Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 6

Capítulo 1: A Classe D em Transformação

O FESTIVAL ESPORTIVO havia terminado. Era meados de outubro, e o clima começava a esfriar. O conselho estudantil realizou uma eleição, seguida por uma cerimônia para homenagear os membros que deixavam seus cargos e empossar os novos. Foi um evento de grande importância, com todo o corpo estudantil reunido no ginásio, mas a maioria dos alunos do primeiro ano não poderia se importar menos. Quase cochilaram durante toda a cerimônia, controlando até a respiração para que os professores e veteranos não notassem.

— O presidente Horikita gostaria de compartilhar algumas palavras finais com todos vocês.

O moderador recuou enquanto Horikita Manabu caminhava lentamente até o palco e se aproximava do microfone. Antes, a jovem Horikita teria encolhido ao ver o irmão. Agora, ela permanecia firme, observando-o deixar sua posição para que o novo presidente assumisse.

— Estou muito orgulhoso por ter liderado o conselho estudantil por quase dois anos. Também sou bastante grato. Muito obrigado a todos — disse o irmão Horikita. Seu discurso foi breve e sem emoção, transmitido como um dever solene, e ele retornou ao seu lugar assim que terminou.

A cerimônia, contudo, não havia terminado. Os demais membros do conselho permaneciam no palco, com postura rígida.

— Presidente Horikita, agradecemos todo o seu trabalho. Agora gostaríamos de chamar Nagumo Miyabi, do segundo ano, Classe A, e próximo presidente do conselho estudantil, para dizer algumas palavras.

Nagumo entrou no palco e se posicionou diante do microfone. Ichinose, do primeiro ano, estava entre os membros do conselho que o observavam atentamente.

— Olá. Sou Nagumo, do segundo ano, Classe A. Presidente do Conselho Estudantil Horikita, agradeço sinceramente pela orientação severa, mas gentil, que me ofereceu. De verdade, muito obrigado. Gostaria de expressar meu respeito, além de enfatizar o quão honrado fui por servir ao lado do presidente mais capaz da história desta escola. O senhor demonstrou a liderança mais forte possível.

Nagumo inclinou a cabeça profundamente em direção ao irmão de Horikita. Depois, voltou-se novamente para o corpo estudantil.

— Permitam-me apresentar-me mais uma vez. Meu nome é Nagumo Miyabi, e assumirei o cargo de presidente do conselho estudantil da Tokyo Metropolitan Advanced Nurturing High School. Espero sinceramente trabalhar com todos vocês.

Ele havia agido de forma enigmática durante o festival esportivo. Agora, mostrava-se o retrato da polidez. Entretanto, essa cortesia não durou muito. Um sorriso pequeno e sutil surgiu em seu rosto, e a atmosfera mudou quase imediatamente.

— Talvez seja repentino, mas, como minha primeira medida, anuncio que pretendo alterar a duração do mandato dos membros do conselho estudantil, assim como o método geral de eleição. O antigo presidente realizava as eleições gerais em outubro, em vez de dezembro. Esse arranjo, que permitia que a próxima geração assumisse mais cedo, teve resultados mistos. Portanto, o novo conselho estudantil decidiu que é hora de ir além. A partir de agora, o presidente e os membros do conselho terão mandatos indefinidos enquanto estiverem na escola, podendo servir continuamente até a formatura. Ao mesmo tempo, anularemos tanto o atual sistema de eleições quanto qualquer restrição ao tamanho do conselho. Novos membros serão aceitos constantemente. Em outras palavras, qualquer candidato excelente poderá se juntar ao conselho, independentemente do número atual de membros. Além disso, se alguém for considerado inapto para o cargo, poderá ser removido por votação majoritária. Confirmo isso aqui, diante de todos os alunos, professores e membros do conselho que serviram sob o antigo presidente. Para levar esta escola ao futuro, pretendo destruir completamente o passado. Isso inclui antigas noções de como uma escola deve funcionar, mantidas pelos conselhos anteriores.

Nagumo falava com força, como se suas palavras negassem tudo o que o antigo presidente — ainda parado atrás dele — havia conquistado.

— Queria implementar essas mudanças imediatamente. Infelizmente, um presidente recém-eleito precisa lidar com muitas obrigações e restrições. — Nagumo lançou um olhar para Horikita, depois voltou-se ao público. — Uma revolução está chegando. Alunos com habilidade real subirão ao topo, e alunos sem nenhuma cairão. Pretendo transformar esta escola em uma verdadeira meritocracia, então, por favor, deem tudo de si. Estou ansioso para ver o que vocês podem fazer.

O ginásio inteiro permaneceu silencioso durante o anúncio, mas, assim que ele terminou, quase todos os alunos do segundo ano gritaram de empolgação. Aparentemente, havia algum tipo de tensão entre os alunos do segundo e do terceiro ano que nós, do primeiro, desconhecíamos. Pelo menos, foi isso que pude deduzir do evento.

*

 

O segundo semestre continuou. Meu entorno mudou pouco a pouco. A Classe D havia passado por grandes eventos, como a ilha desabitada e o festival esportivo, e, devagar porém firmemente, começávamos a nos unir como classe. Os círculos de amizade se expandiam, e, logo, pessoas que nunca se deram bem passaram a conviver de maneira harmoniosa. Nossos colegas também começaram a mostrar uma melhora acadêmica notável.

Até mesmo nosso problemático, Sudou, estava mudando para melhor. Antes do festival esportivo, ele dormia nas aulas como se não fosse nada. Costumava acordar tarde, chegar atrasado e conversar durante as explicações. Agora, comparecia direito e até fazia anotações, provavelmente porque Horikita o monitorava depois das aulas. Ele ainda ficava sonolento às vezes, mas isso provavelmente vinha dos treinos intensos no clube de basquete.

Ele também havia diminuído o mau trato com Ike e Yamauchi. Provavelmente não queria que Horikita o considerasse um bruto caso voltasse a explodir. Eu entendia perfeitamente por que ele estaria tão motivado a mudar.

Então, Sudou estava amadurecendo, e a opinião das pessoas sobre ele melhorava. No entanto, ele não era o único que estava mudando. Eu percebia isso em mim também.

Se isso era bom ou ruim, ainda não sabia.

— Está sozinho? — alguém perguntou, tirando-me dos meus pensamentos.

— É errado estar sozinho? — respondi. Horikita pareceu soltar uma pequena risada.

— Seus queridos amigos Ike-kun e Yamauchi-kun não têm te chamado muito ultimamente, não é?

Era hora do almoço. Ike e Yamauchi tinham saído da sala com o Professor, seguindo rumo ao Keyaki Mall. Eu acreditava ter mantido uma calma budista, mas Horikita aparentemente enxergou através disso. Sim, essa provavelmente era uma das mudanças pelas quais eu estava passando. Depois do festival esportivo, meus dois amigos mais próximos haviam me convidado para sair muito menos. Na verdade, era mais como se tivessem me cortado completamente.

— Não é nada surpreendente — disse Horikita. — Eles pensavam que todos vocês estavam no mesmo barco de alunos terríveis. Então descobriram que você estava escondendo uma habilidade física notável.

— Que habilidade física notável? Eu só corro meio rápido, só isso.

— Muito rápido, especialmente para um estudante. E mais: ah, eles provavelmente também perceberam que você teve uma pontuação bem acima da média no teste de força de preensão. Você entende, não é? As pessoas tendem a ressentir, de forma quase instintiva, aqueles que se destacam. No seu caso, porém, elas se ressentem porque você escondeu o seu talento.

Ela não precisava me dizer essas coisas. Eu entendia isso até certo ponto, embora fosse difícil identificar exatamente em que eu me destacava. Para mim, "correr meio rápido" parecia a verdade.

Horikita suspirou.

— Bem, aproveite sua vida de solidão.

Com esse comentário sarcástico, ela se afastou, seu longo cabelo balançando enquanto saía da sala. Mesmo que, na maior parte do tempo, ela também estivesse sozinha, sua postura digna merecia pelo menos um pouco de respeito.

Assim que Horikita saiu, Karuizawa — que ainda estava na sala — lançou um olhar estranho na minha direção. Porém, quando nossos olhos se encontraram, ela desviou imediatamente, como se nada tivesse acontecido. Havia claramente algum significado naquele olhar, mas ela apenas se levantou e saiu logo atrás de Horikita.

A saia curta e ondulante de Karuizawa chamou minha atenção. Era um pouco mais curta que a das outras estudantes. Em casos assim, um ou dois centímetros faziam toda a diferença.

— O que ela…? Ah, tanto faz — murmurei para mim mesmo.

— Ei, Ayanokoji-kun.

Eu não sabia o primeiro nome de Satou. Ela era do mesmo tipo de gyaru estilosa que Karuizawa. Se dava bem com Ike e Yamauchi, e até comigo quando participava do nosso grupo de mensagens, mas no dia a dia quase nunca conversávamos. Parecia que Satou queria ter a mesma influência social que Kushida, mas não era tão popular entre os garotos.

Ainda assim, Ike a descrevia como "o tipo de garota que está acostumada a andar com caras" — com certeza baseado apenas na aparência. Tive a impressão de que ele já a havia rejeitado. Os sentimentos de um homem são complicados, acho.

No momento, porém, Satou parecia ter esperado até eu ficar sozinho. Ela olhou ao redor, ansiosa.

— Você precisa de alguma coisa? — perguntei. Não havia muito mais que eu pudesse dizer, considerando quão estranha aquela situação era.

— Ah, sim. Várias coisas, eu acho — ela desviou da pergunta. Eu não fazia ideia do que ela queria. Eu sabia pouco demais sobre ela. — Bom, é o seguinte. Posso te "pegar emprestado" um pouquinho? Quero conversar.

Aquilo era estranho. Armeiro-me internamente e fiquei alerta. Era mais fácil reunir coragem para aceitar o pedido dela do que reunir coragem para recusá-lo.

— Bem, é que… — começou Satou. — Tudo bem fazermos isso em outro lugar?

Antes que eu respondesse, ela se levantou e saiu da sala. Parecia acreditar que eu iria segui-la sem questionar.

Eu a segui. Quando saí, Sakura fez um som, como se quisesse dizer algo.

— Ah…

Mas nenhuma palavra saiu. E ela não veio atrás de mim.

Satou e eu caminhamos até o corredor que levava ao ginásio. Depois do almoço, aquele local provavelmente estaria cheio, com alunos treinando ou brincando, mas no momento, enquanto todos comiam, estava completamente vazio. O lugar ideal para uma conversa privada. Ela claramente não queria testemunhas.

Satou parou de repente e olhou por cima do ombro.

— Vou te fazer uma pergunta estranha… Ayanokoji-kun, você está saindo com alguém?

— Hã… como assim? — perguntei.

— Como assim "como assim"? Estou perguntando se você tem namorada. Tem?

Era uma pergunta de sim ou não. Eu teria que dizer que não. Embora admitir isso revelasse o quão impopular eu era, não podia mentir.

— Não tenho.

— Hmm. Entendi. Bem, isso significa que você está procurando uma namorada agora?

Ela não perguntou de forma zombeteira, nem por pena. Na verdade, tinha um sorriso leve, como se estivesse feliz. Comecei a entender para onde aquela conversa se encaminhava. Isso era uma armadilha? Ela queria me ferrar? Olhei ao redor, mas não vi ninguém espiando, vermelho de vergonha, atrás de alguma parede. Ninguém havia nos seguido.

Se esse era o caso, então significava que a própria Satou — ou alguma amiga dela — achava que eu poderia ser um bom namorado. Por que o interesse repentino? Talvez isso tivesse a ver com o que Horikita disse sobre eu ser rápido?

— Se você não se importar em começar como amigos, então… bem, que tal trocarmos números? — perguntou Satou.

Ao que parecia, não era uma amiga de Satou que queria meu número — era a própria Satou. Isso era… bem, quase uma confissão romântica. Eu nunca imaginei que receberia um pedido desses de uma garota, mas também não conseguia pensar em um motivo para recusar.

— Certo — respondi. — Tudo bem.

Quanto a namorar… bem, essa seria uma conversa para muito, muito mais tarde. Por agora, apenas trocar números já era mais do que eu poderia ter sonhado.

— Ok. Beleza.

Assim que registrei o número de Satou, a mensagem "cadastro concluído" apareceu na tela do meu celular. Ter mais meninas na minha lista de contatos era incrível. Depois de salvar o número dela, um estranho silêncio tranquilo se instalou entre nós.

— Pode parecer meio direto, mas… por que você quis meu número de repente? — perguntei.

Satou corou e desviou o olhar.

— Por quê? Bem… é que… no festival esportivo, na corrida de revezamento… você ficou tão incrivelmente legal, Ayanokoji-kun. É só que… eu nunca tinha reparado em você antes, mesmo você estando sempre por perto… como se você não estivesse no meu radar. Eu achava que o melhor cara da classe era, sei lá, o Hirata-kun. Mas, como ele é o namorado da Karuizawa-san, não tem nada que eu possa fazer, né?

Ela ergueu os olhos novamente, quase em pânico.

— A-Ah, não estou dizendo que você é pior que o Hirata-kun nem nada disso, Ayanokoji-kun! Pra ser sincera… depois de olhar direito pra você, percebi que você é até mais legal que o Hirata-kun, e mais maduro, e mais gentil também. E-E-Então… isso…

Não ouvi o fim da frase, porque Satou virou e correu como o vento. Devia estar tomada pela vergonha. Fiquei parado, sem conseguir compreender totalmente o que tinha acabado de acontecer.

Eu tinha recebido algo próximo a uma confissão amorosa — de uma pessoa inesperada, em um momento inesperado, em um lugar completamente inesperado. Ninguém pode prever o futuro, claro, mas isso… isso eu jamais imaginaria. O que eu deveria fazer agora? Eu não sentia nada por Satou — nem bom, nem ruim. Para mim, ela era apenas uma colega de classe, nada mais. Então… será que eu deveria tê-la recusado?

Por outro lado, Satou não havia dito que queria namorar comigo, nem que gostava de mim. Ela apenas perguntou se eu tinha namorada e se podíamos trocar números. Também disse que queria "começar como amigos". Se eu a recusasse, ela poderia simplesmente dizer que eu entendi tudo errado. Seria vergonhoso.

Observar um romance como espectador era uma coisa; ser alvo de uma confissão era algo completamente diferente. Agora entendo como Sakura se sentiu quando Yamauchi disse que gostava dela.

Enquanto voltava para o prédio, ainda confuso, esbarrei em Katsuragi e Yahiko, da Classe A. Eu planejava apenas passar direto, mas Katsuragi parou e disse a Yahiko:

— Desculpe, vá na frente. Tenho algo para discutir com Ayanokoji.

Yahiko ergueu a guarda por um instante, mas logo assentiu e obedeceu ao comando de Katsuragi.

— Horikita não está com você — disse Katsuragi.

— Não somos grudados — respondi. Conversar com garotos era bem mais fácil do que conversar com garotas. Eu me sentia um idiota por ter tanta dificuldade em fazer amigos.

— Suponho que não. Só queria dizer que fiquei surpreso com sua performance no revezamento final do festival esportivo. Duvido que alguém esperasse aquilo — comentou ele.

— A Classe D não vai ser perdedora para sempre — respondi.

— Talvez. Mas a maioria dos seus colegas também parecia surpresos. A menos que todos sejam atores talentosos, parece que poucos sabiam o quão rápido você era.

Em meio a todo aquele caos, Katsuragi tinha me observado com atenção. Ele fazia isso com todas as classes; era minucioso assim.

— Imagine o que quiser — respondi.

— Não importa. Eu já imaginava que não tiraria muito de você.

— Achou que conseguiria só um pouquinho de informação do inimigo? Ou está dizendo que a Classe A nunca verá a Classe D como uma ameaça? — perguntei.

Katsuragi pareceu um pouco incomodado. Deu alguns passos à frente e olhou pela janela.

— Tenho problemas demais agora. Simplesmente não posso me dar ao luxo de focar em outras classes — disse.

— Mas você disse à Horikita para tomar cuidado com o Ryuen.

Eu só mencionava o que sabia diretamente.

— Ele faz qualquer coisa para vencer, sem se importar com a aparência ou consequências. Ele realmente segue aquela filosofia de "vale tudo". Mesmo que isso signifique recorrer à chantagem ou violência.

Ryuen não era o único de quem Katsuragi tinha receio. Ele também precisava ter cuidado com Sakayanagi Arisu, outra força da Classe A, mas eu não pretendia tocar nesse assunto. Sakayanagi era uma estudante misteriosa que me conhecia. Se eu mexesse nesse vespeiro, poderia acabar me prejudicando.

— Chantagem e violência, hein? Parece que o Ryuen estaria encrencado se a escola descobrisse.

— Ele é uma pessoa inteligente — respondeu Katsuragi. — Por favor, avise a Horikita para não subestimá-lo. Eu entendo por que você pode não confiar em mim, mas Ryuen é inimigo de todos.

Em outras palavras, a Classe C estava lutando contra todas as outras. Eu entendia isso, mas havia evidências de que Katsuragi tinha se aliado ao Ryuen em algum momento. Eu não tinha certeza se podia confiar nele, e parecia que Katsuragi percebia isso.

— Você não acredita em mim?

Decidi insistir mais um pouco.

— Para ser honesto, não sei se acredito. Nem sei se deveria contar à Horikita o que você disse. Não posso revelar minha fonte, mas há rumores de que você trabalhou com o Ryuen. Isso é mentira?

— Onde você ouviu isso? Bem, suponho que isso não importa.

Parecia que Katsuragi já tinha chegado à sua resposta; ele continuou falando sem perder a compostura.

— Eu me arrependo. Mesmo tendo sentido que não tinha outra escolha na época, eu nunca deveria ter me envolvido com o Ryuen. É exatamente por isso que estou avisando você.

Eu não sabia o que ele tinha colhido ou sofrido por causa disso, mas parecia falar por experiência própria. Embora eu não pudesse ter certeza da veracidade da história, suas palavras eram estranhamente persuasivas.

— Eu deveria ter percebido os riscos de me aliar a ele.

— Então, você quer unir forças contra o Ryuen? — perguntei.

Katsuragi riu baixinho para si mesmo. Ele parecia tenso, então fiz outra pergunta.

— Eu entendo que você esteja cauteloso com o Ryuen, mas isso não é principalmente um problema da Classe A e da Classe B? Eu vi o total de pontos das classes em outubro — falei.

Katsuragi franziu os lábios. Parecia um ponto sensível para ele. Após o exame da ilha desabitada, a Classe A viu seus pontos subirem para 1.124. Porém, eles caíram no exame especial no navio de cruzeiro. Depois do festival esportivo, estavam com 874. A Classe B estava se aproximando com 753 pontos. Além disso, a Classe C tinha 542. A Classe D, 262. No momento, a situação era crítica para a Classe A.

— Admito que estamos em uma situação ruim. Eu não entendia como a escola funcionava, e a minha incapacidade de compreender o sistema de pontos não ajudou — respondeu. Naturalmente, ele não tocou no assunto Sakayanagi.

Ainda assim, ele tinha razão. O sistema de pontos era um problema. Parecia simples à primeira vista, mas havia camadas estranhamente nebulosas em seu funcionamento. A escola era particularmente rígida com faltas, atrasos e mau comportamento em sala; a Classe D tinha sofrido bastante com isso. Em um mês, nossa classe perdeu todos os pontos iniciais. A lembrança ainda me assombrava. Os alunos agora levavam as aulas mais a sério, mas eu duvidava que as penalidades tivessem sumido. Certamente continuavam tão importantes quanto antes.

— Eu frequentei uma escola secundária comum antes de entrar aqui. Isso é completamente diferente de qualquer ensino médio que eu pudesse imaginar. — Katsuragi cruzou os braços, insatisfeito. — A escola funciona com um sistema misterioso e incompreensível, que muitos alunos têm dificuldade em entender. Tenho sido muito lembrado disso ultimamente. Alunos do mesmo ano deveriam se dar bem, não serem hostis uns com os outros.

A escola realmente prosperava com a competição. A animosidade entre as classes podia aumentar a coesão interna, mas, bem, apenas a Classe B parecia estar em paz no momento. Vários estudantes da Classe D minavam nossa unidade, e a Classe C era uma ditadura. E a Classe A, atualmente dividida entre duas facções em conflito pelo poder.

— Você não está preocupado, Ayanokoji?

— Sinceramente, não. Não posso julgar se a escola é boa ou ruim baseado no modo único como funciona. Este lugar é fascinante, na verdade. É quase inspirador. Com certo esforço, não precisamos nos preocupar com necessidades como comida, roupas e moradia, e podemos usar nossos pontos para aproveitar a vida. As instalações oferecidas são mais do que satisfatórias, então não tenho reclamações — respondi.

Provavelmente todos sentiam o mesmo. A maioria das pessoas aceitava esse sistema de braços abertos, exceto algum excêntrico que gostasse da ideia de viver sozinho nas montanhas como um eremita, livre de desejos mundanos. Katsuragi não conseguiu fazer uma réplica.

— Concordo. Se algo, o ambiente que nos proporcionam é perfeito demais. Não consigo imaginar que seja bom tratar adolescentes assim. Enfim, voltando ao assunto: por favor, avise a Horikita sobre o Ryuen.

Depois de receber o conselho daquele homem taciturno, prometi que avisaria. Ryuen era certamente inimigo da Classe D.

— Você também quer viver em paz, hein? Nossos problemas nunca acabam — murmurei.

*

 

Naquela noite, Karuizawa me ligou enquanto eu descansava no meu quarto. Mesmo tendo acabado de trocar informações com ela, ainda me pegou de surpresa. Assim que atendi, ela foi direto ao ponto.

— Tenho algo para te perguntar.

— Se eu puder responder, claro.

— A Satou-san se declarou para você, não foi? — Aquilo me pegou completamente desprevenido. Como Karuizawa sabia?

— Muitas garotas da classe já sabem, só para você saber.

— Meu Deus. Garotas adolescentes são mais rápidas que a internet. Qual é a sua fonte? — perguntei.

— Como assim, "qual"? A própria Satou-san disse. Ela me contou antes que iria se declarar — respondeu Karuizawa.

Era tipo... tráfico de informação privilegiada? Não, tinha algo estranho nisso.

— Foi por isso que você olhou para mim hoje à tarde?

— Você percebeu?

— Não deveria importar quem se declara para quem. Por que prestar atenção nisso? — perguntei.

— Porque é assim que as garotas são. Seria um saco competir depois que tudo já aconteceu, certo?

Era como querer escrever seu nome nas suas coisas? Garotos faziam coisas parecidas, embora não do mesmo jeito. Mesmo assim, não fazia sentido.

— Não é uma competição — falei. — Mesmo que todas gostem da mesma pessoa, não dá na mesma? Por que se importar com quem declara primeiro?

— É totalmente diferente. As pessoas vão ficar super incomodadas se você simplesmente anunciar que está namorando alguém. Vai te deixar com uma imagem patética. Enfim, não ligo muito para isso. Tanto faz. O que eu quero agora é a sua resposta — disse ela.

Como se isso já não fosse suficientemente estressante.

— Minha resposta para ela não tem nada a ver com você.

— Bom, acho que isso é verdade. Mas não é como se não tivesse nada a ver comigo, né? Quer dizer, você me ameaçou. Me fez fazer todo tipo de coisa por você. A rede de informações das garotas é enorme, e eu não quero um monte de rumores circulando por aí. Cada vez que eu me envolvo em algo por sua causa, eu corro risco. Entende?

Em outras palavras, Karuizawa queria garantir que eu não fosse contar nada sobre ela para Satou, caso Satou e eu começássemos a namorar. Ou talvez estivesse com medo de que eu deixasse de protegê-la se começasse a me importar só com Satou. Isso claramente a incomodava, mas ainda assim eu sentia que havia algo mais. Karuizawa era uma pessoa lógica, ao contrário da impressão que transmitia; ainda assim, desta vez ela estava forçando demais.

— Bem, você não precisa se preocupar com isso — falei.

— Isso quer dizer que você está pensando em sair com ela?

— Eu não disse isso.

— Mas está, sim. Você não disse que rejeitou ela. Eca! Estou te vendo por completo. Você está feliz porque a Satou se declarou pra você, e agora vai ficar aí imaginando um monte de besteiras pervertidas. Garotos são tão nojentos — disse ela.

Isso era absurdo. Karuizawa estava agindo como um pai dizendo que o filho vai virar atleta olímpico só porque ganhou um torneiozinho escolar.

— Bem, mesmo que garotos sejam pervertidos, eu não tenho nenhum sentimento pela Satou — respondi.

— Então tá. Prove. Qual é o seu motivo para recusar ela? — perguntou.

— Provar o quê? Ela nem se declarou pra mim. Só disse que queria começar como amiga, e nós trocamos números.

— Entendi. Então foi assim.

Por que eu tinha que falar disso com a Karuizawa? Era incrivelmente constrangedor.

— Eu não precisei responder a uma confissão. Acabou simplesmente com a troca de contato.

— Hmm. Bom, acho que podemos deixar isso assim por hoje — ela disse.

Karuizawa estava agindo como uma mestra-espiã condescendente. Aproveitando que eu já a tinha ao telefone, decidi confirmar algo.

— A Manabe e aquelas outras garotas da Classe C não tentaram nada com você desde o navio de cruzeiro, né?

— Não. Tá tudo bem, pelo menos por enquanto — a voz de Karuizawa ficou baixa. Ela não queria lembrar daquele incidente.

— Eu já tomei algumas medidas preventivas, mas se algo acontecer, me avise imediatamente. Mesmo que digam para você não contar nada. Eu vou garantir que seja resolvido — falei.

Ouvi Karuizawa prender a respiração do outro lado. Será que eu tinha sido ousado demais?

— Entendi. Sei que, se eu não for útil para você, vai ser ruim pra mim — respondeu ela.

Para sobreviver nessa escola, Karuizawa precisava manter sua posição social atual. Para isso, tinha que esconder a verdade sobre seu passado. Manabe e as outras não conheciam essa verdade. O problema era o Ryuen, que manipulava tudo por trás dos bastidores. Eu provavelmente teria que enfrentá-lo em algum momento — e esse momento parecia estar chegando.

— Enfim, voltando ao assunto de antes. O que você pretende fazer sobre a Satou-san? Já que vocês trocaram números, é possível que as coisas avancem, certo? — perguntou ela.

— Vou esperar. Quero dizer... eu não conheço a Satou. Ela pode nem me ligar.

— Então, se a Satou-san for atrás de você ou grudar em você, você vai dispensar ela?

— O que você quer dizer com "dispensar"? Tudo que fizemos foi trocar números. Não é como se eu fosse pegar o telefone e chamar ela pra sair.

Eu não tinha coragem para convidar Satou para um encontro, muito menos fazer uma confissão romântica.

— Suponho que sim — Karuizawa pareceu aliviada.

— Karuizawa.

— Que foi?

Não sabia se a alcançaria antes de desligar, mas ela respondeu quando chamei seu nome.

— Certifique-se de apagar o registro das nossas chamadas do seu celular.

— Sim, eu já faço isso. E-mails também.

— Como esperado — Karuizawa sabia se cuidar.

— Se for só isso, vou desligar — disse ela.

— Claro.

Com isso, a ligação terminou.

Para ser honesto, eu queria dizer mais uma coisa, mas decidi não fazê-lo. Falar sobre o que estava por vir só colocaria pressão nela. Eu imaginava que ela seria capaz de lidar com a situação até certo ponto.

Eu não queria falar a ela sobre o perigo que nos aguardava. Não ainda.


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