Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 4.5

Extra 1: As Férias de Verão de Ike, Yamauchi e Sudou

PODE SER UMA pergunta sexista, mas o que um homem deve almejar na vida? Se você perguntasse a homens de todo o mundo, provavelmente veria um padrão: encontrar uma parceira e fazer amor, ter filhos, criar esses filhos. Parques de diversão, filmes e videogames são ótimos, mas a vasta gama de entretenimento disponível hoje é apenas um ponto na história da humanidade. Quase todos os seres vivos, desde os tempos antigos, buscaram passar o bastão para a próxima geração.

No entanto, jovens adolescentes não entendem o significado de gerar a próxima geração. Em vez disso, buscam apenas gratificação sexual imediata.

— Então, gostaria de realizar uma reunião estratégica sobre a Operação Delta.

Ike, da Classe D, estava ajoelhado no chão. Usou o punho cerrado para enxugar o suor que escorria pela testa.

— Eu arriscaria minha vida pela Operação Delta. Haruki, e você?

— Sinto o mesmo que você, Kanji. Se essa operação for um sucesso, não me importaria nem de morrer! — gritou Yamauchi.

Sudou, que até então observava em silêncio, comentou:

— Honestamente, sou contra. Vou decidir depois de ouvir vocês.

— Então, Ayanokoji, você também vai participar, certo?

— Posso ligar o ar-condicionado? — perguntei. Não adiantaria o quarto estar abafado e fedendo a suor.

— Claro. Está quente.

Eles haviam negado meu primeiro pedido — algo sobre "criar clima" — mas, como a reunião era no meu quarto, já tinha tido o suficiente.

— Por que é sempre, sempre no meu quarto?

— Não te disse antes? É porque você tem o lugar mais arrumado e limpo. Os quartos dos outros estão cheios de papéis, cabelos e bagunça. Não dá nem para colocar o pé direito no quarto do Yamauchi.

— Sudou, o seu quarto não é igual, né? Cheio de roupas e cuecas espalhadas.

Eu queria que eles pensassem em arrumar as coisas, em vez de comparar quem é mais bagunceiro.

— Sabe, por mais tempo que passe, este quarto ainda não parece vivido. Nada mudou desde a matrícula, sabe? Que tal, quando conseguir uns pontos, comprar algo?

— A próxima coisa que você comprar deve ser um carpete, cara. Meu traseiro dói — disse Sudou, sentado no chão. Já havia feito declarações semelhantes antes.

— Não posso simplesmente sair gastando meus preciosos pontos.

Por algum motivo, Sudou continuava a me pressionar.

— Conseguimos pontos pelo teste da ilha, graças à Suzune. Alguém inútil como você não deveria acumular pontos — retrucou ele.

— Isso é verdade. Na verdade, com Horikita ao nosso lado, é só questão de tempo até alcançarmos os pontos da Classe C, certo?

As coisas mudaram desde a nossa situação desesperadora em maio. Agora, com uma nova leva de pontos, estávamos diminuindo a diferença para as classes superiores.

— Vamos, pessoal. Vamos pensar nas coisas difíceis no segundo semestre. Agora é Operação Delta.

Foi por isso que os três idiotas estavam reunidos no meu quarto — para discutir a Operação Delta, um plano que surgiu no chat na noite anterior.

— Vocês estão falando sério com isso?

— Muito sério. Quero dizer, é a melhor época da nossa juventude, certo? Ou você está dizendo que não gosta da Operação Delta?!

— Chame como quiser, mas é basicamente só espionagem, né? — disse Yamauchi.

A operação estratégica com o nome sério era, na verdade, totalmente sobre espionagem. Era um plano estúpido, nascido do desejo dos garotos de ver mulheres nuas. No entanto, apenas Ike conhecia todos os detalhes.

— Espiar o corpo nu das garotas… Qual é o problema?! Isso é juventude! — gritou Ike.

Na realidade, era um crime. Um crime terrível. Algo que colocaria Ike nas notícias se ele fosse pego no ato.

— E se as garotas descobrirem? Elas vão ficar pior que bravas, sabia? — tentei desencorajá-los.

Sudou pareceu perceber minhas dúvidas, porque levantou preocupações semelhantes.

— É perigoso, como o Ayanokoji disse. Isso não é igual a trocar de roupa no ginásio da escola primária ou espiar o banho em alguma pousada antiga durante a excursão da escola — disse ele.

— Não se preocupem. O supercomputador conhecido como Ike Kanji-sama elaborou este plano — disse Ike. Levantou-se e começou a explicar, confiante, arrogante.

— Quando vamos espiar, e de onde? Essas são suas perguntas, certo? Não se preocupem. Pensei em tudo. Por favor, fiquem calmos e apenas ouçam. Primeiro, vamos selecionar cuidadosamente nosso alvo. Seria um completo desperdício de energia se acabássemos fazendo a operação de qualquer jeito e espionando alguma feiosa.

— Além disso, vamos escolher entre as garotas da Classe D. Só se pode atingir a máxima excitação vendo o corpo nu de uma garota bonita que você conhece na vida cotidiana — disse Ike.

— Concordo, mas nenhum de nós realmente avançou para o próximo nível com alguma das garotas, certo? — disse Haruki.

— Não tem problema. Nós mesmos vamos nos levar ao próximo nível. Vocês precisam atingir esses marcos por conta própria — respondeu Ike. Ele tocou no telefone e virou a tela para nós. — Esqueceram? A piscina está aberta desde ontem!

— S ério? Então tá, sim. Se isso for verdade, podemos espiar! Certo? Nunca estive lá antes. A piscina, quero dizer — falou Haruki.

Olhando para o telefone de Ike, vi uma notificação dizendo que a piscina estava aberta para uso público nos últimos três dias de férias de verão. O horário de funcionamento era das 9h às 17h.

— Entendo que convidar as garotas para a piscina significa que elas terão que trocar de roupa. Mas não vejo como isso vai te dar oportunidade de espionagem — disse eu.

Nunca tinha ido às instalações especiais de natação antes, mas provavelmente haveria câmeras de segurança. Não dentro dos vestiários, é claro, mas nos corredores. Se um homem suspeito se aproximasse do vestiário feminino, os funcionários o confrontariam.

Ike permaneceu calmo, braços cruzados. Sua expressão não mudou.

— Droga, cara. Isso me deixa triste. Você realmente acha que sou tão estúpido a ponto de não ter pensado nisso? Venho me preparando há muito tempo, sonhando com este dia.

— Há muito tempo? Então me diga esse método crucial de espionagem — retrucou Yamauchi, incapaz de aguentar mais as fanfarronices de Ike.

— Ah, você quer que eu mostre minhas cartas, hein? Muito bem. Abram os olhos para isto — disse Ike.

Ele havia, na verdade, desenhado um mapa da instalação. Ao ver a profundidade de sua determinação, Sudou e Yamauchi ficaram boquiabertos.

— Uau. Você até preparou algo assim?!

Eu também fiquei surpreso. O mapa era bastante detalhado.

Mas algo parecia estranho. A caligrafia do mapa era diferente da de Ike.

— Olhem. A piscina especial é pelo menos duas vezes maior que a que usamos nas aulas. Como você deve imaginar, há câmeras de segurança.

A piscina era uma instalação em grande escala, com vestiários masculinos e femininos. Naturalmente, os vestiários ficavam em extremidades opostas do corredor. As localizações das câmeras de segurança estavam marcadas no mapa.

— Hmm. Olhando isso, definitivamente não há como espiar.

Caminhos divergentes separavam os vestiários, como nos banhos masculinos e femininos. Mesmo se déssemos um passo em direção ao vestiário feminino, seríamos notados. Além disso, sendo o último dia das férias de verão, provavelmente haveria muita gente por perto. Nossas chances de sucesso eram mínimas.

— Quero dizer, não acho que conseguiremos simplesmente ir lá e espiar. Aqui está o ponto crucial: a ventilação que passa pelo chão. Essa ventilações conecta os vestiários masculinos e femininos. Além disso, eles dividem os armários por ano, do primeiro ao terceiro. O vestiário masculino e feminino estão conectados pelo mesmo ano, o que significa que o vestiário masculino do primeiro ano está conectado ao feminino do primeiro ano. É um milagre!

Eu entendi. Se tudo corresse conforme o plano, conseguiríamos ver as garotas se trocando através da ventilação.

— Mas será que dá para uma pessoa passar por essa ventilação?

— A vent é quinze centímetros de altura e quarenta de largura.

— Ninguém conseguiria passar por isso — disse eu. No pior cenário, você ficaria preso e não conseguiria sair.

— Heheheh. Levei tudo em conta. Também temos isto! — Ike tirou um pequeno carrinho de brinquedo da mochila. Uma antena saia do topo.

— RC!

Um carrinho controlado por rádio que você podia movimentar à vontade. Uma câmera estava instalada no teto do carrinho. Ela estava ligada a um pequeno display no controle remoto. Após colocar as pilhas e ligá-lo, a transmissão da câmera apareceu no controle. Não era de alta resolução, mas era suficiente.

Ike realmente vinha se preparando há algum tempo.

— Isso deve caber na ventilação. Depois disso, só precisamos mover o carrinho enquanto assistimos à câmera. Podemos até salvar as imagens no cartão de memória!

Ike havia concebido este plano lascivo no fundo de sua mente mais obscura. Perguntei-me que tipo de coisas terríveis ele imaginava regularmente. Isto era um ato criminoso. Nem Yamauchi poderia concordar com isso.

— Oh! Incrível! Cara, isso é perfeito! Certo, Ken?!

Yamauchi concordou alegremente, empolgado.

— Acho que sim. Meio exagerado, não é? — disse Sudou.

— O que quer dizer?! Isso é perfeito!

Era verdade que provavelmente conseguiríamos fazer isso sem sermos notados. Ike havia se preparado meticulosamente.

— O Professor teve alguma participação nessa operação de espionagem, por acaso? — perguntei.

Mal podia imaginar que Ike tivesse elaborado tudo sozinho. Um carrinho RC não era barato.

— C-Como você…?!

Nada disso era a especialidade de Ike. Além disso, só alguém que conhecesse a localização das câmeras de segurança e das rotas de ventilação poderia ter concebido algo assim.

— Droga. Acho que não tem como esconder. Vocês me descobriram. Tá certo, eu pedi ajuda ao Professor. Caramba, cara, e depois de todo o esforço que fiz para que vocês pensassem que eu planejei tudo sozinho — resmungou Ike.

— Então, qual é o plano?

Voltando à estaca zero, Ike começou a explicar novamente.

— Primeiro, vamos convidar as garotas que queremos espiar para a piscina amanhã. Depois, entraremos nos vestiários quase ao mesmo tempo que elas. Entendido? Lá dentro, vamos direto para a ventilação no fundo. Se alguém estiver nesse ponto, Sudou vai ameaçar e fazê-lo se afastar. Depois disso, pegamos toalhas, fingimos que vamos nos trocar e formamos um muro humano em volta da ventilação para que ninguém mais veja. Então eu removo a tampa e coloco o carrinho RC. Vou operá-lo, então preciso que vocês me escondam. Vou parar o carrinho bem na frente do vestiário feminino e começar a gravar. Quando tivermos certeza de que terminaram de se trocar, retiramos o carrinho — explicou Ike.

Os passos eram relativamente simples e fáceis de entender. No entanto, algumas partes pareciam um pouco duvidosas. Eu não podia ignorá-las.

— Então, eu ameaço quem ficar no nosso caminho e faço eles se afastarem. Também preciso garantir que ninguém se aproxime, certo? — Esse papel cabia a Sudou. Dada sua reputação, outros alunos provavelmente não se aproximariam casualmente.

— Vocês estão vendo quão incrível é a Operação Delta? — perguntou Ike.

— Mas, Kanji… Isso é um crime, cara. Tipo, o pecado vai pesar mais sobre mim do que o próprio ato de espiar.

— Você está certo. É um crime. Estritamente falando, claro.

— Mas pense no seu passado. Você já cometeu crimes antes, não? — Ike se gabou.

— Hã? Que diabos você quer dizer com isso? Que crime eu cometi? — Sudou explodiu.

— Deixe-me perguntar, Ken. Se você for agressivo e machucar alguém, isso é um crime, certo? Se um adulto desse um soco em alguém, a notícia não divulgaria? E você já usou violência antes, não é?

— Isso… Lutar e violência são coisas diferentes — respondeu Sudou.

— Bem, eu nunca fui violento na vida — disse Yamauchi.

— Mas, Haruki, na escola primária, você não lambeu aquele flautista daquela garota? A garota de quem você gostava? E cheirou a roupa de ginástica dela também. Ou você não fez isso? — pressionou Ike.

— Ugh… — Yamauchi parecia se lembrar de uma memória desagradável.

— Se um adulto fizesse a mesma coisa? Crime! — gritou Ike.

— É… verdade.

— Em outras palavras, é diferente quando é outro menor espionando e fotografando secretamente garotas sem que elas saibam. Se não fizermos agora, quando faremos?!

Sua retórica convincente perfurou os corações de Yamauchi e Sudou. Era o suficiente para limpar a culpa de cometer um ato criminoso.

— Vai nessa, Haruki? Deixe o destino decidir — perguntou Ike.

— Sim. Tá, tô dentro — disse Yamauchi.

— Vocês têm certeza disso? Sério, é ilegal — repeti.

Não importava o quanto Ike tentasse adoçar a situação, um crime continuava sendo um crime.

— Olha, venho dizendo isso há algum tempo, Ayanokoji. Lamber uma flauta é crime, e espiar alguém se trocando também é. Fotografar secretamente alguém sem consentimento é crime. Mas é para isso que serve a juventude! Garotos espionando garotas se trocando não vão para a cadeia; a gente só leva um aviso. É isso que quero dizer! Entenderam? — repetiu Ike.

— Bem, ainda não estou convencido. Tecnologia à parte, experiências assim transformam garotos em homens em todo o mundo. Furtar na escola primária ou no ensino médio tem o mesmo peso. É o mesmo crime.

Isso nem era mais sobre querer ver as garotas se trocando. Ike estava tentando justificar agressivamente suas ações.

— Se considerarmos o nosso moderno e tecnológico mundo atual, espiar assim ainda é fotografar secretamente sem consentimento. Se forem descobertos, podem até não ser presos, mas podem ser expulsos. Certo?

— Tenho pavor de ser expulso. Nem pensar em espiar! — Sudou e Yamauchi levantaram os braços em sinal de terror.

— Só falta você, Ayanokoji. Vai cooperar, claro, né?

— Não tenho interesse — respondi.

— Mesmo assim, você coopera. Se vocês três formarem um muro, com certeza não seremos notados — disse Ike.

Ele realmente ia fazer isso, mesmo que eu desistisse.

— Certo. Vou cooperar. Mas me prometa uma coisa, Ike. Esse plano é arriscado. Se formos pegos, vamos receber mais do que uma simples bronca. Então, sucesso ou fracasso, prometa que a Operação Delta será a única vez que você tentará isso. Se não prometer, não vou cooperar, e posso até denunciar à escola — disse eu.

Se eu apenas me opusesse, Ike e os outros executariam o crime mesmo assim. Colocando uma condição na minha cooperação, poderia garantir que isso seria um evento único.

Se fôssemos descobertos, a Classe D poderia realmente se desfazer. Precisávamos entender isso.

— Tá bom, já entendi. Também não acho bom tentar isso várias vezes — resmungou Ike.

— Isso é uma sorte, porque você está apostando seu futuro no ensino médio nisso — respondi. Depois acrescentei: — Deixe-me sugerir uma coisa. Se a piscina abrir às 9h, é melhor chegarmos exatamente nesse horário. Se chegarmos primeiro, pegar o ponto no fundo do vestiário será simples.

— Entendi! Vamos nessa! — concordou Ike. — Um jovem cheio de sangue nas veias tem que espiar! Vamos nessa, pessoal!

E essa foi a história por trás da Operação Delta.

*

 

No dia em que fomos à piscina, fomos as primeiras pessoas a entrar no vestiário. Fomos até o fundo e espalhamos nossas toalhas. Os garotos que entraram depois estavam perdidos em suas próprias conversas e não nos deram atenção.

— Apressa-se, Ike — instou Sudou.

Sudou espalhou sua toalha e fingiu se trocar, enquanto Ike se agachava em frente à ventilação. Ike tirou o carrinho RC e o kit de chaves de fenda que havia envolvido na toalha e removeu as grades metálicas do ventilador do chão. Ele imediatamente colocou o carrinho RC dentro da ventilação e começou a operá-lo.

O carrinho vinha equipado com uma pequena lanterna. Ele avançava, transmitindo imagens do caminho à frente, que o monitor exibia de forma tênue.

— D-Droga! Exatamente como eu pensei, está escuro!

Com apenas a lanterna para iluminar, a visibilidade no monitor estava piorando. Mesmo assim, o carrinho avançava aos poucos, em direção à luz à frente. Mesmo que fosse longe demais, havia barras de metal que impediam o carro de cair, então não nos preocupávamos com isso.

— Certo, só mais um pouco!

O monitor agora mostrava o vestiário. Embora a qualidade da imagem fosse péssima, podíamos ver Horikita e as outras claramente.

— U-Uau!

O plano de Ike (ou melhor, do Professor) havia sido um sucesso brilhante. Alunos da Classe D, assim como Ichinose, estavam visíveis. Se assistíssemos, poderíamos vê-los se trocando em tempo real.

— Ei, me mostra também, Kanji. Não consigo ver nada, cara!

— Seu idiota! Me mostra também!

Sudou e Yamauchi continuavam exigindo. Nesse ritmo, não havia como evitar levantar suspeitas.

— Vocês podem gravar isso, né? Não seria melhor não arriscar? As pessoas vão desconfiar — avisei.

— V-Você tem razão. Acho que agora é melhor apenas nos trocarmos — murmurou Yamauchi. Estalou a língua e fez uma careta de frustração. Mesmo que não espiássemos pelo monitor, o cartão de memória estava registrando e armazenando tudo.

Ike resistiu bravamente à tentação. Guardou o controle remoto em seu armário e se concentrou em se trocar.

— Quantos minutos devo esperar, eu me pergunto? — perguntou ele.

— Eu manteria pelo menos vinte minutos lá.

Se retirássemos o carrinho cedo demais, não veríamos as garotas se trocando. Por outro lado, se demorássemos muito, isso poderia levantar suspeitas. Sem dúvida, seriam os vinte minutos mais longos da vida desses caras.

— Eu vou na frente — disse eu.

— Ei, Ayanokoji! Vai nos trair?! Se você pedir para te mostrarmos depois, a gente não vai! — explodiu Ike.

— Não é nada disso. Se vinte minutos passarem sem nenhum cara sair do vestiário, as garotas vão desconfiar.

— Ugh. É, acho que você provavelmente está certo. Certo, faz um bom trabalho aí fora.

— Entendido.

Deixando os outros três para recuperar o carrinho RC, fui em direção à piscina.

*

 

No exato momento em que saí do vestiário masculino, algo aconteceu na área feminina. Era o tipo de espetáculo que aqueles três idiotas desejavam ver. A câmera registrou todos os sons e imagens.

— Isso é meio legal, né? Usar a piscina da escola fora das aulas, quero dizer — disse Kushida, guardando sua bolsa no armário.

Ichinose, que se trocava ao lado de Kushida, rapidamente pegou suas roupas.

— Sim. Parece meio que quando você vai à piscina pública só para se divertir — respondeu ela.

— Ichinose-san, você tem um corpo incrível. É tão proporcional — disse Kushida, suspirando como se estivesse apaixonada.

Ichinose, parecendo um pouco constrangida, olhou para Kushida.

— Você também tem um corpo ótimo, Kushida-san. Não faria comparação — disse ela.

Ichinose era claramente superior em tamanho de seios, mas Kushida ainda se defendia bem. Enquanto isso, Sakura, cujos seios eram tão grandes quanto os de Ichinose, se manteve distante das outras duas enquanto começava a se trocar. Estar perto de outras garotas a deixava profundamente autoconsciente. Era inevitável que ela ficasse nervosa na piscina. Diferente da aula de natação, porém, sua salvação era o rash guard, que escondia completamente a parte superior do corpo. Para alguém tímida como Sakura, o item era um verdadeiro salva-vidas.

— Ichinose-san, você poderia, por favor, não me encarar? — disse Horikita, percebendo o olhar apaixonado de Ichinose. Ela parou de se trocar, como se estivesse repelida.

— Ah, desculpe, desculpe! É que… como eu digo? Sua pele é tão impecável e clara, Horikita-san. Fiquei hipnotizada. Pensei que poderia admirar uma garota bonita, como outra garota, sabe? Kikyou-chan, você concorda comigo, né? — perguntou Ichinose.

— Sim, Horikita-san é realmente bonita — respondeu Kushida.

………

Horikita retomou a troca com um suspiro exausto.

— Sabe, você realmente saiu com a gente hoje. Não pensei que se interessaria por algo assim — disse Ichinose.

— Não estou aqui porque gosto desse tipo de coisa. Às vezes, você só precisa aguentar e sorrir, independentemente do que deseja — disse Horikita.

— Hmm? Isso é meio confuso, Horikita-san.

Naturalmente, Horikita não podia contar a ninguém que Ayanokoji havia usado uma influência para fazê-la vir junto. Ela levaria para o túmulo a humilhação de ter o braço preso em uma garrafa de água. Por que eu entrei em pânico? E por que eu o chamei? — ela se perguntava, lamentando que Ayanokoji soubesse daquilo.

— Por que você não tenta se trocar sem falar comigo? — rebateu, em vez de explicar seu comentário.

Rejeitada por Horikita, Ichinose procurou sua próxima "vítima". Ela avistou Sakura, escondida discretamente no fundo do vestiário. Ichinose, que seguia a filosofia de "ninguém fica para trás!", queria ser amiga de todos, inclusive de Sakura, que claramente tentava se manter afastada.

Mesmo sem conhecer a política interna da Classe D, Ichinose percebeu que Sakura precisava de uma abordagem delicada. Ela não a pressionaria a ponto de deixá-la desconfortável, mas também não queria ignorá-la completamente. À primeira vista, Sakura parecia do tipo retraída e madura, e Kushida e Horikita claramente não tentavam interagir mais com ela do que o necessário. Mas, mesmo tímida, Ichinose tinha certeza de que Sakura poderia se abrir com o tempo, se aprendesse a confiar nas pessoas. Se isso fosse verdade, Ichinose poderia eventualmente se tornar amiga de Sakura também.

— Faz tempo desde a última vez que nos vimos, não é, Sakura-san? Suponho que, como somos de turmas diferentes, não nos encontramos com frequência — disse Ichinose.

— S-Sim, acho que sim — respondeu Sakura.

— Honami-chan, você já conhece a Sakura-san? Que surpresa — disse Kushida, duvidando da relação entre Sakura e Ichinose.

— Nos conhecemos faz algum tempo, certo? — disse Ichinose.

— S-Sim — disse Sakura, parecendo mais rígida do que o esperado. Evitava contato visual enquanto falava.

Seus gestos tímidos desconcertaram Ichinose, mas ela persistiu.

— Mas, mesmo assim…

Ichinose lançou um rápido olhar ao corpo de Sakura, sem encarar abertamente. As feições de Sakura eram realmente fofas. Ela era esguia, mas ainda tinha curvas, e os seios pareciam dignos de uma modelo de revista. Ichinose a avaliou com o olhar atento de um homem.

Com essa aparência, Sakura — que era o tipo de garota que todos queriam proteger — poderia provavelmente se tornar a mais popular da escola se fosse mais extrovertida.

— Isso me lembra, Honami-chan. Hoje você estava com Kanzaki-kun também. Posso te perguntar um pouco sobre isso? — disse Kushida.

— Hm? Sobre Kanzaki-kun? — respondeu Ichinose.

Sakura, percebendo sua chance de escapar, afastou-se discretamente de Ichinose.

— Bem, uma garota da nossa turma se interessou por ele. Eu queria te perguntar algumas coisas — disse Kushida.

— Uau. Kanzaki-kun é surpreendentemente popular. As garotas da nossa turma parecem gostar dele também. Mas não acho que ele esteja namorando ninguém agora — disse Ichinose.

— Entendi. Nesse caso, acho que vou sugerir que ela ligue para ele.

— Sim, sim. Kanzaki-kun provavelmente vai gostar — disse Kushida.

— Por que "provavelmente"? — Kushida riu ao receber uma resposta tão vaga.

— Ele é um homem de poucas palavras, sabe? O que até é bom, mas ele falta completamente assertividade. Não o entendo bem — acrescentou Ichinose.

— Entendi. Acho que ele é difícil de interpretar, né?

Nesse momento, Ichinose pareceu perceber que todas as outras garotas estavam quase prontas.

— Uau, precisamos nos apressar!

Ela começou a se despir rapidamente, sem graça, como se fosse um garoto. Seus seios balançavam. Até Horikita, que tentava não demonstrar interesse, desviou o olhar por um instante. As proporções de Ichinose eram devastadoras o suficiente para nocautear a maioria dos homens. Era difícil acreditar que ela fosse uma caloura do ensino médio.

— Quando você ganhou esses seios?

— Hmm? Você quer dizer, quando eles cresceram? Acho que no terceiro ano do ensino fundamental. Só continuaram crescendo cada vez mais. Por quê? — perguntou Ichinose.

— Ah, entendi. Deve ser por isso que você ainda não sabe lidar com eles.

Se Ichinose se desenvolveu rapidamente, em menos de um ano, não era de se admirar que ainda não tivesse se acostumado com as mudanças no corpo.

Ichinose terminou de vestir o maiô e pegou a chave do armário.

— Pronto! Terminei de me trocar! — gritou para as outras garotas que estavam atrasadas. — Vou na frente!

Ela saiu correndo, claramente empolgada para chegar à piscina.

— Ela é como um furacão humano, não é? — disse Horikita. Não era elogio nem crítica, apenas uma observação.

Horikita não falava com ninguém em particular, mas Kushida respondeu:

— Quando Ichinose-san está por perto, todo mundo parece sorrir.

Horikita lançou um breve olhar a Kushida, mas não respondeu. Enquanto isso, Kushida, sempre atenta ao que acontecia ao redor, voltou seu olhar para as outras garotas que acabavam de entrar no vestiário.

— Oh, Karuizawa-san? Bom dia! Você veio aqui para se divertir?

Kushida não conseguia esconder sua surpresa. Karuizawa quase nunca nadava durante as aulas.

— Anham.

Com essa breve resposta, Karuizawa e as duas garotas que entraram com ela foram em direção aos armários no fundo do vestiário. Ela tocou a grade da ventilação, que saiu sem muito esforço. Isso não se devia à força sobre-humana dela. Alguém havia entrado no vestiário ontem e cuidadosamente afrouxado todos os parafusos com uma chave Philips.

— Ugh. Eles estão realmente fazendo isso. Esses caras são o pior do pior — completos pervertidos — murmurou Karuizawa.

Ela encontrou o carrinho RC próximo à abertura da ventilação. A lente da câmera capturava o vestiário feminino em um ângulo excelente. A luz próxima ao monitor brilhava em vermelho tênue, indicando que a gravação estava em andamento.

Seguindo as instruções de Ayanokoji com antecedência, Karuizawa retirou o cartão de memória. Substituiu-o por um novo, vazio, e colocou o carrinho de volta na ventilação.

— Pronto, isso resolve — disse ela. Em breve, o carrinho RC voltaria para seu dono. — Ele é o único que realmente…

Por mais exasperada que Karuizawa estivesse com a grosseria dos garotos, seus pensamentos se voltaram para a única pessoa que agiu para impedir que o plano fosse levado adiante: Ayanokoji. Se ele não tivesse feito algo, suas colegas de classe, e até garotas de outras turmas, teriam seus corpos nus vistos sem saber. Pior ainda, aquelas imagens teriam sido salvas para sempre.

— Kei-chan, está tudo bem? — perguntou Sonada, colega de classe de Karuizawa. Ishikura, a terceira garota, também olhou para ela com expressão preocupada.

— Ah, sim. Obrigada. Agora estou bem.

Karuizawa usou suas amigas como escudo enquanto se abaixava sobre a ventilação, do mesmo jeito que os garotos haviam feito no outro vestiário. Ela ainda havia conseguido as chaves de todos os armários próximos com antecedência, para que as pessoas vissem os armários como ocupados e não os usassem. Agora, Karuizawa devolvia calmamente aquelas chaves, uma a uma, tomando cuidado para não parecer nervosa.

Ela não explicou nada do que estava fazendo para suas amigas. Eram pessoas que seguiam instruções obedientemente, sem precisar de explicações. Não eram de vontade própria forte e temiam ser ostracizadas. Karuizawa mantinha esse tipo de gente por perto de propósito.

Depois de terminar de se trocar e confirmar que nenhum outro aluno da Classe D estava por perto, Karuizawa agradeceu às garotas que a acompanhavam.

— Tenho um pequeno compromisso para resolver mais tarde. Vocês duas vão ficar por aqui?

— Ah, sim. Estávamos pensando em nadar. Certo? — As duas garotas se entreolharam e assentiram. Karuizawa não respondeu nada.

*

 

Depois de nadar até a exaustão, saí da piscina e voltei para meu quarto. Quando cheguei, três garotos animados esperavam na minha porta.

— Você está atrasado, Ayanokoji! Rápido, deixa a gente entrar! — Sudou, impaciente, chutou minha porta. Isso só iria irritar os vizinhos e chamar a atenção do gerente do dormitório.

— Rápido, Ayanokoji!

Abri a porta. Um grupo de garotos, incapaz de conter a excitação, empurrou de trás. Ike segurava o cartão de memória que havia recuperado do carrinho RC. Nesse cartão estavam imagens das garotas se trocando — pelo menos, era o que os garotos achavam.

Eles passaram na minha frente e ligaram o computador sem permissão.

— Se houver algumas fotos incríveis, deixa eu copiá-las.

— Esperem, pessoal. Primeiro, preciso confirmar uma coisa. Vocês não têm nenhum direito de ver o corpo nu da Suzune.

— Calma, vocês dois. Estamos todos juntos nessa. Heheheheheh!

Eles nem se importavam comigo, esperando impacientemente o computador ligar. Como o dia havia sido exaustivo, sentei na cama.

— Se puderem me devolver isso depois de conferirem o conteúdo, seria uma grande ajuda — disse a eles.

— Que diabos, Ayanokoji? Por que você está tentando ser tão maduro? Você também quer ver, né?

— Se quiserem voltar atrás, agora é a hora — avisei.

— Ah, entendi. Bem, se você vai se comportar como um bom menino, definitivamente não deve olhar. Heh. Ou talvez eu simplesmente não vá mostrar — disse Ike. Ele se colocou na frente do monitor, braços abertos como se quisesse bloqueá-lo.

— Não existe homem vivo que não fique animado ao ver uma mulher nua. Seja honesto — disse Sudou, já relaxando, como se estivesse em seu próprio quarto. Eu, no entanto, não sentia necessidade alguma de ver uma mulher nua. Não valia o risco de expulsão, no mínimo.

— Huh?! P-Por que-por que não tem nada aqui?! — gritou Ike.

O computador carregou os dados do cartão de memória do Professor — mas não havia nenhum dado salvo. O carrinho RC nunca havia gravado corretamente.

— Nada. Os dados…

— Espera, isso não pode ser verdade. Eu quero dizer, estava gravando, não estava? Certo?

Os três clicaram na pasta, abrindo-a repetidamente em pânico. Mas não havia nada. Karuizawa havia retirado o cartão de memória real e colocado um vazio. Por mais que os garotos procurassem, não encontrariam um arquivo que não existia.

— Por que não está aqui?! — gritou Ike.

E assim, um ato de sabotagem aniquilou as ambições daqueles três idiotas.


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