Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 5

Capítulo 3: Os Cálculos de Cada Um

A PARTIR DO nosso próximo período de aula, começaríamos a treinar de forma independente para nos prepararmos para o festival esportivo. Durante o período livre da Classe D, trocamos de roupa para a aula de ginástica e seguimos para o campo esportivo.

— Uou, olha só.

Ike, com uma expressão desagradável, encarava o prédio principal da escola. Vários estudantes nos observavam pelas janelas de suas salas.

— Ei, eles são da Classe B, né? Aposto que já estão espionando — murmurou Ike.

Espionar as outras classes para avaliar suas habilidades atléticas era algo totalmente compreensível, fossem inimigos ou aliados.

— A Classe A também está de olho na gente.

Se quiséssemos treinar em um lugar tão visível, era natural sermos observados. Mas segurar as habilidades para não revelá-las só prejudicaria nossa preparação.

— Eles começaram imediatamente — comentou Horikita, que também percebera os olhares curiosos.

Da minha parte, eu estava mais preocupado com a Classe C. Nenhum deles olhava na nossa direção. Era como se estivessem dizendo que a Classe D não representava ameaça alguma.

— Está preocupado com o Ryuuen-kun? — perguntou Horikita.

— Sim, um pouco.

— Estou surpresa por ele não parecer estar fazendo nenhum tipo de reconhecimento. Porém, ele se recusou a cooperar com a Classe B. Parece não estar interessado em nenhuma estratégia.

Horikita me lançou um olhar que parecia dizer "eu entendo", antes de continuar:

— Ou pelo menos eu pensaria isso, se você não tivesse me alertado antes. Com certeza os outros alunos devem achar que estão seguros.

Ela olhou para os estudantes, que se dedicavam aos treinos.

— Aquilo que você mencionou, sobre o Ryuen-kun já ter uma estratégia pronta… Suponho que isso signifique que todos os planos já estão definidos. O reconhecimento é desnecessário para ele — disse Horikita, agora claramente perturbada. — Qualquer pessoa iria querer informações sobre as outras classes. Quem é atlético, quem vai participar de qual prova, e assim por diante. Mas ele…

Isso, por si só, provava que Ryuen já tinha uma estratégia secreta.

— O importante não é apenas saber que o Ryuen tem um plano — expliquei.

— O que quer dizer?

— Normalmente, quando alguém tem um plano secreto, faz de tudo para garantir que os inimigos não descubram. Mas o Ryuen nem tenta esconder que está tramando algo. Ele está deixando isso óbvio ao simplesmente não se preocupar com reconhecimento — respondi.

— É quase como se estivesse ostentando, então — disse Horikita.

Refletir mais profundamente sobre as implicações do comportamento de Ryuen revelaria seu modo de pensar. Eu me perguntava o quanto disso Horikita conseguia perceber.

— Sabe, não consigo deixar de me perguntar de onde vêm seus poderes de observação. Mas, já que você proibiu perguntas, vou ficar quieta.

Que jeito mais intragável — e tão típico da Horikita — de dizer isso. Mas, claro, não importava o quanto ela insistisse, eu não cederia.

— Suzune. Tem um minuto? — perguntou Sudou, surpreendendo Horikita com sua chegada tardia. Ele interromper seu raciocínio claramente a irritou. Havia algo mais incomodando-a também.

— Já te falei inúmeras vezes. Por favor, não me chame pelo primeiro nome.

— Ah, qual é? Te incomoda tanto assim?

— Sim. Eu não quero alguém com quem não tenho intimidade usando meu primeiro nome — respondeu Horikita, indo direto ao ponto como sempre, sem poupar os sentimentos de Sudou. — Se continuar me chamando de "Suzune" depois deste aviso, terei que tomar uma atitude mais direta para fazê-lo parar.

Uma ameaça aterrorizante, sem dúvida. Eu realmente não queria saber os detalhes. Sudou, que claramente queria chamá-la pelo primeiro nome, sofreria muito se ela passasse a odiá-lo. Fosse qual fosse seu pensamento, eu não descobriria, pois ele mudou o assunto.

— Nesse caso… se eu tiver o melhor desempenho da Classe D no festival, você me deixa te chamar pelo primeiro nome?

Oh? Era um pedido até modesto para o Sudou, mas eu não sabia se Horikita aceitaria.

— Esforço é sua própria recompensa. Por que eu concordaria com uma aposta tão idiota? — disse Horikita. Provavelmente, ela não tinha consciência dos sentimentos de Sudou. Eu me perguntava como ele responderia.

— Bem, é que… não faz muito tempo, você me ajudou. Por isso eu quero fazer as coisas direito, mostrar o que sinto… Na verdade, acho que gostaria de ser seu amigo primeiro. Esse é o primeiro passo — disse Sudou.

— Não consigo entender por que faria questão de algo assim. Mas tudo bem. Se tiver o melhor resultado, permitirei que use meu primeiro nome. No entanto, não ficarei satisfeita se for apenas o melhor da nossa classe. Quero que seja o melhor do nosso ano inteiro — declarou Horikita.

Ela colocou um obstáculo absurdamente alto. Mas Sudou não hesitou nem por um instante.

— Fechado! Se eu ficar em primeiro lugar no ano, vou te chamar pelo primeiro nome — disse ele, animado.

— Contudo, se você não ficar em primeiro lugar, eu proibirei para sempre que pronuncie meu primeiro nome. Prepare-se — declarou Horikita.

— Certo…

Era uma tarefa hercúlea, embora não impossível. Ele assentiu vigorosamente. Pelo que eu tinha visto das outras classes, as habilidades de Sudou eram de primeira linha. Duvidava que ele tivesse qualquer dificuldade nas provas. O único que poderia rivalizar com ele era Koenji — mas ele estava completamente desmotivado e provavelmente não seria um problema. Restava apenas ver quantas competições Sudou conseguiria dominar.

*

 

Começamos a testar a aptidão de todos de forma séria. Embora a política de Hirata não incentivasse participação forçada, cerca de 90% da classe participou dos testes. Apenas alguns, como Koenji e o Professor, ficaram de fora.

— Hah… ah… ufa! — Sakura terminou em último lugar, parecendo prestes a desabar, com ambas as mãos nos joelhos.

— Bom trabalho, Sakura. Você realmente deu o seu máximo.

— Ayanokoji-kun… ah… hah… — ofegou Sakura.

Sakura sempre fora pouco atlética, então nunca foi muito proativa em esportes. Mas, recentemente, vinha se esforçando muito para contribuir com a classe. Infelizmente, sua falta de resistência física ainda era um problema.

— Ei, ei! Vamos lá!

Enquanto isso, Sudou — normalmente o menos sério da classe — se esforçava mais do que eu já tinha visto. Havia certo magnetismo nele. Depois de falar tão alto, ele não podia se dar ao luxo de decepcionar, mas também não precisava se preocupar: quando estava em sua melhor forma, Sudou era imbatível. Nenhum aluno da nossa classe se igualava a ele.

— Uau, isso já era de se esperar, Sudou-kun! Você fica em primeiro lugar em qualquer prova! Isso é incrível! — disse Kushida, saltitando animada enquanto Sudou terminava a corrida de revezamento de 100 metros.

— Heh, acho que sim. Mesmo assim, não sei o que vai acontecer se ele resolver correr — disse Sudou, encarando Koenji, que não demonstrava o menor interesse.

— Agora que você falou… acho que nunca vi o Koenji-kun correndo sério.

Na aula de natação, quando Koenji havia competido contra Sudou, superou o tempo dele. Sua habilidade era óbvia, mas ele simplesmente não se mexeria a menos que quisesse. Preferia nos deixar fazer tudo enquanto permanecia de lado sem mover um dedo.

— Mas, sério, você é incrível. De verdade, Sudou-kun, você definitivamente é o líder do festival de esportes — disse Kushida.

— Líder? Eu? — Sudou repetiu a palavra, um pouco surpreso.

— Sim — respondeu Hirata, que registrava as pontuações. — Afinal, o festival esportivo é o momento em que os atletas brilham. Você é o mais qualificado, Sudou-kun. Você se importaria de liderar nossa classe?

Hirata também era qualificado, claro, mas julgara Sudou muito superior nesse aspecto.

— Eu não sirvo pra ser líder nem nada… — Sudou olhou para Horikita, buscando a opinião dela. Parecia meio perdido; ele sempre agira sozinho ou em grupos pequenos.

— Você não é o tipo de pessoa que fala bem. Como comunicador, Hirata-kun é claramente muito superior — disse Horikita. — No entanto, com base na sua corrida e nos seus outros resultados, entendo o ponto de Hirata-kun. Você brilha quando recebe atenção. Além disso, precisaremos de força bruta para puxar a classe. Eu não me oporia a você como líder.

Ela não o incentivou diretamente, mas também não o rejeitou. Ela o reconheceu. Horikita não estava ali por acaso — analisava cuidadosamente o talento de cada um.

— Certo! Eu vou levar nossa classe à vitória! — disse Sudou. Talvez fosse tolice estar tão apaixonado, mas ele claramente queria corresponder às expectativas de Horikita.

— Não fique arrogante e relaxado, ou eu vou fazer você pagar por isso — avisou Horikita.

Ela se afastou e voltou aos treinos. Sudou ficou corado, apertando os punhos enquanto a observava.

*

 

Sudou estava realmente levando a liderança a sério. No dia seguinte, começou a treinar os outros alunos, começando pelo cabo de guerra. Observei à distância.

— Vocês estão se esforçando à toa. Não tem força nenhuma no puxão. Desse jeito, não ganhariam nem se fosse possível — disse Sudou.

Ele agarrou o pedaço curto de corda para demonstrar. Ike e Yamauchi ficaram frente a frente com ele. Pelo olhar deles, achavam que venceriam. Mas quando a disputa começou, Sudou puxou com força esmagadora. Em poucos instantes, Ike e Yamauchi já estavam no chão.

— Viu? Vocês não estão colocando força nenhuma.

— Não entendo. Ei, Sudou, tem algum truque nisso?

— Bom, força é importante, mas também… não usem só os braços. Usem o quadril — explicou Sudou. Seu jeito era bruto, mas ele orientava cada aluno com dedicação.

— Ei, Sudou-kun, pode ver isso aqui? A gente não consegue acertar nossa formação pro combate de cavalaria.

— Claro. Espera um pouco, já vou aí.

Havia muitos alunos pouco atléticos, e vários pediam ajuda a Sudou. Honestamente, eu estava surpreso até com as garotas pedindo opinião.

— Ele está levando isso bem a sério — comentei. — É a primeira vez que as pessoas dependem dele. Talvez liderança realmente sirva pra ele, não acha?

Ser útil provavelmente dava uma sensação boa. E isso era ainda mais verdadeiro para alunos como Sudou, que sempre viveram isolados.

— Quanto a mim… bem, eu até queria elogiá-lo, mas…

Antes que ela terminasse, ouvimos uma voz irritada.

— Tô falando que não é assim! — Sudou chutou a terra, jogando poeira em Ike e Yamauchi.

— Gah! Pff… argh! Cara, para! — protestou Ike.

Horikita suspirou.

A impulsividade de Sudou ainda era um problema. Um líder precisava entender que outros eram diferentes dele. Também precisava de paciência — como Hirata, que sempre ensinava com gentileza. Ele agora ajudava algumas garotas a ajustarem suas posições no combate de cavalaria, garantindo que estivessem confortáveis.

— Acho que essa formação está ótima. Mas vocês não se sentem um pouco apertadas? — perguntou Hirata.

— Hm… meus ombros doem um pouco, acho.

— Então vamos mudar alguns centímetros. Vai fazer diferença.

— Nossa, é verdade! Ficou muito melhor. Obrigada, Hirata-kun!

— Ei, pode ajudar a gente também, Hirata? — chamou outro grupo, e ele respondeu com um sorriso.

— Por que você não ajuda a ensinar as garotas também? — perguntei a Horikita. Ela era uma das melhores atletas; seria uma boa instrutora.

— Eu não quero ensinar. Além disso, duvido que alguém queira aprender comigo.

Com essa afirmação direta, ela começou a se aquecer sozinha.

— Estou me esforçando ao máximo para melhorar meus próprios resultados. Como você consegue ser tão relaxado? Suponho que, se tem certeza que vai ganhar, isso é suficiente — disse Horikita.

— Na verdade, não tenho confiança.

— Isso soa correto. Você sempre tira notas medianas. Nem rápido nem lento. Seus resultados não se destacam.

— Você sabe disso?

— Me esforço para descobrir as habilidades reais dos meus colegas. — Ela tinha me observado bastante, até nas aulas de educação física. — Vou perguntar só uma vez: você está se segurando, como fez nas provas?

— Eu faria algo tão inútil assim?

— As chances são cinquenta-cinquenta pra mim. Então… está?

— Desculpe decepcionar, mas o que você vê é o que eu sou.

— Então você não é bom nem ruim. Não devo esperar grandes resultados de você, hmm?

— Isso mesmo.

— Então deveria treinar mais, começando agora.

— Se fosse possível melhorar assim tão rápido, isso não seria um problema. Diferente de estudar, tentar fazer tudo na véspera não adianta.

Habilidade física só melhora com treino repetido.

— Não seria uma boa ideia focar em provas em que você pode melhorar rapidamente? Por exemplo, só aprender a segurar a corda ou montar a formação já aumenta nossas chances de vitória.

— Talvez.

Eu tinha tentado relaxar e escapar um pouco do treino, mas Horikita tinha me encurralado sem piedade. Bem, não havia como fugir agora. Eu precisava treinar para as provas de participantes recomendados nas quais tinha sido arrastado de alguma forma.

— Ei — chamou Horikita quando eu começava a me afastar.

— Hm?

— As habilidades físicas de cada classe vão determinar quem vence e quem perde, certo?

— Isso é um festival esportivo. Habilidade física é o ponto principal.

— Sim. Ainda assim, esse tipo de pensamento é limitado. Se eu me concentrar só no meu desempenho, tenho confiança de que posso obter bons resultados, mas algo tem me incomodado. Talvez eu não consiga alcançar a Classe A só melhorando minhas próprias habilidades — disse Horikita.

Era raro ouvi-la fazer um comentário tão hesitante. Parecia ter sido profundamente afetada por seus erros nos testes anteriores.

— Certo. Deixa eu te perguntar uma coisa. O que devemos fazer no festival esportivo para conseguir resultados? Para alcançar a Classe A?

Em resposta à minha pergunta, Horikita apenas me lançou um olhar confuso.

— Pode ser que você vença se se divertir? Afinal, esse é o tão esperado festival esportivo. Esquecer que isso é um teste e aproveitar é uma opção — falei, como se estivesse mudando de assunto.

— Você prometeu que cooperaria comigo, não prometeu? Disse que me ajudaria a chegar à Classe A — disse Horikita.

— E é isso que estou fazendo, não é? — abri as mãos, mostrando que não tinha nada a esconder. — Vou participar do festival. Isso é cooperar.

— Você está falando sério?

— Você mesma disse, não foi? Que habilidade física determina vitória ou derrota.

— Mas há outros aspectos envolvidos — disse Horikita.

Ou seja, ela estava dizendo que havia algo além da habilidade física que poderia influenciar o resultado.

— Certo. Então, no dia do festival, devo dar dor de barriga nos alunos da Classe B e C para eles desistirem? Se eu fizer isso, venceremos de lavada. Seria uma vitória esmagadora — falei.

— Pare de brincar.

— Mas era esse tipo de resposta que você esperava de mim, não era? O festival esportivo é um desafio a ser enfrentado de frente. Esquemas tolos vão sair pela culatra. Cada um deve fortalecer suas próprias habilidades e superar a competição — expliquei.

Era isso que a escola esperava.

— Se você quer que eu desenvolva seu raciocínio, é como se estivesse dizendo que só o atletismo não será suficiente.

— Então você concorda que algo a mais é necessário? — perguntou ela.

— Você vai descobrir a resposta em breve — respondi.

Alguém estava se aproximando.

— Horikita-san, você é a próxima no treino de corrida de três pernas.

— Certo.

Chamaram-na, e Horikita saiu. Aparentemente, ela faria dupla com Onodera, uma garota do clube de natação, supostamente excelente velocista. As habilidades individuais eram importantes, claro, mas a capacidade de cooperar com colegas também era fundamental. Enquanto observava as duas amarrando as pernas, eu me perguntava como Horikita se sairia.

As cinco duplas de garotas alinharam-se na linha de partida e começaram a correr. Em termos de habilidade geral, Horikita e Onodera eram a melhor dupla. No entanto… o resultado ainda era incerto.

Não estavam lentas, mas também não rápidas. Chegaram em terceiro. A pior dupla era Sakura e Inogashira — completamente sem habilidade — tão lentas quanto mel escorrendo.

Insatisfeitas, Horikita e Onodera decidiram praticar novamente. Sentiam o peso das expectativas da classe sobre elas. Mas o tempo obtido não melhorou nada.

— Essas duas tão meio lentas, hein? — comentou Sudou, inesperadamente, observando de longe.

— É.

Ao terminar a segunda corrida, as duas desfizeram o nó imediatamente e se encararam.

— Ei, Horikita-san, você não pode tentar acompanhar meu ritmo melhor? — disse Onodera, um pouco irritada.

— É verdade que não estamos sincronizadas, mas isso não é culpa minha. Você é lenta demais.

— O quê?!

— Não deveria se esforçar para acompanhar a parceira mais rápida? Diminuir meu ritmo de propósito pra acompanhar você não faz sentido — afirmou Horikita.

Parece que o pior dos meus receios estava se concretizando. Acompanhar o ritmo acelerado de Horikita não era tarefa fácil.

— Certo. Que tal tentarmos também, Ayanokoji-kun? — propôs Hirata.

— Vamos lá — respondi. Não tinha tempo a perder com Horikita discutindo com a parceira. A corrida de três pernas era novidade para mim também.

— Primeiro, vamos só tentar correr. Depois a gente ajusta o que estiver errado, tudo bem?

Assenti e amarrei nossas pernas seguindo as instruções de Hirata. Estava mais apertado do que eu gostaria — eu me sentia algemado. Sinceramente, mesmo sendo dois garotos, era um pouco constrangedor ficar tão colado em alguém. Especialmente no Hirata — queridinho das garotas da Classe D.

— Então vamos dar o primeiro passo — disse Hirata.

Assenti e esperei que ele movesse a perna, para eu acompanhá-lo. Ajustando meu ritmo ao dele, dei o passo contrário com a perna externa.

— Isso é bem desconfortável.

— É, né? Mas, quando correr, tente sincronizar a respiração com o movimento. Certo? Vou começar a correr.

Hirata acelerou um pouco, e eu apenas o acompanhei. Na verdade, meu ritmo não passava de uma caminhada rápida.

— Isso! Assim mesmo! Você pegou o jeito!

Qualquer um conseguiria acompanhar esse ritmo, mas ser elogiado realmente tornava tudo mais fácil. Conforme me acostumava à corrida de três pernas, percebi que era surpreendentemente simples. Se ambos os parceiros entendessem o ritmo um do outro, tudo fluía naturalmente.

Hirata e eu demos uma pequena volta, retornamos e desamarramos a corda.

Logo ouvimos gritos animados das garotas.

— Tão rápidos! Como esperado do Hirata-kun!

— É muito, muito fácil correr com o Ayanokoji-kun como parceiro. Vamos treinar todo mundo e dar o nosso melhor no festival, ok?

Sim, ele realmente era prestativo. Tinha acabado de terminar o próprio treino e já estava indo dar conselhos a outros alunos novamente. Apenas mais um dia na vida de Hirata, um homem verdadeiramente superior.

*

 

Era meados de setembro e faltavam menos de duas semanas para o festival esportivo. Sudou, que não conseguia estudar nem para salvar a própria vida, permanecia firme e praticava incansavelmente. Templar o espírito dia após dia com basquete o tornara tenaz. Alguns alunos entre nós estavam se poupando e fazendo o mínimo possível, mas Sudou sempre dava tudo de si sem se exibir.

Esse grau de esforço provavelmente era o mínimo que a escola esperava no festival esportivo. Isso era especialmente verdade para competições diretas nas quais enfrentaríamos outros adversários, como na batalha de cavalaria ou no cabo de guerra. O resultado poderia ser muito influenciado apenas pela formação ou estratégia.

Claro, Hirata não tinha esquecido nossa relação com a Classe A. Ele realizava reuniões periódicas com Katsuragi, nas quais discutiam a melhor forma de competir. A Classe D, normalmente sempre à beira do desastre, estava indo bem até demais.

Olhando para o panorama geral, eu via dois problemas restantes.

O primeiro era Horikita Suzune. Ela podia se tornar um trunfo inestimável para a classe, mas ainda não estava nesse ponto. Não importava quantas vezes Horikita trocasse de parceira; elas sempre acabavam brigando e desmanchando a dupla. No fim, Horikita decidiu competir ao lado da garota cujo ritmo melhor combinava com o seu, mas até isso desmoronou. Agora, ela só passava o tempo sozinha e em silêncio.

— Pode me dar um minuto? — perguntei.

— O quê? — Talvez por causa do estresse, ela parecia ainda mais irritadiça do que o normal.

— Acho que seria bom se você cedesse um pouco mais — falei. Eu a observava treinar, mas não via sinal de melhora. A força excessiva da personalidade de Horikita estava atrapalhando.

— Muita gente já me disse isso — ela respondeu, esfregando a testa em exasperação. — Eu não vou ceder porque estou tentando conseguir o melhor tempo. Isso não é bom? A corrida de três pernas é diferente de uma corrida normal; mesmo alguém lento deveria conseguir acompanhar.

— Então você não pretende ceder em nada?

— Exato. Não tenho intenção de me ajustar à lentidão dos outros.

— Mas é por isso que ninguém quer treinar com você.

Na hora de praticar a corrida de três pernas, Horikita ficava do lado de fora do círculo que a classe formava. Se continuasse assim, não teria esperança de melhorar seus tempos.

— Eu não entendo. Se esperam que eu ceda, minha parceira precisa se esforçar primeiro. Não posso trabalhar com alguém que se recusa a tentar melhorar — ela retrucou.

Eu entendia o que Horikita queria dizer. As garotas que treinavam com ela sugeriam acabar com a dupla assim que percebiam que não conseguiam sincronizar o ritmo. Porém, havia uma razão fundamental por trás disso.

— Estique o pé.

— O que você está querendo? — murmurou desconfiada.

— Faz dupla comigo na corrida de três pernas.

— Por que eu faria isso?

— Existe uma corrida mista de três pernas. Podemos descobrir qual é o nosso nível de compatibilidade como parceiros, não podemos?

— Então você acha que consegue me acompanhar? Você só vai me atrapalhar.

— De acordo com sua teoria, minha velocidade não é o problema. Só meu esforço.

— Tudo bem. Eu mesma vou nos amarrar.

Horikita se agachou e amarrou a corda em nossas pernas, como se dissesse para eu não tocá-la. Todos ao redor estavam focados em seus próprios treinos, sem prestar atenção em nós. Até Sudou, que provavelmente ficaria furioso se visse isso, estava ocupado com outras pessoas.

— Muito bem, vamos.

No início, eu apenas imitava os movimentos de Horikita. Porém, conforme ganhamos velocidade, comecei a impor meu próprio ritmo.

— E-Ei!

Apesar do desespero dela, acelerei sem piedade. Horikita fazia o possível para me acompanhar, mas sua resistência e força eram muito inferiores às de um garoto; ela não conseguia manter o ritmo.

— Você disse que acompanhar o parceiro não é difícil, certo? — perguntei.

— Isso é… eu sei!

Teimosa, ela se recusava a desistir. Então decidi mudar de abordagem. Na corrida de três pernas, velocidade não era tudo; isso já estava claro agora que eu experimentara na prática. O importante era encontrar um tempo que servisse para os dois, e só então buscar a melhor passada possível. Se tentasse acelerar sem isso, acabaria em um tropeço desengonçado.

— Tch!

Eventualmente, Horikita teve que admitir a derrota. Segurei-a pelo ombro quando ela cambaleou e parei. Ela respirava com dificuldade.

— Não era uma questão de ser rápido ou lento. Seus treinos deram errado porque você não olhou para o seu parceiro — falei. Sem dizer mais nada, desfiz o nó da corda. — O importante é trabalhar junto com o parceiro. Que tal deixar que ele dite o ritmo?

— Eu…

— Pense nisso.

A capacidade atlética de Horikita exigia que ela compreendesse o nível do parceiro e então se ajustasse a ele.

Eu não sabia se ela iria aprender e amadurecer. Isso dependia só dela.

Kushida Kikyou era o segundo problema. Ela era como uma personagem secundária — sempre trabalhando nos bastidores, mas nunca sob os holofotes. Embora Hirata e Karuizawa muitas vezes a ofuscassem, a maioria dos nossos colegas gostava dela, o que lhe dava um nível de influência que nem aqueles dois tinham. Além das habilidades excepcionais de comunicação, Kushida era talentosa tanto nos estudos quanto nos esportes, e ainda tinha um físico impressionante. De certo modo, sua designação à Classe D era um verdadeiro mistério.

Porém, eu conhecia a escuridão dentro dela. Não muito tempo depois de começarem as aulas, vi Kushida desabafando de raiva sozinha em um terraço isolado. E, embora eu ainda não soubesse o motivo, era um fato que Kushida odiava Horikita.

Mas tanto Horikita quanto Kushida eram vitais para o progresso da Classe D. Portanto, a única forma de resolver o problema era fazer com que elas se confrontassem.

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