Ano 1 - Volume 6
Capítulo 3: A Classe C Entra em Movimento
ENQUANTO ISSO, em outra sala de aula, o clima estava frio e tenso. Os alunos da Classe C presentes pareciam extremamente intimidados pela pessoa que estava de pé no púlpito diante deles.
— Não acham que têm acontecido coisas bem estranhas? — ele perguntou.
Ryuen Kakeru era o líder — e ditador — da Classe C. Yamada Albert, Ishizaki e outros alunos habilidosos em artes marciais estavam ao seu lado. Todos dispostos a aplicar punição com os punhos caso alguém ousasse se opor.
— Não tem como tudo isso ter sido coincidência.
Ele falava como se estivesse conversando consigo mesmo, mas suas palavras ambíguas pareciam claramente direcionadas a alguém.
— Primeiro teve aquele exame na ilha desabitada, depois o festival esportivo. Tem alguém na Classe D que sabe pensar como eu.
— Alguém pensa como você, Ryuen-san? Não consigo imaginar alguém assim na Classe D — soltou Ishizaki. Para ele, Ryuen era um ser estranho e incompreensível, digno tanto de respeito quanto de medo.
Ryuen sorriu para Ishizaki.
— Eu também pensava assim. Mas não penso mais.
— Então os eventos na ilha e no festival esportivo estão ligados de alguma forma?
— Exatamente isso. Mas não se preocupem. Estou começando a entender como essa pessoa age. Escutem bem, todos vocês! Daqui pra frente, vamos atacar a Classe D com tudo o que temos. Vamos deixar as Classes A e B de lado por enquanto. Vou arrancar das sombras quem está agindo por trás na Classe D — declarou Ryuen.

Ninguém se opôs ao plano dele. Mesmo que quisessem, não poderiam. Já tinham feito um pacto com o próprio diabo.
— Ryuen-san, existe realmente alguém competente na Classe D além da Horikita ou do Hirata?
— Sim. E alguém da Classe C pode revelar a verdadeira identidade do mestre por trás dos panos.
Ryuen virou-se de Ishizaki e novamente encarou o resto da classe.
— O que você está tentando dizer, Ryuen? — perguntou Ibuki, cruzando os braços. Ela estava perto da janela, sua postura desafiadora.
— Heh. Ibuki, você não consegue nem ouvir em silêncio? — disse Ryuen.
— Não tenho esse luxo. Além disso, você só está tentando intimidar a classe inteira. Eu não ganho nada ficando calada, certo?
— Sabe, alguém sem autoridade não devia falar. E, além disso, você cometeu um erro bem vergonhoso, não foi? — retrucou Ryuen.
— Isso é… — Ela foi obrigada a engolir as palavras.
O fracasso de Ibuki no festival de esportes tinha sido significativo. Ryuen queria nada mais do que esmagar Horikita. Ibuki havia pedido para enfrentá-la diretamente, mas acabou derrotada por pouco.
— Como você, então? — rebateu Ibuki, lançando um olhar feroz. Aquela era sua única chance de resposta. — Quero dizer, você também falhou em esmagar a Horikita no festival de esportes, e não conseguiu os pontos privados que esperava. Você está na mesma que eu.
— Igual a você? Não me faça rir. Minha estratégia foi perfeita — disse Ryuen.
— Então como você explica o resultado? Você nunca explica nada. Sério que espera convencer a gente de que existe algum estrategista genial na Classe D? — provocou Ibuki.
Ao ouvir o contra-ataque de Ibuki, os outros estudantes tremeram. Queriam evitar a todo custo atrair a ira de Ryuen.
Mas Ryuen apenas sorriu de leve.
— Não acha que uma estratégia perfeita não serve de nada quando alguém vaza informações?
— Vazar informações?
— O sucesso da Classe D se deve às manobras de uma pessoa misteriosa que chamarei de "X". X tem um aliado na Classe C — na minha classe. Há um espião entre nós — declarou Ryuen.
Todos ficaram um pouco confusos. Os olhos de Ibuki se arregalaram.
— Espera… você tá falando sério?
— É a verdade. Parece que meu controle sobre vocês não é tão firme quanto eu pensava. Extremamente lamentável — disse Ryuen.
Ele sorriu como se realmente gostasse da possibilidade de estar sendo espionado.
Todos na sala começaram a rezar para que aquilo acabasse logo. Só queriam correr de volta aos dormitórios ou ir para seus clubes.
— Essa palhaçada vai acabar agora mesmo — disse Ryuen.
Ele bateu com força no púlpito, silenciando todos. Sem hesitar, declarou:
— Primeiro, vou perguntar diretamente. Quem me traiu, levante a mão.
Claro que ninguém levantou. Alguns desviaram o olhar, fingindo ignorância. Outros observaram os colegas ao redor, esperando que alguém se entregasse. Alguns permaneceram completamente imóveis, tentando não chamar atenção.
— Se se apresentar agora, eu perdoo — disse Ryuen.
O silêncio contínuo parecia diverti-lo.
— Isso. Eu sabia que o espião não viria para frente. Não apareça. Na verdade, fique escondido a todo custo.
Ninguém imaginou que ele instruiria o traidor da própria classe a permanecer oculto.
— Espera aí! Você não vai aceitar de verdade que tem um traidor na Classe C, vai?
— Cala a boca, Ibuki. Não atrapalhe a minha diversão. Se fizer isso, eu acabo com você.
O sorriso desapareceu, e sua expressão se contorceu num olhar ameaçador. Ele estava completamente sério.
Ryuen tratava homens e mulheres da mesma forma. Se considerasse alguém um incômodo, faria o que fosse necessário para eliminá-lo, fosse quem fosse.
— Na verdade, tentei não ser violento demais até agora. Você pode achar que estou mentindo, mas é verdade. Eu peguei leve com meus oponentes.
Ele bateu no púlpito duas vezes. BAM! BAM! Era como o toque de morte da classe.
— Mas talvez isso tenha sido tolice. Afinal, agora temos um traidor entre nós.
Ryuen bateu no púlpito mais uma vez. BAM! O som reverberou pela sala. Os alunos mais tímidos estremeceram.
— Então, vamos brincar um pouco. Um joguinho bobo, infantil, no qual tentamos encontrar o espião. Para a maioria de vocês, não há motivo para ter medo. Não deve demorar muito; só uns trinta minutos — disse Ryuen.
Apesar de insistir que todos deveriam se divertir, era óbvio que todos estavam aterrorizados. Até Ibuki começou a ficar apreensiva.
— Primeiro de tudo. Tirem os celulares e coloquem na mesa. Vou verificar pessoalmente. Se algum idiota não trouxe o celular, apareça agora. Essa pessoa é o culpada — ordenou Ryuen.
Os estudantes imediatamente colocaram os celulares sobre as mesas.
— Ótimo trabalho ouvindo direitinho — disse ele. — Isso ajuda bastante.
Ishizaki circulou pela sala recolhendo os aparelhos e colocando uma etiqueta com o nome do dono em cada um. As etiquetas pareciam ter sido preparadas antecipadamente. Ibuki entregou o seu com clara insatisfação.
— Ryuen-san, coletei todos os celulares — disse Ishizaki. — Os nossos também.
— Bom trabalho. Acho que está na hora de uma investigação completa, não acha?
— O que devemos verificar? O histórico de chamadas?
— Ora, como se alguém tentando esconder a identidade fosse fazer uma ligação incriminadora! Vejam os históricos de e-mail. Depois os de mensagens. Leiam tudo, até conversa boba. O traidor pode ter usado um apelido.
— E-Espera! Tem muitas mensagens bem pessoais no meu celular! — gritou uma garota, mais preocupada com sua privacidade do que com a possibilidade de ser suspeita.
— Você realmente não quer que eu leia o que tem no seu celular, Nishino?
— Claro que não! Mesmo se for você, Ryuen-kun!
— Não seja ridícula, Nishino. Você entregou seu celular pro Ryuen no navio, não entregou? — disse Ishizaki. — Por que agora está tão—?
— I-Isso é diferente! No navio ele só viu o e-mail que recebemos da escola!
Ryuen ouviu o apelo de Nishino com total indiferença. Durante as férias de verão, ele havia verificado os celulares de todos no navio. Mas, como Nishino disse, ele não viu nada pessoal; apenas confirmou as mensagens enviadas pela escola.
Parecia parecido, mas não era. Se alguém vasculhasse tudo no celular, fofocas sobre paixonites e desavenças se espalhariam rápido. Aquilo precisava permanecer privado.
— Você sabe que isso faz de você a principal suspeita, Nishino?
— E-Eu vou obedecer você, Ryuen-kun, mas tem coisas que eu não posso aceitar!
Nishino não era o tipo que discutia, mas dessa vez parecia séria de verdade. Ela acabara de admitir em voz alta que havia algo no celular que não queria que ninguém visse.
— Você é a espiã, Nishino? — perguntou Oda, representando todos que começavam a suspeitar dela.
— Não, eu não sou a espiã!
— Mas o fato de você estar escondendo algo é bem suspeito.
— Eu só quero proteger a minha privacidade!
Ryuen não demonstrou o menor interesse na conversa. Ele pegou um dos celulares.
— Este é o seu, Nishino?
— Ei! — Nishino entrou em pânico, certa de que ele começaria a ler suas mensagens. Mas Ryuen apenas entregou o celular dela a Ishizaki.
— Devolva pra ela.
— Tem certeza? Você não verificou nada.
— Eu disse pra devolver.
Ishizaki devolveu o celular em silêncio. Nishino — e todos os outros — estremeceram.
— Na verdade, não é nenhum mistério. Eu confirmei sua inocência, então devolvi seu celular. Isso é natural, certo? Se não é o celular do traidor, olhar o conteúdo seria perda de tempo e esforço — disse Ryuen. Ele ignorou o espanto de Nishino e continuou sem demonstrar qualquer emoção.
— Se alguém aqui acha que o que estou fazendo é inaceitável, como a Nishino disse, levante a mão. Porém, esteja preparado para ser ainda mais suspeito do que ela foi.
Nishino não teve o celular inspecionado, mas foi considerada inocente. Qualquer outro que tentasse fazer o mesmo provavelmente não teria tanta sorte. Basicamente, Ryuen estava dizendo para eles escolherem entre se tornarem suspeitos ou renunciarem à própria privacidade. Diante dessas opções, quatro garotas e dois garotos levantaram a mão, mesmo tremendo de medo.
— Seis pessoas enfrentando o Ryuen-san. O espião com certeza está entre elas, eu tenho certeza! Nomura-san, você foi o último a levantar a mão. Não está só entrando na onda para salvar a própria pele, né? — disse Ishizaki.
— Não, não é isso! Eu não tô fazendo isso! — gritou Nomura.
Enquanto Ishizaki disparava acusações, Ryuen exibia um sorriso inquietante.
— Me dê os celulares deles.
— Sim, senhor.
Ishizaki juntou os seis celulares e os entregou imediatamente a Ryuen.
— Então vocês estão dispostos a serem meus principais suspeitos, contanto que eu não mexa nos seus celulares? — perguntou Ryuen.
Os seis concordaram, embora cada um de maneira diferente.
— Você demorou bastante antes de levantar a mão, Nomura. Estava só esperando o momento certo?
— Hã? Não, eu não—
— Você estava olhando pros lados de forma bem suspeita. E está suando, hmm?
— Hã?!
Nomura tinha uma personalidade extremamente tímida, e parecia à beira de desmaiar. Ryuen deixou escapar uma risadinha divertida antes de se virar novamente para Ishizaki.
— Ishizaki. Esses seis são inocentes. Devolva os celulares.
Foi outro choque. Ninguém além de Ryuen entendia aquela lógica.
— Vai explicar o que está acontecendo? — perguntou Ibuki.
— Depois. — Ryuen passou a mão pelo cabelo e pegou o celular de Ibuki. — Agora, vamos investigar o resto dos celulares. Vou começar pelo seu, Ibuki.
— Faz o que quiser.
*
Ryuen verificou pessoalmente todos os celulares. O processo todo levou cerca de vinte minutos, não mais que um minuto para cada aparelho. Não havia como ter analisado tudo com profundidade. Mesmo assim, apesar das dúvidas, ninguém disse uma palavra.
Para o espião, cada segundo devia ser torturante.
— Entendo. Não parece haver nenhuma informação registrada nesses celulares.
— Então isso significa que algum dos que você considerou inocentes — como a Nishino — é o traidor, afinal — disse Ibuki.
— Não — respondeu Ryuen.
— O que você está tentando fazer aqui? Será que existe mesmo um espião? — perguntou Ibuki, ainda agitada.
No fundo, ela se perguntava se Ryuen não teria inventado toda essa história de traidor só para esconder seu próprio fracasso. Desde o teste da ilha, ele acreditava que havia alguém manipulando Horikita nos bastidores. Mas até agora, não havia surgido sequer uma evidência da existência desse suposto mestre estrategista. Na verdade, todo mundo focava apenas em Horikita Suzune.
— Evidências superam teorias — disse Ryuen. — Escutem. Imagino que vocês conheçam isso muito bem, hmm?
Ele reproduziu um arquivo de áudio que X havia enviado. A voz na gravação era a de Ryuen, explicando sua estratégia para a Classe C.
— Recebi essa gravação quando estava prestes a forçar Suzune a se ajoelhar — continuou Ryuen. — Esqueçam os pontos. Por causa disso, não pude ver Suzune implorar. Entenderam agora?
— Espera um minuto. Mesmo que a gente aceite que você não gravou isso sozinho, ainda tem coisas que precisa explicar. Nós nunca discutimos os detalhes de como fazer a Horikita se ajoelhar diante de você. Como é que essa outra pessoa conseguiu prever tudo, inclusive o horário em que você se encontraria com ela? Isso é impossível — disse Ibuki.
A conclusão dela era óbvia. Não apenas a estratégia havia vazado, como o horário planejado para o encontro com Horikita também.
— Foi coincidência. Uma simples questão de probabilidade. O melhor momento para esse alguém agir era logo após o fim do festival. Além disso, não acho que ele estivesse interessado em salvar Suzune — disse Ryuen.
— O que tá acontecendo…?
Ryuen havia analisado a mensagem em branco que recebera.
— X, o cérebro da Classe D, tinha esse arquivo de áudio. X claramente compreendia os detalhes da estratégia que eu criei. Se ele sabia de todos os meus planos, inclusive o vazamento da tabela de participações, então poderia ter frustrado meus ataques à Suzune no festival esportivo. Poderia ter impedido Suzune de ser esmagada e de ter que pedir desculpas. Mas não fez isso. Mesmo sabendo da minha estratégia, ele me deixou seguir com ela e deixou Suzune sofrer. Ela se machucou, ficou incapaz de continuar competindo e ainda teve que lidar com a culpa de ter ferido outra pessoa.
— Então, ao deixar você ir tão longe, essa pessoa transformou o arquivo de áudio em prova incriminadora? — perguntou Kaneda, um garoto de óculos e corte estilo cogumelo. Embora o plano de Ryuen fosse cheio de riscos, se tivesse dado errado, o áudio não seria considerado uma prova válida.
— Como você é perspicaz, Kaneda. Se minha estratégia tivesse funcionado, o arquivo de áudio teria significado. Seria uma prova irrefutável — disse Ryuen.
— Esse tal de X pensa de um jeito muito cruel. Ele simplesmente deixou que a amiga dele se machucasse.
— Sim. X não se importou nem um pouco que eu fizesse Suzune se ajoelhar. Por isso a mensagem dele não tinha texto algum. Acho que ele não poderia se importar menos se o orgulho da Suzune fosse ferido ou não — disse Ryuen.
— Eu não consigo entender isso — disse Ibuki. — Se eles são da mesma classe, não deveria ter protegido a Horikita desde o início?
Provavelmente os outros alunos compartilhavam do sentimento de Ibuki. X tivera diversas oportunidades: alterar a tabela de participação da Classe D para prever a estratégia da Classe C, ou enviar o áudio para Ryuen antes, impedindo-o de agir. Se X tivesse feito qualquer uma dessas coisas, Horikita não teria sido ferida.
— X não teria pensado em entregar o áudio para a escola?
Se alguém tinha acesso aos planos do inimigo com antecedência, era natural considerar usar essa informação para proteger os colegas. Se X tivesse enviado o arquivo para a escola depois que a Classe C colocasse o plano em prática, isso teria destruído a Classe C. Se a escola descobrisse que a Classe C havia mirado intencionalmente em Horikita e tentado extorquir pontos, provavelmente teria expulsado Ryuen.
No entanto, com outubro já pela metade, essa possibilidade praticamente havia desaparecido. Mesmo que alguém desenterrasse o caso agora, a investigação levaria tempo, dando à Classe C a chance de destruir provas e criar uma rota de fuga. Por que X teria feito tudo isso?
— A ingenuidade de X acabou nos salvando. Ou talvez ele simplesmente não esteja aproveitando todo o seu potencial. Se Horikita-shi tivesse concluído a transferência dos pontos privados para o Ryuen-shi, então X teria sido derrotado — concluiu Kaneda.
Se X tivesse obtido o áudio — com todas as informações sobre a estratégia da Classe C — antes do festival esportivo, deveria ter alcançado vitória total.
— Não, isso não está totalmente correto — disse Ryuuen. — Mesmo que Suzune tivesse entregue seus pontos privados, X poderia recuperá-los usando o áudio. Ele poderia nos ameaçar com a exposição, e isso bastaria.
— Então ele escolheu deliberadamente não nos ameaçar?
— Sim. X permitiu que eu fizesse Suzune se ajoelhar. Isso é diferente de ganhar ou perder pontos. É algo que não pode ser desfeito, entende? Estou dizendo que X está me deixando atormentar Suzune.
Em outras palavras, esse era o objetivo de X. Ele usou uma informação valiosa, obtida por meio de um espião, apenas para isso.
— Não entendi. Então X está ajudando a Classe C? — disse Ibuki.
Ao contrário de Ibuki, Ryuen compreendia perfeitamente o que X havia feito.
— Heh. Então você realmente não pretende se revelar, nem no final, hmm? — disse ele à Classe C.
Se Ryuen continuasse rastreando a origem do áudio, acabaria obrigando X a se expor. Poderia até contatar a escola e exigir registros de e-mail e chamadas. Com uma investigação aprofundada, provavelmente descobriria a identidade de X.
Além disso, Ryuen não sentia que X estivesse realmente obcecado em subir até a Classe A. Ganhar recursos não significava nada para ele.
— Bem, nos desviamos um pouco, então vou voltar ao assunto. Não sei qual método X usou, mas tenho certeza de que ele pensa como eu, e que alguém aqui está espionando para ele. Caso contrário, ele nunca teria conseguido aquele áudio. Porém, mesmo que eu descubra o espião, a identidade de X continuará escondida. Se o espião soubesse quem X é, estaria tudo acabado para X no momento em que eu o encontrasse. Eles podem ter trocado cartas escritas à mão, claro, mas isso é antiquado demais e ineficiente. Portanto, tenho certeza de que X usou e-mail ou algo semelhante para permanecer anônimo — disse Ryuen.
— Mas não havia nenhuma prova no celular de ninguém — disse Ibuki. — Você nem examinou direito.
— Claro que não. Aquilo foi só encenação.
— Hã? Mas você disse que descobriria o espião olhando nossos celulares.
— Use um pouco de bom senso. Se você fosse o espião, deixaria um e-mail suspeito no seu próprio celular?
— Bom… não. Por isso achei que checar os celulares era perda de tempo.
— Exato. Já era óbvio qual seria o resultado dessa investigação. Não seria estranho que alguém tivesse destruído provas. Mesmo que o espião não pensasse nisso, X provavelmente o instruiria a fazer. O espião é alguém que acreditou que parecer inocente bastaria ao entregar o celular. Portanto, aqueles que se recusaram a mostrar o celular são inocentes, enquanto o espião jamais teria assumido esse risco — disse Ryuen.
E foi exatamente por isso que Nishino e os outros que se recusaram a entregar o celular foram automaticamente descartados da lista de suspeitos. Se não eram espiões, não importava mesmo que fossem suspeitos. Tudo fazia parte da encenação — só possível graças àqueles que protestariam. Ryuen poderia ter checado os celulares de qualquer forma, mas isso teria colocado a classe inteira contra ele.
Ele apenas deu uma olhada superficial em cada aparelho e, essencialmente, deixou claro que não estava fuçando na vida privada de ninguém.
Em outras palavras, Ryuen não estava realmente procurando mensagens comprometedoras. Ele estava avaliando o quanto a classe o temia — e o quanto X influenciava o espião. E sua conclusão foi…
— Vou pedir para o espião se mostrar novamente.
Ryuen observou cada aluno individualmente, atento à linguagem corporal.
— Você está com medo desse tal X? Ou está com medo de mim? De qual dos dois deveria ter medo? Tem certeza de que não está cometendo um grande erro? Lembre-se do que aconteceu depois da cerimônia de entrada. Vocês viram o destino horrível de quem me enfrenta. Não é, Ishizaki?
— Sim…
Ishizaki começou a tremer. Albert, que permanecia calado ao lado de Ryuen, também reagiu levemente. Ambos — Ishizaki e Albert — resistiram a Ryuen no início. Na verdade, Ishizaki já havia lutado mais vezes do que Ryuen, e o físico de Albert o superava muito. Porém, a violência de Ryuen os havia colocado de joelhos.
— A violência é a força mais poderosa do mundo. Eu não cedo à autoridade. Mesmo que a escola tente me expulsar, vou matar o traidor antes que me expulsem. Entenderam? Se eu acabar expulso por causa disso, vou esmagar a vida do espião como quem esmaga um inseto.
Esse não era o estilo do ex-presidente Horikita nem do atual-presidente Nagumo. Ryuen empunhava sua insanidade como se fosse uma espada.
— Ainda estou disposto a aceitar a confissão do traidor. Porém, esta é sua última chance. Se vier até mim agora e admitir sinceramente o que fez, prometo perdoar e esquecer. Também juro que não vou deixar seus colegas te atormentarem. Como eu disse desde o início: se acreditarem em mim, vou levar todos nós até a Classe A. Enquanto seguirem comigo, eu protegerei vocês.
Ryuen desceu do palanque, lançando o olhar sobre cada um de seus colegas. Em vez de falar com uma pessoa específica, parecia dirigir aquele discurso a todos.
— Vocês entendem o que significa me deixar irritado?
Ele observou cada um nos olhos, um por um. Aquilo era, de longe, o método mais simples para descobrir o traidor. Ryuen parou ao lado de uma das alunas, ficando bem na frente dela. Claro, não era aleatório. Ele a mirava desde o início.
— O que foi? Não consegue me encarar?
— A-Ah… eu… — A respiração dela estava irregular. Parecia tão apavorada que parecia prestes a chorar.
— Heh. É você, não é, Manabe? Você é a traidora.
A maioria dos alunos ficou atônita.
— Não tenha medo, Manabe. Embora você não tenha dado a cara e confessado, eu sabia desde o começo que era você. Você estava pálida, parecia estampado no seu rosto. Não tinha como esconder.
Ryuen afastou os cabelos de Manabe e acariciou seu rosto. Ela começou a tremer.
— E-Eu… eu sinto muito. E-Eu—
— Não se preocupe. Eu a perdoo. Vou lidar com isso com tolerância e magnanimidade. Agora, me conte. Hm? Diga quem é esse tal X.
Ryuen então desviou o olhar de Manabe Shiho e fixou sua expressão afiada em suas amigas, Yabu Nanami e Yamashita Saki.
*
Depois que Ryuen terminou de pressionar todo mundo, liberou a Classe C e esvaziou a sala. Ficaram apenas ele, Ishizaki, Kaneda, Ibuki e as três espiãs.
— Vocês sabem quem deu as instruções?
Manabe e as amigas negaram.
— Próxima pergunta. Por que traíram a Classe C? Falem.
— Isso é—
— Não adianta esconder. Se ficarem caladas agora, amanhã não considerarei vocês minhas colegas. De hoje em diante, serão tratadas como vermes. Para sempre.
Manabe e suas amigas não tiveram escolha a não ser falar a verdade.
— V-Você conhece uma garota chamada Karuizawa Kei, da Classe D?
— Só o nome e o rosto. Ela não é a namorada do Hirata?
— Ela… bem… finge ser forte, mas… parece que sofria bullying há muito tempo.
— Oh?
— A Karuizawa tratou a Rika muito mal, então pensamos em dar o troco…
Manabe contou a Ryuen o que havia acontecido no navio de cruzeiro. Revelou toda a verdade: que estiveram no mesmo grupo que Karuizawa, e também sobre o passado dela. As espiãs até relataram tudo o que fizeram com Karuizawa.
Manabe disse que começou a espionar porque havia recebido ameaças de que isso seria exposto — o que significaria suspensão, ou pior, para ela e suas amigas. Naturalmente, também haviam recebido uma bronca monumental de Ryuen. Segundo Manabe, tudo foi por necessidade, para evitar enfrentar a escola… e Ryuen.
— Entendo. Parece que vocês tiveram momentos bem divertidos.
— Que raios? Você é idiota? — resmungou Ibuki. — Se foram ameaçadas por alguém que nem conhecem, as coisas podem piorar ainda mais.
— Ah, Ibuki. Quando humanos são encurralados, tornam-se criaturas tão fracas — disse Ryuen, sem repreender mais as garotas. — Agora, a pergunta importante: havia mais alguém lá quando vocês estavam intimidando a Karuizawa?
Manabe e as amigas assentiram.
— Na época, Yukimura-kun e Ayanokoji-kun, da Classe D, nos viram.
Elas forneceram dois nomes.
— Depois, alguém mandou uma foto. Era uma imagem nossa com a Karuizawa.
— Entendo — disse Ryuen. — Já imaginava que havia algum tipo de chantagem. Então alguém tirou a foto, hein? Onde está?
— E-Eu apaguei. Se alguém visse aquilo, nós…
— Compreendo perfeitamente.
— Então quer dizer que é o Yukimura-shi ou o Ayanokoji-shi, certo? — perguntou Kaneda, que ouvira tudo em silêncio. Ele era um dos poucos que Ryuen considerava realmente úteis na classe.
— Espera aí, Ryuen. Eu não conheço muito bem esse tal de Yukimura, mas não consigo imaginar o Ayanokoji puxando as cordas. Sério. Já encontrei com ele, e ele não parece esse tipo.
— Bom, acho que o Yukimura parece mais suspeito. Ele parece bem inteligente — acrescentou Ishizaki, tentando ajudar.
— Podemos afirmar isso com certeza? Ayanokoji-shi está sempre com Horikita-shi, não está? Além disso, ele escondeu suas habilidades físicas até o festival esportivo. Acho que ele é até mais suspeito — disse Kaneda.
— Eu acho ambos irrelevantes. Ayanokoji só é rápido, e Yukimura só é bom nos estudos, né? O mestre por trás de tudo precisaria ser mais do que isso.
— Então quem mais poderia ser?
— Há outras pessoas competentes na Classe D. Como o Hirata.
— Ele? Não consigo imaginar que seja esse tipo de pessoa.
Ryuen exibiu um sorriso fino enquanto seus colegas continuavam discutindo. Então, SLAM! Ele bateu o punho no púlpito e soltou uma risada sinistra.
— Calem a boca.
Um silêncio assustado tomou a sala.
— Eu pedi a opinião de vocês? Eu vou encontrar o manipulador da Classe D. Vocês não passam de peões. Agora, os fatos dizem que apenas Yukimura ou Ayanokoji poderiam ter tirado aquela foto. Mas concluir que um deles é o mestre só por isso? Não. Eles também podem ser apenas peões agindo sob ordens de alguém.
Foi aí que as coisas ficaram complicadas. Um deles — ou talvez ambos — poderia ter tirado a foto com a intenção de chantagear a Classe C e, depois, pedido a opinião do verdadeiro estrategista sobre o assunto.
— Mas, Ryuen-shi, não deveríamos desconfiar especialmente de Ayanokoji-shi? — perguntou Kaneda, mesmo totalmente preparado para provocar a ira de Ryuen.
— Concordo — disse Ryuen.
Desde o início, ele sentira que havia algo estranho em relação a Ayanokoji, principalmente por causa de sua conexão com Horikita Suzune. No entanto, se Ayanokoji fosse o mentor e estivesse próximo de Horikita desde o começo, jamais teria permitido que ela fosse ferida.
— Então está dizendo que o verdadeiro cérebro está bem debaixo dos nossos narizes? Difícil de engolir — disse Ibuki. A situação parecia sem saída.
— Que tal tentarmos usá-lo? — sugeriu Ryuen.
Eles já tinham chegado tão longe; fazia sentido avançar ainda mais. Ryuen então fez seu próximo movimento e enviou uma mensagem de texto.
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