Ano 1 - Volume 4
Capítulo 1: Dias Tranquilos…
JÁ TINHAM SE passado três dias desde o fim daquele teste especial na ilha. Nenhum outro evento empolgante havia ocorrido a bordo do luxuoso navio de cruzeiro que a Advanced Nurturing High School havia providenciado para nós, e estávamos aproveitando o merecido descanso.
Era óbvio que o tempo passado em uma ilha deserta havia deixado um bando de jovens, agitados como nós, completamente fora de si. Nós, os garotos, éramos basicamente feras — carnívoros famintos. Enquanto observávamos as garotas conversando e se distraindo como inofensivas herbívoras, esperávamos uma brecha, como os predadores que éramos.
Aquele navio de cruzeiro luxuoso, equipado com tudo o que se podia imaginar, parecia um sonho realizado. Essa viagem nos permitia esquecer qualquer coisa desagradável. Não seria estranho se alguém se apaixonasse ali. Corria o boato de que vários casais tinham se formado durante a viagem.
Infelizmente, esse não seria o meu caso. Eu levava uma vida quase sempre solitária. O teste não havia mudado isso... não, isso não era bem verdade. Meu ambiente começara a mudar. Contra a minha vontade, fui forçado a seguir um novo rumo. Eu havia entrado nessa escola por um motivo específico.
"Contato com pessoas de fora é proibido até a formatura."
Essa regra era a razão pela qual eu havia me matriculado. Contudo, um certo homem vinha tentando estabelecer contato comigo à força. Foi o que Chabashira-sensei, minha professora tutora, me contou. Depois, ela me ameaçou com a expulsão desse paraíso caso eu me recusasse a trabalhar para levar a turma à Classe A.
Embora eu não tivesse feito nada de errado, uma criatura impotente como eu não tinha escolha senão aceitar. Eu nem sabia se ela estava mentindo ou não. Por isso, tive de assumir que fosse verdade.
Mesmo assim, não pretendia dançar conforme a música da minha professora para sempre. Enquanto reunia as informações necessárias, considerei a possibilidade de ter que agir. Um diabinho pousado no meu ombro sussurrou suavemente ao meu ouvido: "É melhor pegá-los antes que te peguem." Pensei em várias formas de forçá-la a pedir demissão. Hmm.
Mas esse pensamento incômodo durou apenas um segundo. Logo minha mente voltou ao seu estado normal — vazia.
— Suspiro. Se ao menos eu tivesse o poder de girar a Terra sobre o próprio eixo...
Se pudesse fazer isso, eu viveria livremente, sem me preocupar com pequenas coisas. Olhei pela janela e comecei a sonhar acordado com Dragon Ball.
Três dias haviam se passado desde o fim do teste. Logo após a conclusão da prova de sobrevivência, a maioria dos alunos aguardava apreensiva o próximo movimento da escola. Todos andavam com cuidado, caso houvesse algum truque escondido.
Mas não havia sinal de nada maligno. Tudo estava calmo e tranquilo, como se as férias de verão tivessem realmente começado e aquela viagem fosse apenas um passeio divertido. Os alunos começaram a relaxar e agiam como se o teste tivesse realmente acabado. Achavam que aquela segunda semana era pura diversão. A vigilância começou a diminuir.
Apesar da aparência relaxada, ainda mantínhamos um certo grau de prontidão. As pessoas que sabem descansar também sabem agir com eficiência.
— Hmm? Você ficou o tempo todo no quarto, não foi? — Hirata Yousuke, um dos meus colegas de cabine, me tirou do devaneio enquanto eu fitava o mar.
— Não tenho muito motivo pra sair. Também não tenho com quem andar.
— Isso não é verdade. Quero dizer, você tem o Sudou e os outros caras... e a Horikita-san também.
Era verdade que algumas pessoas me classificavam como "amigo", e eu retribuía o sentimento. Mas os amigos do nível mais baixo são tratados de forma diferente dos amigos "de verdade". Quando alguém quer sair, esse tipo de amigo é convidado só uns dez por cento das vezes. Naturalmente, eu era esse tipo de amigo.
— Você poderia fazer mais amigos se fosse um pouco mais proativo, Ayanokoji-kun. Mas acho que não é da minha conta.
Hirata era popular e admirado por praticamente todos os alunos. Todas as garotas o adoravam, e ele ainda tinha uma namorada, a Karuizawa. Um cara tão feliz provavelmente não conseguiria entender o que é a solidão.
— Você é um cara legal, Ayanokoji-kun. Acho que só precisa da oportunidade certa.
Eu não precisava ouvir palavras tão gentis e ao mesmo tempo tão cruéis. Não precisava que as garotas me dissessem: "Ah, mas ouvi dizer que você é ótimo." Porque, se eu respondesse "Então vamos sair juntos?", elas retrucariam: "Ah, bem... não sei se é uma boa ideia." Dispenso esse tipo de coisa.
Eu passo meu tempo sozinho porque não consigo fazer amigos nem arrumar uma namorada. Idiota.
— Estou planejando me encontrar com a Karuizawa e o pessoal por volta das 12h30 para almoçar. Quer vir com a gente? Vai ser divertido.
— Karuizawa e o pessoal? — perguntei.
— É. Umas três garotas além dela. Quer vir?
Tive que pensar um pouco. Para ser sincero, eu queria conversar com a Karuizawa já fazia um tempo. Mas não havia motivo para ter pressa. Além disso, com outras garotas por perto, eu provavelmente nem conseguiria iniciar uma conversa. Na verdade, era mais provável que eu estragasse o clima.
— Vou passar. Não acho que eu tenha muita intimidade com o grupo da Karuizawa.
Desde o fim do primeiro semestre, as relações dentro da turma estavam bem definidas. Como eu poderia construir novas amizades agora? Já conseguia imaginar a cara de desprezo da Karuizawa e das outras.
Mesmo sem compreender totalmente meu receio das pessoas, Hirata sentou ao meu lado.
— Entendo que você se sinta hesitante. É justamente por isso que quero que conte comigo.
Hirata exibia aquele sorriso otimista de sempre. Apesar da oferta gentil, balancei a cabeça.
— Faltam uns dez minutos para você se encontrar com elas. É melhor me deixar aqui.
— Não precisa ter pressa. Além disso, eu gosto de passar um tempo com você.
Para um observador de fora, minhas palavras podiam soar como uma desculpa, mas eu estava sinceramente satisfeito com a situação atual. Quando entrei na escola, queria fazer amigos — queria ter cem deles, se possível —, mas naturalmente todos acabaram formando seus próprios grupos. Era inevitável.
Mesmo que eu só conversasse com as três idiotas — Horikita, Kushida e Sakura —, minha vida escolar não era tão ruim. Eu realmente acreditava nisso. Mas Hirata não era o tipo que deixava alguém sozinho se podia ajudar.
— Então, que tal almoçarmos só nós dois? Você e eu. Tudo bem pra você?
Só nós dois. Sentados na cama. Hirata me olhou com seriedade. Se ele me empurrasse de leve, as coisas poderiam sair do controle.
— Bem, não me oponho à ideia... mas você não tinha prometido se encontrar com a Karuizawa?
— Posso almoçar com a Karuizawa-san e as outras a qualquer momento, mas quase nunca tenho a oportunidade de comer junto com você, Ayanokoji-kun.
Normalmente, um cara faria qualquer coisa por uma chance de almoçar com uma garota. É o pensamento típico dos homens. No entanto, Hirata parecia perfeitamente confortável em priorizar um almoço comigo, outro garoto, sem hesitar. Isso era o bastante para me deixar com dúvidas. Talvez ele "jogasse no outro time"?
Hirata era um exímio multitarefa, mas nunca fazia nada sem um motivo.
— Eu ficaria mal se a Karuizawa te culpasse depois.
Tentei recusar de forma educada, apelando para a consciência dele. Às vezes, eu me perguntava se Hirata me via como um filhote de cervo trêmulo, incapaz de dar os primeiros passos sozinho.
— Não se preocupe. Não acho que a Karuizawa-san seja do tipo que guarda rancor.
Não, não. A Karuizawa definitivamente era esse tipo de garota. Mesmo que fingisse ser gentil diante do Hirata, ela era autoritária e mandona com as outras meninas. Talvez Hirata a tivesse classificado como "não desse tipo". Ele me lembrava aquele professor de Yomawari Sensei, que mostrava piedade com alunos problemáticos.
— Certo. Vou cancelar com a Karuizawa-san por hoje.
Hirata pegou o celular e começou a ligar. Tentei impedi-lo, mas ele apenas me lançou um olhar firme.
— Tem algo que você queira comer?
— Eu como praticamente qualquer coisa, acho. Mas, se puder, prefiro evitar comida muito pesada — murmurei.
O navio tinha vários restaurantes — de fast food, como ramen e hambúrgueres, até culinária francesa. Como ainda era de dia, eu queria algo leve. Ouvi Hirata dizer friamente à Karuizawa, pelo telefone, que estava cancelando o encontro. Não consegui ouvir a voz dela direito, mas ele encerrou a ligação de forma abrupta.
— Tem certeza de que está tudo bem? — perguntei.
— Claro. Então, vamos para o deque? Se for só uma refeição leve, é o melhor lugar pra comer.
Hirata abriu a porta, num gesto de convite, enquanto eu ainda estava na cama. Ele era o mesmo de sempre — atencioso, preocupado —, mas insistir em me tirar dali mesmo sem meu entusiasmo parecia estranho. Era um pouco forçado, vindo dele. Normalmente, Hirata lia qualquer situação com perfeição. Devia ter algum motivo por trás disso.
— Obrigado por ter ajudado na ilha deserta. Sinto por não ter te agradecido direito por ajudar a encontrar o culpado, Ayanokoji-kun.
— Não precisa se desculpar. Eu nem fui útil. Foi a Horikita quem encontrou o ladrão de roupa íntima.
— Mesmo assim, agradeço por ter ajudado.
Ao ouvir isso, me lembrei de algo que queria perguntar sobre o "incidente das roupas íntimas". Olhei em volta, certificando-me de que estávamos sozinhos, e então toquei no assunto.
— A Karuizawa conseguiu a roupa de volta? — perguntei.
— Conseguiu, sim. Quando soube que a culpada era a Ibuki-san, tudo se resolveu rapidamente.
Na ilha, a Karuizawa teve a calcinha roubada, o que causou uma verdadeira confusão. Como a peça foi encontrada na bolsa de um garoto, a relação entre meninos e meninas da Classe D ficou por um fio. Mas Hirata agiu rápido — escondeu a roupa e acalmou a situação. Graças a isso, tudo se estabilizou.
Fiquei realmente aliviado. Aquilo havia sido uma operação delicadíssima, e eu me impressionei com a forma como ele lidou com tudo. Metade de mim achava que, mesmo com todas as suas habilidades, Hirata acabaria estragando o retorno da peça.
A forma tranquila e discreta com que ele resolveu o problema das roupas provava que Hirata estava subindo degrau por degrau rumo à maturidade.
Pegamos o elevador até o deque superior do navio. Muitos colegas pareciam aproveitar as férias de verão ao máximo. Garotos e garotas se divertiam na piscina, de trajes de banho, rindo e brincando sem pudor. O clima tenso e pesado do teste havia se dissipado completamente.
Aquela demonstração de euforia vinha dos desejos reprimidos dos estudantes durante a sobrevivência na ilha. No navio, não precisávamos gastar pontos para usar as instalações, comer ou beber. Tudo era gratuito. Ninguém precisava se conter. O máximo era pegar emprestado trajes de banho e equipamentos — fora isso, era o paraíso.
Quando chegamos ao restaurante, mais da metade dos assentos já estava ocupada. Passamos pela multidão e conseguimos duas cadeiras vazias.
— Na verdade, tem uma coisa sobre a qual eu queria o seu conselho — disse Hirata, olhando para o cardápio com um tom levemente apologético.
— Conselho? — Então era por isso. Ele realmente tinha um motivo oculto para esse convite. Bem, eu estava curioso. Não me importava com o motivo.
— Não sou exatamente a melhor pessoa para dar conselhos. Pode me dizer o resumo?
Eu não era bom nem em falar nem em ouvir, mas ele devia ter um motivo específico para me procurar.
— Eu queria saber se você poderia servir de ponte entre mim e a Horikita-san. Afinal, a Classe D vai precisar trabalhar unida daqui pra frente, e acho que a Horikita-san será indispensável.
Ah, então era isso. Quando assenti, Hirata continuou com confiança:
— Outro dia, a Classe D ganhou um grande impulso graças à Horikita-san. A moral da turma disparou e, mais do que tudo, o número de pessoas que a admiram aumentou. Essa é uma grande oportunidade.
— Bem, acho que sim.
Horikita Suzune era uma aluna da Classe D — e a primeira amiga que fiz na escola. Eu também era o primeiro amigo dela. Apesar disso, era uma pessoa reservada e fria. Uma aluna exemplar, talentosa tanto em estudos quanto em artes marciais, mas sua fraqueza estava em sua personalidade: autossuficiente, distante, arrogante.
Não se envolvia com ninguém e não era boa em lidar socialmente com as pessoas.
— É por isso que acho que ela deveria tentar se enturmar agora. Se ela cooperar com a gente, poderemos subir para a Classe C, depois B... não, talvez até alcançar a Classe A.
De qualquer outra pessoa, isso soaria forçado. Mas Hirata elogiava a Horikita desde o início do ano. Ele sempre reconheceu o potencial dela — e parecia realmente gostar dela.
Eu não me importava em ajudá-lo. A tarefa era simples: eu poderia pelo menos aproximar os dois. Mas duvidava que isso resolvesse algo de forma definitiva.
— Mesmo que eu consiga juntar vocês, não vai ser fácil. A Horikita é complicada.
Se eu pedisse pra ela ser mais gentil, ela recusaria. Se achasse que eu estava tentando manipulá-la, o resultado seria desastroso. Ela se afastaria ainda mais. A reação dela ao convite de amizade da Kushida, no café, durante o primeiro semestre, era prova disso.
— Sim. Eu entendo, é claro. A Horikita-san só se abre com você, Ayanokoji-kun. Não quero forçar a confiança dela. É por isso que quis te contar minhas intenções — para que você converse com ela. Depois disso, finja que eu nunca te pedi nada.
Então era isso: eu seria uma espécie de "sussurrador da Horikita". O intermediário. O mensageiro que levaria as opiniões de Hirata até ela, criando uma parceria invisível entre os dois — e sem que Horikita jamais percebesse.
— Se eu achasse que ela me ouviria, seria simples. Mas não vai ser tão fácil assim. Normalmente, só concordo com o que a Horikita diz. Nunca impus minha opinião a ela. Se eu de repente começar a falar com firmeza, ela vai achar estranho. E se descobrir que as ideias são suas, tenho certeza de que vai se fechar completamente.
— Mas não consigo pensar em outra alternativa agora. Não acho que eu tenha confiança suficiente pra falar com a Horikita-san, muito menos pra convencê-la. Essa é minha última opção.
— Você não acha que é meio cedo pra falar em "última opção"?
Hirata claramente queria se aliar à Horikita, mas teria que enfrentá-la diretamente. Eu entendia que era difícil — porém, coordenar pessoas também era. A própria Horikita provavelmente concordaria com isso. Afinal, ninguém na nossa turma valorizava tanto amizade e união quanto Hirata.
Ainda assim, eu não estava totalmente convencido com a proposta dele. Parecia que ele tinha perdido a autoconfiança, talvez até estivesse se questionando. Ele também havia agido de modo estranho lá na ilha. Não era algo trivial.
Pedi um sanduíche leve e uma bebida. Perto dali, alunos nadavam na piscina; outros comiam ainda de roupa de banho. O ambiente era animado, cheio de risadas. Se Ike e Yamauchi estivessem por perto, provavelmente teriam esquecido da comida e estariam "alimentando os olhos" com as garotas. Hirata, porém, não desviava o olhar de mim nem por um segundo.
— É, talvez você tenha razão. Como disse, Ayanokoji-kun, meu plano foi bem precipitado.
Ele reconheceu o erro com naturalidade e respondeu com sinceridade — mais um dos muitos encantos de Hirata. Ainda assim, o desejo de trabalhar junto com Horikita era tão forte que ele não mostrava sinal algum de desistência.
— Acho melhor repensar como fazer isso. A Horikita-san parece muito exigente e crítica. Como é que você consegue se dar bem com ela, Ayanokouji-kun?
Hirata queria ser amigo da Horikita antes de estabelecer uma relação de cooperação. Achei que ele estivesse certo em querer abordá-la diretamente. Era uma atitude construtiva — e eu até queria ajudá-lo —, mas…
— Pra falar a verdade, nem acho que eu e a Horikita nos damos tão bem assim. Ultimamente, eu até me pergunto se dá pra dizer que somos amigos.
— Mas parece que a Horikita-san só se dá bem com você, Ayanokoji-kun. Você é especial pra ela.
"Especial", hein? Difícil acreditar que alguém com mais de quarenta amigos dissesse isso pra um sujeito que mal podia afirmar ter um. Talvez justamente por se dar bem com tanta gente, Hirata se frustrasse por não conseguir se conectar com uma pessoa em particular.
— Não há motivo para se apressar, certo? O primeiro semestre acabou agora.
Os laços entre as pessoas precisam, em essência, de tempo para se fortalecer. Às vezes, sob condições extremas — como no teste da ilha —, esses vínculos se intensificam de um dia pro outro. Mas, embora isso possa parecer um avanço rápido, laços criados assim costumam ser frágeis.
— A Horikita não é o tipo que faz amigos facilmente.
Eu queria que Hirata entendesse isso.
— É, provavelmente é verdade.
Hirata pareceu um pouco arrependido. Talvez tivesse percebido que estava se precipitando outra vez.
— Não levei em conta o que ela sente. Só pensei em mim.
Hirata balançou a cabeça, afastando os pensamentos, e voltou a sorrir.
— Desculpe. Te convidei para almoçar e acabei falando só sobre mim. Enfim, vamos comer, certo?
Com isso, começamos a comer a comida recém-chegada. No entanto, Hirata levantou o olhar e pareceu notar alguém se aproximando. Ele me lançou um olhar surpreso.
— Ah, então você está aqui mesmo, Hirata-kun! Vamos almoçar juntos!
Karuizawa apareceu, liderando um grupo de garotas. Ela parecia animada e despreocupada.
— Hã... Karuizawa-san, eu achei que tinha cancelado nossos planos…
Hirata se atrapalhou nas palavras, visivelmente incerto. Enquanto isso, Karuizawa e as outras puxaram cadeiras de uma mesa próxima, me empurraram para fora do caminho e cercaram Hirata num piscar de olhos. Nosso almoço tranquilo se transformou em uma pequena confusão em segundos.
Eu não era muito de conversar, mas também não me importava. Já estava acostumado a lidar com situações assim.
Provavelmente era hora de usar a habilidade especial que eu havia desenvolvido desde o início das aulas — meu "Escape Rápido". Peguei meu prato e me levantei silenciosamente, sem fazer barulho.
Os olhos de Hirata cruzaram os meus por um instante, mas logo as garotas fecharam o círculo ao redor dele, e ele desapareceu.
Talvez esse fosse um dos poucos inconvenientes de ter tantos amigos: você acaba dedicando tanto tempo aos outros que não sobra nenhum para si mesmo. Mesmo que Hirata tivesse problemas pesando em seu coração, ele jamais conseguiria desabafar com Karuizawa e as demais. Em vez disso, guardava tudo em silêncio dentro de si.
*
Depois que Karuizawa monopolizou o Hirata, decidi voltar para o meu quarto. De qualquer forma, eu não tinha mais ninguém com quem conversar ou passar o tempo. Preferi usar as escadas em vez do elevador e subi até o terceiro convés, onde ficava meu quarto.
Quando cheguei, notei algumas manchas molhadas espalhadas pelo chão do corredor. Elas formavam um rastro… que seguia justamente na direção do meu quarto. Ao acompanhá-lo com os olhos, vi um homem elegante caminhando pelo corredor — nu da cintura para cima, vestindo apenas uma sunga.
— S-Senhor! Por favor, não ande pelos corredores enquanto ainda está pingando água!
Um jovem mensageiro correu até ele, tentando lidar com a "emergência". O rapaz já estendia uma toalha, preparado demais, como se sempre carregasse uma estrategicamente no bolso.
— Hahaha! Parece que você me encontrou, não é mesmo? — disse o homem.
— Sim, eu encontrei. Esta é a quarta vez. Já pedi que, por favor, se seque antes de sair da piscina. Caso contrário, o senhor acaba incomodando os outros passageiros.
Pelo visto, ele era um reincidente. Isso explicava o motivo de o mensageiro andar preparado com toalhas de reserva.
— Incomodar? Mas não me lembro de ter incomodado ninguém. Eu não me seco com toalha por princípio, desde que alcancei a idade da razão. Já não disse? "Um homem refinado, pingando água", hmm?
Claro. O homem era Koenji. Ele passou a mão pelo cabelo molhado, espalhando ainda mais gotas d’água por todo lado. O mensageiro, apressado, usou a toalha para secar o carpete e as paredes. Koenji parou, observando o desespero do rapaz como se achasse aquilo divertido.
— Você tem caneta e papel aí? — perguntou ele.
— Hã? Eu… bom… sim, por causa do meu trabalho, eu costumo carregar um bloco e uma caneta, mas… — o mensageiro respondeu, visivelmente sem entender onde aquilo ia parar, enquanto tirava a caneta do bolso.
— Sabia que a assinatura de uma celebridade pode adquirir um valor surpreendentemente alto com o tempo? No exterior, há autógrafos avaliados em milhões — até dezenas de milhões.
— E… o que tem isso?
Depois de rabiscar algo no bloco, Koenji o devolveu com um gesto teatral. Mesmo à distância, consegui ler o nome: "Koenji Rokusuke."
— O-O que é isso?
— Ora, é óbvio. Uma assinatura. Mesmo escrita num bloco tão barato, certamente terá um valor imenso no futuro. Estou lhe oferecendo isso como um presente, em agradecimento pelo seu esforço. Receba com gratidão — e guarde com zelo.
Aparentemente, Koenji acreditava que o mensageiro ficaria emocionado, talvez até reverente. Mas ninguém em sã consciência aceitaria aquilo com prazer. Na verdade, a caneta e o bloco do rapaz valiam bem mais.
— Não olhe pra mim com tanta desconfiança. Sou o homem que carregará o futuro do Japão em suas costas. Quando chegar a esse ponto, pretendo passar férias em um navio ainda maior — mas posso esperar até lá. Claro, será um transatlântico de qualidade muito superior a este navio comum em que navegamos agora.
Bem, um transatlântico de luxo ainda era um transatlântico — eu só esperava que não terminasse como o Titanic. Koenji soltou uma gargalhada satisfeita. O mensageiro, completamente atônito, apenas ficou parado olhando para as poças de água no chão. Já tinha perdido toda a vontade de continuar tentando detê-lo.
Koenji vivia sozinho porque os colegas o evitavam — não suportavam sua personalidade incrivelmente egoísta. Muitos já haviam passado pela mesma situação constrangedora que aquele pobre funcionário. Hirata provavelmente tentaria conversar com ele, mas acabaria ignorado também. Koenji era como veneno: qualquer um que se aproximasse — amigo ou inimigo — acabava sofrendo.
Para evitar me envolver em algo tão problemático, deslizei discretamente pelo corredor, tentando passar despercebido entre os dois. Chegar perto demais de alguém assim era perigoso.
— Oh ho? Ora, se não é o Ayanokoji-boy, hmm? Que coincidência.
Ah, ótimo. Koenji havia dito o meu nome. Mas não podia ser comigo, certo? No mesmo instante, o mensageiro, percebendo que a atenção de Koenji se desviara para mim, pareceu… aliviado. O olhar dele dizia claramente: "Finalmente estou livre!"
Mas sério, como um funcionário podia agir assim? Ele deveria continuar atendendo o passageiro, por mais irritante que fosse. Aquilo era como alguém soltar um animal perigoso no rio — especialmente um peixe invasor e faminto como Koenji, que devoraria todos os outros até não sobrar nada.
— Quer alguma coisa comigo? — perguntei.
— Não, não. Não tenho nenhum assunto específico com você. Apenas o cumprimentei por sermos colegas de escola. Além disso, embora não sejamos iguais em posição, você é o meu colega de quarto.
Koenji passou a mão no cabelo de novo, espalhando água — que, claro, respingou bem no meu rosto e no uniforme. Ele parecia completamente inconsciente do que fazia com suas vítimas. Enquanto isso, o mensageiro observava a cena com um sorriso discreto, como se dissesse: "Sim, sim, eu entendo bem a dor que você está sentindo… ou não."
— Bem, com licença. Desejo-lhe um ótimo dia.
O mensageiro lançou essa despedida rápida antes de fugir — havia cumprido o mínimo necessário. Claro que eu também não estava nada empolgado em ficar sozinho com Koenji.
— Sobre o que estavam conversando? — perguntei.
Por um instante, o rosto do mensageiro se contorceu em raiva, mas assim que Koenji virou-se em sua direção, ele voltou a sorrir como se nada tivesse acontecido. Parecia um personagem de anime trocando de rosto, tipo o Asuraman.
— Ah, bem… como pode ver, ele estava molhado. Eu tentei oferecer uma toalha e—
— Então, em outras palavras, você estava tentando dar uma advertência. Eu devo ter atrapalhado, então vou deixá-los resolver isso.
Passei a bola — e rápido. Um arremesso certeiro, que deixou o mensageiro sem saída e me deu a chance perfeita de escapar.
— Este mensageiro veio me dar uma advertência? — exclamou Koenji.
— Ah, não, não é bem isso. Quer dizer…
Consegui escapar de Koenji e segui de volta em direção ao meu quarto.
— Mas se eu for pra lá agora, vou acabar esbarrando nele de novo, não é? — murmurei.
Meu quarto deixaria de ser um refúgio e se tornaria um inferno particular. Já tinha ficado sozinho com Koenji algumas vezes durante a viagem, e todas as experiências tinham sido absurdamente desconfortáveis. Querendo evitar outra daquelas situações constrangedoras, dei meia-volta. Não voltaria ainda. Era melhor procurar Hirata e Yukimura — meus outros colegas de quarto.
Um mapa do navio estava exposto em um painel próximo, fácil de entender. O fato de o mapa estar emoldurado em ouro talvez fosse um exagero, mas ao mesmo tempo reforçava a sensação de estar a bordo de um navio de luxo. Tracei um caminho que me permitiria matar um bom tempo e entrei no elevador. Saí no segundo convés.
O navio tinha nove conveses ao todo, além do terraço superior. O quinto convés ficava acima da linha principal do casco, enquanto o quarto ficava abaixo. O primeiro convés abrigava tanto o salão quanto o espaço de banquetes, e o terraço no topo contava com piscina, café e outras instalações. Os quartos de hóspedes ficavam no terceiro e quarto conveses — os rapazes no terceiro, as garotas no quarto.
Homens e mulheres, inclusive os professores, estavam bem divididos por andares. No entanto, não havia nenhuma restrição severa quanto à circulação, então um garoto podia facilmente caminhar pela área das garotas. Provavelmente o que era proibido era permanecer por lá — especialmente depois da meia-noite.
O navio também oferecia várias opções de lazer: cinema, teatro ao vivo e outros tipos de entretenimento. Essas áreas se espalhavam do primeiro subnível até o terceiro. No quarto subnível — o ponto mais baixo do navio — ficava uma espécie de sala de controle elétrico, mas essa parte não tinha nenhuma relevância para os estudantes.
O salão principal ficava aberto vinte e quatro horas por dia. Poderíamos ir lá a qualquer hora, mas havia um aviso da escola pedindo que evitássemos usá-lo demais. Enquanto caminhava pela área do segundo convés, percebi que o ambiente ali era bem diferente. As salas estavam vazias, e não dava para saber ao certo para que serviam. Quase não havia estudantes nos corredores — dava a impressão de estar num lugar abandonado.
Foi então que senti o celular vibrar no bolso. Tirei-o e vi que tinha recebido um e-mail. Era de uma certa garota me chamando. Conveniente — já que eu estava justamente procurando algo pra fazer. Sem motivo para recusar, atendi a ligação com prazer.
*
— Ahh. Ahhh… Ahhh…
Sakura, que tinha me mandado o e-mail, soltava vários suspiros nervosos e aflitos.
— O que foi? — perguntei.
— Wah! A-Ayanokoji-kun?!
Eu não achava que tinha falado de forma rude ou brusca, mas Sakura reagiu como se tivesse levado um choque elétrico. Sua postura, normalmente curvada, se endireitou na hora.
— Desculpe por te assustar.
— N-Não, não… É que… eu fico estranhamente nervosa, só isso.
Se ela ficava assim só de encontrar um amigo, o dia a dia dela devia ser bem difícil.
— Ayanokoji-kun, você divide o quarto com o Hirata-kun, o Koenji-kun e o Yukimura-kun, não é?
— Meus colegas de quarto? Sim, isso mesmo. Por quê? — não esperava que ela perguntasse sobre isso.
— Ah… Bem, para ser sincera, eu… eu estou um pouco preocupada com as pessoas com quem estou dividindo o quarto.
Parece que ela não se dava muito bem com as colegas de quarto. Sakura nunca foi boa em socializar, afinal. Bastou ver a expressão aflita em seu rosto para eu entender tudo.
— Está preocupada porque quer se dar bem com elas, mas sente que não consegue?
— Eu não sei… Tenho sentimentos confusos. Quero me dar bem com elas, mas também quero ficar sozinha. Eu sou um caso perdido, né? — sua voz foi sumindo enquanto ela desviava o olhar. Eu não sabia com quem ela estava dividindo o quarto, então não podia aconselhar muito.
— A propósito, com quem você está no quarto?
— Ah. Não te contei? Com a Shinohara-san, a Ichihashi-san e a Maezono-san.
Ela parecia ainda mais abatida ao dizer os nomes. Todas eram garotas de personalidade forte. Shinohara era próxima de Karuizawa — praticamente uma subordinada dela. Uma garota confiável e corajosa, que não recuava diante de desafios, nem mesmo em discussões com os meninos. Mas também podia ser bem dura com quem não gostava. Era difícil imaginar que ela simpatizasse com Sakura, então provavelmente não faria esforço algum para ser sua amiga.
Ichihashi era mais madura, mas também teimosa. Já Maezono… eu não sabia muito sobre ela, mas minha impressão não era boa. Tinha um temperamento ruim e parecia gostar de provocar brigas. Provavelmente era o tipo de pessoa com quem Sakura mais teria dificuldade de lidar. Mesmo que ela se esforçasse para se aproximar, se Maezono não gostasse de sua atitude, acabaria a odiando.
Eu quase quis fazer um carinho na cabeça de Sakura e dizer o quanto ela era forte — afinal, ainda não tinha chorado. Ela estava se saindo bem.
— Mas por que veio falar comigo? — perguntei.
— Eu… achei que qualquer conselho seu, Ayanokoji-kun, seria bom — murmurou Sakura, baixinho.
Parece que ela começou, aos poucos, a confiar em mim. Murmurou algumas palavras de desculpa.
— D-Desculpa te incomodar assim do nada. Você deve estar ocupado, Ayanokoji-kun.
— Não tem problema. Eu não me importo quando você vem pedir conselhos. Agora… se eu vou ser útil, aí já é outra história.
Como eu não era amigo de nenhuma das colegas de quarto dela, não podia garantir que conseguiria ajudar. Enquanto pensava no que dizer, a porta de um dos quartos se abriu.
— Hã? Ayanokoji-kun e Sakura-san? O que estão fazendo aqui?
Kushida Kikyou, da Classe D, saiu do quarto. A expressão animada de Sakura desapareceu na hora — como se o sol tivesse se escondido atrás das nuvens. O ar ficou pesado entre nós. Talvez ela simplesmente não soubesse lidar com as próprias emoções. A reação de Sakura à presença alegre e radiante de Kushida era de pura rejeição, mas Kushida continuou falando, sem parecer notar nada.
— Ah, atrapalhei vocês? Não era minha intenção. Eu ia me encontrar com umas amigas.
— V-Vou voltar pro meu quarto — disse Sakura, se afastando apressada, quase em pânico, como se fugir de Kushida fosse uma questão de sobrevivência.
— Ah… Desculpa. Acho que foi má hora. Não devia ter falado nada.
Kushida juntou as mãos em sinal de desculpa. Mas, na verdade, ela não tinha motivo nenhum para se desculpar. Sakura só não sabia lidar com as pessoas.
— Ah, é verdade! Acho que essa é a primeira vez que conversamos desde que voltamos pro navio. Eu te vi mais cedo, de longe, com um grupo de meninas.
Kushida era a pessoa mais popular da Classe D — talvez até da escola inteira. No dia da cerimônia de abertura, ela tinha dito que faria amizade com todos… e, de fato, quase conseguiu. Faltavam apenas alguns poucos, como Sakura.
— Marquei de encontrar umas meninas da Classe C hoje. Quer vir junto, Ayanokoji-kun?
— Hã? Eu posso ir?
— O quê? Você vai mesmo?
O dia estava se encaminhando para o desastre. Por um instante, a máscara de Kushida escorregou — seu verdadeiro eu pareceu surpreso com minha resposta. Bom, sempre havia um jeito educado de recusar.
— Tô brincando. Já devia saber que eu não sou o tipo de pessoa que participa dessas coisas.
— Ah, poxa, me assustou por um segundo. Você é engraçado, Ayanokoji-kun.
— Sério? — Duvidava que ela realmente achasse graça, mas também não queria saber o que ela pensava de verdade.
— Bem, eu vou indo.
Quando ela se despediu, os dois celulares tocaram ao mesmo tempo. Um som alto e metálico ecoou — significava que tínhamos recebido uma mensagem da escola. Normalmente, esses avisos traziam novas instruções ou mudanças nos eventos. Mesmo no modo silencioso, o alerta soava. Era claramente uma mensagem importante.
— O que será isso? — perguntou Kushida.
Ela parou, intrigada — e com razão. Embora o sistema já tivesse sido explicado desde o início das aulas, não havíamos recebido nenhuma mensagem importante durante as férias de verão… até agora.
Logo em seguida, um anúncio começou a ecoar por todo o navio.
— Atenção. Este é um comunicado para todos os estudantes. Todos os alunos devem ter recebido uma mensagem da escola, conforme indicado na linha de contato. Por favor, verifiquem seus dispositivos móveis individuais e sigam as instruções conforme indicado. Caso não tenham recebido a mensagem, pedimos desculpas pelo transtorno. Procurem o membro da equipe mais próximo para obter assistência. Como o conteúdo da mensagem é extremamente importante, por favor, não o ignorem. Repetindo—
— Isso era sobre a mensagem que acabamos de receber, certo? — perguntou Kushida.
— Provavelmente.
Peguei meu celular e vi a seguinte mensagem:
Um teste especial começará em breve. Reúnam-se na sala designada, no horário indicado. Qualquer pessoa que chegar mais de dez minutos após o início poderá ser penalizada. Por favor, dirijam-se à Sala 204, no segundo convés, até às 18h00 de hoje. Como o trajeto até o local leva cerca de vinte minutos, recomendamos que usem o banheiro agora, se necessário. Coloquem o celular no modo silencioso ou desliguem-no, e sigam imediatamente para o local.
— Um teste especial? — murmurei.
Provavelmente não seria uma prova escrita ou um exame físico comum, como em uma escola regular — devia ser algo mais parecido com o teste de sobrevivência na ilha. No entanto, nada na mensagem dava pistas sobre o que nos esperava. Será que deveríamos interpretar algo nas entrelinhas ou simplesmente estar prontos para qualquer coisa? Eu não sabia.
Mais do que qualquer outra coisa, certos detalhes da mensagem me incomodavam. Pediam para nos reunirmos às 18h00, mas tínhamos apenas cerca de vinte minutos para nos preparar e ir até lá — um tempo extremamente curto. Além disso, parecia algo decidido às pressas. E por que o local designado era uma das salas privativas do navio? Aquilo certamente não era um ambiente apropriado para um exame.
— Pode me mostrar seu celular um instante? — perguntei.
Kushida, sem hesitar, mostrou que havia recebido a mesma mensagem. A única diferença era o horário e o local. No caso dela, o horário designado era 20h40, mas também constava que o trajeto até o local levava cerca de vinte minutos. Notei ainda que a sala dela ficava apenas duas portas depois da minha.
— Por que será que nos convocaram de um jeito tão estranho? — ela perguntou.
— Não faço ideia.
Tudo o que eu sabia é que tinha um mau pressentimento. Não imaginei que nosso cruzeiro terminaria assim. Um lugar onde todos os alunos do primeiro ano se reuniriam dentro do navio… Já havia visitado cinemas, salões de festa e buffets. Achei que poderia deduzir algo sobre o teste observando atividades suspeitas, mas não havia visto nada fora do comum. Por que isolar os alunos, limitá-los, e então mandar começar… seja lá o que fosse esse teste?
Enviei rapidamente uma mensagem para Horikita pelo chat do celular. Vi que ela leu quase imediatamente — algo raro. Normalmente, ela demorava meio dia para responder; às vezes, vários dias. Seria porque recebemos a mensagem da escola ao mesmo tempo? Tentei perguntar.
Você recebeu uma mensagem da escola agora há pouco?
Sim. Recebi.
Meu horário de reunião é às 18h00. E o seu?
O meu diz às 20h40. Parece uma diferença bem grande.
20h40, hein…
O mesmo horário que o de Kushida. Então iriam separar os meninos das meninas? Era a única hipótese que fazia sentido no momento. Afinal, haviam dito que o início do teste seria às 18h00.
Estou curioso sobre essa diferença nos horários. Parece injusto. Algumas pessoas terão mais tempo para se preparar do que outras.
Não podemos ter certeza de nada ainda.
Conversamos mais um pouco sobre a mensagem da escola. As respostas de Horikita vinham instantaneamente.
Há várias coisas que ainda me deixam intrigada, mas não temos tempo. Teremos que comparecer ao local designado. Como o seu horário é mais cedo, aguardo seu relatório.
Entendido.
Depois que enviei essa breve resposta, ela parou de responder. Provavelmente já havia desligado o celular.
— Ayanokoji-kun? — chamou Kushida, aproximando-se, curiosa com a conversa.
Pensei em comentar com ela o que havia falado com Horikita, mas decidi não incomodá-la. Resolvi apenas esperar para ver o que aconteceria. Afinal, não demoraria muito.
*
Segui até o segundo convés, exatamente como a mensagem havia instruído. Cheguei ao meu destino cerca de cinco minutos antes do horário marcado. Havia vários estudantes vagando por aquele andar que normalmente ficava deserto. Vi algumas pessoas que não consegui identificar entrando em uma sala próxima. Não era só uma ou duas — vários alunos subiam até o convés designado e desapareciam em outras salas.
— Serão alunos de outra turma? — murmurei.
Pensei em esperar em frente à porta, mas talvez as instruções já tivessem começado lá dentro. Além disso, não queria ser visto pelos outros alunos. Decidi agir. Assim que bati na porta, ouvi uma resposta imediata:
— Entre.
Abri a porta e entrei. O Mashima-sensei, o orientador da Turma A, estava sentado diante de mim, usando um terno impecavelmente alinhado. Meus olhos baixaram até uma pequena mesa com alguns documentos sobre ela. Dois alunos já estavam sentados diante do professor — ambos eram meus colegas da Turma D.
— Então um dos dois lugares restantes pertence a Ayanokoji-dono, é isso? Muito prazer! — exclamou Sotomura, com seu modo de falar peculiar e exagerado.
As pessoas o chamavam carinhosamente de "Professor". Era um garoto do primeiro ano, acima do peso, de óculos, que representava perfeitamente o estereótipo do otaku. Tinha um vasto conhecimento sobre história e mecânica, mas seu modo de falar e sua entonação eram tão estranhos que, às vezes, mal dava para entender o que queria dizer. Mesmo assim, de algum jeito, conseguia se comunicar.
— Isso é bem estranho, não acha, Ayanokoji? — perguntou Yukimura, outro dos meus colegas de cabine no navio, sentado ao lado do Professor.
O Professor e Yukimura. Normalmente, não se via os dois juntos. Perguntei-me o que estavam fazendo ali. No que exatamente tínhamos nos metido?
— O que está esperando? Sente-se logo.
Mashima-sensei falou sem sequer olhar para mim.
Obedeci em silêncio e me sentei ao lado de Yukimura. Notei uma cadeira vazia ao meu lado. Aparentemente, seríamos divididos em grupos de um professor e quatro alunos, mas... por que grupos tão pequenos? Talvez o quarto estudante, ainda ausente, esclarecesse a situação.
— Ainda estamos aguardando mais um. Por favor, mantenham silêncio.
Tive a sensação de que aquilo definitivamente não era algo trivial. Uma nova tempestade se aproximava — o prenúncio de um novo teste. Fosse o que fosse, era evidente que seria diferente de tudo que já havíamos enfrentado.
Normalmente, todos recebiam as regras de um exame ao mesmo tempo, para garantir a justiça — fosse uma prova escrita ou um teste de sobrevivência em uma ilha deserta. Mas agora estávamos em uma sala privada, isolada. Por que queriam nos dividir em grupos tão pequenos? Talvez eu estivesse me preocupando cedo demais...
De qualquer forma, não encontraria respostas por conta própria. Sentei-me na cadeira. Ninguém disse uma palavra. Embora ainda não tivéssemos passado do horário, eu ansiava para que o último integrante chegasse logo. Um relógio em formato de caixa de música — item comum em todas as salas do navio — marcava o tempo em um silêncio denso. Em breve, seriam 18h00.
Mashima-sensei olhou para o relógio apenas uma vez, com calma. No mesmo instante, alguém bateu à porta. O professor autorizou a entrada, e a maçaneta girou lentamente.
— Com licença!
Era Karuizawa.
Eu esperava que o quarto membro fosse alguém da Turma D, mas não que fosse ela. Achava que seria mais um garoto. Aquilo me pegou totalmente de surpresa.
— Hã? O que está acontecendo? Por que o Yukimura-kun e esses outros caras estão aqui? — perguntou ela, confusa.
Pensei o mesmo. Eu também não conseguia esconder meu espanto por estar envolvido naquele encontro esquisito. O Professor parecia tranquilo, mas Yukimura estava visivelmente confuso.
— A pontualidade foi destacada como essencial, e ainda assim você se atrasou. Sente-se logo — disse Mashima-sensei.
— Tá bom... — respondeu Karuizawa, com um tom que deixava claro que não estava nada feliz de estar ali — nem um pouco preocupada com o que o professor pensava. Ela se sentou e, depois de observar brevemente a nós três, arrastou a cadeira alguns centímetros para longe de mim. Fiquei um pouco desanimado com o gesto — parecia mesmo querer se afastar.
— Sotomura, Yukimura, Ayanokoji e Karuizawa, da Turma D — começou Mashima-sensei. — Sem mais delongas, explicarei agora o teste especial.
Ainda bem — pelo menos íamos ter uma explicação. Mas o motivo por trás daquela formação de quatro pessoas continuava um mistério. Além disso, o local escolhido — uma sala privada — só aumentava minha apreensão.
— E-Ei, espera aí! — interrompeu Karuizawa. — Não tô entendendo. Como assim "explicar um teste"? As provas já não tinham acabado? E o que esses caras têm a ver com isso? Isso tudo é muito esquisito!
Incapaz de conter a própria curiosidade, ela bombardeou o professor com perguntas. Eu me perguntei se ela sequer tinha lido a mensagem direito.
— Não responderei a nenhuma pergunta neste momento. Fique quieta e ouça — disse Mashima-sensei, encarando-a friamente.
— Aff... tá bom, já entendi. Fico quieta.
Mashima-sensei tinha fama de ser um homem frio. Mesmo agora, durante uma simples explicação, mantinha aquela postura impassível. Minha própria professora, Chabashira-sensei, também era indiferente e distante, raramente demonstrando apoio aos alunos. A diferença era que, enquanto Chabashira-sensei parecia desmotivada e desinteressada, Mashima-sensei era simplesmente insondável. Dava a impressão de manter todos à mesma distância, sem distinção.
— Neste teste especial, todos os alunos do primeiro ano serão divididos em doze grupos, de acordo com os signos do Zodíaco. Cada um participará dentro do grupo que lhe for atribuído. O objetivo deste exame é testar a capacidade de raciocínio de vocês.
Doze grupos baseados nos signos do Zodíaco? Isso significava que a Turma D seria dividida em três grupos — representando três dos doze signos. E o propósito era testar nosso "raciocínio". Queria dizer que iriam avaliar nossa capacidade de pensar e processar informações com lógica?
— O que quer dizer com "testar o raciocínio"? — perguntou Karuizawa, incapaz de se conter novamente.
— Já disse que não responderei a perguntas — respondeu o professor, seco.
Depois da segunda advertência, Karuizawa pareceu entender o peso da situação. Mesmo contrariada, fechou a boca e se calou. Não sabia o quanto Yukimura e o Professor estavam levando aquilo a sério, mas ambos permaneceram em silêncio.
— A sociedade precisa de três qualidades fundamentais para progredir: ação, raciocínio e trabalho em equipe. Aqueles que possuírem essas qualidades se tornarão adultos exemplares. O exame anterior, realizado na ilha deserta, teve como foco principal testar o trabalho em equipe. Agora, no entanto, testaremos o raciocínio de vocês sob quatro aspectos: a capacidade de processar informações de forma completa — elemento essencial neste teste; a habilidade de analisar a situação atual e identificar claramente a tarefa proposta; a capacidade de resolver o problema após definir o processo e compreender a missão; e, por fim, a habilidade de usar a imaginação e criar novos valores. Essas são as qualidades necessárias.
Embora sua explicação fosse concisa, vários pontos de interrogação pairavam sobre a cabeça de todos. Eu não era exceção — continuava sem entender nada.
— Como eu disse, neste teste vocês foram divididos em doze grupos. — Finalmente, as palavras que Karuizawa tanto esperava ouvir. — Há alguma dúvida até aqui?
— Eu não entendi nada disso. Dá pra explicar de um jeito mais fácil? Tipo, tudo bem, eu entendi que fomos divididos em doze grupos, mas por que eu tô com esses caras? E o Hirata-kun? E as outras meninas? E o que exatamente a gente vai fazer? Me explica, vai? Por favor?
Mesmo tentando soar educada no final, dava pra perceber que Karuizawa não estava sendo sincera. Ainda assim, ela tinha razão em questionar. Apesar de Mashima-sensei ter dito que aceitaria perguntas, a explicação dele era vaga demais. Ainda não sabíamos o que havia em comum entre as pessoas reunidas ali.
Se cada turma havia sido dividida em três grupos, deveriam estar ali pelo menos doze a quinze alunos da Turma D. Mas não era o caso. Seria por limitação de espaço? Improvável — o navio tinha salas suficientemente grandes para comportar mais gente. Então, havia um motivo por trás dessa subdivisão.
— Vocês quatro aqui reunidos formarão o mesmo grupo. Neste exato momento, alunos em outras salas estão recebendo a mesma explicação.
Espere... então nós quatro estávamos no mesmo grupo? Em outras palavras, éramos aliados.
— Se é assim, não seria mais rápido e fácil reunir todos de uma vez e explicar tudo junto? Além disso, por que me colocaram com esses três? Por quê? Esses caras me dão nojo! Por que tenho que estar num grupo com garotos? Aff... sério, odeio isso. Se fosse com o Hirata-kun, tudo bem, mas...
Karuizawa continuou resmungando até que Yukimura perdeu a paciência.
— Que tal calar a boca e tentar ouvir? O teste provavelmente vai começar logo. Se a gente perder ponto por sua causa, vai assumir a responsabilidade? Lá na ilha deserta você já atrapalhou bastante. Dá pra, pelo menos dessa vez, não causar problema?
— Hã? E desde quando eu causei problema? Me poupe, você tá me irritando.
Já tinha visto meninos e meninas discutindo muitas vezes durante o teste anterior. O Professor e eu ficamos em silêncio.
— Calmem, vocês dois. Yukimura, suas preocupações são infundadas. O teste ainda não começou, portanto não serão penalizados. Além disso, a atitude de vocês não terá influência direta neste exame.
— Viu só? Agora entendeu, né? — Karuizawa lançou um olhar triunfante a Yukimura, que apenas retribuiu com um olhar furioso. Eu pretendia ficar calado, mas acabei dizendo:
— Karuizawa, se você continuar tratando os professores desse jeito, isso pode acabar registrado no seu histórico escolar. Não seria bom, concorda?
— Hmph.
Yukimura soltou um riso irônico, zombando de Karuizawa sem precisar dizer nada. Mashima-sensei suspirou levemente, como se tivesse uma dor de cabeça por testemunhar uma briga digna do ensino fundamental. Levou a mão à testa, cansado.
— Ouçam. As formações dos grupos já estão definidas. Não podem ser alteradas. Se quiserem obter bons resultados, precisarão se dar bem uns com os outros.
— Argh, que droga! Eu não aguento esses três! O Hirata-kun seria mil vezes melhor!
— Heh. Mas veja bem, minha cara, três cabeças pensam melhor que uma. Se nós três unirmos forças, talvez até superemos o nobre Hirata-dono — disse o Professor, em seu tom pomposo.
— Eca. Mesmo que houvesse cem ou duzentos de vocês, ainda assim não valeriam um fio de cabelo do Hirata-kun.
Tentei não dar importância, mas ouvir esse tipo de comentário foi meio deprimente. Karuizawa praticamente vivia grudada em Hirata — exceto quando estava com as amigas. Era verdade que nós não chegávamos nem perto de substituí-lo, mas ainda assim...
— Aff... tanto faz. Depois eu conto tudo pro Hirata-kun — resmungou Karuizawa, soltando um suspiro irritada antes de desviar o olhar. Trabalhar com ela seria um desafio — mas o mesmo valia para Yukimura.
— Terminaram? Posso continuar a explicação? — perguntou Mashima-sensei.
— Tá, tá, pode continuar. Mas ainda não entendi por que só os quatro estamos ouvindo isso agora. Achei que você ia explicar tudo depois que o grupo inteiro se reunisse. Se isso for algum tipo de esquema contra a gente, ou uma forma de provocação, pode parar agora.
Karuizawa continuou falando sem parar, como se fizesse questão de ser desagradável até o fim. Mashima-sensei permaneceu impassível.
— Parece que essa pequena reunião está deixando vocês inquietos. Então vou esclarecer: isso não é uma conspiração contra os alunos, nem um tipo de assédio. A explicação é simples. Os grupos não são formados apenas por membros de uma única turma — cada grupo é composto por cerca de três a cinco alunos de cada classe. Se não déssemos essa explicação antecipadamente, haveria confusão.
Então era por isso que apenas alguns alunos haviam sido reunidos em cada sala. Ainda assim, os outros três pareciam não ter compreendido totalmente. Ficaram em silêncio, como se tentassem processar as palavras do professor. Eu também não consegui assimilar tudo de imediato. O tique-taque do relógio preenchia o silêncio pesado.
— E-E-Espera aí. Como é que é? — exclamou Karuizawa. — A gente vai ser colocado junto com alunos de outras turmas? Isso é loucura! As outras classes não são nossos inimigos?
— Exato, Sensei — disse Yukimura, concordando. — Até agora, temos competido contra as outras classes. E agora temos que simplesmente esquecer isso e trabalhar com eles?
Eu entendia perfeitamente o ponto de vista de ambos, mas as regras eram decididas pela escola.
— Vocês estiveram competindo até agora? — perguntou Mashima-sensei. — A vida escolar de vocês mal começou. Não precisam correr feito galinhas sem cabeça tão cedo, Yukimura.
— E-Eu… p-peço desculpas — respondeu Yukimura, engolindo seco.
— Neste momento, vocês não devem gastar energia tentando entender o teste. Foquem em como pensar. A designação do grupo de vocês é "Coelho". Aqui está a lista dos membros. Vocês deverão devolver esta lista ao saírem da sala. Se acharem necessário, recomendo que tentem memorizá-la agora.
Ele nos entregou um cartão do tamanho de um postal. Nele estavam listados quatorze nomes dos integrantes do nosso grupo. Como Mashima-sensei havia dito, além de nós quatro, os outros vinham das Turmas A, B e C.
Embora ele tivesse dito que pertencíamos ao grupo "Coelho", o nome estava escrito em japonês, com a leitura em chinês entre parênteses — o que facilitava a leitura e a identificação dos membros.
TURMA A: Takemoto Shigeru, Machida Kouji, Morishige Takurou
TURMA B: Ichinose Honami, Hamaguchi Tetsuya, Beppu Ryouta
TURMA C: Ibuki Mio, Manabe Shiho, Yabu Nanami, Yamashita Saki
TURMA D: Ayanokoji Kiyotaka, Karuizawa Kei, Sotomura Hideo, Yukimura Teruhiko
Eu conhecia alguns nomes da lista — Ichinose, da Turma B, e Ibuki, da Turma C. Aparentemente, agora éramos colegas de equipe. Nesse momento, eu ainda não conseguia imaginar que tipo de exame seria esse. Seria mesmo possível competir ao lado de alunos de outras turmas, como Karuizawa e Yukimura haviam dito? Lancei um rápido olhar de canto para Karuizawa. Ela parecia confusa. Ser colocada no mesmo grupo que Ibuki era um tipo de ironia cruel do destino.
— Não se preocupem — continuou Mashima-sensei. — Responderei a todas as suas perguntas. Acredito que conseguirão compreender tudo depois. Provavelmente.
Ele acrescentou o "provavelmente" porque, claramente, duvidava que Karuizawa o ouviria até o fim — e com razão. Em seguida, começou a explicar a estranha formação desse grupo.
— O objetivo deste teste é ignorar as relações conturbadas entre as Turmas A até D. Se conseguirem fazer isso, terão um atalho.
— Ignorar as relações conturbadas? O que isso quer dizer? — perguntou Karuizawa, franzindo o cenho.
— Karuizawa, por favor. Eu te imploro, cala a boca e ouve! — reclamou Yukimura, exasperado. — Eu não consigo me concentrar com você tagarelando o tempo todo.
— A partir de agora, vocês não agirão mais como membros da Turma D, mas sim como integrantes do grupo Coelho. O sucesso ou fracasso de cada um dependerá do desempenho do grupo.
Pouco a pouco, eu começava a entender, embora ainda não conseguisse ver o quadro completo.
— Há quatro possíveis resultados neste exame especial. Sem exceções. Também preparamos folhas explicativas com os critérios de avaliação, para que possam compreender melhor. No entanto, é proibido levar as folhas, tirar fotos ou fazer cópias. Confirmem o conteúdo aqui e agora.
Algumas folhas amassadas foram distribuídas entre nós quatro — provavelmente, os alunos anteriores já as haviam manuseado. As regras básicas estavam escritas assim:
EXPLICAÇÃO DO EXAME ESPECIAL DE GRUPO DO VERÃO:
Esta atividade gira em torno de um "VIP" designado para cada grupo. Ao enviar respostas à escola por um método definido, o grupo poderá obter um dos quatro resultados.
Às 8h da manhã do primeiro dia, cada aluno receberá uma mensagem informando quem foi escolhido como o "VIP" de seu grupo.
O teste começa amanhã e termina às 21h do quarto dia. (O primeiro dia será totalmente livre.)
Cada grupo deverá se reunir duas vezes ao dia, em horários e salas previamente determinados, para conversar por uma hora.
O conteúdo das conversas ficará a critério de cada grupo.
Após o término do teste, a escola aceitará respostas apenas entre 21h30 e 22h da última noite. Nesse período, cada grupo deverá enviar sua resposta indicando quem acreditam ser o "VIP".
Cada aluno só poderá enviar uma única resposta, e apenas a primeira resposta recebida pelo sistema será considerada para determinar o resultado do grupo.
As respostas devem ser enviadas exclusivamente para o endereço de e-mail fornecido pela escola, utilizando os dispositivos móveis pessoais.
Os doze VIPs não podem enviar respostas.
Você só pode enviar uma resposta referente ao grupo ao qual pertence.
Os resultados do exame serão enviados por e-mail a todos os alunos às 23h do último dia.
Havia uma lista de regras fundamentais, seguida de descrições detalhadas e itens proibidos — muito mais rigorosos do que os do teste na ilha deserta. Depois disso, vinham os quatro possíveis resultados:
RESULTADO Nº 1: Se a resposta enviada pelo grupo após as 21h30 do último dia estiver correta, todos os membros do grupo receberão pontos privados, inclusive os colegas de turma do VIP.
RESULTADO Nº 2: Se o grupo não enviar nenhuma resposta entre 21h30 e 22h, ou se um membro — que não seja o VIP ou alguém da mesma turma — enviar uma resposta incorreta, então o VIP receberá 500.000 pontos privados.
As regras eram, no mínimo, excêntricas. Sem uma explicação mais profunda, era difícil entender o funcionamento real do exame. O Professor e Karuizawa inclinavam a cabeça repetidamente, tentando decifrar o enigma. Vendo nossas expressões confusas, Mashima-sensei complementou, com o mesmo tom monótono de sempre:
— Este exame possui um elemento essencial. Entendam isso, e o teste não será problema algum. O ponto-chave é a existência do VIP. Há apenas um VIP em cada grupo. O objetivo do teste é descobrir quem ele é. É simples assim.
— Por exemplo, Yukimura — continuou. — Suponha que você tenha sido escolhido como o VIP. A resposta correta para o grupo Coelho seria "Yukimura". Essa resposta seria compartilhada entre todos os membros do grupo. Então, ao final do terceiro dia, às 21h, o teste terminaria, e a escola aceitaria respostas apenas entre 21h30 e 22h. Durante esse tempo, cada membro do grupo deveria enviar um e-mail com o nome "Yukimura". O grupo seria aprovado e atingiria o Resultado Nº 1, recebendo 500.000 pontos para cada integrante. Além disso, como recompensa por ter levado seu grupo ao sucesso, o VIP ganharia 1.000.000 de pontos.
— Um milhão?! Uau! — exclamou Karuizawa, arregalando os olhos.
— Espera… todos recebem quinhentos mil pontos? E se for o VIP, ganha o dobro? — disse Yukimura, igualmente surpreso.
Era uma quantia absurda de pontos — o tipo de recompensa que qualquer pessoa, de qualquer turma, desejaria. Além disso, o VIP receberia o dobro, o que o tornaria tão rico que poderia subir ao topo da turma, independentemente das notas.
— Agora, sobre o Resultado nº 2… — continuou Mashima-sensei. — Caso a identidade do VIP não seja descoberta até o fim do exame, e ninguém do grupo descubra quem ele é, ou mesmo se alguém tentar mentir sobre sua identidade, apenas o VIP será recompensado, como está descrito. Ele ou ela receberá quinhentos mil pontos.
Espere… isso fazia sentido? Os Resultados nº 1 e nº 2 pareciam praticamente iguais. Em ambos os casos, o VIP ganhava uma grande quantidade de pontos. O segundo resultado só seria vantajoso se alguém quisesse impedir que outras turmas pontuassem.
— Nossa, todo mundo vai ficar com inveja do VIP! — reclamou Karuizawa. — Não ser escolhido é injusto! Não importa o que aconteça, essa pessoa ainda vai ganhar pontos! E se for o Resultado nº 1, é um milhão de pontos!
Karuizawa parecia ansiar por ser escolhida como VIP. Natural, afinal o cargo trazia benefícios evidentes. Mas até agora só havíamos ouvido falar de dois dos quatro resultados — ainda poderia haver surpresas.
— Sensei, e quanto aos Resultados nº 3 e nº 4? Ainda não entendemos as condições para eles — perguntou Yukimura.
— Vocês compreenderam a explicação dos dois primeiros? — questionou Mashima-sensei. — Se não entenderam, não podemos prosseguir.
— Claro que entendemos. Pode continuar, por favor — respondeu Yukimura rapidamente.
Após uma breve pausa, Mashima-sensei retomou:
— Quanto aos resultados restantes, eles estão escritos no verso da folha. No entanto, esperem um pouco antes de virá-la.
Instintivamente, levamos as mãos ao papel, mas paramos assim que ele disse aquilo. Mashima-sensei nos observava com um olhar afiado — parecia que o exame já havia começado, de certa forma.
— A-Ah, espera aí. Eu não tô entendendo nada — disse Karuizawa, coçando a cabeça.
Apesar de a explicação de Mashima-sensei ter sido simples, Karuizawa só ouvira pela metade, então era natural que não entendesse tudo. Seu problema não era falta de inteligência — como Sudou ou Ike —, mas pura falta de atenção.
— Muito bem, vou explicar de forma mais simples — disse ele, pacientemente. — Já jogou o jogo Lobisomem?
— Lobisomem? Ah, aquele jogo que tá na moda faz um tempo? Já, já joguei. É bem divertido! — respondeu ela, empolgada.
Fiquei ligeiramente confuso, o que chamou a atenção dela.
— Espera aí… Ayanokoji-kun, não me diga que você nunca ouviu falar de Lobisomem! Uau, inacreditável! — disse, chocada.
Ela podia se espantar à vontade, mas era verdade — eu nunca tinha ouvido falar. E, além disso, parecia um daqueles jogos que só faziam sentido com amigos… algo que estava bem fora do meu alcance.
Percebendo isso, Karuizawa pareceu um pouco triste.
— Desculpa. É que… deve ser meio triste não ter amigos… — Ela cruzou os braços e começou a explicar: — Enfim, é assim: você junta um grupo de amigos e divide os papéis entre "aldeões" e "lobisomens". Quem sobreviver até o final vence. Entendeu?
Não, não entendi nada.
Seria que eu podia ser o "rei dos lobos" ou algo assim? Mashima-sensei, vendo a confusão no ar, decidiu intervir com uma explicação mais completa.
— Lobisomem foi criado por um americano como um jogo de festa — explicou ele. — Não há limite de jogadores, mas é preciso um número mínimo. Os papéis principais são "aldeão" e "lobo", embora existam outros. O essencial é saber qual lado sobrevive. Os lobos fingem ser aldeões, misturando-se ao grupo.
— O jogo tem dois períodos: dia e noite. Durante o dia, todos conversam, inclusive os lobos disfarçados. Os jogadores votam em quem suspeitam ser um lobo, e o escolhido é "executado". À noite, os lobos atacam um aldeão. O ciclo se repete até restarem poucos, e então se decide qual lado venceu.
Essa era a explicação básica. Mas por que usar esse jogo como exemplo? Considerando as regras do exame até então, o mais lógico seria todos cooperarem e visarem o Resultado nº 1.
— Embora eu tenha dito que existe apenas um VIP em cada grupo, se a identidade do VIP for revelada antes da hora, então entram em cena os Resultados nº 3 e nº 4 — explicou Mashima-sensei.
— E eles estão… do outro lado da folha, certo? Podemos virar agora? — perguntou Karuizawa.
Mashima-sensei assentiu. Viramos o papel.
Os dois resultados restantes estavam descritos ali. Assim como os anteriores, as respostas poderiam ser enviadas durante o exame ou nos 30 minutos após o término — porém, um erro em qualquer desses períodos acarretaria uma penalidade.
RESULTADO Nº 3: Este resultado é ativado quando alguém, que não seja o VIP, envia a resposta correta para a escola antes das 21h30 do último dia. A turma do aluno que acertar receberá 50 pontos de classe, e o próprio aluno ganhará 500.000 pontos privados. Como penalidade, a turma do VIP perderá 50 pontos de classe. O período de teste para aquele grupo terminará imediatamente. Porém, se quem enviar a resposta correta for um colega de turma do VIP, essa resposta não será válida e o exame continuará normalmente.
RESULTADO Nº 4: Este resultado é ativado quando alguém, que não seja o VIP, envia uma resposta incorreta antes das 21h30 do último dia. A turma desse aluno perderá 50 pontos de classe. O VIP receberá 500.000 pontos privados, e sua turma ganhará 50 pontos de classe. O exame também terminará para aquele grupo. No entanto, se o erro vier de um colega de turma do VIP, a resposta será ignorada e o teste prosseguirá normalmente.
Com esses dois novos resultados, o quadro geral ficou bem mais claro. Se o exame se limitasse apenas aos Resultados nº 1 e nº 2, não haveria problema algum em o VIP revelar sua identidade — mesmo que houvesse erros, não existiriam punições. Porém, com a inclusão dessas "regras do traidor", o exame havia sido completamente virado de cabeça para baixo.
Se o VIP revelasse sua identidade de forma descuidada, os traidores cairiam sobre ele. Como a escola aceitaria respostas a qualquer momento durante o exame, ninguém miraria seriamente no Resultado nº 1. Todos agiriam de modo a garantir o máximo de pontos possível. Se o VIP quisesse enganar as outras classes e assegurar sua própria vitória, poderia bolar um esquema para fazer parecer que outra pessoa era o verdadeiro VIP. A recompensa seria menor, mas ainda assim penalizaria as classes rivais.
— A escola levará o anonimato em consideração durante este exame. Ao final, apenas os resultados de cada grupo e o aumento ou diminuição dos pontos de cada classe serão anunciados. Em outras palavras, os nomes dos VIPs e dos alunos que enviarem respostas não serão revelados. Além disso, se desejarem, poderão receber um ID temporário para o qual poderão transferir os pontos. Também é possível dividir os pontos entre si e recebê-los dessa forma. Se permanecerem em silêncio, não há motivo para temer que sua identidade seja descoberta após o teste. Claro, se não for necessário esconder quem são, podem receber seus pontos abertamente. Isso é perfeitamente aceitável — explicou Mashima-sensei.
Eles tinham sido minuciosos; encontrar o VIP neste teste seria extremamente difícil. Se alguém quisesse acumular muitos pontos apenas para si e decidisse não contar aos colegas quem era o verdadeiro VIP, poderia facilmente alimentar todos com mentiras. Por exemplo, se Yukimura fosse o VIP, eu poderia enganar os alunos das outras classes e fazê-los acreditar que o Professor ou Karuizawa eram o VIP.
Este exame se tornava dramaticamente mais difícil se o VIP estivesse em nossa própria classe. Nesse caso, seria necessário resistir a investigações minuciosas e enganar os outros.
— Os Resultados nº 3 e nº 4 são muito diferentes dos dois primeiros. Por isso estão listados no verso da folha. Com isso, a explicação está concluída — anunciou Mashima-sensei.
— Hum... Eu meio que entendi, mas meio que não entendi — murmurou Karuizawa.
— Heh, devo confessar que eu mesmo estou um tanto confuso.
— Vocês dois são idiotas. Eu explico depois, então parem de incomodar o Mashima-sensei — retrucou Yukimura, claramente querendo se mostrar prestativo aos professores.
A estrutura do exame lembrava o jogo Lobisomem, mas apenas até certo ponto. No jogo, os lobisomens tinham certas vantagens, mas os aldeões também possuíam poder — o poder de decidir quem eliminariam. No entanto, se os aldeões fossem enganados, acabariam se matando entre si.
Tentei simplificar as regras mentalmente.
Primeiro, o período do teste duraria três dias. Comparado ao teste na ilha, era bem curto. A escola havia dividido todos os alunos do primeiro ano de uma certa forma, criando doze grupos baseados nos signos do Zodíaco. Cada grupo continha uma mistura de alunos de várias classes, mas dentro de cada grupo, todos funcionavam como aliados. Embora o número variasse um pouco, cada grupo tinha cerca de quatorze pessoas. Em cada grupo, um aluno seria designado como "VIP".
O VIP era livre para dizer: "Eu sou o VIP, meu nome é a resposta." Nesse caso, a vitória seria garantida. Claro que o teste era estruturado de tal forma que, se o VIP não fosse descoberto, os outros alunos não teriam como responder corretamente. Era possível tentar adivinhar, após eliminar algumas possibilidades, mas o risco de errar e receber uma penalidade pesada era enorme.
As punições aqui tinham o mesmo nível de severidade do teste da ilha. Tentei resumir de maneira simples os métodos possíveis para vencer o exame:
O VIP revela sua identidade para todo o grupo, e todos passam juntos no exame.
Alguém tenta responder no final, mas erra o nome do VIP. Assim, vencemos.
O traidor descobre o VIP.
O traidor é enganado sobre quem é o VIP.
Quatro possibilidades. Infelizmente, cada uma rendia quantidades de pontos muito diferentes.
A primeira opção — "O VIP revela sua identidade para todo o grupo, e todos passam no exame" — exigia esperar o fim do teste e, então, todos enviarem a resposta correta. Nesse caso, a recompensa seria extraordinária: o VIP ganharia um milhão de pontos, e os demais, quinhentos mil cada. Mas alcançar esse resultado seria extremamente difícil.
Alguns grupos poderiam ter vantagem devido à quantidade de membros. Era altamente provável que alguém traísse os demais assim que descobrisse a resposta. A maioria das pessoas desejaria garantir a própria recompensa antes de ser traída. A verdadeira harmonia seria praticamente impossível.
A segunda opção — "Alguém tenta responder no final, mas erra o nome do VIP" — ocorreria se não conseguíssemos descobrir a identidade do VIP, mesmo depois de investigar o grupo inteiro. Isso era bem plausível. Muitos alunos evitavam riscos; se não tivessem certeza da resposta, acabariam tentando a sorte como traidores. Seria difícil que todos respondessem corretamente, e fácil para o VIP se manter oculto.
Se o VIP permanecesse em silêncio, provavelmente ninguém descobriria quem ele era. Além disso, ele ainda receberia 500.000 pontos privados como recompensa. Ser o VIP era como possuir um bilhete para a felicidade. Contudo, havia desvantagens ocultas: por causa do formato do teste, haveria muitas discussões e trocas de informação dentro do grupo. O VIP teria que mentir bem e de forma convincente. Embora o anonimato fosse o ideal, tudo dependeria da habilidade de cada um. Sua classe — e até as outras — poderiam passar a detestá-lo.
A terceira opção — "O traidor descobre o VIP" — aconteceria quando alguém identificasse corretamente o VIP e enviasse a resposta para a escola, seja imediatamente, seja após o término do exame. Nesse caso, o teste poderia acabar no mesmo instante em que começasse. O traidor ganharia cinquenta pontos de classe e 500.000 pontos privados, além de decidir quais classes ficariam no topo. Era um resultado vantajoso para o traidor e sua classe.
Por fim, a quarta opção — "O traidor é enganado sobre o VIP" — tinha o maior risco. Se alguém errasse o palpite, a classe dessa pessoa perderia cinquenta pontos, enquanto o VIP e sua classe ganhariam recompensas. Esse era, sem dúvida, o cenário que eu mais queria evitar.
Este exame tratava-se de estratégia e raciocínio. A escola afirmara que exigiria habilidades cognitivas — e parecia ser verdade. Era um tipo de perigo completamente diferente do que enfrentamos na ilha.
Havia doze grupos e doze possíveis resultados. No pior dos casos, poderíamos acabar com uma diferença gigantesca de pontos, impossível de recuperar. Por outro lado, também havia a chance de a Classe D ultrapassar a Classe A de uma só vez. Claro que isso não aconteceria facilmente, mas apenas a possibilidade já era empolgante. E era exatamente por isso que as regras desta vez eram ainda mais rígidas do que no exame anterior.
— Também deve haver uma lista de ações proibidas na folha. Certifiquem-se de examiná-la com atenção — disse Mashima-sensei.
Na lista estavam incluídas coisas como: roubar o celular de outra pessoa; usar ameaças para obter informações sobre o VIP; enviar respostas usando o celular de outro aluno sem permissão; e assim por diante. A punição máxima para essas infrações era a expulsão. Além disso, se fosse descoberta qualquer atividade suspeita, a escola abriria uma investigação completa para garantir que nenhuma regra tivesse sido violada.
Se alguém mentisse, alegando ter sido ameaçado, também poderia ser expulso. Parecia que estávamos sendo monitorados de perto — e era melhor ter isso em mente. A folha também informava que discussões entre alunos de classes diferentes estavam proibidas até o final do exame. Quebrar essa regra também resultaria em expulsão. Memorizei facilmente a lista de regras.
— Amanhã, vocês deverão ir à sala designada às 13h e novamente às 20h. O nome do grupo estará exibido em uma placa do lado de fora. Certifiquem-se de se apresentarem quando conhecerem os outros membros pela primeira vez. Depois de entrarem, não será permitido sair da sala durante o exame. Por favor, usem o banheiro antes. Caso alguém se sinta mal ou não consiga suportar, entrem em contato imediatamente com o professor responsável e façam o pedido de saída — continuou Mashima-sensei.
— Espera aí, não podemos sair da sala? Por quanto tempo temos que ficar lá? — perguntou Karuizawa.
— A explicação está escrita na folha. O período de discussão dura uma hora. Além das apresentações iniciais, vocês podem usar esse tempo como quiserem. Depois de uma hora, estarão livres para permanecer ou deixar a sala.
Ou seja, os próprios alunos ditariam o ritmo das reuniões.
— Aff… Isso parece meio chato, mas acho que entendi mais ou menos. Queria que fosse um teste mais divertido — resmungou ela.
— A escola preza pela imparcialidade, portanto, será rígida e justa. Depois que o VIP for escolhido, não aceitaremos mudanças — nem mesmo se o próprio VIP quiser ser substituído. Além disso, copiar, deletar, transferir ou modificar os e-mails enviados pela escola é estritamente proibido. Entendam bem esses pontos — finalizou o professor.
Isso também estava descrito detalhadamente na lista. Era proibido adulterar os e-mails enviados pela escola ou usá-los para espalhar informações falsas. Por outro lado, isso significava que qualquer mensagem vinda da escola era 100% verdadeira.
...
— Ei, Ayanokoji. Você ficou quieto o tempo todo. Entendeu tudo mesmo? — perguntou Yukimura, sentado à minha esquerda. Sua voz parecia oscilar entre irritação e preocupação.
— Em grande parte, sim. Mas quero que me explique depois o que eu não tiver entendido.
— Pelo amor de Deus… Por que eu tinha que ser colocado no mesmo grupo que um bando de alienados? — reclamou ele, bufando.
Após isso, a reunião terminou, e fomos dispensados. Eu podia sentir o descontentamento dos colegas ao redor, o que indicava que estavam de mau humor. Fingi não perceber.
— Odeio admitir, mas já que estamos no mesmo grupo, precisamos agir como uma unidade. Muita coisa vai depender de quem for o VIP, mas por enquanto, nós quatro deveríamos conversar — disse Yukimura enquanto deixávamos a sala de Mashima-sensei e seguíamos pelo corredor.
Karuizawa, no entanto, parecia completamente despreocupada com o futuro. Ignorando-nos, tirou o celular do bolso e começou a andar na direção oposta.
— E-Ei, Karuizawa! Tá me ouvindo?! — gritou Yukimura.
Karuizawa, sem demonstrar o mínimo interesse, começou a fazer uma ligação. Eu até achei impressionante — era como se ela tivesse nervos de aço.
— Ah, oi, Hirata-kun? Eu queria conversar com você sobre uma coisa — disse ela, antes de se afastar rapidamente pelo corredor e desaparecer de vista.
— Por que, diabos, eu tinha que ser colocado com um bando de alienados?! — repetiu Yukimura, visivelmente frustrado.
— Oh ho, você acabou de repetir a mesma frase palavra por palavra de cinco minutos atrás, não foi? Hahaha! — zombou o Professor, rindo alto.
Nosso período de descanso havia oficialmente acabado. A segunda fase havia começado. Eu já esperava por isso, mas, ainda assim, senti um peso no peito. Resolvi voltar para o meu quarto, um tanto abatido pela situação.
— Isso se tornou uma baita encrenca. E ter que lidar com uma vadia daquelas, então… — resmungou o Professor assim que Karuizawa desapareceu de vista.
O Professor vivia dizendo que preferia o "mundo 2D" e que as garotas de anime eram perfeitas. Sabendo disso, compreendi por que ele rejeitava tanto garotas reais como Karuizawa.
— Sinceramente, eu detesto isso. Não importa o que a gente faça, ela só vai nos atrapalhar — resmungou Yukimura.
— É verdade, hmpf. Ela é uma vadia imperdoável. Uma vadia entre vadias, diria eu — concordou o Professor, soltando um suspiro forte e dando um tapinha na própria barriga.
— Talvez amanhã de manhã venha uma notificação dizendo que um de nós foi escolhido como VIP. Se isso acontecer, o melhor é não sair espalhando. Nunca se sabe quem pode estar ouvindo. Vamos a um lugar seguro antes de trocar informações — sugeriu Yukimura.
Concordei com o plano. Embora o navio fosse espaçoso, alguém poderia estar escutando em algum canto inesperado.
— Karuizawa pode ter ido embora, mas quero falar sobre o amanhã. Faz sentido discutirmos só nós três. Vamos.
— Lamento muito, mas devo recusar o convite. O anime Love Love Alive me chama, e não posso resistir ao seu canto sedutor. Adeus! Hi-ya! — declarou o Professor teatralmente, desaparecendo pelo corredor como um ninja.
Bem, "desaparecendo" era modo de dizer — ele estava bem visível enquanto se afastava. Yukimura suspirou, resignado, e balançou a cabeça. Claramente, não queria trabalhar comigo. Acho que não haveria conversa alguma.
Decidi então relatar tudo a Horikita. Queria saber se ela tinha recebido as mesmas informações que o grupo Coelho. Enviei os detalhes pelo chat e, enquanto esperava sua resposta, comecei a elaborar uma estratégia.
*
Voltei para o meu quarto, morrendo de vontade de ter um momento de paz e silêncio. No meio de um leve cochilo, achei que ouvi um barulho e me ergui na cama. Nem Yukimura nem Koenji estavam lá.
— Desculpe. Acordei você? — perguntou Hirata, que estava guardando a bagagem com uma expressão um pouco envergonhada. Ele vestia o uniforme, o que me fez pensar que se preparava para sair.
— Nah, eu não estava dormindo profundamente nem nada. Além disso, estou com sede, então é uma boa hora pra levantar — respondi, espreguiçando-me.
Aproveitei e desliguei o alarme que estava prestes a tocar. Eu já queria verificar como Horikita estava, então não havia problema algum.
— Quer vir comigo? — perguntou Hirata. — Acho que a mensagem da escola deve chegar a qualquer momento.
Eram pouco antes das 20h30. Coincidência ou destino, esse era justamente o horário em que Horikita havia sido convocada para sua reunião. Não havia motivo para recusar, então Hirata e eu saímos para o corredor, eu ainda vestindo meu agasalho esportivo.
— Esse teste parece bem diferente dos anteriores. Bom, é só uma sensação que eu tenho — comentou ele.
Parecia que Hirata já sabia de alguns detalhes sobre o exame. Fiquei imaginando se ele havia ouvido isso de outro aluno.
— Eu soube pelo Yukimura-kun — explicou ele. — Ele me contou enquanto jantávamos. Falou sobre o grupo Coelho e tudo o que foi dito. Parece que todos os grupos estão recebendo explicações sobre o teste. Várias pessoas vieram falar comigo sobre isso.
Yukimura não gostava muito de Hirata, mas talvez tenha achado que compartilhar as informações aumentaria nossas chances de vencer. Se você entendesse as regras com antecedência, seria mais fácil captar nuances durante a explicação oficial. Talvez Yukimura quisesse ouvir a opinião de Hirata depois, e ver se havia algo novo a considerar.
Era uma atitude ousada da parte dele. Eu mesmo gostaria de fazer o mesmo — me aliar a um aluno mais capaz.
— Você notou alguma coisa, Ayanokoji-kun? Se não for incômodo, gostaria que compartilhasse comigo — perguntou Hirata com seu habitual tom gentil.
— Não posso dizer que sim. Não estive pensando tanto sobre o exame como você, Horikita ou Yukimura. Também não sou exatamente inteligente, então não percebi nada de especial — respondi, inclinando levemente a cabeça, como se nada realmente me viesse à mente.
Não pretendia contar mais nada a Hirata.
— Bem, eu estava pensando em algo… — começou ele. — Achei curioso o fato de as explicações estarem tão espalhadas. No começo, pensei que a escola quisesse evitar confusões e tumultos explicando tudo em pequenos grupos. Mas, depois de pensar melhor, não acredito que seria muito mais difícil anunciar as regras para todos de uma vez só.
— Sim, concordo, Hirata. Seria bem mais eficiente explicar o teste a todos os alunos ao mesmo tempo, em vez de dividir em grupos e fazer isso aos poucos — respondi.
As dúvidas de Hirata eram muito pertinentes. A escola havia adotado um método claramente ineficiente. Talvez devêssemos considerar o motivo real por trás dessa decisão — o porquê de nos separarem e qual seria o propósito disso. Era possível que nosso modo de pensar já estivesse sendo avaliado desde esse ponto.
— Estou planejando perguntar à professora sobre isso mais tarde — disse ele.
Fiquei imaginando como as coisas se desenrolariam. Hirata normalmente agia em nome da Classe D. Considerando que agora estaria misturado com alunos de outras classes, eu não fazia ideia do que ele pensava dessas regras — nem de que forma planejava agir diante delas.
*
O local de reunião de Hirata ficava no segundo convés, apenas um nível abaixo do nosso. Optamos por descer as escadas em vez de usar o elevador. Havia bem mais alunos esperando do que antes. Alguns estavam encostados na parede; outros, sentados no chão, mexendo no celular. Pareciam totalmente despreparados para a explicação que estavam prestes a receber.
— Não parece que todas essas pessoas são do meu grupo — comentou Hirata.
À primeira vista, havia quase dez estudantes ali. Considerando o horário, mesmo que parte do grupo já tivesse recebido a explicação, aquilo parecia um tanto estranho. Será que aquela reunião tinha outro propósito? Estariam todos ali apenas para descobrir quem fazia parte de qual grupo? Se fosse esse o caso, não havia necessidade de tanto esforço — bastava conversar depois com os colegas para descobrir isso facilmente.
Eles levantaram o olhar quando passamos, mas logo voltaram aos celulares, como se estivessem no meio de algo importante. Infelizmente, eu sabia muito pouco sobre os alunos das outras classes. A maioria das pessoas ali me era desconhecida, e eu não fazia ideia de quais classes pertenciam.
— Quem são aquelas pessoas? — perguntei.
— Aquele é o Morimiya-kun, da Classe A. E o que está perto do elevador é o Tokitou-kun, da Classe C — respondeu Hirata prontamente.
Como se esperaria de alguém bem informado. Gravei os nomes e rostos dos dois na memória. Era um número considerável de alunos reunidos ali — talvez estivessem inquietos e tivessem chegado mais cedo para esperar, como quem tenta conseguir mesa em um restaurante disputado. Continuei andando, pensando em como tudo seria mais simples se funcionasse assim.
Quando Hirata e eu chegamos, alguns rapazes e moças já se aglomeravam perto da porta. Notei também um rosto familiar — alguém que havia recebido o mesmo horário de reunião que Hirata. A explicação ainda não tinha começado, então nos aproximamos da fila discretamente.
— A menos que eu esteja enganado, você também faz parte do grupo que se reúne às 20h40, certo? — perguntou uma voz grave e firme.
Era Katsuragi, da Classe A. Ele tinha uma postura incrivelmente calma e confiante para um aluno do primeiro ano. Seu porte físico e sua presença impunham respeito — à primeira vista, poderia ser confundido com um universitário. Mesmo em uma classe repleta de estudantes talentosos, a maioria já o reconhecia como líder.
— Sim, faço parte. E o que exatamente isso tem a ver com você? — respondeu a garota de longos cabelos negros, sem demonstrar hesitação alguma.
— Sabia. Que bom ouvir isso. Eu queria falar com você novamente. Também estou no grupo das 20h40. A partir de amanhã, trabalharemos juntos.
Horikita Suzune fitou Katsuragi com olhar impassível. Então Hirata estaria no mesmo grupo que Horikita e Katsuragi. Que combinação interessante.
— Queria falar comigo? Engraçado. Não foi você quem me ignorou completamente outro dia? — retrucou Horikita.
Durante o teste na ilha, ela e Katsuragi haviam se cruzado apenas uma vez. Na ocasião, ele não demonstrou o menor interesse nela, nem tentou conversar. Mas agora, a situação havia se invertido. Três rapazes — provavelmente da Classe A — estavam ao redor de Katsuragi, junto com duas garotas que pareciam ser das Classes B ou C, observando a conversa de perto.
— Você está certa. Até agora, eu realmente não havia reconhecido ninguém da Classe D. No entanto, considerando os resultados impressionantes do último teste, seria impossível não prestar atenção em você. Não concorda? Você elaborou a estratégia da vitória e obteve um sucesso notável.
Provavelmente, ele jamais imaginara que a Classe D pudesse sair vitoriosa. Do ponto de vista de Katsuragi, o breve contato com Horikita em frente à caverna havia feito parte de seu plano. Horikita realmente havia causado grande impacto dentro da Classe D — o número de garotas que a admiravam aumentara nos últimos dias. Infelizmente, ela não reagia muito bem quando alguém tentava se aproximar dela. Ainda assim, em comparação ao passado, ela vinha magoando e irritando menos pessoas. Seus colegas agora interpretavam sua postura fria e autoritária como um tipo de zelo pela classe.
Por isso, sua relutância em fazer amizades passou a ser vista de outra forma. As interações com ela se tornaram mais sutis; mesmo quando era ríspida, as pessoas não se ofendiam. Na verdade, alguns achavam até encantador. Para as outras classes, Horikita já não era apenas uma aluna exemplar — era uma estrategista, uma mente por trás dos bastidores. Um perigo em potencial.
— Não sei o que o futuro reserva, mas… se a Classe D ultrapassar a Classe C, saiba que a Classe A atacará vocês sem piedade — declarou Katsuragi.
— Que mesquinhez. Do ponto de vista da Classe A, somos realmente tão ameaçadores assim? Há uma diferença enorme de pontos entre nós — respondeu Horikita, com frieza.
— Isso é verdade. No entanto, devemos ser cautelosos. Quando aqueles que são vistos como fracos e tolos começam a subir, é um sinal de alerta. Se uma classe consegue mudar de posição, é preciso ficar em guarda. Eu daria o mesmo aviso às Classes B e C.
Não havia muito o que fazer em relação a isso. O grupo de Katsuragi lançou olhares hostis para Horikita. Qualquer garota comum teria chorado diante daquela pressão, mas ela nem sequer piscou.
A tensão só se desfez com uma chegada inesperada. Os rostos das garotas se iluminaram instantaneamente quando um rapaz passou calmamente por nós.
— Não gosto muito dessa história de se juntar para intimidar os outros, ou de ameaçar outras classes — disse ele.
Era Kanzaki, aluno da Classe B. Apesar do cabelo um pouco comprido, ele não tinha o ar de um desleixado. Parecia um sujeito íntegro. Eu não o conhecia bem, mas sabia que Ichinose — a líder da Classe B — confiava nele. Como já havia enfrentado Horikita uma vez durante as férias de verão, conhecia bem sua inteligência.
— Não precisa perder tempo com o Katsuragi. Ele só está tentando provocar você — afirmou Kanzaki, em tom cortês, mesmo sem ter uma relação próxima com ela.
— Não se preocupe. A Classe D sempre foi vista como inferior. Eu receberia de bom grado qualquer mudança nessa reputação — respondeu Horikita, impassível.
— Entendo. Parece que você acha que a tratamos com descaso até agora. É verdade que muitos na minha classe zombaram da Classe D. Porém, o sucesso de vocês na ilha fez muita gente repensar suas opiniões — disse Katsuragi, fazendo um gesto displicente, como se espantasse poeira da roupa. — Ainda assim, apenas ter tido sorte e vencido por acaso não nos torna iguais.
— O que você quer dizer com isso? — perguntou Horikita, estreitando os olhos.
— Qualquer um poderia conseguir algo assim apenas por sorte — respondeu Katsuragi, com um tom frio e condescendente. — É melhor que você não fique arrogante nem aja de forma tola por causa de uma vitória obtida ao acaso. Lembre-se de que a diferença entre os nossos pontos de classe ainda é gigantesca.
Bem, isso era verdade. Reduzir a distância entre as classes ainda seria uma tarefa difícil. Claro que Horikita entendia isso. Ela também sabia que a vitória na ilha fora minha, mas eu me recusara a receber qualquer crédito. Naquele momento, Horikita não parecia particularmente feliz por ser reconhecida — ela nunca gostou dos holofotes. Tinha feito aquilo principalmente para que os outros não descobrissem sobre mim. No fim das contas, fora tudo para o meu bem.
— Ainda não entramos na universidade. Não acho que você e eu sejamos tão diferentes assim. Foi a escola que nos dividiu arbitrariamente em classes distintas. Não se esqueça disso — retrucou Horikita, firme.
Kanzaki, que vinha observando a cena em silêncio, percebeu para onde aquilo estava indo e interveio:
— Hirata, parece que você caiu num grupo complicado.
— Pois é — respondeu Hirata, sorrindo de leve. — Com você, Kanzaki-kun, e Katsuragi-kun, já dá para imaginar que as disputas serão inevitáveis.
— Ah, não sei se será bem assim — disse uma voz vinda de trás.
— Hm? — Hirata e Kanzaki se viraram ao mesmo tempo.
Alguém se aproximou, caminhando até Kanzaki e depois em direção a Horikita.
— Ora, ora... quanta gente interessante reunida aqui. Achei que valia a pena dar uma olhada pessoalmente — disse o recém-chegado, com um sorriso provocador.
— Ryuen — murmurou Katsuragi, e seu tom ficou subitamente sombrio. Até Kanzaki ficou tenso.
— Você também faz parte dessa reunião? Ou só estava de passagem? — perguntou Katsuragi, desconfiado.
— Infelizmente, parece que estou com vocês — respondeu Ryuen, ainda sorrindo.
Três alunos o seguiam de perto. Era um grupo semelhante ao de Katsuragi, mas com uma atmosfera completamente diferente — não pareciam colegas, e sim súditos acompanhando seu rei. Seus rostos mostravam medo, e seus movimentos eram submissos.
— Que tal me darem um pequeno espetáculo? O que acham de "A Bela e a Fera"? — provocou Ryuen, olhando alternadamente para Horikita e Katsuragi, antes de soltar uma risadinha insana.
Diante da provocação explícita, Katsuragi manteve a calma.
— Bem, eu originalmente pensei que nosso grupo seria composto apenas por alunos com alto nível acadêmico. Agora que você e seus capangas estão aqui, já não tenho tanta certeza disso.
— Nível acadêmico? — Ryuen riu baixo, zombeteiro. — Que piada. Esse tipo de coisa não significa nada.
— Que comentário deplorável. Especialmente quando o sucesso acadêmico é o fator mais importante para determinar nosso futuro. Você sabe que o Japão é conhecido como uma sociedade acadêmica, não sabe? — rebateu Katsuragi, com a firmeza de quem tinha razão.
Katsuragi contra-atacava a atitude displicente de Ryuen com argumentos sólidos. No entanto, Ryuen não parecia nem um pouco convencido. Fez um gesto para seus seguidores, como quem diz: "Vocês estão ouvindo a besteira que esse cara acabou de falar?" Os três concordaram imediatamente, num movimento quase automático.
— Não vou permitir que você traga essa sua péssima atitude para este teste — disse Katsuragi, firme.
— Hmm? Péssima atitude? Do que, exatamente, você está falando? Não consigo imaginar. Poderia, por acaso, me explicar por que sou tão... péssimo assim? — respondeu Ryuuen, com falsa inocência.
— Bem, não importa. Já que estamos no mesmo grupo agora, teremos tempo suficiente para conversar — concluiu Katsuragi, encerrando o embate por ora.
Por um momento, achei que uma grande briga fosse estourar ali mesmo — antes mesmo de o teste começar.

— Hã? Hirata-kun? Oh, Ayanokoji-kun também? O que vocês estão fazendo aqui? — perguntou Kushida, aproximando-se com uma expressão confusa.
Aparentemente, nem todos da Classe D entendiam completamente os parâmetros do exame. Nossa turma parecia estar um ou dois passos atrás das outras.
— Espere, Kushida-san. Você não é do grupo da reunião das 20h40, é? — perguntou Hirata.
— Hmm? Grupo? Não entendi muito bem. Eu só recebi um e-mail dizendo pra vir aqui nesse horário… Uau, tem gente impressionante reunida aqui, hein? — respondeu ela, olhando em volta, surpresa, mas mantendo seu habitual tom de respeito com todos.
— Está tudo bem com você, Hirata? Acho que essa vai ser uma batalha especialmente difícil — comentei.
— Não se preocupe. Não importa quem esteja no meu grupo, farei o meu melhor — respondeu ele, com o otimismo de sempre.
Kushida ainda não compreendia a situação, mas era esperta. Observando as pessoas reunidas e ouvindo os fragmentos de conversa, logo entenderia o que estava acontecendo.
— Humm, então parece que coisas bem complicadas estão vindo por aí, né? — disse ela, com um sorriso nervoso.
— Basicamente, sim. É melhor você se preparar mentalmente — respondi.
— Ahá! Não se preocupe, vai dar tudo certo! Como o Hirata-kun disse, tudo o que posso fazer é dar o meu melhor. Ah, e eu ainda não tive muitas chances de conversar com o Katsuragi-kun e o Ryuen-kun. Gostaria de me dar bem com todos vocês também — disse Kushida, dirigindo-se ao grupo inteiro sem demonstrar ansiedade, repulsa, irritação ou empolgação. Seu tom era neutro e agradável, como sempre.
— Se vamos continuar com essa conversa inútil, eu prefiro simplesmente entrar. Além disso, já está quase na hora — cortou Horikita, com frieza.
Com um leve movimento de cabeça, ela jogou o cabelo para o lado e deu as costas para Ryuen e seus seguidores. Tinha que admitir: Horikita não se intimidava. Pessoas fracas de espírito tendiam a abaixar a cabeça e se submeter ao grupo, buscando aceitação ou perdão caso fossem isoladas. Horikita, por outro lado, permanecia inabalável, fiel à sua própria postura.
— Pelo visto, não preciso me preocupar tanto assim — murmurei, observando-a.
Claro, não dava pra saber até onde ela conseguiria manter essa atitude, considerando as pessoas que formavam seu grupo. Mesmo assim, eu duvidava que ela fosse facilmente abalada. Era uma simples questão de intuição.
— Bem então, boa sorte — desejei a Hirata, com um leve aceno.
Ele teria muito trabalho pela frente a partir daquele momento.
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