A Classe de Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 11

Capítulo 6: As Lágrimas de um Homem

CONSEGUIMOS COLOCAR as mãos em algumas informações graças à nossa pequena conversa com Katsuragi. Mas não era como se a Classe C tivesse alguma vantagem. Horikita, bem ciente de onde estávamos, tentava lidar com nossas preocupações uma a uma.

— Espere um minuto, Hirata-kun — disse ela, chamando Hirata quando ele se levantou da carteira ao fim da aula, prestes a voltar para o dormitório. Ele foi o primeiro aluno a tentar sair. Também era a primeira vez que ela falava com ele desde o exame de votação em classe.

Hirata simplesmente parou no lugar, mas não se virou para encará-la.

— Imagino que você não queira falar comigo, então permita-me apenas confirmar uma coisa. Você não participará de nenhuma das provas que a Classe C escolher. E não há planos de colocá-lo em ação no dia do exame. Mas as coisas podem mudar, dependendo da situação. Sakayanagi-san entende o que está acontecendo com você, então devemos assumir que é possível que ela inclua várias provas que exigem a participação de muitas pessoas.

Por mais que a Classe C tentasse acomodar Hirata, ainda existia a possibilidade de que todos os trinta e oito alunos tivessem que participar.

— Se esse momento chegar, o que você fará? Vai arrastar os pés com indiferença? Ou fará apenas o mínimo necessário? Gostaria que ao menos me respondesse isso — disse Horikita.

No entanto, Hirata não respondeu. Um silêncio pesado tomou conta da sala de aula. Então, quando sentimos o tempo voltar a se mover, Hirata começou a se afastar.

— Então você nem consegue me dar uma resposta, hein? — resmungou Horikita, exasperada.

Cansada, ela desviou o olhar, como se dissesse que havia desistido.

— Ei, talvez a gente… nem vá ganhar no final, afinal… Quer dizer, com o Hirata-kun assim… — disse uma das garotas da classe, a voz cheia de preocupação. Provavelmente os garotos sentiam o mesmo. O rapaz que vinha puxando a turma para frente estava ausente, e essa ausência continuava a pesar sobre os ombros da Classe C, repetidas vezes.

— Você me disse que trazer o Hirata de volta ao normal dependia dos esforços das pessoas ao redor dele. Mas, no fim, nada mudou — disse Horikita, dirigindo-se a mim.

— Não tenho tanta certeza disso.

— Hã…?

Horikita ergueu o olhar com uma expressão confusa, mas ela e eu estávamos olhando para lugares diferentes.

— Hirata-kun! Espere!

Eu já nem sabia mais quantas vezes Mii-chan havia gritado algo assim. Ela pegou a bolsa às pressas e saiu correndo atrás dele.

— A Mii-chan ainda não desistiu — eu disse.

— Nunca vou entender o porquê — bufou Horikita.

— Você tem trabalho a fazer, Horikita. Mantenha a Classe C unida e aumente nossas chances.

Ninguém na nossa classe poderia fazer isso agora, exceto ela.

Segui atrás de Mii-chan e a encontrei parada frente a frente com Hirata no caminho que levava de volta ao dormitório. Aquilo definitivamente não era uma confissão de amor agridoce. Ela estava partindo para a ofensiva para fazer seu colega de classe, Hirata, voltar a se levantar.

— Por favor, Hirata-kun. Precisamos da sua ajuda, Hirata-kun… então…

— Mii-chan, por favor, chega. Você pode simplesmente me deixar em paz…? — murmurou Hirata, com peso na voz.

Ele provavelmente estava se perguntando quantas vezes ainda teria que repetir aquilo. Suas palavras afiadas cortaram como uma faca. Eu tinha certeza de que atravessaram profundamente o coração dela. Ainda assim, a determinação em seus olhos não dava sinais de vacilar. Mesmo sendo rejeitada repetidas vezes, Mii-chan continuava insistindo.

— E-Eu não posso te deixar sozinho… Não quando você está assim, Hirata-kun. Eu não posso — respondeu ela.

— Nesse caso, como eu faço você desistir? Por favor, me diga.

— Bem… hum… voltando a ser como você era antes, Hirata-kun…

— Voltar a ser como eu era antes? Eu não posso.

Suas palavras frias caíam sobre Mii-chan uma após a outra, sem piedade.

— Não, isso não é verdade! E-Eu acredito que você pode, Hirata-kun!

— Eu já te disse, não posso. Eu não quero que você acredite em mim.

— Mesmo assim, eu acredito! — ela gritou.

Hirata cerrou o punho. Dependendo de como a conversa prosseguisse, parecia até que ele poderia dar um soco.

— Então traga o Yamauchi-kun de volta — disse ele.

— O quê…?

— É disso que precisa para que tudo volte ao normal.

Yamauchi havia sido expulso. Ele nunca mais voltaria para a nossa classe. E, da mesma forma, Hirata também nunca voltaria a ser como antes. Era essa a verdade que ele tentava transmitir para Mii-chan.

— Isso…

— Eu realmente gostaria que você tivesse entendido isso antes de vir falar comigo — disse Hirata.

Ele virou as costas para ela e tentou ir embora. Mas Mii-chan, por reflexo, estendeu a mão e segurou o braço direito dele, impedindo-o de sair — porque, se Hirata chegasse ao quarto no dormitório, significaria que, mais uma vez, ela não tinha conseguido fazer nada para ajudá-lo naquele dia.

— Vai me soltar? — perguntou ele.

— N-Não vou!

Apesar de Hirata tê-la rejeitado, Mii-chan manteve-se firme. Ela acreditava que seus sentimentos certamente o alcançariam se continuasse assim. Continuei observando a cena de certa distância, decidindo que não deveria me aproximar demais e atrapalhar.

Hirata soltou um suspiro evidente. Então ergueu rapidamente o braço direito e o sacudiu com força para se livrar do aperto de Mii-chan.

— Kyah!

Foi um movimento brusco, completamente diferente do Hirata de sempre. O impulso acabou fazendo Mii-chan cair no chão sem querer.

— Já disse para me deixar em paz. Se você não… eu… eu…

Mii-chan ergueu o olhar para Hirata. O olhar dele, cheio de raiva, feriu-a mais uma vez.

— Eu não tenho mais nada a perder. Se você continuar andando atrás de mim… — disse Hirata, deixando as palavras morrerem no ar. Ele estava prestes a dar o golpe final em Mii-chan. Prestes a dizer algo tão devastador que tudo o que havia dito e feito até agora nem sequer se compararia. Mas, no último momento, um homem solitário passou por mim. Seus cabelos loiros esvoaçavam ao vento e ele exalava o cheiro de colônia.

— Ora, ora. Parece que você está hesitando de novo hoje, não é? E ainda por cima mostrando a todos um lado tão desagradável de si mesmo — provocou Koenji, tentando tirar Hirata do sério.

Ele também costumava ir direto para o dormitório depois das aulas.

— Bem, bem, não se preocupem comigo. Continuem com o que estavam fazendo. Eu apenas vou assistir — disse Koenji.

Hirata não era tolo o suficiente para continuar o que estava fazendo depois de ouvir aquilo. Em vez disso, voltou sua hostilidade para o homem que estava atrapalhando.

— Tem… alguma coisa… que você quer de mim…?

— Querer? Não há nada que eu queira. Afinal, eu já tenho tudo — respondeu Koenji, passando por Hirata e Mii-chan. — Mas… hm. Pensando bem, se eu tivesse que dizer algo que quero de você, seria…

Aquilo era apenas algo que ele havia encontrado por acaso no caminho de volta ao dormitório. Nada mais, nada menos. Os sentimentos de Hirata não significavam nada para ele.

— Você é um incômodo para os olhos, então poderia fazer o favor de sair da minha vista? Se esta já não é mais a sua escola ideal, por que não simplesmente desiste e vai embora?

Bem típico de Koenji. Basicamente, ele estava dizendo que Hirata deveria simplesmente sair da escola se ia continuar agindo daquele jeito.

— Cala a boca. Você não faz ideia de como eu me sinto — disse Hirata.

— Não sei, e também não me importo. No entanto, posso fazer algumas suposições. Você vai me dizer que não pode simplesmente abandonar a escola porque isso causaria problemas para seus colegas de classe, não é? Que bobagem.

— P-Por favor, pare, Koenji-kun! O Hirata-kun não fez nada de errado! — gritou Mii-chan, levantando-se e tentando impedir o ataque verbal implacável de Koenji.

— Oh ho. Parece que o que eu disse a desagradou. Minhas desculpas.

Apesar do sorriso presunçoso no rosto, Koenji tratou Mii-chan com certo respeito.

— No entanto, quanto mais cedo você esquecer esse tal de Hirata-boy aqui, melhor. Ele já está além de qualquer ajuda.

Hirata, que já vinha se aproximando do limite havia algum tempo, arregalou os olhos e avançou contra Koenji.

— N-Não, não faça isso, Hirata-kun!

Mii-chan, percebendo que algo estava claramente errado, colocou-se entre os dois. Mas Hirata a empurrou para o lado com mais força do que quando havia se soltado dela antes e, sem sequer olhar para trás, tentou agarrar Koenji. Ele tentou pegar a gola da camisa de Koenji com a mão direita, mas foi rapidamente interceptado pela esquerda de Koenji. Koenji segurou firmemente o pulso de Hirata.

— Grr!

— Entenda uma coisa: eu não mostro misericórdia com ninguém que venha atrás de mim. Não quero que ninguém estrague meu belo rosto — disse Koenji.

Ele apertou ainda mais o pulso de Hirata, fazendo surgir uma expressão de dor e raiva no rosto dele.

— Já chega! Meu Deus, você é tão irritante, Koenji…!

— Você é livre para fazer o que quiser. Mas eu não preciso receber ordens de alguém que faz uma garota chorar — disse Koenji.

Ele olhou para Mii-chan, que estava sentada no chão. Então soltou o pulso de Hirata e falou novamente.

— Você a derrubou. Não deveria estender a mão para ajudá-la?

— Isso não tem nada a ver comigo.

— Não tem nada a ver com você, é? Nossa, como você é cruel.

Mii-chan desviou o olhar de Hirata, incapaz de encará-lo diretamente.

— Bem, não importa. Você é livre para fazer o que quiser, Hirata-boy.

— O-O-O quê?!

Koenji então se abaixou com elegância e pegou Mii-chan nos braços.

— Já que você não vai fazer nada, suponho que eu mesmo cuidarei dela — disse ele.

Hirata e Mii-chan ficaram ambos atônitos com aquele novo movimento de Koenji, alguém cujas ações ninguém jamais conseguia prever.

— Você está com o coração partido e, além disso, está ferida. Que tal eu curar sua dor? — disse Koenji.

— M-M-M-Mas, espere, o quê?! Eu não estou machucada em lugar nenhum!

— Ora, ora. Não precisa se preocupar. Apesar de como posso parecer, sou extremamente gentil, sabia?

O ferimento ao qual Koenji se referia provavelmente não era físico, mas emocional. Ele provavelmente estava falando de um coração partido. Provavelmente. Koenji se afastou mais, como se estivesse tentando levar Mii-chan para longe de Hirata.

— Ei, hum, por favor, me coloque no chão! — exclamou Mii-chan.

— Hahaha! Receio que não posso fazer isso. Eu já a capturei!

— O quêê?!

Hirata lançou um olhar feroz para as costas de Koenji. Koenji parou de repente, quase como se tivesse percebido.

— Está insatisfeito comigo, hm? — perguntou ele.

Sinceramente, eu desejava que ele simplesmente ignorasse Hirata nesse momento…

— Você vai continuar me ferindo para sempre, não é? Para sempre e sempre?

— Não, não. É você quem está ferindo as pessoas ao seu redor. No mínimo, eu não ignoraria uma garota que demonstrasse afeição por mim, hm?

Koenji voltou a caminhar, ignorando o alvoroço de Mii-chan. Quando Hirata percebeu que ele estava indo em direção ao dormitório, começou a andar na direção oposta, provavelmente por não querer mais ficar perto dele. Hesitei por um momento e então decidi seguir Koenji.

Além disso, a bolsa de Mii-chan ainda estava no chão. Eu a peguei e fui atrás deles. Quando chegou à entrada do dormitório, Koenji colocou Mii-chan gentilmente de volta no chão.

— K-Koenji-kun, por quê…?

— Fufufu. Hm, por quê mesmo, hm? — respondeu ele, sorrindo em vez de responder à pergunta dela. — De qualquer forma, você realmente deveria desistir de correr atrás do Hirata-boy.

Aproximei-me e entreguei a bolsa de Mii-chan.

— Obrigada, Ayanokoji-kun… Espera, de onde você apareceu? — perguntou ela.

Eu poderia ter dito que sou bom em esconder minha presença. Mas não disse.

— Vou ficar aqui e observar até você chegar ao elevador, certo? — disse Koenji.

— O-Ok — respondeu Mii-chan.

Mesmo que fosse procurar Hirata agora, ela não sabia para onde ele tinha ido. Mii-chan desistiu e entrou no elevador para escapar de Koenji. Observei enquanto ele foi até o saguão e se sentou.

— Então… você tinha algum assunto comigo, hm? Ayanokoji-boy.

— Por que você provocou o Hirata daquele jeito lá atrás? Você provavelmente só estava colocando mais lenha na fogueira. Ou achou que estava fazendo isso pelo bem da classe?

— Parece que você ainda não me entende, hm? Tsk, tsk. — Ele balançou o dedo para mim. — Eu não faço coisas pelo bem da classe. Eu apenas faço o que quero fazer. Se essas ações impactam a classe de forma positiva ou negativa, isso não passa de um subproduto.

Então foi apenas coincidência, hm? Koenji só fazia o que queria fazer. A única exceção a essa regra era quando corria o risco de ser expulso.

— A presença dele é desagradável. Isso me irrita profundamente, como um inseto.

E por causa disso ele não conseguiu evitar provocar Hirata?

— Você se entrega egoisticamente a todos os seus caprichos, fazendo exatamente o que quer, mas e se tivermos outro teste como o exame de votação em classe? O que você fará então? Para ser franco, ninguém na nossa classe está em uma situação tão complicada quanto você, Koenji.

— Fufufu. Não importa. Desde que eu seja bom o suficiente — disse Koenji.

Ele conferiu se Mii-chan já não estava mais no elevador e então se levantou.

— Ah, isso me lembra. Você é o comandante neste exame, se bem me lembro.

— Sim.

— Não estou muito motivado. Então gostaria que você evitasse me colocar em jogo.

— Desculpe, mas quem toma esse tipo de decisão é a Horikita. Não sou eu quem decide.

— Certamente você está enganado, não? Você é o comandante. Sendo assim, tem o direito de tomar decisões, não ela.

Pelas regras, isso era verdade, mas… Não parecia que eu conseguiria fazer Koenji entender.

— De qualquer forma, peço que seja flexível — disse Koenji, antes de entrar no elevador e seguir para o seu quarto.

*

 

Decidi sair do dormitório e procurar Hirata. Ele provavelmente não tinha voltado para o prédio da escola, então poderia estar no Keyaki Mall ou em algum lugar por perto. Supondo que quisesse evitar pessoas, havia grandes chances de estar em algum lugar ao ar livre. Resolvi simplesmente caminhar por aí e procurar.

Depois de cerca de uma hora procurando, encontrei uma figura solitária sentada em um banco.

— Hirata — chamei quando me aproximei, já quase ao alcance do braço.

— Ayanokoji-kun — respondeu ele lentamente, ainda cabisbaixo. mFazia tempo desde a última vez que eu havia observado seu rosto de perto assim. Ele provavelmente não estava dormindo bem, porque notei olheiras sob seus olhos.

— Você tem um minuto? — perguntei.

Depois de ouvir meu pedido, seus olhos se abriram um pouco mais.

— Eu já estou cansado de tudo isso. Por que as pessoas continuam vindo atrás de mim, de novo e de novo? Eu pensei que você fosse a única pessoa que me entendia, Ayanokoji-kun. Pensei que você me deixaria em paz. Estou decepcionado — disse Hirata.

— Desculpe. Se não gosta, por que não me empurra como fez com a Mii-chan e foge?

Apesar da minha provocação deliberada, Hirata não se levantou do banco.

— Um minuto, é? Bem, tudo bem. Não é como se houvesse algum lugar para onde eu pudesse fugir nesta escola, de qualquer forma. Já estou cansado demais para correr hoje. Mas… tenho certeza de que também vou acabar decepcionando você.

Eu tinha certeza de que muitos alunos já haviam tentado falar com ele nesse curto período de tempo. Vozes de preocupação, vozes de incentivo — de qualquer forma, devia ter sido doloroso. Embora eu não soubesse quem havia tentado conversar com ele, podia imaginar o que disseram. Tenho certeza de que tentaram remendar seu coração partido, confortá-lo com gentileza e bondade.

Nós dois estávamos sentados no banco, sem mais ninguém por perto.

— Então… sobre o que você queria falar? — perguntou Hirata.

Eu já sabia como Hirata imaginava que essa conversa aconteceria. Ele pensava que apenas ficaria ali sentado, ouvindo minhas palavras entrarem por um ouvido e saírem pelo outro, e então tudo terminaria.

— Quero que você me conte a sua história — eu disse.

— Hã?

Ele soou apático, pego de surpresa. Tenho certeza de que esperava que eu expressasse minha simpatia.

— Como você era quando criança. O que você pensava naquela época. Quero ouvir sobre isso.

— Por quê?

— Não sei. Só senti vontade de saber. Estou tendo dificuldade em pensar em um motivo específico.

Hirata soltou um longo suspiro e então balançou lentamente a cabeça.

— Não tenho muita energia para lembrar do passado agora. Não há nada para contar.

— Sem energia? Por quê?

— Como assim, por quê? Eu…

O jeito como ele olhou para mim parecia dizer: Você não entende?

— Então, por quê? — repeti, ignorando o olhar.

— Porque o Yamauchi-kun foi expulso.

Eu estava forçando-o a dizer coisas que ele não queria dizer. Hirata soava irritado, como se percebesse o que eu estava fazendo.

— Você está me fazendo falar de algo que eu não quero.

— Só estou curioso. Se te ofendi, peço desculpas.

— Tudo bem.

Hirata soltou outro suspiro, sem energia para discutir. Ele se inclinou para frente, balançando a cabeça de um lado para o outro.

Quero que você me deixe em paz. Pare de se preocupar comigo.

Era isso que ele estava tentando dizer.

— Mas o que o Yamauchi ter sido expulso tem a ver com você não conseguir falar sobre o seu passado? — perguntei.

Mais uma vez, Hirata fez uma expressão exasperada diante da minha insistência.

— Meu passado não tem nada a ver com o que está acontecendo agora, tem?

— Não necessariamente.

Ele tentou encerrar a conversa ali, mas eu continuei, não permitindo que aquilo terminasse.

— É horrível quando um colega de classe é expulso, sim. Todo mundo pensa assim.
Mas não podemos ficar lamentando isso para sempre. O Exame de Seleção de Eventos está logo ali. Não são só Horikita e Kushida — até o Ike e o Sudou já estão se preparando para lutar. Mas e você, Hirata? Você continua preso ao problema da expulsão do Yamauchi e, mesmo que tentasse ajudar—

Parei deliberadamente por um momento. Então mudei de direção, mostrando que na verdade não queria falar sobre aquilo.

— O que eu realmente quero saber é o que fez você ter o sistema de valores que tem hoje, Hirata.

— Qual é o sentido de falar sobre isso? Você acha que eu vou te contar?

— Vai. Porque você quer que eu saiba quem você realmente é, Hirata. Você não consegue evitar isso.

Na verdade, ele provavelmente queria revelar seus pensamentos mais profundos. Mas não conseguia fazer isso — e era exatamente por isso que eu estava ali.

Fale. Agora.

Foi o que eu disse com os olhos, encorajando-o com tanta força que quase parecia uma ameaça. Quando ele viu o meu olhar, pareceu ser tomado pelo medo.

— Acho que finalmente entendi o verdadeiro motivo de a Karuizawa-san ter revelado tudo sobre si mesma para você, Ayanokoji-kun. Quando vi seus olhos… Agora há pouco, quando você me fez encará-los. Existe uma escuridão profunda neles. Tão escura que é assustadora… — disse Hirata.

A escuridão dentro de Hirata estava sendo corroída. Por mim. Ele não estava apenas esperando a morte chegar — estava implorando para ser salvo, a cada dia que passava. Era por isso que ele estava agarrando o fio negro de salvação que balançava diante dele.

Para poder rastejar para fora do inferno.

— Acho que já te contei antes… sobre um amigo próximo que eu tinha desde pequeno. Quando estávamos no ensino fundamental, ele se tornou alvo de bullying — disse Hirata.

— Sim. Sugimura, acho.

— Você até lembra o nome dele…

Era justamente porque eu conhecia a história que podia fazer algumas previsões sobre o estado mental de Hirata. Naquela época, ele queria ajudar o amigo, mas tinha medo de se tornar o próximo alvo dos valentões. Como resultado, apenas ficou observando de longe.

E então…

— Meu amigo… cometeu suicídio. Ele se jogou.

Finalmente, Hirata estava prestes a começar a recordar o que aconteceu naquele dia. Lentamente, mas com firmeza, ele começou a me contar sua história.

— Bem, tecnicamente ele sobreviveu. Está apenas se agarrando à vida. Mas continua dormindo até hoje, sem qualquer sinal de recuperação…

Hirata juntou as mãos e as apertou com força.

— Fui eu quem o levou a tentar tirar a própria vida. O peso dessa responsabilidade nunca mudou.

— Não é como se você fosse o único culpado. Além disso, foram outras pessoas que realmente o levaram a isso — eu disse.

— Talvez… mas acho que ser um espectador me torna igualmente culpado — respondeu ele.

Ele havia dito algo parecido quando estávamos no navio de cruzeiro. Era exatamente por isso que ele queria salvar todos ao seu redor. Hirata sempre tomava a iniciativa de resolver qualquer problema que surgisse em nossa classe, não poupando esforços para encontrar uma solução. Como quando Sudou se envolveu naquela briga, ou quando ele e Kei fingiram ser um casal.

No entanto, havia coisas que não podiam ser explicadas apenas por isso.

— Eu entendo que você ainda tenha algumas dúvidas — disse Hirata, sem olhar para mim. — Então… não terminou quando meu amigo tentou se matar se jogando…

Ele já tinha me contado a primeira parte antes, no navio de cruzeiro. Aparentemente, havia mais nessa história.

— Eu pensei que tudo terminaria depois que meu amigo tentou se jogar para morrer. Achei que, depois de um sacrifício tão pesado, o bullying acabaria. Mas eu estava errado. Depois daquele incidente, eu vi a escuridão insondável da humanidade — disse Hirata.

Ele estava tremendo. Algo semelhante a um impulso assassino passou por seus olhos.

— Os agressores escolheram um novo alvo. Um dos meus colegas de classe.

Ele parou por um momento para recuperar o controle das emoções. Soltou um suspiro e então voltou a falar, em um murmúrio baixo.

— Eu não conseguia acreditar. Eles tinham acabado de fazer algo tão terrível, e agora estavam intimidando outra pessoa? Esse outro garoto, que não passava de um espectador inocente, começou a receber o mesmo tratamento que meu amigo. E, além disso, alguns colegas que antes não participavam do bullying começaram a se juntar.

O bullying continuava a escalar, incessantemente.

— Se a pessoa no fundo da hierarquia desaparece, é natural que alguém ocupe o lugar dela. Acho que é a ordem natural das coisas — respondi.

— Eu sabia que não podia deixar isso acontecer de novo. Eu sabia que precisava impedir — disse Hirata.

— Então… você tomou alguma atitude?

Ele assentiu uma vez. Depois uma segunda. E uma terceira.

— Tomei uma certa abordagem para garantir que o mesmo erro não acontecesse novamente — disse Hirata, erguendo lentamente o olhar e olhando para frente. — Bem, para colocar de forma simples… eu tentei controlar a turma através do medo.

— Você fez isso? Hirata?

— Sim. Eu não sou particularmente forte, nem bom em brigar, como o Sudou-kun ou o Ryuen-kun. Mas não são muitas as pessoas que conseguem realmente sair por aí dando socos em alguém. Mesmo quando eu socava de verdade, ninguém tentava revidar. Então eu fiquei sozinho no topo da classe, enquanto todos os outros permaneciam embaixo. Tentei acabar com todo o bullying dessa forma. Sempre que havia algum problema, eu aparecia para intervir. Eu dava a ambos os lados a mesma punição, a mesma dor. Não havia diferença. Mas… houve um breve momento de silêncio.

Hirata provavelmente sabia que aquilo não era justiça. E que era errado. Mas, mesmo assim, ele não queria testemunhar um mundo onde as pessoas eram abusadas.

— Como resultado, comecei a me perguntar se… no fim das contas, eu destruí aquele ano das nossas vidas. Os sorrisos dos meus colegas desapareceram. Todos se moviam como se fossem robôs sem emoção. Falava-se muito sobre isso no lugar onde eu morava naquela época… As pessoas tratavam aquilo como um grande escândalo — disse Hirata.

— E como a escola lidou com isso no final?

— Acho que foi uma resposta bem sem precedentes. Todas as turmas foram desfeitas, separadas à força. Depois todos foram redistribuídos, começando por mim. E permanecemos sob vigilância rigorosa até a formatura.

Se o incidente tinha sido algo tão grande, era natural que muita gente tivesse ficado sabendo. O que significava, por consequência, que não havia como esta escola não saber. Na verdade, talvez tenha sido justamente por saberem do incidente que o fizeram se matricular aqui. Finalmente entendi por que ele havia sido colocado na Classe D.

— Então você não consegue se perdoar por Yamauchi ter sido alvo e atacado, consegue? — perguntei.

— Sim… eu… bem, eu só pensei que, enquanto não ouvisse nada diretamente, fingiria que não sabia de nada. Queria permanecer em silêncio até o dia da votação de verdade.

E então, como resultado do julgamento de Horikita, Yamauchi acabou sendo derrubado. Considerado desnecessário.

— Eu sou inútil. Eu nunca deveria ter tentado manter a classe unida em primeiro lugar. Mesmo tendo feito tudo o que pude, no final não consegui proteger o Yamauchi-kun… Você entende, não entende, Ayanokoji-kun? Eu simplesmente não consigo mais. Cheguei até a pensar em tentar controlar as pessoas pelo medo de novo, para protegê-las. Tenho certeza de que você sabe tão bem quanto eu que isso seria um erro enorme… — disse Hirata, com a voz tremendo.

O coração dele estava à beira de se partir. Hirata acreditava que toda a nossa classe deveria compartilhar tudo — tanto os momentos bons quanto os ruins. Ele não suportava ver ninguém sofrer, nem ver ninguém desaparecer. Tenho certeza de que ele vinha se fazendo essas perguntas repetidamente. Não estava claro o quanto ele havia se aberto com Mii-chan ou com outros alunos. No entanto, eu tinha certeza de que sabia que tipo de coisas eles haviam dito a ele.

"Não havia nada que você pudesse ter feito."

"Você não fez nada de errado, Hirata-kun."

"Foi o Yamauchi quem estragou tudo ao trair a classe."

Tenho certeza de que, não importa a quem perguntasse, todos diriam que Hirata era o bom e o outro era o mau. Isso nunca mudaria. Mas, como resultado, esse problema continuava sem solução.

Era inútil dizer a Hirata para culpar alguém quando ele estava tentando proteger as pessoas. Se qualquer coisa, isso apenas o faria se fechar ainda mais.

— Há algo que quero deixar bem claro. Não foi culpa da Horikita que o Yamauchi foi expulso, e também não foi minha. Você entende isso? — perguntei.

— Sim. Eu sei que não havia como evitar. Não havia nada que qualquer um de nós pudesse fazer — disse Hirata. Depois acrescentou, em voz baixa, que também não me culpava. Provavelmente soei como se estivesse lembrando a ele que não era minha culpa pelo que aconteceu. Talvez até tenha parecido que eu estava perguntando se ele guardava ressentimento contra mim.

— Na sua opinião, de quem é a culpa por Yamauchi ter sido expulso da nossa classe? Da escola? — perguntei.

— Eu diria… que provavelmente não pode ser de ninguém além dele mesmo — concluiu Hirata, dizendo algo que claramente não queria admitir. Yamauchi colheu o que plantou. Ele foi expulso por causa de sua própria incompetência e das escolhas que fez.

— Não, isso está errado.

Eu rejeitei a resposta dele. Neguei completamente a forma ingênua de Hirata pensar.

— A culpa de Yamauchi ter sido expulso é sua, Hirata.

— Eu…!

Ele ergueu o olhar para mim. A expressão em seu rosto dizia que ele não conseguia entender o que eu tinha acabado de dizer.

— Se você realmente quisesse salvá-lo, então deveria ter feito absolutamente tudo o que fosse possível.

— M-Mas… eu, eu tentei…! Não havia mais nada que eu pudesse fazer!

— A Ichinose, da Classe B, não perdeu uma única pessoa.

— M-Mas… isso é porque ela é um caso especial. Nós não tínhamos uma grande quantidade de Pontos Privados, então eu não poderia fazer o que ela fez! — exclamou ele.

— Nesse caso, o problema é você não ter liderado a classe como ela fez. Você deveria ter passado o ano inteiro acumulando pontos, como a Ichinose fez, para poder salvar alguém se estivesse prestes a ser expulso — eu disse.

Se ele tivesse feito isso, Yamauchi não teria sido expulso, e ainda teríamos quarenta pessoas na nossa classe.

— Mas isso é impossível. Perdemos nossos pontos de classe quase imediatamente depois que começamos a estudar aqui. E mesmo que não tivéssemos perdido, não há como nossos colegas concordarem com algo assim — disse Hirata.

— O fato de estarmos com zero pontos de classe e o fato de você não ter guiado a turma para se tornar uma que aceitaria um plano desses são ambos culpa sua — eu disse.

Não importava o quanto Hirata tentasse fugir: o fato de ele ser culpado não mudaria.

— Mas isso é absurdo! É completamente ridículo!

— Sim, é absurdo. Mas não há como evitar isso. Você escolheu seguir esse caminho. Você deveria ter guardado para si mesmo essa fantasia de salvar todo mundo. Se tivesse feito isso, ninguém poderia culpá-lo, Hirata, não importa quem fosse expulso. Mas, se você continuar sentindo isso pelas pessoas ao seu redor, então terá que assumir toda a culpa quando falhar. Você precisa estar preparado para isso.

— M-Mas eu…!

— Eu estava errado sobre você. Achei que você fosse um aluno exemplar. Um homem de caráter, respeitado por muitos dos colegas. Mas você não é isso. Você é apenas uma fraude barata e incompetente, que só sabe falar de coisas grandiosas que nem consegue fazer.

Claro, aquilo era apenas eu levando um argumento extremo até a sua conclusão.

Hirata não era incompetente de forma alguma. Ele era uma pessoa excepcionalmente talentosa, um aluno tão bom que era difícil acreditar que ainda fosse apenas um estudante do primeiro ano. Não havia nada de errado em dizer que queria proteger as pessoas. E também não era como se ele fosse culpado apenas por ter falhado.

Mas, mesmo assim, eu o culpei. Eu o culpei completa e totalmente, pressionando-o, insistindo até que estivesse à beira de se quebrar. Eu estava fazendo isso por causa do Hirata? Não. Eu estava fazendo isso para dar a ele força para proteger todos? Também não. Não havia como ele proteger todo mundo. Eu tinha certeza de que alguém seria expulso no futuro.

Eu estava fazendo isso porque, quando esse momento chegasse, Hirata fosse uma das peças necessárias para manter a classe funcionando bem.

— Até quando você vai ficar sentado aí, sonhando acordado? — perguntei.

Hirata não tinha dado um único passo à frente desde a época da educação obrigatória, no ensino fundamental. O ensino médio era um lugar onde os alunos vinham por vontade própria. Um lugar onde tomavam suas próprias decisões sobre a própria educação.

— Então… então é assim que… você realmente é, não é? Suas palavras são tão assustadoras, implacáveis e frias… — disse Hirata. Lágrimas começaram a se formar primeiro em um olho, depois no outro.

— Você é livre para desejar o que quiser. Mas, se realmente deseja algo, precisa continuar lutando até o fim, até o amargo final, se forçando até o limite. Se pessoas forem expulsas no processo, não há escolha além de aceitar isso. Não há escolha além de continuar avançando.

— Isso é… cruel.

— Se você parar agora, os alunos ao seu redor vão desaparecer, um por um. É exatamente por isso que, se você mantiver os olhos no objetivo e continuar avançando, quando tudo acabar e você finalmente chegar ao fim, haverá muitos alunos bem atrás de você.

Era preciso muita coragem para tomar a dianteira e caminhar à frente de todos. Nunca se sabia quando um obstáculo poderia surgir no caminho e derrubá-lo.

— Mas… como posso me mostrar vulnerável e dizer o que está me incomodando…? Eu preciso guardar tudo para mim e seguir em frente sozinho? — ele perguntou.

— Não, não precisa. Quando estiver com problemas, pode contar com seus colegas de classe. Horikita, Kushida, Sudou, Ike, Mii-chan, Shinohara. Não importa quem. Você pode mostrar sua vulnerabilidade e desabafar com quem quiser confiar. Não importa quem esteja liderando ou quem esteja seguindo. Estamos todos juntos nisso.

Não havia nenhuma regra dizendo que quem lidera não pode demonstrar fraqueza. As pessoas atrás dele poderiam estender a mão quando ele tropeçasse. Nossos colegas estariam mais do que dispostos a deixar Hirata mostrar sua vulnerabilidade e ouvir seus problemas.

— Está tudo bem. Está tudo bem você tomar a dianteira — eu disse.

Dei um leve tapinha em seu ombro. Com aquele pequeno gesto, mais e mais lágrimas começaram a cair dos olhos de Hirata. Ele estava enterrando o passado de uma vez por todas. Ele havia finalmente colocado no chão o pesado fardo que carregava há tanto tempo. Hirata, que estava preso no mesmo lugar, agora conseguiu se levantar.

— Obrigado… Obrigado, Ayanokoji-kun…

Hirata abaixou a cabeça, lágrimas escorrendo pelo rosto.

Os homens são criaturas difíceis e frustrantes, que raramente deixam os outros vê-los chorar — exceto em circunstâncias especiais. E era exatamente por isso que eu também desejava um tipo de amizade em que pudesse derramar lágrimas diante de alguém.

Nenhuma outra palavra precisava ser dita. Tudo o que ele precisava era de um amigo ao seu lado — alguém diante de quem pudesse se mostrar vulnerável e que estivesse disposto a ouvir. Assim… ele poderia começar a caminhar para frente novamente.

*

 

A noite veio e se foi, e o dia seguinte chegou. O exame especial final do ano letivo estava logo ali. Quando cheguei à escola, não havia sinal de Hirata na sala de aula. Mii-chan parecia abatida, como era de se esperar. Mesmo que todos na classe estivessem tentando tirar Hirata da cabeça, ainda estavam preocupados com ele.

Mas então — o homem de quem a Classe C tanto precisava apareceu. E as pessoas estavam até relutantes em olhar para ele.

— B-Bom dia… Hirata-kun — disse Mii-chan.

Como esperado, ela foi a primeira a falar com ele. Ela deixou de lado a tristeza e se esforçou ao máximo para mostrar um sorriso. Ao ver isso, Hirata caminhou até ela.

— O quê—!

Mii-chan congelou por um momento, talvez lembrando do que havia acontecido no dia anterior. Quando Hirata chegou até ela, curvou-se profundamente, o mais baixo que conseguiu.

— Bom dia. E também… me desculpe pelo que aconteceu ontem. Eu fui horrível com você, Mii-chan — disse Hirata, oferecendo um pedido de desculpas carregado de emoção.

— Hã? — respondeu ela.

— Você sempre, sempre tentou estar ao meu lado, tentar falar comigo, e eu a ignorei. Me desculpe.

— M-Mas… bem… eu só…

Não foi apenas Mii-chan que ficou completamente surpresa com a mudança clara no comportamento de Hirata. Todos na classe ficaram perplexos.

— Bom dia… pessoal! — disse Hirata.

Ele usava um sorriso tão radiante que tudo o que aconteceu antes de hoje parecia mentira.

— H-Hirata-kun? — disse Mii-chan, confusa.

— Eu estou bem. Estou bem agora — respondeu ele, tranquilizando Mii-chan com um sorriso gentil antes de se curvar para todos os outros. Ainda curvado, continuou:

— Eu sei que talvez seja tarde demais para pedir desculpas a essa altura, mas… se todos estiverem de acordo, eu gostaria de contribuir com a classe da maneira que puder, a partir de hoje.

Os garotos e garotas da Classe C trocaram olhares. Alguns segundos se passaram enquanto tentavam entender o que havia acabado de acontecer.

E então…

— Hirata-kun!

Primeiro, algumas garotas da classe correram até ele. Depois vieram tanto meninos quanto meninas. Não havia uma única pessoa infeliz por ver o tão esperado retorno de Hirata.

— O que aconteceu? — perguntou Horikita, que observava de longe, ainda incapaz de entender a situação.

— Eu disse que dependeria dos esforços das pessoas ao redor dele, não disse?

— Bem, sim, você disse, mas… Você não acha que ele está apenas se forçando a agir assim, acha?

— Parece isso para você?

— Não… acho que não.

— Cada pessoa lida com as coisas de forma diferente. Alguns superam rapidamente, enquanto outros precisam de mais tempo. Algumas pessoas até conseguem voltar ao normal no dia seguinte a uma grande briga e continuar se dando bem — eu disse.

Era simplesmente assim que os relacionamentos humanos funcionavam. Depois de ser recebido de volta de braços abertos, Hirata se aproximou de Horikita por último.

— Bom dia, Horikita-san — disse ele, olhando diretamente para ela com olhos claros e honestos.

— S-Sim, bom dia.

Horikita parecia abalada, talvez impressionada com o quão radiante ele parecia.

— Eu não acho que estava errado no incidente do julgamento da classe outro dia — disse Hirata.

— Entendo.

— Mas… também não acho que o que você fez foi errado. Ou melhor, o que devo dizer é que você fez a coisa certa.

Aquilo era algo que ele não tinha conseguido encarar na época. Mas agora Hirata havia resolvido seus próprios conflitos e aceitado isso.

— Eu apenas não tinha percebido isso naquele momento — acrescentou.

— Você bateu a cabeça? Seu modo de pensar parece completamente diferente de ontem. E não me parece que você esteja apenas tentando manter uma fachada ou algo assim, mas… — disse Horikita, deixando a frase no ar. Apesar das dúvidas dela, Hirata apenas respondeu com um sorriso tranquilo.

— Vou fazer o meu melhor para recuperar a confiança que perdi. Gostaria que você me explicasse os detalhes do exame especial mais tarde.

— Entendo. Depois que você entender a situação, vou testá-lo para ver se realmente pode ser útil. Tudo bem para você?

— Sim, claro.

Ele estendeu a mão. Estava oferecendo um aperto de mão — pedindo reconciliação.

Horikita aceitou. Depois disso, Hirata foi novamente cercado pelos colegas de classe, um após o outro. A sala de aula havia se tornado um lugar tão alegre e luminoso que era difícil acreditar que, apenas alguns minutos antes, estava mergulhada em tristeza.

— Bem, talvez isso signifique que finalmente estamos prontos para enfrentar o exame especial — disse Horikita.

— Parece que sim.

Pode-se dizer que o retorno de Hirata foi o maior reforço que a Classe C poderia ter recebido naquele momento. Koenji, porém, parecia ser a única pessoa completamente indiferente a tudo isso.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora