Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 5

Capítulo 1: O Festival Esportivo da Escola Começa

— Os sobrenomes dos alunos eram a chave para descobrir a identidade dos VIPs. Eles foram organizados de acordo com a ordem dos animais do zodíaco.

Estávamos sentados em uma mesa nos fundos do café Pallet, lotado como sempre. As férias de verão tinham acabado de terminar, e eu estava ali com um grupo inusitado: Hirata, Karuizawa e Horikita. Estávamos revisando o exame especial que acontecera no navio de cruzeiro durante as férias. Conferíamos nossas respostas em busca dos VIPs, comparando notas sobre o teste que nos dividira em grupos baseados nos doze signos do zodíaco.

— O coelho é o quarto no zodíaco. Se você colocar os nomes dos alunos do grupo do coelho em ordem alfabética, fica Ayanokoji-kun, Ichinose-san, Ibuki-san e, por último, Karuizawa-san — disse Horikita.

— Entendi. Nesse caso, sim, eu ficaria em quarto. É por isso que fui escolhida como VIP — disse Karuizawa.

Karuizawa assentiu, aparentemente impressionada. À primeira vista, dava para pensar que as duas garotas ali comigo eram totalmente incompatíveis, mas a presença de Hirata fazia a tensão entre elas misteriosamente desaparecer.

— Mas isso não é simples demais? Quero dizer, qualquer um poderia descobrir. Tipo, a quinta pessoa do grupo do dragão, o grupo da Horikita-san… era a Kushida-san. Então ela era a VIP, certo? — perguntou Karuizawa, enfiando um canudo na caixinha de leite e tomando um gole.

— É isso mesmo. Era simples. Porém, descobrir isso no meio da prova não era tão fácil. Somente com os três VIPs da sua própria classe, você não teria provas suficientes para deduzir a lógica por trás da seleção — explicou Horikita.

Se soubéssemos os nomes dos três VIPs de outra classe, além dos da nossa, talvez estivéssemos em posição de enxergar as possibilidades. Porém, mesmo suspeitando que os nomes correspondiam à ordem do zodíaco, só podíamos responder uma única vez — e isso era arriscado. Se errássemos, sofreríamos danos consideráveis. Por outro lado, se apostássemos certo, poderíamos virar o jogo de uma só vez.

— Eu estou preocupado com a Classe C. Acho que o Ryuen-kun descobriu tudo no meio da prova — disse Hirata.

Ele provavelmente estava certo. Caso contrário, Ryuen não teria feito tanta coisa.

— Mas isso é estranho. Se é verdade, por que ele errou? — perguntou Karuizawa.

— Também pensei nisso. Mesmo havendo um grande risco, se ele entendeu as regras, deveria ter descoberto todos os VIPs no final. Ou seja, não deveria ter cometido nenhum erro — disse Hirata.

Dependendo do ponto de vista, sim, a Classe C havia dado a resposta errada. Mas Horikita ofereceu outra perspectiva.

— Embora pareça que Ryuen-kun governa a Classe C sozinho, talvez eles não sejam tão unidos assim. Devem existir várias pessoas profundamente insatisfeitas com a ditadura dele.

— Com certeza. Todos os alunos tinham o direito de enviar uma resposta. Então alguém que não cooperou com os planos do Ryuen-kun, ou que ele não conseguiu controlar, deve ter enviado algo incorreto. Se tivessem enviado a resposta certa, teriam ganho muitos pontos, não? — disse Hirata.

Horikita e Hirata estavam no caminho certo, mas ainda não havia como ter certeza. Se houvesse um traidor, Ryuen o teria perseguido implacavelmente. Mesmo que a pessoa tivesse apagado o e-mail e passado despercebida, Ryuen provavelmente verificaria até os pontos privados de cada um.

— E você, Ayanokoji-kun? O que acha? — perguntou Horikita.

Hirata e Karuizawa olharam para mim ao mesmo tempo. Comecei a tossir, desconfortável com a atenção repentina.

— Não sei. Sinceramente, não faço a menor ideia — menti.

Horikita e Hirata desviaram o olhar, perdendo o interesse na hora. Apenas Karuizawa continuou me encarando. Quando olhei de volta, ela virou o rosto.

— De qualquer forma, nossa prioridade é firmar essa cooperação. Fico feliz por estarmos discutindo isso, Horikita-san e Ayanokoji-kun — disse Hirata.

Horikita nunca tinha cooperado com Hirata até então. Porém, sua postura finalmente começara a mudar depois dos dois exames especiais. Ser encurralada a fez perceber a verdade: ela não conseguiria fazer tudo sozinha.

— Bom, não temos muita escolha. O exame do zodíaco foi um caso especial; não dava para fazer sozinha. Se considerarmos que exames futuros podem ter elementos parecidos, um certo nível de cooperação será necessário — respondeu Horikita.

Esse parecia ser o maior motivo para sua mudança de atitude. E ela estava certa — existiam limites para o que alguém podia enfrentar sozinho. Aqueles testes eram como uma versão em miniatura da realidade fora da escola; ninguém sobrevive à vida isolado.

— Ainda assim, você escapou muito bem das garras do Ryuen-kun.

A última frase era dirigida a Karuizawa, que fora a VIP do nosso grupo e conseguiu passar pela prova sem ser descoberta. A Classe D foi muito recompensada por essa vitória.

— Bem, acho que sim. Tenho uma cara de pôquer surpreendentemente boa. Né, Yousuke-kun? — disse Karuizawa, abraçando o braço de Hirata e olhando para ele com os olhos brilhando.

Nunca se diria que o relacionamento dos dois tinha sido tenso. Se era genuíno ou atuação, não me importava.

— Outra pessoa enviou a resposta errada antes que o Ryuen pudesse enviar a dele. Foi só por causa disso — comentei.

Espere um pouco… Yousuke? Desde quando Karuizawa estava chamando Hirata pelo primeiro nome? Eu meio que também queria chamá-lo assim, mas era impossível. Eles tinham criado uma nova relação a partir daquela situação complicada, o que provavelmente os tornou mais próximos. Hirata sorriu de volta para Karuizawa e então olhou para Horikita.

— Tenho uma proposta. Quer ouvir? — perguntou Hirata.

Horikita não respondeu — sua forma de dizer "vá em frente".

— Primeiro, para unir a classe, quero trazer a Kushida-san para o nosso lado. Acho que ela complementaria bem o grupo e adicionaria qualidades que nós quatro não temos. Ela é uma das poucas capazes de unir muitos dos garotos, começando pelo Ike-kun e pelo Yamauchi-kun.

Era verdade, Kushida era uma candidata excelente para ajudar a controlar a classe. Porém, eu não sabia se Horikita aceitaria isso tão facilmente. Desde que entramos na escola, o relacionamento entre as duas vinha sendo péssimo.

— Desnecessário — respondeu Horikita. — Não nego que ela tenha capacidade de manter o controle, mas podemos fazer tudo o que ela faz por conta própria. É por isso que selecionei você e a Karuizawa-san. Com os talentos de vocês combinados, podemos resolver qualquer problema que surgir… a menos que você planeje ser pouco colaborativo, como alguém aí.

Ela lançou um olhar de canto para mim. Que rude.

— É, realmente… o Ayanokoji pode não seguir o que decidirmos — acrescentou Karuizawa. Ela e Horikita concordaram com a cabeça, embora Hirata não o fizesse.

— Olha, você está enganada se acha que eu sou o não colaborativo aqui. Eu sou o tipo que sempre segue o grupo quieto. Sou exatamente o tipo de pessoa que vocês podem controlar. Não tenho presença nenhuma — falei.

— Aqueles que dizem não ter presença geralmente projetam sombras muito longas — respondeu Horikita.

— Ah, é? Então você é alguém sem presença? — perguntei.

— Eu? De jeito nenhum eu teria falta de presença. Como ousa? Me acha idiota? — ela retrucou.

— Ok…

A conversa inteira estava virando um esquete de comédia mal escrito, embora Horikita não parecesse estar brincando. Era sempre difícil dizer quando ela estava brincando, mas ali, provavelmente, estava falando sério.

*

 

A aula da tarde virou um período de duas horas. Quando a professora da Classe D, Chabashira-sensei, chegou, começou a nos instruir com seu tom distante e objetivo de sempre.

— A partir de hoje, as aulas recomeçam. No entanto, de setembro até o início de outubro, teremos mais aulas de educação física para nos prepararmos para o festival esportivo da escola. Vamos distribuir os novos horários semanais, então, por favor, revisem-nos com atenção. Além dos horários, distribuiremos também o material referente ao festival. Alunos da frente, passem as cópias para quem está atrás, e assim por diante.

No momento em que Chabashira-sensei pronunciou "festival esportivo", a sala explodiu em burburinho. Alguns alunos estavam claramente animados, mas muitos odiavam qualquer coisa que envolvesse esforço físico.

— Os detalhes estão no folheto impresso e também na página da escola. Consultem caso seja necessário.

— Sensei, esse festival é outro exame especial? — perguntou o representante da classe, Hirata.

Esperávamos ouvir um "Naturalmente", mas a resposta dela foi vaga.

— Vocês são livres para interpretar como quiserem. De qualquer forma, este evento terá um impacto enorme sobre todas as classes.

Os estudantes que odiavam exercícios continuaram reclamando. Em uma escola normal, era possível dar um jeito de faltar ao festival esportivo. Mas se o evento influenciasse o destino da classe inteira, até os menos atléticos teriam que participar.

— Aí sim!

Por outro lado, alguns alunos estavam empolgadíssimos — especialmente os confiantes em suas habilidades esportivas, como Sudou. Esse provavelmente era o primeiro exame em que poderiam contribuir de forma significativa para a classe.

— Ayanokoji-kun, aqui — disse Horikita, que estava folheando o material.

Olhei a página que ela indicava. Era, de forma inesperada, a explicação sobre o método de avaliação do festival esportivo.

Por um instante, senti como se Chabashira-sensei estivesse olhando diretamente para mim.

— Alguns já devem ter percebido, mas no festival deste ano, vamos dividir todos os alunos de todos os anos em dois grupos, que irão competir entre si. Vocês da Classe D foram designados para o Time Vermelho. A Classe A também está no Time Vermelho, então competirão ao lado de vocês. Isso significa que, desta vez, serão seus aliados — explicou Chabashira-sensei.

As Classes B e C foram colocadas no Time Branco. Seria Vermelho contra Branco.

— O quê?! Sério?! Vamos fazer isso mesmo?! — gritou Ike. Não era surpreendente que ele ficasse chocado.

Seja prova escrita, seja exame especial, a regra sempre fora competição entre classes. Ele provavelmente imaginava que esse exame colocaria as quatro classes umas contra as outras, como sempre.

O que seria uma batalha em equipe? Esse festival exigiria uma estratégia totalmente diferente da usada no exame no navio. Exigiria cooperação entre alunos de séries distintas.

Horikita parecia calma, mas certamente estava em pânico por dentro. Seu irmão mais velho, Horikita Manabu, era do terceiro ano, Classe A. Dependendo das circunstâncias, poderíamos ter que trabalhar com ele.

— Pelo menos agora você tem uma chance de falar com ele, né? — sussurrei.

— Não fale disso aqui — murmurou Horikita.

Mesmo tocando no assunto bem de leve, parece que atingi um nervo. Ela me lançou um olhar mortal. A ponta do lápis tremia como o chocalho de uma cascavel encurralada — e eu torcia para que ela parasse.

— Primeiro, vamos revisar os possíveis resultados do festival esportivo. Não quero ter que repetir isso várias vezes, então prestem atenção — disse Chabashira-sensei.

Ela começou a explicar o texto do folheto, batendo no papel com força para mostrar onde deveríamos olhar. Ainda ouvindo, baixei os olhos para o material.

Regras do Festival Esportivo e Divisão das Equipes

O festival esportivo divide todos os alunos, de todos os anos, em duas equipes: Vermelho e Branco.

As Classes A e D estão no Time Vermelho.

As Classes B e C estão no Time Branco.

Pontuação para Todos os Competidores (Provas Individuais)

1º lugar: 15 pontos

2º lugar: 12 pontos

3º lugar: 10 pontos

4º lugar: 8 pontos

Quem ficar em 5º lugar perde 1 ponto, e mais 1 ponto será subtraído para cada posição abaixo disso.

(Nas competições em equipe, a equipe vencedora ganha 500 pontos.)

Pontuação para Competidores Recomendados

1º lugar: 50 pontos

2º lugar: 30 pontos

3º lugar: 15 pontos

4º lugar: 10 pontos

Seriam deduzidos dois pontos do aluno que ficasse em quinto lugar, e dois pontos adicionais para cada posição abaixo disso.

(A competição final, o revezamento, ofereceria pontuação triplicada.)

Resultado: Time Vermelho vs. Time Branco

Após revisar as pontuações combinadas de cada classe, 100 pontos de classe seriam deduzidos dos grupos de 1º, 2º e 3º ano das duas classes pertencentes ao time perdedor.

Efeito da Classificação por Ano Escolar

A classe que obtiver a maior pontuação dentro de seu ano receberá 50 pontos de classe.

A classe em segundo lugar não ganhará nem perderá pontos.

A classe em terceiro lugar perderá 50 pontos de classe.

A classe em quarto lugar perderá 100 pontos de classe.

— É simples. Significa apenas que precisamos manter o foco e entrar nessa competição com tudo o que temos. A punição para o time perdedor está longe de ser um tapinha leve no pulso.

Perder 100 pontos de classe era algo enorme, mas havia outras coisas no folheto que me preocupavam também.

— Hã, sensei, quantos pontos o time vencedor ganha? Não parece estar escrito em lugar nenhum — perguntou Hirata.

A resposta de Chabashira-sensei para aquela pergunta inocente foi curta e cruel:

— Nenhum. A recompensa será simplesmente não ter pontos deduzidos.

— Ah, tá de brincadeira?! Isso não soa bom… nem de longe!

Lamentos ecoaram pela sala inteira. Caos total. E claro, não era surpresa: até então, sempre que havia um risco enorme, havia também uma recompensa enorme. Mas o festival esportivo não parecia seguir essa lógica.

— Lembrem-se: pontos são somados ou subtraídos não apenas por time, mas por classe. Então, mesmo que o Time Vermelho vença, vocês ainda perderão 100 pontos se a Classe D terminar com a menor pontuação combinada — acrescentou Chabashira-sensei.

Ou seja, estaríamos perdidos se todos não levassem isso a sério. O sistema realmente exigia uma postura de "dar tudo de si".

Ainda assim, seria inútil se apenas a Classe D se esforçasse. Supondo que ficássemos em primeiro entre as classes do primeiro ano e ganhássemos 50 pontos — se o Time Vermelho perdesse, ainda assim sofreríamos a penalidade de 100 pontos. E se, além disso, ficássemos em último entre as classes de primeiro ano, perderíamos outros 100. Isso daria um total de 200 pontos negativos.

Recompensas das Competições Individuais

(podem ser aplicadas na próxima prova escrita)

1º lugar: 5.000 pontos privados ou +3 pontos na prova escrita

2º lugar: 3.000 pontos privados ou +2 pontos na prova escrita

3º lugar: 1.000 pontos privados ou +1 ponto na prova escrita

(Pontos de prova não podem ser transferidos a outros estudantes.)

O aluno que ficar em último lugar perderá 1.000 pontos privados.

(Se tiver menos de 1.000 pontos, receberá -1 ponto na prova escrita.)

Sobre Violações de Regras / Jogo Sujo

Leia e cumpra todas as regras das competições.

Quem violar será desclassificado.

Quem praticar jogo sujo poderá ser retirado do festival, e seus pontos ganhos poderão ser anulados.

Recompensa de MVP (Geral)

O aluno com maior pontuação total entre todas as competições receberá 100.000 pontos privados.

Recompensa de MVP por Ano Escolar

Os três estudantes com as maiores pontuações totais dentro de seu ano receberão 10.000 pontos privados cada.

À primeira vista, esse festival esportivo parecia pior do que as provas anteriores — mas existiam inúmeros benefícios. Era importante analisar as recompensas e riscos das competições individuais. Informações não reveladas poderiam nos derrubar.

— Sensei! Sensei! Quais são exatamente as vantagens por ficar em primeiro ou segundo lugar?! O que significa receber pontos para provas escritas?! — gritou Ike, desesperado por detalhes.

Talvez por achar a situação inusitada, Chabashira-sensei soltou uma risadinha leve — algo raríssimo.

— É exatamente o que você está pensando, Ike. No festival esportivo, vocês podem ganhar pontos extras que serão aplicados na próxima prova escrita. Isso significa que podem usar esses pontos onde quiserem. Você tem dificuldades em inglês e matemática, certo? Pontos extras seriam extremamente úteis no próximo exame.

Gritos de alegria surgiram pela sala. Entre os mais animados estavam os alunos atléticos. Se se esforçassem ao máximo no festival, poderiam compensar notas ruins nas provas. Para alunos em risco de reprovação, isso era o paraíso.

Para alguém como Hirata, excelente aluno, isso não mudava muito — mas os pontos privados, sim. Muitos estudantes estavam longe de ser confiantes academicamente. A ameaça de expulsão sempre pairava.

Mas logo percebemos que nada vem de graça.

Após o término de todas as competições, a escola calculará a pontuação total de cada aluno e aplicará penalidades aos dez piores colocados de cada ano. O tipo exato de penalidade varia conforme o ano escolar, portanto consultem seu professor responsável.

Isso era um grande sinal de alerta.

— Sensei, que tipo de penalidade nós receberíamos?

— Para vocês, alunos do primeiro ano, a penalidade será uma dedução de pontos na próxima prova escrita. Os dez estudantes com as menores pontuações gerais receberão uma dedução de dez pontos cada — explicou Chabashira-sensei. — Não posso dar mais informações no momento; tudo será esclarecido quando a prova se aproximar. O mesmo vale para os dez últimos colocados.

— O quêêê…?! Sério?!

Ou seja, se Ike ficasse em último lugar no ranking geral do seu ano, ele teria 10 pontos subtraídos da próxima prova escrita — ficando perigosamente próximo de uma nota vermelha. A prova seria um pesadelo para ele.

Depois de ouvirmos as regras, era hora de examinar os diferentes tipos de provas do festival esportivo. Elas estavam divididas em duas categorias: "todos os participantes" e "participantes recomendados".

"Todos os participantes" era exatamente o que parecia: eventos em que literalmente todos da classe precisavam participar. Provas individuais, como os 100 metros rasos, entravam nessa categoria, assim como provas em grupo, como o cabo de guerra.

Já os "participantes recomendados" incluíam apenas alguns alunos selecionados. A palavra "recomendado" sugeria indicação, mas o próprio aluno podia se oferecer, caso a classe concordasse. Um único aluno também poderia participar de uma prova que, originalmente, era para múltiplas pessoas. Entravam nessa categoria eventos como caça ao tesouro, corrida de três pernas mista e revezamento de 1200 metros.

Ganhos e perdas de pontos dependiam apenas dos resultados das provas, então as regras eram fáceis de entender. Entretanto, a mistura de competições em equipe e individuais tornava o festival complicado. Precisávamos ficar atentos aos nossos inimigos — Classes B e C — mas também aos nossos aliados — Classe A. A Classe D e a Classe A se ajudariam mutuamente, mas, para ficar em primeiro lugar no total somado de todos os anos, nossa própria classe teria que conquistar as posições mais altas em várias provas. Os exames na ilha deserta e no navio também haviam sido bem complexos.

— Os detalhes das provas estão descritos no folheto de vocês. Não haverá mudanças de qualquer tipo — disse Chabashira-sensei.

— Ugh, mas isso é super difícil! É um nível completamente diferente do ensino fundamental!

Provas para Todos os Participantes

Corrida de 100 metros

Corrida com barreiras

Capture a bandeira (apenas meninos)

Arremesso de bola (apenas meninas)

Cabo de guerra (separado entre meninos e meninas)

Corrida de obstáculos

Corrida de três pernas

Batalha de cavalaria

Corrida de 200 metros

Provas para Participantes Recomendados

Caça ao tesouro

Cabo de guerra de quatro lados

Corrida de três pernas (mista, meninos e meninas)

Revezamento de 1200 metros (misturando alunos dos três anos)

Treze provas ao todo — uma programação enorme. Os números indicavam a ordem em que seriam realizadas. Houve certa insatisfação com o grande número de provas obrigatórias.

— Normalmente tem, tipo, só três ou quatro provas para cada pessoa! E é possível fazer tudo isso em um único dia?

— Entendo sua preocupação, mas a escola já considerou isso — respondeu Chabashira-sensei. — Nenhuma prova exige habilidades específicas, como coreografias de torcida, dança ou ginástica em grupo. O festival será um teste completo da habilidade física e da resistência de vocês.

A resistência dos alunos menos atléticos foi inútil. Chabashira-sensei havia previsto todas as reclamações.

— Outro ponto importante é a tabela de participação. Preencham-na com a ordem em que cada um competirá, e eu a enviarei à escola. Imagino que nenhuma escola de ensino fundamental use um sistema como este, então tenham muito cuidado para não cometer erros.

— Espera. Então nós podemos decidir a ordem de participação? Quanta liberdade nós temos exatamente? — perguntou Hirata.

Era uma pergunta óbvia, e Chabashira-sensei respondeu depressa:

— A classe deve chegar a um consenso sobre tudo que diz respeito ao festival esportivo — quem participa de quê, em quais provas, etc. Depois do prazo final, nenhuma mudança será permitida, aconteça o que acontecer. Essa é a regra mais importante do festival. O período de envio abre uma semana antes do evento e termina às 17h do dia anterior. Se por acaso perderem o prazo, a tabela será preenchida de forma aleatória. Então, cuidado.

Isso significava que precisaríamos elaborar nossa própria estratégia de vitória, certo? A tabela de participação era, essencialmente, a tábua de salvação da classe.

— Com licença, tenho uma pergunta. Posso fazê-la, Chabashira-sensei? — Horikita, que estava calada até então, levantou a mão educadamente.

— Claro — respondeu Chabashira-sensei, exibindo um sorriso sutil. — Agora é a hora.

Tanto Hirata quanto Horikita tinham uma boa noção de como a escola funcionava. Quanto mais perguntas fizessem agora, melhor entenderiam depois. Ainda não corríamos o risco de perder pontos. Se deixássemos para perguntar no dia do festival, talvez fosse tarde demais.

— Eu entendo que nenhuma mudança será aceita após o prazo. Mas, se alguém faltar, o que acontece? Em provas individuais, imagino que seja tratado como ausência… mas e nas provas em grupo? Especialmente em coisas como a batalha de cavalaria ou a corrida de três pernas — se uma pessoa essencial estiver faltando, não poderemos competir.

— Se a equipe não tiver o número mínimo de participantes exigido para as provas obrigatórias, vocês serão considerados incapazes de continuar e serão desclassificados. Usando seu exemplo da batalha de cavalaria: a ausência de alguém deixaria a formação incompleta. Então vocês simplesmente teriam que competir assim mesmo, certo? O mesmo vale para a corrida de três pernas. Provavelmente é sensato escolher um colega saudável e robusto como parceiro.

Nossos destinos estavam entrelaçados, então. Era crucial escolher alguém atlético — e que estivesse saudável e sem qualquer risco de lesão.

— Para as provas de participantes recomendados, entretanto, vocês têm permissão para designar um substituto. Nem pensem em escolher alguém aleatoriamente ou tentar mentir — implementamos uma medida para impedir isso. Para registrar um substituto, vocês devem oferecer pontos como compensação.

Então teríamos que pagar para provar que não estávamos trapaceando, hein?

— Aproveitando o assunto… se a saúde de um atleta piorar, ou ele sofrer uma lesão séria, essa pessoa poderá continuar competindo caso deseje? Ou será obrigada a parar e procurar um médico? — perguntou Horikita.

— Deixamos isso a critério dos alunos. Conhecer seus próprios limites será uma habilidade indispensável no mundo do trabalho. Por exemplo, você não pode simplesmente tirar um dia de folga só porque está com febre no dia de uma reunião extremamente importante. Às vezes, só resta suportar e seguir em frente — respondeu Chabashira-sensei.

Ou seja, responsabilidade pessoal podia superar a própria saúde, se as circunstâncias exigissem.

— No entanto, se a saúde de alguém realmente piorar, essa pessoa terá que abandonar o evento — acrescentou Chabashira-sensei.

— Entendi. Bem… quantos pontos são necessários para designar um substituto? — perguntou Horikita.

— Cem mil pontos privados por competição. Pode ser caro ou barato, dependendo dos seus recursos — respondeu Chabashira-sensei.

— Entendo. Muito obrigada.

Nós poderíamos pagar, mas certamente não era barato. Dependendo da situação, porém, um substituto poderia se tornar necessário no futuro.

— Se não houver mais perguntas, vamos encerrar — disse Chabashira-sensei.

Ela lançou um olhar pela sala. Os alunos trocaram olhares desconfiados e sussurraram entre si, mas ninguém tentou falar. Provavelmente essa era nossa última chance. A professora nunca parecera muito aberta a perguntas desde o início.

— A próxima aula será no Ginásio 1, onde vocês se encontrarão com alunos de outras classes e séries. É só isso — declarou Chabashira-sensei, de forma seca. Ela verificou o horário. — Vocês ainda têm vinte minutos de aula. Usem esse tempo como quiserem — seja para conversar ou para discutir estratégias.

Com a permissão da professora, a sala silenciosa explodiu em caos. Grupos se formaram imediatamente, cada um discutindo suas próprias ideias para o festival esportivo. Sudou, Ike e Yamauchi se juntaram ao redor de Horikita.

— Vamos resolver isso, Horikita — disse Sudou, sério.

— É! Vamos pensar em um jeito de vencer! — completou Ike.

Horikita suspirou fundo, olhando para os garotos como se fossem problema de outra pessoa.

— Por que só garotos desse tipo vêm falar comigo?

— É um triste fato da realidade — respondi.

Apesar de murmurar "Ah, pelo amor de Deus…", Horikita parecia levar o assunto a sério. Ela abriu o caderno.

— Certo. Vou ouvir vocês, por enquanto.

— Isso! Isso! — Ike ergueu a mão na mesma hora. Horikita apontou a caneta para ele, sinalizando para falar.

— Eu quero me divertir e vencer! — gritou Ike.

— Essa não é uma opinião válida. Poderia, por favor, evitar dizer o óbvio? — rebateu Horikita imediatamente. Bem… era inevitável, mesmo que isso esmagasse as esperanças dele.

— A Classe D pode vencer isso — disse Sudou, confiante.

— Não espero que nos impressione com sua lógica — respondeu Horikita —, mas vou ouvir o que tem a dizer.

— Não sei sobre essas provas de "todos os participantes", mas você sabe que eu vou entrar nas provas dos recomendados. Se eu fizer isso, a gente vence.

Sudou era o mais confiante em suas habilidades atléticas.

— Sua contribuição não é muito mais útil do que a do Ike, mas tem algum mérito. Dentro da nossa classe, você realmente se destaca pela habilidade atlética. Certamente não seria uma má ideia colocá-lo em todas as provas de participantes recomendados — disse Horikita. — Não há nada nas regras que impeça isso.

Eu concordava, mas Ike e Yamauchi não pareciam muito satisfeitos.

— Nós também queremos uma chance! Poxa! Se ficarmos entre os três primeiros, ganhamos pontos!

— Então querem priorizar seus interesses pessoais, mesmo que isso reduza as chances de vitória da Classe D?

— Bem… tem razão, mas… é que, tipo, a gente também quer uma chance de ganhar alguma coisa!

— Para as provas dos recomendados, vocês precisam de gente boa em esportes. E você não é, Kanji — disse Sudou.

— Ei! Você não pode afirmar isso assim! — protestou Ike. — Milagres acontecem o tempo todo, sabe! Além disso, devia ser justo!

— Acho que envolver a classe inteira nessa discussão só complicaria ainda mais — disse Horikita.

Ela provavelmente conseguiria calar Ike, mas muitos outros deviam pensar o mesmo que ele. No entanto, seu comentário pareceu acender algo dentro de Sudou.

— Os alunos atléticos podem participar quantas vezes quiserem. Esse é o primeiro ponto, certo? Não seja ingênua, Suzune — disse Sudou.

Eu entendia o que Sudou queria dizer, e o silêncio de Horikita mostrava que ela também entendia. Mesmo para um aluno exemplar, era ideal deixar alguém como Sudou participar ao máximo. Ninguém reclamaria se justamente ele — sempre à beira de nota vermelha nas provas escritas — acumulasse várias recompensas.

Mas era óbvio que nem todos concordariam. As recompensas eram tentadoras demais para os alunos com baixo desempenho. Aqueles em risco constante de expulsão queriam essa chance desesperadamente.

— Sudou, eu entendo seu desejo de participar de tudo — disse Horikita. — Porém, isso não significa que eu possa apoiar uma estratégia imprudente, colocando você em todas as provas.

— Como assim? — Sudou se assustou.

— A resistência não é infinita. Se você participar de uma prova após outra, naturalmente ficará exausto. Será difícil garantir vitórias consecutivas.

— Mas é melhor deixar comigo do que colocar alguém que não entende nada de esporte. Mesmo cansado, eu ainda me mexo melhor que esses caras — bufou Sudou.

Ele lançou um olhar para os outros — incluindo eu — e deu um risinho de desdém. Ike e Yamauchi ficaram irritados, mas não responderam.

— Não vamos decidir nada agora. Continuaremos essa conversa no próximo horário — concluiu Horikita, encerrando rapidamente a discussão.

*

 

Uma multidão de mais de quatrocentas pessoas, incluindo os instrutores e todo o corpo estudantil, reuniu-se no ginásio durante o nosso segundo período de aula orientada. Alunos de todos os anos foram divididos claramente entre o Time Vermelho e o Time Branco.

Horikita observava ao redor, inquieta. Provavelmente procurava seu irmão mais velho, Horikita Manabu, o presidente do conselho estudantil. Porém, com tanta gente por perto, não seria fácil encontrá-lo. Ela estava preocupada em causar problemas ao irmão, mas tentava não chamar atenção enquanto o buscava. Se gostava tanto dele assim, talvez fosse melhor tomar iniciativa. Mas ser vulnerável era mais difícil do que qualquer outra coisa para Horikita. Pensando bem, ela nunca ia ao encontro do irmão; era sempre ele quem tomava a iniciativa.

Quando nos sentamos no chão, vários alunos avançaram. Todos voltaram sua atenção para eles.

— Sou Fujimaki, da Classe A do terceiro ano. Foi decidido que eu assumirei o comando do Time Vermelho.

Aparentemente, o irmão mais velho de Horikita não iria liderar. Eu imaginava que, sendo presidente do conselho estudantil, ele tomaria a frente. Isso só me deixava mais curioso sobre quando ele faria seu movimento.

— Gostaria de dar um conselho aos alunos do primeiro ano. Dispensável dizer, mas o festival esportivo é extremamente importante. As experiências que vocês tiverem aqui certamente serão aplicáveis à vida real. Na verdade, muitos de seus futuros exames podem parecer jogos à primeira vista. No entanto, cada um deles é uma batalha crucial em que vocês apostam a própria permanência nesta escola — disse Fujimaki.

Suas palavras eram um tanto vagas, mas ainda assim úteis.

— Talvez vocês não estejam motivados agora, já que ainda estão se acostumando, mas vamos fazer o possível para vencer. Quero que vocês mantenham isso em mente — continuou. — Todos precisamos disso.

Ele percorreu os olhos pelos membros reunidos do Time Vermelho outra vez, e então disse:

— A única competição em que todas as classes de todos os anos participarão juntas é o último evento — a corrida de revezamento de 1200 metros. Fora isso, todas as outras provas são divididas por ano. Então, por favor, sintam-se à vontade para começar a se reunir e discutir suas estratégias a partir de agora.

Em resposta às palavras de Fujimaki, os alunos do primeiro ano da Classe A, liderados por Katsuragi, começaram a se reunir em massa. Já os alunos da Classe D pareciam desnorteados, nervosos diante de elites tão evidentes. No primeiro semestre, as notas da Classe A haviam sido esmagadoramente melhores que as da Classe D. Nenhum de nós chegara sequer perto.

— Bem, as circunstâncias podem ser um pouco estranhas, mas estou ansioso para trabalhar com vocês. Espero que possamos unir forças sem problemas — disse Katsuragi.

— Sinto o mesmo, Katsuragi-kun. Conto com você — respondeu Hirata.

Os dois expressaram abertamente o desejo de cooperar. Para a Classe A, não havia benefício em se juntar à classe mais fraca. Porém, se nossas classes não trabalhassem juntas, acabaríamos prejudicando uns aos outros. Não estávamos concordando em confiar mutuamente como irmãos, mas fazíamos um pacto para não atrapalhar.

— Ei, dá uma olhada naquela garota — sussurrou Ike, ao meu lado.

Eu entendia por que estava cochichando. Sentia o mesmo, e imaginei que Horikita também. Ele apontava para uma aluna da Classe A que eu nunca tinha visto. Ela se destacava como um polegar machucado, mas ninguém comentava nada. Não parecia um momento para falar sobre isso.

— Cada classe tem suas próprias estratégias, mas… — Katsuragi continuou falando, ignorando os olhares preocupados e cochichos da Classe D.

— Então vocês não pretendem fazer uma discussão?

A voz de uma garota ecoou pelo ginásio, interrompendo Katsuragi. Todos voltaram a atenção para ela.

A oradora era Ichinose Honami, aluna da Classe B do primeiro ano. Diante dela, quase uma classe inteira se preparava para deixar o ginásio. Entre eles, Ryuen Kakeru, o líder da Classe C, virou-se com as mãos nos bolsos.

— Você entende que estou indo embora por boa vontade, né? Mesmo que eu oferecesse cooperação, não consigo imaginar que vocês acreditariam em mim. No fim, só tentariam me sondar para ver se sou confiável, certo? Perda de tempo — ele disse.

— Entendo. Então você está só nos poupando do trabalho — respondeu Ichinose.

— Exatamente. Devem ser gratos por isso.

Ryuen sorriu com desdém e seguiu andando, com todos os alunos da Classe C atrás dele. O espetáculo apenas confirmava o status da Classe C como uma ditadura.

— Ei, Ryuen-kun. Você realmente acha que pode vencer sem cooperar? — perguntou Ichinose.

Ela lançou mais uma pergunta enquanto ele se afastava, como se insistisse em tentar cooperar até o fim. Mas Ryuen continuou andando.

— Heh. Hm, vai saber.

Ele riu e guiou sua comitiva para fora do ginásio.

Enquanto a Classe D observava, a expressão de Karuizawa azedou por um instante. Durante o exame especial no navio, ela havia brigado com Manabe e outras garotas da Classe C, o que me levou a descobrir seu passado como vítima de bullying. Ela havia escondido isso o tempo todo. Yukimura era o único outro que sabia, mas não em detalhes. Por um breve momento, Manabe olhou para Karuizawa. Em seguida desviou os olhos imediatamente, como se nada tivesse acontecido, e seguiu Ryuen.

— A Classe B parece estar bem encrencada, sendo pareada com a Classe C…

Não que a Classe D conseguisse assumir a liderança, mas, comparado a estar com a Classe C, estávamos em melhor situação. O que vimos era um lembrete de que Ryuen realmente detinha todo o poder em sua classe.

Katsuragi deu um conselho a Horikita:

— Já que seremos aliados de agora em diante, devo te alertar. Não subestime Ryuen. Ele ri enquanto te ataca no mesmo instante. Não baixe a guarda.

— Agradeço o aviso, mas me pergunto se está falando por experiência própria — respondeu Horikita.

— Fica o aviso.

Katsuragi encerrou o assunto e voltou ao tópico do festival.

— Será que ele vai agir imediatamente? — sussurrou alguém, olhando para onde a Classe C havia ido. Era a garota que eu tinha observado com curiosidade pouco antes. Pequena, sentava-se sozinha, quieta, com os olhos baixos. Segurava uma bengala fina, e dava para perceber que tinha dificuldade para andar.

— Aquela é Sakayanagi Arisu. Ela tem uma deficiência. Por favor, sejam sensíveis quanto a isso.

Quem nos ofereceu uma explicação não foi a própria Sakayanagi, mas sim Katsuragi.

— Então aquela é a Sakayanagi…

A garota era a outra líder rumorizada da Classe A, aquela que supostamente dividira os alunos em duas facções distintas: a dela e a de Katsuragi. Ela era tão magra que se podia supor que sua condição fora o motivo de sua ausência durante o teste na ilha desabitada. Parecia ter uma cadeira preparada especialmente para ela, provavelmente porque se movimentar era um grande desafio. Embora todos ao seu redor a observassem, a garota não lhes dava qualquer atenção. Tinha cabelos curtos e prateados — um detalhe particularmente chamativo. Eu não tinha certeza se era tingido. Sua pele era pálida, e seu nome — Arisu — lembrava-me aquela misteriosa garota que caiu pelo buraco do coelho rumo ao País das Maravilhas.

— Cara, ela é muito fofa!

Era natural que os garotos da Classe D ficassem encantados por Sakayanagi. Ela era tão bonita quanto Kushida e Sakura, e possuía uma aura onírica que fazia com que as pessoas quisessem protegê-la instintivamente. Ainda assim, nenhum dos garotos se atreveu a flertar ou fazer piadas como normalmente fariam. Apesar de parecer frágil, transmitia uma força de vontade intensa. Isso era evidente em seus olhos grandes. Provavelmente os garotos sentiam que algo ruim aconteceria se se aproximassem demais.

Sakayanagi sorriu para nós, ciente do alvoroço que criara.

— Infelizmente, não serei muito útil nesta competição. Receio que estarei ausente com frequência — disse ela. Pelo visto, reconhecia sua própria fraqueza. — Parece que não causarei problemas apenas para minha classe, mas também para a Classe D. Por favor, aceitem minhas mais humildes desculpas.

— Você não tem nada pelo que se desculpar. Ninguém vai te criticar por algo que está fora do seu controle — disse Hirata.

De Hirata a Sudou, ninguém a culparia por algo assim.

— A escola é bem dura. Eles deviam ter preparado algo especial para você.

— É, isso mesmo. Não precisa se preocupar!

— A gentileza de vocês me toca profundamente — respondeu ela.

Ao contrário do que esperávamos, Sakayanagi parecia extremamente educada, madura e gentil. Não demonstrava qualquer agressividade. Apesar das particularidades que a destacavam, sua presença não era forte. No entanto, Katsuragi a observava silenciosamente. Alunos como Ike, que não entendiam nada, provavelmente achavam que as Classes A e D estavam apenas sentadas normalmente com seus colegas.

Mas, pela disposição dos alunos da Classe A, era claro que existia uma linha bem definida entre os seguidores de Katsuragi e os de Sakayanagi. A classe estava, de fato, dividida em duas facções. Eu havia considerado a facção de Katsuragi igual ou até superior, mas não tinha tanta certeza agora. Havia alguns garotos e garotas ao lado dele, incluindo Yahiko, mas praticamente todos os outros estavam com Sakayanagi. Talvez ela estivesse demonstrando seu poder deliberadamente.

Sakayanagi não havia participado dos testes na ilha nem no navio. A escola não fizera nenhuma declaração oficial, mas era possível que ela tivesse recebido alguma penalidade por não participar no navio — e, ainda assim, conquistara tantos aliados. Em vez de atrair outros apenas com seu rosto adorável, provavelmente ganhara a confiança de seus colegas acumulando diversas conquistas silenciosas. Enquanto isso, os fracassos de Katsuragi certamente afetaram sua popularidade.

Eu não conhecia em profundidade as circunstâncias das outras classes, mas Katsuragi era o tipo de pessoa firme e cuidadosa. Não era alguém que cometia erros repetidamente. Eu me perguntava se a garota tinha alguma relação com seus fracassos. Depois de se desculpar por suas limitações, Sakayanagi não demonstrou desejo de continuar falando. Em vez disso, observava calmamente Katsuragi, Hirata e os demais. Talvez eu estivesse exagerando. Talvez ela simplesmente permanecesse em silêncio porque sabia que não seria útil no festival esportivo.

Katsuragi, ignorando Sakayanagi, continuou conversando com Hirata.

— Sobre nossa aliança… eu estava pensando que seria melhor se apenas não nos atrapalhássemos. Você concorda?

— Então vocês não vão compartilhar detalhes sobre as competições das quais vão participar? — perguntou Hirata.

— Exato. Se essa informação vazasse, poderia causar conflitos desnecessários. Por exemplo, se algum dado chegasse à Classe B ou à Classe C, vocês acabariam sendo suspeitos — e isso prejudicaria inevitavelmente nossa aliança. Ficar nos comparando constantemente só aumentaria a distância entre as classes — explicou Katsuragi. — Vamos cooperar igualmente e lutar lado a lado até o fim. É a estratégia ideal.

— Sim, suponho que esteja certo. É realmente difícil confiar nas pessoas nesta escola, Katsuragi-kun. E, mesmo que sejamos aliados em certo sentido, não muda o fato de que ainda competimos entre si — respondeu Hirata.

Ele então olhou para o resto de nossa classe, buscando a decisão final. Ninguém discordou. Nenhuma das duas classes poderia confiar na outra a ponto de revelar todas as suas estratégias. Manter uma distância apropriada era a opção mais segura. Até Horikita permaneceu calada, então devia concordar.

— De qualquer forma, precisaremos nos reunir de novo em breve para discutir as competições em grupo. Tudo bem para você? — perguntou Hirata.

— Sim, sem problemas. Vou consultar o pessoal.

— Obrigado. Conto com você.

Eles não estavam perdendo tempo. Pelo visto, tudo seguia sem complicações.

— O que você acha que é o truque aqui, Ayanokoji-kun? O que eles estão planejando? — Horikita, por outro lado, parecia ter suas próprias teorias.

— É um festival esportivo. A escola provavelmente quer descobrir quem é atlético e quem não é.

— Você está certo no fundamental, é claro. Essa competição vai definir nossas habilidades. Mas qual outro fator, além do atletismo, pode influenciar os resultados? — perguntou Horikita. — Pura sorte?

— Sorte, hein? — Aquela sugestão era incomum nela, mas talvez estivesse certa.

— Diferente de nossos outros testes escritos e especiais, os oponentes desta vez serão escolhidos aleatoriamente. Não sabemos quem enfrentará quem. A sorte é um fator enorme.

De fato, muita coisa seria decidida pelos emparelhamentos. Nesse sentido, dependia mesmo da sorte. Até Horikita, que normalmente venceria 80% das pessoas no ginásio, poderia perder se caísse contra alguém dos 20% restantes. Por outro lado, alguém nada atlético, que só venceria 10% dos adversários, poderia ganhar se tivesse a sorte de enfrentar alguém ainda mais fraco.

— Não estou falando de acaso — disse Horikita. — Estou falando de algo definitivo. Quero dizer, um método que não dependa apenas da sorte — algo que ainda dependa de habilidade atlética. Na ilha e no navio, havia pistas ocultas e caminhos secretos que poderíamos ter detectado. Sinto que é igual agora. Desta vez, com certeza… — Talvez por causa da vergonha que sentia por seus erros na ilha, Horikita estava ainda mais obcecada com a vitória.

— O que você acha que torna isso diferente dos testes especiais anteriores? — perguntei.

— Diferente? Acho que é o mesmo tipo de exame especial.

— Não nego que são parecidos, mas duvido que a escola os considere iguais.

— Não entendo. Você acha que é diferente porque estamos cooperando com a Classe A desta vez? Mas no navio também tivemos que trabalhar com alunos de outras classes, e aquilo virou uma batalha.

— Não, não é isso. A premissa básica é outra. — Percebendo que Horikita começava a se frustrar com minha postura enigmática, expliquei: — A escola nunca chamou o festival de "exame especial". Apenas os alunos do primeiro ano estão chamando assim. Os professores, incluindo Chabashira-sensei, sempre se referiram a ele como um festival esportivo. Aquele aluno do terceiro ano, Fujimaki, também o chamou disso. A expressão "exame especial" não aparecia em nenhum lugar no panfleto — falei.

Ela não parecia ter percebido isso, mas mesmo que tivesse, ainda não estava convencida.

— Bem, e por que isso importa? A estrutura que molda o festival esportivo, e a grande possibilidade de ganhar ou perder muitos pontos, faz com que ele funcione quase exatamente como um exame especial.

— É verdade, não há grande diferença no conteúdo. Mas existe algo diferente em seu núcleo. Ignorando o fato de que podemos comprar e vender pontos, os exames escritos regulares servem para medir nossas habilidades. Acho que o festival esportivo tem a intenção de fazer o mesmo com nossas capacidades físicas e percepção. Não se trata de usar truques baratos, nem de bolar táticas mirabolantes. Acho que a classe que realmente se dedicar ao festival demonstrará seu verdadeiro valor — respondi.

Claro, isso não significava necessariamente que não haveria truques baratos. Contudo, uma vez iniciado o festival, as coisas ficariam mais rígidas — assim como num exame escrito: você até pode fazer algo antes ou depois, mas durante a prova, está limitado.

— O ponto central do festival esportivo é que devemos nos preparar adequadamente. E, quando começar, precisamos mostrar resultados. Só isso; o simples é melhor — falei.

— Eu já disse que quero que nos preparemos. Quero muito que a Classe D vença — retrucou Horikita.

— Errado. Você não está falando de preparação. Está tentando encontrar estratégias ardilosas e procurar brechas.

— Não vejo a diferença entre nossas abordagens — contestou ela.

— Quando digo "preparação", quero dizer decidir quem participará e em que ordem, saber quais alunos de outras classes são atléticos ou não, descobrir a ordem de participação deles. E também garantir que eles não descubram isso sobre nós. Por outro lado, "procurar brechas" significa tentar forçar alguém a desistir de uma competição ou se retirar. Veja, você quer ter uma mão forte, não quer? — perguntei.

Suponho que isso fosse natural para Horikita, já que até agora ela sempre avançara de frente e acabara perdendo — era normal desejar algo que garantisse vantagem no festival esportivo. Mas se fosse algo simples, ninguém estaria quebrando a cabeça.

— Então você está dizendo que precisamos lutar limpo e lutar com força para vencer?

Eu não tinha intenção de confirmar ou negar qualquer resposta que ela escolhesse. O motivo era simples: uma estratégia de vitória nunca tinha apenas um lado; sempre existia outra face. Fosse na ilha desabitada, no navio ou neste festival esportivo — era possível vencer "de frente" ou vencer "através de uma brecha". O importante era escolher um estilo compatível com a pessoa.

No momento, ela não favorecia nem um lado nem o outro; não era cara nem coroa. Nessa fase, ainda poderia se tornar qualquer um dos dois. Se eu dissesse que Katsuragi e Ichinose eram "cara", e Ryuen e eu éramos "coroa", qual lado Horikita escolheria? Eu entendia por que ela queria recorrer à "coroa" agora — afinal, os que haviam vencido até então eram trapaceiros.

Mas eu a alertava justamente porque seguir pela "coroa" no festival esportivo seria extremamente difícil.

— O que você faz é totalmente com você. Qual vantagem você acha que a Classe D tem agora, Horikita?

— Bem… o conflito entre as Classes B e C provavelmente vai nos ajudar.

Pensei em ignorar, mas precisávamos enfrentar o verdadeiro problema. Horikita Suzune vivia sua vida tão isolada que enxergava tudo com visão de túnel.

— Você não está pensando além — disse eu.

— Você acha que devemos ignorar o fato de que Ryuen-kun recusou cooperar com a Classe B? Acho que isso é algo positivo para nós.

— Você realmente acha isso?

— Bem… eles ainda podem se reconciliar e trabalhar juntos. Não é como se Ichinose-san gostasse do Ryuen-kun, mas, pelo bem da vitória, ela poderia deixar seus sentimentos de lado. Mas não podemos considerar isso uma vantagem por agora?

— É exatamente isso que quero dizer com "não pensar além".

— Que grosseiro. Tudo bem, então me ilumine.

— O que você sabe sobre Ryuen? Ele sempre busca vencer. Não importa como se comporte, nem o quão educado pareça, ele está sempre elaborando estratégias. Então, por que ele recusou cooperar com a Classe B tão de repente? Acha que ele simplesmente não considerou a opção?

— Espere… você está dizendo que as Classes B e C estão trabalhando juntas secretamente?

Ela estava no caminho certo, mas era preciso reforçar o ponto principal.

— Nosso relacionamento com a Classe B é diferente do de Ryuen. É bem possível que ele tenha um plano já em andamento. Se não tivesse, não haveria motivo para sair. Mesmo que fosse blefe, na superfície ele ganharia mais conversando com a Classe B, certo?

— Não acho que seja isso. Parece improvável — respondeu Horikita.

— Então, porque terremotos e incêndios são improváveis, não precisamos ter medidas de emergência, só por precaução? Você não entende a importância de estar preparada para uma catástrofe.

— Isso é—

Se nada acontecesse, nada resultaria disso. Mas, caso algo realmente ocorresse, você estaria despreparada por ter presumido que tudo ficaria bem.

— Acho que o Ryuen tem, pelo menos, uma ou mais estratégias em mente.

— Mas, se isso for verdade, é loucura. Nós acabamos de saber do festival. Ter um plano inteiro pronto tão cedo…

— É por isso que precisamos entender o tipo de loucura dele. Como seria um ataque frontal do Ryuen? Que brechas ele poderia explorar? Podemos bolar algo semelhante? Há precauções que podemos tomar? Temos que pensar assim, se quisermos nos elevar ao nível da Classe A — expliquei.

Se considerássemos quais estratégias de vitória ele poderia já ter elaborado, naturalmente reduziríamos as possibilidades. Claro, isso era algo que eu só conseguia enxergar porque passei a compreender claramente as estratégias e a mentalidade do Ryuen desde a confusão que quase levou Sudou à expulsão. Será que a Horikita ainda não percebia isso?

— Bem, suponho que esteja tudo bem enquanto fizermos o que pudermos. Vamos montar um plano para o caso de alguém fazer uma bagunça e termos que limpar depois — disse Horikita.

— Você pode não pular direto para a conclusão de que alguém vai fazer uma bagunça? — respondi.

Eu estava ansioso para descobrir até onde ela conseguiria pensar.

*

 

Depois que a aula terminou naquele dia, permaneci sozinho na sala. Do lado de fora da janela, eu ouvia os alunos envolvidos em suas atividades dos clubes. Com o festival esportivo se aproximando, todos eles estavam animados. Ninguém relaxava na rotina diária de treinos.

Coloquei meus fones de ouvido e abri no celular o arquivo que recebera mais cedo.

— Entendo…

De modo geral, agora eu tinha uma boa compreensão da situação. Pensei que talvez precisasse armar algumas armadilhas, mas parecia que isso não seria necessário. Satisfeito com esse desfecho, decidi voltar ao meu dormitório.

Ao passar pelo portão principal, encontrei a professora Chabashira. Ela estava regando o chão com uma mangueira.

— Você ficou mais tempo que o normal hoje, Ayanokoji.

— Suponho que sim. A senhora está de plantão hoje? — perguntei.

— Algo assim. Pode-se dizer que este é meio que o meu posto — respondeu ela, continuando a borrifar água com uma naturalidade que mostrava estar acostumada à tarefa. — Adultos que trabalham tendem a fazer várias coisas ao mesmo tempo, diferente de crianças. Isso é ainda mais verdadeiro agora que o festival esportivo está próximo. Enfim, o que você estava fazendo hoje? É a primeira vez que vejo você vagando sozinho depois da aula.

— Não acha que está exagerando?

— Você está preparado para o festival esportivo?

— Acho que a última aula de orientação explicou tudo, mais ou menos. Não explicou?

Chabashira-sensei provavelmente já tinha ouvido sobre todas as nossas estratégias — as do Hirata, da Horikita e do Sudou.

— No seu caso, imaginei que já tivesse alguma ideia excêntrica ou estratégia preparada — disse ela.

— Não, nada disso — respondi.

— Nada? Mas—

Quando seus olhos encontraram os meus, ela interrompeu a frase. Conversar sobre aquilo em público não ajudaria ninguém.

— Não me esqueci do que a senhora me disse, sensei. Porém, sou livre para decidir meu próprio caminho.

— Sim, está certo. Não devo interferir desnecessariamente. Mas tudo isso acaba no momento em que você tentar relaxar e levar as coisas na boa. Se não me mostrar algum resultado logo, vou parar de encobrir você. Isso já vai além do que se espera das obrigações de uma professora — afirmou.

Eu não sabia exatamente o que ela esperava de mim. Irritado com sua intromissão no meu cotidiano, decidi ir embora. Eu não deveria ter me envolvido em algo tão incômodo.

Não… na verdade, esse confronto era apenas questão de tempo. Mais cedo ou mais tarde, aconteceria.

— Com licença.

— Claro. Se cuida.

Que gentil da parte dela dizer "se cuida" para alguém cuja viagem árdua de volta tinha só algumas centenas de metros.

Voltei para o dormitório.


ENTRE NO DISCORD DA SCAN PARA FICAR POR DENTROS DOS PROXIMOS LANÇAMENTOS DE COTE! 

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora