Ano 1 - Volume 11
Epílogo: A Linha Entre o Vencedor e o Perdedor
O SEXTO EVENTO escolhido foi tiro com arco, uma disputa dois contra dois. Outro evento nosso. A Classe C venceu graças aos esforços de Akito, fazendo com que nosso placar ficasse agora em três vitórias e três derrotas.
Sakayanagi não fez nenhum comentário em particular sobre isso, apenas observou o evento se desenrolar em silêncio. Era quase como se ela quisesse que chegássemos a três vitórias e três derrotas.
Em seguida viria o tão aguardado sétimo e último evento. E, por uma travessa reviravolta do destino, esse evento era…
Xadrez
Participantes obrigatórios: 1 pessoa
Tempo concedido: 1 hora (ultrapassar o tempo resulta em derrota)
Regras: Aplicam-se as regras padrão do xadrez. No entanto, o tempo concedido não aumentará nem mesmo após o 41° lance.
Comandante: O comandante pode dar instruções ao seu respectivo jogador por até trinta minutos no total, em qualquer momento. O tempo gasto pelo comandante dessa forma será descontado do tempo total da partida.
Não havia nenhuma regra que adicionasse tempo, como as Regras Fischer. Provavelmente essa foi uma concessão que Sakayanagi fez para conseguir que a escola aprovasse a inclusão do xadrez na lista de eventos, já que partidas de xadrez costumam demorar bastante. Uma única partida poderia levar duas horas ou mais, então presumi que o limite de uma hora havia sido definido exatamente por esse motivo. Fazia sentido.
— Três vitórias e três derrotas para cada lado, e agora vamos para o sétimo e último evento. Eu não poderia estar mais feliz. Não consigo acreditar que justamente este evento foi escolhido como o final… Ah, parece que coisas boas realmente vêm para aqueles que sabem esperar — disse Sakayanagi.
Ela provavelmente pretendia intervir em algum momento crítico da partida e fornecer instruções ao seu jogador. Na verdade, era bem provável que nós dois interviéssemos mais ou menos ao mesmo tempo. Considerando as regras para intervenção do comandante, eu não me via vencendo Sakayanagi sem dar o meu máximo.
— O fato de termos encurralado vocês até esse ponto não significa que a Classe A calculou mal? — perguntei.
— Ao que parece, sim. Devo admitir que vocês nos pressionaram bastante nas provas esportivas — respondeu ela, lembrando dos seis eventos que já haviam acontecido. — No entanto, o sétimo evento será um pouco diferente. As habilidades do comandante terão um impacto significativo em como essa batalha se desenrolará.
— Acontece que eu sou bem bom em xadrez.
A partir desse momento, Sakagami-sensei e Hoshinomiya-sensei testemunhariam nossa partida. Provavelmente era sensato tomar algumas precauções.
— Ora, ora… Que coincidência! Talvez escolher xadrez tenha sido um erro da minha parte — respondeu ela.
Mas antes, a partida preliminar estava prestes a começar. Uma batalha entre os estudantes que havíamos escolhido de nossas turmas. Eu escolhi Horikita Suzune da lista de alunos que ainda não haviam participado de nenhum evento. Sakayanagi, por outro lado, escolheu… Hashimoto Masayoshi.
— Oh ho, então Horikita-san finalmente aparece. Mesmo sendo uma aluna excepcional, você não a utilizou até agora porque queria mantê-la como reserva para o evento final, hm? — disse Sakayanagi.
— Não há mais necessidade de guardar minha carta na manga.
Informamos aos professores nossas escolhas para que pudessem iniciar a partida.
— Tem certeza de que não precisa beber um pouco de água ou algo assim? — disse Hoshinomiya-sensei, preocupada por não termos saído de nossos lugares nenhuma vez durante todo o exame.
— Obrigada pela preocupação. No entanto, não há motivo para se preocupar.
— Eu também estou bem — acrescentei.
— É mesmo? Bem… tudo bem então… — respondeu Hoshinomiya-sensei, soltando um suspiro. A atmosfera tensa e carregada provavelmente estava começando a afetá-la.
— Parece que os preparativos estão completos. Vamos agora iniciar o sétimo evento: xadrez.
Ao comando de Sakagami-sensei, Sakayanagi e eu interrompemos imediatamente nossa conversa casual. O palco preparado parecia ficar em um canto do auditório. Um tabuleiro de xadrez havia sido colocado ali.
Tanto Horikita quanto Hashimoto fizeram uma leve reverência um ao outro. A batalha final estava prestes a começar.
*
Um tabuleiro de xadrez estava diante de mim. Uma semana atrás, eu nem sequer conhecia as regras. E agora estava aqui, tocando uma peça de xadrez real pela primeira vez na minha vida. Treinar com ele online me fez compreender o fascínio e a complexidade do xadrez. Se Ayanokoji-kun ou Sakayanagi-san fossem meus oponentes, minhas chances de vitória provavelmente seriam uma em um milhão.
No entanto, o aluno à minha frente não era nenhum deles. Claro, eu não fazia ideia de quão habilidoso Hashimoto-kun era, mas não conseguia imaginá-lo sequer chegando perto do nível daqueles dois.
— Boa sorte, Horikita.
Meu oponente falou comigo de maneira casual. Pelo que eu havia ouvido, até mesmo os alunos da Classe A o consideravam uma espécie de charlatão.

— Ei, vamos lá, não faça uma cara tão sombria. Que tal tentar aproveitar isso? — perguntou ele.
— Alguém que passou o último ano na Classe A não conseguiria entender o quão importante essa batalha é para nós, da Classe C — respondi.
— Bem, seria péssimo perder e ter uma tonelada de pontos da classe deduzidos. Nesse sentido, é igual para nós dois.
A classe que vencesse essa partida de xadrez receberia cento e trinta pontos. Aquela realmente era uma batalha monumental.
Uma que decidiria se conseguiríamos garantir esses pontos para encerrar nosso primeiro ano.
— A propósito, você se lembra do meu nome? — perguntou ele.
— Nunca falei com você antes, mas acredito que seja Hashimoto-kun.
— Oh ho, que honra. Quer dizer, dizem que a Horikita da Classe C é meio que uma celebridade, sabe? Se não me engano, acho que ouvi seu nome pela primeira vez quando você realmente puxou o tapete do Ryuen durante a prova da ilha desabitada.
Eu não tinha feito nada naquela época. Aquilo tudo fazia parte da estratégia de Ayanokoji-kun, que ele executou nos bastidores. Bem… não. Talvez ele nem considerasse aquilo uma estratégia.
— Ei, eu só jogo xadrez há uns dois meses. Pegue leve comigo, certo? — disse ele.
— Infelizmente, sou eu quem deveria pedir isso. Eu só jogo há cerca de uma semana.
— Oh ho…
A batalha já havia começado. Mesmo que minha experiência no jogo consistisse apenas em partidas de treino, eu sabia que qualquer coisa dita durante aquela partida poderia ser uma mistura de verdade e mentira.
O xadrez era um jogo em que você e seu oponente tentavam manter um ao outro em xeque enquanto, ao mesmo tempo, exploravam qualquer fraqueza que encontrassem na mentalidade do adversário.
A escola era bastante permissiva quanto aos alunos conversarem entre si durante esse exame, com exceção das provas escritas, nas quais respostas poderiam ser ditas em voz alta. Ayanokoji-kun e Sakayanagi-san, os comandantes, quase certamente estavam travando exatamente esse tipo de duelo verbal.
E agora que o placar estava três vitórias e três derrotas, tudo se resumia ao sétimo evento. Tudo graças ao retorno de Hirata-kun, à calma de Sudou-kun, e aos esforços coletivos de vários de nossos colegas de classe. A questão de Koenji-kun certamente era algo sobre o qual eu precisava refletir, mas isso poderia esperar para outro dia.
Eu absolutamente não podia desperdiçar essa oportunidade e perder essa batalha. Lembrei-me do que Ayanokoji-kun havia me dito antes da prova naquela manhã. Uma afirmação tão arrogante que me deixou atônita.
— Não importa contra quem eu esteja jogando, não existe ninguém mais forte do que eu, mesmo quando estou pegando leve.
Embora fosse certamente irritante, por algum motivo eu sentia que podia confiar no que ele disse. Se Hashimoto-kun não era páreo para ele, então eu tinha uma chance de vencer.
Por alguma razão, sentia que não havia como eu perder. Eu me pergunto por quê. Mesmo antes de a batalha começar, tudo o que eu conseguia pensar era que parecia que eu tinha a vantagem.
— Agora iniciaremos o sétimo evento: xadrez. Ambos os jogadores, por favor, tomem seus lugares.
Seguindo as instruções do professor, sentei-me. O sorriso nunca saía do rosto de Hashimoto, mas ele não chegava aos seus olhos. O resultado daquela partida decidiria diretamente o destino de nossas classes. Ao que parecia, Hashimoto-kun também estava sentindo a pressão daquela situação.
— Bem, vamos começar, certo? — disse Hashimoto-kun, pegando dois peões, um preto e um branco. — Você sabe como decidir quem joga primeiro, não sabe?
— Sim.
Depois que confirmei que entendia, ele fechou as mãos, escondendo as peças, e estendeu ambas na minha direção.
— Esquerda — respondi.
Ao ouvir minha escolha, ele abriu a mão, revelando a peça branca. Isso significava que eu jogaria primeiro.
— Tô ansioso pra ver que tipo de abertura você vai fazer.
— Não sei se consigo corresponder às suas expectativas.
Peguei a peça branca. Era a primeira vez que tocava uma, e ela tinha uma sensação agradavelmente fria. E assim, o sétimo evento — a batalha entre Hashimoto-kun e eu — começou. Meu primeiro movimento: peão para E4. Assim que a partida começou oficialmente, o sorriso de Hashimoto-kun desapareceu por um instante. Ele moveu uma peça preta: peão para E5.
Rapidamente movi meu cavalo, planejando capturar o peão dele. Entre todas as partidas que joguei com Ayanokoji-kun, esse era o estilo de jogo no qual eu tinha mais confiança. Eu controlaria o fluxo da partida com base nas reações do meu oponente enquanto ele tentava defender seu peão preto.
— Sabe, eu também aprendi bastante com a Sakayanagi. Você acha mesmo que vou deixar você começar a partida colocando as pretas em desvantagem?
Depois desses primeiros lances, ambos continuamos jogando sem gastar muito tempo pensando. O limite de tempo era uma hora. Mas Ayanokoji-kun havia dito para usar trinta minutos, o que significava que eu só tinha metade disso.
Não havia tempo a perder. Enquanto jogávamos, percebi algo. Meu oponente se recusava a jogar defensivamente. Sakayanagi-san devia ter ensinado Hashimoto-kun a jogar assim, porque aquilo não parecia um estilo convencional de forma alguma. Ele fazia ataque após ataque.
— Um estilo de jogo bem estranho, não acha? — disse Hashimoto-kun.
— Sim. Você herdou esse estilo da sua instrutora? — perguntei.
— Sim. A Sakayanagi jogava assim contra mim. Acho que, quando ela me ensinou, esse estilo foi o que mais combinou comigo, sabe? Mas, bem… o seu é diferente do meu. Parece bem sólido… Você aprendeu sozinha?
Ele estava tentando arrancar informações de mim. O que ele esperava conseguir com a minha resposta?
— Passei a última semana completamente focada em jogar xadrez. Deixei todo o resto de lado.
— Hã… Espera, então você já estava confiante de que o xadrez seria escolhido como evento?
— Você é livre para pensar isso.
A posição das peças mudava num ritmo vertiginoso a cada movimento. À primeira vista, parecia que ele tentava me manter sob pressão e me encurralar. Mas cada um dos meus movimentos estava focado em avançar sobre Hashimoto-kun.
— Você realmente começou a jogar só na semana passada? — perguntou ele.
— Parece que você gosta muito de conversar.
— Conversar é a única coisa em que sou bom.
Desde que não dissesse nada inapropriado, ele podia falar o quanto quisesse. Pelas regras, eu não tinha direito de impedi-lo.
— Isso mesmo. Apenas uma semana. Claro, sempre existe a possibilidade de eu estar mentindo — respondi.
— Bem, se você realmente só joga há uma semana, não consigo imaginar que tenha aprendido sozinha. Alguém deve ter te treinado bastante, assim como a nossa princesa fez comigo. Não é?
— Quem sabe. Não posso afirmar nada.
Eu não tinha intenção de entregar informações desnecessárias.
— Bom, tanto faz. Ei, mais importante… podemos falar um pouco sobre o Ayanokoji? — perguntou ele.
Aquilo era permitido? Parecia que ele não tinha interesse real na minha experiência com o jogo ou em saber se eu tinha um professor. Aquilo foi apenas um gancho para a conversa, e o verdadeiro alvo dele era Ayanokoji-kun.
Então até Hashimoto-kun estava começando a prestar atenção nele, hein?
— O que você queria perguntar?
— Desde tudo o que aconteceu na ilha desabitada, fico me perguntando se o Ayanokoji não é quem está puxando os fios nos bastidores.
Ele estava tentando me desestabilizar. Provavelmente esse era um dos motivos pelos quais ele foi escolhido para jogar contra mim.
— Por que você pensa isso?
— Só intuição. Então, me responde, Horikita.
— Responder o quê? Eu não faço a menor ideia do que você está falando.
— É mesmo? Mas você parece meio abalada.
— Quando soube que você seria meu oponente, já imaginei que tentaria me desestabilizar assim — respondi.
— Heh.
— Não importa o que você faça para tentar me abalar, você não vai me quebrar.
Movi o bispo branco, colocando o rei de Hashimoto-kun em xeque. O sorriso largo dele desapareceu novamente por um instante.
— Você realmente tem o luxo de continuar essa conversa? — perguntei. Agora, depois de ficar em silêncio por tanto tempo, eu começaria meu contra-ataque.
— As coisas estão ficando interessantes… — murmurou Hashimoto-kun. Antes que eu percebesse, a maré começou a virar a meu favor. Ele não era um oponente fraco de forma alguma. Mas eu tinha previsto todos os seus movimentos.
Cada um deles. Exatamente como eu esperava. Nem dez minutos haviam se passado desde o início da partida, mas as mãos dele pararam. Pela primeira vez desde que o jogo começou, Hashimoto-kun parou para pensar em seus movimentos.
A expressão em seu rosto — aquela cheia de confiança, como se nada pudesse abalá-lo — havia desaparecido completamente.
— Ufa. Cara, você é boa mesmo, Horikita. Tem um rosto tão fofo, mas é absurdamente forte.
— Você também é bastante habilidoso, apesar da sua aparência despreocupada.
— Ah, qual é, não precisa me bajular. Quer dizer, como dizem, sempre existe alguém melhor do que você por aí, não é?
Se a partida continuasse daquele jeito, minha vitória estava garantida. Era assim que as coisas estavam caminhando. Não havia como um jogador habilidoso como Hashimoto-kun não ter percebido isso também. Mas… também não havia como aquela partida terminar tão facilmente assim.
*
A partida de Horikita e Hashimoto estava sendo exibida no monitor. No início, Hashimoto havia feito uma série de movimentos ofensivos, mas Horikita lidou com todos eles com calma. Ela manteve a cabeça fria, evitando cuidadosamente ser encurralada em posições que fariam qualquer um querer usar suas peças apenas para se defender.
À medida que a partida avançava, ela começou a ganhar vantagem. Eles estavam se aproximando do ponto intermediário da partida, e a vitória de Horikita começava a parecer uma realidade.
Sim — Horikita tinha a vantagem naquele jogo. Ela estava demonstrando um nível de habilidade muito acima do que eu tinha visto durante nossos treinos.
— Uma partida bastante interessante. Dá vontade de assistir até o fim — observou Sakayanagi, casualmente, sem qualquer sinal de pânico na voz.
— Concordo. Vamos assistir até o final — respondi.
— Fufu, sim, claro… Bem, é o que eu gostaria de dizer, mas receio que não posso. Não é que eu não tenha fé no Hashimoto-kun, mas sim que Horikita-san parece extremamente calma e controlada. A especialidade dele, sua habilidade de conversar e desestabilizar, não parece estar surtindo efeito nela.
Então ela ia entrar no jogo agora? Uma mensagem apareceu no monitor indicando que Sakayanagi estava usando a habilidade de comandante para intervir na partida. Provavelmente ela havia decidido que a derrota de Hashimoto se tornaria certa se deixasse aquilo continuar.
Intervir antes mesmo de chegarem à metade da partida provavelmente não fazia parte de seus planos. Mas sua decisão era a correta. Se ela tivesse ficado apenas observando um pouco mais, o jogo teria avançado até um ponto em que o resultado estaria praticamente decidido.
Isso só demonstrava o quão assustadoramente habilidosa Horikita estava naquele momento. Confesso que senti vontade de apenas continuar assistindo. Queria ver o quanto ela havia evoluído.
Estava curioso para saber que tipo de jogadas ela faria enfrentando Sakayanagi.
— Você não vai entrar na partida, Ayanokoji-kun? — perguntou ela.
— Provavelmente teremos mais chances de vencer se eu deixar as coisas nas mãos da Horikita por enquanto, em vez de entrar de forma precipitada.
— Entendo. Nesse caso, imagino que você não tenha objeções se eu entrar e virar o jogo a nosso favor, hm?
Ela começou a digitar no teclado. Hashimoto, que estava parado pensando havia algum tempo, voltou a agir imediatamente — como um peixe que acabara de ser devolvido à água.
O cronômetro de trinta minutos do comandante pausava no momento em que pressionavam Enter, provavelmente para compensar o tempo de transmissão. A contagem regressiva reiniciava assim que o oponente fazia um movimento.
Horikita contra Sakayanagi. Eu esperava que as duas estivessem em pé de igualdade. Se estivessem, talvez Horikita conseguisse manter a vantagem que havia conquistado.
Mas eu duvidava que as coisas correriam tão tranquilamente. Sakayanagi entrou na partida com confiança absoluta. Pelo monitor, eu podia ver que Horikita começou a se sentir confusa depois que Hashimoto fez um movimento inesperado, diferente de tudo que havia acontecido até então.
Ela parou para pensar. Estava ponderando como lutar naquela batalha agora que seu oponente havia sido substituído por alguém muito mais capaz que ela. Usando cuidadosamente o tempo que havia economizado no início da partida, ela finalmente fez seu movimento.
— Talvez você não tenha dado tempo suficiente a ela como vantagem — comentou Sakayanagi.
Cada vez que Horikita fazia um movimento, Sakayanagi levava menos de cinco segundos para responder. Ela reagia imediatamente. E cada jogada dela atingia diretamente as fraquezas da defesa de Horikita.
Qualquer chance de vitória que Horikita havia conquistado desapareceu em um instante. Agora restava apenas um leve vestígio da vantagem que ela tinha antes. As mãos de Horikita pararam.
Mesmo sendo iniciante, ela provavelmente já conseguia ver o que estava acontecendo. Ela estava sentindo desespero, enfrentando um oponente contra o qual não tinha chances. Estava sendo manipulada, lentamente encurralada.
Dois minutos.
Três minutos.
Horikita já não conseguia mais se mover. Aquele era o limite. A linha que separava o vencedor do derrotado. Horikita começava a sentir a pressão.
Eu lhe dei o sinal de que entraria na partida e assumiria o controle. Enviei instruções para Horikita através do headset, usando texto convertido em voz. Horikita levantou o olhar para a câmera por um breve momento.
Então assentiu. Ela estava dizendo que deixaria todo o raciocínio comigo.
Aquela já não era mais uma batalha entre Horikita e Sakayanagi. Agora era eu contra Sakayanagi.
Um contra um.
— Bem, então… finalmente. Nossa partida enfim começa — disse Sakayanagi.
— Parece que sim — respondi.
Eu só tinha trinta minutos, mas era mais do que suficiente para terminar aquilo. Sakayanagi e eu continuamos conversando enquanto nossas mãos voavam pelos teclados, sem parar.
Gastávamos entre dez e vinte segundos por movimento.
Cada vez que pressionávamos Enter e enviávamos nossas instruções, o cronômetro parava temporariamente.
Tendo observado a partida até aproximadamente o meio do jogo, eu já conseguia ver como aquilo terminaria. Nossas peças continuavam a deslizar pelo tabuleiro sem hesitação.
— Ei, o quê?! Que tipo de estilo de jogo de outro mundo é esse…?! — gritou Hashimoto através do monitor, reagindo às instruções que recebia.
— Agora parece que nossa partida anterior foi patética… — disse Horikita.
— É verdade.
O choque deles era compreensível. A diferença entre eles e nós era como a diferença entre um amador e um profissional. Eles talvez nem conseguissem dizer qual lado tinha vantagem ou desvantagem apenas olhando para o tabuleiro.
Não… Era ainda mais do que isso. Assim que comecei a jogar, fui forçado a perceber algo que me fez prender a respiração. As habilidades de Sakayanagi no xadrez eram incríveis. O suficiente para merecer genuinamente meu respeito. Eu não ficaria surpreso se ela acabasse se tornando uma jogadora profissional famosa.
Aprendi xadrez na Sala Branca quando era muito jovem. Joguei contra vários instrutores considerados profissionais. Mas ela era melhor do que qualquer um deles.
— Então, o que acha, Ayanokoji-kun? Minhas jogadas conseguiram te tocar? — perguntou ela.
— Sim. E bastante.
Mesmo depois que a partida passou da metade e entrou em sua fase final, em vez de ampliar a diferença entre nós, eu estava me esforçando ao máximo apenas para impedir que ela encurtasse a distância. Se eu cometesse um único erro, ela provavelmente avançaria com tudo de uma vez.
— Não se preocupe. Não existe absolutamente nenhuma chance de você cometer um erro trivial, Ayanokoji-kun.
— Se é assim, ajudaria se você simplesmente desistisse.
— Receio que isso seja algo que não posso fazer. Se você não vai cometer um erro, então terei que usar minhas habilidades para romper sua defesa à força.
Horikita e Hashimoto já haviam ficado em silêncio há algum tempo. Eles não passavam de vasos através dos quais Sakayanagi e eu movíamos nossas peças. Eventualmente, já bem perto da fase final da partida… as mãos de Sakayanagi pararam.
Normalmente eu conseguiria intuir qual movimento ela faria. Mas… misteriosamente, ela parecia profundamente imersa em pensamentos.
Como até então tínhamos dado instruções com extrema rapidez, Hashimoto parecia abalado. Sakayanagi não dizia nada, mas talvez justamente aquele silêncio o fizesse suspeitar que ela estava em apuros.
Depois de alguns minutos de silêncio, ela fez seu movimento. E o lance que fez depois daquele longo período de reflexão foi incrivelmente bom. Eu não havia cometido erros. E não tinha intenção de dar a ela nenhuma abertura. Mas, mesmo assim…
Dessa vez, minhas mãos pararam.
— Oh, minha nossa… que momento maravilhosamente divertido! Eu já nem me importo mais com os espectadores. Só quero fazer desta a melhor partida de toda a minha vida. É tudo o que desejo neste momento — disse Sakayanagi.
Eu não sabia o quão familiarizados Hoshinomiya-sensei e Sakagami-sensei estavam com xadrez. Mesmo assim, ambos provavelmente conseguiam perceber o quão extraordinária aquela partida era.
Um minuto.
Dois minutos.
O tempo continuava avançando. Eu estava consumindo uma quantidade frustrante do tempo que havia economizado.
— O… o que você está fazendo, Ayanokoji-kun?! — lamentou Horikita.
Ouvi sua voz vindo pelo monitor. Ela havia estado observando a partida em silêncio.
— Você só tem cerca de cinco minutos restantes…!
Eu sabia disso. Aquela era uma partida complexa, onde os pensamentos de quatro pessoas estavam entrelaçados em um único jogo. Antes, Horikita e eu certamente tínhamos a vantagem. Mas agora… tudo estava completamente equilibrado.
Meu próximo movimento seria a diferença entre vida e morte. Não importava quanto tempo eu levasse pensando. Nada daquele tempo seria desperdiçado.
— Você não é o tipo de pessoa que pararia aqui, nesse nível, é, Ayanokoji-kun? Por favor, mostre-me.
Mais do que vencer, Sakayanagi só queria extrair todo o meu potencial. Coisas como ganhar ou perder aquele exame provavelmente já não importavam mais para ela, contanto que pudesse aproveitar aquela partida.
Eu tinha menos de três minutos restantes. O padrão de final de jogo que eu havia imaginado foi completamente apagado, voltando a uma folha em branco. Comecei a construir um novo caminho para a vitória. Pouco antes de chegar aos dois minutos restantes…
Meus dedos tocaram o teclado, e enviei instruções para Horikita, que entrou em ação como se estivesse esperando por aquilo. A peça se moveu pelo tabuleiro com intensidade.
Hashimoto voltou a parecer perturbado. Até então, as coisas estavam correndo tranquilamente para Sakayanagi. Mas agora ela começou a demorar mais para responder.
O próximo movimento levou trinta segundos. O seguinte também. O próximo levou um minuto.
Por outro lado, eu levava apenas um ou dois segundos para responder. Sakayanagi e eu agora caminhávamos lado a lado por um caminho que levava à vitória. O fim da partida se aproximava. Logo, o resultado seria decidido. Em breve viria o xeque-mate.
Ainda havia uma possibilidade de escapar, mas as opções eram pouquíssimas. Em breve, não haveria mais rota de fuga.
— Magnífico… — elogiou Sakayanagi.
Um minuto.
Dois minutos.
Três minutos.
Sakayanagi mergulhou em pensamentos pela segunda vez.
O tempo dela estava acabando. Cada precioso segundo escapava, um após o outro. Até então ela vinha falando comigo com frequência. Mas agora estava em silêncio.
— Ei! Ei! Vamos! Vamos logo! — gritou Hashimoto.
Sakayanagi tinha menos de dois minutos restantes. Agora ela finalmente tinha menos tempo do que eu. Assim que consumisse todos os seus trinta minutos, não teria escolha senão deixar o restante da partida nas mãos de Hashimoto. O que basicamente tornaria sua derrota inevitável.
— Sakayanagi! A gente vai mesmo perder aqui?!
Hashimoto provavelmente não conseguia enxergar nenhuma saída. Agora Sakayanagi tinha menos de um minuto.
— Verdadeiramente magnífico, Ayanokoji-kun. Você me proporcionou exatamente o que eu desejava — disse Sakayanagi.
Enquanto seu tempo continuava diminuindo, ela voltou a me elogiar.
— Graças a você, experimentei pela primeira vez o que é sentir um suor frio escorrer. Você é um oponente formidável.
Assim que terminou de dizer isso, acrescentou rapidamente:
— Este é o fim.
Ela murmurou palavras de derrota. Mas Hashimoto não conseguiu ouvi-las. O comandante não tinha autoridade para encerrar a partida. Quando o tempo do comandante acabasse, o controle voltaria ao jogador, que seria quem poderia desistir. Ou Hashimoto poderia continuar jogando até o xeque-mate final. De qualquer forma, a batalha já havia terminado no momento em que Sakayanagi demonstrou estar disposta a admitir a derrota.
— Foi uma batalha divertida. É realmente uma pena que esteja terminando… — disse Sakayanagi.
Restavam menos de quarenta segundos. Ela falava calmamente. Ao mesmo tempo, ouvi o som de suas teclas batendo no teclado. Suas palavras não eram uma admissão de derrota. Eram uma declaração de vitória. E foram seguidas por um movimento feroz.
— Eu sabia que você ia conseguir… princesa!
Hashimoto — não, Sakayanagi, a mente por trás dele — fez um movimento que os trouxe de volta à beira da morte. Quando vi o lance que ela fez, senti um arrepio subir pela minha espinha, como eletricidade.
As peças pretas voltaram do abismo. Voltaram a respirar. Nos dois… três movimentos seguintes que fiz, senti a partida desviar completamente do caminho que eu havia imaginado.
E então… Antes que eu percebesse, eu estava encurralado. Sem nem perceber, eu havia sido atraído para o caminho da vitória de Sakayanagi. As marés haviam virado inúmeras vezes naquela partida.
Mas agora, fui eu quem voltou a ficar em silêncio. Restando menos de um minuto e meio, eu enfrentava meu maior desafio. Não tinha dúvidas de que Horikita também sentia isso, sendo quem movia as peças. Até poucos instantes atrás, ela havia visto a derrota do adversário.
Ela havia visto a vitória da Classe C ao alcance das mãos. E agora, provavelmente sentia tudo isso escapar. Restava menos de um minuto.
— Ayanokoji-kun… — chamou Horikita, sem levantar o olhar. — Eu não quero perder.
Ela apenas disse o que estava sentindo.
— Eu… — Horikita estava dizendo tudo o que queria dizer. — Eu… eu não quero admitir a derrota… Eu quero vencer…
Ela levantou a voz. O grito carregado de emoção que saiu dela era completamente diferente do habitual. Era um grito que vinha do fundo do seu coração.
— Mesmo agora, estou tentando desesperadamente pensar em um movimento para vencer. Estou tentando pensar em qualquer coisa. Mas não consigo encontrar nada que funcione contra a Sakayanagi-san… Só você consegue fazer isso!
Fechei os olhos. Restava menos de um minuto. Aquele era o fim da linha. O último minuto.
Considerando que a partida continuaria mesmo depois que o tempo dos comandantes acabasse, era justo dizer que nossa derrota seria decidida nos próximos trinta segundos. Não existiam mais jogadas seguras. Eu precisava apostar tudo em uma última chance de vitória.
Pensei no meu movimento. Rapidamente digitei minhas instruções no teclado e pressionei Enter.
O contador parou. Horikita aguardou minha mensagem como se estivesse rezando. Cerca de trinta segundos depois de eu enviar as instruções, os olhos de Horikita se arregalaram. O sinal que ela esperava havia finalmente chegado ao seu headset.
Olhei brevemente para os professores. Os olhos deles estavam fixos no monitor, acompanhando a partida.
— Então você ainda está na luta, hein… Ayanokoji.
Hashimoto levantou o olhar para a câmera com uma expressão conflituosa. Era difícil dizer se ele estava sorrindo ou não. Horikita fez seu movimento, e o cronômetro de Sakayanagi voltou a contar.
— Magnífico, Ayanokoji-kun.
Depois de ver o que eu tinha feito, Sakayanagi expressou seu respeito pela terceira vez.
— Nunca joguei contra um oponente tão ardiloso e formidável. Você conseguiu acompanhar cada um dos meus movimentos… e às vezes até superá-los.
Ela provavelmente já conseguia ver o final da partida depois de observar meu lance.
— Esse movimento que você acabou de fazer, Ayanokoji-kun… é perfeito. Não tenho a menor dúvida de que você possui um nível de habilidade que nenhuma pessoa comum poderia sequer alcançar.
Suas palavras estavam cheias de emoção. Sua voz tremia.
— No entanto.
Suas palavras ecoaram silenciosamente pela sala.
— Com isso, minha vitória está garantida.
Ela digitou suas instruções no teclado. Hashimoto, que estava esperando, imediatamente fez seu movimento, seguindo as ordens dela. Eu respondi enviando instruções para Horikita.
O fim estava próximo. Não houve mais conversa. Apenas o som das peças se movendo pelo tabuleiro ecoava pela sala.
Cinco…
Quatro…
Três…
E então, finalmente…
Xeque-mate. Por meio do sacrifício da rainha. Era o que se poderia chamar de último recurso supremo, onde se sacrifica a rainha — a peça mais forte do tabuleiro.
Quando executado com sucesso, é um lance extraordinário que leva à vitória. Mas era extremamente arriscado. Se falhasse, a derrota viria imediatamente. Foi o movimento que eu havia decidido fazer no último instante, quando estava completamente encurralado.
As mãos de Horikita pararam. Naquele instante, mesmo agarrando-se à fraca esperança de ouvir minha voz pelo headset, ela deve ter percebido que não havia mais como evitar o xeque-mate.
A partida havia sido decidida.
— Ayanokoji-kun…
Mesmo assim, havia algo dentro de Horikita que simplesmente não conseguia desistir.
— Responda, Ayanokoji-kun… Não existe mais nada que eu possa fazer…?
Afastei minhas mãos do teclado.
— Ayanokoji-kun…!
Horikita queria derrotar a Classe A mais do que qualquer outra pessoa. Ela havia confiado tudo a mim, acreditando que, se o fizesse, poderia vencer. Aquele era o sétimo e último evento. Eu queria elogiá-la por ter enfrentado um oponente formidável como Hashimoto e conseguido a vantagem sobre ele.
Horikita não tinha feito nada de errado. Ela apenas seguiu as instruções que eu lhe dei pelo headset. Acontece que seu oponente simplesmente fez um movimento ainda melhor. O tempo dos comandantes finalmente chegou a zero, e a comunicação foi cortada.
— Eu perdi.
Horikita fez uma reverência para Hashimoto, mas parecia mais que ela estava abaixando a cabeça, derrotada.
— Obrigado.
Hashimoto também se curvou em resposta.
— Bem, isso resolve — disse Sakagami-sensei, que havia observado o evento em silêncio. O sétimo evento havia chegado ao fim.
— O vencedor deste evento é a Classe A. Portanto, o vencedor geral deste exame especial, com quatro vitórias e três derrotas, é a Classe A. Classe C, vocês também tiveram um desempenho excepcional — acrescentou ele.
A partida de xadrez, o evento final, havia terminado. Eu precisaria inventar uma desculpa depois. Eu havia intervindo na partida como comandante… e perdemos. Tenho certeza de que seria impossível evitar que algumas pessoas reclamassem, perguntando por que eu simplesmente não deixei tudo nas mãos de Horikita.
— Foi uma batalha incrível… não foi? De qualquer forma, vocês fizeram um trabalho incrível, Classe C — disse Hoshinomiya-sensei, tentando me consolar como sempre. — Se quiser, pode vir chorar no meu peito, tudo bem?
— Hoshinomiya-sensei — disse Sakagami-sensei, pronunciando o nome da colega com evidente irritação após ouvir algo tão absurdo.
— F-Foi só uma brincadeira! Só uma brincadeira! — respondeu ela, assustada, encolhendo um pouco os ombros antes de se curvar apressadamente para o colega. — Ainda assim, Ayanokoji-kun, tenho que dizer que você é um garoto muito mais talentoso do que eu imaginava! Você acertou aquela ridícula décima questão no evento de Cálculo Mental Rápido, jogou de igual para igual com Sakayanagi-san no xadrez, e também acertou as questões de alto valor na prova escrita. Ah, e além disso, se não me engano, você também é um corredor bem rápido…
Depois de dizer tudo aquilo, Hoshinomiya-sensei parou por um momento, pensativa.
— Hm, mas afinal, o que foi aquilo? Isso quer dizer que você estava escondendo suas habilidades até agora? — acrescentou.
— As coisas simplesmente acabaram dando certo dessa vez, só isso.
— Entendo. "Simplesmente deu certo", é? Bem, acho que às vezes as coisas realmente acontecem assim mesmo… É, claro! Claro. Acho que estou começando a entender por que a Sae-chan tem mantido os olhos em você. Ahh, isso é tão injusto.
Não importava o quanto eu tentasse esconder, havia algumas partes de mim que acabavam sendo reveladas para os professores.
— Não se preocupe, está bem? Eu não vou sair por aí contando para os outros alunos tudo o que vi e ouvi aqui — acrescentou ela, esfregando meu ombro gentilmente. Então ela se aproximou, trazendo o rosto perto do meu ouvido.
— Sabe, eu não desgosto de alunos como você, Ayanokoji-kun. Mas, se eu passar a te ver como um inimigo… talvez eu acabe te odiando.
Depois de me deixar com essas palavras, ela se afastou. O sorriso havia desaparecido de seu rosto. Parecia que, sem querer, eu havia acabado me tornando um inimigo da Classe B.
— O exame terminou. Alunos, por favor, deixem a sala imediatamente.
— Sakagami-sensei, devemos voltar primeiro para nossas salas de aula? — perguntou Sakayanagi.
— Não, vocês já terminaram por hoje. Podem voltar para os dormitórios, se quiserem — respondeu ele.
Aparentemente, não era necessário nos reunirmos novamente na sala de aula. Sou grato por isso.
— Os professores de vocês são bem legais, não são? Deixando vocês voltarem para o dormitório tão cedo — disse Hoshinomiya-sensei.
— Hoshinomiya-sensei, vamos começar a arrumar tudo.
— Tudo bem.
Os professores começaram a desmontar o que havia sido preparado na sala multiuso. A atmosfera estava tão tranquila que mal parecia que uma batalha tão tensa e sufocante havia acabado de acontecer ali. Sakayanagi saiu lentamente de trás do computador. Provavelmente estava esperando os professores se afastarem um pouco de nós.
— Excelente trabalho, Ayanokoji-kun.
— Obrigado. O mesmo para você.
A primeira coisa que fizemos foi trocar palavras de cortesia sobre o sétimo evento. Tínhamos passado apenas trinta minutos jogando, mas ambos estivemos no limite o tempo todo. Ela provavelmente estava exausta.
— O xadrez exige um certo tipo de resistência. Primeiro houve a jogada espetacular da Horikita-san no início da partida. Depois, houve o seu estilo de jogo incrível, que superou até aquilo. Verdadeiramente magnífico.
Sakayanagi tinha uma expressão de satisfação no rosto. Parecia que eu havia conseguido extrair o melhor dela.
— Para ser sincero, você foi muito melhor do que eu imaginava — disse. — Você destruiu a vantagem que Horikita havia construído e depois nos derrotou completamente. De forma justa.
— Oh, não, não, foi uma partida excelente. Não teria sido estranho se o resultado tivesse sido o oposto. Poderia ter ido para qualquer lado até o final. Dito isso… suponho que não há como negar que foi aquele único movimento que fiz no final que decidiu tudo.
— Sim. Aquele sacrifício da rainha foi incrível — respondi.
No fim das contas, o que aconteceu do outro lado do monitor foi a realidade. Eu dei instruções.
Sakayanagi também deu. Essas instruções colidiram entre si. E, como resultado, as dela superaram as minhas. Vitória e derrota foram decididas de acordo com o julgamento da escola. Mesmo tendo lutado bem, a Classe C perdeu para a Classe A, e perdemos trinta pontos de classe. Olhando apenas para esse resultado, parecia um pequeno revés. Mas eu me perguntava como as outras classes haviam se saído…
— Há algo que você quer de mim? — perguntei.
— Algo que eu quero? Não, nada em particular — Sakayanagi sorriu suavemente e assentiu com satisfação. — Eu simplesmente estava ansiosa para lutar contra você. E esse desejo foi realizado. Estou satisfeita.
Suponho que tenha sido bom ter conseguido satisfazê-la. Se ficássemos ali por muito tempo, Sakagami-sensei poderia começar a nos observar com atenção, e isso seria problemático.
Levantei-me da cadeira. Quando estava prestes a abrir a porta e sair, o Diretor Interino Tsukishiro apareceu na sala multiuso.
— Ufa — disse ele. — Vocês realmente me proporcionaram um grande espetáculo.
— Ora, ora, se não é o Diretor Interino Tsukishiro. O senhor por acaso assistiu ao exame especial? — perguntou Sakayanagi.
— Sim, assisti. É nosso dever como administradores da escola garantir que não haja injustiça, sabe. Eu estava observando vocês de outra sala. Vi o envolvimento de vocês como comandantes e como os eventos se desenrolaram.
Ele bateu palmas e começou a nos elogiar.

— Realmente, aquilo foi a definição exata de uma batalha equilibrada. Nenhum dos lados cedeu um único centímetro, e nós, da administração da escola, obtivemos dados excelentes com tudo isso. Estamos confiantes de que essa competição será um recurso extremamente valioso nos anos que virão.
Quando meus olhos se encontraram com os do Diretor Interino Tsukishiro, percebi que ele estava me olhando com um ar divertido. Aquilo foi o suficiente. Entendi tudo sem que fosse necessário dizer uma única palavra.
— Fico feliz que tenhamos conseguido satisfazê-lo, Diretor Interino Tsukishiro — disse Sakayanagi, fazendo uma reverência. Mais do que qualquer outra coisa, ela parecia sentir uma sensação de realização agora que nossa batalha havia sido resolvida. — A propósito, a competição entre a Classe B e a Classe D já terminou? — perguntou ela.
— Sim. Terminou há cerca de uma hora — respondeu ele.
Uma resolução bem rápida.
— Qual classe venceu?
Parecia que Sakayanagi também estava curiosa para saber o resultado.
— Classe D, com cinco vitórias e duas derrotas. Foi uma vitória realmente surpreendente.
Então Ryuen derrotou Ichinose, hein?
Isso significava uma mudança de 190 pontos. Ou seja, a Classe D — ou melhor, a antiga Classe C — havia voltado à vida. E isso significava que nós agora estávamos começando novamente como Classe D.
— Parece que Ichinose-san sofreu uma derrota dolorosa. Bem, é compreensível — comentou Sakayanagi. Se Ryuen não estivesse lá, a Classe B teria vencido.
Ele agiu por si mesmo? Ou por sua classe? De qualquer forma, aquilo significava que algo estava mudando dentro dele — e que uma ameaça iminente voltava a pairar sobre Ichinose.
— Muito bem, todos, vamos liberar o local. O exame especial terminou. Professores, também peço que se retirem — disse o Diretor Interino Tsukishiro.
— Mas ainda precisamos cuidar de—
— Nós cuidaremos disso — interrompeu Tsukishiro. Ao seu sinal, vários trabalhadores entraram na sala.
— Quem são essas pessoas? Elas não são afiliadas à escola, são? — perguntou Sakagami-sensei, desconfiado.
— Parece que o governo deseja obter os dados deste exame o mais rápido possível. Para isso, enviaram esses excelentes profissionais. Por favor, fiquem tranquilos. Como aquilo vinha do diretor interino, Sakagami-sensei, sendo apenas um instrutor, não teve escolha senão recuar.
Os dois professores terminaram rapidamente seus afazeres e deixaram a sala multiuso, junto com Sakayanagi e comigo. Eles seguiram para a sala dos professores, afastando-se sem nos dar muita atenção. Sakayanagi, por outro lado, lançou um olhar desconfiado para os trabalhadores. Mas a porta da sala multiuso foi prontamente fechada, seguida pelo som de alguém trancando-a cuidadosamente.
— Algo está incomodando você? — perguntou o Diretor Interino Tsukishiro, dirigindo a pergunta a Sakayanagi. Ele não havia ficado na sala com os trabalhadores.
— Não, não é nada.
— Entendo.
Bem então… Acho que já era hora de eu ir embora. Quando verifiquei meu telefone, vi uma mensagem de Horikita.
"Bom trabalho."
Que mensagem curta. Provavelmente eu ouviria algumas reclamações dela depois.
— Até mais, Sakayanagi.
Eu estava prestes a ir embora depois dessas palavras casuais de despedida, mas…
— Você poderia esperar só um momento, Ayanokoji-kun? — chamou ela, quando eu já caminhava pelo corredor, fazendo-me parar.
— O que foi?
Ela deveria estar aproveitando o gosto da vitória. Mas, em vez disso, parecia que uma sombra havia caído sobre ela.
— Você realmente acha que aquele último movimento que fez foi a melhor opção disponível? — perguntou. Ela estava falando do final da nossa partida. Parecia ter algumas dúvidas sobre a conclusão à qual eu havia chegado após tanta reflexão.
— A verdade é que você venceu. O que mais importa? — respondi.
— Não… me desculpe. Acho que apenas imaginei algo bobo.
— Você não está feliz por ter me derrotado?
— Não é isso. É só que… no fundo, talvez eu estivesse esperando perder para você.
Mais uma vez, pensei que a mente dela realmente funcionava de uma maneira incomum.
— Só para constar, eu não peguei leve com você — disse.
— Sim. Eu sei.
Mesmo assim, Sakayanagi não parecia totalmente convencida. Talvez a imagem que ela tinha de mim em sua mente fosse maior do que aquela que eu tinha de mim mesmo.
— Você é uma pessoa cruel, Ayanokoji-kun — disse o Diretor Interino Tsukishiro, entrando na conversa. Ele estava parado perto da porta da sala multiuso. Sakayanagi se virou. Logo depois, eu também não tive escolha senão me virar para olhar. Ele começou a caminhar em nossa direção com um sorriso suave no rosto.
— Você é uma pessoa cruel — repetiu.
— O que quer dizer com isso, Diretor Interino Tsukishiro? — perguntou Sakayanagi. Não fui eu quem perguntou.
— Que tal você mesmo responder isso? — respondeu ele, direcionando a atenção para mim.
— Do que você está falando?
— Por que não responde a ela honestamente? — Parecia que ele tinha algum tempo livre depois de terminar seus "assuntos" na sala multiuso. — A verdade é que Ayanokoji-kun deveria ter vencido aquela partida — acrescentou.
Eu realmente desejava que ele não tivesse dito aquilo. Mas agora que havia dito, não havia como Sakayanagi deixar passar. Por que aquele homem arriscaria deliberadamente provocar algo assim?
— Do que você está falando? A verdade é que eu simplesmente perdi — respondi.
— Sim. Isso é verdade. Você certamente perdeu.
O Diretor Interino Tsukishiro escolheu suas palavras de uma forma que revelava bem sua personalidade.
— Mas suponho que a forma como isso aconteceu foi diferente… não foi?
Sakayanagi, que havia permanecido em silêncio, começou a entender. Então ela percebeu o que havia acontecido.
— Que absurdo… A escola interveio à força em um exame entre estudantes? — perguntou.
Sua voz não soava desanimada ou abatida. Soava indignada. Sakayanagi estava, sem dúvida alguma, furiosa.
— Você realmente é inútil, Sakayanagi-san. Você não seguiu minhas instruções e acabou dando um Ponto de Proteção ao Ayanokoji-kun. Eu não tive escolha a não ser usar métodos um pouco mais… forçados para tirar isso dele, não acha? Afinal, isto ainda é uma "escola", mais ou menos — respondeu ele.
Então tudo aquilo não passou de uma distração sem sentido. Tudo para o propósito de expurgar a administração atual.
— Ah, francamente… Se tudo tivesse corrido de acordo com o plano, teríamos expulsado o Ayanokoji-kun desta vez. Mas parece que há vários professores excessivamente zelosos nesta escola, e eles estão me dando bastante trabalho.
Durante nossa partida, houve várias instruções que eu enviei para Horikita depois de longos períodos de reflexão. Mas mesmo depois de digitar tudo no teclado e pressionar Enter, houve quase trinta segundos de atraso antes de as instruções chegarem.
Até então, o atraso havia sido de apenas dez segundos. Isso aconteceu porque minhas instruções foram adulteradas. Elas foram manipuladas no computador, de modo que o que eu digitava e o que era transmitido eram coisas diferentes. A voz automatizada reproduziu as instruções adulteradas pelo intercomunicador para Horikita.
— Naquele momento, ele pretendia usar um movimento diferente. Um movimento ainda melhor do que o melhor que nós poderíamos ter inventado. Tivemos um número considerável de pessoas envolvidas e até mesmo uma máquina dedicada a isso, e ainda assim fomos forçados a tomar uma decisão extremamente difícil.
Se eles tivessem feito um movimento descuidado demais, ficaria óbvio para qualquer pessoa assistindo que algo estava errado. Para evitar isso, ele precisou criar uma jogada complexa.
— Nesse sentido, Sakayanagi-san fez um trabalho magnífico ao perceber o movimento que inventamos — acrescentou.
Aquilo já não soava mais como um elogio.
— Por que você não disse nada, Ayanokoji-kun? — perguntou Sakayanagi.
— Mesmo que dissesse, seria inútil. Não… na verdade, é mais correto dizer que ele não podia dizer nada — explicou Tsukishiro. — É simples. Como um ex-aluno da Sala Branca, e além disso alguém que se infiltrou à força nesta escola, ele não quer chamar atenção para si mesmo.
Se viesse à tona que Tsukishiro havia interferido contra mim, isso me causaria muitos problemas no futuro. Por mais frustrante que fosse, eu não tinha escolha além de engolir aquilo em silêncio.
— Por mais patético que seja, uma vitória ainda é uma vitória. Você não deveria estar feliz?
— Você é realmente bom em provocar, Diretor Interino. No entanto… você sabe que pagará caro por isso, não sabe? — O Diretor Interino Tsukishiro apenas bateu palmas mais uma vez ao ver o sorriso cheio de raiva de Sakayanagi.
— Você diz coisas bem divertidas para alguém que é apenas uma criança, uma estudante do primeiro ano do ensino médio. Será que ficou convencida demais de si mesma por ser, como dizem, a abelha-rainha desta escola?
Qualquer aluno que estivesse frente a frente com Sakayanagi provavelmente não gostaria de transformá-la em inimiga. Mas, para aquele homem, ela provavelmente parecia apenas uma criança que falava demais. Nada mais.
— Se deseja que eu pague caro, então por favor faça algo a respeito agora mesmo. Vamos, depressa.
Aquilo nunca aconteceria. Um breve silêncio se instalou.
— Bem, então acho que está na hora de eu me retirar. Adultos têm muitas responsabilidades para nos manter ocupados, afinal.
O Diretor Interino Tsukishiro então avançou, passando deliberadamente entre Sakayanagi e eu enquanto seguia pelo corredor.
— Ah, e se possível, por favor considere desistir voluntariamente da escola. Assim poderemos resolver tudo sem envolver outros estudantes — acrescentou. Ele continuou andando pelo corredor, deixando aquela provocação final. Sakayanagi também começou a caminhar lentamente.
— Agora tudo foi completamente arruinado. Que desagradável.
— Desculpe.
— Você não tem nada pelo que se desculpar, Ayanokoji-kun. Estou apenas decepcionada com o fato de que um adulto interferiu nos assuntos das crianças. Ele simplesmente pisoteou minha lembrança mais maravilhosa.
Ela não parecia se importar com o fato de sua vitória ter sido manchada. O que realmente a incomodava era que nossa competição havia sido interferida.
— Mas… você não acha injusto esperar que eu fique satisfeita com isso? — perguntou, parando e olhando para mim.
— Acho que sim. Sim, você provavelmente tem razão.
Eu pretendia ficar em silêncio sobre a interferência de Tsukishiro. Mas, no fim das contas, talvez fosse até bom que Sakayanagi tivesse descoberto. No fundo, eu também estava incomodado com o que aconteceu. Mesmo que apenas um pouco.
— Então, por favor… vamos continuar nossa competição. Vamos retomar de onde paramos antes que o diretor interino estragasse tudo — disse Sakayanagi.
Seria fácil para mim recusar o pedido dela. Mas tive a sensação de que algo dentro dela se quebraria se eu fizesse isso. E talvez algo dentro de mim também.
— Não tenho motivo para recusar, eu acho. Mas onde vamos fazer isso? — perguntei.
— Você sabia que há um tabuleiro de xadrez na biblioteca?
— Não… é a primeira vez que ouço falar disso.
— Eu jogo nele às vezes. Vamos usá-lo para nossa partida.
Nós fomos até a biblioteca. Não havia ninguém lá naquele dia, provavelmente porque o exame especial havia terminado e todas as aulas do dia já tinham acabado. Dentro da biblioteca completamente silenciosa, peguei o tabuleiro de xadrez e o coloquei em uma pequena mesa para duas pessoas.
Sakayanagi arrumou habilmente as peças na mesma posição em que estavam perto do final da nossa partida.
— Agora estamos exatamente na mesma posição de antes. Por favor, mostre-me o movimento que você realmente iria fazer.
Peguei minha peça e a coloquei onde ela deveria ter ido.
*
Nossa partida recomeçou. O tempo continuou passando enquanto nenhum de nós dizia uma palavra. Já era noite, e os únicos sons que ecoavam pela biblioteca eram os estalos das peças brancas e pretas se movendo. Mas aquilo não durou muito. Não havia necessidade de gastar muito tempo em uma partida que havia sido retomada quase no final.
Logo, o jogo chegou ao fim. Sakayanagi soltou um suspiro silencioso, olhando para o tabuleiro. Já não havia mais nenhuma maneira de evitar o xeque.
— Como era de se esperar de você, Ayanokoji-kun. Parece que eu perdi esta partida.
Era o tipo de jogo em que cada movimento era a diferença entre vida e morte. Mesmo assim, Sakayanagi não parecia nem um pouco descontente. Pelo contrário, ela reconheceu a derrota com um ar de satisfação.
— Você é bem direta sobre o que sente.
— Eu pareço o tipo de mulher orgulhosa demais para admitir a própria derrota? — perguntou ela.
Sinceramente… eu provavelmente estaria mentindo se dissesse que não parecia.
— Eu queria saber qual de nós estava no topo. Eu jamais faria algo como reclamar ou choramingar sobre o resultado.
— Mas, mesmo que eu tenha vencido, isso no máximo é uma repetição daquela partida. Não há garantia de que teria acontecido da mesma forma naquela hora.
Eu não podia descartar a possibilidade de que as jogadas que pensei agora fossem coisas que só consegui imaginar por causa do tempo extra que tive. Mas, mais importante que isso…
— Esse resultado foi fruto da vantagem que Horikita criou quando jogava contra Hashimoto. Do meu ponto de vista, eu herdei essa vantagem quando assumi o lugar dela. Então não acho que estávamos realmente em condições iguais.
A partida se desenrolou daquela forma justamente porque Horikita colocou nosso lado na frente e depois me passou essa vantagem. O fato de Sakayanagi ter conseguido virar o jogo mesmo em desvantagem era prova da habilidade dela.
Se jogássemos novamente, não havia garantia de que eu venceria. Ela era habilidosa o suficiente para que, se realmente pedisse uma revanche, eu talvez até considerasse fugir de verdade.
— Está tentando me consolar? — Sakayanagi riu baixinho. Ela devia ter achado minhas palavras estranhas.
— Não, não é isso. Só estou dizendo os fatos, objetivamente.
— Eu estou satisfeita com esse resultado. Isso não é suficiente? — respondeu ela. Se ela estava satisfeita, então talvez estivesse tudo bem. Mas aquilo não me fazia sentir melhor.
— Quando o exame especial foi anunciado, você poderia ter se concentrado em me desafiar diretamente em um evento um contra um. Se tivesse sugerido algo assim, eu não teria escolha a não ser aceitar. Mas você não fez isso. Por quê? — perguntei.
Claro, os sete eventos escolhidos entre os dez possíveis haviam sido selecionados aleatoriamente. Não havia garantia de que um evento assim seria escolhido. Mesmo assim, se nós dois tivéssemos concordado previamente em um duelo direto, as chances de isso acontecer teriam sido maiores.
— A razão é simples — respondeu ela. — Como tenho certeza de que você já percebeu, Ayanokoji-kun, não havia garantia de que tal evento seria sorteado. E se você competisse comigo diretamente de forma descuidada, isso certamente faria as pessoas ao seu redor começarem a suspeitar. Eu queria evitar isso. Embora o diretor interino tenha se aproveitado disso no final…
Sakayanagi havia feito o possível para considerar minhas circunstâncias ao planejar esse exame especial. Provavelmente era exatamente por isso que a interferência de Tsukishiro a irritou tanto. Eu poderia até imaginar que os sete eventos escolhidos hoje e a ordem em que apareceram talvez nem tenham sido aleatórios. Não havia como termos tido uma luta realmente justa.
— Além disso, Hashimoto-kun é considerado o jogador de xadrez mais talentoso da Classe A, e ele estava perdendo para Horikita-san, que foi treinada por você. Isso significa que eu também perdi nesse aspecto.
Sakayanagi fez uma reverência lenta para mim.
— Ayanokoji-kun. Fico feliz por ter podido lutar contra você. A resposta está clara para mim agora. Você é, sem dúvida, um gênio. Você não é de forma alguma uma fraude.
— Você não está pensando em uma revanche? — perguntei.
— Você quer que eu pense?
— Não.
— Fufu, você é bem honesto.
Só conseguimos ter aquela partida tranquila porque era um momento extremamente raro. O exame especial havia terminado e as férias longas começariam no dia seguinte, então era possível encontrar um lugar vazio sem ninguém por perto.
— Quanto ao motivo de eu não buscar uma revanche… para ser honesta, é porque concluí que nossas habilidades no xadrez são praticamente iguais. Se jogássemos dez partidas por diversão, não seria estranho que cada um terminasse com cinco vitórias e cinco derrotas. Estou errada nessa avaliação?
— Não. Está correta.
Se jogássemos repetidamente, provavelmente aconteceria exatamente como Sakayanagi disse. Nossas habilidades eram equilibradas. E isso era… interessante.
— No entanto, tenho a sensação de que você tinha vantagem na nossa primeira partida. Agora que penso nisso… talvez eu estivesse perdendo. Bem, suponho que você joga xadrez há um pouco mais tempo que eu, Ayanokoji-kun. Tenho certeza de que isso fez diferença.
Pelo olhar dela, parecia haver um certo espírito competitivo. Parecia que vencer era importante para ela.
— Além disso, se eu buscasse uma revanche em xadrez apenas para tentar vencer você, deixaria de ser divertido. Xadrez é um passatempo agradável para mim. Quero que continue assim.
Ela pegou um cavalo enquanto falava.
— Você mencionou minha experiência com o jogo. Imagino que isso signifique que você realmente me viu antes, afinal.
— Sim. Eu observava você, Ayanokoji-kun, enquanto derrotava seus oponentes na Sala Branca. Desde então, passei a gostar de jogar xadrez. Acreditei que um dia chegaria o momento em que eu poderia jogar contra você.
Então aquela sensação que tive ao ver a lista de eventos propostos pela Classe A estava certa. Não era mera coincidência que o xadrez estivesse entre eles.
— Bem então… acho que já está na hora de irmos, não acha?
— Eu arrumo tudo. Espere um minuto.
— Muito obrigada. Aceitarei sua gentileza.
Guardei o tabuleiro e as peças onde estavam originalmente.
— Infelizmente, vou manter certa distância de você a partir de agora, Ayanokoji-kun. Nossos colegas podem começar a suspeitar se eu continuar focando em você para sempre. Mas, mais importante…
— Mais importante?
— Eu estava ansiosa para conhecer você. Sinto como se você fosse um amigo de infância que persegui por muito tempo, mas nunca tive a chance de encontrar. Se pudermos competir um contra o outro com tanta facilidade, sinto que o valor disso diminuirá.
Ela olhou para mim e sorriu docemente.
— Embora, considerando o Diretor Interino Tsukishiro, suponho que não temos tempo para estudantes brigarem entre si.
Que forma estranha de ver as prioridades. Normalmente, esta escola quer que os alunos compitam entre si. Mas mesmo que Sakayanagi e eu competíssemos novamente, não havia garantia de que ele não interferiria outra vez.
Na verdade, ele provavelmente faria qualquer coisa para me sabotar. Nesse sentido, eu até era grato por não precisar me preocupar com outros inimigos além dele. Ser cercado por inimigos por todos os lados seria extremamente exaustivo.
Sakayanagi e eu saímos da biblioteca.
— Pensando bem, esta é a primeira vez que nós dois caminhamos juntos de volta para os dormitórios, não é?
— Agora que você mencionou, é verdade.
Sakayanagi geralmente estava sempre cercada de pessoas. Além disso, a ideia de nós dois caminhando lado a lado normalmente seria inimaginável.
— Desculpe, eu caminho bem devagar.
— Você não precisa se desculpar por isso.
Ela realmente caminhava devagar. Mas isso era por causa da sua deficiência. E, curiosamente, eu era grato por isso naquele dia. Se eu estivesse andando no meu ritmo normal, já teria chegado ao dormitório há muito tempo.

— O que você pretende fazer agora? — perguntou ela.
— Acho que vou esperar para ver o que Tsukishiro vai fazer. Mesmo sendo apenas o "diretor interino", provavelmente não vou conseguir esconder qualquer coisa dele.
— Imagino que você esteja certo. Dada a situação atual, não parece que será fácil conseguir que meu pai seja reintegrado.
— E você? O que pretende fazer? — perguntei. Quando fiz essa pergunta, ela parou por um momento para pensar.
— Acho que vou continuar me divertindo por enquanto, como tenho feito até agora. Se Katsuragi-kun tentar se rebelar contra mim, eu cuidarei dele. E se Ichinose tentar se aproximar da Classe A, será divertido esmagá-la e brincar com ela. Se ela fosse expulsa, eu poderia assistir à Classe B desmoronar.
Ela sorriu inocentemente, como uma garota brincando com bonecas.
— Honestamente, eu não previ que Ryuen-kun faria um movimento, mas… se ele vier procurar uma luta, também gostaria de enfrentá-lo. Surpreendentemente, talvez eu não fique entediada nesta escola, afinal.
— Que bom.
— E você, Ayanokoji-kun? O que pretende fazer?
— Se possível, quero evitar qualquer coisa que me faça chamar atenção. Vou apenas deixar Horikita continuar se esforçando.
— E tenho certeza de que ela vai surpreender a todos com o quanto irá crescer. Estou realmente ansiosa por isso.
Algum dia, Sakayanagi talvez pudesse colocar o nome de Horikita ao lado de Ichinose e Ryuen como uma adversária digna de cautela. Se esse dia chegasse, eu tinha certeza de que Sakayanagi aproveitaria ainda mais seu tempo nesta escola.
— Há uma coisa pela qual eu gostaria de me desculpar.
— Se desculpar?
— Antes, quando falei sobre o motivo de evitar uma partida direta um contra um com você… eu menti.
Ela havia dito que evitou isso por consideração a mim, para que atenção não fosse voltada para mim. Agora, ela retirava aquela resposta.
— Para ser honesta, foi porque eu queria ficar com você, Ayanokoji-kun, mesmo que fosse apenas por um segundo a mais — disse Sakayanagi, estendendo a mão direita para mim.
Eu a segurei, pensando que ela queria um aperto de mãos. Mas então ela colocou a mão esquerda sobre a minha, envolvendo-a.
— As pessoas podem conhecer o calor através do toque. E isso é precioso. O calor da pele de outra pessoa não é algo ruim. Por favor, lembre-se disso.
— O que quer dizer com isso? — perguntei.
— É uma mensagem tardia da minha parte.
Fiquei ali parado, ainda sem entender o que ela queria dizer. Sakayanagi soltou lentamente minha mão e começou a se afastar.
— Bem então… vamos?
Parecia que ela não pretendia explicar mais nada. Enquanto caminhávamos de volta para os dormitórios, observamos o sol se pôr.
— Ah, isso me lembra… você ouviu? O Yoshida-kun da Classe A, ele…
Nós não tínhamos o tipo de relação em que se recordam velhos tempos. Mas também não tínhamos nenhum objetivo naquele momento. Estávamos apenas conversando sobre coisas comuns do dia a dia.
Assim…
Até o momento em que chegamos aos dormitórios.
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