quantos pontos tenho e como os adquiri. Se eu fizer isso, você ficará satisfeito? — respondeu Ichinose.

— Informar à escola? Por que você não prova agora mesmo, na frente de todos nós? — provocou Ryuen.

— Você vai acreditar em mim se eu simplesmente explicar, Ryuen-kun? — rebateu Ichinose.

— Não, não vou. Vomitar mentiras provavelmente é tão fácil para você quanto respirar — zombou Ryuen.

— Então é lógico que, se eu informar meu total de pontos à escola, não haverá espaço para fraude, certo?

— Heh. Entendo. Suponho que você tenha um ponto válido — disse Ryuen.

— Está convencido?! — gritou um estudante da Classe B.

— Humanos são criaturas traiçoeiras e mentirosas. Não é possível que Ichinose esteja bolando algum esquema para esconder as evidências agora mesmo? — disse Ryuen, pressionando-a para encurralá-la.

— Que diabos esse cara está tramando? Mesmo que Ichinose tenha muitos pontos, ela está longe de ser alguém que os roubaria. Ryuen não tem nenhuma chance de sucesso — disse Katsuragi, com uma expressão ainda mais séria.

— Nesse caso, o que eu posso fazer para que você acredite em mim? — perguntou Ichinose a Ryuen.

— Primeiro, diga quantos pontos você tem aqui e agora. Segundo, explique como os adquiriu. Vou relatar essas informações à escola amanhã. Se você fizer isso, vai convencer os alunos que desconfiam de você, certo? — disse Ryuen.

Se ela fizesse isso, reduziria drasticamente qualquer oportunidade de mentir ou inventar desculpas depois. No entanto, eu não podia imaginar que Ichinose concordaria com algo assim tão facilmente.

— Não posso aceitar, Ryuen-kun.

— Então você admite que cometeu fraude?

— Não é isso que estou dizendo. É justamente porque não obtive meus pontos ilegalmente que não posso simplesmente mostrar todas as minhas cartas. Seus pontos privados têm grande impacto nas jogadas que você pode fazer. Se eu explicar tudo à escola amanhã, eles devem investigar. Além disso, se eu tivesse cometido fraude, eles tornariam tudo público de qualquer forma, certo? — explicou Ichinose.

— Não há garantia de que você vai relatar seu total de pontos à escola, como diz.

— Então vá você mesmo, Ryuen-kun. Conte a eles exatamente o que você escreveu nesta carta — disse Ichinose.

— Sério? Heh. Parece que você está bem confiante — riu Ryuen. Era verdade. Uma pessoa culpada poderia estar nervosa, mas Ichinose permaneceu calma como sempre. — Bem, estarei esperando por amanhã.

Ichinose observou Ryuen entrar no elevador com um sorriso audacioso no rosto.

— Uma vez que a semente da dúvida é plantada, essa dúvida cresce até ser erradicada. Mesmo um aluno exemplar como Ichinose não está isento. Quanto mais profunda a dúvida, maior a perda de confiança — disse Katsuragi.

Ele estava certo. A mesma lógica se aplicava aos políticos. Por mais alta que fosse a popularidade, uma mentira prejudicial poderia custar muito apoio. Quando a mentira se provasse totalmente infundada, a aprovação poderia se recuperar, talvez até ultrapassando níveis anteriores. Mas, geralmente, era difícil dissipar completamente alegações uma vez espalhadas.

No dia seguinte, Ichinose fez exatamente o que dissera que faria. A escola emitiu um comunicado oficial afirmando que não havia atividade fraudulenta. Ela foi completamente liberada de suspeitas.

Algum tempo atrás, eu tinha percebido que Ichinose possuía bem mais de um milhão de pontos pessoais. Provavelmente, ela já havia acumulado ainda mais.


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