A Classe de Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 11

Capítulo 8: Classe B vs. Classe D

ENQUANTO OS PONTOS da Prova de Inglês, o terceiro evento entre a Classe A e a Classe C, estavam sendo contabilizados, Classe B e Classe D já haviam concluído o quarto evento.

— De acordo com os resultados, a Classe B tem seiscentos e um pontos. A Classe D tem quatrocentos e nove pontos. Vitória da Classe B no quarto evento — anunciou Mashima.

Ao ouvir o resultado, Ichinose soltou um suspiro de alívio. Afinal, aquele era um teste acadêmico escolhido pela própria Classe B — algo que eles não podiam se dar ao luxo de perder.

— Ufa… você teve sorte, hein, Ichinose? Quer dizer, parece que só estão saindo eventos que a Classe B escolheu — disse Ryuen.

— Acho que sim — respondeu ela.

Mesmo tendo vencido, Ichinose não parecia tranquila. Ryuen, por outro lado, parecia completamente despreocupado, apesar da derrota. Isso era compreensível. Dos quatro eventos sorteados até agora, três eram eventos escolhidos pela Classe B.

Mesmo assim, os resultados não foram nada como esperado. A Classe D venceu dois, e a Classe B venceu dois. A Classe B havia perdido o terceiro evento — o Teste de Química, que eles próprios tinham escolhido. E isso os deixou profundamente abalados. O motivo da derrota, no entanto, era claro.

— Sensei… algum dos alunos que foram ao banheiro por causa de dor de estômago já voltou? — perguntou Ichinose.

A pedido dela, Mashima verificou a situação dos alunos da Classe B.

— Não. Aqueles dois ainda não voltaram do banheiro. Além disso, parece que vários outros alunos também começaram a se sentir mal.

— Entendo… — disse Ichinose.

A razão pela qual a Classe B perdeu o evento de Química foi porque os alunos que deveriam competir adoeceram inesperadamente. Mas esse não era o único motivo. No dia anterior ao exame, alguns alunos haviam se envolvido em uma briga com estudantes da Classe D.

Isso acabou afetando o exame daquele dia. Mesmo com uma reclamação apresentada à escola, nenhuma das turmas foi punida. A escola considerou o incidente apenas uma discussão verbal. Essas ações sorrateiras haviam sido, sem dúvida, realizadas sob as ordens do homem sentado diante de Ichinose.

Ryuen.

Ichinose respirou fundo várias vezes, tentando se acalmar.

— Phew… está tudo bem. Vai ficar tudo bem.

Não era como se a Classe B já tivesse perdido a liderança. Ichinose havia ficado muito abalada quando perderam o Teste de Química, mas agora as coisas começavam lentamente a voltar ao normal.

Mesmo que novos problemas continuassem surgindo, não era como se Ryuen pudesse fazer algo como comandante que ela também não pudesse. Ichinose acreditava que, se lutasse com todas as forças, eles não perderiam. Ela se agarrou desesperadamente a essa crença.

— Ei, professor. Anda logo e começa o quinto evento. Esses preguiçosos da Classe B nem conseguiram se manter em forma para o dia da prova. Você realmente vai fazer concessões para um bando de idiotas ingênuos como eles? — disse Ryuen com desprezo.

— Cuidado com a língua, Ryuen.

Mesmo com a advertência de Chabashira, Ryuen não parecia se importar. Se algo mudou, foi apenas para pior.

— Olha, não sei se eles estão no banheiro ou sei lá onde, mas eles podem estar usando esse tempo para discutir estratégia ou algo assim. E vamos lá… vários alunos ficando doentes ao mesmo tempo? Isso parece bem suspeito. Que tipo de truque sujo você está tentando usar, Ichinose?

— E-Eu não…

Ryuen levantou suspeitas sobre o fato de vários alunos terem relatado mal-estar ao mesmo tempo. Mesmo sabendo que não havia qualquer irregularidade, Ichinose não conseguiu refutar o que ele disse.

— Enfim, anda logo e começa isso — disse Ryuen, olhando para Chabashira com um grande sorriso no rosto.

— Bem, Ryuen está certo em um ponto. Mashima-sensei, por favor, inicie o quinto evento.

O sorteio começou.

Karatê

Participantes necessários: 3 pessoas
Tempo: 10 minutos
Regras: até três minutos por luta. Competição sem contato físico, seguindo regras de torneio por nocaute.
Comandante: o comandante pode solicitar uma revanche.

— Certo, um evento da Classe D desta vez. Pode vir. Vamos aceitar qualquer um que vocês mandarem — disse Ryuen.

Ryuen escolheu Suzuki Hidetoshi, Oda Takumi e Ishizaki Daichi. As regras de intervenção do comandante também eram perfeitas para ele, já que poderia solicitar uma revanche caso algo inesperado acontecesse.

Ichinose, por sua vez, escolheu Sumida Makoto, Watanabe Norihito e Yonezu Haruto. Ela havia feito os três treinarem por uma semana após descobrirem sobre o evento de karatê. Mesmo assim, eles estavam praticamente ocupados apenas tentando memorizar as regras.

Como resultado, a Classe B sofreu duas derrotas esmagadoras seguidas. Mesmo que Ichinose usasse sua habilidade de comandante, isso não mudaria o resultado. O quinto evento foi decidido mais rápido do que qualquer outro até então.

Tão rápido que parecia ter sido resolvido num piscar de olhos. Agora, se a Classe B perdesse o próximo evento, tudo estaria acabado para eles.

— Interessante, não acha, Ichinose?

Enquanto esperavam o sorteio do próximo evento, Ryuen falou com Ichinose, que agora estava sem palavras.

— Quando anunciaram esse exame especial e você descobriu que enfrentaria a gente, aposto que achou que tinha uma vantagem enorme. Mas agora parece que tudo o que você pode fazer é rezar por um milagre. Kuku.

As estratégias de Ichinose não eram simples nem estúpidas. Se fosse uma competição normal, a Classe B provavelmente estaria com três vitórias e duas derrotas agora.

Mas houve um acidente inesperado. E, por causa disso, tudo saiu completamente do controle. Se o próximo evento não fosse um dos eventos da Classe B, não havia nenhuma chance de vitória.

O sorteio do sexto evento começou.

Judô

Participantes necessários: 1 pessoa
Tempo: 4 minutos por luta (máximo de três lutas, total de doze minutos)
Regras: aplicam-se as regras padrão do judô.
Comandante: o comandante pode solicitar uma revanche.

Um evento um contra um. Para a Classe B, era o pior evento possível que poderia ter sido sorteado. Foi a primeira vez que Ichinose sentiu como se tivesse sido lançada diretamente na escuridão absoluta.

— Kukuku… judô, é? Judô… Nossa, agora sim vocês estão em apuros, hein, Ichinose.

— Não pode ser…

— Acho que, se os eventos finais fossem aqueles que a Classe B propôs, vocês ainda teriam alguma chance de vencer, né?

Ryuen escolheu Yamada Albert sem hesitar por um segundo. Assim como no evento de karatê, as regras de intervenção do comandante funcionavam praticamente como um seguro absoluto, o que quase garantia que a Classe D não perderia.

— Não deixe o fato de enfrentar o Albert te abalar. Quando a luta começa, a sorte também conta, sabia? Você nunca sabe como vai terminar até tentar — provocou Ryuen.

Era óbvio qual seria o resultado. Seria extremamente difícil para a Classe B derrotar um oponente que estava em um nível completamente diferente, tanto em técnica quanto em físico. Era o único evento que a Classe B já havia praticamente desistido.

Um evento que eles não tinham nenhuma esperança de vencer. Ichinose precisava escolher um participante. Ela tinha apenas trinta segundos para decidir.

Mas agora… Ela não conseguia escolher ninguém. O relógio continuou a contagem regressiva impiedosamente até zero. De acordo com as regras, um aluno seria selecionado aleatoriamente caso o comandante não escolhesse alguém a tempo.

Mas, considerando o perigo daquele evento específico — e o adversário que o estudante teria que enfrentar — os professores tomaram uma decisão.

— A Classe B está desclassificada. A Classe D venceu quatro eventos, tornando-se a vencedora geral deste exame especial — declarou Mashima sem piedade. A batalha entre Classe B e Classe D chegou ao fim rapidamente.

*

 

Tudo começou no dia em que o exame especial foi anunciado. Ryuen estava indo almoçar quando Ishizaki correu atrás dele sozinho. A Classe D já havia decidido que Kaneda seria o comandante, mas estavam enfrentando dificuldades inesperadas para escolher os eventos.

O motivo era simples. Ninguém na Classe D era capaz de criar ideias originais.

Eventos comuns. Regras comuns. Estratégias comuns. Eles só conseguiam imaginar coisas simples — coisas que qualquer pessoa poderia pensar.

Contra qualquer turma, as chances de vitória deles eram praticamente inexistentes. Enviar eventos tão comuns era, basicamente, a opção mais simples. Naquele momento, o consenso da Classe D era evitar enfrentar a Classe A. Da mesma forma, decidiram que também deveriam ter ainda mais cuidado ao escolher enfrentar a Classe B.

No final, todos concordaram em desafiar a Classe C, que estava em ascensão. Mas Ishizaki se opôs fortemente a essa ideia.

— Ei… é… você tem um minuto, Ryuen-san?

Mesmo com medo de falar com Ryuen, ele decidiu fazê-lo. Depois de garantir que não havia outros alunos do primeiro ano por perto.

— Hã?

Apenas um olhar de Ryuen fez Ishizaki congelar, como um sapo diante de uma cobra. Mesmo assim, após um esforço desesperado, ele conseguiu falar.

— Por favor… me dê um minuto do seu tempo!!

— Oh? Então você acha que manda agora, é?

— N-Não! Eu não quis dizer isso…!

— Kuku… tanto faz. Afinal, você é praticamente o líder da Classe D agora.

Ryuen sentia que estava apenas prolongando sua própria sentença. Ele tinha ganhado um pouco mais de tempo antes de ser expulso. Nada além disso. Mas isso significava que ele tinha tempo de sobra.

Ishizaki e Ryuen continuaram caminhando, com Ishizaki logo atrás. Se alguém os visse, provavelmente pareceria apenas que Ishizaki havia chamado Ryuen para conversar. Depois de saírem do prédio da escola e chegarem a um lugar onde não havia ninguém por perto, Ishizaki se ajoelhou imediatamente no chão.

— Ryuen-san, por favor… ajude a Classe D… neste exame especial! — implorou.

Ryuen já tinha uma ideia do que Ishizaki diria desde o momento em que ele abriu a boca. Mas não disse nada. Apenas olhou para Ishizaki, que se prostrava diante dele.

— Você está falando besteira, Ishizaki. Eu já disse: estou aposentado. Acha que vou ajudar vocês?

— Eu sei disso! Mas… do jeito que estamos agora, não temos o que é preciso. Não tem como vencer nenhuma das outras turmas!

— É… você provavelmente está certo.

Ryuen não negou aquilo. Ele já havia concluído que a Classe D era amplamente inferior às outras classes em potencial.

— O Kaneda vai ser nosso comandante, então ninguém vai ser expulso mesmo se perdermos… mas se perdermos isso, nossos pontos de classe vão praticamente desaparecer!

— É… perder sete vezes seguidas faria isso mesmo — disse Ryuen.

No momento, a Classe D tinha 318 pontos de classe. Se perdessem os sete eventos, cairiam para apenas 100 pontos. Esse era o pior cenário possível. Mas também não era algo impossível se continuassem avançando sem nenhum plano.

— Então o quê? Você quer que eu seja o comandante? Quem na nossa turma concordaria com isso? — perguntou Ryuen.

— Bem…

Para expulsar Ryuen, eles precisariam torná-lo comandante. E então perder de propósito. Mas isso significaria que a turma sofreria um grande prejuízo apenas para expulsar uma única pessoa.

Ninguém estava animado com essa ideia. Se os pontos da classe chegassem a zero, seria praticamente impossível alcançar a Classe A no futuro. Além disso, isso afetaria suas chances de viver de forma confortável e estável naquela escola. A prioridade número um da Classe D era vencer.

A segunda prioridade era perder por pouco e expulsar Ryuen. Eles só precisavam evitar perder completamente e serem destruídos. Ishizaki, porém, não queria que Ryuen fosse expulso. Ao mesmo tempo, ele queria que a Classe D vencesse. E se havia alguém na Classe D capaz de fazer isso acontecer… era Ryuen.

— Então o que a gente faz? A gente desafia a Classe C afinal? — perguntou Ishizaki.

Normalmente, ele teria escolhido a Classe C sem hesitar. Mas Ayanokoji estava naquela classe. E isso o fez hesitar. Porque ele era um dos poucos alunos que conheciam a verdadeira natureza de Ayanokoji.

— Não venha pedir minha opinião sem antes ter minha permissão. Quem foi que disse que eu ia ajudar?

Ishizaki estava fazendo um pedido desesperado. Sabia que estava sendo imprudente, mas mesmo assim não se levantou do chão. Estava preparado para continuar implorando daquela forma até o momento em que Ryuen fosse embora.

— É verdade que a Classe C não é exatamente unida. Claro, eles têm um monstro como o Ayanokoji, mas ele é só um cara. Você pode achar que tem alguma chance porque isso é uma competição em equipe… mas estaria enganado.

— Hã…?

Ryuen, que Ishizaki já havia começado a acreditar que não conseguiria convencer, começou a dar conselhos.

— Se eu fosse o comandante, evitaria enfrentar a Classe C. Não sei qual método vocês estão usando para escolher o adversário ou seja lá o que for, mas não é uma turma que eu escolheria.

— M-Mas, além do Ayanokoji—

— Não é por causa disso. Droga… é por isso que você é um completo idiota.

— Uh…

— Mesmo que a Classe D esteja cheia de incompetentes, nós temos vantagem em outras áreas. A Classe C não é um adversário que vai nos permitir usar essas vantagens. Não, não… só existe uma classe que é a escolha ideal para enfrentar.

— Q-Quem seria? É…?!

— Classe B — respondeu Ryuen, sem sequer olhar para Ishizaki. — Se você quer vencer desta vez, a Classe B é sua única opção.

Era uma resposta completamente inesperada. Ryuen acabara de sugerir enfrentar a Classe B, justamente a turma que todos na Classe D queriam evitar.

— Até um idiota pode ser útil, dependendo de como você o usa.

Ryuen virou as costas para Ishizaki e começou a ir embora.

— E-Espera! Mas como?! Como podemos vencer a Classe B?! — gritou Ishizaki, ainda de quatro no chão. — Ryuen-san! Ryuen-saaaaan!

Mas seus gritos não fizeram Ryuen parar.

*

 

A autoridade de Ishizaki dentro da Classe D não era algo desprezível, considerando que ele havia sido quem "derrotou" Ryuen — mesmo que apenas na aparência. Mesmo assim, seu controle não era absoluto. A pessoa que deveria ter sido expulsa, Ryuen, ainda estava ali. A classe havia concentrado seus votos de crítica em Manabe apenas para assustá-la um pouco… mas ela acabou sendo expulsa de verdade. Naturalmente, isso deixou muitos alunos desconfiados.

A primeira pergunta que todos faziam era: Quem havia dado tantos votos de elogio para Ryuen?

Havia pessoas da própria classe que votaram nele? Ou foram alunos de outras turmas? Várias teorias surgiram… e logo foram descartadas.

Devido ao alto nível de anonimato daquele exame especial, a Classe D nunca saberia a resposta exata. Na realidade, Ryuen e Ichinose fizeram um acordo.

Ela ofereceu votos de elogio em troca de pontos privados. Foi isso que aconteceu. Claro, a Classe B jamais revelaria a verdade. Como Ichinose pediu que aquilo fosse mantido em segredo, seus colegas obedeceram.

Provavelmente fariam isso mesmo sem motivo algum, mas como aquilo fazia parte da estratégia para evitar a expulsão de um colega, todos estavam dispostos a ajudar. Enquanto isso, os alunos da Classe D mergulharam em um estado de paranoia, suspeitando de tudo.

No entanto, havia algumas pessoas que sabiam da verdade. Ishizaki, Ibuki e Shiina Hiyori. Eles haviam conspirado juntos para impedir a expulsão de Ryuen. Mesmo assim, a turma poderia facilmente ter entrado em estagnação a partir daquele ponto.

Por isso, Shiina tinha um papel extremamente importante. Ela ajudou fielmente Ishizaki a colocar em prática o único conselho que Ryuen havia dado: enfrentar a Classe B neste exame.

Shiina, em uma conversa privada com Kaneda, guiou sutilmente o raciocínio dele até essa conclusão.

Claro, isso não resolvia todos os problemas. Shiina entendia muito bem que, se a Classe D — que não tinha liderança — enfrentasse a Classe B naquele estado, as chances de vitória seriam praticamente nulas. Ela também sabia que ficar minimamente atrás significaria derrota. Por isso, Shiina colocou outro plano em ação no dia em que os confrontos foram decididos.

— Droga… o que a gente faz agora…? — murmurou Ishizaki, completamente perdido, sentado em uma sala de um karaokê.

— Sei lá. Mas espera aí… por que você me chamou aqui mesmo? E que grupo é esse? — disse Ibuki, encarando Ishizaki antes de lançar um olhar severo para Shiina, sentada ao lado dele.

— Somos o adorável grupo de amigos do Ishizaki-kun. Acho que é assim que você poderia nos chamar.

Ao ouvir aquela resposta despreocupada e boba, Ibuki afundou os ombros e lançou outro olhar irritado para Shiina.

— Ugh… minha cabeça está doendo.

— Como somos as três pessoas que melhor entendem a situação atual da nossa turma, pensei que poderíamos pensar em algumas ideias. Como dizem, duas cabeças pensam melhor que uma — disse Shiina.

— Duas cabeças pensam melhor que uma? O quê, vamos dar cabeçadas nos caras da Classe B? — perguntou Ishizaki.

— Você está falando sério agora? — retrucou Ibuki.

— Ai! Que foi, Ibuki?! Isso doeu! Não fica beliscando a pele da minha mão!

— Estamos bem animados agora. Encontrar em uma sala de karaokê foi definitivamente a escolha certa — disse Shiina, juntando as mãos alegremente enquanto observava os dois brigarem.

— É, não tem como ter uma discussão séria com esse grupo. Estou indo embora — resmungou Ibuki.

— Ah… isso seria um problema. Veja bem… eu chamei Ryuen-kun, então ele também está vindo para cá.

— Hã?! — responderam Ibuki e Ishizaki ao mesmo tempo.

— Ryuen-kun é absolutamente indispensável se quisermos vencer este exame especial. Afinal, foi ele quem percebeu que nossa única chance de vitória era enfrentar a Classe B, enquanto todos queriam evitá-los.

Shiina acabara de soltar uma bomba. E parecia nem perceber a gravidade do que havia dito.

— O que você disse agora?

— Hã? Eu disse que nossa única chance de vitória é enfrentar a Classe B quando—

— Não essa parte. Quem você chamou? Quem está vindo para cá?

— Ryuen-kun.

Ibuki olhou para Ishizaki. Ishizaki olhou para Ibuki.

— Sério? O Ryuen-san… vai vir aqui?

— Sim. Fui eu que pedi para ele vir.

— Nossa… esse vai ser o pior encontro de karaokê da história… Tá, você contou pra ele que a gente ia estar aqui? — perguntou Ibuki.

— Claro que contei.

— Então… ele sabe que estamos aqui e mesmo assim ainda vai vir…?

Ishizaki já havia tentado pedir ajuda a Ryuen antes e foi recusado. O choque dele era compreensível.

— Por curiosidade… que horas ele disse que viria? — perguntou Ibuki.

— Quatro e meia — respondeu Shiina.

— Hã?

Ibuki olhou para o relógio na parede da sala. Já eram cinco e cinco.

— Parece que ele está um pouco atrasado — disse Shiina.

— Já passaram mais de trinta minutos! Isso não é estar atrasado, ele simplesmente está te ignorando!

— Ora, ora, acalme-se e tome um pouco de refrigerante de melão. Por que não esperamos pacientemente? — disse Shiina, oferecendo a bebida para Ibuki, que a ignorou imediatamente.

— Esquece isso… — bufou Ibuki, levantando-se para ir embora. Ishizaki bloqueou o caminho dela.

— Eu vou esperar. O Ryuen-san vai aparecer… provavelmente.

— Você é idiota? Aquele cara não tem um pingo de decência. Não tem a menor chance de ele cumprir promessas.

De fato, ele já estava muito atrasado. Ibuki, cansada daquilo, começou a ir embora. Mas uma mão pálida e esguia segurou seu braço.

— Vamos esperar, certo? Sabe, Ryuen-kun é uma pessoa mais decente do que você imagina. Hm?

— O que você sabe sobre ele? — resmungou Ibuki.

— Não sei nada. Para falar a verdade, só conversei com ele algumas vezes.

— Então como você pode dizer que ele é decente?

— Bem… acho que é apenas um sentimento.

— Então não tem base nenhuma em fatos. Que fofo.

— Talvez você esteja certa — respondeu Shiina com um grande sorriso. Até Ibuki acabou se acalmando ao ver aquele sorriso completamente livre de qualquer malícia.

— Além disso, é tão divertido passar tempo com todo mundo. Você não quer ficar? — perguntou Shiina.

— Você é uma idiota — respondeu Ibuki. Exasperada, ela se sentou novamente. — Se ele não aparecer logo, eu vou embora.

— Tudo bem.

*

 

— Já chega!

Mesmo tendo sido paciente por bastante tempo, já eram mais de oito da noite. Nem dava mais para dizer que Ryuen estava atrasado. Eles haviam sido completamente ignorados, e Ibuki estava furiosa.

— Sei lá… mas você não cantou umas dez músicas ou algo assim? — disse Ishizaki.

— Tenho certeza de que você pode ser um pouco mais paciente, Ibuki-san.

— Não! Minha paciência acabou faz tempo! — gritou Ibuki.

— Então vamos fazer o nosso melhor para te dar mais paciência!

— Eu não estou brincando! — retrucou Ibuki.

— Caramba, você é muito irritada… Você não cansa de ficar tão irritada o tempo todo? — suspirou Ishizaki.

— Só de olhar para a sua cara já deixa qualquer um um milhão de vezes mais cansado!

Ishizaki tentou segurar Ibuki para impedi-la de sair, mas ela o afastou e caminhou até a porta. No momento em que estava prestes a abri-la… a porta se abriu primeiro.

— O que foi? Vocês estavam mesmo esperando aqui achando que eu apareceria eventualmente? — disse Ryuen, entrando na sala com um sorriso debochado. Ishizaki e Ibuki congelaram na hora. Eles já não acreditavam mais que ele realmente apareceria.

— Você está atrasado, Ryuen-kun — disse Shiina.

— É, mas parece que vocês estavam se divertindo.

— Sim. É a primeira vez que vou ao karaokê. Estou me divertindo muito — respondeu Shiina.

— Nesse caso, acho que vou embora. Divirtam-se aí, Ibuki. Aproveite bastante.

Ryuen, ainda com aquele sorriso provocador no rosto, tentou sair e fechar a porta. Mas Ibuki o impediu.

— Se você me deixar neste inferno de karaokê por mais tempo, eu vou apagar suas luzes.

— Kuku. Uau, estou morrendo de medo.

Depois de ser puxado à força para dentro da sala por Ibuki, Ryuen recebeu uma água com gás de Ishizaki. Ele se sentou e começou a mexer no celular, sem dizer nada.

— Então? — disse Ibuki impaciente, pressionando-o a falar.

— Então o quê?

— Você nos fez esperar esse tempo todo e não vai dizer nada?

— Eu só vim ver se vocês ainda estavam esperando sem motivo, como um bando de idiotas — ele tomou um gole da água com gás. — Só isso.

— A Shiina me fez participar desse show ridículo por horas. Eu estou furiosa.

— Não tem nada a ver comigo.

— Tem sim! — retrucou ela, batendo o punho na mesa e encarando Ryuen com raiva.

— Hey, calma, Ibuki. Olha, ficar brigando com o Ryuen-san não vai ajudar em nada.

— Sério… até quando você vai continuar sendo capacho dele?

— Até quando…? Eu… eu decidi que vou continuar seguindo o Ryuen-san.

— Ah, é? No começo você odiava completamente seguir ele.

— N-Não precisava dizer isso! — Enquanto Ibuki e Ishizaki discutiam entre si, Shiina foi escolher outra música.

— Você sabe que esse idiota aqui caiu totalmente no seu papo e basicamente desperdiçou a chance que tinha de escolher nosso oponente — que, aliás, foi um milagre — ao selecionar a Classe B? — suspirou Ibuki.

— Sei.

Ishizaki pareceu encolher. Se tivesse seguido o consenso da turma, teria escolhido a Classe C. Era o único adversário que todos acreditavam ter alguma chance de derrotar. Mas Ishizaki tinha bagunçado os planos e agora não fazia a menor ideia de como poderiam vencer.

— Ele é estupidamente devoto a você. Ou seja, você tem pelo menos parte da responsabilidade, já que foi você quem colocou essas ideias na cabeça dele.

— Kuku… acho que não posso negar isso. O que eu disse foi descuidado — respondeu Ryuen, ainda sorrindo. — Você lembra do que eu fiz com a Classe B no começo do ano?

— Se não me engano, você tentou separar eles, fazer com que parassem de ser amigos uns dos outros? — disse Shiina.

Sob as ordens de Ryuen, alunos da Classe D começaram a provocar brigas com estudantes da Classe B, tentando causar discórdia dentro da turma. Ryuen havia iniciado várias dessas situações para testar o potencial das outras classes. Outros exemplos foram a briga que ele armou envolvendo Sudou e o momento em que entrou secretamente em contato com Katsuragi.

— E o que aconteceu como resultado? — perguntou Ryuen.

— Não aconteceu nada. A Classe B acabou ficando ainda mais unida — respondeu Shiina.

— Exatamente. Eles são mais unidos e cooperam melhor do que qualquer outra classe.

— Não é exatamente por isso que deveríamos evitar enfrentá-los numa competição em equipe como essa? — disse Ibuki.

— Também acho. Enfrentar a Ichinose e o bando de admiradores dela vai ser um saco — resmungou Ishizaki.

Ele e Ibuki compartilhavam a mesma opinião do resto da Classe D.

— Shiina, qual é a sua análise? Da Classe B.

— Hm… vamos ver… Bem, como já disseram, a Classe B é bastante forte. Todas as habilidades deles estão acima da média. Mas, mais do que qualquer outra coisa… eu até sinto um pouco de inveja de como eles são próximos uns dos outros… Mas, fora isso, não há muito mais a dizer. Eles não são particularmente ameaçadores. Apenas são muito unidos.

— Você tem uma cara gentil, mas sua análise é fria e brutal — comentou Ibuki. Depois de ouvir todos, Ryuen deu sua própria avaliação da Classe B.

— Se você me perguntar, o maior defeito da Classe B é a Ichinose… não, é a falta de um líder.

— E-Espera aí. Eu não entendi. A Ichinose é a líder deles — disse Ishizaki.

— Nem a Ichinose nem o Kanzaki são líderes naturais. Eles são o tipo de pessoa que apoia um líder, não que lidera. Em vez de colocar alguém como ela no comando, seria muito melhor se tivessem alguém como a Suzune ou o Katsuragi. É exatamente por isso que até a Classe D — o fundo do poço — tem chance de derrotá-los.

— Mas isso não muda o fato de que ainda é um péssimo confronto, muda? A Classe D está abaixo da média em praticamente tudo. Nesse sentido, a Classe B é justamente o único adversário que nunca deveríamos desafiar — disse Shiina.

— Eu diria que nossas chances são baixas contra qualquer classe — respondeu Ryuen.

— N-Nós somos tão ruins assim? — perguntou Ishizaki, atônito. Nem Ryuen nem Shiina mudaram de postura diante da reação dele.

— Mas… — Ryuen pegou seu copo vazio e olhou para Ibuki e os outros através dele. — Com um pouco de truques, nossas chances podem subir de menos de dez por cento para algo perto de cinquenta. Dependendo de como as coisas forem… talvez até mais.

Ele tirou uma folha de papel dobrada e a entregou a Shiina. Quando ela abriu, viu dez eventos listados, com cinco marcados como favoritos. Enquanto Shiina lia, Ibuki e Ishizaki se inclinaram para espiar por cima dos ombros dela.

— Quando chegar o dia… vamos esmagar eles.

— Espera… esses são todos—

— Isso mesmo. São todos eventos baseados em fazer o oponente se render pela força.

Karatê, judô, taekwondo, kendô, luta livre… Dez competições fisicamente exigentes.

— Espera um pouco. Sim, tudo bem, temos algumas pessoas na classe que sabem lutar. Tipo… eu, o Albert, o Komiya e o Kondou. E também tem a Ibuki… mas… acho que o resto da turma não aguenta, não — disse Ishizaki.

Ele queria dizer que, mesmo conseguindo se virar em um ou dois eventos, não sabia se conseguiriam sustentar isso até o fim.

— Exato. A Classe B também tem vários alunos atléticos. Claro, seria diferente se todos os eventos fossem um contra um, mas as regras de participantes obrigatórios não estragam esse plano? — perguntou Ibuki.

Mesmo deixando tudo nas mãos da sorte do sorteio, não havia garantia de que conseguiriam exatamente o que queriam.

— É mesmo? E daí?

— Hã?

— Vocês estão se prendendo demais a essa besteira de "participantes obrigatórios". Isso não importa.

Enquanto Ishizaki ainda tentava entender o que Ryuen queria dizer, Shiina compreendeu imediatamente.

— Entendi. Então devemos pensar dessa forma… Não importa quantas pessoas o evento tecnicamente exige — tudo depende das regras. Por exemplo, se usarmos regras de torneio eliminatório, poderíamos resolver com apenas uma pessoa.

— Exatamente. Digamos, por exemplo, que seja uma competição de judô com dez participantes.
Mesmo assim, só o Albert já seria suficiente para derrotar todo o time deles.

— Mas… a escola autorizaria isso? Regras de torneio eliminatório, quero dizer.

— Sim. Provavelmente seria impossível colocar esse tipo de regra em provas escritas ou esportes com bola. Mas em competições como karatê ou judô isso é totalmente normal. Eles não poderiam dizer que estamos saindo do padrão. Desde que usemos regras como sem contato, para reduzir o risco de ferimentos, não deve haver problema. Mesmo que a escola rejeite um ou dois eventos por serem perigosos demais, estará tudo bem desde que pelo menos cinco sejam aprovados — disse Ryuen.

— Então dá! Com esse plano dá mesmo pra vencer, Ryuen-san! — gritou Ishizaki, com um brilho de esperança nos olhos ao finalmente entender a ideia.

— Bem, é verdade que poderíamos vencer todos os eventos que enviarmos… Mas e se não tivermos tanta sorte? O que acontece se mais eventos da Classe B forem sorteados? — perguntou Ibuki.

— Você não está satisfeita nem com cinquenta por cento de chance de vitória? — disse Ryuen.

— Se eu vou cooperar com você, então vou exigir que você garanta nossa vitória.

— Kuku. Claro que eu tenho um plano para isso.

No momento, apenas com habilidade, a Classe D não tinha condições de vencer nenhum evento criado pela Classe B. Ryuen dizia que precisavam de outro método para diminuir essa diferença.

— Então o que exatamente você quer que a gente faça? — perguntou Ibuki, começando a entender.

Ryuen sorriu.

— Às vezes é preciso pecar para vencer. Vocês vão perseguir aqueles idiotas da Classe B todos os dias até o dia da prova. Sigam eles como uma sombra. No começo, só isso. Mais cedo ou mais tarde eles vão perceber que estamos atrás deles.

— Tá, e daí? Você acha que só isso vai estressar eles? — disse Ibuki.

— Provavelmente eles vão rir e dizer que estamos sendo infantis ou algo assim. Enquanto não fizermos nada diretamente contra eles, vão simplesmente ignorar. Esse é o tipo de pessoa que a Ichinose é. No final, ela nem vai perceber o que eu realmente estou tentando fazer.

— O que você quer dizer com isso?

— Esse é só o plano para a primeira semana. Depois que os dez eventos forem anunciados, aí sim vamos começar de verdade. Qualquer coisa pequena serve. Sentem nos lugares deles, encarem eles, mandem calar a boca. Qualquer coisa. O que vier à cabeça. Só não façam mais do que o necessário. Vocês sabem quem é o grupo perfeito para lidar com isso, certo?

Ele estava dizendo que deveriam usar pessoas que soubessem se virar numa briga, como Ishizaki.

— Então… você está dizendo que eu devo partir para a porrada, se chegar a esse ponto? — perguntou Ishizaki.

— A gente só vai mexer com eles, nada mais. Não façam coisas como ameaçar ou bater neles agora. Vamos guardar isso como uma carta na manga para usar só no final — explicou Ryuen, deixando claro que era importante manter suas ações vagas e ambíguas. Se exagerassem e causassem problemas demais, a escola não teria escolha a não ser intervir.

— A parte mais importante é a informação. Com essas pequenas brigas constantes, vamos arrancar informações da Classe B e sair na frente descobrindo quais cinco eventos eles querem escolher no dia do exame. Tenho certeza de que uma classe como a deles vai chegar a um consenso bem cedo. E então alguém vai comentar sobre isso por e-mail, mensagem ou algo assim. Vocês também fazem isso, não fazem?

— Sim. Nós também tentamos encontrar um bom momento para discutir quais dez eventos seriam boas escolhas — respondeu Shiina.

— Aí está. Mesmo que mantenham a boca fechada, os celulares deles estão completamente indefesos. Tenho certeza de que nunca imaginariam que alguém daria uma olhada nos telefones deles sem permissão. E, quanto mais perto o dia do exame estiver, mais definidos estarão os planos deles. Podemos até descobrir coisas como quem eles pretendem colocar em cada evento — disse Ryuen.

— Você fala como se fosse simples… mas isso realmente vai acontecer tão facilmente assim? — perguntou Ibuki.

— Não vamos deixar tudo na mão da sorte. A partir de agora, vou orientar vocês sobre o que precisam fazer. De qualquer forma, a base de tudo começa com vocês provocando eles a partir de amanhã. E não vamos fazer só isso de roubar informações. Também vamos usar algo assim, por exemplo.

— O que é isso…? Espera… isso é um laxante? — perguntou Ibuki.

— É. Um de ação lenta. O efeito começa só depois de quarenta e oito horas. Se conseguirmos fazer alguns deles ingerirem isso, talvez possamos deixar um ou dois doentes no dia da prova.

— E-Ei! Isso é contra as regras! E se descobrirem?! — gritou Ibuki.

— E daí? — respondeu Ryuen.

— Hã?

— Você realmente acha que eu sou o tipo de cara que se importa com isso?

— Bem… você… É, acho que não. Você é o tipo de cara que faria qualquer coisa para vencer — disse Ibuki.

— Se der problema, coloquem toda a culpa em mim quando chegar a hora. Simples.

Independentemente de qualquer punição que a escola pudesse impor a ele individualmente, Ryuen não parecia se importar nem um pouco. Mesmo que a classe sofresse consequências… bem, eles também sofreriam uma derrota esmagadora se seguissem as regras normalmente.

— Então você criou esse plano porque já aceitou ser expulso…

— Antes você disse que queria guardar a briga como carta na manga. Isso significa que está pensando em usar força no pior cenário possível? — perguntou Ibuki.

— É. Alunos brigam por qualquer besteira todos os dias. E se, por acaso, as pessoas que eles pretendem usar nos cinco eventos escolhidos acabarem sendo tiradas de jogo junto com os alunos mais inúteis da nossa classe? Provavelmente teríamos vantagem no dia do exame, não é?

Agora que Ryuen havia decidido seguir esse plano, não mostraria nenhuma misericórdia.

— Eu vou ser o comandante no dia do exame. É importante que eu faça a Ichinose perder a calma.

— Você realmente é… cruel.

— Vou considerar isso um elogio. Que tal mostrarmos para eles como a Classe D luta?

— Sim! — respondeu Shiina.

— Que diabos foi esse "sim"?! — disse Ibuki, soltando um suspiro exasperado diante do absurdo daquela situação. Mesmo assim, ela percebeu que não odiava aquilo tanto quanto deveria. E não pôde deixar de odiar a si mesma por isso.

— Mas… por que você está fazendo tudo isso, Ryuen-san? Não é só porque sente pena da gente, é? — perguntou Ishizaki.

— Hm… quem sabe?

Ryuen se recostou no sofá e fechou os olhos. Ele nunca teve grande apego por aquela escola. Pelo menos, no começo. Mas agora que havia chegado tão longe, algo dentro dele começava a mudar.

Ayanokoji Kiyotaka. Desde que perdeu para ele, pensar em deixar aquela escola o fazia sentir uma profunda insatisfação. Ao se tornar o comandante e se colocar numa situação da qual não havia volta, ele esperava confirmar se essa frustração vinha realmente do desejo de uma revanche contra Ayanokoji.

Se ele realmente não tivesse nenhum apego restante, poderia simplesmente escolher pessoas aleatórias e perder de propósito.

Mas… Se aquele sentimento realmente existisse dentro dele — o desejo de uma revanche — então ele garantiria que sobreviveria.

Ryuen queria descobrir isso com certeza.

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