Ano 1 - Volume 10
Epílogo: Os Alunos Expulsos
O SÁBADO DE manhã finalmente havia chegado. Era o dia do exame. Ao que tudo indicava, quase todas as turmas já haviam chegado a um consenso. Na Classe A, seria Katsuragi. Na Classe D, Ryuen Kakeru. E a Classe B ainda acreditava que ninguém seria expulso.
Claro, existia a possibilidade de nenhum deles ser expulso. Ou de todos serem. Ninguém poderia saber com certeza até que os resultados fossem anunciados. Mesmo que tentassem eliminar alguém, seus planos poderiam ser frustrados caso essa pessoa recebesse votos de elogio de outras turmas.
Tudo o que importava era o que aconteceria dali em diante. Eu também não estava cem por cento seguro. Não havia garantias absolutas neste exame. Ainda nos reunimos na sala no horário habitual, mas a prova só começaria às nove. Agora eram cerca de oito e meia. Fiquei me perguntando se a escola havia marcado o exame um pouco mais tarde por consideração… ou por um motivo muito pior.
Talvez fosse apenas um truque para manter os alunos mergulhados na dúvida até o último instante.
— Então, no fim das contas, você realmente não fez nada? — perguntou Horikita.
— O quê?
— Estou perguntando se você só ficou assistindo, mesmo estando em perigo.
— Eu pareço alguém que fez alguma coisa?
— Pelo menos, à primeira vista, não parece.
— Então aí está sua resposta. Não fiz nada desta vez. Se alguém me salvou, foi você.
— Então não vai ter graça nenhuma se você acabar sendo expulso depois de tudo isso.
— Não acho que acharia graça nem se fosse expulso mesmo depois de lutar, como você fez.
Talvez aquela fosse a última conversa que teríamos como colegas de carteira.
— Imagino — respondeu Horikita, de forma breve.
Achei que simplesmente começaríamos o exame em silêncio. Pelo menos, era o que eu pensava… Mas, no último momento, a situação mudou novamente.
— Pessoal, por favor, escutem.
Era Hirata. Ele havia discutido com Horikita outro dia, mas não tinha feito nada além de dizer que votaria nela. Claro, alguns alunos que o admiravam poderiam segui-lo, mas isso dificilmente seria decisivo.
A posição de Horikita dentro da Classe C era relativamente alta. Seu jeito direto podia parecer áspero, mas, ao mesmo tempo, as pessoas sentiam que podiam confiar nela.
— Depois de ouvir o que a Horikita-san disse ontem, assim como o que todos vocês disseram, cheguei a uma conclusão. E… bem… o foco principal deste exame é em quem devemos usar nossos votos de crítica, certo? — disse Hirata, calmo.
— Ele ainda tem algo a dizer? — comentou Horikita.
— Parece que sim — respondi.
Se não tivesse, não traria isso à tona agora.
— Isso é inútil. Ele não tem plano algum. Só pode falar e tentar adiar o inevitável.
Eu não tinha tanta certeza disso. Havia algo como determinação nos olhos de Hirata.
— Antes de tudo, gostaria de pedir desculpas pelo que disse ontem, quando falei que usaria meu voto de crítica em você, Horikita-san.
Como imaginei, Hirata se curvou diante dela.
— Não há necessidade de pedir desculpas. O que você está tentando fazer? — perguntou Horikita.
— Eu decidi que você é necessária para esta turma.
— Posso interpretar isso como o fato de que você pensou em alguém que não é?
— Sim. Pensei — respondeu Hirata com firmeza.
— Pode nos dizer quem?
— Sim. Direi agora.
Hirata se levantou lentamente e foi até o púlpito — exatamente como Horikita havia feito no dia anterior.
— Eu amo esta turma. Acho que todos vocês são necessários. Não importa o que digam, não vou mudar de ideia quanto a isso. No entanto, sei que isso não resolve o problema.
Depois de muito sofrimento, aquela foi a resposta a que ele havia chegado.
— Gostaria que vocês… usassem seus votos de crítica em mim.
…Exatamente como eu suspeitava que ele faria.
— N-Não tem como fazermos isso! — gritou Mii-chan.
Outras garotas falaram em seguida, dizendo o mesmo.
— Eu não me importo de ser expulso. Estou preparado para isso.
— Pense no que está dizendo… Você perdeu a cabeça? — retrucou Horikita.
— Você mesma disse, Horikita-san. Que se alguém quisesse ser expulso, a discussão acabaria.
— Mas—
— Então estou me voluntariando.
— Não há uma única pessoa nesta turma que queira seriamente que você seja expulso. Você é quem media conflitos. Isso é ridículo.
— Ainda assim, não me importo.
Era seguro dizer que a Classe C já estava um completo caos. A essa altura, qualquer um poderia ser expulso sem que fosse uma surpresa total. A questão já não era mais quem receberia votos de crítica — mas quem receberia votos de elogio.
Sem Hirata, os obstáculos que enfrentaríamos aumentariam drasticamente. Os próximos exames especiais seriam muito mais difíceis. Correríamos o risco de perder uma das figuras centrais da turma.
— Não vou votar contra o Hirata-kun! Sem chance! — gritou Shinohara.
Cada palavra de defesa provavelmente o machucava ainda mais.
— Não há nada a ganhar ao me defender. Já cheguei ao ponto de odiar todos vocês — disse Hirata.
Seu tom era o de sempre, mas suas palavras eram duras.
— Então, por favor… facilitem as coisas para mim.
— E-Eu voto em você, Hirata! — gritou Yamauchi. — Se ele está pedindo, acho que todos devíamos fazer o mesmo!
— Entendo. Então este é o último recurso do Yamauchi-kun… — murmurou Horikita.
Yamauchi provavelmente havia procurado Hirata no dia anterior. Deve ter implorado por ajuda, dizendo que não queria ser expulso. Talvez isso tenha sido o que levou Hirata a se decidir a aceitar a própria expulsão. Após um longo silêncio, Chabashira entrou na sala.
— Vamos iniciar a votação da turma. Os alunos se dirigirão à sala de votação conforme seus nomes forem chamados.
Aparentemente, não votaríamos todos juntos na sala. Fazia sentido — seria possível espiar o voto de alguém caso fosse feito ali. Parecia que a escola estava fazendo o possível para manter o voto anônimo.
Bem… Qual será o resultado?
*
Todos na Classe A aguardavam calmamente o anúncio dos resultados naquele sábado.
A questão de quem seria expulso havia sido resolvida desde o momento em que o exame especial complementar fora anunciado, sem que ninguém levantasse objeções. Quando o sinal tocou, indicando que os resultados seriam divulgados, Mashima entrou na sala.
Ele parecia tão calmo e sereno como sempre. Independentemente do que estivesse por vir, parecia não estar pensando muito nisso — ou, melhor dizendo, estava tentando não pensar.
Aquele era seu quarto ano como professor na Escola. Já havia visto muitos alunos serem expulsos.
— Agora anunciarei os resultados do exame especial complementar. Primeiro, o aluno com mais votos de elogio é… Sakayanagi. Você ficou em primeiro lugar, com trinta e seis votos — disse Mashima.
— Nunca imaginei que todos escolheriam a mim. Muito obrigada — respondeu Sakayanagi diplomaticamente, oferecendo um agradecimento meramente formal à turma.
Ela havia recebido votos de elogio de praticamente todos os colegas.
— Em seguida… anunciarei o aluno que recebeu mais votos de crítica na turma. Tenho certeza de que vocês já sabem, mas o aluno cujo nome for chamado será expulso. Depois disso, ele deverá arrumar suas coisas e vir comigo até a sala dos professores.
Não houve qualquer comoção. Ninguém fez o menor som. Os alunos da Classe A apenas aguardaram, em silêncio e solenemente, o nome do estudante que seria expulso.
— O aluno em último lugar, com o maior número de votos de crítica, um total de trinta e seis, é…
Houve um breve momento de silêncio. Então…
— Totsuka Yahiko.
O nome ecoou pela sala mortalmente silenciosa.
— Isso é ridículo! O que significa isso?! — gritou Katsuragi imediatamente, levantando-se de sua carteira.
— K-Katsuragi-san… P-Por quê…?
Totsuka olhou para ele, incrédulo. Os resultados mostravam que Totsuka havia recebido a esmagadora maioria dos votos de crítica. Trinta e seis no total — garantindo sua expulsão.
Mashima continuou anunciando a quantidade de votos de elogio e de crítica recebidos pelos demais alunos. Katsuragi havia ficado logo atrás de Totsuka em número de votos de crítica, com um total de trinta.
— O que significa isso, sensei? Eu é que deveria ser expulso, não—
— Os resultados estão corretos — respondeu Mashima calmamente.
Uma das garotas abriu a boca, como se tentasse explicar como uma situação tão incompreensível havia acontecido.
— Katsuragi-kun, parece que você recebeu alguns votos de elogio. Fico feliz.
Ao ouvir isso, Katsuragi entendeu o que havia acontecido. Não fora um erro. Tudo havia ocorrido exatamente como planejado.
— Espere, Sakayanagi! Não era eu quem deveria ser expulso?! — gritou Katsuragi.
— Expulso? Você, Katsuragi-kun? Você nunca foi o alvo desde o início — disse Sakayanagi, de forma fria e categórica.
— Pare de brincar! Você mesma disse! Falou em se livrar de mim!
— Agora que você mencionou… sim, eu disse mesmo, não foi? Bem, o que falei sobre me livrar de você… foi uma mentira.
Não havia o menor traço de culpa em seu sorriso gentil.
— Por quê…? Por quê?!
— A resposta é simples. Totsuka-kun não faz nada que beneficie a Classe A. Por outro lado, você, Katsuragi-kun, é perspicaz, possui boas habilidades físicas e mantém uma postura calma e composta. É bastante útil, à sua maneira. Este exame serve para descartar pessoas desnecessárias. Só um idiota eliminaria alguém de valor superior.
— Grr…!
Esse não era o único objetivo de Sakayanagi. Totsuka não era o único aluno que seguia Katsuragi desde o início. Sua expulsão provavelmente teria um impacto significativo na Classe A, servindo de exemplo — mostrando que traidores seriam punidos sem misericórdia.
Plantava-se a ideia de que qualquer um que cooperasse com Katsuragi também seria punido imediatamente.
— Por que fazer algo assim… de forma tão indireta…?
— Não é natural tentar evitar riscos ao máximo? As outras turmas tinham muitos votos de elogio à disposição neste exame. Se Totsuka-kun tivesse recebido votos de elogio delas por conta própria, não creio que conseguiríamos expulsá-lo, por mais que tentássemos — disse Sakayanagi.
Era impossível descartar completamente a possibilidade de que as outras turmas tentassem salvá-lo por capricho. Ao declarar abertamente que Katsuragi era o alvo, ninguém desperdiçaria seus votos de elogio em Totsuka.
— Obrigada por todo o seu esforço, Totsuka-kun. Cuide-se, mesmo depois de deixar esta escola.
— Ugh… M-Maldição! Maldição…! — gritou Totsuka, curvando-se para frente, como se estivesse prestes a desabar.
Katsuragi foi incapaz de se aproximar e dizer qualquer coisa. Normalmente, Totsuka teria ficado feliz ao saber que Katsuragi não seria expulso. Mas, agora que ele próprio seria expulso, isso já não importava. Se fosse Katsuragi o expulso, Totsuka Yahiko poderia ter permanecido na Classe A. Ainda que não gostasse disso, poderia ter seguido Sakayanagi, se formado e levado uma vida de sucesso.
Ele já havia começado a imaginar esse futuro, ainda que vagamente. Mas aquele ataque inesperado lhe tirara tudo.
— Provavelmente não podemos… salvá-lo usando vinte milhões de pontos, certo?
— Sim. Infelizmente, mesmo somando todos os nossos pontos, não chegaríamos a esse valor.
— Totsuka… não há como reverter essa decisão — disse Mashima, também escondendo a dor que sentia.
Totsuka ficou sem palavras. Tudo o que pôde fazer foi assentir lentamente.
— Venha comigo até a sala dos professores por enquanto. Recolheremos suas coisas depois — disse Mashima, conduzindo-o para fora da sala por consideração.
Ficar ali só o machucaria mais.
— A propósito, Mashima-sensei… gostaria de fazer apenas uma pergunta — disse Sakayanagi, interrompendo-o quando ele estava prestes a sair com Totsuka.
— O que foi, Sakayanagi? — respondeu Mashima, pedindo que Totsuka aguardasse no corredor.
— Embora seja triste que Totsuka-kun tenha sido sacrificado neste exame… já foi decidido quem será expulso nas outras turmas, correto?
— Provisoriamente. Assim que os resultados forem confirmados, serão afixados no quadro de avisos do primeiro andar.
— Então… não é possível que Katsuragi-kun ainda seja afetado, dependendo dos resultados? — disse Sakayanagi.
— Do que você está falando, Sakayanagi? — perguntou Katsuragi.
— Apenas estou confirmando uma coisa.
Por alguns instantes, tanto Mashima quanto Katsuragi não pareceram entender o que Sakayanagi queria dizer. Mashima não havia considerado a possibilidade de que ela estivesse se referindo a uma questão específica. No entanto, ao ver o sorriso inquietante em seu rosto, ele percebeu.
— Independentemente de quem for expulso, não haverá esse tipo de repercussão. Aquilo em que você está pensando não vai acontecer — e, mesmo que acontecesse, provavelmente não seria tão fácil expulsar alguém assim — disse Mashima.
— Sim, suponho que esteja absolutamente certo. Muito obrigada.
Depois que Mashima saiu da sala, Katsuragi se aproximou silenciosamente de Sakayanagi. Hashimoto e Kitou se levantaram às pressas e bloquearam seu caminho, provavelmente para evitar qualquer possibilidade de violência caso a situação se exaltasse.
Mas, antes que Katsuragi pudesse dizer qualquer coisa, Sakayanagi falou primeiro.
— Seria completamente irracional guardar rancor de mim, Katsuragi-kun. Este é um exame no qual alguém precisava ser expulso. Fosse você ou Totsuka-kun, devemos aceitar o resultado. O fato é que foram os alunos da Classe A que votaram. Ninguém mais.
— Eu entendo.
Katsuragi nunca tivera a intenção de agir com violência. Ele só pretendia expressar sua insatisfação, mas Sakayanagi o impediu até mesmo disso.
— Que bom. Eu preferiria que você não caísse em desespero e arrastasse a Classe A para baixo. No entanto, caso faça algo que prejudique a Classe A, então…
— Já disse que entendo. Não envolva mais ninguém.
— Fico feliz que tenhamos encerrado essa conversa tão rapidamente — disse Sakayanagi.
Se Katsuragi tivesse demonstrado ressentimento pela expulsão de Totsuka, Sakayanagi teria eliminado outro aluno da Classe A. Essa era a ameaça implícita. Sakayanagi sabia muito bem que, enquanto Katsuragi a obedecesse, ele poderia contribuir enormemente para a Classe A.
Agora, Katsuragi havia desistido completamente. Não lhe restava outra opção senão levantar a bandeira branca.
— Agora então… como será que as outras turmas estão neste momento? — murmurou Sakayanagi.
Claro, ela não se importava nem um pouco com as Classes B ou D. Só queria saber dos resultados da Classe C — a turma de Ayanokoji.
Mal podia esperar.
*
O som de Yamauchi se remexendo inquieto era extremamente irritante.
— Ei… fica um pouco quieto, Haruki — sussurrou Ike, em tom de advertência.
— C-Cala a boca. Eu sei.
— Heheheh heh. De qualquer forma, parece que sua derrota já foi decidida. Estou enganado? — disse Koenji.
— Do que você tá falando, Koenji? Eu não vou ser expulso — respondeu Yamauchi, virando-se lentamente com um sorriso perturbador.
— Tenho certeza de que vários alunos da nossa turma votaram contra você.
Ike e Sudou não puderam fazer nada enquanto Koenji provocava Yamauchi.
— Não é verdade. Sou eu quem será expulso — disse Hirata.
— Ainda dizendo esse tipo de absurdo? Você realmente não percebe o que está acontecendo?
— O que quer dizer?
Koenji tirou o celular do bolso, com um sorriso audacioso.
— Recebi esta mensagem de várias garotas da turma. Diz o seguinte: "Acho que o Hirata-kun pretende se sacrificar amanhã e vai se voluntariar para ser expulso. Ele pode dizer coisas terríveis ou agir de forma cruel com todos, mas esses não serão seus verdadeiros sentimentos. Por favor, confiem nele e deem apenas votos de elogio." Parece que essa mensagem chegou a todos, exceto a você e ao Yamauchi-kun, não?
Hirata se aproximou e olhou a tela do celular.
— A maioria dos alunos sentiria simpatia ao ver algo assim. Afinal, o fato de você ter se esforçado pela turma durante todo o ano não foi um sonho, foi? Não faz mais sentido que você receba ainda mais votos de elogio? — disse Koenji.
— Mas eu…
A possibilidade de Hirata receber mais votos de crítica desapareceu ali mesmo. E quem ficou incomodado com isso foram, naturalmente, os alunos em risco de expulsão.
— Você parece calmo. É quase como se já soubesse o que ia acontecer — disse Hirata.
— Você provavelmente também sabia.
— Mesmo que soubesse, eu não ficaria tão tranquilo assim. Enquanto houver dúvida, ainda há motivo para preocupação.
— Ele é o único que deveria estar tremendo agora — disse Koenji.
Os olhares de quase toda a turma estavam cravados nas costas de Yamauchi. Como ele responderia a isso? Yamauchi se levantou lentamente e se virou para Koenji. A expressão em seu rosto indicava que ele estava confiante de que sairia vencedor.
— Heh — soltou uma risada de escárnio. — Tanto faz. Podem falar o que quiserem… mas não sou eu quem vai ser expulso.
— Oh? Vamos ouvir o motivo — disse Koenji.
— Tá bom. Eu conto.
Parecia que Yamauchi já estava farto das provocações.
— Quantos de vocês vão votar contra mim? Vinte? Trinta? Eu nem traí vocês de verdade, mas estão sendo horríveis comigo. Sério! Mas tudo bem. Eu perdoo vocês — disse Yamauchi, sorrindo despreocupadamente enquanto batia no ombro de Ike. — Foi mal, Kanji. Por te fazer se preocupar tanto.
— A-Ah… tá bom.
Ike, sem entender nada, apenas assentiu.
— Quer dizer, tem várias pessoas que podem ser expulsas da nossa turma, né? Pode ser eu, o Kanji, o Sudou, o Koenji ou o Ayanokoji. Mas, sabe, não tenho certeza de quantos votos de elogio vocês vão receber. Estou tão preocupado…
— Pelo jeito que você falou, parece que espera receber muitos votos de elogio — disse Koenji.
— É isso mesmo. Na verdade, vou receber muitos.
— Mesmo que receba votos por pena de seus amigos mais próximos, seriam no máximo quatro ou cinco. Dificilmente isso o deixaria seguro, não acha?
— Não tem problema. Mesmo que fosse só isso, já bastaria. Hahahahahah… Isso mesmo! É inútil! Tudo isso é inútil! — gritou Yamauchi, erguendo os braços dramaticamente. — A Sakayanagi-chan prometeu que vai me conseguir vinte votos de elogio! Isso significa que, mesmo que a maioria da turma vote contra mim, eu não serei expulso!
Percebendo que não havia mais sentido em esconder, ele revelou sua carta na manga.
— Por isso não importa quantos de vocês votem contra mim… estou protegido pela Classe A!
Os votos já haviam sido lançados. Provavelmente era verdade que Sakayanagi fizera essa promessa. Se ele recebesse cinco votos de elogio da Classe C e vinte da Classe A, mesmo no pior cenário ainda terminaria com cerca de nove votos de crítica.
Ou seja, não seria expulso. Seria eu ou Koenji. Ou talvez Sudou ou Ike. Os segundos colocados estariam em perigo.
— Então por que parece tão ansioso? Não deveria haver motivo para isso, não? — respondeu Koenji.
Yamauchi não estava calmo. Ele tremia de medo, claramente sob enorme pressão psicológica.
— É que…
— Já que fez um acordo com o inimigo, presumo que tenha obtido um contrato por escrito, certo? Esse é um dos fundamentos de qualquer negociação, não é?
— N-Não, mas nós…
— Promessas verbais foram feitas para serem quebradas. Aquela garotinha não é desse tipo.
— Eu sei, eu sei! Mas vai ficar tudo bem! — gritou Yamauchi.
As palavras de Koenji não estavam surtindo efeito. Yamauchi já não podia fazer nada além de acreditar que receberia aqueles votos de elogio. Ele devia ter confirmado isso com Sakayanagi inúmeras vezes na noite anterior.
— Bem, então suponho que você não tenha com o que se preocupar. O voto de crítica que dei a você seria inútil, não é? — disse Koenji.
— Isso mesmo! Inútil! Totalmente inútil!
— Fique quieto, Yamauchi. Dá para ouvir seus gritos até do corredor — disse Chabashira, que acabara de entrar na sala. — Desculpem pela espera. Agora anunciarei os resultados da Classe C. Todos, por favor, sentem-se.
Finalmente, o momento do julgamento havia chegado. Em breve, um aluno seria expulso da nossa turma. Poderia ser Yamauchi, que tentava convencer a si mesmo de que tudo ficaria bem. Ou Sudou ou Ike, que haviam sido apontados como possíveis próximos alvos. Ou Hirata, que aguardava calmamente o resultado. Ou Koenji, que agia como sempre. Ou Horikita, ou eu, que observávamos em silêncio. Ou talvez outra pessoa.
— Primeiro, anunciarei os nomes dos três alunos com o maior número de votos de elogio. Em terceiro lugar está… Kushida Kikyou.
Kushida soltou um suspiro de alívio ao ouvir seu nome. Apesar de ter sido alvo de Yamauchi no dia anterior, acabou recebendo votos de elogio — o que fazia sentido, considerando o quanto era idolatrada pela turma.
— Em seguida… em segundo lugar… — disse Chabashira, lendo o resultado com mais calma. Nem eu conseguia prever o que viria a seguir. — Hirata Yousuke.
— O quê…?!
No momento em que seu nome foi chamado, Hirata fechou os olhos e ergueu o rosto. Seu comportamento de antes não lhe trouxe consequências negativas. Isso só demonstrava o quanto havia se esforçado pela turma ao longo do último ano. Ele conquistara uma confiança enorme — especialmente das garotas.
Mesmo que eu não tivesse agido nos bastidores para que Kei espalhasse aquela mensagem, o resultado provavelmente não seria muito diferente.
— M-Mas, se o Hirata ficou em segundo… então quem ficou em primeiro?
Todos esperavam que Hirata ou Kushida ocupassem o primeiro lugar. O fato de estarem em segundo e terceiro significava que alguém os havia superado.
— Em primeiro lugar está…
Um sorriso surgiu no rosto de Chabashira antes que ela lesse o nome. Fechei os olhos.
— Ayanokoji Kiyotaka.
— Então esse foi o resultado no fim das contas, hein?
— C-Como?! — gritou Yamauchi, sendo o primeiro a reagir. — Professora, não quer dizer que ele ficou em primeiro em votos de crítica?!
— Não. Ele está, sem dúvida, em primeiro lugar em votos de elogio. Um resultado excelente. Quarenta e dois votos.
Mais votos de elogio do que o número de alunos da turma. Todos ficaram atônitos ao ouvir isso.
— O que você fez…? — perguntou Horikita, incapaz de esconder o choque.
— Eu já disse, não fiz nada.
Foi Sakayanagi quem fez tudo.
— E agora, o aluno com o maior número de votos de crítica, com um total de trinta e três… infelizmente, é você, Yamauchi Haruki — disse Chabashira, e suas palavras o atingiram como um tapa.
Antes que pudesse sequer entender o que estava acontecendo, Yamauchi foi informado de sua expulsão.
— T-Trinta e três votos?!
Isso praticamente confirmava que ele não recebera nenhum voto de elogio da Classe A. Sudou ficou em segundo lugar em votos de crítica, com vinte e um. Ike ficou em terceiro, com vinte. Os amigos de Yamauchi perceberam que eles também não estavam seguros.
— Não! Por quê?! Por que eu tenho que ser expulso?!
Chabashira se aproximou para apoiá-lo, mas ele a afastou.
— Haruki…
Ike e Sudou só puderam abaixar a cabeça. Enquanto aguardavam o resultado, também sabiam que, se Yamauchi não fosse expulso, talvez eles fossem.
— Por quê?! Por quê?! POR QUÊ?! Esse teste idiota! Esse exame idiota!
— Você é livre para pensar o que quiser, mas essa decisão não pode ser revertida, Yamauchi.
— CALA A BOCA!! — uivou ele. — Isso mesmo… Sakayanagi! Por favor, falem com a Sakayanagi! Ela disse que usaria votos de elogio em mim! Ela quebrou a promessa! Isso pode mesmo ficar assim?!
— Você tem algo que comprove claramente que tal promessa foi feita?
— Ela prometeu! No karaokê! Eu ouvi!
— Mesmo que eu queira acreditar em você, isso não prova nada.
— Isso é horrível… É a pior coisa do mundo…
— Está na hora de ir, Yamauchi.
Mesmo assim, ele não se mexeu.
— Apresse-se e saia da sala. Você já foi eliminado — disse Koenji.
— Eu não aceito isso!
— Então, até o fim, você continua sendo um miserável patético e sem esperança, não é?
Com a provocação persistente de Koenji, Yamauchi finalmente perdeu o controle.
— AAAAAAAHHH!!
Ele pegou a cadeira em que estava sentado, correu até Koenji e a balançou com as duas mãos, mirando sua cabeça.
Um golpe direto teria machucado bastante. Mas Koenji não era tão descuidado a ponto de ser atingido por um ataque tão óbvio. Ele segurou a perna da cadeira com facilidade, detendo o golpe, e então a arrancou das mãos de Yamauchi.
— Você veio até mim com intenção de matar. Certamente não pode reclamar se eu fizer algo a respeito, hm?
O rosto de Yamauchi endureceu.
— Já chega — disse Chabashira, percebendo o perigo e intervindo.
Koenji soltou a cadeira imediatamente.
— Yamauchi, pelo seu próprio bem, não faça mais nada.
Os colegas o observavam com olhares cheios de pena. Então, algo se quebrou dentro dele.
— W-Waaah!
Ele desabou ali mesmo, soltando um som entre choro e grito.
— Lá fora — disse Chabashira.
Ao ouvir novamente que era hora de ir, Yamauchi perdeu o último resquício de resistência que lhe restava.
*
Uma pessoa estava faltando na sala de aula. Era a mesma sala de sempre — e, ainda assim, parecia completamente diferente. O ambiente estava pesado; todos estavam abatidos.
Provavelmente teria sido assim, não importa quem tivesse sido expulso. Mesmo assim, já que alguém precisava sair, era natural que tivéssemos que pesar os prós e os contras. Quem era necessário para a turma? Quem era dispensável? Era isso que precisávamos decidir. Uma pessoa se levantou. Depois disso, todos os outros também se levantaram e saíram um a um, sem dizer quase nada.
Tínhamos um dia de folga. Na segunda-feira, voltaríamos a nos ver naquela sala. E, quando isso acontecesse… Yamauchi não estaria mais lá.
— Ele está mais abalado do que eu pensei.
O "ele" a quem Horikita se referia era, claro, Hirata, que permanecia atordoado desde que Yamauchi saíra. Continuava sentado em sua carteira, completamente imóvel, olhando para frente sem expressão.
— Hirata-kun… hum…
Mii-chan o chamou timidamente, preocupada. Mas Hirata apenas moveu levemente o olhar na direção dela, sem dizer nada. O que ele pensava da nossa turma agora? Só ele sabia a resposta. Mas não tinha escolha além de seguir em frente.
Os outros alunos, incapazes de vê-lo naquele estado, começaram a sair lentamente em direção aos dormitórios. Sudou e Ike também deixaram a sala em silêncio.
"Vamos voltar para o dormitório em silêncio hoje."
Todos do Grupo Ayanokoji concordaram com o que Haruka escreveu no chat.
— Acho que vou voltar também — disse em voz alta.
Com a bolsa na mão, fui saindo da sala. Antes disso, porém, parei diante de Koenji, que ainda permanecia ali.
— O que foi, Ayanokoji-boy?
— Nunca pensei que você fosse agir pelo bem da turma.
— Claro que sim. Até eu cooperaria com a Horikita-girl para evitar ser expulso.
— Não foi isso que quis dizer. Você provocou o Yamauchi o tempo todo porque queria assumir o ingrato papel de ser o único alvo do ódio dele.
Se fosse expulso, Yamauchi certamente passaria a odiar os colegas de classe — mas Koenji fez com que toda a raiva dele se concentrasse apenas nele, provocando-o mais do que qualquer outra pessoa. Quando Yamauchi foi informado de sua expulsão e perdeu completamente a razão, Koenji assumiu a situação e lidou com ele pessoalmente.
Aos olhos dos outros, porém, ele provavelmente só parecia um babaca.
— Hm. Não me lembro de nada disso. Eu apenas quis assistir de perto à sua patética desintegração.
— Entendo. Vamos deixar por isso mesmo, então.
Assim que saí da sala, Horikita correu atrás de mim e segurou meu braço.
— Ayanokoji-kun… quanto disso você já tinha previsto? E desde quando?

Quando Sakayanagi ofereceu uma trégua para este exame, eu tinha mais de noventa por cento de certeza de que não precisaria me preocupar em ser expulso. Era óbvio que ela não queria me derrotar por meio de um ataque furtivo e sem sentido. Ela não ficaria satisfeita em mentir sobre uma trégua apenas para me expulsar da escola.
Por outro lado, ela vinha usando Yamauchi para tentar me expulsar. Uma clara violação da nossa trégua — ou, pelo menos, não seria estranho encarar dessa forma.
O que significava que havia uma contradição. E, para eliminar essa contradição, Sakayanagi precisava fazer tudo o que pudesse para anular os votos de crítica que eu receberia.
Em outras palavras, ela usaria a maior parte dos votos de elogios da Classe A em mim. Assim, mesmo que eu recebesse vinte ou trinta votos de crítica da Classe C, ainda estaria seguro. Minha segurança estaria absolutamente garantida.
Então… por que ela fez isso? Provavelmente para expulsar Yamauchi Haruki.
Ao fazê-lo assumir o papel de vilão, ela reduziu sua reputação dentro da Classe C. Claro, eu não podia dizer que tinha cem por cento de certeza disso tudo. Não era possível descartar completamente a possibilidade de Sakayanagi estar tentando me expulsar por meios escusos — e foi por isso que pressionei Horikita e a usei para enterrar Yamauchi.
E, ao fazer com que todos na turma soubessem que Yamauchi estava tentando expulsar alguém inofensivo como eu, consegui alguns votos por simpatia… ou porque queriam me proteger.
Embora, sinceramente, terminar com o maior número de votos de elogios talvez tenha sido um pouco demais.
— Eu não te disse antes? No sentido mais claro possível, eu não participei deste exame.
— Mas…
— Bem, estou indo embora.
— Ayanokoji-kun!! — gritou Horikita, parada no lugar. — Foi você, não foi…? Quem contou ao meu irmão sobre a ligação entre Yamauchi-kun e Sakayanagi-san.
Desci as escadas sem responder e dei uma olhada no quadro de avisos do primeiro andar. Nele, havia um comunicado mostrando como as outras turmas haviam se saído neste exame.
Resultados da Votação em Classe
ALUNOS EXPULSOS
Classe A = Totsuka Yahiko
Classe B = N/A
Classe C = Yamauchi Haruki
Classe D = Manabe Shiho
Apenas esses três alunos serão expulsos. Não haverá mudanças nos Pontos de Classe por causa deste teste.
— Yahiko, hein… Então todo aquele papo sobre expulsar o Katsuragi era só uma farsa — murmurei.
Os totais de votos de elogios também haviam sido divulgados, além dos de crítica. Sakayanagi ficou em primeiro lugar na Classe A, Ichinose em primeiro na Classe B, e Kaneda na Classe D.
Dos três, Kaneda teve o menor número de votos de elogios, ainda assim ficando em primeiro em sua turma, com vinte e sete. Já Ichinose recebeu impressionantes noventa e oito votos.
Considerando que a maioria dos alunos da Classe A havia usado seus votos de elogios em mim, isso só deixava claro quantas pessoas valorizavam Ichinose. Outros alunos começaram a aparecer, provavelmente querendo confirmar os resultados por conta própria.
Katsuragi e Ryuen chegaram quase ao mesmo tempo.
— Vejo que você também não foi expulso, Katsuragi.
— Você tirou as palavras da minha boca. Tinha certeza de que seria você a desaparecer — respondeu ele.
— Heheheh. Aparentemente, tenho o Ceifador do meu lado — disse Ryuen.
— Ceifador? — perguntou Katsuragi.
— Não se preocupa com isso. Não é como se você pudesse vê-lo, de qualquer forma — respondeu Ryuen, olhando para os resultados com um sorriso. — Mas, tenho que dizer… parece que aquela Sakayanagi aprontou algo bem interessante. Cara, não acredito que ela jogou seu único aliado aos lobos de propósito.
Apesar do tom divertido de Ryuen, Katsuragi, ao seu lado, parecia arrependido.
— Ela acabou com o seu espírito de luta, hein?
— Não tenho absolutamente nada a ganhar agindo mais do que já agi — respondeu Katsuragi.
— Então o quê? Vai simplesmente seguir a Sakayanagi em silêncio até a formatura? Que patético.
………
Houve um breve silêncio. Mas havia algo quase assustador na expressão de Katsuragi. Yahiko, que sempre fora leal a ele, havia desaparecido. Ao mesmo tempo, isso significava apenas que Katsuragi não tinha mais ninguém para proteger.
— O que foi, Katsuragi? Não sabia que você conseguia fazer uma cara dessas — disse Ryuen. — Do jeito que está agora, até parece que você poderia enganar a Sakayanagi.
— Chega de piadas. Mais importante, o que pretende fazer agora? Então sua vida foi poupada pelo Ceifador, é? Vai desafiar Sakayanagi, Ichinose e Horikita de novo?
— Não tenho interesse — respondeu Ryuen de imediato. — O contrato que tenho com a Classe A ainda está valendo. Vou continuar drenando vocês aos poucos enquanto fico de boa por aí. Só passei aqui para agradecer por isso.
Aparentemente, era por isso que ele havia vindo. Afinal, do ponto de vista de Ryuen, a expulsão de Katsuragi provavelmente teria anulado seu contrato. Katsuragi foi embora na frente, voltando para o dormitório. Agora, restávamos apenas Ryuen e eu.
— Vem aqui um segundo — disse Ryuen.
Sem recusar, segui-o enquanto ele me levava para os fundos do prédio da escola.
— Desde quando você virou um santo, hein, Ayanokoji?
— Eu não tive nada a ver com isso. Claro, mesmo que eu diga isso, não parece que você vai acreditar.
Mas eu sabia que Ryuen tinha uma ideia bastante clara do que eu havia feito.
— Não fui eu quem fez isso. Foram as pessoas que gostam de você.
Olhei para o céu enquanto relembrava o que havia acontecido nos últimos dias.
*
COMO OS RESULTADOS DO EXAME MOSTRARAM, ninguém havia sido expulso da Classe B, e Ryuen conseguiu permanecer na escola. Eu estive envolvido nos bastidores desses dois grandes acontecimentos — tudo começou no dia em que encontrei Hiyori na biblioteca e convidei Ichinose para o meu quarto.
Por volta das dez da noite daquele dia, a campainha do meu quarto tocou. Poucas pessoas costumavam vir me visitar — Horikita, Kushida ou os membros do Grupo Ayanokoji. Mas eles geralmente me mandavam uma mensagem antes, e desta vez eu não havia recebido nenhuma ligação ou aviso.
Ou seja, não era esse tipo de visitante. Quem poderia estar me procurando a essa hora?
— Bom, essa é nova — murmurei.
No monitor do interfone apareciam duas pessoas que eu não esperava ver. Pareciam estar com frio enquanto aguardavam que eu atendesse.
— Bem… acho que o toque de recolher só vale para os andares superiores — pensei em voz baixa.
Era proibido entrar nos andares das garotas depois das oito da noite, mas mesmo que alguém quebrasse essa regra, não havia problema se não fosse pego. E, mesmo que fosse, a punição não era tão severa nas primeiras vezes. De qualquer forma, garotas podiam vir me visitar sem problema.
— Sim?
Não fui muito receptivo, mas respondi como de costume.
— Queremos falar com você — disse o garoto, aproximando-se da câmera. Um close de seu olho apareceu na tela. Parecia que não era o tipo de conversa que se podia ter pelo interfone.
— Só um momento — respondi.
Fui até a porta e a destranquei. Assim que o fiz, a pessoa do outro lado a abriu com força. Ishizaki, da Classe D, entrou de uma vez. Ele empurrou a porta com tanta força que teria me atingido se eu não tivesse sido cuidadoso.
— Foi mal invadir assim. Ei, entra logo. Tá frio pra caramba lá fora — disse Ishizaki.
— Sério, por que eu tenho que estar aqui mesmo…? — resmungou a outra pessoa ao surgir atrás dele.
Era Ibuki, outra aluna da Classe D.
— Anda logo, entra — insistiu Ishizaki.
— Tanto faz.
A pedido dele, Ibuki entrou no meu quarto. De fato, um vento frio vinha do corredor, então fechei rapidamente a porta atrás deles. Como ainda estaria frio se ficássemos perto da entrada, levei os dois até o interior do quarto.
— Então, que assunto vocês têm comigo a essa hora da noite?
Ao ouvir minha pergunta, Ishizaki juntou as mãos rapidamente.
— Por favor, Ayanokoji! Nos diga como impedir que o Ryuen-san seja expulso!! — implorou.

— O quê?
Aparentemente, os dois haviam invadido meu quarto no meio da noite para me pedir um favor completamente absurdo.
— Eu ouvi errado? Pode repetir?
— Eu pedi pra você nos dizer como impedir que o Ryuen-san seja expulso!
Então eu não tinha entendido errado.
— Para com isso, Ishizaki. Não é como se o Ayanokoji fosse nos ajudar de qualquer forma — disse Ibuki. Pelo visto, ao contrário de Ishizaki, ela não estava ali para me pedir nada.
— Bem, é… você provavelmente tem razão, mas o A J a n o k o u j i foi o único em quem consegui pensar — disse Ishizaki.
— Tanto faz. Eu não me importo. Só vim porque o Ishizaki me arrastou até aqui. Ele me ligou tipo um milhão de vezes… — reclamou Ibuki, soltando um suspiro exasperado enquanto me mostrava a tela do celular. No histórico de chamadas, havia pelo menos cinquenta ligações perdidas do Ishizaki.
— Não tinha como eu vir falar com ele sozinho! Ele é nosso inimigo!
— E continua sendo nosso inimigo, mesmo comigo aqui. Você é mesmo um idiota — retrucou Ibuki.
— Ah, cala a boca… — resmungou Ishizaki. Os dois começaram a discutir entre si.
— Bom, imagino que vocês não sejam assassinos enviados pelo Ryuen — comentei. Se estivessem fingindo, era uma atuação convincente. Mas duvidei que fosse o caso.
— Claro que não. Não tem como… o Ryuen-san pedir algo assim. Você sabe disso.
— É… imagino que sim.
Ryuen já havia dado sinais de que estava desistindo, ao dizer a todos que havia sido derrotado por Ishizaki. Na verdade, parecia totalmente decidido a deixar a escola. Mesmo que não tivesse intenção de desistir, ele jamais pediria minha ajuda. Nunca aceitaria algo tão humilhante.
— Você realmente não quer que o Ryuen seja expulso? Já esqueceu de todas as coisas horríveis que ele fez? — perguntou Ibuki.
— Bom… é, ele fez muita coisa errada. Mas agora é diferente.
— Diferente como?
— Hã? Diferente como assim?
— Estou perguntando o que é diferente agora.
— Acho que… agora eu entendo que o Ryuen-san é alguém de quem a Classe D precisa — respondeu Ishizaki.
— Eu não entendo você. Tem ideia de quantos problemas tivemos por causa dele? — rebateu Ibuki.
Pelo visto, eles vieram até aqui sem sequer alinharem suas opiniões antes. Pareciam incapazes de se entender.
— Se vão brigar, façam isso depois — falei.
Eles pararam de se encarar.
— Aff… quero voltar pro meu quarto — murmurou Ibuki. Claramente, não estavam de acordo.
— Não fala isso. Você tem que me ajudar a convencer o Ayanokoji.
— Não quero.
— Se vão discutir, façam isso em outro lugar.
Como a conversa não estava indo a lugar nenhum, resolvi perguntar algo.
— A classe inteira do Ryuen odeia ele. Pelo menos é o que parece de fora. Estou errado?
— Bom… acho que… ele é meio odiado, sim.
— "Meio"? Acho que você quer dizer por quase todo mundo. Não tem por que mentir — disse Ibuki.
— Cala a boca! O que eu disse tá bom!
— Ai, que irritante. E para de gritar. Tá cuspindo pra todo lado.
— Já falei, se vão brigar, façam isso depois — repeti.
Se começassem a fazer barulho no meu quarto, os vizinhos ouviriam. Depois de eu os repreender com um pouco de irritação, eles finalmente se acalmaram.
— Impedir que o Ryuen seja expulso seria imprudente.
Fui direto ao ponto.
— Exatamente — concordou Ibuki, assentindo. Mas Ishizaki não parecia tão convencido.
— Não tem nada que possamos fazer?! — gritou. Ao menos, sua motivação era genuína. Ele realmente queria salvar o Ryuen.
— Você quer mesmo impedir que ele seja expulso?
— Quero.
Com exceção de mim, da Ibuki e de mais alguns, a maioria dos alunos parecia odiar o Ryuen. E o próprio Ishizaki já havia sido alvo dos abusos dele várias vezes. Ainda assim, ele estava disposto a vir implorar pela minha ajuda?
— Existem dois motivos principais pelos quais acho que salvar o Ryuen é imprudente — expliquei. — Este exame será decidido pelo número de votos de crítica que a classe dele receber. Mesmo que você, a Ibuki e mais duas ou três pessoas usem votos de elogio nele, é muito provável que ele ainda receba mais de trinta votos de crítica. E, além disso, ninguém vai querer ser expulso no lugar dele.
— M-Mas… não tem tanta gente assim na nossa classe que acredita que podemos chegar ao topo sem as habilidades do Ryuen-san!
Talvez alguns reconhecessem suas capacidades. Mas isso não bastava.
— Atacar o Ryuen, que é o mais odiado da classe, causaria menos dor de cabeça aos outros alunos — disse Ibuki. Ela estava certa.
— Mesmo que, no pior cenário, a gente não suba de classe, ainda queremos nos formar em segurança, não é? Ninguém quer carregar o rótulo de desistente do ensino médio.
Pelo rosto de Ishizaki, a classe já havia discutido isso.
— Como você está sendo tratado como o líder da revolta contra o Ryuen, imagino que já tenha ouvido tudo isso, não é?
Ishizaki assentiu.
— Acho que todo mundo na classe é a favor da expulsão do Ryuen-san, exceto a Ibuki, o Albert e a Shiina.
— Ou seja, ele está ferrado de qualquer jeito — concluiu Ibuki.
— É… está — concordei. Ele estava completamente ferrado.
— Foi por isso que eu vim pedir sua ajuda. Você foi quem derrotou o Ryuen-san, então…
— Você quer saber se existe alguma forma de evitar que ele seja expulso. Antes disso, quero te perguntar uma coisa.
— O quê…?
— Salvar o Ryuen significa que outro colega de classe será expulso. Você entende isso?
Esse era o ponto mais importante do exame.
— Bom, entendo, mas…
— Se realmente entende, então tem alguém em mente para ser expulso no lugar dele?
— N-Não tenho. Não quero me livrar de nenhum colega.
— Então já temos um problema. Este exame foi feito para garantir que alguém seja sacrificado.
Não era uma situação em que bastava dizer que queria salvar alguém.
— Vai, você sabe que o Ayanokoji está certo, não sabe? Se você realmente quer salvar o Ryuen, por que não se oferece para ser expulso? Se pedir para todos votarem contra você, talvez consiga salvá-lo assim — disse Ibuki.
Uma declaração fria. Basicamente, ela sugeria que o próprio Ishizaki fosse descartado — mas, na verdade, essa era provavelmente a opção mais eficaz disponível.
— Então… não tem como evitar que alguém seja expulso? — perguntou Ishizaki.
— É nisso que todo mundo tem pensado, obviamente. E todos já desistiram dessa ideia — respondi.
— É — disse Ibuki, soltando um suspiro curto e irritado. Ela não queria ter vindo me pedir ajuda justamente porque sabia, desde o início, que aquilo era absurdo. — Isso é uma perda de tempo. Não tem como mudar o fato de que o Ryuen vai ser expulso.
— Droga…!
Ishizaki socou a parede, frustrado.
— Acho que o Ryuen pretendia passar os próximos três anos sem tomar nenhuma atitude… mas mudou de ideia assim que ouviu as regras deste exame especial suplementar. Ele provavelmente sabe que não há como evitar a expulsão, e foi por isso que não disse nada — apenas decidiu esperar o exame acabar em silêncio.
Ishizaki também não parecia encarar o sacrifício do Ryuen como algo belo ou nobre. Ele simplesmente não estava resistindo. Só isso.
— E-Eu…
Ishizaki cerrou os punhos, claramente frustrado. Ele realmente queria salvar o Ryuen. Por mais inimigos que alguém tenha, não é ruim ter amigos que o sigam. Talvez o próprio Ryuen nunca admitisse isso, mas ele tinha bons amigos.
Uma ideia começou a se formar na minha mente. No entanto, faltavam algumas coisas para que desse certo.
— Se posso dar algum conselho, seria…
— O quê? Seja lá o que for, fala logo! — gritou Ishizaki, inclinando-se para a frente.
Ele devia estar se agarrando desesperadamente a qualquer esperança. Infelizmente, essa esperança seria destruída.
— Seria um desperdício deixar os pontos privados do Ryuen simplesmente desaparecerem. Se ele vem recebendo repasses da Classe A há tanto tempo, então deve ter acumulado milhões de pontos. Não é?
— É. Ele tem por aí mesmo… se não tiver gastado — disse Ibuki.
— Não há garantia de que esses pontos serão transferidos se ele ainda estiver com eles quando for expulso. Sendo assim, vocês deveriam transferi-los antes que a expulsão seja oficializada. Eles serão úteis para a Classe D no futuro.
Se esses pontos fossem distribuídos, deixariam de ser uma quantia significativa. O ideal era que alguém os mantivesse concentrados por enquanto. Tinha certeza de que o Ryuen ao menos concordaria com isso.
— M-Mas não foi isso que eu perguntei! Eu queria saber como salvar o Ryuen-san! — gritou Ishizaki.
— Para com isso, Ishizaki. Não adianta insistir — disse Ibuki, repreendendo-o com um leve chute. — Dito isso, não tenho intenção de pegar os pontos que o Ryuen guardou, Ayanokoji.
Ela falou com firmeza. Preferia deixar aqueles pontos desaparecerem a implorar por eles.
— Entendo. E você, Ishizaki?
— Nem pensar!
Apesar de pensarem de formas diferentes, estavam de acordo nesse ponto. Estavam decididos a deixar aqueles pontos sumirem caso Ryuen fosse expulso.
— Infelizmente, não há como salvar o Ryuen.
— O quê?!
Ishizaki me encarou, com uma expressão entre raiva e frustração.
— Escuta. A única coisa que vocês podem fazer agora é recolher esses pontos. Este exame não é simples a ponto de permitir que você salve alguém só porque quer.
— Que besteira! Então eu deveria pegar os pontos do Ryuen-san e dizer "até mais"? Nem ferrando!
Ele ergueu o punho, mas Ibuki o segurou imediatamente.
— É inútil. Para com isso. Ele pode parecer normal, mas é um monstro — disse Ibuki.
— Mesmo que eu não seja páreo pra ele, pelo menos consigo acertar um soco!
— Já falei pra parar!
Ibuki lhe deu um tapa na cabeça.
— A gente veio até aqui com esse pedido maluco. E o que o Ayanokoji está dizendo não está errado — você só está descontando a raiva nele. Isso é patético. Pode parar?
— Ugh…
O sangue havia subido completamente à cabeça de Ishizaki. Parecia incapaz de manter a calma quando o assunto era Ryuen. E, aparentemente, nenhum dos dois pretendia fazer algo a respeito dos milhões de pontos que desapareceriam no nada.
Esses pontos definitivamente deveriam ser recolhidos, pensando no futuro da Classe D. Se Ibuki e Ishizaki — amigos do Ryuen — não queriam pegá-los, então paciência…
— Na verdade, eu esperava ver um pouco mais de determinação da sua parte — disse a Ishizaki.
— Hã? O quê? Determinação?
— Se você nem consegue recolher os pontos privados do Ryuen, então isso já não tem mais nada a ver com você.
Com isso, encerrei a conversa. Mas estava meio convencido de que Ibuki e Ishizaki ainda iriam atrás dos pontos privados do Ryuen.
*
Pouco depois das dez da noite, na véspera da prova, meu celular tocou.
— Sou eu. Já recolhi todos os pontos privados do Ryuen.
Ibuki foi direto ao ponto.
— Bom trabalho em conseguir meu contato — respondi, tentando arrancar alguma informação, mas ela não disse nada. Apostei que a Shiina tinha passado meu número para ela. — Então, você conseguiu os pontos?
Eu já imaginava que ela faria algum movimento, mas isso estava sendo decidido em cima da hora.
— Você pode pegar o Ishizaki e vir ao meu quarto agora?
— Hã? Agora?
— Tem algum problema? Preciso falar com vocês sobre esses pontos que recuperaram.
— Não… não tem problema. Tudo bem.
Ibuki concordou rapidamente e disse que entraria em contato com Ishizaki antes de desligar. Talvez por já suspeitarem do que estava por vir, os dois apareceram na minha porta cerca de dez minutos depois. Eu os deixei entrar imediatamente.
— Quantos pontos o Ryuen tinha?
— Um pouco mais de cinco milhões.
— Isso é suficiente. Se não fosse, teríamos que improvisar.
Como eu esperava, não havia sinal de que Ryuen tivesse gasto nada.
— O que você quer dizer com isso? O que vai fazer? — perguntou Ishizaki, sem entender onde eu queria chegar.
Já Ibuki parecia determinada. Ela tinha entendido.
— Você vai usar esses pontos pra alguma coisa, não vai?
— Exatamente.
— Pra quê…? — perguntou Ishizaki.
— Vamos usá-los para uma única coisa. Salvar o Ryuen.
— E-Espera aí! Não disseram que a gente precisava de vinte milhões pra isso?
Era verdade. Não tínhamos nem perto disso.
— Antes de fazermos isso, preciso te perguntar uma coisa, Ishizaki. Você está preparado para carregar esse fardo? Tem determinação para isso?
— D-Do que você tá falando, de repente? Determinação pra quê? Fardo…?
— Manter o Ryuen significa que outra pessoa será descartada. Eu já te disse isso antes, não disse?
— Disse.
Mesmo confuso, Ishizaki assentiu.
— Sim. Estou preparado.
— Entendo. Ótimo. Então quem vai ser expulso?
— Quem vai ser expulso…?
Pelo visto, ele ainda não tinha decidido.
— Se você não conseguir decidir, eu posso escolher por você. Se isso aliviar sua culpa, não é difícil. Claro, se achar que posso eliminar alguém importante da sua classe, não precisa aceitar minha decisão.
— E-Espera. Só me dá um segundo pra pensar…
— Não temos tempo.
— E-Eu já tenho uma resposta.
Ele disse isso, mas se pudesse decidir tão rápido, não estaria sofrendo agora.
— Espera aí. Eu não ligo pra quem a gente vai tirar, mas qual é o plano? Se vamos salvá-lo com esses pontos, ainda faltam quinze milhões — disse Ibuki.
A irritação dela era compreensível.
— Se querem impedir a expulsão do Ryuen, preciso que decidam quem será o alvo no lugar dele.
Discutiríamos os detalhes depois disso.
— Por exemplo, tem algum encrenqueiro na sua classe?
— Encrenqueiros…? Bom, acho que eu e o Komiya. E, entre as garotas, a Nishino ou a Manabe.
— Se vamos manter o Ryuen, não acho uma boa ideia se livrar de alguém como você, que entende a importância dele para a classe. Se houver outro exame como este, não há garantia de que ele estará seguro da próxima vez — disse Ibuki.
— Então… Nishino ou Manabe…
Esses foram os nomes que vieram à mente dele.
— Expulsem uma dessas duas. Ou outra pessoa. Depende de vocês.
Ishizaki também sabia do incidente entre Manabe e Kei no exame do cruzeiro. Se isso influenciasse seu julgamento, Manabe provavelmente seria a escolhida. Mas alguém inesperado falou antes.
— Posso decidir?
— Hã? Você? — perguntou Ishizaki.
— Sim. Tem alguém que eu quero expulsar.
— Quem?
— Quero expulsar a Manabe. É só preferência pessoal.
— Tem certeza de que está bem com essa decisão?
— Deve estar tudo bem. Não é?
Não havia hesitação em seus olhos.
— Se Ishizaki não tiver objeções, então será Manabe. Mesmo assim, não há garantia. Só podemos assegurar que Ryuen não será expulso. Ou seja, quem tiver mais votos de crítica ainda será expulso. Nosso objetivo é reduzir a chance de que um de vocês seja essa pessoa. Não temos muito tempo.
— Entendi… Certo, vou avisar os caras que houve uma mudança e que devem votar na Manabe. Acho que vão aceitar se eu disser que é só para assustá-la, deixando-a com o segundo maior número de votos, depois do Ryuen.
— Nada mal.
Se todos achassem que o destino de Ryuen já estava selado, não se importariam com quem usariam seus outros votos.
— Mas acho que vou me meter em encrenca — disse Ibuki.
— Hã? Como assim?
— A Manabe e as amigas dela provavelmente vão votar no Ryuen e em mim. Ou seja, vou ficar numa situação complicada.
— E-Espera, tá falando sério?
— Até você sabe que eu e a Manabe não nos damos bem, né?
— Bom, sim, mas…
Ishizaki parecia perdido.
— Isso só significa que a Ibuki também já se decidiu.
Claro, se alguém além da Manabe fosse expulso, ela não teria escolha a não ser aceitar.
— Talvez seja uma boa ideia as garotas falarem com a Hiyori.
— Com a Shiina?
— Talvez ela consiga te ajudar com isso. Entre em contato e diga que querem concentrar os votos de crítica na Manabe para salvar o Ryuen.
— Tá bom — respondeu Ibuki, assentindo antes de mandar uma mensagem para Hiyori. — Espera… você já falou com a Shiina? Não consigo imaginar ela concordando em expulsar a Manabe.
— Conversamos um pouco sobre este exame.
Embora Hiyori fosse pacifista, sua determinação era forte quando se tratava de respeitar a vontade da turma.
— Ela disse que ajudaria se fosse pelo bem da classe. Tenho certeza de que vai dar uma mão, já que ela mesma concluiu que é do interesse da Classe D manter o Ryuen.
Controlaríamos, na medida do possível, os votos dos meninos e das meninas. Reduziríamos os votos de elogios da Manabe e aumentaríamos os de crítica contra ela. Ao mesmo tempo, aumentaríamos os votos de elogios da Ibuki e diminuiríamos os de crítica contra ela. Só isso já deveria reduzir drasticamente a diferença inicial.
— Certo, então me diga qual é a sua estratégia. Como pretende salvá-lo com apenas cinco milhões de pontos? — perguntou Ibuki.
O olhar dela dizia para eu me apressar. Peguei meu celular e enviei uma mensagem para certa pessoa. Ela foi lida quase imediatamente, e a resposta veio logo em seguida: a pessoa viria ao meu quarto, já que o prazo era de apenas duas horas. Tivemos sorte por ela ser paciente.
— O que você está fazendo? — perguntou Ibuki.
— Alguém vai vir aqui. É a nossa arma secreta para impedir a expulsão do Ryuen.
— Arma secreta… para impedir a expulsão do Ryuen?
Eles claramente não conseguiam acreditar. Alguns minutos depois, a campainha tocou. Ibuki e Ishizaki ficaram ainda mais tensos.
— Tem certeza de que está tudo bem alguém nos ver juntos? — perguntou Ibuki.
— Não se preocupem com isso. Mas preciso que todos mantenhamos a mesma versão da história.
No breve tempo antes da visitante chegar, expliquei aos dois o que deveriam dizer.
*
— Com licença.
Naturalmente, Ibuki e Ishizaki ficaram chocados ao ver quem tinha vindo. Duvido que tivessem imaginado que fosse essa pessoa.
— Sério…?
— Uau.
— Ah! Eu imaginei que pudesse haver mais gente aqui… Boa noite.
— B-Boa noite — respondeu Ishizaki, um pouco tímido.
A pessoa que havia acabado de chegar era ninguém menos que Ichinose Honami, agora sentada ao lado de Ibuki e Ishizaki, da Classe D. Ao vê-la, Ibuki começou a entender o que estava acontecendo.
— Parece que temos um interesse em comum, não é?
— Hã? O que quer dizer? — perguntou Ishizaki, confuso.
— Sim, parece que temos, Ibuki-san — respondeu Ichinose.
— Ninguém lá fora realmente quer salvar o Ryuen. Mesmo que alguém aparecesse dizendo que daria votos de elogios a ele, não saberíamos se está falando a verdade. Mas… há exceções.
— A-Ah, entendi. Então a Ichinose vai reunir todo mundo da Classe B e…?!
Finalmente, Ishizaki também começou a entender.
— Sim. Vou falar com todos e pedir que usem seus votos de elogios — todos os quarenta da Classe B — no Ryuen-kun. Em troca, a Ibuki-san nos ajudará a completar os pontos privados que faltam.
Era uma estratégia que só poderia funcionar uma vez. Ichinose vinha acumulando pontos privados desde o início do ano, enquanto Ryuen havia feito um acordo com a Classe A e vinha juntando pontos dessa forma. Só eles tinham condições de executar essa jogada.
— Se vocês dois trabalharem juntos, ninguém será expulso da Classe B, e o Ryuen continuará na Classe D.
Não importava quantos alunos da Classe D votassem contra ele: Ryuen só poderia receber, no máximo, 39 votos de crítica. Com o apoio da Classe B, todos esses votos seriam anulados.
Ibuki e Ichinose se encararam. Pessoas que raramente interagiam também raramente tinham confiança mútua. Mas olhar nos olhos de alguém permitia, até certo ponto, julgar se era confiável.
Ichinose desviou o olhar brevemente de Ibuki e me encarou.
— Então… usando vinte milhões de pontos, posso salvar um dos meus colegas da expulsão, certo?
— O que acha? Vai aceitar o acordo ou não? A decisão é sua, Ichinose.
Ela tinha o direito de escolher. Ainda podia recusar a proposta de Ibuki e Ishizaki e pedir ajuda a Nagumo.
— Já me decidi. Se Ibuki-san e Ishizaki-kun concordarem, gostaria de trabalharmos juntos.
— Tem certeza disso?
— Sim. Posso dizer que os sentimentos deles são genuínos.
— Você é idiota, não é, Ichinose? — disse Ibuki.
— Hã?
— Mesmo com todos aqueles rumores horríveis sobre você, ainda assim juntou e guardou os pontos de todo mundo. E agora vai gastar tudo nisso?
— Podemos simplesmente começar a economizar de novo. Já sabemos que não é impossível juntar quase vinte milhões de pontos em um ano. Além disso, não sei se você está em posição de me julgar, Ibuki-san. Você poderia ficar com esses cinco milhões para si, mas decidiu gastá-los com o Ryuen-kun.
Ibuki desviou o olhar, sem responder.
— Eu não sou como você… Além disso, alguém da nossa classe vai acabar indo embora no lugar do Ryuen. Pode muito bem ser eu.
— Mesmo assim, você vai salvá-lo, não vai?
— Ele é… Só não gosto da ideia de ficar devendo algo estranho para ele.
Preparada para ganhar o ressentimento dos colegas, Ibuki ofereceu salvação a Ichinose. Em seguida, transferiu a quantia necessária de pontos privados pelo celular.
— Confere aí.
— Certo.
Ichinose imediatamente pegou o próprio celular e verificou o saldo para confirmar se agora havia vinte milhões de pontos.
— Obrigada. Parece que a transferência foi concluída com sucesso.
Ela nos mostrou a tela, comprovando que realmente possuía os vinte milhões de pontos.
— Vou atuar como testemunha desta negociação. Também gravei esta conversa — disse, tirando meu próprio celular, por uma questão de justiça. — A Ibuki ofereceu cerca de quatro milhões de pontos. Em troca, a Ichinose garantirá que todos os quarenta votos de elogios da classe dela sejam destinados ao Ryuen. Caso haja qualquer quebra deste acordo—
— Se eu considerar que não cumpri a minha parte, abandonarei a escola voluntariamente — declarou Ichinose.
É claro que nenhum de nós realmente acreditava que Ichinose voltaria atrás em sua palavra. Uma transação envolvendo uma quantia tão grande certamente ficaria registrada pela escola — não seria nem surpreendente se fosse sinalizada como suspeita. Ainda assim, por se tratar de Ichinose Honami, Ibuki e Ishizaki sentiram que podiam confiar nela e deixar tudo em suas mãos.
E foi assim que se desenrolou o acordo entre mim, Ichinose, Ibuki e Ishizaki.
*
Os fundos do prédio escolar estavam silenciosos.
— Você disse que, se levasse isso a sério, conseguiria passar por este exame sem ser expulso. Imagino que estivesse pensando no mesmo método, não?
— É. Eu sabia que aquela Ichinose estava juntando pontos. Além disso, ela é certinha demais. Sabia que dava para negociar, mesmo que ela não gostasse de mim. Só não achei que a Ibuki tivesse cabeça ou habilidade para negociar usando pontos privados. Então eu ia simplesmente ficar de boa e deixar que ela pegasse… Não achei que você fosse se meter — respondeu Ryuen.
— Ibuki e Ishizaki vieram me pedir um favor. Aproveitei a oportunidade e fiz bom uso deles. Para mim, foi uma excelente chance de ganhar a confiança da Ichinose, então sou grato por isso. Se eu tivesse ido falar com você diretamente, teria percebido minhas intenções e se recusado a entregar os pontos. Não é?
— Fez bem em não explicar nada para a Ibuki.
Se eu tivesse feito isso, Ryuen teria desconfiado. Perceberia o que estava acontecendo e notaria que eu estava agindo nos bastidores.
— Então foi você quem mirou na Manabe?
Era natural que ele pensasse isso, considerando que ela havia intimidado a Kei.
— Não, foi só coincidência. Você sabe que a Ibuki e a Manabe também não se davam bem, certo?
— Ah, entendi. Ela teve coragem. A Manabe chorou horrores.
Consegui imaginar vagamente como ela reagiu quando seu nome foi anunciado em sala.
— Então fui salvo pela Ibuki e pelo Ishizaki, é? Que favor indesejado…
— Pois é.
Preferi não me aprofundar mais no assunto. Se Ibuki e Ishizaki não tivessem aparecido no meu quarto naquele dia, provavelmente eu teria abordado a Hiyori e pedido que ela recolhesse os pontos da mesma forma. Fiz isso para que Ichinose ficasse em dívida comigo. Ao mesmo tempo, por algum motivo, eu não queria que Ryuen fosse expulso. Esses pensamentos ficaram girando na minha cabeça durante todo o exame.
— O que pretende fazer se o próximo exame for como este?
— Heh… quem sabe?
Ele não disse que não faria nada. Talvez, no fundo, Ryuen sentisse algo por Ibuki e Ishizaki. As coisas podem ficar interessantes se ele voltar à ativa em breve.
Claro, isso depende inteiramente dele. Meu celular tocou. O nome de Ichinose apareceu na tela. Ao perceber que eu estava recebendo uma ligação, Ryuen voltou para o prédio sem dizer mais nada.
— Parece que a Classe B conseguiu passar sem ninguém ser expulso — comentei ao atender.
— Sim. O Kanzaki se ofereceu para ser expulso, então todos concentraram seus votos de crítica nele. Depois, paguei os vinte milhões de pontos para impedir sua expulsão. Tudo se resolveu no último minuto, mas toda a Classe B conseguiu passar em segurança, sem nenhuma expulsão — explicou Ichinose.
— Entendo. Mas o preço que você pagou não foi baixo.
Graças a isso, a Classe B agora estava ainda mais pobre que a Classe D, ainda que temporariamente. Mesmo que recebessem pontos em abril, provavelmente enfrentariam tempos difíceis. Além disso, o segundo ano estava prestes a começar — poderíamos precisar de pontos privados imediatamente.
— Se perdermos pontos privados, podemos recuperá-los. Mas se perdermos um amigo precioso, não há como trazê-lo de volta — disse Ichinose.
Talvez eu tivesse falado demais. Ichinose respondeu sem hesitar. Era evidente sua determinação em garantir que todos na Classe B se formassem juntos.
— O Ryuen-kun pode não ter gostado do resultado. No fim, quem foi expulsa foi a Manabe-san.
Decidi não comentar que havia falado com Ryuen instantes atrás.
— Você era próxima da Manabe?
— Não muito. Acho que só conversamos algumas vezes. Ainda assim, é triste. O Totsuka-kun da Classe A e o Yamauchi-kun da Classe C também se foram…
Ela ainda parecia não acreditar que aquilo realmente havia acontecido.
— Será que alguém vai desaparecer assim de novo, no futuro? — perguntou Ichinose, inquieta.
— Talvez.
Um aluno que você achava que veria todos os dias pode simplesmente sumir.
— Mesmo assim, você vai continuar lutando contra isso, certo?
— Sim. Vou subir para a Classe A com todos os meus amigos e nos formaremos juntos.
Antes de hoje, talvez alguns a chamassem de hipócrita. Mas agora, qualquer dúvida desse tipo havia desaparecido. Não importava o que acontecesse, Ichinose lutaria até o fim para proteger sua classe.
— Muito obrigada, Ayanokoji-kun. Se você não estivesse aqui, eu… — disse Ichinose, deixando a frase no ar.
— Teria começado a namorar o Nagumo? — completei por ela.
— Sim — respondeu, confirmando. — Eu sei que é idiota. Estava tentando me convencer de que seria um preço pequeno a pagar se fosse para salvar meus colegas de classe. Mas… fiquei profundamente aliviada por não precisar escolher esse caminho no fim das contas.
Ela devia estar levando a mão ao peito. Do outro lado da linha, ouvi um longo suspiro de alívio.
— Acho que, mais cedo ou mais tarde, eu definitivamente me arrependeria dessa decisão — acrescentou, soltando uma risada em seguida.
— Se nem o presidente do conselho estudantil nem eu estivéssemos por perto, o que você teria feito?
— Precisa mesmo perguntar?
— Só por curiosidade. Quer dizer, não é como se você não tivesse pensado em outra coisa, certo?
— Sim, eu tinha dois planos. Uma das opções era abandonar a escola eu mesma.
Como imaginei. Ichinose também tinha considerado se sacrificar.
— Mas tive a sensação de que essa não era exatamente a escolha certa. Achei que, como aluna desta escola, eu deveria lutar até o fim.
Ou seja, o outro plano seria a sua verdadeira escolha.
— E o outro plano era… tirar na sorte.
— Entendo…
Era uma estratégia simples, algo em que qualquer um poderia pensar. Mas não era algo que funcionaria sem o consentimento de todos.
— A Classe B estava preparada para isso?
— Sim. Conversamos e decidimos que, se não encontrássemos uma forma de evitar uma expulsão até o dia da votação, tiraríamos na sorte e usaríamos os votos de crítica nas três pessoas que tirassem o palito menor. Não discutimos quem receberia votos de elogios — deixamos que cada um escolhesse por conta própria e veríamos o que aconteceria.
Provavelmente era a única maneira de julgar todos de forma igual, sem levar em conta quem era superior ou inferior. Mesmo que Ichinose tivesse tirado o palito menor, tenho certeza de que isso teria sido compensado pelos votos de elogios que receberia — e que todos teriam aceitado isso.
— Provavelmente foi a forma mais justa de lidar com a situação. Mas esse método definitivamente não teria funcionado nas outras classes — respondi. Quanto mais talentoso o aluno, mais ele rejeitaria uma ideia dessas.
— Ninguém queria ser expulso, mas ninguém queria ver seus amigos indo embora também. Quando expliquei tudo direitinho, todos entenderam — disse Ichinose.
Isso só foi possível porque estavam completamente unidos sob a liderança dela.
— Estou impressionado.
Mesmo que ela não pudesse ver pelo telefone, inclinei levemente a cabeça em sinal de respeito. A estratégia em si não era nada extraordinária, mas o fato de ela estar em posição de executá-la era admirável.
— Bem, falo com você depois. De verdade, muito obrigada, Ayanokoji-kun.
— Fui apenas o intermediário. Se for agradecer alguém, agradeça ao Ryuen e aos amigos dele.
*
Depois disso, percebi que havia recebido outra mensagem.
— Sakayanagi, hein…
Não sabia como ela havia conseguido meu contato, mas decidi encontrá-la mesmo assim. Esperava que ela viesse conferir o quadro de avisos pessoalmente, mas…
Conforme a mensagem, segui até o prédio especial, onde ela disse que estaria me esperando. Mesmo já tendo passado do horário combinado, imaginei que ainda conseguiria encontrá-la se fosse agora. Ao chegar, fui direto ao local onde havíamos conversado da última vez.
— Fico muito feliz que tenha vindo — disse Sakayanagi.
— Se você tem meu e-mail, isso não significa que também tem meu número de telefone?
— Mesmo que não pudesse encontrá-lo pessoalmente, não me importaria — respondeu.
— Sobre o que queria falar?
— Pensei em lhe dar algumas explicações, mais ou menos.
Enquanto falava, Sakayanagi segurava sua bengala e avançava alguns passos, diminuindo a distância entre nós.
— Fiquei preocupada que pudesse tê-lo deixado inquieto ao causar certa confusão. Mas, ao que parece, essa preocupação foi desnecessária.
Ela obviamente se referia ao fato de ter usado Yamauchi para reunir votos de crítica contra mim.
— Quando conversamos sobre adiar nossa disputa, eu estava cerca de noventa por cento certo de que você dizia a verdade. Mas não podia confiar totalmente. Então fiz alguns movimentos por conta própria, só por precaução.
— Eu sei. No entanto, concorda que isso não significa que eu tenha quebrado nossa promessa?
— Você não fez nada para me prejudicar. Além disso, não mentiu.
Deixando de lado o desgaste mental dos últimos dias, o resultado final foi que recebi uma quantidade esmagadora de votos de elogios. Não tinha motivo algum para guardar rancor de Sakayanagi.
— Muito obrigada — disse ela, curvando-se levemente em agradecimento. — A propósito… o Totsuka-kun deveria ter recebido trinta e oito votos de crítica, mas recebeu apenas trinta e seis. Você lhe deu um voto de elogio?
— Não tinha certeza. Mas quando você falou em expulsar o Katsuragi, achei que pudesse estar blefando.
Se fosse o caso, parecia mais provável que estivesse mirando em Yahiko, o seguidor de Katsuragi. Por isso votei nele — mesmo sabendo que um único voto não faria diferença.
— Maravilhoso. Eu sabia que você era o oponente que eu precisava derrotar.
— Então? Tudo isso foi só porque você queria brincar comigo?
— Bem… estaria mentindo se dissesse que isso não fez parte. Mas há um motivo para eu ter desejado adiar nossa disputa. Mencionei algo parecido antes, mas este exame especial suplementar foi, sem dúvida, organizado por alguém com o objetivo de expulsá-lo. Na verdade, essa pessoa me enviou um e-mail pedindo especificamente que eu o expulsasse.
— Um e-mail?
— Sim. Tenho certeza de que o remetente foi a pessoa responsável por afastar meu pai do cargo. Ao que parece, a intenção original era permitir que os alunos só pudessem dar votos de crítica em estudantes de outras turmas. Mas isso não seria um exame absurdo demais?
— Se essa regra tivesse sido aplicada, não importaria que tipo de aluno você fosse. Bastaria que as turmas se unissem para expulsar qualquer pessoa.
Seria um exame completamente ridículo. Um em que até mesmo pessoas como Sakayanagi e Ichinose poderiam ser eliminadas, se alguém assim desejasse.
— Sim. A equipe atual foi veementemente contra, e parece que conseguiram impedir que essa regra fosse implementada. De qualquer forma, cooperar com essa pessoa para expulsá-lo dessa maneira seria a coisa mais entediante possível. Por isso decidi direcionar todos os votos de elogios da Classe A para você, para garantir sua proteção. Assim, mesmo que alguém estivesse agindo secretamente para expulsá-lo, não teria sucesso.
— Nesse caso, por que o Yamauchi? Ele só foi o escolhido da vez?
— Não se lembra? Durante o acampamento escolar, ele esbarrou em mim. Foi bastante rude.
Pensando bem… era verdade.
— Foi uma forma de retribuição — acrescentou ela.
Então foi só isso que bastou para que Sakayanagi o tornasse um alvo? Bem, para ela, parecia motivo suficiente.
— No entanto, eu apenas criei a oportunidade. No fim, ele foi eliminado porque era desnecessário para sua turma.
— É verdade.
Mesmo que Sakayanagi não tivesse se envolvido nesse exame, o resultado provavelmente teria sido quase o mesmo.
— Enfim, esse foi o principal motivo para eu pedir que adiássemos nossa disputa desta vez. Claro, eu adoraria que meu pai fosse reintegrado ao cargo o quanto antes e que a administração da escola voltasse à normalidade…
Não havia mais ninguém no prédio especial. Estávamos apenas nós dois. Mas, de repente, uma figura surgiu entre Sakayanagi e eu, projetando sua sombra no espaço entre nós.
— Oh, olá.
Era um homem de terno.
— É a minha primeira vez nesta escola. Por acaso saberiam onde fica a sala dos professores?
— Ora, ora. Se está procurando a sala dos professores, então está completamente no lugar errado. A propósito — perdoe minha falta de educação — quem é o senhor? — perguntou Sakayanagi.
— Meu nome é Tsukishiro. Sou o novo diretor interino — respondeu ele, com um sorriso gentil e um aceno educado. Devia ter uns quarenta e poucos anos, aproximadamente a idade do pai de Sakayanagi. Um diretor relativamente jovem.
— Hehe. É mesmo? Bem, devo dizer que nosso novo diretor interino deve ter um péssimo senso de direção, se conseguiu se perder e vir parar justamente aqui. Ou talvez… tenha nos visto pelas câmeras de segurança e vindo verificar? Este é o lugar onde Ayanokoji-kun e eu realizávamos nossas reuniões secretas durante o exame. Se o diretor estivesse nos observando o tempo todo, seria fácil vir nos fazer uma visita.
Enquanto Sakayanagi falava, lembrei-me do olhar estranho que ela havia lançado para as câmeras mais cedo. Se alguém estivesse nos observando, talvez ela tivesse feito aquilo para atraí-lo. Parecia que esse havia sido seu plano — e, ao que tudo indicava, a pessoa havia mordido a isca.
O diretor Tsukishiro ignorou a insinuação com um sorriso.
— Você diz coisas muito interessantes. Bem, ouvi dizer que esta é uma escola extremamente agradável. Será que todos os alunos são como você? Com licença…
Ele avançou, como se pretendesse passar entre nós.
— Se está procurando a sala dos professores, não deveria voltar e seguir pelo outro lado? Está no prédio errado.
Enquanto Sakayanagi lhe dava esse conselho educado, Tsukishiro — ainda sorrindo — chutou a bengala dela para longe. A ação inesperada a impediu de reagir, e ela começou a cair.
— Cuidado!
Corri e a segurei antes que atingisse o chão. No instante seguinte, um braço enorme veio na minha direção. Como eu estava segurando Sakayanagi e não podia desviar, recebi o golpe, tentando absorver o impacto. Coloquei-a no chão, mas ele atacou novamente, agarrando meu pescoço e me prensando contra a parede com uma força monstruosa.
— Você não é tão bom quanto dizem os rumores, Ayanokoji Kiyotaka-kun.
Ele apertava minha garganta com tanta força que eu não conseguia emitir som algum. Sua força era quase impossível de compreender, considerando sua aparência. Parecia que seria difícil me livrar dele.
— Bem, o senhor fez algo bastante desprezível, não acha, diretor interino? — disse Sakayanagi.
— Achei que tivesse recebido ordens. Para expulsá-lo.
— Ah, então aquele e-mail veio de alguém do seu grupo? Imagino que seja compreensível querer contar com alguém como eu, já que os funcionários da escola não podem simplesmente expulsar um aluno descaradamente — respondeu ela com um sorriso, levantando-se devagar. — Obrigada por me ajudar, Ayanokoji-kun.
Eu jamais poderia dizer a Sakayanagi, com sua deficiência, para desviar de um ataque. Ela poderia ter se machucado muito mais.
— Não acha que há um problema em o diretor interino usar violência contra alunos?
— Não precisa se preocupar. As câmeras de segurança já foram adulteradas com imagens falsas.
Ou seja, não haveria registro do que quer que acontecesse.
— Agora, tenho uma mensagem do seu pai. Ele disse: "Não vou mais participar desses joguinhos infantis. Volte para casa imediatamente." Que tal piscar duas vezes se concordar?
Ele não me deixou falar, nem sequer me deu a opção de recusar. Era exatamente o tipo de coisa que aquele homem faria. Permaneci em silêncio, sem responder.
— Então não pretende deixar esta escola voluntariamente… — murmurou o diretor interino, entediado. — Não vai ao menos tentar resistir? Mostre-me que você não é apenas um garoto comum.
Ele começou a apertar ainda mais minha garganta. Esse não era um oponente que um estudante comum pudesse enfrentar. Era alguém claramente treinado.
— Você tem mais do que apenas habilidades de observação, não é? Quero ver do que é capaz — provocou novamente. Mas eu continuei sem demonstrar o menor sinal de resistência. Por fim, ao perceber que eu não tinha a menor intenção de reagir, Tsukishiro me soltou.
— Começarei oficialmente a trabalhar nesta escola em abril. Espero sinceramente que esteja ansioso por isso.
E, com essas palavras de despedida, ele deixou o prédio especial.
— Você fez a escolha certa, Ayanokoji-kun — disse Sakayanagi, elogiando minha decisão de não resistir.
— Ele é o diretor interino. Se eu tivesse decidido lutar de forma imprudente, não sei o que poderia usar contra mim — respondi.
Ele disse que as câmeras de segurança estavam exibindo imagens falsas, mas não havia garantia de que não estivesse gravando o que acontecia ali. Teria sido xeque-mate se ele editasse as imagens para mostrar apenas eu sendo violento com o diretor interino.
— Você está bem? — perguntou ela.
— Não se preocupe. Estou acostumado com esse tipo de coisa. Mais importante, Sakayanagi…
— Sim? O que foi?
— Vamos oficializar nossa disputa no próximo exame.
Os olhos de Sakayanagi se arregalaram, aparentemente surpresa.
— Nunca imaginei que você diria isso diretamente para mim.
— Se Tsukishiro vai se envolver a partir de abril, não teremos muito mais tempo para eu lidar com você. Quero deixar isso bem claro. Quero encerrar essa questão.
— Não me oponho. Não haverá necessidade de uma segunda ou terceira vez. Terei prazer em ser sua oponente — disse Sakayanagi.
O exame final do nosso primeiro ano estava prestes a começar. E eu pretendia pôr fim ao confronto que Sakayanagi tanto aguardava.
*
Segunda-feira. Tenho certeza de que alguns alunos da nossa turma estavam se perguntando onde Yamauchi estava. Talvez imaginassem que toda aquela conversa sobre expulsão no último teste tivesse sido apenas para nos assustar.
Mas a realidade era cruel. Depois daquele fim de semana, o número de carteiras na sala havia diminuído em uma. O lugar de Yamauchi Haruki já não existia mais.
O sorriso de Hirata havia desaparecido. O de Kushida também. Nem Sudou nem Ike pareciam ter energia alguma.
— Muito bem. Anunciarei agora o exame final do primeiro ano de vocês.
E assim, nós — os alunos do primeiro ano da Classe C — avançamos para o exame especial final do nosso primeiro ano.
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